RODRIGO CONSTANTINO

8 DE JANEIRO: TRÊS ANOS DO GOLPE

Polícia tenta conter manifestante durante protesto em Brasília realizado no dia 8 de janeiro

8 de janeiro de 2023. Essa foi a data que marcou para sempre a história do Brasil. Uma manifestação que descambou para alguns atos de vandalismo, talvez por gente infiltrada, e que serviu de pretexto para o começo da maior perseguição política em nosso país.

Centenas de pessoas foram presas sem o devido julgamento, sem foro adequado, sem individualização das penas, sem provas. Aqueles manifestantes do 8 de janeiro foram tratados como gado, divididos em lotes e punidos no coletivo. Eram parte de uma trama golpista de uma organização criminosa armada que pretendia destruir a democracia, diz a narrativa oficial.

Tudo balela, claro. Não havia qualquer golpe organizado, muito menos com a participação de cabeleireiras “armadas” de batom, donas de casa com a Bíblia na mão ou trabalhadores com a bandeira do Brasil nas costas. Nenhum golpe de estado tem vendedor ambulante de algodão-doce!

O “líder” da organização criminosa estava em outro país. A data escolhida foi um domingo, sem qualquer autoridade em Brasília. O golpe armado não contava com uma só arma, além de bolinhas de gude. É tudo tão ridículo que deveríamos rir da narrativa tosca, mas quando lembramos de seus efeitos, somos compelidos a chorar.

Como chorou hoje cedo a filha de Clezão, um dos presos do 8 de janeiro. Empresário pai de família, Cleriston da Cunha morreu na prisão sem julgamento, apesar de parecer da PGR favorável à sua soltura. Ele tinha problemas prévios de saúde e necessitava de cuidados médicos. Alexandre de Moraes negou.

A filha do Clezão, Luiza, concedeu uma entrevista hoje mais cedo e chorou ao lembrar dos últimos três anos. Quando perguntei o que ela deseja para Moraes, ela respondeu: “Justiça”. Será que todas essas famílias destruídas pela perseguição implacável do STF terão justiça algum dia?

Está claro para todos atentos aos acontecimentos políticos que não houve qualquer tentativa de golpe naquele 8 de janeiro, que tudo não passa de um discurso usado como pretexto para avançar com o autoritarismo e punir Jair Bolsonaro e seu entorno, afastando a direita da disputa eleitoral.

Houve sim um golpe, mas ele foi dado justamente pelo sistema, pelo consórcio PT-STF com a cumplicidade da velha imprensa. Foi tanto abuso de poder, desrespeito às prerrogativas dos réus, punições absurdas, que não podemos mais falar em democracia. Um estado de exceção foi instaurado no Brasil, e aquele fatídico 8 de janeiro de três anos atrás foi crucial para isso, por servir de pretexto para os verdadeiros golpistas.

RODRIGO CONSTANTINO

EM DEFESA DO BANCO CENTRAL

Decisão técnica do Banco Central que liquidou o Master é alvo de pressão em Brasília

Todos os países desenvolvidos possuem um mercado de capitais robusto e, via de regra, um banco central independente. Não é uma solução perfeita, pois sempre existe o risco de captura da autarquia pelos próprios bancos estabelecidos, mas esse foi o mecanismo encontrado para blindar a instituição da politização, historicamente o maior risco para a inflação.

Um banco central dominado pelo próprio governo é a pior combinação que existe, pois ele passa a seguir as decisões políticas e acaba, com isso, monetizando os rombos fiscais e produzindo inflação. O Brasil conhece bem esse histórico, assim como o de bancos estaduais que atuavam para financiar o rombo dos estados.

Foi no governo Bolsonaro que a independência do BC foi aprovada por lei. Um avanço institucional. A esquerda nunca engoliu bem essa mudança, pois sabe que um banco central subserviente aos interesses da política é um instrumento importante em seu projeto de poder.

Por isso José Dirceu gravou um vídeo aproveitando o caso do Banco Master para atacar o Banco Central do Brasil. Que Dirceu faça isso é algo esperado. O problema é que vários influenciadores de “direita” fizeram o mesmo. Agora veio à tona que esse ataque coordenado tinha o próprio Daniel Vorcaro por trás, oferecendo muito dinheiro para que tais influenciadores tivessem todos a mesma “opinião” ao mesmo tempo.

A enorme pressão contra o BC, sem precedentes, representa grande risco institucional. O TCU foi para cima do Banco Central com tudo, seguindo esse script. O “argumento” é que a liquidação do Banco Master foi precipitada, sendo que na verdade ela demorou bastante: os indícios de fraudes bilionárias estavam por toda parte.

Um dos influenciadores que teria se vendido para Vorcaro gravou um vídeo alegando que não existem heróis nessa história, que seriam apenas “boatos”. O desejo de nivelar todos por baixo é a marca de quem sabe ter feito algo errado. Muitos jornalistas com mais de um milhão de seguidores sequer foram procurados pela agência contratada pelo Master, pois possuem a reputação de rigor ético, e dois desses influenciadores procurados resolveram denunciar o esquema.

Cabe ao leitor adotar postura crítica sempre, desconfiar de quem muda de opinião de forma repentina, ou fala do que não entende direito. Esses casos de guinada abrupta existem em todo lugar. No Brasil temos Reinaldo Azevedo, autor de O País dos Petralhas, que virou o maior defensor dos petralhas, e nos Estados Unidos temos Tucker Carlson e Candace Owens, que passaram a atacar Israel e os Estados Unidos e defender o indefensável, como Putin ou o antissemitismo.

Voltando ao Banco Central, desconfie de quem se diz de direita e repete a ladainha esquerdista de que a taxa básica de juros é culpa do BC e dos grandes bancos, como se fosse uma grande conspiração da Faria Lima, ignorando o rombo fiscal do governo e sua trajetória explosiva e insustentável. O rentismo é um problema concreto, mas a culpa é do governo perdulário e irresponsável, não do “mercado”. Quem diz o contrário ou não entende muito do tema, ou pode estar recebendo grana de alguém para repetir esse discurso.

RODRIGO CONSTANTINO

A INDIFERENÇA MATA A DEMOCRACIA

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Venezuelano comemora com o filho em Brasília, após a prisão de Nicolás Maduro

Participei hoje cedo de uma entrevista com Gabriel Orozco, missionário da Venezuela que conseguiu fugir para o Brasil em 2021. Ele atravessou a fronteira pela mata, acompanhado da mulher e dos três filhos pequenos, enquanto um “coiote” os ajudava e apontava para os maiores perigos da travessia. Deixou pai e irmãos para trás, na miséria, sentindo que havia falhado em sua luta pela liberdade.

Quando Hugo Chávez assumiu o poder, Gabriel tinha apenas 9 anos. “Roubaram minha adolescência”, diz. Ele cresceu com um regime opressor socialista, e sua vida inteira adulta, até 2021, foi sob o regime tirânico de Maduro. Seu pai foi da Colômbia para a Venezuela há 40 anos, e criou uma grande construtora. Ela foi destruída pelo regime.

Com o projeto deliberado de destruir a iniciativa privada para gerar dependência do Estado, o governo da Venezuela se recusava a vender insumos para a empresa, pois o pai de Gabriel não era ligado ao partido socialista no poder. A miséria atingiu a todos: cerca de 8 milhões de venezuelanos buscaram o exílio em outros países, e os que ficaram passam fome, milhões usufruindo de uma só refeição por dia.

Perguntei a Gabriel quais as lições que nós, brasileiros, podemos extrair dessa tragédia toda na Venezuela. Ele respondeu: a indiferença. Muitos venezuelanos não foram votar lá atrás, pois consideravam todos os políticos iguais. Entre Chávez e Caprilles, muitos não ligavam qual seria o governante. Alguns cristãos repetiam que a política era o ambiente do diabo.

Houve traição de muitos da “direita” também, que depois se mostraram aliados do chavismo. Enquanto isso, com o povo desarmado e a oposição perseguida e desmobilizada, a ditadura foi avançando. Milhares de presos políticos passaram por tortura, jornalistas foram presos e as instituições foram aparelhadas.

Gabriel conclui que nada mais poderia ser feito de dentro do país, sem ajuda internacional. Enquanto gente de fora acusa Trump de “imperialista”, Gabriel e os demais venezuelanos enxergam o presidente americano como uma esperança para restaurar a democracia na Venezuela.

Ele sabe que não será fácil nem de imediato, pois a presidente interina, Delcy Rodriguez, é parte da estrutura chavista com seu irmão Jorge, com os ministros Cabello e Padrino. Trump, municiado por análises da CIA, concluiu que era preciso trabalhar num primeiro momento com esses criminosos para manter a ordem, mas espera-se que a pressão americana seja suficiente para uma transição de regime.

O futuro da Venezuela é incerto, mas é do interesse americano não permitir que a China siga explorando seu petróleo. E como Gabriel disse, os venezuelanos não se importam com o petróleo ou o diamante: eles pensam em suas famílias, na fome, na liberdade. Por isso enxergam em Trump uma chance para resgatar a democracia e a prosperidade perdidas com os socialistas.

Sobre o Brasil, Gabriel foi claro: pensem bem em quem votar este ano, pois essa escolha pode fazer toda a diferença no futuro. Pode ser a diferença entre a opressão na miséria e a prosperidade na liberdade. Socialistas sempre produzem um quadro de opressão e miséria. Depois é tarde demais.

RODRIGO CONSTANTINO

A CAPTURA DE MADURO E A SOBERANIA DOS AMERICANOS

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Em alguns minutos os militares americanos entraram em solo venezuelano e capturaram o ditador Nicolás Maduro, que foi levado para julgamento nos Estados Unidos. Nesse curto espaço de tempo, a geopolítica mudou, o mundo todo entendeu o recado: ninguém está protegido da maior potência bélica do planeta.

A China pode oferecer investimentos em infraestrutura, pode cooptar lideranças corruptas, pode fazer promessas de parcerias duradouras, mas não pode fornecer segurança aos seus ditadores aliados. Absolutamente ninguém está seguro contra a CIA e os militares americanos.

Além desse recado, há outro: a Doutrina Monroe está de volta e a América é dos americanos. China, Rússia e Irã não podem tratar o continente como seu quintal mais. O soft power de diplomacia não foi capaz de impedir o avanço desses países do eixo do mal. Mas a mudança de postura com o presidente Trump sim: “Brinque com o perigo e veja o que acontece” (FAFO, em inglês).

A captura de Maduro serviu para dividir o joio do trigo: quem pode ser contra, afinal?! Os tucanos saíram de sua toca imunda para defender o ditador socialista. Quem começa com aquele papinho de que condena Maduro, MAS é contra a “invasão” americana, logo se entrega. Aécio Neves, Eduardo Leite e companhia são e sempre foram linha auxiliar dos comunistas.

Tentou-se de tudo com Maduro, e nada adiantou. Sanções, pressão internacional, ONU, nada surtiu efeito. Eleições fraudadas, tanques passando em cima do povo, e o mundo todo assistindo. Quem fala na via do “diálogo” é um dissimulado, um sonso, um hipócrita. Maduro só compreende uma linguagem, e o governo Trump mostrou qual.

Quem fala em “soberania” e “autodeterminação dos povos” também é canalha. Não há soberania quando o povo é subjugado por uma ditadura opressora. Os “intelectuais” condenam a operação americana enquanto o povo venezuelano comemora nas ruas. Isso é soberania. Maduro tinha uma guarda feita por cubanos: onde estava a soberania dos venezuelanos aqui? A China explorava os recursos venezuelanos: soberania?

Ninguém sabe ao certo os próximos capítulos. A presidente interina já falou em cooperar com os Estados Unidos. Marco Rubio e Trump já deixaram claro que haverá consequências graves se o certo não for feito. Avisaram que quem está no comando são os próprios americanos. Mas as estruturas do Estado venezuelano estão dominadas por chavistas ainda, e é preciso evitar uma guerra civil. É um jogo complicado.

Independentemente do que vai acontecer daqui para frente, a geopolítica já não é mais a mesma. Ninguém mais considera Trump um blefador, não depois do Irã e da Venezuela. E o presidente já está fazendo ameaças aos governos socialistas de Cuba e da Colômbia. Melhor todos levarem Trump a sério, e entenderem que a Rússia e a China nada podem fazer para impedir a ação militar americana no continente.

Há uma esperança no ar. Os povos americanos sonham com a liberdade, com a democracia. O Foro de SP sofreu um duro golpe e está baqueado, marcando reunião para avaliar o que pode ser feito. O governo Trump trouxe a esperança de volta. Com cerca de oito milhões de venezuelanos exilados, não havia caso similar no mundo, nem na Ucrânia. Agora muitos já sonham com a possibilidade de voltar ao país.

Se isso será mesmo possível ainda não sabemos. Mas a queda de Maduro era o primeiro passo necessário, e foi dado. Um dia histórico, para qualquer defensor da democracia comemorar. Quem está criticando pode se dizer um democrata, mas não passa de um defensor enrustido de ditaduras comunistas…

RODRIGO CONSTANTINO

FELIPE MARTINS PRESO: COMEÇO SÁDICO

Ano Novo é tempo de reflexão, serve para “zerar a pedra” e recomeçar, avaliando o que fizemos de errado e o que pretendemos mudar. Mas certas coisas nunca mudam. O sadismo de Alexandre de Moraes, por exemplo. O ministro, que esteve circulando com boné e óculos escuros por Dubai, começou 2026 com o mesmo sentimento de vingança com o qual terminou 2025.

Filipe Martins foi para regime fechado por sua decisão. O ex-assessor de Jair Bolsonaro não cometeu qualquer crime, mas tem sido perseguido por Moraes de forma doentia. É responsabilizado agora por ações de terceiros, o que é típico de regime comunista totalitário. Moraes destila seu ódio contra Martins, sem qualquer respaldo jurídico.

Ana Paula Henkel comentou: “Alexandre de Moraes conseguiu o que sempre desejou ardentemente: colocar Filipe Martins em prisão fechada. Vingança pessoal, perseguição implacável e abuso de poder disfarçado de justiça. Carrasco disfarçado de ‘juiz’ – exatamente como nas piores páginas da humanidade”.

O deputado Marcel van Hattem também analisou a decisão: “Li a decisão. Alexandre de Moraes, o da esposa com contrato de R$ 129 milhões com banqueiro enrolado, mandou prender Filipe Martins admitindo que quem acessou seu LinkedIn pode ter sido sua defesa. Isso mesmo! Moraes mandou pra cadeia alguém por uma ação de seu advogado. OAB?”

O deputado Nikolas Ferreira foi direto ao ponto: “Enquanto Jair Bolsonaro enfrenta 153 dias de um cárcere severo, com a saúde debilitada e restrições que impedem até o contato familiar básico, a tirania de Alexandre de Moraes inova no absurdo ao prender Filipe Martins por conta de uma suposta pesquisa no LinkedIn. É a falência do sistema ver alguém ser encarcerado por uma denúncia de uma suposta busca, mesmo cumprindo todas as cautelares a ele impostas há mais de 560 dias. Repito: Ou o Senado retira Alexandre de Moraes, ou essas perseguições não terão fim”.

O advogado de Filipe, Jeffrey Chiquini, concluiu o óbvio: “Filipe Martins acaba de ser preso preventivamente sem motivo algum. Filipe foi preso pelo que é e pelo que representa, e não pelo que fez. É, oficialmente, um preso político”. Presos políticos, desnecessário dizer, só existem em regimes de exceção, em ditaduras.

O jornalista Glenn Greenwald, com viés de esquerda, também apontou o absurdo da prisão: “Há muito tempo é óbvio que Alexandre de Moraes tem uma obsessão bizarra por Filipe Martins. Todos assistiram enquanto Moraes o prendia por 6 meses com base em uma falsidade completa: que ele saiu do Brasil em 2022 e depois ‘desapareceu’ (uma mentira óbvia para qualquer um que analisasse as provas por pelo menos 10 minutos). Agora, ele o prendeu por supostamente usar o LinkedIn. Tudo porque um homem ressentido – demitido por Bolsonaro em março de 2019 –, alegou que Martins usou o LinkedIn para ver seu perfil, embora existam muitas maneiras de isso acontecer sem que a pessoa tenha realmente usado a plataforma. A esquerda e grande parte do establishment brasileiro decidiram que prender Bolsonaro e seus principais aliados era uma ‘causa tão nobre’ que nada poderia limitar essa missão: nem a Constituição, nem a lei, nem o devido processo legal, nem as provas. Eles são os mesmos que criaram o monstro tirânico que agora tentam desesperadamente domar”.

O caguete que denunciou Martins para o gabinete de Moraes foi o coronel aposentado Ricardo Wagner Roquetti, que ocupou uma diretoria no MEC durante o governo Bolsonaro. Ele protagonizou embates com nomes ligados a Olavo de Carvalho que ocupavam cargos no governo. Filipe Martins representa justamente o olavismo no governo Bolsonaro, e por isso tem sido tão perseguido. Ele simboliza uma ideia que é considerada intolerável para o sistema.

Podemos fechar com o próprio Olavo, portanto: “Inveja diabólica e ódio assassino são os únicos sentimentos na alma de um comunista, sempre camuflados sob uma retórica de belos ideais humanitários”. Tipo “salvar a democracia”…

RODRIGO CONSTANTINO

ADEUS, 2025!

Minha última coluna do ano, então cabe uma breve retrospectiva. Este foi o ano de maiores desafios tanto em minha vida pessoal quanto para o Brasil. Lutei contra um câncer agressivo, precisei de transplante de células-tronco, fiquei isolado por meses com baixa imunidade, sofri os efeitos colaterais da quimioterapia e encarei internações extras com problemas pontuais. Não foi um passeio no parque.

Mas cá estou eu, bem melhor, com mais disposição, voltando ao normal aos poucos, se Deus quiser curado do linfoma. Aproveitei a doença para mergulhar na fé, em várias leituras sobre o catolicismo, e isso me deu força e serenidade para enfrentar os desafios. O apoio da família toda, em especial da minha esposa, foi fundamental, assim como o carinho do público em geral, com sua corrente de orações.

Há muita gente boa no mundo. Tudo isso está relatado no meu novo livro Não tema a tempestade, que será lançado no começo de 2026. Um ano que começou com tantos desafios e incertezas termina de forma bem mais leve e otimista para mim, e só posso ser grato a todos que torceram e rezaram pelo melhor.

Já meu país, que também teve um ano muito atribulado, fecha o ano ainda repleto de incertezas. 2025 foi o ano da perseguição implacável aos bolsonaristas, culminando na prisão de Jair Bolsonaro e parte do seu entorno. Um país que tem general Heleno preso e Dirceu e Cabral soltos não pode ser um país sério.

Neste ano, o STF consolidou sua tirania e o governo Lula seguiu com seu projeto de poder, destruindo a economia, as estatais e as contas públicas no processo. Reverter isso será tarefa hercúlea, ainda mais com esse STF que temos.

Escândalos pesados envolvendo alguns ministros supremos explodiram no fim do ano, e ainda não é possível saber o que ou quem realmente está por trás disso. Fato é que a velha imprensa, que aplaudia os abusos de Moraes e seus cúmplices, mudou de postura, despertou da hibernação e cobra respostas agora. Algo mudou. Será suficiente para nos dar esperanças, ao menos quanto à queda de Moraes?

Enquanto isso, Flávio Bolsonaro foi o escolhido por Jair como candidato, e largou bem. Um Bolsonaro moderado, como ele diz, que tomou até vacina da Covid e consegue dialogar com o centro. Se as eleições fossem transparentes e limpas, haveria uma grande chance de vitória. Mas estamos falando de Brasil, então dúvidas permanecem.

Lula fecha 2025 com rejeição maior que 50%, o que o torna um candidato fraco. Que em 2026, apesar do STF, a direita consiga adotar uma estratégia inteligente para derrotar o consórcio PT-STF e livrar o Brasil deste câncer que vem corroendo as estruturas de nossa democracia capenga. Um feliz 2026 a todos!

RODRIGO CONSTANTINO

EU RECUSO O CINISMO

Manifestação na Avenida Paulista, em São Paulo, em 7 de setembro de 2021

Época de Natal, família quase toda reunida, e um dos assuntos, claro, é a política nacional. Um dos meus parentes me diz algo assim: “Rodrigo, o Brasil sempre foi isso aí. Esquece essa coisa de consertar a podridão toda. O jeito é melhorar um pouco, mas o sistema manda”. Pessoa de sucesso, esse parente acha que Tarcísio seria o melhor nome para 2026.

Entendo os argumentos. Depois de tantas tentativas de endireitar o país, e constatar que vivemos escândalos atrás de escândalos, é quase irresistível adotar a mesma postura de que o Brasil não tem jeito mesmo, e que o máximo com que podemos sonhar é mitigar problemas graves, impedir que vire a Venezuela e se livrar de Lula. Mas Gilmar Mendes sempre estará lá, com os monstros do pântano…

Apesar da tentação de concordar com o prognóstico pessimista, eu me recuso a adotar essa visão mais cínica. Não há nada escrito em pedra afirmando que o Brasil sempre será esse lixo moral. É um problema cultural, institucional, enraizado em estruturas profundas da sociedade e, portanto, muito difícil de mudar. Mas difícil não é impossível.

Outros países já foram uma porcaria e conseguiram dar a volta por cima. Para tanto, porém, é preciso ter gente “louca” o suficiente para acreditar na mudança para valer, desafiar todo pessimismo de quem já jogou a toalha. É preciso ter um Javier Milei da vida com sua “motosserra” para declarar guerra ao sistema todo.

É praticamente impossível ler O Homem Medíocre, de José Ingenieros, e não pensar na situação caótica do nosso país. No livro, o autor descreve as características presentes numa mediocracia, contrapondo isso à visão de um ideal de perfeição por parte de alguns poucos indivíduos de destaque.

Ingenieros sustenta que é fundamental manter acesa esta chama de um ideal, uma meta visionária que não sucumbe às contingências da vida prática imediata. Esses visionários buscam alguma perfeição moral, emancipando-se do rebanho. São espíritos livres, adversários da mediocridade, são entusiastas contra a apatia. Sem ideais o progresso seria impossível. O culto ao “homem prático”, com foco apenas no presente imediato, representa a renúncia à evolução.

Na mediocracia, “todos se apinham em torno do manto oficial para alcançar alguma migalha da merenda”. E no Brasil das esmolas estatais, dos vastos subsídios para grandes empresas, das anistias milionárias para intelectuais, do financiamento estatal bilionário para ONGs, o clima predominante não é exatamente este? Não estão todos se vendendo em troca de “migalhas”?

“As artes tornam-se indústrias patrocinadas pelo Estado”. E esse não é o país dos filmes bancados por verbas estatais, fazendo proselitismo para agradar a mão que os alimenta? “Tudo mente com a anuência de todos; cada homem põe preço à sua cumplicidade, um preço razoável que oscila entre um emprego e uma condecoração”. Pensemos nos jornalistas que mudam de acordo com a conveniencia, ou em militares que se vendem a comunistas.

“Ou se instaura a moralidade, ou nos locupletemos todos”, disse Stanislaw Ponte Preta. Eu me recuso a aceitar que a única alternativa é abandonar a moralidade. Há muita gente honesta no Brasil. Lutam contra tudo e todos, contra um sistema podre e carcomido, contra um mecanismo perverso de incentivos. Mas são esses que merecem louvor. E são esses que possuem a capacidade de mudar nosso destino. Não podemos aceitar que Gilmar Mendes será para sempre o ícone de um sistema…

RODRIGO CONSTANTINO

ABANDONADO PELO SISTEMA?

Algo mudou. Jornalistas que até “ontem” aplaudiam Alexandre de Moraes como “defensor da democracia” estão à vontade para cobrar do ministro explicações sobre o escândalo do Banco Master.

Joel Pinheiro, na Folha, perguntou: “Discutir o impeachment de Moraes é golpismo?”. Em seguida, ele lembra que o Senado tem a prerrogativa de investigar e punir más condutas de ministros supremos. Sim, mas não é o que “bolsonaristas” alegam faz tempo?

Josias de Souza, no UOL, disse que o silêncio de Moraes sobre o caso Master “vai do inconcebível ao intolerável”. Merval Pereira, no Globo, disse algo similar, assim como seu colega Lauro Jardim. Estão todos cobrando explicações de repente!

Moraes soltou notinha, mas nada crível. Disse que as ligações para Galípolo, do Banco Central, miraram somente na questão da Lei Magnitsky. Fumou, mas não tragou? É como crer que Toffoli e o advogado do Banco Master falaram só de futebol no jatinho em que o ministro pegou carona. Piada!

Até mesmo Ricardo Noblat, petista, escreveu que estava à espera de que o ministro Moraes se explique, acrescentando: “O silêncio em certos casos é um mau sinal”. O que estaria acontecendo aqui? O sistema soltou a mão de Moraes? Vai puxar seu tapete? Pretende entregar sua cabeça numa bandeja?

Difícil dizer. GIlmar Mendes já saiu em defesa dos colegas Moraes e Toffoli. Gilmar é a cara do sistema. Mas nada impede de ele dizer uma coisa em público e agir de forma diferente nos bastidores.

Segundo Monica Bergamo, a Faria Lima ficou em polvorosa com as ligações de Moraes a Galípolo para interceder a favor do Banco Master. Ou seja, cada vez mais gente “chocada” com a corrupção de Moraes. Como disse Ludmila Lins Grilo, a corrupção é um tema mais sensível para as elites e a mídia do que a ditadura do Xande.

Leandro Narloch talvez tenha dado o tom: “Não se trata mais de impeachment do Moraes, mas de prisão em flagrante. Esse cara precisa estar na cadeia com urgência”. A turma vai perdendo o medo de defender isso em público. Moraes estaria mais fragilizado? Foi mesmo largado? Só o tempo dirá…

RODRIGO CONSTANTINO

HAVAIANAS: TIRO NO PÉ

É preciso ter titica na cabeça para fazer uma campanha que deliberadamente rifa mais da metade da potencial clientela, só por motivos políticos

O que deu na cabeça dos marqueteiros da Havaianas?! A marca de chinelos de borracha resolveu usar a artista petista Fernanda Torres para sua campanha de fim de ano, e com uma mensagem bizarra: não entrar no ano novo com o pé direito! Afinal, esquerdistas não querem saber de endireitar coisa alguma.

Claro que a campanha teve efeito bumerangue. A marca foi “cancelada” por inúmeras pessoas, e vários vídeos revoltados viralizaram. É preciso ter titica na cabeça para fazer uma campanha que deliberadamente rifa mais da metade da potencial clientela, só por motivos políticos.

A dona da marca, a Alpargatas, pertence ao grupo Itaú. Seu CEO foi do conselho do Lula. O próprio banco tem sócios importantes que vivem defendendo o PT. O boicote, portanto, nem deveria ficar restrito aos chinelos de PVC, mas ao próprio banco. Quem lacra não lucra!

Érika Hilton saiu em defesa da Havaianas, mas o que chamou a atenção foi o tamanho do seu pé. Certas coisas o movimento trans não consegue mudar. Enquanto isso, a marca concorrente, Ipanema, já surfa na onda e tenta capturar os clientes insatisfeitos com a guinada ideológica.

No capitalismo é assim mesmo: cada um é livre para escolher, e posicionamentos políticos têm consequências. Parece que a empresa já se deu conta da burrada, apagou a campanha e trancou os comentários, mas é tarde demais. O estrago está feito. Talvez a marca pudesse mudar de nome para Havanas. Fernanda Torres coleta seu cachê capitalista e vende socialismo para os otários…

Aqui em casa a Havaianas não entra mais. Não será um grande esforço: os chinelos são um tanto vagabundos, especialmente para o preço cobrado. Nos Estados Unidos, um par chega a custar mais de US$ 20, ou seja, mais de cem reais! Era só o valor da marca mesmo, pois o custo de produção não deve passar de dois dólares. Só que agora a marca está chamuscada. Que venda só para a turma petista. Vamos ver se é suficiente…

RODRIGO CONSTANTINO

ESCÂNCALO DO INSS MAIS PERTO DELE

O senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado, foi um dos alvos de mandado de busca e apreensão da operação Sem Desconto, deflagrada nesta quinta-feira (18), que apura um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O secretário-executivo do Ministério da Previdência Social, Adroaldo da Cunha Portal, foi alvo de prisão domiciliar e foi afastado do cargo de “número 2” da pasta.

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Adroaldo Portal – numero 2 da Previdência – preso hoje na operação sem desconto

Romeu Carvalho Antunes, filho do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e o advogado Eric Fidelis, filho do ex-diretor do INSS André Fidelis, também foram presos durante a ação policial.

Além de pai e filho, Romeu e Antônio são sócios. Uma das empresas que compartilham tem o nome de “World Cannabis” e é alvo da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. O “careca do INSS” é apontado pelas investigações como um dos principais envolvidos nos descontos indevidos em aposentadorias e pensões. Ironicamente, a empresa de fachada no escândalo da compra de respiradores pelo Consórcio NE tinha Hemp no nome, alusão à maconha também.

A Polícia Federal apreendeu armas, relógios, carros de luxo e dinheiro vivo na nova fase da operação Sem Desconto. Os agentes cumprem ao todo 52 mandados de busca e apreensão e 16 mandados de prisão preventiva no Distrito Federal, Maranhão, São Paulo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco e Minas Gerais.

A CPMI do INSS, instalada para investigar um esquema bilionário de fraudes em descontos indevidos aplicados a aposentados e pensionistas, tornou-se o centro de uma disputa política envolvendo o nome do filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Na terça-feira (16), deputados da oposição acusaram governistas de blindar o filho do presidente mesmo diante de possíveis evidências de uma viagem a Portugal que Lulinha teria feito com Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Uma testemunha afirmou que Lulinha recebia mesada de R$ 300 mil do esquema.

O cerco vai se fechando em torno de Lula. Fica cada vez mais claro que esse escândalo do INSS teve o DNA de muita gente próxima do presidente, inclusive de seu filho. Lula seguirá fazendo cara de paisagem, ignorando o caso e mobilizando sua base para boicotar a CPMI. Mas o trabalho da PF vai se aproximando da sua família, que mais parece uma quadrilha. Desviar recursos de idosos aposentados talvez seja mesmo o ápice da canalhice, em meio a tantos escândalos que Lula e seu PT acumulam até aqui.

Só não dá para fingir surpresa: quem imaginou que colocar o ladrão de volta à cena do crime, como diria seu vice Alckmin, faria com que escândalos de corrupção voltassem com tudo à tona?!