Quando, à noite, o Infinito se levanta
A luz do luar, pelos caminhos quedos
Minha táctil intensidade é tanta
Que eu sinto a alma do Cosmos nos meus dedos!
Quebro a custódia dos sentidos tredos
E a minha mão, dona, por fim, de quanta
Grandeza o Orbe estrangula em seus segredos,
Todas as coisas íntimas suplanta!
Penetro, agarro, ausculto, apreendo, invado,
Nos paroxismos da hiperestesia,
O Infinitésimo e o Indeterminado…
Transponho ousadamente o átomo rude
E, transmudado em rutilância fria,
Encho o Espaço com a minha plenitude!

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, Cruz do Espírito Santo-PB (1884-1914)
O poeta e a noite.
Período do dia em que ele alcança o tanto o infinito do Cosmos, como penetra no infinitésimo do átomo e busca a plenitude da alma.
Acho que Augusto dos Anjos já previa a física quântica, que era descoberta por aqueles tempos e dizia que no emaranhado das coisas poderia se estar em dois lugares distintos ao mesmo tempo.