Quando, à noite, o Infinito se levanta A luz do luar, pelos caminhos quedos Minha táctil intensidade é tanta Que eu sinto a alma do Cosmos nos meus dedos!
Quebro a custódia dos sentidos tredos E a minha mão, dona, por fim, de quanta Grandeza o Orbe estrangula em seus segredos, Todas as coisas íntimas suplanta!
Penetro, agarro, ausculto, apreendo, invado, Nos paroxismos da hiperestesia, O Infinitésimo e o Indeterminado…
Transponho ousadamente o átomo rude E, transmudado em rutilância fria, Encho o Espaço com a minha plenitude!
Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, Cruz do Espírito Santo-PB (1884-1914)
Guilherme Fiuza fala sobre o Presidente Bolsonaro.
Foi a melhor análise que vi sobre a atual situação dele.
Vindo do neto do Dr. Heráclito Fontoura Sobral Pinto, o maior brasileiro do século XX, não é pouca coisa.
⚡️D E A R R E P I A R!!!
Guilherme Fiuza sobre o Presidente Bolsonaro!!
Ao ver e ouvir esse vídeo, tenho certeza que ninguém mais irá superar essas falas tão fortes!! Obrigada Fiuza por nos brindar com essa análise!! pic.twitter.com/AgRXVUTGqy
Isso é tão baixo até para os padrões da #globolixo mas quando a gente acha que chegou no fundo do poço, a #globolixo sempre mostra que pode ir ainda mais fundo. pic.twitter.com/6joZNChOD3
Ministra Gleisi Hoffmann está irritada com deputados da base aliada que assinaram requerimento de urgência para anistia
O casal Lindbergh Farias e Gleisi Hoffmann – ela, ministra de Lula; ele, líder do governo na Câmara – está furioso, considerando absurdo que haja deputados da base do governo, de partidos que recebem ministérios em troca de votos a favor do governo, assinando o requerimento de urgência do projeto de lei de anistia. Com a urgência, o projeto não fica enrolando em comissão especial; vai direto para o plenário, para ser votado, por exemplo, na próxima semana, depois da Páscoa.
As lideranças vão decidir isso, porque o presidente Hugo Motta (Republicanos-PB) já disse que lava as mãos como Pilatos, pois tem rabo preso no Supremo. Muitos estão estranhando, noticiando e revelando que ministros do Supremo estão pressionando deputados, lembrando que inquéritos e denúncias estão em uma gaveta que pode ser aberta a qualquer momento. Pois é: basta não ter rabo preso para trabalhar direitinho e com liberdade.
Mas digamos que o governo fique furioso com quem assinou o requerimento e tire os ministérios dos partidos desses deputados. Se fizer isso, essas legendas não votam mais com o governo. E o governo terá quantos votos na Câmara? São 513 deputados; Lula já disse que pode confiar em 120. Isso dá, no máximo, 25% de adesão ao governo. Se Lula retaliar os partidos de quem assinou o requerimento, não vai ter mais voto na Câmara. O governo não tem muita margem de manobra; a massa de manobra do governo é a pobreza. É por isso que as escolas ficam fazendo militância em vez de ensinar o que é necessário para a pessoa subir na vida e ter mais renda.
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Escola seria porta de saída do Bolsa Família, se ensinasse o que realmente importa
As cidades estão cheias de gente com diploma que depois vai trabalhar no Uber, fazer entrega como motoqueiro, porque precisa de escola profissional para ensinar profissões que são bem pagas. Mas aí o governo perde o controle. O governo gosta da relação entre cliente e pai, gosta de fazer paternalismo com o dinheiro dos pagadores de impostos, uma minoria que sustenta milhões de beneficiários do Bolsa Família, um programa que não tem porta de saída. Lula visitou uma montadora japonesa e disse que não se pode viver eternamente de Bolsa Família. Por quê? Porque ele viu a estatística, sabe que mais de 7 milhões de famílias estão no Bolsa Família há mais de dez anos e não saem. No governo anterior, o ministério do Onyx Lorenzoni tinha um projeto para haver a porta de saída. O Bolsa Família seria apenas uma emergência para o brasileiro pobre passar aquela fase e se preparar para ter uma fonte de renda.
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Cada crise de Bolsonaro é como se ele levasse uma nova facada
Jair Bolsonaro está caminhando, mas vai ficar mais um tempinho no hospital. Foi tudo corrigido, mas a melhora não é definitiva, isso não vai ter cura. As tais aderências e dificuldades no trânsito no intestino delgado aparecerão de novo, como consequência de cada cirurgia. Ele é muito forte, mas é como se a faca de Adélio entrasse nele todos os dias; Bolsonaro não vai escapar disso nunca mais.
E insisto na pergunta. A administração da Câmara dos Deputados – o presidente à época era Rodrigo Maia – podia exigir que a Polícia Legislativa apurasse tudo. E seria fácil saber que gabinete registrou a presença de Adélio Bispo na Câmara no dia do atentado. Se não investigaram, houve algum motivo para não terem esse trabalho, esse incômodo. Foi para preservar alguém? Foi por razões familiares? Foi por não gostar de Bolsonaro? Pois é. Cada vez que Bolsonaro tem uma crise, é como se levasse outra facada. Adélio desferiu a facada original e todos sabem que ele não estava só. Mas é preciso que se saiba a verdade, porque do contrário a pergunta continuará sempre no ar.
Antigamente eu gemia Ele gemia também Ele me chamava amor E eu chamava de meu bem Hoje quando estou gemendo Ele vai logo dizendo: Que diabo é que você tem?
Dalinha Catunda
O verdadeiro gemido Que muita gente conhece Começa ao anoitecer Termina quando amanhece Mas o gemido de dor Espanta qualquer amor Quando a gente envelhece.
Creusa Meira
Meu gemido é diferente E é capaz de assustar Porém nunca perguntei Na hora de namorar A gemedeira é no grito E a dele no mesmo rito Que até chega a desmaiar.
Lindicássia Nascimento
Na nossa lua de mel Em cima do meu colchão Eu gemia ela gemia Parecia assombração Hoje se der um gemido Ela vem com um comprimido E um copo d’água na mão
Alberto Francisco
Aqui também é assim Uma grande gemedeira Ela geme e eu gemo É a maior quebradeira Agora, gemido de amor Gemido sem sentir dor Num tem de jeito e maneira
Xico Bizerra
No começo a gemedeira Assombrava até a gente Nosso gemido era imenso Que a cama ficava quente Hoje em dia, no gemido. Ela já diz: – Meu marido Já está com dor de dente!
Marcos Silva
Como tenho sete dores Correndo por todo o corpo Já não dá mais pra gemer Até ando meio torto Sem ninguém pra me acudir A mulher só a dormir Contudo, não estou morto.
José Walter Pires
Indo puxo gemedeira De peleja e cantoria Também gemo em minhas dores Mas lamento hoje em dia Minha cobra não dá bote Sem puder pegar caçote Eu só gemo de agonia
Giovanni Arruda
Meu carro de boi gemia Nas suas longas andanças De noite do quarto ouvia Eu e outras crianças Gemidos vindo da porta Que o vento hoje corta Gemidos dessas lembranças.
Os dados mais recentes (de 2018) do Índice Nacional de Alfabetismo Funcional mostravam um país onde quase 30% dos universitários não são capazes de interpretar bem um texto, nem de resolver problemas matemáticos usando porcentagens ou proporções; e onde apenas outros 30% conseguiam elaborar textos complexos ou ler gráficos e tabelas. Qualquer gestor racional, em um país com este perfil, reforçaria conteúdos básicos no ensino médio, de modo a sanar essas deficiências graves nos alunos que saem dessa etapa rumo ao ensino superior. Mas os ideólogos que tomam conta do Ministério da Educação e do Conselho Nacional de Educação podem ser tudo, menos gestores racionais.
Na quinta-feira passada, dia 11, o CNE aprovou uma resolução sobre os itinerários formativos do chamado “Novo Ensino Médio”, aprovado em 2017, no governo Michel Temer, e reformado em 2024, já sob o governo Lula. Os itinerários formativos correspondem a 20% da carga horária – os outros 80% serão preenchidos pelas disciplinas tradicionais – e são de livre escolha do estudante, que opta entre Linguagens e suas Tecnologias, Matemática e suas Tecnologias, Ciências da Natureza e suas Tecnologias, Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, e Formação Técnica e Profissional. A ideia dos itinerários formativos é permitir ao aluno aprofundar seus conhecimentos na área que for de seu interesse; mas, em vez de aprofundamento real, esse estudante receberá doses cavalares de “wokismo”, graças à SEB, que elaborou a resolução, e ao CNE, que a aprovou.
Um jovem com inclinação para as ciências exatas, por exemplo, e que escolha Matemática e suas Tecnologias como itinerário formativo, não receberá um aprofundamento em álgebra, trigonometria, funções e conteúdos semelhantes; mas aprenderá como “desenvolver soluções para desafios econômicos, ambientais e culturais, promovendo a equidade e o desenvolvimento sustentável”. Já o estudante que opte por Linguagens e suas Tecnologias, em vez do contato mais forte com os clássicos da literatura brasileira e mundial, ou da formação para ler e escrever textos mais robustos, sairá do ensino médio sabendo tudo sobre como “reconhecer, valorizar e fruir manifestações artísticas, discursivas e culturais como expressões identitárias e históricas […] evidenciando as contribuições de grupos historicamente marginalizados na construção de performances narrativas e das artes, promovendo a diversidade, a equidade e os Direitos Humanos”, sem falar na capacidade de “reconhecer as manifestações da cultura corporal de movimento e os sentidos e significados do corpo humano e das práticas corporais”.
Em resumo, o objetivo não é entregar ao aluno um conhecimento mais aprofundado na área que ele escolheu de acordo com suas aptidões e preferências, e que era a ideia inicial por trás dos itinerários formativos. Os ideólogos a cargo da educação brasileira resolveram que os estudantes passarão um quinto de seu tempo na escola “reconhecendo e atuando para superar as barreiras culturais, econômicas, políticas e sociais que diminuem ou impedem o protagonismo das mulheres, da população negra e quilombola, das populações do campo, das águas e das florestas, dos povos originários, da população LGBTQIAPN+ e das pessoas com deficiência desconstruindo visões machistas, capacitistas, homofóbicas, racistas e eurocêntricas”, como diz o documento.
O resultado? Uma legião de justiceiros sociais que continuará tendo sérias dificuldades para enfrentar uma prova simples de Cálculo I no primeiro semestre da faculdade de Engenharia. Ou, como afirmou nos termos mais diretos possíveis a conselheira Ilona Becskeházy, única a votar contra a resolução, “uma sacanagem”, especialmente para com os estudantes mais pobres. Isso porque os colégios particulares de elite continuarão proporcionando aos seus alunos aqueles conteúdos necessários para fazer bem a transição entre o ensino médio e o superior; mas o jovem que faz o ensino médio na escola pública, onde professores e diretores estão mais sujeitos à pressão dos escalões superiores da burocracia educacional, terão bloqueado o seu acesso a esses conteúdos, substituídos por ideologia identitária.
Se esses estudantes chegarem à faculdade tendo sido privados do aprofundamento a que tinham direito quando escolheram determinado itinerário formativo, encontrarão barreiras que podem desestimulá-los e até mesmo levá-los à evasão. E, ao abandonar o ensino superior, eles terão perdido uma grande chance de desenvolvimento pessoal e profissional – não por culpa própria, ou por causa de alguma limitação pessoal intransponível, mas única e exclusivamente graças a militantes encastelados no topo de uma pirâmide decisória, sem comprometimento algum com a educação real.
Trocar conteúdos muito necessários por militância woke no ensino médio é um crime contra a educação daqueles jovens brasileiros que mais precisam de capacitação para proporcionar ascensão social a si mesmos e suas famílias. A sociedade civil não pode assistir inerte a essa demolição de uma oportunidade de reverter parte das mazelas educacionais brasileiras. Entidades e ONGs realmente comprometidas com o ensino de qualidade precisam se manifestar contra este absurdo, mostrando como ele aprofundará um abismo social já existente entre estudantes ricos e pobres. Os representantes da população no Congresso podem dar sua contribuição, já que resoluções do CNE podem ser suspensas por um projeto de decreto legislativo (PDL). E, acima de tudo, o episódio deve servir como alerta para a enorme influência que conselhos sem representatividade popular, escolhidos por panelinhas, têm sobre atividades essenciais, como educação e saúde.