RODRIGO CONSTANTINO

CAOS E CENA DE GUERRA NO RIO

Operação contra o Comando Vermelho já é a mais letal da história do Rio de Janeiro

De vez em quando sou forçado a lembrar do principal motivo pelo qual decidi, há uma década, sair do Rio e morar na Flórida. O Rio é um experimento social fracassado, de Brizola a Fachin, passando pelos artistas e Lula, todos dão um jeito de transformar marginal em vítima da sociedade. O resultado está aí.

Dezenas de mortos (de preferência bandidos, mas há policiais entre eles), quase uma centena de fuzis apreendidos e até drones no Comando Vermelho lançando bombas! Várias vias importantes do Rio fechadas, os acessos ao aeroporto, tudo para mostrar quem manda na cidade: o crime organizado.

O STF impede operações aéreas da polícia desde a pandemia. Lula diz que traficantes são vítimas dos usuários, enquanto coloca boné do CPX. As imagens são chocantes e a população é totalmente refém da bandidolatria. A impunidade é o maior convite ao crime.

Enquanto isso, Lula se oferece a Trump para agir como mediador com Nicolás Maduro, como se a Venezuela não fosse um narcoestado defendido pelo companheiro petista. Ainda apela para o relativismo: quem vai decidir onde intervir nessa polarização entre “bem e mal”?

Ora, que tal quem tenta combater de fato o tráfico, em vez de manter diálogos cabulosos com o crime organizado? Lula sequer aceita considerar o PCC e o CV grupos terroristas, o que daria mais margem de manobra para os americanos. No fundo é defesa da bandidolatria mesmo.

O carioca, enquanto isso, vai se adaptando ao absurdo no Rio, normalizando o surreal, buscando viver como se cenários de caos e guerra fossem apenas parte do seu cotidiano. Não deveria ser. O problema é que o Rio pode ser o Brasil amanhã. A tendência parece ser essa, infelizmente…

RODRIGO CONSTANTINO

VITÓRIA IMPORTANTE DE MILEI

Javier Milei, fotografado durante discurso no Paraguai em setembro: presidente roqueiro.

A esquerda brasileira ficou eufórica neste domingo com o encontro entre Lula e Trump na Malásia, basicamente porque o presidente brasileiro não foi humilhado pelo presidente americano, que ainda fez uns elogios a Lula. Para o complexo de vira-latas da nossa esquerda isso bastou para tanta euforia, mas, de concreto mesmo, nada. Ficou acertada mais uma reunião…

Um erro grosseiro de tradução da CNN adicionou gasolina na euforia canhota: Trump disse que gostava de Bolsonaro e o considerava honesto, e a jornalista da Globo News quis saber se esse assunto seria tratado na reunião. Trump disse: “Não é da sua conta”. Por algum motivo bizarro a legenda da CNN colocou Trump dizendo que Bolsonaro não era assunto seu!

Lula ainda se ofereceu para ser mediador entre Estados Unidos e Venezuela, no momento gafe do encontro. Ora, Trump e Marco Rubio sabem muito bem que Lula tem lado nessa disputa: o lado errado. O presidente brasileiro defende o indefensável ditador comunista, que transformou o país num narcoestado. Zero credibilidade para intermediar qualquer coisa, portanto.

Enquanto isso… Javier Milei teve uma vitória importante na eleição argentina, conseguindo mais de 40% dos votos legislativos. Isso se compara a 30% quando ele venceu em 2023. Os peronistas não chegaram nem a 25%, e ainda perderam a província de Buenos Aires, o que não acontecia desde a redemocratização em 1983. Um feito histórico, como se conservadores vencessem no Nordeste brasileiro.

Milei, mesmo atravessando crises, mostrou que tem o apoio da população para suas reformas liberais. Alinhado com Trump, o presidente argentino oferece um foco de resistência aos comunistas do Foro de SP na região, mostrando um caminho alternativo bem-sucedido. O secretário do Tesouro americano, para demonstrar confiança, comprou pesos argentinos e acertou um swap de US$ 20 bilhões.

Quando Milei venceu as eleições, a imprensa brasileira falou em “radical”, “ultradireita” e “incertezas”. Hoje o país vem colhendo os frutos do maior ajuste fiscal da história do país. Já o Brasil vai mal, muito mal, com um governo radical de esquerda totalmente irresponsável e perdulário. A Argentina é um fardo para as narrativas oficiais que tentam blindar Lula de críticas merecidas…

RODRIGO CONSTANTINO

QUEM QUER TRABALHAR?

Indústrias acumulam milhares de vagas de emprego que não conseguem ser preenchidas

Compare essas duas reportagens relacionadas a trabalho:

1) Por que empresas de tecnologia estão adotando jornadas de 72 horas semanais? À medida que a corrida pela liderança em inteligência artificial se intensifica, as startups do Vale do Silício estão promovendo culturas radicais como a ’996′. […] A cultura do trabalho árduo que deu origem a grandes empresas de tecnologia, como Google e Amazon, está de volta. À medida que a corrida pela inteligência artificial se intensifica, muitas startups no Vale do Silício e em Nova York estão promovendo a cultura do trabalho árduo como um estilo de vida, ultrapassando os limites das horas de trabalho e exigindo que os funcionários trabalhem rapidamente para serem os primeiros no mercado.

2) PEC que propõe redução da jornada semanal de trabalho volta à pauta do Senado. Proposta prevê diminuição de 44 para 40 horas semanais sem redução salarial e gera debates sobre impactos econômicos e sociais. De autoria do então senador Paulo Paim (PT-RS), o texto está sob análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e deve passar por audiências públicas com representantes do governo, sindicatos e setor produtivo antes de seguir ao plenário. Embora o tema conte com o apoio de parte dos sindicatos e seja visto como um avanço social, a medida também é apontada como capaz de elevar custos trabalhistas, reduzir a competitividade e exigir reorganização produtiva em setores intensivos em mão de obra, como indústria, comércio e construção civil.

Agora pergunto: como pode o Brasil querer competir no mercado global? Enquanto os americanos ganham pelo que trabalham, sem décimo-terceiro, sem férias remuneradas, sem vale alimentação ou transporte, o Brasil petista quer reduzir jornada sem reduzir salário, ou seja, quer aumentar na marra os salários.

Isso afeta diretamente a produtividade das empresas. Um colega petista certa vez disse que se todas as ideias de Paulo Paim fossem adotadas, elas não caberiam no PIB! Haja demagogia! É a mentalidade marxista de que patrão explora o trabalhador, ignorando que a verdadeira luta de classes se dá entre patrão e trabalhador contra o Estado guloso e os sindicatos malandros.

O trabalhador americano não goza das “conquistas trabalhistas” que nossos trabalhadores brasileiros desfrutam, mas o fluxo é sempre de brasileiros tentando achar oportunidades nos Estados Unidos, ainda que de forma ilegal. Isso porque o trabalhador americano recebe, sem média, cinco vezes mais do que o brasileiro, devido a uma produtividade muito maior.

O americano não teme o trabalho, pois sabe que dele depende seu sucesso na vida. Já o brasileiro aprende que sindicatos e governos criam benesses artificiais, e que é possível ganhar mais com “jeitinho”. O resultado é a baixa produtividade, além do alto desemprego e absurda informalidade. Não existe almoço grátis!

RODRIGO CONSTANTINO

A SACROSSANTA URNA

Fux diverge de Moraes, cita injustiças sobre 8/1 e vota para absolver núcleo 4

Fux divergiu de Moraes, citou “injustiças” nos julgamentos do 8/1 e lamentou críticas baseadas apenas em um “rasgo de militância política”

O ministro Luiz Fux lavou a alma do brasileiro uma vez mais em seu voto nesta terça, absolvendo todos do núcleo 4, ou “núcleo da desinformação”. Como “desinformar” não é crime no Brasil, absolver todos era a única postura aceitável de um juiz. Fux disse certas verdades na cara de seus pares. Ainda que óbvias, em tempos sombrios dizer o óbvio é um ato de coragem.

Fux pediu também para sair da primeira turma. Deve ter cansado de conviver com colegas tão ativistas, dispostos a tudo para pegar Bolsonaro e seu entorno. Esperamos apenas que Fux não pegue um avião tão cedo…

Mas o que gostaria de destacar aqui é a resposta que Fux deu a Alexandre Moraes sobre as urnas eletrônicas. O ministro lembrou que, em 2014, o PSDB, partido do próprio Moraes, entrou com pedido no TSE para fazer uma auditoria nas urnas, e o tribunal, “sabiamente”, concedeu. Os auditores, depois, alegaram que era impossível auditar as urnas.

A lembrança de Fux derruba a narrativa tosca de Moraes sobre a “sacrossanta” urna. Segundo o Moraes de hoje, “atacar” a urna não é liberdade de expressão, mas sim crime. Ele só não aponta qual ou onde isso está definido, claro. Em qualquer democracia, afinal, questionar ou criticar o processo eleitoral é parte inerente do regime de liberdade.

No passado recente, vários “atacaram” as urnas, muitos pela esquerda. Lula, Ciro Gomes, Requião, Flávio Dino e tantos outros já criticaram nosso processo eleitoral opaco, que é uma jabuticaba: basicamente só o Brasil utiliza um modelo tão centralizador e sem voto impresso. Países bem mais desenvolvidos rejeitam tal modelo, e a Corte Suprema da Alemanha rechaça esse método por inviabilizar o escrutínio público do voto.

No Brasil alexandrino, porém, virou crime desconfiar das urnas e externar isso. O PL recebeu multa milionária, com o número de Bolsonaro (R$ 22 milhões) para dar requintes de sadismo, só por contestar o resultado e pedir auditoria. Somos obrigados a sentir orgulho nacional da caixinha “sacrossanta”.

O tema virou tabu. E Moraes já alertou: 2026 vem aí e é melhor ninguém se “engraçar”: fiquemos todos em absoluto silêncio diante da urna mágica. É compreensível Fux querer sair da primeira turma, não é mesmo?

RODRIGO CONSTANTINO

SOCIALISMO CHEGA AO FIM NA BOLIVIA DEPOIS DE 20 ANOS

Rodrigo Paz eleições bolivia

Rodrigo Paz disputou o segundo turno contra o direitista Jorge Quiroga

Candidato mais votado no primeiro turno, Rodrigo Paz, do Partido Democrata Cristão (PDC), foi eleito presidente da Bolívia neste domingo (19). O nome dele foi confirmado após a apuração dos votos do segundo turno, inédito no país, pelas autoridades eleitorais. O vencedor obteve 54,5% dos votos.

Será a primeira vez desde 2006 (a única exceção foi o mandato interino de um ano de Jeanine Áñez, entre 2019 e 2020) que o partido Movimento ao Socialismo (MAS), ligado a Evo Morales, não estará no comando da Bolívia. O slogan de Paz é “capitalismo para todos”, plano que visa a formalização de pequenas empresas e a recuperação da confiança da população na economia.

“Devemos abrir a Bolívia ao mundo e recuperar um papel que perdemos geopolítica e economicamente nas últimas duas décadas”, afirmou, expressando sua gratidão pelas mensagens de felicitações enviadas por vários presidentes da região e pelo apoio expresso pelos Estados Unidos por meio do vice-secretário de Estado, Christopher Landau.

Aos poucos, o mapa da América Latina vai deixando de ser vermelho. Argentina, Paraguai, Bolívia, Peru e Equador já são países que conseguiram se livrar do socialismo, enquanto Chile, Uruguai, Brasil, Colômbia e Venezuela, em graus diferentes, seguem o modelo socialista do Foro de SP.

Os resultados desastrosos são visíveis nestes países, e só não há alternância de poder e derrota da esquerda radical pois esses governos ou apelam para o populismo irresponsável na compra de votos ou porque já não há mais democracia neles, como no caso escancarado da Venezuela.

O socialismo, por onde passa, deixa sempre um rastro de miséria e opressão. Já a direita consegue entregar bons resultados, ainda que seja necessário, no começo, fazer ajustes na economia, o que representa custos elevados muitas vezes. Mas basta ver a Argentina para comprovar como há uma alternativa, e como o caminho da liberdade é muito mais eficaz.

No Brasil, assim como aconteceu com a Bolívia, teremos a chance de virar o jogo em 2026, em que pese o estágio avançado de aparelhamento da esquerda. O TSE tem sido um jogador do lado esquerdista, não um árbitro imparcial. As urnas eletrônicas não gozam da confiança da população. Lula já começou a usar a máquina estatal para sua propaganda, que invade até novelas de Globo.

O jogo será bruto e desleal, mas talvez seja a última chance de reverter o quadro e impedir o destino venezuelano em nosso país. Isso vai exigir união de toda a direita e também pragmatismo para seduzir o centro. O foco deve ser tirar o PT do poder. Caso contrário, o petismo vai acabar de destruir de vez nosso país…

RODRIGO CONSTANTINO

O DESPACHANTE BESSIAS NO SUPREMO?

Jorge Messias STF Lula Barroso

O ministro da AGU, Jorge Messias, é apontado como o favorito de Lula para a vaga no STF

Jorge Messias ficou mais conhecido como “Bessias”, quando a então presidente Dilma disse em conversa telefônica com Lula: “Seguinte, eu tô mandando o ‘Bessias’ junto com o papel pra gente ter ele, e só usa em caso de necessidade, que é o termo de posse, tá?”. Dilma se referia ao termo de posse de um ministério, que serviria de blindagem no caso da tentativa de prisão do ex-presidente à época.

Ou seja, Bessias era um despachante de confiança, basicamente isso. O tempo passou, o Lula foi preso e solto, e recolocado na cena do crime, como diria seu atual vice, Geraldo Alckmin. Já Dilma ganhou a presidência do banco dos Brics, e “Bessias” passou a comandar a AGU.

A Advocacia-Geral da União passou, então, a agir como advogacia-geral do Lula, transformada numa extensão do lulismo e ignorando suas funções. A AGU é a instituição responsável pela representação judicial e extrajudicial da União, além de prestar consultoria e assessoramento jurídico ao Poder Executivo. Suas funções incluem defender os interesses do país na Justiça, atuar em casos de dívida ativa e oferecer serviços ao cidadão, como o parcelamento de débitos. Está claro que Messias extrapolou e muito suas prerrogativas.

Agora Lula quer o “Bessias” no STF, na cadeira vaga por Barroso. Lembrando que ele disse, em campanha eleitoral, que não colocaria um amigo no Supremo, dando a entender que Bolsonaro tinha feito isso. Eis as duas indicações até agora: Zanin, seu advogado, e Flávio Dino, seu companheiro de longa jornada comunista.

Com Messias, Lula pretende aparelhar ainda mais o STF. E por ser jovem, Lula teria um “despachante” seu por décadas atuando no Supremo. O grau de politização aumentaria ainda mais. O país aguenta um STF ainda mais partidário, agindo para defender os interesses de um ex-condenado?

A oposição se mobiliza para tentar barrar a indicação na sabatina do Senado. Isso não acontece desde o final do século XIX, mas para tudo há uma primeira vez. O Centrão prefere Rodrigo Pacheco como indicado, e age nos bastidores para garantir o nome do ex-presidente do Senado, num gesto mais “pacificador” com o Congresso.

Diante da alternativa, Pacheco se torna até uma escolha mais razoável, em que pese ter agido como cúmplice do STF ao impedir que todos os pedidos de impeachment de ministros chegassem ao plenário. O Brasil vai mal mesmo, muito mal. Quando torcemos por Pacheco para não termos um “Bessias” no STF é porque a coisa está realmente feia…

RODRIGO CONSTANTINO

ESTATAIS VOLTAM A ACUMULAR ROMBOS BILIONÁRIOS COM LULA

Lula se revolta com modelo de "corporation" de ex-estatais, em que não consegue interferir

A sangria das estatais voltou justo com Lula na Presidência

Recolocar um alcoólatra no comando do bar: o que poderia dar errado? As estatais controladas pela União acumularam um prejuízo de quase R$ 9 bilhões até agosto deste ano, segundo dados do Banco Central compilados pela CNN. O montante representa mais que o dobro das perdas registradas no mesmo período de 2024.

A sangria das estatais voltou justo com Lula na Presidência. Num gráfico feito pela CNN, fica claro que as empresas só tiveram lucro nas gestões de Temer e Bolsonaro, enquanto na era petista é só vermelho.

Claro que nada disso é coincidência ou falta de sorte do PT. É, ao contrário, um projeto deliberado de poder. Nem mesmo a incompetência na gestão explica o resultado, afinal. É um projeto de poder que enxerga nas estatais vacas leiteiras para o partido.

Não custa lembrar o que foi o Petrolão. O mensalão nasceu nos Correios, que agora quebraram de vez e precisam acessar o mercado para uma dúvida de R$ 20 bilhões! Pense no PT como um bando de cupins que vai para cima das estatais como se fossem madeira.

É de sua natureza roubar essas empresas, além de servirem de cabides de emprego, decisões politiqueiras ou financiar cúmplices. O petismo é como uma praga que vai devorando tudo que vê pela frente. Onde há recursos, lá estará o PT para tentar se apropriar deles.

Esse é mais um motivo para defender as privatizações. Além de não caber ao Estado ser empresário, há sempre o risco de alternância de poder, e quando a esquerda volta ao comando das estatais, nada de bom que a direita tenha feito em termos de governança é duradouro. Melhor seria o PT não ter essas estatais ao seu dispor. A única solução definitiva para a praga petista, portanto, é vender as estatais. Privatize já!

RODRIGO CONSTANTINO

APOSENTADORIA MAGNITSKY E O PLANO PETISTA PARA O STF

Barroso oficializa aposentadoria e deixa STF nesta sexta

Barroso assinou seu pedido de aposentadoria e encerrará um ciclo de 12 anos no STF nos próximos dias

No Poder Judiciário, já virou piada que a “punição” para juízes pegos no flagra fazendo besteira costuma ser apenas uma aposentadoria precoce – e integral. É um “castigo” um tanto benevolente, cá entre nós. No caso de Barroso, que confessou ter derrotado o bolsonarismo, ele mesmo anunciou a saída antecipada do STF. Por que alguém tão vaidoso abre mão de tanto poder?

Uma hipótese é a Lei Magnitsky. Perder seus vistos já foi doloroso demais para quem curte palestras em Nova York ou passeios em Miami. Afetou a vida de sua família, com um filho trabalhando no BTG de Miami. Machucou, enfim. E ele viu que pode piorar bastante ao observar as sanções contra Alexandre de Moraes, sua esposa e seu instituto.

Ou seja, podemos estar falando da primeira aposentadoria Magnitsky, por medo do que poderia acontecer ao Pavão Supremo. E, por isso mesmo, acho que Barroso não deveria ser poupado da sanção. O poder pedagógico seria importante aqui, para mostrar que não basta fugir agora se ajudou a cometer crimes de abusos antes. A única alternativa é desfazer os abusos!

Outro aspecto que a aposentadoria precoce de Barroso significa é o maior aparelhamento da Corte pelo PT. Ora, Barroso ainda tinha oito anos pela frente, mas agora Lula poderá indicar um companheiro jovem que ficará no STF por décadas! É uma forma de blindar a Corte para que sua atuação partidária siga firme e forte.

Reparem que a BBC Brasil trata com naturalidade a situação esdrúxula: “Indicação para a vaga de Barroso deve ter perfil político, dizem analistas”. Afinal, “Lula vê STF como contenção a bolsonarismo”. Leandro Ruschel fez a pergunta óbvia, e retórica: “Em que tipo de regime o tribunal constitucional é aparelhado por um partido político para eliminar a oposição?”

Já se especula que a Cármen Lúcia poderia ser a próxima a pedir para sair. Estaríamos diante de uma estratégia petista para infiltrar seus jovens militantes e garantir a hegemonia petista no STF por anos e anos? Com o poder acumulado sem freios pelo STF, isso poderia representar a fala de Dirceu: “Nós vamos tomar o poder, o que é diferente de vencer eleições”. Com um STF quase todo bolivariano e jovem, quem precisa de eleições?

RODRIGO CONSTANTINO

DIREITA ENTREGA RESULTADOS; ESQUERDA, NARRATIVAS

Enquanto María Corina Machado ganha Prêmio Nobel da Paz, Lula reforça laços com o ditador Maduro

“Trump anuncia que a guerra em Gaza acabou, reivindicando os louros, mas o fato é que a exaustão e o isolamento do Hamas e de Israel foram mais determinantes para o cessar-fogo”, diz o editorial do Estadão. Para a esquerda, é inadmissível que justo alguém como Donald Trump possa ser o principal responsável pelo acordo histórico.

Guga Chacra, que chegou a prever o caso com Trump no poder, diz que não há paz a celebrar, só um cessar-fogo temporário. Podemos apenas imaginar qual seria a reação do Estadão e do jornalista da Globo caso fosse Obama o presidente a costurar o acordo de paz.

O ódio que a esquerda sente pela direita a impede de ver as coisas como elas são. Mas você pode conquistar quase tudo na vida, desde que não ligue para quem ficam os créditos. Os conservadores preferem focar nos resultados, enquanto a esquerda aposta tudo e narrativas.

Ainda há muitas incertezas sobre o futuro do Oriente Médio, claro, mas a soltura dos reféns remanescentes de Israel foi um dia hisrórico, assim como o acordo envolvendo países importantes da vizinhança. Quem quer a “Palestina livre” deveria festejar, mas como Trump foi o grande responsável, a turma optou pelo ensurdecedor silêncio.

O mesmo silêncio das feministas quando María Corina Machado recebeu o Nobel da Paz. Mulher corajosa, que vive escondida na Venezuela com medo constante de ser sequestrada pelo regime de Nicolás Maduro, Corina é o ícone de uma mulher “empoderada” e de fibra, garra. Mas ela luta contra o socialismo, e eis o seu “pecado mortal” para as feministas e a esquerda.

Corina Machado dedicou seu prêmio a Donald Trump, o que gerou ainda mais revolta na esquerda. Mas ela está apenas sendo coerente e reconhecendo quem tem ajudado na luta contra a tirania de Maduro. A direita age para forçar uma mudança de regime no país, para tentar restaurar a democracia perdida. A esquerda investe em narrativas, e Lula não perde uma oportunidade de sair em defesa de seu companheiro.

Em suma, se você quer estar do lado dos que lutam a boa luta, preocupados com o resultados concretos de suas ações, venha para a direita; agora, se sua maior preocupação é sinalizar falsas virtudes e receber elogios da imprensa corrompida, mestre em narrativas falsas, então pode ficar na esquerda mesmo…

RODRIGO CONSTANTINO

FUGA DE CAPITAL HUMANO: BRASIL SÓ SABE PUNIR O TRABALHADOR HONESTO

Dá muita pena da multidão que deseja fugir em busca de melhores oportunidades também. Infelizmente, nem todos conseguem

Fui passar uma semana em Portugal com meus pais, para fazer uma surpresa à minha mãe, que fazia aniversário. Ao pegar um Uber para ir a Cascais visitar um amigo de longa data, o motorista olhou pelo retrovisor e disse: “Constantino? Rodrigo Constantino no meu carro?” Fomos o caminho todo de 30 minutos conversando. José é o caçula de onze numa família do Piauí. O trabalhador mudou-se para São Paulo para tentar uma vida melhor, como fazem tantos nordestinos, mas achou que era pouco. Há quase duas décadas, mora em Lisboa, pai de quatro. Dirige um Tesla novinho no Uber Black. Tira mais de cinco mil euros mensais.

Leva uma vida digna. Sua família vive em segurança. José ainda reclama do governo português, que dá esmolas para imigrantes, em especial os muçulmanos, num mecanismo perverso de incentivos. Ele acha que o país deve ser uma terra de oportunidades para quem quer trabalhar, não viver à custa do governo.

Gente com essa mentalidade é sempre mal tratada em países como o Brasil, que pune o trabalhador honesto. Toda crise econômica produzida pelo PT leva à fuga de capitais, e parte da elite se manda para o exterior em busca de mais conforto para a família. Mas não é apenas a turma do andar de cima que foge.

Nos Estados Unidos vemos vários brasileiros que chegaram com uma mão na frente e outra atrás, em busca de trabalho. Na Europa, às vezes pela maior facilidade de visto, também tem muito brasileiro humilde tentando encontrar oportunidades, em que pese um modelo econômico menos dinâmico. José é prova de que é possível encontrar um caminho com dignidade também na Europa.

Enquanto isso, muitos ficam no Brasil por falta de opção, mas cientes de que são mal tratados pelo governo. É um quadro triste, de oportunidade perdida. Tudo no Brasil conspira contra quem quer produzir de forma honesta. Além da falta de oportunidades para os trabalhadores, há maior insegurança, escolas péssimas, transporte público terrível, inúmeros outros problemas sociais.

Fiquei feliz pelo José, alguém totalmente antenado na política nacional. Basta pensar que mesmo depois de quase vinte anos, ele não desistiu de se informar sobre o país, e rejeita os caminhos “tradicionais” como a Globo, preferindo ouvir gente como eu. Mas ao mesmo tempo dá muita pena da multidão que deseja fugir em busca de melhores oportunidades também. Infelizmente, nem todos conseguem. E muitos seguem esfolados pelo Estado brasileiro, sem perspectivas de dias melhores…