FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

EM PLENO SIGILO

Nas varas especializadas de família, no mundo inteiro e sem distinção, os processos correm em segredo de Justiça, muito embora alguns casos singulares, por não possibilitarem constrangimento de espécie alguma, sejam passíveis de ampla divulgação, servindo de incentivo para iniciativas corretórias que eliminam acanhamentos e complexos os mais diferenciados possíveis.

No mundão lusófono, por exemplo, como nas demais localidades, acontece cada coisa que até o Homão tem dúvida. Há poucos meses, amigo fraterno de Oeiras, uma das mais hospitaleiras cidades portuguesas, me enviou cópia de uma petição, fato acontecido em plena África de língua camoniana, com um não menos interessante despacho de magistrado, sempre reconhecido pela sensatez de suas análises decisórias.

A petição tem o seguinte teor, resguardada a identidade da sede da comarca e também do país:

Sicranópolis, 5 de março de 2019.
Ao Senhor Juiz da Vara e Família.
Assunto: Solicitação para mudança de nome.
Eu, Maria José Pao, casada, do lar, gostaria de saber da possibilidade de se bulir no sobrenome Pao de meu nome, já que a presença do Pao tem me deixado embaraçada em várias situações. Desde já antecipo agradecimento e peço deferimento.

Maria José Pao.

Em resposta, o douto magistrado lhe remeteu a seguinte correspondência:

Cara Senhora Pao:
Sobre sua solicitação de remoção do Pao, gostaríamos de lhe informar que a nova legislação permite a retirada do seu Pao, mas o processo é deveras complicado. Se o Pao tiver sido adquirido após o casamento, a retirada é mais fácil, pois, afinal de contas, ninguém é obrigado a usar o Pao do marido se não quiser. Se, entretanto, o Pao for do seu genitor, o caso se torna ainda mais difícil de solução imediata, pois o Pao a que nos referimos é de família e vem sendo usado por várias gerações. Se a senhora tiver irmãos ou irmãs, a retirada do Pao a tornaria diferente do resto da família. Não seria agradável cumprimentar todos com Pao, menos a sua pessoa. Por outro lado, cortar o Pao de seu pai deverá magoá-lo de modo irreversível, deixando-o decididamente infeliz. Outro problema, porém, está no fato de seu nome completo vir a conter apenas dois nomes próprios, ficando esquisito caso não haja nada para colocar no lugar do Pao. Isso sem falar que as demais pessoas estranharão muito ao saberem que a senhora não possui mais o Pao do seu marido. Uma opção bastante viável seria a troca da ordem dos nomes. Se a senhora colocar o Pao na frente da Maria e atrás do José, o Pao pode restar mais escondido, porque a senhora poderia assinar o seu nome como Maria P. José. Nossa opinião é a de que o preconceito contra este sobrenome já acabou há muito tempo e que, já que a senhora usou o Pao do seu marido por tanto tempo, não custa nada usá-lo um pouco mais. Eu mesmo possuo Pao, sempre usei e muito poucas vezes o Pao me causou embaraços.

Atenciosamente,
Desembargador Joaquim Manoel Pao, Vara de Família do Tribunal de Justiça.

Lembro-me, ainda em meados da primeira década deste século, de um outro processo julgado na mesma Vara de Família daquelas bandas. Um profissional recém diplomado em nível superior tinha peticionado solicitando alteração do seu nome de batismo, Sebastilhão Bunda Verde. Deferido o pedido, a autoridade judicial convocou o signatário para uma audiência final decisória, quando lhe foi perguntado sobre o novo nome desejado. Como resposta, sem causar espalhafato na sala de audiências, o inquirido, jovem apessoado, de terno engomado e gravata de nó muito bem construído, declarou gostar de se assinar Sebastilhão Bunda Negra, posto que ele se sentia integrado ao reino animal, jamais se imaginando pertencer ao reino vegetal…

O Mário Souto Maior, pai do meu dileto amigo-irmão Jan Souto Maior, um arretado em computadores e outros sistemas tecnológicos, certamente lá da eternidade já fez as suas devidas anotações, ele que muito se notabilizou pelas suas pesquisas em busca de nomes próprios pouco comuns.

PENINHA - DICA MUSICAL

LUIZ GONZAGA

Baião / A Feira de Caruaru / Paraíba / Forró no Escuro / Hora do Adeus

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

AVÓ – MÃE DUAS VEZES E AMOR EM DOBRO

Avó dando cafunés no neto

Tardezinha, com o sol já frio, ela sentava no chão da latada, enquanto puxava o fumo no cachimbo de barro.

Me chamava para deitar a cabeça na perna dela. Eu, apenas aproveitava aquela vontade enorme de fazer aquilo, e fingindo ser aquela cena um castigo. Mentira minha, pois eu adorava fazer aquilo.

O cafuné. Mais cafunés. Muitos cafunés. Daqueles que a gente escutava o estalar do dedo.

Ela, fumando o cachimbo e me dando cafunés, olhava firme para a porteira da casa que ficava distante dali por uns 40 ou 50 metros.

Ninguém chegava, mas ela continuava olhando.

E tome cafunés!

Neto xingando a Avó ao ver a injeção

A febre estava alta. Garganta inflamada.

A gripe tendia ficar mais forte. Chá disso e daquilo. Chá de mastruço, colheradas de mel de abelha. Compressas de panos na testa e no peito. Unguento de Vick Vaporub para garantir uma boa respiração e o sono. Nada resolvia. Só restava uma providência.

Manhã cedo, o cachorro latia na porteira. Chegara alguém. Era a Comadre Das Dores, aquela miserável do cão dos infernos!

Um prato fundo. Uma vasilha com álcool, e o aparelho para aplicar injeção começava a ferver.

Uma ampola tivera parte quebrada e fora misturada com outra. Algodão embebido no álcool, e a rotina:

– “Vem meu fio, vem logo prumode ficar bonzim dessa gripe”!

O choro e o berreiro antes da agulha furar, com certeza acordava e assustava as pessoas que moravam por perto.

Era a “milagrosa” Benzetacil!

– O praguejar do neto era garantido: “Sai daqui mizéra. Tu num gosta de mim.”!

No dia seguinte, era difícil entender que, com a febre tendo ido embora e a gripe acabando, aquilo nada mais significava que uma dura e constrangedora prova de amor.

As avós amam em dobro e também sofrem por nós. Até nas injeções.

Só hoje eu entendo que a segunda cena nada tinha de diferente da primeira. Apenas o palco da vida era diferente. Mas tudo era amor.

PENINHA - DICA MUSICAL

ADONIS OLIVEIRA - LÍNGUA FERINA

NAZISTAS E FASCISTAS OU UFC NO STF

Ao longo de décadas, o foco das discussões entre brasileiros se deslocou do futebol para saber se certos grupos e indivíduos são “de direita” ou “de esquerda”. Procuro denodadamente um tema que seja mais imbecil que este e não acho. Talvez, só mesmo as infindáveis discussões sobre futebol, sobre quem deve sair do Big Brother, sobre a última tatuagem anal de alguma prostituta que se diz cantora, ou mesmo sobre as xaroposas e imbecilizantes novelas da Rede Globo consiga chegar perto deste patamar.

Este negócio de “esquerda” e “direita” são metáforas idiotas e imbecilizantes! Só servem para auxiliar mentes obtusas a rotularem seus desafetos com algo que lhes seja desagradável, mesmo que não claramente explicitado.

Aquela divisão que se estabeleceu entre “Jacobinos” e “Girondinos”, lá por 1789, quando da Revolução Francesa, há muito que deixou de ter e fazer qualquer sentido. Passaram a servir apenas de meros e grotescos epítetos.

Com os anos, e com a incorporação da “religião” marxista a esta visão altamente maniqueísta de realidade, estabeleceu-se uma divisão na sociedade típica de torcidas de futebol.

Assim, qualquer um que não compartilhe das crenças e dogmas de uma das facções, passa a ser imediata e inexoravelmente classificado como sendo adepto fanático da outra facção.

Mais imbecil que isto é impossível!

Tradicionalmente, a turma da esquerda privilegia a hipertrofia do estado. Desde que sejam eles quem usufrui das benesses por ser parte do mesmo governo. Já a assim chamada “direita, privilegia a redução deste mesmo aparato, liberando, portanto, mais espaço para a iniciativa individual. Ao fim e a termo, com a hegemonia conseguida pelas esquerdas com seu “Canto de Sereia”, altamente atrativo para as classes menos favorecidas, normalmente as mais numerosas, a sociedade passa a se compor por apenas dois segmentos: Quem está por cima, e quem está por baixo, suportando todo o peso financeiro das estruturas governamentais e a repressão proporcionada pela “Mão Altamente Visível” do aparato repressor do estado.

Estes mesmos “esquerdistas”, a fim de se perpetuarem no poder, costumam deixar escorrer entre os dedos algumas migalhas da imensa fartura e luxo existente nos seus banquetes e libações alcoólicas, de modo a manter na turba malta a ilusão de que estão sendo privilegiados partícipes na fartura predominante no poder.

Mais demagógico e mentiroso do que isto seria difícil de se encontrar.

Outra divisão maniqueísta muito utilizada pelos profissionais da enganação e da demagogia é entre “Nazistas” e “Fascistas”, sempre convenientemente assacadas contra os que se oponham a seus planos hediondos e deletérios.

O ponto mais interessante nestas rotulações imbecis é que, QUANTO MENOS AS PESSOAS COMPREENDEM O REAL SIGNIFICADO DESTES CONCEITOS, MAIS ESTÃO DISPOSTAS A MATAR E MORRER POR ELES! Com muita competência, os profissionais do engodo conseguiram associar uma carga psicológica altamente negativa e fluida a estes conceitos (Pathos metafísico), tornando-os adequados a situações que em nada se aplicam. Assim, estes passaram a se constituir nos principais “argumentos” destes profissionais da mentira contra aqueles que a eles se oponham em qualquer discussão que se estabeleça.

Desta forma, os chavões, biombo maior atrás dos quais os canalhas e os imbecis costumam sempre se esconder, passam a ter papel primordial em qualquer “debate” entre as diferentes facções, tornando absolutamente impossível se chegar a qualquer conclusão minimamente racional nestes bate-bocas entre surdos imbecis. Com o tumulto obtido, alcançam todos os seus objetivos maiores: tumultuar o processo e permanecer no poder!

De minha parte, sou altamente simpático à ideia de Chris Argyris, quando este afirma que nós não somos aquilo que pensamos ou o que pensam de nós, ou mesmo aquilo que nós e os outros dizemos que somos. Na realidade, todos nós somos simplesmente AQUILO QUE FAZEMOS!

São nossas ações que nos definem, e não o que pensamos que somos.

Uma pessoa pode dizer: EU NÃO SOU LADRÃO! Eu levei alguns lápis e canetas do escritório para a minha casa sem permissão, mas não sou ladrão. As perguntas que se seguem são:

– Os lápis eram seus? – NÃO!

– Você pagou por eles? – NÃO!

– Alguém lhe deu permissão para leva-los? – NÃO!

– ENTÃO VOCÊ É LADRÃO! Pegou coisas que não eram suas, sem permissão do dono e às escondidas.

A esta altura, é quando chegamos ao caso do nosso “amado” STF.

O problema todinho está contido naquela frase proferida por um personagem de Dostoievsky, na magistral obra intitulada Os Irmãos Karamazov. São três irmãos. Um deles, Aliosha, religioso e temente a Deus. O outro, Dimitri, declaradamente ateu. Aliosha questiona Dimitri o tempo todo sobre sua falta de fé. Lá pelas tantas, Dimitri diz uma frase que ficou reverberando na minha mente até hoje, bem uns 50 anos depois que li este livro:

SE VOCÊ NÃO ACREDITA EM DEUS, ENTÃO TUDO É POSSÍVEL!

Esta é a situação atual do STF. Como sua ala petista é composta majoritariamente por ateus. Tudo lhes é possível e válido: Mentir, enganar, ludibriar, fraudar, enganar, roubar, subornar, perseguir, estuprar, assassinar, abortar, pedofilia, sodomia, necrofilia, massacrar, trair, sonegar, corromper… TUDO É VÁLIDO! O que interessa é o resultado final. Só não podem ser derrotados pelos seus “inimigos”, como afirmou Barroso.

Não há nenhum limite moral ou ético a todas as maldades que aqueles veneráveis senhores podem fazer.

Esta é a situação atual da nossa “Corte Suprema”! O que interessa nos julgamentos, nunca é a busca da justiça e da verdade. O grande ponto em questão é “Quem se beneficiará daquela decisão”? Virou uma arena de UFC!

Se for prejudicial ao governo de Bolsonaro, mesmo que quebrando a nação brasileira e causando imensos sofrimentos à população, então é bom para eles. Caso contrário, se for bom para a nação e, consequentemente, bom também para a avaliação do Governo Bolsonaro. Então, passa imediatamente a ser ruim, mesmo que vá trazer enormes benefícios para a nação e toda a sua população. Os exemplos abundam e saltam à vista:

– Impedimento do voto impresso nas eleições;
– Revisão da Vida Toda para as aposentadorias;
– Habeas Corpus de carradas para todos os bandidos de estimação deles;
– Prisão em 2ª instância;
– Cancelamento dos julgamentos da “Lava-Jato”;
– Liberação de armamentos para os cidadãos;
– Processo do “Fim do Mundo” e das “Fake News”;
– Pressão contrária constante a todos os atos do Executivo Federal; etc…

Por estes atos, todos ABSOLUTAMENTE canalhas e altamente inescrupulosos, podemos afirmar, sem medo nenhum de estar cometendo injustiça, que o nosso STF é composto majoritariamente por canalhas de altíssima periculosidade. Os menos ativos, em sua grande maioria, são submissos, coniventes e covardes.

O problema é que aqueles bandidos se comprazem em serem chamados de canalhas. Têm orgulho desta condição. Perderam totalmente qualquer resquício de pudor e de vergonha na cara. São todos absolutamente cínicos. Já não dão mais a mínima satisfação à opinião pública. Julgam-se inexpugnáveis. Acima deles, só Deus. E como, para eles, Deus não existe, são supremos. Não admitem que sejam ameaçadas as mordomias e as remunerações escandalosas. Só desejam continuar a saborear seus medalhões de lagosta e seus vinhos triplamente premiados, além de receber seus polpudos emolumentos: Diretos, indiretos e escusos. Além de possuírem um poder absoluto e discricionário sobre tudo e sobre todos. TUDO PODEM!

A “jogada” final dessa trupe de bandidos togados será a tentativa de, mais uma vez fraudando as urnas eletrônicas, colocarem a esquerda mais bandida e canalha que se possa imaginar de volta no poder.

Julgamento sumário, seguido de guilhotina, está se tornando uma pena demasiadamente leve para o nível das canalhices que estão praticando. São todos eles dignos de uma morte lenta e dolorosa, seguida de opróbio eterno até suas quintas gerações. O local onde atuam deveria ser erigido como museu da canalhice e ter seu solo salgado.

PENINHA - DICA MUSICAL

XICO COM X, BIZERRA COM I

ONDE JUDAS PERDEU AS BOTAS?

No ócio pleno, eterno dolce far niente, sem ter o que fazer de mais proveitoso e com quase nenhuma inspiração para cantigas e versos, resolvi procurar as botas que Judas perdeu não se sabe onde. Logo, logo estava eu também perdido, alma malograda, próximo da esquina onde o vento faz a curva, bem pra lá de Marrakesh, além das distantes Cucuias.

NO MATO SEM CACHORRO

Muito mais que a sensação de estar no mato, senti-me na floresta sem cachorro, naquele ermo lugar que fazia fronteira com o brejo para onde as vacas se escondem quando as coisas começam a não acontecer. Por fim, num entardecer sem sol, terminei por desistir da empreitada ao me deparar com uma placa que me indicava estar a cinco quilômetros de distância de uma tal Raios Que o Parta do Sul. Voltei. Não gosto do sotaque do pessoal daquelas bandas do Sul.

PRÁ LÁ DO FIM DO MUNDO

A bem da verdade, acho que a placa estava errada: eu já estava pra lá do fim do mundo. Pior que voltei sem cumprir a missão a que me atribuíra: não encontrei as botas perdidas por Judas. Mas não desisto: continuarei em busca delas. Quem sabe um dia as encontre?

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PENINHA - DICA MUSICAL

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Alzira Soriano

Luiza Alzira Teixeira Soriano nasceu em 29/4/1897, em Jardim de Angicos, RN, na época um distrito de Lages. Política e primeira mulher prefeita de uma cidade na América Latina numa época em que o “Feminismo” engatinhava. Assim, deu provas de sua condição com base em fatos e atitudes muito além das palavras de ordem e proclamas provenientes de uma necessidade do meio social.

Filha de Margarida de Vasconcelos e Miguel Teixeira de Vasconcellos, coronel da Guarda Nacional e líder politico regional, casou-se aos 17 anos com um promotor público, com quem teve 4 filhas e faleceu 4 anos depois vitimado pela Gripe Espanhola, em 1919. Alzira contava com 22 anos; estava grávida da quarta filha e voltou a morar na fazenda dos pais. Em seguida foi morar no Recife, afim de educar melhor as filhas, na casa da sogra. Porém, não se deu bem e retornou à Jardim de Angicos. Passou a administrar a fazenda e participava das reuniões políticas promovidas por seu pai. Nestas reuniões, chamou a atenção do governador Juvenal Lamartine de Faria e da líder feminista Bertha Lutz, que lá se encontrava justamente para propor uma candidatura feminina.

Lembremos que o Rio Grande do Norte foi o primeiro estado do Brasil a instituir o voto feminino em 1927 e Bertha Lutz foi líder feminista, fundadora da “Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher”, em 1919 e pioneira na luta pelo sufrágio feminino.

Contando com o apoio do pai, de Lamartine e Bertha Lutz, aceitou disputar a prefeitura de Lages como candidata do Partido Republicano em 1928. Durante a campanha sofreu todo tipo de preconceito e difamação. Chegaram a dizer que ela tinha um caso com o governador. Achavam, também, que pelo fato de querer ser uma “mulher pública”, poderia ser uma prostituta.

Foi eleita, em 1929, com mais de 60% dos votos e o fato revelou-se num fenômeno mundial, noticiado no jornal New York Times. O adversário político -Sérvulo Pires Neto Galvão- envergonhado por ter perdido a eleição para uma mulher, abandonou a política e a própria cidade. Seu governo foi responsável pela construção de estradas, mercado público, escolas e a implantação da iluminação pública a vapor. Na eleição presidencial de 1930, apoiou o paulista Júlio Prestes. Porém, com a Revolução de 1930 e o “Estado Novo”, que levou Getúlio Vargas ao poder, os prefeitos de todo o país foram substituídos por interventores.

Apesar de ser convidada a permanecer na prefeitura, não aceitou o cargo de interventora municipal. Antes de deixar o cargo, visitou seus eleitores para agradecer o apoio recebido. Conta a história que um de seus opositores ao vê-la na rua, passou a cantarolar versos contra ela. Sua reação consistiu nuns tapas na cara do opositor, quebrando-lhe os óculos. Em casa e repreendida pela família, revelou que “só tive essa reação por que disse o que faria e não quis bancar a covarde”.

Mudou-se para Natal em 1932, onde as filhas foram estudar; retornou à fazenda Primavera e reconstruiu sua atividade política. Em 1947 foi eleita vereadora de Lajes pela UDN-União Democrática Nacional. Na época enfrentou opositores políticos até em sua família, incluindo o irmão caçula, eleito prefeito. Mas os laços familiares se mantiveram intactos. Foi reeleita vereadora de Lajes por mais dois mandatos e presidiu a Câmara Municipal. Em fins de 1961, descobriu um câncer no útero e foi se tratar no Rio de Janeiro. A doença estava em estado avançado e retornou à Natal, onde veio a falecer em 28/5/1963, aos 66 anos.

Hoje o desenho de seu retrato encontra-se no brasão da bandeira do Município de Jardim de Angicos e é reconhecida como pioneira da participação política da mulher no Brasil. Em 2008, a cidade de Lages instituiu a “Semana Alzira Soriano”, evento anual para concentrar estudos e debates sobre a defesa dos direitos da mulher e sua participação política. Em 2018, a Prefeitura de Jardim de Angicos adotou a data de seu nascimento como feriado municipal.

No mesmo ano recebeu, como homenagem póstuma, o “Diploma Mulher-Cidadã Carlota Pereira de Queiróz”, da Câmara dos Deputados. Ainda não dispomos de uma biografia disposta a relatar todos seus feitos e legado no mundo da Política municipal, aquela mais ligada ao eleitor. Mas podemos contar com um trabalho acadêmico de conclusão de curso de licenciatura em História – A primeira prefeita brasileira Alzira Soriano: o poder político coronelístico, Lages/RN, 1928 – Trata-se de uma pesquisa, digna de uma dissertação de mestrado, desenvolvida por Isabel Engler e apresentada na UFFS-Universidade Federal da Fronteira Sul, em 2019, disponível no link ENGLER.pdf (uffs.edu.br)

A PALAVRA DO EDITOR

RECADO

Recado aos fubânicos:

Olá pessoal, aqui é Aline.

Atendendo ao pedido do Berto, estou colocando no ar algumas postagens.

Um ótimo fim de semana para todos.