A PALAVRA DO EDITOR

REPUBLICANDO PRA COMEÇAR A SEMANA

Uma postagem que fiz em janeiro de 2019. Já lá se vão 5 anos…

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DESCE DAÍ, SEU CORNO!

Ontem recebi telefonema do meu querido amigo Jessier Quirino, grande poeta nordestino e colunista do JBF, pra me contar mais uma das presepadas que ele vive presenciando lá na sua Itabaiana, interior da Paraíba.

Era a história de dois cabras comendo societariamente uma jaca, cada um ocupando um daqueles bancos de praça, emendados costa com costa.

A jaca no meio dos bancos e os dois cabras, frente a frente, enfiando os dedos na fruta com muito apetite, imensa harmonia e grande tranquilidade.

Jessier tem um imã que vive atraindo estas cenas interioranas bem peculiares. 

Cenas que ele retrata com muita maestria e talento em suas apresentações Brasil afora.

Mas a história que quero contar hoje não tem nada a ver com jaca.

Tem a ver com gaia.

Para os leitores de outras regiões, esclareço que “gaia” é a maneira nordestina de se referir a “galha”.

Galha outra coisa não é senão o chifre, o símbolo do corno, do cabra traído.

Quando se diz que “Fulano levou gaia“, é porque apareceu um Urso em sua vida.

“Urso” é a figura do gostosão, o comedor, o cabra que enrabou a mulher do corno.

Pois no mês de dezembro passado, Jessier me ligou e começou a falar do seu jeito habitual:

– Marrapaz!!!

E disse que havia acabado de passar um carro de som em frente à sua casa, tocando uma música arretada.

Uma música cuja letra falava na tentativa de suicídio de um corno, muito desgostoso com as gaias que havia levado da mulher chifreira.

Jessier mora numa movimentada rua no centro da cidade, onde acontece de tudo e por onde tudo passa.

Uma rua que ele costuma chamar de a “Times Square de Itabaiana“.

Ou a “Champs Elysee de Itabaiana“.

Pois Jessier me resumiu a letra da música e eu achei arretado aquele enredo.

Pesquisei na internet e encontrei rapidinho.

É esta obra-prima que vocês vão ouvir no vídeo abaixo.

Uma excelente semana pra todos os amigos que frequentam esta gazeta escrota!!!

DEU NO JORNAL

DEU NO X

DEU NO X

XICO COM X, BIZERRA COM I

UMA PESSOA COMUM, UM INCOMUM PESSOA

Meu cunhado Mané, diz: – Sou apenas uma pessoa comum, bem distante do incomum Pessoa … Suas palavras, faço-as minhas em reverência aos Poetas. Ás vezes me atrevo a fazer versos, mas sempre ciente e atento às minhas imensas limitações. Teimosia pura! Na verdade, incomoda-me ser chamado de Poeta. Num chão em que brotaram Pinto do Monteiro e Louro do Pajeú, para citar apenas dois, faz-me constrangido o tratamento de Poeta que às vezes ousam dispensar-me. Considero-me, na melhor das hipóteses, um escrevinhador, um mero ajustador de palavras, um simples arrumador de pretensas rimas. Poeta é aquele que brinca com as palavras, que sabe fingir dor ou alegria. Ou, no caso dos Poetas do Sertão, aqueles que, ao ser-lhes oferecido um mote, num repente ele glosa, com métrica, rima, ritmo, numa convergência e união de lógica e beleza impossível para os comuns humanos. Fazer o que chamam de Poesia, como eu tento fazer, basta apenas tempo, veleidade, audácia, um lápis e um pedaço de papel. Nada disso me falta, além de dispor de um local com o clima adequado e um computador de última geração, Aurélio e Houaiss por companhia a socorrer-me, sempre. Assim, qualquer um faz o que faço. Muito distante de um Bandeira, por exemplo. Ou de um Drummond. Salve, pois, Patativa do Assaré, Manoel de Barros, João Cabral de Melo Neto, Carlos Penna Filho e alguns outros Poetas incomuns de verdade. Se ao que fizeram Pessoa e Neruda deu-se o nome de Poesia, que nome darei ao que teimo em fazer? Quem souber, diga-me, por favor.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO JORNAL

SORRISOS, RISOS, PIADAS E BEIJINHOS

Luís Ernesto Lacombe

O presidente Lula durante evento em São Leopoldo (RS), em 15 de maio.

O presidente Lula durante evento em São Leopoldo (RS), em 15 de maio

Não era exatamente um showmício… Apresentação musical não teve. Foi comício, quase tudo fora de tom. Desde o início. No palco, uma turma enorme sendo apresentada, um a um. Não teve show, mas teve clima de festa. Alguns nomes puxando aplausos efusivos, gritos de animação: “Uhu!”, assovios, não apenas da plateia, entre as autoridades também. Foram coisas assim: “Aí, meu prefeito!”; “Viva! Viva!”… “Bom dia às mulheres, aos homens, às crianças”… Mas esse não é aquele que estava dizendo que sua cidade tinha um sistema de proteção contra enchentes, que estava tudo sob controle, que nada de grave aconteceria? Então, ele explicou, sem se explicar: “Essa tragédia é fruto do descaso que a humanidade teve com a questão ambiental”. E tome aplauso… Estamos destruindo o planeta.

A Justiça confirmou o veredito do poder municipal: “A natureza, tragicamente, escolheu aqui para dar esse imenso sinal de alerta de que a mudança climática não é mais um problema abstrato, é um problema real, e nós precisamos enfrentá-la com medidas efetivas, com medidas concretas e com medidas corajosas”. Tudo mais são mentiras, é tudo uma “abominável onda de desinformação, de notícias falsas, de fake news a propósito do que está acontecendo no Rio Grande do Sul, do que está sendo feito no estado”. A culpa, toda a culpa, é das “criaturas das sombras, criaturas das trevas, que, sobre o sofrimento das pessoas, projetam a sua maldade”. Muitos aplausos, aplausos, aplausos.

Os donos da verdade foram se revezando no palco, com o apoio total da plateia. Parecia tudo encaminhado, parecia tudo resolvido, e a claque cantou: “Olê, olê, olê, olá, laiaraiá, laiaraiá!”. Entre as autoridades, o clima era de satisfação, havia sorrisos, sorrisinhos, piadinhas no ouvido, ou em alto e bom som… Havia polegares para cima, risos, brincadeiras, abraços, punho cerrado, mas, quando o chefe falava, nada de mexer no celular… A moça deu bronca. Todos devem ser solidários ao chefe. Ele, que jura ter recebido um país destruído… Mas a mudança foi rápida, foi total. A maior prova disso? O número gigantesco de voluntários empenhados no socorro ao Rio Grande do Sul. Tudo por obra dele, nosso salvador e protetor. Se não fosse por ele, não haveria “milhões de voluntários e de voluntárias em defesa do povo gaúcho”. Quem faz críticas, que a turma no comício nunca chama de críticas, “será banida da política brasileira”. É hora de união!

E os animaizinhos? A moça só pensa neles. Uma parte do discurso do chefe foi sobre isso: “Qualquer hora, ela vai falar de baratas”, ele brincou… Talvez fosse tudo mesmo brincadeira. E não tinha fim: “Se você tem uma vaca, um boi, um touro, um rinoceronte, um elefante, você gosta de animal, você aprende a gostar”. “Qualquer negócio, manda uma carta ao ministro da Fazenda, para liberar recurso para uma cesta básica para os animais que foram encontrados”. Os animais estão à solta, subiram no telhado… “Ainda bem que a gente continua acreditando que é possível ter uma humanidade mais humana… Apesar da nojeira das fake news”.

E assim seguiu o comício… Não há nada melhor do que imposto! Porque o chefe não quer governar, quer cuidar. E prometeu casa para todo mundo que perdeu a sua na tragédia. As moradias que foram anunciadas para os atingidos nas enchentes no Rio Grande do Sul em setembro do ano passado, ele reconheceu, não foram entregues, mas “agora a burocracia vai acabar”. O chefe é a solução. Com ele, o Brasil se tornou um país maravilhoso. Tudo graças a ele, até que um “incivilizado” chegou ao poder. Não ficou pedra sobre pedra. Ah, se tivessem gastado com prevenção, não seria necessário tanto dinheiro na emergência… E a plateia se calou, não aplaudiu, não gritou, não assoviou… Nos últimos 22 anos, 16 se passaram com seus ídolos no poder.

Foi um comício mórbido. A exploração eleitoral de uma tragédia, no falatório do chefe sempre em descaminho, por longos 45 minutos. E ele quer acréscimos, mais um período, mais acréscimos, prorrogação… Ele quer viver até os 120 anos, disputar umas dez eleições. Aplausos, muitos aplausos, desgraça pouca é bobagem. Ele não tinha noção de que no Rio Grande do Sul havia tanta gente negra… Aplausos! E ele sai por aí, beijando muito as pessoas, coisa que não fazia: “Eu tô ficando moderno agora. Para mim, pode ser homem ou mulher, eu vou beijando logo”.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

BOAVENTURA BONFIM – FORTALEZA-CE

Um repentista nordestino, por meio destes inteligentes versos, faz um alerta aos políticos inescrupulosos que sempre estão em acelerada ascensão, justamente porque se utilizam de todos os meios possíveis para alijar os adversários:

“Aquele que muito sobe,
dizendo a todo mundo, arreda!
Só tem noção da subida,
mas não tem noção da queda”.

DEU NO X