LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO X

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COMENTÁRIO DO LEITOR

SAUDADES

Comentário sobre a postagem OS VERSOS QUE TE DOU – J. G. de Araújo Jorge

Ana Maria Nunes Facundo:

Hoje eu tenho 78 anos, mas conheci as poesias de J.G. de Araújo Jorge quando tinha uns 13 ou 14 anos.

Fiquei apaixonada por esse homem, por suas poesias.

Cheguei a ter um caderno, onde passei algumas obras.

E hoje, quando leio suas escritas, ainda me emociono!

Esse poeta, acredito, teve um grande amor!

Que continues a escrever poesias no céu!

Saudades!

DEU NO X

ALEXANDRE GARCIA

A ESQUERDA E A DIREITA CONTRA SERGIO MORO

O senador Sergio Moro (União Brasil-PR).

Se Sergio Moro for cassado, e muita gente está dando isso como certo, haverá nova eleição para o Senado no Paraná. E os jornais estão especulando que as candidatas à vaga de Moro seriam Gleisi Hoffmann, presidente do PT, e Michelle Bolsonaro. Creio que ela não é eleitora lá, mas não sei quais são os prazos para fazer a mudança.

Moro está sendo acusado de excesso de gastos na pré-campanha, porque todo mundo ajudou. A defesa diz que não eram gastos propriamente de campanha, que incluíram gastos em São Paulo quando a campanha foi no Paraná, que eram gastos para a proteção de Moro contra atentados; mas a Procuradoria Eleitoral do Paraná argumentou que foram gastos R$ 2 milhões e que isso é abuso do poder econômico. O caso vai ao Tribunal Regional Eleitoral, e depois Moro pode recorrer ao TSE, onde não há um ambiente muito favorável ao senador, pelo que se fala também por aqui.

Moro conseguiu que o PL e o PT apresentassem pedidos de cassação e inelegibilidade por oito anos. Isso porque ele foi do governo Bolsonaro; depois, pela forma como saiu do governo Bolsonaro; agora, com aquele cumprimento amistosíssimo a Flávio Dino, que tocou também nos bolsonaristas. Moro está meio sem apoio político e da opinião pública, embora tivesse toda a opinião pública a seu favor enquanto combatia a corrupção na Lava Jato. E também há o aspecto de vingança; já pegaram Deltan Dallagnol, que foi o deputado mais votado do Paraná. Agora vão atrás do outro candidato mais votado, que venceu a disputa para o Senado.

* * *

Discurso de Paulo Gonet dá motivos para esperança

Agora temos um novo procurador-geral da República, que também é o novo presidente do Conselho Nacional do Ministério Público: Paulo Gonet, 62 anos. Seu discurso de posse me impressionou. Em primeiro lugar, ele disse que seu trabalho seria técnico, sem visar a palco nem holofote – se diz algo assim, é porque sabe que existe quem faça isso, não? Disse que o Ministério Público passa por um momento crucial porque, afinal, o MP é o defensor das instituições, da lei e da democracia como está na Constituição, e compete a ele privativamente a ação penal pública. Nenhum juiz pode substituir o MP como fizeram no “inquérito do fim do mundo”, assim denominado por Marco Aurélio Mello, que aliás estava na posse de Gonet. É o Ministério Público que tem de tomar a iniciativa. Mais importante ainda: Gonet disse que seu trabalho não era de fazer políticas públicas, mas de defender o funcionamento das políticas públicas decididas pelos representantes eleitos. Ele estava novamente pensando em um tribunal que quer fazer política pública e substituir os representantes eleitos.

Por isso fico entusiasmado com o discurso. Esperávamos que o Supremo se retratasse desse “inquérito do fim do mundo”, mas nada fez, com medo de se enfraquecer. Apostamos no Senado, mas também não aconteceu nada. Agora acho que cabe uma boa aposta no Ministério Público para garantir o devido processo legal e o Estado Democrático de Direito, que é a obrigação constitucional do Ministério Público; apareceu um Paulo Gonet com toda a disposição de fazer isso. Fica aqui a esperança nesse novo procurador-geral da República, que também vai presidir o Conselho Nacional do Ministério Público.

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COMENTÁRIO DO LEITOR

DEU NO JORNAL

O CHOQUE ARGENTINO

Editorial Gazeta do Povo

Javier Milei fala a apoiadores na sacada da Casa Rosada após a posse, em 10 de dezembro.

Javier Milei fala a apoiadores na sacada da Casa Rosada após a posse, em 10 de dezembro

O presidente argentino, Javier Milei, seguiu à risca a receita de políticos que precisam adotar medidas impopulares para consertar o caos criado por antecessores, e já anunciou um primeiro choque contra o grande problema da economia argentina, o excesso de gastos públicos. O país é “viciado em déficit”, nas palavras do ministro da Economia, Luis Caputo, o responsável por ir a público elencar as medidas, na noite do último dia 12. A meta é bastante ambiciosa e inclui zerar o déficit público já em 2024 – o mesmo objetivo para o qual, por aqui, o presidente Lula torce o nariz – e controlar a inflação, que já bateu os 160% no acumulado de 12 meses até novembro.

A cotação oficial do dólar sofreu uma forte mudança, passando dos 400 pesos antes da posse de Milei para 800 pesos. Para enfrentar os gastos públicos fora de controle, Milei e sua equipe econômica suspenderam toda a publicidade governamental por um ano, não renovarão contratos de trabalho de servidores com menos de um ano no setor público, cortaram pela metade os ministérios e secretarias, reduziram os subsídios governamentais à energia e aos transportes, cancelarão os contratos de obras públicas ainda não iniciadas e não farão novas licitações – ou seja, uma espécie de “anti-PAC”. Por outro lado, alguns programas sociais serão reajustados ou ampliados, para minimizar o efeito do pacote sobre os argentinos mais pobres.

Inícios de mandato sempre são ocasiões propícias para os remédios amargos, mas necessários. Foi assim, por exemplo, com a reforma da Previdência no Brasil, em 2019. Isso porque o governante ainda tem a seu favor o respaldo popular obtido na eleição, e não houve tempo para que sua base parlamentar fique desgastada. O grupo político de Milei elegeu deputados e senadores em número bem longe do suficiente para conseguir a maioria, mas o libertário soube buscar o apoio da centro-direita macrista, embora queira evitar os erros de Mauricio Macri, que não apostou no choque para reformar a economia argentina em frangalhos que herdara de Cristina Kirchner e apostou em um gradualismo que se revelou ineficaz. Até mesmo uma ala mais moderada do peronismo fará parte da base parlamentar de Milei neste início de mandato.

Milei e Caputo deixaram claro à população argentina que, antes de tudo melhorar, a situação deve piorar. A inflação deve até mesmo acelerar nos próximos meses, consequência da alteração cambial e da redução dos subsídios – esta última só entra em vigor na virada do ano, mas as petrolíferas já reajustaram seus preços depois do “caputazo”, como os argentinos já apelidaram o plano. No entanto, a expectativa é de que, uma vez realizada esta correção inicial e dolorosa, se as medidas realmente forem capazes de domar o gasto público, a inflação recuaria no médio prazo, com a menor necessidade de endividamento ou de emissão de moeda. O Fundo Monetário Internacional (FMI) elogiou o pacote afirmando que sua “implementação determinada (…) estabelecerá as bases para um crescimento mais sustentável, liderado pelo setor privado”.

Não há como dizer de imediato se Milei terá sucesso. Argentinos e brasileiros têm em comum a memória de “balas de prata” que buscaram combater a inflação e terminaram fracassando, mas ao menos o plano de Milei e Caputo não recorre a imposições heterodoxas como congelamentos de preços e parece ter compreendido a essência da crise argentina, que é o excesso de gastos. Os riscos mais evidentes neste primeiro momento são o de o pacote ser insuficiente para o tamanho do problema, exigindo ainda mais ajustes, ou o de a esquerda argentina, mais preocupada consigo mesma que com o país, assim como a esquerda brasileira, efetivamente conseguir infernizar o novo governo e sabotar o que for possível – líderes políticos e sindicais já falam até em “explosão social”. O buraco argentino é suficientemente fundo, e o país não precisa de militantes cavando ainda mais, mas de união nacional para derrotar a inflação e a pobreza.

PENINHA - DICA MUSICAL