Patriotismo é o sentimento de orgulho, amor e devoção à Pátria, aos seus símbolos (bandeira, hino nacional, brasão, riquezas naturais e patrimoniais).
O militar presta serviços à Pátria, e, com o tempo, absorve os hábitos próprios da sua profissão. Acaba se identificando com o quartel, e jamais perderá o jeito de soldado, por mais que o tempo passe.
A influência das armas sobre os militares é tão forte, que eles se reconhecem na rua, mesmo quando vestidos á paisana.
Ao ver, na via pública, um oficial do Exército envergando um jaquetão ou um fraque, a impressão que se tem é de que falta alguma coisa à sua elegância.
Por mais correto que ele esteja vestido nas suas roupas apuradas, lembra-nos, sempre, um tigre metido na pele de um urso, ou um leão enfiado, por modéstia, no couro de um elefante. Sentimos a força, a segurança e o respeito que eles impõem, perante a sociedade.
O rigor e o respeito que a farda militar impõe, mostram-se de modo mais acentuado perante os seus subordinados e cidadãos civis.
Absorvido pelo seu mundo de glória, o soldado revela-se em toda a parte e em todas as circunstâncias: no calor das palestras, na energia da vontade, na severidade da vida, na intransigência das atitudes, na disciplina do porte, e, até, ás vezes, no emprego do vocabulário empregado fora do quartel.
Pois bem. O caso do tenente José Porto Brasil é uma comprovação de que o militar guarda dentro do peito, como relíquia, os ensinamentos absorvidos na vida de quartel. A qualquer momento, poderá dar provas dessa verdade.
Militar elegante, bonito, bravo e decidido, o tenente José Porto Brasil utilizava os dias de serenidade da Pátria, passeando pela Avenida principal da capital, quando viu uma tarde, em certa casa de chá, uma bela mulher, que lhe fez acordar tocando alvorada, todos os clarins do coração. Ousado e destemido, pôs-se logo em atividade, para saber quem seria aquela linda criatura, que tanto mexeu com o seu coração. No dia seguinte, já sabia o suficiente para tentar atacar “aquela fortaleza”.
Ficou sabendo do endereço da mulher e se dirigiu até lá. A casa tinha muro alto e portão de ferro, controlado por um porteiro. O tenente viu o portão se abrir e sair um casal, que, segundo o porteiro, eram os donos da casa.
Decepcionado, ao ver que a bela mulher era casada com um homem alto, bonito e elegante, o tenente viu que era impossível atacar a “cobiçada fortaleza”.
No dia seguinte, por curiosidade, dirigiu-se, novamente, à residência da bela mulher, para se convencer de que, realmente, ela era casada com aquele cidadão. Chegou ao palacete, e, nervoso, tocou a sonora campainha. O silêncio era absoluto na casa, e ninguém atendeu. Duas, três, quatro vezes repetiu ele o sinal, mas inutilmente. Quando, desiludido, já batia em retirada, ouviu um chocalhar de corrente no portão. Voltou-se e viu o jardineiro, que abria a grade para dar passagem ao dono da casa, passando, de novo, a corrente no portão.
Atordoado pelo seu pensamento de aventura, e, não menos, pela consciência da sua superioridade de militar, o oficial não teve dúvidas: parou, deu meia volta, e marchou, firme, no rumo do cavalheiro que saíra de casa. Estacaram, pálidos, um diante do outro, dominados pela emoção.
– Que deseja o senhor? – perguntou, com a desconfiança estampada nos olhos, o marido da bela mulher..
Mão no revólver, disfarçando a tempestade que lhe invadia o coração, o tenente respondeu, com voz trêmula:
– A senha!
E os dois soldados se abraçaram emocionados. Eram velhos amigos, do tempo de quartel, que a vida havia afastado.
Um político brasileiro, ex-prefeito de uma cidade do interior nordestino, meteu-se num grupo para fazer uma excursão a alguns países da Europa. Ele, a esposa e outros casais amigos ficaram deslumbrados com a beleza das coisas que viram em Portugal, Inglaterra, Suíssa, França, Itália e Alemanha. Viajaram em uma companhia de turismo, e passaram vinte e quatro dias numa verdadeira maratona.
Com uma semana de excursão, o prefeito e a esposa, marinheiros de primeira viagem, já estavam com saudade da comida brasileira, do povo e, principalmente, da cama e dos seus travesseiros. Exaustos do corre-corre, de terem de acordar cedo, com hora marcada, passar várias horas viajando de ônibus, não viam a hora de voltarem para o Brasil. Cumprindo o roteiro organizado pela companhia de turismo, visitaram tudo o que havia de museu, igrejas e monumentos históricos.
Acostumados a uma alimentação substanciosa, praticamente passaram fome na Europa, pois a alimentação era muito leve, e quase sem tempero. Nunca imaginaram que iriam sentir tanta falta da comida brasileira, principalmente da feijoada, do arroz e da carne de sol. Comiam, quase sempre, para saciar o vazio do estômago, sem gostar nem um pouco da comida.
Em Paris, num momento de folga da excursão, o ex-prefeito Damião afastou-se do hotel com a esposa Marlete, e os dois deram uma volta no quarteirão. Convém salientar que o casal mal sabia ler e escrever.
Em palanque político, Damião era um excelente orador. Decorava com facilidade discursos elaborados por um dos seus assessores, e sempre se dava bem. Entretanto, quando abria a boca para falar, sem discurso escrito por outrem, era um desastre.
Nessa volta que Damião deu com a esposa, os dois tiveram oportunidade de ver um cortejo fúnebre que passava, cheio de aparatos e luxo, que denotava tratar-se de alguém muito importante naquele país. Damião, semianalfabeto, não sabia português e muito menos o idioma francês. Ansioso para saber de quem era aquele enterro tão importante, perguntou a um homem que estava parado, assistindo ao cortejo fúnebre:
– Amigo, de quem é este enterro?
“Je ne sais pas” – respondeu o desconhecido.
Para confirmar o que ouvira, Damião afastou-se e perguntou a uma senhora:
– Senhora, de quem é este enterro?
A resposta da mulher foi a mesma do homem:
“Je ne sais pas”.
O casal voltou para o hotel.
Uma semana depois, a excursão terminou e os turistas retornaram ao Brasil.
Quando já havia chegado à sua cidade, o ex-prefeito fez questão de receber seus parentes para jantar, para contar como foi a excursão.
Muito conversadores, Damião e Marlete contaram todos os detalhes do passeio maravilhoso que haviam feito, o que para eles foi um verdadeiro conto de fadas. Para não dar gosto a ninguém, omitiram a parte chata da excursão, que foi a cansativa correria, uma verdadeira maratona, e o fato de terem achado a comida péssima. Só contaram coisas boas, de dar inveja a quem nunca foi à Europa. Um compadre, que estava presente, perguntou a Damião:
– Mas me diga, compadre, o que foi que você viu de mais bonito nesse passeio à Europa?
Damião respondeu:
– O enterro de um homem muito importante em Paris, chamado “Je ne sais pas”. Foi a coisa mais bonita que eu vi!!!
Nada mais chocante para uma mulher do que a realidade inexorável do tempo. É quando ela se olha no espelho e tem que aceitar que “já não tem 35 anos”. Não existe maior desilusão do que essa. Umas tentam “amarrar” a idade, querendo competir com as jovens, na maneira de se vestir, o que se torna ridículo. Outras, travam uma luta permanente contra o envelhecimento, apelando para tratamentos estéticos e até cirurgias plásticas. Mas não adianta tentar esconder o sol com a peneira. Esses tratamentos tem prazo de validade.
Está provado que 90% do sexo feminino tem pavor à velhice. A autoestima tende a baixar e, às vezes, isso provoca até depressão. Mas cada idade tem sua beleza e seu charme. O importante é que a pessoa “nunca desista dos seus sonhos”, como recomenda Augusto Cury em sua excelente obra.
A reação contra o envelhecimento não é marca registrada das mulheres. Geralmente, os homens, também, tem pavor a essa realidade. Tem medo de perder a virilidade, um fato difícil de esconder. Alguns pintam os cabelos e o bigode, achando que ficarão mais jovens. Entretanto, com isso, às vezes se tornam menos bonitos, pois renunciam ao charme de um cabelo grisalho.
Certos cuidados para com uma pessoa “madura”, apesar de lhe serem dispensados como cortesia, são recebidos, também, como uma forma de discriminação.
“Pois não, senhor!” “Senhora, por favor, sente aqui nesta cadeira!” “O (a) senhor (a) é preferencial! “ “Qual é o segredo da senhora(o) estar tão jovem?” “Tomou o elixir da juventude?” “Quando é que se aposenta?”
Essas frases soam aos ouvidos das pessoas maduras, como um aviso reiterado de que o tempo áureo de suas vidas já passou.
Em Natal (RN), havia um senhor idoso, Seu Amadeus, que negava tanto a idade, que esquecia de que seus três filhos também estavam envelhecendo. Nenhum deles sabia, ao certo, a idade do pai.
Certa vez, em uma roda de amigos, no Bar do Caranguejo, um dos presentes perguntou a Seu Amadeus a sua idade. Em cima da bucha, ele respondeu:
– Tenho 65 anos… – na realidade, ele contava 78.
O filho de Seu Amadeus, que tinha tomado umas cervejas e estava “puxando fogo”, rindo muito, interferiu na resposta:
– Eita, pai! Estou quase pegando o senhor!!!
A gargalhada dos amigos de Seu Amadeus foi grande. Isso deixou o idoso irritado, o que fez com que se retirasse dali imediatamente.
Ficou “de mal” com o filho durante vários dias, e também se afastou do bar por algum tempo.
Evocando Anna Lima, minha avó materna, “poetisa do Assu”, conforme arquivos literários do Rio Grande do Norte, certa vez lhe perguntaram em um “álbum de recordações”:
– O que mais temes na vida?
Resposta da poetisa:
A idade caprichosa, Que faz da moça bonita, Uma megera maldita Uma carcaça horrorosa.
Com o passar do tempo, os costumes se modificam, no que tange aos hábitos de alimentação, vestuário e vocabulário, abrangendo agora o gênero não binário. A intenção é se introduzir na língua portuguesa novos vocábulos quem nem todas as pessoas aceitam. Trata-se da linguagem neutra usada em eventos do atual governo.
Em algumas cerimônias de posse de novos ministros, foram utilizadas expressões neutras para que pessoas não binárias (que não se identificam nem com o gênero masculino nem com o feminino) ou intersexo, se sintam representadas..
Oradores e comunicadores adotaram a mania de iniciar suas falas com a saudação “brasileiros e brasileiras”. Mas nas reuniões especializadas, a expressão muda para “doutoras e doutores”, acadêmicos e acadêmicas, professores e professoras, eleitores e eleitoras, etc.
As feministas não aceitam ser saudadas implicitamente pelas expressões masculinas tradicionais.
A novidade, agora, é a saudação “Todos, todas e todes”, que, francamente, incomoda aos ouvidos. Um exagero na nossa língua.
Os políticos tem modificado a forma de se iniciar um discurso.
Desde criança, gosto de circo e até hoje sou fã da inteligente saudação circense, “Respeitável Público!”
Bonita e cordial, essa expressão abrange a todos que estiverem presentes ao espetáculo. Com a sabedoria da tradição, a expressão junta homens e mulheres no mesmo saco, colocando-os no mesmo pé de igualdade. Ninguém se sente diminuído, e todos de consideram respeitáveis.
Ao que tudo indica, um importante político brasileiro, José Sarney, foi o primeiro a usar a expressão “brasileiros e brasileiras” para iniciar um discurso. A moda pegou, e hoje todos usam, nos discursos, a saudação com distinção de gênero, como se a humanidade fosse composta de dois seres especiais. Esqueceram que a raiz do homem e da mulher é uma só. A humanidade é uma só.
No nosso País, somente na saudação Circense, “Respeitável Público” o homem e a mulher se encontram no mesmo patamar, sendo respeitado o princípio constitucional da igualdade, contida no Art. 5º da Constituição Federal.
Há pessoas que mentem descaradamente, por prazer ou leviandade. Mentem, como diz o ditado popular, por todos os dentes da boca.
Conheço mentirosos inveterados. Criam uma história com esmero, e todos acreditam. Para mim, a mania de mentir representa falta de caráter. Geralmente, o mentiroso é trambiqueiro ou golpista.
Se cada mentira fosse dinheiro, essas pessoas estariam milionárias. E se por cada mentira lhe caísse um dente, estariam completamente banguelas. Haveria uma população somente de pessoas desdentadas.
Houve época em que o castigo para a pessoa mentirosa era a extração dos dentes. Quando se via um banguelo, já se sabia que fora castigado por mentir demais e levantar falsos e calúnias.
Conta a história que, no ano de 974, o Conde de Castela expediu uma carta de foral aos moradores de Castro Xariz (Portugal), e num dos parágrafos, justamente aplicado ao mentiroso, quando processado em juízo, encontra-se a pena que a imaginação popular, ainda hoje, julga indispensável como punição ao réu: A extração de dentes do mentiroso.
“Foral” era o nome da legislação elaborada por um rei, com o intuito de regulamentar a administração de terras conquistadas e que dispunha ainda sobre a cobrança de tributos e quaisquer outros privilégios “forais de D. Afonso”
Dizia o foral:
“Se entre nós e ele ocorreu caso de calúnia, proceda-se a inquérito legal da nossa e da sua parte, e se alguém der testemunho falso, provando, arranque–lhe o Concelho, a quinta parte dos dentes”.
(Concelho tem sua origem na palavra em latim concilium).
Está muito distante a legislação que apenas confirmava direito consuetudinário vigente, secularmente anterior.
Na voz do povo, esse costume de se extrair dentes do mentiroso deveria ter continuado até hoje. O que haveria de banguelos no nosso país não daria para se contar.
Há mentirosos natos, que mentem por prazer e não tem vergonha de mentir. Acham-se altamente inteligentes, quando, na verdade, não passam de pessoas sem caráter e sem escrúpulos.
Por mais que a noite seja escura, um novo dia sempre raiará e o sol voltará a brilhar.
Inesperadamente, o redemoinho político que toma conta do nosso País, ao que tudo indica, começou a ser debelado. As injustiças e perseguições políticas, ontem, foram escancaradas, não dando mais para esconder.
Ofendidos e humilhados serão absolvidos das garras dos carrascos e poderão continuar vivendo com liberdade, saúde e sem humilhações.
Mas o mal praticado contra brasileiros, que tiveram seus anos de vida diminuídos pelo sofrimento e humilhação, somente Deus poderá perdoar. E o acerto de contas, o tempo fará.
Pois bem. Um frade estava ao confessionário, atendendo a dezenas de fiéis. Até que ouviu, em confissão, uma mulher, que tinha levantado um falso muito grave a alguém, uma injúria, com sérias consequências. Anos depois, estava arrependida, e pedia que o confessor a perdoasse. Diante da gravidade do caso, o frade lhe sugeriu que conseguisse um saco de açúcar vazio, de 60 quilos, e procurasse enchê-lo de penas, voltando, em seguida, à Igreja. Até que chegou o dia em que a mulher se apresentou diante do confessor, levando o saco cheio de penas, conforme ele lhe havia ordenado.
O frade mandou, então, que ela subisse até a torre da Igreja, levando o saco de penas, e, lá de cima, despejasse todo o conteúdo ao vento. Realizada a tarefa, o frade ordenou que a mulher descesse da torre da Igreja, levasse o mesmo saco, e procurasse juntar todas as penas que jogara dali e que o vento havia espalhado pela cidade. Quando ela conseguisse juntar todas as penas, deveria voltar à Igreja, para receber a absolvição. Esse dia nunca chegou, pois é impossível juntar novamente um saco de penas, jogadas ao vento.
A passagem do tempo modifica nosso estado de espírito, e as alegrias passam a ser outras. Aliás, hoje temos mais decepções do que alegrias.
O tempo da delicadeza já passou, e estamos vivendo o tempo da traição, da gatunagem, da falsidade e o remédio que temos é esperar um milagre brasileiro, caso a esperança de tempos melhores ainda exista. Acho difícil.
Não adianta mais o trabalho de formiguinhas. O modo de vida das cigarras é mais respeitado.
Não se respeita mais a história de vida de uma pessoa, nem os valores morais. A imoralidade reina e domina a sociedade em que vivemos.
Vemos pessoas de bem, ofendidas e humilhadas, enquanto os asseclas de Nero dominam o mundo e punem com severo rigor crimes imaginários.
A volúpia do poder domina os asseclas de Nero.
É no embrião do processo político, alianças e rupturas, que o demônio do poder se manifesta.
Parece haver limites para o poder, mas, na realidade, no subsolo das paixões, tudo se permite, de acordo com a conveniência do momento. A volúpia do poder é infinita.
Diz o dito popular: ” quem está na chuva tem que se molhar”. Mas há pessoas que mesmo sem chuva, vivem molhadas.
É mais fácil tirar o cavalo da chuva antes que ela caia, do que ter que enxugá-lo depois de molhado.
O modismo trouxe à tona, em processos penais, a figura da delação premiada.
Nos dias atuais, nas fases de investigações e denúncias, as porteiras da delação se escancaram e os mais comprometidos rapidamente negociam os respectivos prêmios, proporcionais ao valor da delação. Todos podem recorrer a ela, na esperança de receber recompensa. Sua forma contemporânea ganhou destaque com a Lei dos Crimes Hediondos (Lei nº 8.072, promulgada em 25 de julho de 1990). Entretanto, seu ápice ocorreu com a Lei das Organizações Criminosas (Lei nº 12.850, der 2 de agosto de 2013). Sua aplicação é polêmica, tanto do ponto de vista moral como do jurídico.
A delação abre a possibilidade de serem valorizadas acusações criminosas, nem sempre verdadeiras. Por isso, ao longo do tempo rola esta verdade:
Aproveita-se a delação, mas se despreza o delator, pela comprovada falta de caráter.
Que Deus ajude os ofendidos e humilhados, livrando-os da maldade dos asseclas de Nero!
E pra não morrer de tristeza, vamos apelar para a música, o remédio da alma.
(The Collector (bra: O Colecionador) é um filme de suspense anglo-americano de 1965, dirigido por William Wyler e estrelado por Terence Stamp e Samantha Eggar.
Seu enredo envolve um jovem inglês que persegue uma bela estudante de arte, antes de sequestrá-la e mantê-la em cativeiro no porão de sua fazenda rural. É baseado no romance homônimo de 1963, de John Fowles, com o roteiro adaptado por Stanley Mann e Juhn Kohn.
O Colecionador (The Collector) estreou no Festival de Cinema de Cannes em maio de 1965, onde Terence Stamp e Samantha Eggar ganharam os prêmios de Melhor Ator e Melhor Atriz, respectivamente.
Depois do seu lançamento em junho de 1965, o filme recebeu críticas amplamente favoráveis.
Samantha Eggar ganhou um Globo de Ouro de melhor atriz em filme dramático, por seu desempenho, e também foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, enquanto Wyler recebeu uma indicação para Melhor Diretor.
Sinopse:
Frederick Clegg (Terence Stamp) é um homem tímido, que trabalha como balconista em uma prefeitura. Os amigos o ridicularizam, principalmente pelo seu hábito de colecionar borboletas. Quando o destino resolve torná-lo ganhador da loteria, ele passa a planejar o sequestro da jovem Miranda (Samantha Eggar), uma bela estudante de arte, por quem ele nutria grande paixão.
Ele estuda todos os lugares por onde ela passa e então prepara uma armadilha. Usando clorofórmio, ele a sequestra e a mantém prisioneira em um grande casarão, comprado com sua nova fortuna. A partir daí, há um duelo psicológico entre a prisioneira e o carcereiro. Miranda é dominadora em tudo, na relação com Freddie, excetuando-se o fato de estar como sua prisioneira.
Vendo-se sem saída para escapar do cativeiro, Miranda finalmente resolve se entregar ao amor de Freddie, mas, para seu desespero, ele a repele sob a alegação de que seu amor não é carnal.
Principais prêmios e indicações:
Samantha Eggar ganhou o Globo de Ouro de 1966, na categoria de melhor atriz dramática.
O ator Terence Henry Stamp, era inglês, conhecido pelos sofisticados papéis de vilão e, premiado nos festivais de Cannes e Berlim.
Um ícone sexual da década de 1960, Terence Stamp namorou estrelas famosas tais como Julie Christie e Brigitte Bardot, além da modelo Jean Shrimoton. Foi escolhido pela revista Empire como uma das 100 estrelas mais sexys da história do cinema.
Stamp nasceu em Bow, Londres, em 22 de julho de 1938. Seus pais, Thomas e Ethel, tiveram cinco filhos no total, dos quais Terence era o mais velho. Seus primeiros anos ele passou no Canal Road Bow, no extremo leste de Londres, mas mais tarde em sua infância a família se mudou para Plaistow, West Ham, em Londres. Seu irmão, Chris Stamp, é um creditado empresário de rock ‘n roll, que ajudou a trazer a banda The Who à proeminência durante a década de 1960. Ele cresceu idolatrando o ator Gary Cooper, depois que sua mãe o levou para ver o filme Beau Geste, com 3 anos de idade.
Ao terminar a escola, Stamp trabalhou em uma variedade de agências de publicidade em Londres, conseguindo trabalhos pelo caminho, até conseguir um bom salário. No meio da década de 1950, ele também trabalhou por um tempo como assistente do golfista profissional Reg Knight na Wanstead Golf Club em East London, descrevendo esse período de sua vida de forma muito positiva em sua autobiografia (Stamp, 1987). No fundo, ele queria ser um ator. A percepção veio quando se encontrou numa situação em que não tinha mais para servir a dois anos de serviço nacional, após ter sido rejeitado por uma vez e ter tido tratamento para seus pés.
O filme de estreia de Stamp foi Term of Trial (1962), no qual atuou com Laurence Olivier. Pouco tempo depois foi um dos protagonistas no filme seguinte, uma adaptação dirigida por Peter Ustinov de uma história de Herman Melville, Billy Budd (1962). Sua interpretação do personagem título causou boa impressão e foi indicado ao Oscar, consolidando sua carreira de ator cinematográfico.
Vários grandes diretores trabalharam com Stamp:
William Wyler em The Collector (1965) (filme que de fato projetou o ator) e Joseph Losey em Modesty Blaise (1966), por exemplo. Este último filme foi produzido por Joe Janni, com quem o ator viria a participar de mais dois projetos: a adaptação de John Schlesinger de Far From The Madding Crowd, com Julie ar From The Madding Crowd (1967), com Julie Christie e o primeiro filme para o cinema de Ken Loach Poor Cow (1967). Ele foi cogitado para estrelar Alfie (1966) mas preferiu filmar Scraps the Rabbit (1966).
Stamp, então, foi para a Itália e trabalhou com Frederico Fellini num dos segmentos de uma obra de 1968, inspirada em Edgar Allan Poe. Stamp morou naquele país por muitos anos e colaborou também com Pier Paolo Pasolini em Teorema (1968), e com Nelo Risi em Una Stagione all’inferno (1971). Depois da namorada, a supermodelo Jean Shrimpton, ter lhe deixado, Stamp viajou para Índia e por lá permaneceu por vários anos para estudo e meditação. Voltou ao trabalho de ator na segunda metade dos anos 70 e se destacou no papel do vilão General Zod no filme Superman (1978), o qual também reprisou em Superman II (1980). Em 1984 apareceu no papel que muitos consideram o seu melhor desempenho, no filme de Stephen Frears The Hit (1984). Participou de Wall Street e Young Guns, depois alguns papéis menores, mas chamativos, como o da transexual Bernadette em As aventuras de Priscila , a Rainha do Deserto (1994), lhe mantiveram em evidência.
Seu papel de gângster vingativo em The Limey (1999) foi criado especialmente para ele pelo diretor. No mesmo ano participou do clássico de George Lucas Star Waer Episode I: The George Lucas Star Wars Episode I: The Phantom Menace, onde interpretou o papel do Chanceler Supremo Finis Valorum, antes de Palpatine assumir sua posição. Fez a voz de Jor-El na série Smallville, e alguns filmes como Elektra, My Boss’s Daugther, Get Smart, Yes Man, onde interpretou o mentor de Jim Carrey, Valkyrie e os Jim Carrey, e Os Agentes do Destino.
Terence Henry Stamp (Londres, 22 de julho de 1938 – 17 de agosto de 2025).
Minha primeira paixão musical foi por Chico Buarque de Holanda e os seus fiéis escudeiros, os rapazes que formavam o quarteto MPB4 (1964), até hoje, na minha humilde opinião, o melhor vocal masculino do Brasil.
Em 1973, fomos, eu e Eros, assistir a um show de Chico Buarque em Recife, no Teatro Santa Isabel. Viajamos na sexta à noite, de ônibus-leite, e o show seria no sábado. Compramos as entradas no câmbio negro, pois a lotação estava esgotada. Ficamos hospedados no Hotel Nassau, e essa viagem para mim e Eros foi inesquecível. Éramos recém- casados. Foi o sonho das mil e uma noites!!! A partir de então, nos tornamos fãs de Chico Buarque e do MPB4.
A formação do grupo MPB4 ocorreu em meados de 1964, quando Aquiles, Magro, Ruy e Miltinho integravam o Centro Popular de Cultura, afiliado à União Nacional dos Estudantes – UNE. Magro e Miltinho eram estudantes do 3.º ano de Engenharia da Universidade Federal Fluminense – UFF. Ambos tinham formação musical iniciada desde criança. Miltinho aprendeu violão na adolescência, com o instrumentista, Jodacil Damasceno, e Magro havia participado da Sociedade Musical Patápio Silva, além de ter aprendido teoria musical com Eumir Deodato e Isaac Karabtchevsky.
Ruy tinha acabado de se graduar em Direito pela mesma universidade e era escriturário da antiga agência do Instituto de Assistência e Previdência Social – IAPS. Ao mesmo tempo, trabalhava na noite carioca em dois grupos vocais e tinha sido “crooner” em Santo Antônio de Pádua, Rio de Janeiro.
Aquiles era estudante secundarista e participava do coral de uma escola estadual de Niterói. De família católica, aos 17 anos, resolveu seguir carreira musical com os outros três integrantes.
Cada um dos integrantes tem um gosto musical diferenciado, embora eles tenham sido influenciados pelo grupo vocal, Os Cariocas. Miltinho, desde a adolescência, curtia música americana e Bossa-nova com os grupos Os Cariocas e Tamba Trio. Aquiles, ao mesmo tempo que tinha preferência pelo Trio Irakitan, era fã de Elvis Presley.
Em 1965, os quatro rapazes do MPB4 resolveram ser músicos profissionais e viajaram para São Paulo. Já tinham gravado o compacto simples “Samba Bem”, em 1964, pelo selo Elenco. No início, os componentes do MPB4 passaram por dificuldades, pois já haviam trilhado carreiras promissoras na época e seus familiares lamentaram a decisão tomada, embora não tenham enfrentado tamanhas resistências. Além disso, Aquiles era menor de idade e seu pai desejava emancipá-lo. Entretanto, tal procedimento era demorado e Ruy Faria tornou-se seu tutor. A passagem da adolescência para a vida adulta foi abrupta para Aquiles, segundo o relato de Ruy Faria, pois foi comparada à troca da Coca-Cola por cerveja.
Chegando em São Paulo, entraram em contato com artistas recém-lançados na época, como Chico Buarque.
A parceria com Chico Buarque se iniciou nessa viagem e durou aproximadamente dez anos. Durante esse período, o MPB4 firmou sua musicalidade e acompanhava Chico Buarque em suas apresentações, como um verdadeiro escudeiro musical, com boas interpretações das composições de Chico, que chegou a ser considerado o “quinto integrante de um quarteto”. Um dos maiores destaques nessa década são as músicas “Quem te viu, quem te vê” e “Roda Viva”, ambas de 1967. Além disso, ganharam espaço também nos famosos festivais de música, produzidos pela Rede Record.
MPB4, anos 1960. Arquivo Nacional
Em 1966, foi lançado o primeiro LP do grupo, com o título “MPB4”. O destaque foi para as músicas “Lamento” e “Teresa Tristeza”. Em 1967, foi lançado outro trabalho, com as músicas “Quem te viu, quem te vê”, “Brincadeira de Angola”, “Cordão da Saideira” e “Gabriela”, que ficou em 6º lugar no III Festival da Música Popular da Rede Record.
Na Base Aérea de Natal, avião com homenagem a Maria Boa
Quando se fala da reviravolta social que houve em Natal, com a permanência dos americanos durante a II Guerra, abre-se uma fonte inesgotável de narrativas.
No dia 28 de janeiro de 1943, o presidente americano, Franklin Delano Roosevelt, teve um encontro em Natal com o presidente Getúlio Vargas.
Rafael Fernandes, então governador do Rio Grande do Norte, sem saber das ilustres visitas, foi convidado a comparecer à Base Naval sozinho, e lá chegando, tomou enorme susto, ao ver os dois presidentes.
No encontro, foi confirmada a utilização de Natal como base de conexão para as tropas americanas e discutido plano de prevenção quanto a um possível ataque nazista ao Hemisfério Sul, a partir de Dakar, no Senegal. O motivo da escolha foi o fato de Natal ser a cidade brasileira mais próxima do continente africano (3 horas de voo em jatos de hoje e 8 horas para os aviões de 1943, de Natal a Dakar, no Senegal).
Também foi acertado o envio de tropas brasileiras ao “front”.
De 1943 a 1945, portanto, funcionou em Natal, o principal quartel general dos países aliados no Hemisfério Sul.
Natal recebeu 15 mil soldados americanos. A população parecia ter duplicado.
A Base Aérea e a “pista”, ligando Natal a Parnamirim, foram construídas, em tempo recorde, envolvendo 6 mil trabalhadores. A Base Naval também foi construída nesse período.
Natal era uma “ponte” para todos os voos americanos que levavam militares das três armas, rumo à África ou aos combates do Atlântico Sul.
Em 1943, no auge do conflito, Parnamirim era o aeroporto mais congestionado do mundo, alcançando o número de 800 pousos e decolagens num dia de pico.
As jovens natalenses suspiravam, ao ver as ruas de Natal, diariamente, cheias de soldados americanos, loiros de olhos azuis.
Natal passou a ser a cidade mais badalada do Nordeste.
Os americanos se divertiam e circulavam em Natal, pelas praias, cinemas, lojas, igrejas, cabarés, Lagoa do Bonfim, e paqueravam nas pracinhas.
Minhas saudosas tias Carmen e Gilka, filhas do meu avô materno, Celestino Pimentel, professor catedrático da língua inglesa em Natal, inclusive Tradutor Oficial durante a Segunda Guerra, na época jovens, dominavam o idioma inglês fluentemente, e logo fizeram amizade com vários americanos. Inclusive, depois da Guerra tia GILKA foi convidada para trabalhar nos Estados Unidos, no Consulado Brasileiro e terminou se casando “de papel passado”, com um americano, seu chefe. O casamento durou até o fim da sua vida. Os dois tiveram um casal de filhos, que ainda hoje moram na Califórnia.
Como consta nos registros de historiadores potiguares, houve uma grande interação cultural entre norte-rio-grandenses e americanos.
Natal foi a primeira cidade do país a ter Coca-Cola, ketchup, chicletes, roupas “Jeans” e óculos “Ray-ban.
O modo de vida descontraído, dos americanos em Natal, foi influenciando, cada vez mais, a sociedade potiguar. O hábito dos homens fazerem a barba com frequência e não usarem paletó para entrar nos cinemas, causou um rebuliço nos costumes. Tomavam banho de mar, usando calções curtos de helanca, enquanto os natalenses usavam calções compridos.
De repente, as mulheres passaram a usar calças compridas, maiô aberto nas costas, sair com as amigas sem a companhia dos pais, frequentar festas, fumar e beber, principalmente Cuba-Libre. Houve uma verdadeira revolução nos costumes.
A invasão do Jazz, Charleston, Blues e do Fox-trot desbancaram o tango argentino em Natal.
Os americanos não podiam passar sem Coca-Cola. Por isso, logo instalaram em Parnamirim um engarrafamento, o primeiro do Brasil, quarto país do mundo a consumir esse refrigerante, depois dos Estados Unidos, Canadá e Inglaterra.
Na cantina do “PIÉCS”, para deleite dos nativos, a Coca-Cola saía de torneiras.
O “PIÉCS” era a grande atração de Parnamirim, pelos preços e novidades. Era uma enorme loja, onde se vendia quase tudo: “gadgets” , como isqueiro químico (ao invés de chama, incandescia uma telinha), fósforos de riscar na sola do sapato, óculos Ray-Ban, relógios, tecidos, blusões de couro, calçados, perfumes, vidros de confeitos, latas de biscoitos etc,
Quanto à vida noturna, Natal nunca foi tão agitada. Os soldados americanos ofereciam festas, semanalmente, na base de Parnamirim, e ainda mandavam ônibus para levar e trazer moças da sociedade natalense, sempre com “chaperones” (acompanhantes mais velhas e casadas, às vezes as próprias mães das jovens). Isso gerou a revolta dos rapazes de Natal, que apelidaram os ônibus de “Marmita”, e os vaiavam constantemente.
Pois bem. Maria de Oliveira Barros veio de Campina Grande para Natal, na década de 40, em plena juventude. Ao chegar, aqui instalou uma requintada casa noturna (Cabaré), no período em que reinava na cidade ampla prosperidade, decorrente do estabelecimento da base militar americana em Parnamirim.
Aproveitando o fluxo de soldados e grandes personalidades políticas, Maria Boa fazia questão de ostentar “glamour” em seu estabelecimento. Tornou-se uma “grande dama”, que respeitava e era respeitada pela sociedade natalense.
Maria de Oliveira Barros, a dona de cabaré Maria Boa
Primava pela boa qualidade dos serviços prestados pela casa; interferia na escolha das “operárias do sexo”, que eram submetidas a rotineiros exames de saúde, e seu gosto predominava na arquitetura do ambiente.
Por trás da “Dama do Cabaré“, estava a figura discreta e íntegra de Maria de Oliveira Barros, grande empresária, que avalizava títulos bancários para alguns figurões locais.
Cabaré era o local de trabalho das damas da noite. Não se confundia com boate, casa de massagens, casa de “strip”, “relax para homens” e outros templos do prazer carnal. Nele, havia uma proprietária, geralmente uma mulher séria e respeitável, conhecedora dos mistérios revelados à meia luz. Essa mulher recebia em sua casa, várias jovens, que, repetindo sua própria história, um dia haviam fugido de casa ou sido colocadas para fora, pelo pai, por terem perdido a virgindade, ou engravidado, sem promessa de casamento.
Natal era influenciada pelos filmes de Hollywood, trazidos pelo próprio exército norte-americano. Maria Boa, em plena juventude, foi fortemente influenciada pela moda e estética dos filmes. Vestia-se com roupas costuradas à mão, usava saltos altos, e copiava os modelos das atrizes de Hollywood.
Seu cabaré tornou-se uma referência turística, e era conhecido no Brasil e internacionalmente, pelo nome de “Casa de Maria Boa”.
O recato e compostura, com que a empresária procurou envolver sua vida e as atividades de seu Cabaré a transformaram num mito. Era considerada uma verdadeira dama. Dona do mais diferenciado cabaré que existiu em Natal, com mulheres selecionadas pela beleza, postura e educação.
O cabaré de “Maria Boa” era frequentado por políticos, empresários, advogados e outras figuras endinheiradas e importantes. Sua fama se eternizou nas telas do cinema, através do filme “For All – O Trampolim da Vitória (vencedor do Festival de Gramado de 1997), de Luiz Carlos Lacerda e Buza Ferraz.
O filme retrata Natal, capital potiguar, em 1943, quando a base americana de Parnamirim Field, a maior base fora dos Estados Unidos, recebe 15 mil soldados, que vão se juntar aos 40 mil habitantes da cidade.
A personagem central se chama “Maria Buena”.
A chegada dos americanos a Natal gerou perspectivas de progresso material e resultou em muitos namoros e casamentos. Para as jovens casadoiras, eles eram os sonhados “príncipes encantados”.
Depois da guerra, a Base Aérea de Natal homenageou Maria de Oliveira Barros, pintando o nome “Maria Boa” no lado esquerdo da fuselagem do nariz do avião B-25 J 5071.