WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

SUCESSÃO E SUCESSORES

Um dos lemas mais comuns e exaustivamente repetidos em diversas situações nas quais uma pessoa se coloca como a única capaz de conduzir determinadas soluções é: “o cemitério está cheio de insubstituíveis”. Nada mais objetivo, nada mais simples e direto. Não aceita quem não quer, mas uma passada rápida no passado vai trazer constatações irrefutáveis. Eu lembro de uma complô armado para matar Idi Amim Dadá, ditador de Uganda. Diante dos “conspiradores” ele chegou a vociferar: “vocês não sabem que EU escolho o dia de minha morte?”.

Existe uma cobrança, natural, muito grande sobre os sucessores. Algumas vezes o compromisso é manter a qualidade de um trabalho que estava sendo bem feito; outra, é refazer tudo que estava sendo feito com uma guinada de 180 e convencer as pessoas mediante a credibilidade dos resultados. As cobranças sempre ocorrerão, as comparações, idem. Há muitos anos, a rede globo (minúsculo mesmo) apresentava nas manhãs do domingo o programa “Som Brasil” comandado por Rolando Boldrini e quando ele saiu, Lima Duarte assumiu e muita gente falava que Boldrini era melhor, apesar de Lima fazer um bom trabalho. Na verdade, Lima Duarte apresentou o programa antes de Boldrini.

Isso se espalha em vários outros ambientes. Um cantor chamado Luiz Américo, lá nos idos de 1974 gravou uma música chamada “Camisa 10” (torcer para Peninha ler esse texto e nos brindar com um vídeo dessa música) na qual ele perguntava a Zagalo, então técnico da seleção brasileira, quem iria no lugar de Pelé. “10 é a camisa dele, quem é que vai no lugar dele?”. Zico honrou magistralmente essa substituição, outros nem tanto. Messi e Maradona guardam esse mesma proporção, mas quem virá depois de Messi?

Na política a coisa não é diferente. A cada quatro anos nós vamos às urnas escolher representantes (sic!). A maioria escolhe fulano e o resto segue a vida. Infelizmente nós perdemos, em 1993, uma oportunidade extraordinária de adotar nesse país um regime parlamentarista. Pare e pense: governo não é do presidente, governo é um gabinete, mas a ideologia é a parte tenebrosa da vida política. Há um sentimento de que o país, quiçá o mundo, deve ser esquerdista.

O mapa político do Brasil, desde a chamada redemocratização, começou com um presidente que passava léguas de distância do esquerdismo. Contra Collor, Lula se apresentou e Maria Amato, então presidente da “poderosa” FIESP chegou a dizer que “se Lula fosse eleito, 800 mil empresários deixariam o Brasil”. Em tese era uma oportunidade de se mostrar algo sustentável para o país, mas as duas coisas mais marcantes do governo Collor foi o fim dos títulos “ao portador” e a abertura das importações que cutucou a indústria automobilística a fazer carros com tecnologia de ponta.

Collor saiu sob o manto da corrupção denunciada por seu irmão, Pedro Collor, e gerenciada por PC Farias, morto em circunstâncias absolutamente estranhas. Itamar preparou FHC para a presidência e ganhou de Lula, duas vezes, por se apresentar como um esquerdista mais brando do que Lula. É aí que nasce o cerne da esquerda no Brasil. O PT sabia que nunca ganharia uma eleição com a pauta partidária que defendia e Zé Dirceu começou a formatar um plano de governo, ou melhor de poder, que pudesse levar o PT à presidência. Deu no que deu. Além dos indícios de corrupção já no primeiro ano de governo, estoura o escândalo do mensalão. Mas, o objetivo aqui é falar sobre sucessão.

Lula sempre foi o único candidato de esquerda no Brasil. Não por competência, mas por sagacidade. Aniquilou Ciro Gomes, humilhando-o em diversas ocasiões. Não formou um sucessor ao longo desse tempo inteiro. Quando Lula morrer, o PT servirá de matéria prima na cremação do corpo. Seguramente, o PT ficará com alguns cargos proporcionais, mas não majoritários. O petista que voltou em Dilma, Haddad o fez com a consciência de quem o mandatário dos governos seria Lula.

De modo igual, com Bolsonaro inelegível até 2030, um cara com seus 66 anos de idade, vai disputar uma eleição com 72 anos? Pode ser. Lula o fez. Mas, dentre todos os apoiadores de Bolsonaro, quem é visto como sucessor? Tarcísio de Freitas? Talvez, mas não para 2026. A questão é a seguinte: Barroso discursou dizendo “nós derrotamos o bolsonarismo”, mas, de fato, não existe esse movimento. Existem pessoas simpatizantes a Bolsonaro e isso é muito pouco para se formar uma base estruturada. Este ano teremos eleições municipais e o PT temendo a influência do ex-presidente, articular pela sua prisão.

Não há sucessores e isso é o quem mais me angustia. Em 2022, inúmeros partidos apoiadores de Bolsonaro lançaram candidatos. Esfaleceram os votos permitindo a coesão esquerdista. Falta muito para termos competividade. Falta uma pauta que convença o trabalhador e o empresariado de que este país é possível.

DEU NO X

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Bartira

Bartira (também conhecida como Potira) ou Isabel Dias foi uma indígena Tupiniquim e uma das primeiras colonizadoras de São Paulo, em princípios do século século XVI. Sua prole de 3 filhas e 5 filhos se constituiu nos formadores da elite colonial paulista.

Filha do cacique Tibiriça, líder Tupiniquim, casou-se com João Ramalho, o famoso degredado português, possivelmente, em 1515. Na época era comum a união de mulheres indígenas com brancos europeus, visando a manutenção de alianças politicas e familiares que favorecia tanto os nativos como os colonizadores. Ela foi batizada pelos jesuitas, recebendo o nome de Isabel Dias.

A Igreja viu no enlace uma boa oportunidade para a conversão dos nativos, visto que Bartira era filha de um respeitado cacique. Os brancos também viram ali uma facilidade para a conquista portuguesa do planalto paulista. Quase todos seus filhos se destacaram na política e economia da região. Joana Ramalho casou-se com Jorge Ferreira, capitão mor da capitania de Santo Amaro e depois ouvidor da capitania de São Vicente. Antônia Ramalho casou-se com Bartolomeu Dias Nunes Camacho, figura destacada na colonização do litoral paulista.

O filho mais velho – André Ramalho – ficou conhecido por ter acompanhado o padre Manuel da Nóbrega no trabalho de catequese dos índios pelo sertão. Alguns netos e bisnetos descendentes dos primeiros fihos também tiveram posição de destaque no periodo colonial. Além dos 8 filhos com Bartira, conta a história que João Ramalho tinha uma numerosa prole com outras mulheres. Atualmente o nome Bartira anda negligenciado na historiografia do Brasil. Seu nome consta em alguns relatos, mas poucos citam o fato dela ter sido uma mulher indígena influente, guerreira e que falava outras línguas. Sua imagem está sempre ligada ao pai Tibiriçá e ao marido João Ramalho, restringindo seu protagonismo na História.

Na década de 1930 havia uma estátua em bonze de Bartira (foto acima) localizada no Jardim Helena, Zona Leste de São Paulo, esculpida por João Batista Ferri, próxima de um casarão do século XVI, que ficou abandonado por um longo periodo. Mario de Andrade, que além de escritor, foi um dos fundadores do IPHAN-Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, defendeu arduamente o tombamento do local, que só veio ocorrer na década de 1990. A escultura foi estraviada ou roubada há muito tempo e atualmente a Prefeitura busca revitalizar o local. Porém sem uma proposta de refazer a estátua de Bartira.

Bartira teve trajetória semelhante a de outra índigena já incluida em nosso Memorial. Trata-se de Paraguaçu (1503-1583), filha do cacique Taparica, na região da Bahia e esposa do náufrago português Diogo Álvares, o Caramuru. Parece que nos primórdios do descobrimento havia o costume dos grandes caciques oferecerem suas filhas aos primeiros colonizadores.

Pouco se sabe acerca do falecimento de Bartira, algumas pesquisas apontam que ocorreu em 1559, quando teria completado 54 anos. Outro documento data sua morte no ano de 1550. Sua história, como a de tantos outros colonizadores do Brasil, é quase desconhecida. É mais uma vítima da falta de políticas de preservação e segurança do patrimônio público. Hoje sua memória resiste apenas na denominação de uma rua no Bairro Perdizes, em São Paulo.

DEU NO JORNAL

O INTERVENCIONISMO PETISTA E O CAPITAL EM FUGA

Editorial Gazeta do Povo

Lula não se contenta com ingerência em estatais e pretende também interferir na gestão de companhias privadas nas quais o governo tem alguma participação acionária

Não é apenas o Investimento Direto no País (IDP), valores que investidores estrangeiros aportam na “economia real”, por exemplo na construção ou ampliação de fábricas ou unidades, que está em queda no Brasil – em 2023, essas entradas caíram 17% na comparação com 2022. O mercado de capitais também está vivendo um momento de saída do dinheiro estrangeiro – foram R$ 7,9 bilhões em janeiro deste ano, segundo dados da B3, a bolsa de valores brasileira. E as políticas intervencionistas do governo Lula estão diretamente ligadas a esse desempenho, de acordo com analistas de bancos e consultorias internacionais ouvidos pela Gazeta do Povo.

É preciso ressaltar que este não é, nem de longe, o único fator que pesou na saída deste dinheiro estrangeiro até então aplicado em empresas listadas em bolsa no Brasil. Os juros nos Estados Unidos e na zona do euro se mantêm em patamares recorde nos dois casos, e ninguém sabe ao certo quando começará o afrouxamento monetário por parte do Fed e do Banco Central Europeu; esse fato, por si só, já alimenta a chamada “fuga para a segurança”, em que investidores deixam de aplicar em países emergentes e preferem obter ganhos menores em economias mais sólidas. Mas a percepção de que o governo Lula quer usar empresas, estatais ou privadas, para impor suas ideias acrescenta motivos para que o investidor estrangeiro pense duas vezes antes de ter ações brasileiras em seus portfólios.

Das estatais nem se fala, e não é à toa que o jornal britânico Financial Times escolheu uma foto da Refinaria Abreu e Lima para ilustrar uma reportagem sobre o medo da volta de um “capitalismo de Estado” (outros autores preferem a expressão “capitalismo de compadrio”) no Brasil, já que a unidade da Petrobras localizada em Pernambuco é um resumo perfeito da maneira como o petismo lida com as empresas que controla. Em seu conjunto, as estatais federais voltaram a dar prejuízo em 2023, com um rombo de R$ 656 milhões, o pior resultado desde 2017 – a conta não inclui nem Petrobras nem Eletrobras, que só foi privatizada em 2022.

A mão pesada do intervencionismo lulopetista, no entanto, quer também as empresas privadas, tenham ou não sido estatais um dia. O governo perdeu uma batalha na tentativa de ampliar sua ingerência dentro da recém-privatizada Eletrobras, mas ainda pretende vencer a guerra no STF, onde questiona trecho da lei que privatizou a empresa de energia e prevê que nenhum acionista terá poder de voto superior a 10%, independentemente de quantas ações possua. Na Vale, líder global em mineração, Lula ainda alimenta o sonho de colocar seu ex-ministro Guido Mantega – o pai do desastre econômico causado na primeira passagem do PT pelo Planalto – na presidência da empresa.

Enquanto o petismo não se apropria das gigantes privadas listadas em bolsa, ministros de Estado e aliados de Lula vão assumindo posições em conselhos de administração de outras empresas privadas Brasil afora, mesmo sem as qualificações técnicas necessárias para o posto. Na companhia de gás e eletricidade CEG estão os ministros dos Direitos Humanos, Silvio Almeida; e da Defesa, José Múcio Monteiro; o assessor especial e chanceler de facto Celso Amorim; e o ex-“número 2” do Ministério da Justiça Ricardo Cappelli. A metalúrgica Tupy tem como conselheiros os ministros da Igualdade Racial, Anielle Franco, e da Previdência, Carlos Lupi. A ministra da Saúde, Nísia Trindade, encerrou recentemente uma passagem pelo conselho da BRQ, empresa de transformação digital. E o assessor especial Giles Azevedo é conselheiro da companhia de tecnologia da informação Quality Soft. Todos eles ocupam cadeiras cuja indicação cabe ao BNDES, que detém participação acionária nessas empresas.

Os analistas ouvidos pela Gazeta do Povo afirmaram que o Brasil tem, hoje, uma posição privilegiada entre os emergentes, sem guerras, convulsões internas ou caos econômico. Mas o país está desperdiçando a chance de atrair mais investimentos, seja pelas linhas gerais da política econômica petista, obcecada por gasto e avessa à responsabilidade fiscal, seja por ações mais específicas como a ênfase no protecionismo e as tentativas de intervir na governança de empresas, estatais ou privadas. A queda no IDP representa uma diminuição da confiança no país no médio e longo prazos; a saída de estrangeiros da bolsa reflete o mesmo fenômeno, mas no curto prazo. Um estrago dessas dimensões é algo que só o petismo sabe entregar.

DEU NO X

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

DISTANTE DE MOMO

No Portal de Gravatá, acompanhado da Sissa e da cunhada Taninha, me refugiei da folia momesca deste ano bissexto, revendo pessoas, relendo trechos de livros e trocando ideias com gente pensante, que para lá também tinha se dirigido.

Um dos papos mais agradáveis aconteceu com um cearense quase coroa, engenheiro de QI vivo, que me mostrou um texto seu, intitulado Opinião Pessoal. Com a licença devida dele, reproduzo abaixo o seu escrito, para disseminar, aqui e agora, uma opinião que combina com uma opinião idêntica de milhões de eleitores brasileiros. Ei-la, sem tirar nem pôr:

“Que o ex-presidente Bolsonaro seja severamente punido pela tentativa de golpear a Democracia Brasileira. Urge uma legislação que promova um fortalecimento de uma estrutura política do país capaz de enjaular por muito tempo os alucinados que tentarem desrespeitar os direitos de uma sociedade que busca sempre repudiar os sectarismos travestidos de desenvolvimentistas. As provas explicitadas nos autos que o incriminam são contundentes, a revelar também seu caráter nulamente construtivo. Além de uma mente nada amadurecida, intensamente autoritária e genocida, sem um mínimo de lucidez política.”

Como professor universitário de uma conceituada universidade alencarina, o engenheiro também se manifestou assustado pela incrível desculturação da quase totalidade dos universitários atuais, aqui também sendo inclusos os por ele chamados de DSM (docente salário mínimo), que não conseguem transmitir conhecimentos humanísticos capazes de favorecer uma PCCCP – Profissionalidade Competente Crítico-Construtiva Pensante, jamais ruminante, tampouco apenas obsessivamente lucrativa, sem ética nem bons propósitos, além do apenas enriquecimento rápido.

Ele ainda muito apreciaria ver a Universidade Federal do Ceará promover um amplo Programa Regional de Integração Inteligência Artificial x Humanismo 21, congregando professores, alunos concluintes, pesquisadores e especialistas, favorecendo uma atualização evolutiva do planejamento estratégico dos amanhãs regionais, públicos, empresariais e comunitários.

Na opinião dele, a IA e o Humanismo deveriam prosperar integrados, promovendo o desenvolvimento de um existir social sem as complexidades mórbidas da conjuntura atual, a favorecer um amplo conhecimento e aprendizagem, potencializando o nível civilizatório com consistente solidariedade instrucional para com os intelectualmente menos favorecidos. Os ambientes digitais estão a exigir novos balizamentos instrucionais para todos os gêneros, harmonizando povos, nações e regiões.

Segundo o amigo de Fortaleza, somente disseminando a sabedoria platônica contida em O Mito da Caverna, proporcionaremos a libertação da escuridão da gente brasileira, cidadanizando-a politicamente com mais densidade, ensejando projetos fomentadores de promissores futuros.

E o professor concluiu o seu texto: “Um Brasil em processo de cidadanização comunitária deverá erradicar, através de uma Educação Integral para Jovens e Adultos, os negativismos cretinos que teimam em relegar os avanços da Ciência na área da saúde preventiva, praticando genocídio em comunidades ainda pouco conscientes de sua importância na construção do Brasil.”

Saibamos, como espiritualistas, perceber a evolução dos nossos derredores sociais, nossos direitos e nossos deveres para conosco e os demais. Sempre recordando Allan Kardec: ‘O egoísmo, o orgulho, a vaidade, a ambição, a cupidez, o ódio, a inveja, o ciúme e a maledicência são para a alma ervas venenosas, das quais é preciso a cada dia arrancar algumas hastes e que têm como contraveneno a caridade e a humildade.’

Saibamos conhecer, através do notável Confúcio, os três métodos para ganhar sabedoria: primeiro, por reflexão, que é o mais nobre; segundo, por intuição, que é o mais fácil; e terceiro, por experiência, que é o mais amargo.

O cearense retornou ao seu estado, com sua família, logo na terça-feira de folia plena. Com ele trocamos e-mails. Muito papo acontecerá de agora em diante. Viva Iracema!!!

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO X

DEU NO JORNAL

VEXAMES

Crescem as críticas à influência, que diplomatas acham “perniciosa”, do ex-chanceler Celso Amorim no apoio de Lula aos terroristas do Hamas, na contramão da comunidade internacional.

Um vexame.

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Tem pra todos os gostos.

Não são apenas o nacionais.

Os vexames internacionais também são uma grande especialidade do governo petralha.