MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

BALANÇO

Ano acabando, outro ano começando. Hora de fazer um balanço geral da situação.

Nos Estados Unidos, maior economia do mundo, a coisa está assim: 33 TRILHÕES de dívida (120% do PIB), que causa uma despesa anual de mais de um trilhão só de juros. A renda média está caindo e o mercado de trabalho está bem ruim, mas os noticiários continuam divulgando estatísticas que são produzidas pelo próprio governo com a finalidade específica de mostrar que tudo vai bem.

O governo precisa de dinheiro para pagar suas contas, só que: Não tem coragem de aumentar impostos. Não pode imprimir dinheiro mais rápido do que já está fazendo para a inflação não sair de controle de vez. Sobra pedir emprestado, só que isso faz aumentar os juros e virar uma bola de neve. Para complicar, é ano de eleição e nenhum político fala a verdade em ano de eleição.

Previsão: sombria, possivelmente com uma severa depressão em 2024 (ou 2025 se eles conseguirem empurrar até depois da eleição).

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Na Europa, todos se esforçam ao máximo para não ver que o modelo de “estado de bem-estar social” está falido e sem chance de recuperação. Enquanto as dívidas e a inflação aumentam, os políticos brincam de mudar o nome dos impostos na esperança de conseguir arrecadar um pouquinho mais e empurrar o problema até depois da próxima eleição. Enquanto isso, os imigrantes continuam chegando e formando famílias cada vez maiores e cada vez mais isoladas do restante da população.

Há dois tipos de países na Europa: os que já admitiram que estão quebrados, como Grécia, Espanha, Itália e Portugal, e os que ainda têm esperanças de achar uma saída, como França, Alemanha, Suécia, Finlândia e vários outros. Salvam-se alguns poucos que devem conseguir escapar da quebradeira, pelo menos por um tempo, como Noruega, pela sua produção de petróleo, e Suíça, com sua moeda forte e governo pequeno.

Previsão: um lento declínio, esperando para saber se a falência completa chegará ou se antes disso os imigrantes terão votos suficientes para eleger os seus políticos e transformar a Europa em um califado islâmico.

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Na Ucrânia, a guerra vai continuar até que os políticos e os fabricantes de armas do ocidente estejam satisfeitos. A posição de Joe Biden repete uma fala do filme “Shrek”: “Nós queremos fortalecer a OTAN e enfraquecer a Rússia. Muitos ucranianos irão morrer, mas esse é um sacrifício que eu estou disposto a fazer”.

A Rússia se enfiou em um atoleiro. Se desistir, perde tudo. As chances de ganhar são mínimas, mas vai permanecer lutando para tentar salvar alguma coisa. Enquanto isso, perdeu o acesso ao comércio internacional e passou a depender da China para vender seu petróleo, que é sua maior fonte de renda.

Previsão: a guerra irá sumir aos poucos dos noticiários e vai acabar também aos poucos, por exaustão de ambos os lados. Ninguém sairá ganhando, exceto, talvez, o Zelenski.

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A China está tranquila, aguardando com paciência chinesa os resultados do seu planejamento de longo prazo. Graças à OTAN e sua guerra, ganhou a Rússia como aliada e está comprando petróleo barato. Tornou-se parceira estratégica de quase todo o mundo – ninguém hoje pode se dar ao luxo de cortar relações com a China. Tem os problemas que toda ditadura tem, mas tem conseguido manter as coisas sob controle. Sua economia tem alguns números preocupantes, mas até agora o governo tem mostrado competência para administrá-los.

Previsão: será a próxima superpotência mundial. Não será nos próximos anos, mas eles não têm pressa.

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E o Brasil? Ora, o Brasil vai continuar sendo o que sempre foi: pobre, improdutivo, inculto, colecionando maus resultados em todos os rankings (o último PISA saiu esse mês: pioramos em relação ao anterior, claro). Continuaremos a ser um conjunto de panelinhas onde cada panelinha só pensa em obter vantagens à custa das outras panelinhas. Continuaremos a acreditar com todas as forças que a culpa é sempre dos outros. Continuaremos a praticar o paradoxo de Garschagen: não confiamos nos políticos mas achamos que o governo é a solução para tudo. E nossa política e nossa economia continuarão em avançado processo de futebolização.

DEU NO X

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

DICAS DO PROFESSOR PASQUALE

Pasquale Cipro Neto

Nesta crônica aproveito a sugestão e as remessas interessantes que sempre me faz meu colega escritor, Adilson Castello Branco da Cunha, referentes à obra do professor Pasquale Cipro Neto, que considero um verdadeiro benemérito da língua portuguesa, face à divulgação que vem realizando.

Para nós escritores nada como estar sempre revendo os linguajares, pois, além de ditados, adágios e provérbios que são necessários, eles completam frases e pensamentos pitorescos.

Há ditados que geralmente ultrapassam gerações. São peças que costumamos repetir no cotidiano, desde a infância; embora, no geral, sejam ditas ou escritas com pequenas falhas de interpretação.

É sobre estas falhas que passamos a comentar, graças às aulas do professor, que nesta crônica faço homenagem.

Pasquale nasceu em Guaratinguetá, é formado pela Faculdade de Filosofia, de São Paulo e seu principal livro é: “Língua Portuguesa: Inculta e Bela”.

Com o advento da televisão o professor Pasquale, soube aproveitar as mídias, criando um interessantíssimo programa de entrevistas, com pessoas famosas do mundo artístico, pois entendeu que estas chamam mais a atenção.

O programa auxilia os tele ouvintes em suas dúvidas tornando sua imagem de professor conhecida e admirada. Uma dessas notáveis entrevistas foi com o saudoso cantor Belchior.Vejamos algumas de suas dicas.

Hoje é domingo, pé de cachimbo. E eu ficava imaginando como seria um “pé de cachimbo”. Mas o correto é: Hoje é domingo, pede cachimbo… Dia de se fumar um cachimbo. Lembro-me até de um versinho que declamávamos na infância, cujo autor não tenho ideia:

Hoje é domingo, pede cachimbo
Cachimbo é de ouro
Bate no touro
O touro é valente
Bate na gente
A gente é fraco
Cai no buraco.
O buraco é fundo
Acabou-se o mundo.

Pé-de-moleque. Determinada senhora fazia um bolo caramelizado, recheado de amendoins e punha pra esfriar na janela. A molecada vinha e roubava, então ela gritava: Não precisa roubar! Pede, moleque! …

E a gente imagina que repete corretamente os ditos populares. Mas, nem sempre! Exemplo: no popular se diz:

Esse menino não para quieto, parece que tem bicho carpinteiro. Minha grande dúvida na infância: Que bicho seria esse que é carpinteiro? Mas a frase correta é: Esse menino não para quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro.

Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão. Enquanto o correto é: Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão. Se a batata é um caule subterrâneo; ou seja, nasce enterrada, como se esparramaria pelo chão se ela está embaixo dele?

Cor de burro quando foge. O correto é: Corro de burro quando foge, porque certamente é um petista enfurecido.

Quem tem boca vai a Roma. Bom, esse eu entendia; de um modo errado, mas entendia! Pensava que sabendo se comunicar a pessoa vai a qualquer lugar… Mas, correto é: Quem tem boca vaia Roma. Isso mesmo, do verbo vaiar. Mas por quala razão iremos vaiar Roma, não sei. Só os Mestres Antônio Porfírio ou Edson Mendes poderão me dizer.

Entra agora o cronista nessa história. Nas rodas da malandragem juvenil, já ouvi alguém alterar o ditado, que ficou mais pitoresco: “Quem tem boca vai e arruma!”

Quem não tem cão, caça com gato. Mais um famoso! Eu sempre entendia também, embora errado, mas entendia! Porém o certo é: Se não tem o cão para ajudar na caça, o gato ajuda! Porém, o correto é: Quem não tem cão, caça como gato; ou seja, sozinho.

Outro ditado que muitos dizem errado:

Cagado e cuspido – Nossa Senhora!… Quando alguém quer dizer que é muito parecido com outra pessoa ou produto, usa-se este ditado. Mas o correto mesmo é: Em Carrara esculpido. Carrara, como se sabe, é uma região da Itália onde se extrai um dos melhores tipos de mármore conhecidos.

Vai me dizer que não precisamos de uma dica do Professor Pasquale?

PENINHA - DICA MUSICAL