DEU NO X

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO JORNAL

SEU DINHEIRO É MARAVILHOSO

Luís Ernesto Lacombe

Lula usa o dinheiro dos brasileiros como bem entende, sempre ajudando seus camaradas ideológicos

Se você acha que seu dinheiro não dá para nada, você está enganado, redondamente enganado. Se falta comida na geladeira da sua casa, sinta-se orgulhoso por estar alimentando as vítimas do comunismo em Cuba. Se é que as 125 toneladas de leite em pó que Lula enviou para o país de seus amigos ditadores vão mesmo ser entregues aos necessitados. Talvez Díaz-Canel prefira garantir para ele e sua turma o café com leite de todos os dias, um mingau, uma tigela de sucrilhos boiantes… Em breve, Cuba receberá também do Brasil milho, soja e arroz, que devem ser fartamente distribuídos aos de sempre. Seu dinheiro está aí para isso, se não para saciar a fome dos que pouco têm, pelo menos para saciar a gula de humanistas e bondosos da estirpe de Fidel Castro e Che Guevara. Que diferença isso faz? E, cá entre nós, um paraíso comunista não pode mesmo precisar de doação de comida…

Seu dinheiro deve estar muito feliz por financiar terroristas. Existe causa mais nobre? Em que outras mãos tudo o que você pagou de impostos seria melhor usado? Lula gosta de você porque gosta do seu dinheiro. E, encha-se de orgulho, você vai ajudar a Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina, o petista já avisou. É… Essa que teve 12 funcionários demitidos por terem participado dos ataques do Hamas contra Israel em 7 de outubro do ano passado. Essa que pagava uma conta de energia do grupo terrorista que mantinha um túnel que passava, por acaso, embaixo do prédio da ONU na Faixa de Gaza. Essa agência que não terá mais a ajuda de países decentes, mas seu dinheiro é indecentemente necessário para dar uma lição em quem se acha o xerife do mundo. Onde já se viu? O Hamas, assim como o seu dinheiro, é tudo de bom.

Seu dinheiro é incrível, bancou a viagem da “dama do tráfico amazonense”, ligada ao Comando Vermelho, até Brasília. Ela foi recebida por secretários do Ministério da Justiça, cujos salários seu dinheiro garante, para reclamar do rigor nos presídios federais. Foi o seu dinheiro também que financiou a construção desses presídios, que nunca tinham registrado uma fuga sequer. Isso até a semana passada, quando dois bandidos também ligados ao Comando Vermelho conseguiram escapar. Veja como seu dinheiro é “efetivo”, em relação à construção dos presídios e também à justa reivindicação da “dama do tráfico”. Tudo parece bem planejado, quando se trata do seu bolso. E os fugitivos do CV já estão por aí, também de olho no seu dinheiro, para manter a tradição.

Seu dinheiro não conseguiu evitar o surto de dengue, mas, convenhamos, isso nunca foi importante. Fique feliz porque Lula e Janja, graças a você, têm um palácio provavelmente sem focos do mosquito transmissor da doença e todo, todo renovado, com móveis, tapetes, lençóis e toalhas de qualidade superior. Veja a felicidade do Lula e da Janja rodando o mundo, com todo o luxo. Sem você, isso seria impossível. Sem você, os companheiros do Lula estariam sujeitos a ter de enfrentar um ônibus leito, não teriam acesso aos jatinhos da FAB. Definitivamente, você é um altruísta.

Para que você não fique se achando muito, vou fazer um rápido resumo de outras maravilhas que o seu dinheiro suado proporciona àqueles que nos levam, de novo, pelo caminho da prosperidade… A refinaria mais cara do mundo, símbolo da ineficiência e da corrupção; um plano furado de salvação da indústria brasileira, um gasto que você já fez, é verdade, que deu prejuízo, é verdade, mas vale a pena insistir. O prejuízo de hoje, nas mãos daqueles aos quais você confia seu dinheiro, é sempre o prejuízo ainda maior de amanhã… E, veja que encanto, é o seu trabalho, o seu esforço, é o seu sacrifício que banca o Judiciário mais caro do mundo, o segundo Congresso Nacional mais caro do planeta (e de outros que porventura existam).

Claro, seu dinheiro não faz milagre, não evitou o déficit fiscal de R$ 230 bilhões em 2023, mas continua para jogo em 2024, e quando for preciso. Gastar mais do que se ganha é coisa bem brasileira. E, para que não reste dúvida de que você se empenha com todas as suas forças pelo bem do país, quero que você saiba: seu dinheiro paga pesquisa de opinião contratada pelo Palácio do Planalto e que sempre mostra a aprovação do Lula em alta. As pesquisas pelas quais você não paga mostram um resultado bem diferente. Não sei mais o que dizer… É incomensurável a utilidade da sua grana para o país. Parabéns!

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

JESUS DE RITINHA DE MIÚDO

PARAFUSO

Eu me lembro daquela tarde quente de um fevereiro no calendário perdido no registro do ano. Não da minha mente.

Nós tínhamos acabado de almoçar, e os pratos ainda repousavam sujos sobre a mesa.

Era meu aniversário e nada demais havia sido feito para aquela refeição. Tampouco existia em mim qualquer expectativa de presente. Papai sentado à mesa, na esquina do móvel, limpava uma laranja girando-a contra a faca, sem deixar se romper a casca. Eu balançava os dois cubos de gelo no fundo do copo, numa água levemente avermelhada do restante do suco sem graça de beterrabas.

De repente ele parou, deixou a casca totalmente retirada no prato e olhou para mim.

Do nada começou a me falar. Senti nos seus olhos calmos a necessidade de me repassar algo.

– Nunca deixe de colocar um parafuso no lugar do prego, quando quiser que a madeira fique mais segura.

A minha juventude não me deixou compreender muito bem aquela alegoria. E ele continuou:

– É sempre mais difícil extrair o parafuso.

Na inquietude de todo jovem, que se alia com a curiosidade própria da idade pouca, eu lhe perguntei “por que o senhor está me dizendo isso?”

Metade da laranja estava ocupando a sua fala. Seus olhos me passaram a mensagem “espere! Já, já eu digo”.

Um silêncio mastigado durou alguns segundos, talvez minutos, enquanto as sementes eram jogadas para fora da boca para a mão dele.

Antes de colocar a outra metade da laranja na boca ele piscou os olhos algumas vezes, olhando pela janela da cozinha aberta para o nosso muro.

– Não sei bem. Só não esqueça. O parafuso dá mais trabalho para entrar. Mas segura muito mais.

Disse isso, colocou a outra metade da laranja na boca, se levantou e saiu.

Nunca mais tocamos naquele assunto, ou falamos sobre algo que fizesse aquele conselho ter algum sentido. Nunca mais.

De vez em quando eu lembrava aquela cena, e um parafuso de incompreensão me tomava o raciocínio.

Até ontem eu não tinha a mínima ideia do que deveria pensar sobre a estranha conversa jamais esquecida em seus pormenores.

Hoje cedo estávamos sentados na calçada da mesma casa e eu tenho a idade que ele talvez tivesse à mesa naquele dia; Papai agora é um homem idoso com Alzheimer, sem a compreensão do que eu represento para ele e, se não fosse o tom sério emprestado à sua fala de vez em quando, eu não poderia dizer que a sua consciência é a do pai que me criou.

Assobiava algo alegre e eu olhava para o seu perfil. Tamborilava no braço da cadeira de plástico e eu olhava o seu perfil.

Do nada, como se um fragmento de qualquer tempo tivesse sequestrado a sua consciência por alguns instantes, ele se virou para mim e disse.

– O cabra só se apresenta parecido com quem ele acompanha.

Eu refleti urgente que Papai estava, do seu jeito, querendo me dizer “diga-me com quem andas, que eu te direi quem tu és”.

Mal deu tempo da frase ser completada em minha mente, ele virou o rosto para a frente e terminou:

– Por isso o sujeito só deve se acompanhar com madeira que segure parafuso. A amizade é de verdade e segura.

De onde Papai tirou isso?!

Não sei. Mas, por alguns segundos eu vi ali o emblema moral do meu velho pai.

Sim! Ali estava meu pai. Se ele não tem essa consciência, eu a tenho.

Doravante, Papai, não apenas nas relações de amizade, mas, em tudo buscarei por madeira que segure parafuso.

Semana que vem farei cinquenta e três anos. O presente veio adiantado.

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DEU NO JORNAL

O SILÊNCIO ELOQUENTE DE LULA SOBRE AMIGOS DITADORES

Madeleine Lacsko

Lula já deu diversas declarações em que tentou defender Maduro

Em um único dia passamos duas vergonhas internacionais. Teríamos passado mais se o Brasil fosse um país para o qual realmente se desse atenção no cenário internacional. Lula está falando pelos silêncios eloquentes em situações importantes. Agora está visitando o Egito, mais uma vez desfiando seu rosário antissemita e informações imprecisas sobre a guerra em Israel. Aliás, já que ele se meteu a resolver o conflito, perdeu duas chances de ouro. A primeira era conseguir que o Hamas libertasse todos os reféns. A segunda era convencer o ditador egípcio a abrir suas fronteiras para Gaza.

Não fez nada disso. Meteu-se novamente a falar frases desconexas, como aquela em que desconhece guerras onde mulheres e crianças foram assassinadas. A reação de Israel seria o primeiro caso desses na história. Não vale a pena nem comentar. Quer dizer, na verdade tenho um comentário. Não são duas vergonhas, são três. Havia esquecido de somar esta.

Voltemos à minha conta. A primeira vergonha é o silêncio eloquente sobre as mortes que favorecem o caminho político de Putin. O adversário dele, Alexei Navalny, morreu em uma prisão na Sibéria. Ele havia escapado de uma tentativa de assassinato por envenenamento anos atrás. Foi tratado na Alemanha e conseguiu se recuperar. De volta à Rússia, foi trancafiado em uma prisão da Sibéria. Morreu aos poucos. Praticamente todos os líderes do mundo democrático, sejam de esquerda ou de direita, fizeram pronunciamentos fortes sobre o assassinato, pedindo a responsabilização de Putin. Quem não se pronunciou? O Brasil. Eloquente.

É possível argumentar que a postura brasileira não muda nada sobre a política de Putin. Seria apenas um delírio megalomaníaco de Lula caso se metesse, quando fez logo que tomou posse, dizendo que resolveria a guerra. A grande questão é que esse silêncio segue vários outros bastante significativos sobre as ações do governo russo.

No caso da outra vergonha que passamos, nem esse argumento dá para usar. O silêncio de Lula significa deixar de interferir numa questão que o Brasil tem poder para ajudar a resolver. E, mais que isso, significa abrir mão da liderança regional na América Latina em nome de passar pano para ditador amigo.

Nicolás Maduro mandou prender a ativista Rocío San Miguel e diversos membros da família dela. O Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos fez um documento exigindo a libertação imediata de todos. O ditador da Venezuela liberou os familiares mas mandou a ativista para uma prisão do serviço de inteligência. Os países da região se uniram em um comunicado conjunto condenando as atitudes do ditador e defendendo “respeito total aos direitos humanos, ao Estado Democrático de Direito, às eleições transparentes, livres e democráticas”. Assinam em conjunto Argentina, Costa Rica, Equador, Paraguai e Uruguai. O Brasil assinou? Não. Silêncio eloquente.

Lula tem falado muito por meio de silêncios como os dessa semana. Não deixa dúvidas de que está alinhando o Brasil a um bloco de ditaduras mundiais, o que tende a contaminar o ambiente político por aqui. O presidente se beneficia da própria habilidade de manipular a população. Consegue fazer com que até quem o odeia passe o dia todo tentando calar quem se insurge contra esses atos.

Ninguém ganha três eleições à toa. Lula sabe que há coisas mais importantes que defender a democracia ou fiscalizar o governo. Uma delas é falar “eu avisei”. A outra é se juntar em grupo para fazer bullying com quem mudou de opinião sobre Lula em vez de comemorar que alguém tenha passado a enxergar. Aliás, Lula manipula tão bem a oposição a ele que o pessoal acredita até mesmo em mentiras que o favorecem. Diversas pessoas que sempre combateram o PT estão sendo alvo da patrulha chatinha do “faz o L” quando falam de Lula. A verdade não importa mais e Lula se beneficia disso.

A saída para o Brasil é pela via do respeito e da verdade. Procurar saber o que as pessoas realmente fizeram ou não. Agir com o outro como gostaríamos que agissem conosco. Ter com os demais um comportamento de adulto, tratar os outros com respeito e jamais com linguajar de boca de fumo. Princípios e propósitos são inimigos de populistas e também de movimentos antidemocráticos. Beligerância só favorece populistas e autoritários. Não parece uma escolha difícil.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A SOLIDÃO

Lulu na janela

Nascida Luzia, filha de pais portugueses que chegaram ao Brasil no século passado. Era a única filha de uma prole de quatro. Entretanto, quase ninguém sabia seu verdadeiro nome, pois era mais conhecida naquela rua, pelo apelido carinhoso e respeitoso de Lulu.

Aquela moradora da Rua do Gás, no bairro Andiroba conhecia a todos, e sabia da vida da maioria.

Pudera. Nascera ali, crescera ali, casara ali e ficara viúva ali, havia pouco tempo. Não teve filhos por conta de problemas de saúde. Sofria de toxoplasmose.

Não vivia só porque, com ela, morava uma “secretária” criada pela mãe, que parentes conheceram no interior da Bahia. A “secretária” já era mais idosa que Lulu. Era a responsável por quase tudo e por quase nada. Sempre foi assim, permitindo que Lulu pudesse trabalhar até garantir a aposentadoria.

Famosa, Lulu havia trabalhado durante anos numa emissora de televisão da cidade.

Depois do falecimento do marido, Lulu caiu na solidão e, após aposentadoria, sem filhos e sem afazeres domésticos, que ficavam na responsabilidade da “secretária”, passava as cinco horas da tarde de todos os dias, debruçada na janela. Provavelmente esperava o passeio e o pouso das andorinhas que escreviam poemas em voos. Cada voo mais sinuoso que o outro. Claro, as odes de um poema precisam ser diferentes.

“Boa tarde” para um, “boa tarde” para outro, e, da janela só saía, quando falava o primeiro “boa noite”!

Ninguém entrava ou saía daquela casa, além da “secretária”, que, pelo menos uma vez na semana saía para ir ao comércio, onde se abastecia de víveres.

Às vezes (fora frutas e legumes) a compra era para a semana toda.

Vez por outra, a meninada traquinas tocava a campainha e corria. Aquilo irritava Lulu que, às vezes, fosse quem fosse, nem atendia mais.

Pois, ontem, durante as cinco horas da parte da tarde e começo da noite, não havia ninguém naquela janela.

Lulu, a moradora, estava sendo velada entre preces na capela Sossego Eterno. O corpo sairia dali para ser cremado, como era o desejo dela!

ROQUE NUNES – AI, QUE PREGUIÇA!

SOBRE CHIFRES E OUTRAS ADJACÊNCIAS

Estive retirado, em minha taba, por esses dias, mas não deixei os miolos pararem de funcionar, refletindo sobre temas tão importantes para a vida no planeta, tal como, se a televisão deve ficar na parede esquerda, ou direita, na sala, se um dia colonizaremos plutão, ou se os aliens virão nos visitar, apesar de nossa inteligência. Deparei-me, nesse refletir com um tema tão antigo quanto a própria humanidade: os chifres e outras adjacências no ser humano.

O chifre, galhada, cornos, aspas, chapéu de touro, guampa – e quem souber outros sinônimos, por favor colabore -, é um acessório tão antigo e pertinente à espécie humana, quanto a coceira e o olhar pidão de adolescente para moças novas. Às vezes dolorido, às vezes conformado, às vezes zangado, chifre é um acessório do macho humano quase tão comum que feliz é aquele homem que um dia, seja flertando, namorando, ou casado, nunca os tenha levado. Aliás, eu sempre digo que o chifre é um componente natural e que, um animal sem chifres é, por definição, um ser indefeso, na natureza.

A mais famosa guerra de todos os tempos, cantada por Homero na Ilíada foi, em último caso, causado por um belo par de guampas. A história é basicamente o seguinte: Paris, marido de Helena foi homenageado pela mulher e Menelau, fugiu com o pé de pano, e o chifrudo do rei provocou uma guerra de mais de dez anos contra Tróia. O cornudo em vez de sossegar e ir lustrar a galha, resolveu sacrificar um magote de soldados só para ir à desforra por causa do enfeite que colocaram em sua cabeça.

Homero, em sua sabedoria deu uma grandiosidade épica a uma história, por si só, banal e quase tão natural quanto respirar, inspirando e moldando toda a história e a literatura do ocidente. Também as más línguas contam que Alexandre, rei da Macedônia, fez uma campanha insana, indo dos Bálcãs até a margem ocidental do rio Indo por causa de um suposto chifre que Xerxes iria colocar nele, com seu companheiro predileto, Hefestion. Mas tudo isso são más línguas, eu só estou vendendo peixe como comprei.

Napoleão Bonaparte também entrou pelo cano por causa da Madame Pompadour, que enfeitava a cabeça de Josefina, em companhia do Imperador. Essa atividade chifrística levou os impérios europeus a declararem guerra ao baixinho corso, como forma de vingança à galha levada pela princesa austríaca.

E a atividade guampística segue pela história, envolvendo, também nossos dois Pedros. O primeiro com a Marquesa de Santos, a caganeira que provocou nossa independência e o segundo com as aventuras de alcova com a Condessa de Barral. Na República, o caso mais célebre foi o assassinato de João Pessoa. A história oficial diz que foi em um atentado político, mas os fofoqueiros de plantão dizem que, ele, enciumado por causa de um caso amoroso, de um inimigo político, com certa dama da sociedade paraibana, divulgou cartas dessa senhora para esse político. Em represália, o inimigo passou fogo na língua ferina de João Pessoa.

Mas nem só de chifres veve o homem. Há também, na sociedade pindoramense, alusões à pomba, chibata, mangará, verruma, caceta, pinto, peru, verga e outros nomes. Aliás, a mítica popular diz que ela é proporcional a certas partes do corpo como o nariz, a distância do punho ao dedo médio, ou ao tamanho do pé. Mas tudo isso são apenas ilações e mitos. Particularmente, já foi tempo em que eu dava importância a essas fofocagens de botequim. Ultimamente só paro para pensar quando estou próximo a espirrar. Fico sempre na dúvida se vai ser só um espirro, ou vai vir acompanhado de uma freada de caminhão fenemê, ou a ruptura de um vaso no olho, ou sangramento do nariz, ou pior, a ruptura de um vaso no cérebro.

Aqui, na gloriosa Campo Grande, temos um ditado que, quanto maior e exposição de um determinado bem, menor é o tamanho da bengala do indivíduo. Se assim for verdade, o que tem de homem de pinto pequeno nesta região dá para encher uns cem caminhões bitrem. É carro em que o indivíduo tira as partes traseiras e mete caixa de som e sai andando no último volume, carro rebaixado, caminhonetes super-hiper grandes, correntes que deixam o sujeito com a carcunda envergada para frente, e por aí vai.

Quanto à história da nareba, penso que foi algum turco com uma napa de sugar todo o ar da redondeza que inventou essa história e ela pegou. Aliás, os gregos já veneravam um deus, cujo nome era Priapo que tinha uma chibata que chegada nos joelhos – Te cuida negão da internet -, e que abençoava homens jovens e velhos na antiga arte da sedução e conjunção carnal, a famosa trepada.

Chifres, pintos e homens caminham sempre juntos até a morte de algum deles chegar. Nem sempre na mesma época, ou na mesma ocasião. Há situações, e são inumeráveis, em que a pomba vai primeiro, o homem depois, e o chifre por último. Aliás, na senectude do homem, sempre desaconselho um homem velho se casar com uma mulher nova.

Casamento de homem velho com uma mulher nova é igual orelha de vaca, longe do rabo, mas muito perto do chifre. Conta-se, uma história aqui em Campo Grande, que certo senhor, já beirando os oitenta, mijando naquilo que era seu, ou seja, nos pés, resolveu se casar com uma mocinha de vinte e cinco. Ao fazerem os exames médicos o resultado dela foi AS, ou seja, Apto para o sexo. No caso dele saiu a sigla AAPM, apto apenas para mijar.

Mas, como disse, são coisas da vida, ou apenas algo que alguém colocou na sua cabeça. E assim caminha a humanidade, chifrando e levando chifres, mas com toda a felicidade do mundo.

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO