RODRIGO CONSTANTINO

NEPOTISMO NÃO É UM VALOR CONSERVADOR

Carlos Bolsonaro olhando para o lado.

Carlos Bolsonaro (PL) fez críticas aos integrantes do PL que não declaram apoio à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República

“Carlos Bolsonaro será ministro no Planalto em governo do irmão Flávio”, diz manchete da coluna de Guilherme Amado. Ninguém confia nesse jornalista, mas seria bom o Flávio Bolsonaro deixar bem claro se seus irmãos terão ou não papel relevante em seu eventual governo. Ele já descartou Eduardo como chanceler numa entrevista recente. Deveria dizer em alto e bom som que Carlos também não teria espaço em sua gestão.

O conservadorismo é oposto ao tribalismo. A direita valoriza o mérito individual, a trajetória de quem se fez por conta própria, pelo trabalho, não pelos títulos ou sobrenome. Quando deixamos de analisar indivíduos com base nesses princípios básicos, estamos agindo como petistas. Infelizmente, vejo estarrecido muito “conservador” confundir conceitos e achar que sobrenome define, sim, valor político.

Ao menos alguns são mais sinceros e assumem que não são direitistas, mas sim bolsonaristas. Ou seja, eles admitem que querem uma espécie de clã político no país, com base apenas no sobrenome, sem levar em conta os méritos individuais e os valores agregados ao país por cada um. É algo que remete ao velho tribalismo africano, ou então ao detestável nepotismo.

Ora, se conservadores e liberais sempre condenaram políticos que empregaram parentes e colocaram como “sucessores” seus filhos, isso deve valer para todos, da esquerda à direita. Se é errado quando Sarney ou Renan Carvalho fazem isso, tem que ser errado quando Bolsonaro faz também. E já temos na política seus quatro filhos, inclusive o mais jovem Jair Renan, além de seu irmão Renato, sua esposa Michelle e sua ex-mulher Rogéria estarem disputando cargos este ano. Só falta a Laurinha, pelo visto!

Nem vou entrar a fundo na questão da coesão dos parentes. Duas postagens esta semana revelam como a casa Bolsonaro segue dividida. Se os próprios irmãos ou seus porta-vozes não seguem um pedido básico de união e paz do Flávio, isso mostra que não respeitam sua liderança, ele que foi o escolhido por Jair Bolsonaro como candidato, e que lidera as pesquisas graças à sua postura moderada e agregadora. “Todo reino dividido contra si mesmo será arruinado, e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá”, diz a Bíblia (Mateus 12:25).

Que fique claro: não é porque tem o sobrenome Bolsonaro que deve ser descartado; mas tampouco deve ser enaltecido somente por esse critério! Isso é o óbvio ululante: cada um deve ser avaliado e julgado com base em seu histórico, em sua capacidade, em como pode contribuir para a nação. Mas não basta ter um sobrenome para fechar questão e encerrar o debate. Isso é uma mentalidade bastante atrasada e equivocada.

Digo isso pois, por conta da disputa eleitoral, Romeu Zema vem sendo massacrado por bolsonaristas nas redes sociais, inclusive por seus acertos! Uma coisa é criticar o ex-governador por seus erros, como na postura durante a pandemia. Outra, bem diferente, é desqualificar seus méritos, como tem feito José Dirceu e essa ala “eduardista”.

Zema doou seu salário para a caridade, dispensou inúmeros funcionários para seu atendimento pessoal, morou de aluguel numa casa que pagou do próprio bolso, ia de carro próprio para o trabalho e não empregou um único parente em seu governo. Isso tem que ser elogiado por qualquer um que se diz de direita! Afinal, não queremos políticos usando o estado e os recursos públicos para garantir o “filé mignon” aos seus filhos e parentes em geral. O nepotismo e o patrimonialismo devem ser condenados sempre.

Os grandes ícones da direita, como Reagan e Thatcher, não colocaram seus parentes em seus governos e seus filhos não foram sucessores “naturais” de seus legados políticos. Mesmo Donald Trump, que desconfia de todo mundo, montou uma equipe com base em critérios objetivos e descartou colocar seus filhos em funções de governo. Os nomes cotados para disputarem as próximas eleições são Marco Rubio e JD Vance, não Donald Trump Jr.

Essa turma “eduardista” que vive atacando Nikolas Ferreira ignora justamente isso: o jovem deputado tem luz própria pois tem mérito próprio. Sim, recebeu ajuda de Bolsonaro no começo e é grato por isso. Mas mostrou resultados como deputado, soube se comunicar bem com o eleitor e virou um fenômeno nas redes sociais. Vários que também receberam apoio de Bolsonaro no início não chegaram nesse mesmo lugar. Isso talvez crie muita inveja em quem tem basicamente um sobrenome para mostrar, e nada mais, como no caso de Jair Renan e alguns bajuladores dos irmãos Eduardo e Carlos, de olho em cargos.

Que fique claro: Flávio tem seus méritos e tem conduzido bem sua pré-candidatura, inclusive afirmando que pretende dar continuidade ao governo de seu pai, com uma linha liberal na economia como a de Paulo Guedes. Mas ninguém deveria votar nele – ou em quem quer que seja – apenas pelo sobrenome. Numa república, queremos avaliar o trabalho pessoal de cada um. Ser filho de alguém não define absolutamente nada. Ou o filho do Pelé também foi craque como o pai?

RODRIGO CONSTANTINO

ACERTAM AO DEFENDER PRIVATIZAÇÕES

Em vídeo publicado nas redes, Zema critica governo Lula e afirma que irá privatizar Petrobras e Banco do Brasil

Em vídeo publicado nas redes, Zema critica governo Lula e afirma que irá privatizar Petrobras e Banco do Brasil

O ex-governador Romeu Zema foi para cima do Estado hipertrofiado e disse que vai privatizar a Petrobras e o Banco do Brasil, cortar supersalários e reduzir ministérios: “Privatizar Petrobras e Banco do Brasil (…) Vamos vender também as estatais que só dão prejuízos (…) Vou passar a faca em supersalários”. Essa mensagem é importante especialmente num país em que o Estado se agigantou de tal forma que a verdadeira luta de classes se dá entre pagadores e consumidores de impostos.

A agenda de redução do Estado sempre foi fundamental para a direita. Não tem cabimento algum o Estado ser empresário, manter empresas sob seu controle, mesmo em “setores estratégicos”. Como autor do livro Privatize Já, mostrei tanto com argumentos teóricos como com inúmeros casos empíricos, no Brasil e no mundo, as vantagens de se privatizar estatais e defender o livre mercado. Infelizmente, ainda há muita gente que discorda, como toda a esquerda e uma ala da “direita” defensora do PCO e Aldo Rebelo.

Ao pregar as privatizações, Zema vai ao encontro do que desejava Jair Bolsonaro no final do seu governo. Com seu Posto Ipiranga Paulo Guedes, o liberal que cuidava de toda área econômica, Bolsonaro chegou a falar abertamente em privatizar os Correios e até a Petrobras. Seu filho Flávio Bolsonaro prometeu um “bolsonarismo centrado” e uma agenda liberal a empresários, afirmando que seu futuro governo, caso eleito, será nos moldes daquele de seu pai: “Darei continuidade ao que o Paulo Guedes começou”. Flávio defendeu abertamente privatizações e corte de impostos, pautas liberais.

Há uma enorme falácia repetida por alguns “conservadores”: a de que JBS, Odebrecht e a “Faria Lima” querem o liberalismo e as privatizações. Não! Eles adoram o PT, as estatais e os fundos de pensão corruptos. Adoram a corrupção que só o governo hipertrofiado permite. O livre mercado é contra tudo isso. Eles amam o capitalismo de Estado, pregado justamente pelos “desenvolvimentistas”. Ciro Gomes é um nome muito mais palatável para essa turma do que Romeu Zema ou Flávio Bolsonaro.

O único banco estatal que financia o agronegócio nos Estados Unidos, por exemplo, é o Bank of North Dakota. Não há um análogo ao Banco do Brasil. O Bank of America é privado. Não existe tampouco uma Petro USA, mas sim dezenas de empresas privadas, nacionais e estrangeiras, competindo no mercado de energia. A revolução do fracking e do shalegas só foi possível graças a esse ambiente capitalista, e hoje os Estados Unidos são um dos maiores produtores de petróleo, sem qualquer estatal cuidando disso.

Mas os “conservadores russos” que vivem agora de bater no Zema, ao lado de Reinaldo Azevedo e outros esquerdistas, condenam qualquer privatização como algo “entreguista”. O modelo que os inspira é o chinês. Eles querem falar em nome da direita e de Bolsonaro, que chegou a defender a privatização da Petrobras e cujo ministro Posto Ipiranga era o liberal Paulo Guedes. Essa turma adora o Estado! Direita? Nem aqui, nem na China…

Como disse o colunista Fabiano Lana no Estadão: “O famigerado liberalismo atacado pelo manifesto do PT melhorou espetacularmente as condições sociais”. Tanto Jair como Flávio Bolsonaro se cercam de economistas liberais, como Paulo Guedes e Adolfo Sachsida. Mas eles deveriam deixar claro publicamente que certos “aliados” não falam em seu nome, já que são figuras que deploram as privatizações, a economia livre e o mercado de capitais. Essa turma estranha é contra até o Banco Central independente, conquista importante do governo Bolsonaro, que aproximou o Brasil do modelo de todo país desenvolvido.

São pessoas que, por ignorância ou má fé, misturam liberais clássicos com “liberais” como Arminio Fraga e João Amoedo, “progressistas” que defendem pautas de esquerda, como George Soros. Eles fazem um tremendo esforço para colocar conservadores contra liberais, ignorando que todo conservador é liberal na economia. O “pai do conservadorismo” moderno, Edmund Burke, era um liberal Whig. Bastiat, Benjamin Constant, Milton Friedman, Friedrich von Hayek, Ludwig von Mises e tantos outros liberais são leitura obrigatória para todo conservador legítimo.

O problema é que essa gente de “direita” não lê, não quer se informar. Prefere repetir slogans prontos e vazios que mais parecem retirados da cartilha do PSOL. Falam com desprezo dos milionários, do mercado de capitais, da meritocracia. Preferem fundos de pensão envolvidos em vários casos de corrupção. Com uma “direita” dessas, os verdadeiros conservadores nem precisam de adversários à esquerda. Felizmente Zema e Flávio ignoram esse discurso tacanho e pregam privatizações e menos estado. Eis o caminho certo para endireitar o país!

RODRIGO CONSTANTINO

VORCARO CADA VEZ MAIS PERTO DE LULA

Vorcaro tem mais é que entregar todo mundo envolvido em esquemas do Master. E é bom ele fazer isso o quanto antes

A coluna de Igor Gadelha no Metrópoles hoje revela: “Governo Lula alugou navios para COP 30 via empresa do sócio de Vorcaro”. Segundo documento da Casa Civil, ao qual a coluna teve acesso, o governo alugou navios para hospedar delegações na COP 30 por meio da “Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda”. A Qualitours foi contratada pela Secretaria Especial da COP 30, vinculada à Casa Civil, por meio da Embratur, a Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo.

Contratada pelo governo via Embratur, a Qualitours pertence ao empresário Marcelo Cohen. Ele é apontado como sócio de Daniel Vorcaro no hotel de luxo Botanique, localizado em Campos do Jordão (SP). A ligação da Qualitours com Vorcaro, porém, vai além. A empresa pertence à holding BeFly, criada em 2021 por Marcelo Cohen a partir do impulsionamento de fundos ligados ao Banco Master.

As partes envolvidas atestam que não houve qualquer irregularidade na contratação, mas chama a atenção a “onipresença” de Vorcaro. O dono do Banco Master parece estar ligado a basicamente tudo! Desde aluguel de jatinhos por várias autoridades e empresários até hotéis e embarcações, além de crédito consignado até com o Exército. Cabe perguntar: o que não tem o dedo de Vorcaro ou seu banco?

As cifras envolvidas são sempre milionárias. É como se alguém que quase ninguém tinha ouvido falar até “ontem” se tornasse uma das figuras mais importantes em Brasília da noite para o dia. O Banco Master idem: comprou o Máxima, banco pequeno e desconhecido, e em pouco tempo já era um dos mais presentes e ativos em operações envolvendo a turma de Brasília.

Esse contrato para alugar os cruzeiros na COP 30, por exemplo, custou R$ 350 milhões aos cofres públicos! No documento, o governo diz que o aluguel de navios foi necessário em razão do déficit de hospedagem em Belém e da necessidade de cumprir o acordo para que o Brasil fosse o país-sede da conferência da Onu. Conveniente, não? Será que foi por isso que Belém foi escolhida? Justamente para justificar gastos exorbitantes?

Nas redes sociais, Flávio Bolsonaro classificou o gasto como “surreal” e questionou o legado do evento para a população do Pará. “Com R$ 350 milhões dava para construir 40 UPAs para atender até 450 pessoas por dia. Mas não foram construídas. Lula torrou alugando cruzeiros”, disse o senador nas redes sociais.

Enquanto Flávio explora com razão o caso para desgastar Lula, seu novo aliado espalha bobagem por aí. Pablo Marçal disse ter ficado “impressionado” com o esquema orquestrado por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Em entrevista à coluna de Paulo Capelli no Metrópoles, Marçal afirmou que Vorcaro “mostrou um nível de inteligência que não esperava ver no Brasil”. Ao minimizar a prisão do banqueiro, o empresário citou as prisões de José do Egito, de Jesus, de Lula e do apóstolo Paulo.

“Eu acredito que o Vorcaro vai ser um cara que, quando alguém for usar uma expressão de alguém que é muito inteligente, vai falar assim: ‘Você é muito Vorcaro’. Você é muito arquiteto de algo que ninguém percebeu”, disse.

Na sequência, o empresário citou Lula. “Nosso presidente do Brasil não ficou preso na cadeia por 580 dias? E continuou sendo inteligente. Eu tive coragem de assumir aqui que ele [Lula] é o político mais influente da história. Não foi a prisão que diminuiu, não. Ele não baixou a cabeça. Então quando você olhar para algo, esse algo não determina o futuro de uma pessoa. Determina se ela desistir”, afirmou Marçal.

Candidato a prefeito de São Paulo em 2024, Marçal disse ainda não acreditar que Daniel Vorcaro celebre delação premiada para reduzir a pena. Para o empresário, o banqueiro pode sair da prisão em 5 anos mesmo que não entregue nomes de autoridades envolvidas no esquema do Banco Master. “Não faz muito sentido, não [Vorcaro selar acordo de delação premiada]. Não faz de jeito nenhum. Se você está num sistema onde esse tanto de gente está comprometida, fazer uma delação meia-boca com tantas provas não faz sentido. Vai livrar um cara e vai ferrar 80. Você pode até sair da cadeia, mas você não vive mais”, argumentou Marçal.

Com aliados assim, talvez Flávio nem precise de adversários! Será que a delação de Vorcaro chegaria perto do próprio Marçal? O Brasil todo, ao menos a parcela que não tem rabo preso, quer justamente uma delação completa de Vorcaro. Pela importância que ele adquiriu em Brasília, como uma espécie de lavanderia geral do sistema, Vorcaro tem mais é que entregar todo mundo envolvido em esquemas do Master. E é bom ele fazer isso o quanto antes…

Afinal, vimos o destino de Sicário, seu “matador de aluguel”. E agora ficamos sabendo que Daniel Vorcaro passou mal na Superintendência da Polícia Federal (PF) de Brasília, onde o banqueiro está preso, e precisou de atendimento médico. Delata todo mundo logo, Vorcaro!

RODRIGO CONSTANTINO

A ESCOLHA DO VICE É FUNDAMENTAL

Escolher o vice para sua chapa eleitoral não é tarefa simples. A escolha do vice não é baseada em quem gostamos mais, e sim em quem pode agregar mais votos. Isso pode se dar por palanque direto em um colégio eleitoral importante, ou pela imagem que o vice agrega para a chapa. Lula, visto (com razão) por muitos como um esquerdista radical, colocou o empresário da Coteminas como seu vice em sua primeira disputa vitoriosa para a Presidência.

Geraldo Alckmin cumpriu papel similar na última eleição: servir como um selo de moderação para acalmar os mercados e eleitores em geral quanto ao risco de radicalização socialista. Com Alckmin, a velha imprensa e economistas como Arminio Fraga e Elena Landau podiam falar em “frente ampla democrática”, mesmo que Alckmin tenha tido o papel basicamente de posar ao lado de tiranos que Lula admira.

Existem vices mais discretos, e existem vices mais ativos. Há ainda a escolha por precaução. Me parece o caso de Mourão como vice de Jair Bolsonaro: receoso de um impeachment, Bolsonaro quis colocar um general para “intimidar” a oposição. Mas Mourão se mostrou bem mais domesticável pela mídia do que Bolsonaro gostaria.

Chegamos, então, à escolha do vice na pré-candidatura de Flávio Bolsonaro. Vários nomes vêm sendo ventilados, mas alguns com mais frequência. A ala bolsonarista fala muito no deputado Luiz Phillippe de Orleans e Bragança, nosso “Príncipe”. Trata-se de um excelente nome… como deputado, ou senador. Mas como vice, infelizmente acho que pouco agrega. Dobradinha do PL já não atrairia nenhum outro partido para o bloco. E o perfil do eleitor que vota em Luiz Phillippe já é o mesmo do que vota no Flávio. Parece redundante.

Falam na senadora Tereza Cristina, do Progressistas, com boa entrada no agronegócio. Foi ministra do próprio governo Bolsonaro. De postura moderada, mais de centro do que conservadora, Tereza pode ajudar Flávio perante o eleitorado feminino, onde há maior rejeição ao seu nome, em que pese ser mais mito do que ciência essa crença de que mulher vota em mulher. Mas a escolha da Tereza daria uma sinalização maior de aproximação do Flávio ao centro, reforçando sua imagem de “Bolsonaro moderado”.

Já mencionaram também o nome de Renata Abreu, deputada federal por São Paulo desde 2015 e presidente nacional do Podemos. Suas credenciais são boas: votou a favor do processo de impeachment de Dilma Rousseff; já durante o governo Michel Temer, votou a favor da PEC do Teto dos Gastos Públicos; em abril de 2017 foi favorável à Reforma Trabalhista; em julho de 2019, votou a favor da Reforma da Previdência proposta pelo governo Bolsonaro.

Como diz trecho de uma reportagem da Oeste: “Renata possui características que passaram a ser valorizadas nessa etapa da pré-campanha. Está no terceiro mandato como deputada federal e foi reeleita em 2022, com pouco mais de 180 mil votos em São Paulo. Comanda nacionalmente o Podemos, partido de centro sem escândalos de corrupção na ficha corrida, e mantém interlocução com diferentes correntes políticas”.

Por fim, temos o mais falado de todos, Romeu Zema, do Novo. Zema foi governador por dois mandatos em Minas Gerais, reeleito no primeiro turno. Antes, teve sucesso como empresário na iniciativa privada. Ou seja, agrega a experiência executiva que falta ao Flávio, apesar de isso não ser impeditivo de fazer um bom governo: seu pai tampouco tinha tal experiência e se cercou de gente boa e competente, dando a eles autonomia operacional. Os casos de Paulo Guedes e Tarcísio Freitas ilustram bem isso.

Além da experiência administrativa, Zema traria o palanque do segundo maior colégio eleitoral do país, lembrando que há aquele mito: quem vence em Minas, vence no Brasil. Isso talvez seja pelo fato de MG representar um microcosmos do país. O Vale do Jequitinhonha é uma espécie de Nordeste ali dentro. Logo, Zema agregaria bastante à candidatura do Flávio.

Mas há um trade-off que deve ser levado em conta: Zema como candidato solo vai focar sua energia contra Lula nos debates, e no segundo turno, sendo mesmo Flávio contra Lula, ele certamente vai apoiar Flávio. O próprio Zema lembrou que foi Jair Bolsonaro quem disse que ter várias candidaturas à direita era algo positivo. Trazer Zema para o time já no primeiro turno, portanto, pode ter esse custo de perder um debatedor afiado que já estaria fechado com o PL no segundo turno de qualquer forma.

Como fica claro, são escolhas difíceis, e certamente a campanha do PL está avaliando outros nomes que não trouxe aqui. De minha parte, como alguém liberal com viés conservador, que tem como prioridade derrotar o Lula, minha escolha seria provavelmente o Zema. Mas os outros nomes também agregam e podem fazer sentido. Que o Flávio e seu partido escolham aquele ou aquela que realmente for contribuir para atrair votos e facilitar a governabilidade, sem sacrificar os nossos valores conservadores. Democracia, porém, é concessão.

RODRIGO CONSTANTINO

PL E NOVO: DIREITA UNIDA CONTRA A ESQUERDA

Flávio Bolsonaro (PL) ao lado de André Marinho (Novo) e Romeu Zema (Novo): sinalizações de diálogo e articulação entre PL e Novo no cenário político atual

Existe uma prioridade nessa eleição: derrotar o lulismo. Com isso em mente, Jair Bolsonaro já escreveu carta do próprio punho, na prisão, pedindo a união da direita, o fim dos ataques mútuos e o respeito à sua esposa Michelle, alvo de “cobranças” um tanto chulas de uma ala bolsonarista.

Flavio Bolsonaro foi na mesma linha e já disse várias vezes que o importante é deixar o passado para trás e focar no futuro, buscando, inclusive, aliança com quem criticava bastante Bolsonaro. Flavio também elogiou Nikolas Ferreira, alvo de ataques absurdos de alguns, afirmando que se trata de um “moleque de ouro” que está 100% do seu lado.

É nesse espírito de união que as imagens deste fim de semana no Sul são tão importantes. O deputado Marcel van Hattem, do Novo, e Sanderson, do PL, estiveram juntos em uma grande festa para lançar suas candidaturas ao Senado, enquanto Zucco, do PL, será o candidato ao governo. Marcel escreveu: “NÃO DEIXAREMOS A QUADRILHA QUE ASSALTOU O BRASIL ASSALTAR TAMBÉM O RIO GRANDE: agora é ZUCCO governador! Festa maravilhosa de lançamento da pré-campanha do Luciano Zucco ao governo do Rio Grande do Sul. A quadrilha que assaltou o INSS agora quer se instalar no RS, mas, juntos, nós não deixaremos isso acontecer. Com Zucco e Silvana no governo e comigo e Sanderson no Senado, faremos uma trincheira de batalha para o bem do nosso Estado e do nosso Brasil. Fora Lula! Fora Alexandre de Moraes! A direita está unida para retomar o RS e o Brasil”.

Enquanto isso, Flavio e Zema postaram um vídeo que viralizou nas redes sociais. Em clima descontraído, em tom de brincadeira, Zema, do Novo, convida Flavio, do PL, para ser seu vice. Flavio é o líder nas pesquisas e aquele com maior chance de derrotar Lula numa fotografia de hoje, e Zema é um dos cotados para ser seu vice. O ex-governador de Minas, reeleito em primeiro turno, traria não só um palanque importante no segundo maior colégio eleitoral do país, como sua experiência administrativa e seu tom incisivo contra os abusos supremos. Zema voltou a criticar os “intocáveis”: “Todo dia um tapa na cara do brasileiro. Chegou a hora de a gente acabar com essa farra dos intocáveis de Brasília”.

No Paraná, o Novo e o PL se uniram contra a esquerda. Sergio Moro, que foi para o PL, lidera as pesquisas para o governo, e a dobradinha para o Senado conta com Deltan Dallagnol, do Novo, e Felipe Barros, do PL. Divergências passadas foram deixadas de lado em prol do foco nos resultados.

O PL e o Novo também estão juntos no Rio, e Flavio gravou um vídeo ao lado de André Marinho, candidato ao governo. Marinho e seu pai foram duros críticos de Jair Bolsonaro, mas Flavio está focado, com pragmatismo, em seu objetivo maior: derrotar Lula. E ele sabe que, para isso, vai precisar de cada voto. Afinal, seu pai perdeu para Lula em 2022 por apenas 1%! Não dá, portanto, para desperdiçar um só voto nessa disputa tão acirrada e importante para o país. Ninguém quer imaginar o que seria do Brasil com mais quatro anos de PT.

Por isso mesmo, Flavio vem tentando se afastar do radicalismo de uma ala bolsonarista, dominada por seus irmãos Eduardo e Carlos. Pergunta: qual é a melhor forma de tratar quem pretende votar em Zema ou Caiado no primeiro turno, pela ótica do Flavio e do Brasil? Vê-los como prováveis aliados no segundo turno ou chamá-los de traidores, canalhas, esquerdistas e repetir que não precisamos de seus votos? A resposta parece evidente para quem pensa.

Fiz uma enquete no meu X, com 4.800 votos, perguntando em quem o público votaria no primeiro turno. Flavio ficou com 65%, Zema com quase 22% e Caiado com 13%. Isso mostra, dentro da minha base de seguidores, como será crucial para o Flavio atrair os votos de Zema e Caiado no segundo turno. E, para tanto, ele terá de ser moderado, acenar ao centro, aos liberais — e é justamente o que ele vem fazendo. Inclusive elogiando a equipe econômica do governo de seu pai e publicando uma foto ao lado do ex-ministro Paulo Guedes, grande liberal que goza do respeito dos agentes do mercado financeiro.

É um receio que muita gente boa tem, principalmente ao acompanhar a postura dessa turma contra Nikolas e outros nomes importantes da direita. Caso contrário, muita gente vai acabar desistindo de votar no Flavio por associá-lo a essa conduta tóxica.

Nikolas, aliás, não para de trabalhar em prol da candidatura de Flavio ao desgastar Lula com seus vídeos, que alcançam milhões de visualizações. Ele também esteve em evento em Goiás apoiando o deputado Gustavo Gayer. O PL, em sua página oficial, publicou: “Nikolas lembra: escolher bem os representantes é o primeiro passo para transformar o país. O Brasil precisa de coragem, ação, compromisso e, acima de tudo, caráter. E é com essa convicção que seguimos juntos, firmes na luta por um Brasil melhor”. Mas, acreditem se quiser, a ala “eduardista” conseguiu problematizar sua camisa branca e amarela!

O jovem deputado também gravou um vídeo incentivando os jovens a tirar seu título de eleitor. “Tira o título e vota, para pelo menos você poder cobrar em quem votou. Senão, nem reclamar depois você vai poder”, diz Nikolas no vídeo. Esse tipo de iniciativa é fundamental e pode fazer toda a diferença no resultado da eleição.

Jair Bolsonaro dizia: “Meu partido é o Brasil”. O ex-presidente sabia que nenhum partido no país é perfeito ou realmente conservador, e que o mais importante eram indivíduos com compromisso com as pautas de direita.

O Brasil não é uma dinastia familiar, e a direita sempre pregou a meritocracia. É por isso que o próprio Jair e sua esposa Michelle respeitam o trabalho de Nikolas, e é por isso também que parlamentares do Novo são mais aliados da agenda de direita do que muitos do próprio PL.

Daí a importância de vermos essa turma do Novo e do PL unida com o objetivo único de derrotar o PT. Quem se coloca contra essa união quer, no fundo, boicotar a própria candidatura de Flavio…

RODRIGO CONSTANTINO

VAI SER NO PHOTOCHART

Embate entre Flávio e Lula se acirra em áreas como economia, segurança e pobreza na corrida presidencial de 2026.

Os pré-candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL)

Nas corridas de cavalo, às vezes não é possível ver quem cruzou a linha de chegada primeiro. Para isso existe o photochart, uma espécie de tira-teima. Em alguns esportes, alguns poucos centímetros podem fazer toda a diferença. Na política também é assim: vitórias apertadas mostram que mover 1% do eleitorado em certa direção pode definir o resultado.

Compreendo a desconfiança com nossas urnas, e na América Latina já nos acostumamos com vitórias da esquerda com 51% contra 49%. Mas se fosse tudo tão manipulável assim, não teríamos Milei, Kast e outros. Ou seja, dá para vencer, e quem repete que não adianta fazer nada pois é um jogo de cartas marcadas acaba afastando potenciais eleitores.

E vamos precisar de cada voto! Em nova pesquisa da Meio/Ideia, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece com 45,8% das intenções de voto, contra 45,5% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno na disputa pelo Planalto. O resultado representa empate técnico entre ambos. Sei que ainda falta muito tempo até as eleições e muita coisa pode mudar. Mas isso é um sinal claro de que a disputa será bem acirrada.

Vejo, com preocupação, alguns cantando vitória, achando que dá para derrotar Lula já no primeiro turno. Nunca é sábio subestimar o PT, ainda mais com a máquina estatal nas mãos. O populismo já começou a todo vapor, a propaganda será um show de mentiras e promessas falsas e o adversário vai receber chumbo grosso. Em suma, muita água vai rolar ainda.

Por isso é tão importante uma frente ampla contra Lula. Flávio Bolsonaro tem feito o certo: vem articulando alianças até com adversários históricos ou gente que traiu e detonou seu pai. É preciso engolir muito sapo nessa hora, com o objetivo único de vencer. Infelizmente, tem havido muito “fogo amigo” também, e o Flávio já tentou colocar panos quentes nisso, especialmente nas farpas trocadas entre seu irmão Eduardo e o deputado Nikolas Ferreira.

Nikolas é um baita ativo da direita. Seu vídeo cobrando Davi Alcolumbre quanto ao PL da Dosimetria passou de 100 milhões de visualizações. Valdemar Costa Neto, presidente do PL, acredita que o jovem deputado terá ainda mais voto do que Eduardo Bolsonaro teve, batendo o recorde nacional. Não há motivos para tantos ataques ou “cobranças” nesse momento, se a prioridade é derrotar Lula. Disputas partidárias podem ficar para depois.

Eu faço aqui meu mea culpa: por ver esses ataques todos contra Nikolas e entender que isso é um tiro no pé da campanha do Flávio, tomei as dores e passei a defendê-lo, enquanto criticava a postura do Eduardo. Mas o X é uma Cracolândia, e existem os incendiários que querem só ver o circo pegar fogo. O resultado é que as “tretas” saíram de controle e têm prejudicado a direita como um todo. Por isso tomei a decisão de não mais participar desse bate-boca infrutífero, que chacais e hienas tanto apreciam.

O Brasil não aguenta mais quatro anos de petismo. Isso deve estar claro para todos, espero. Logo, é necessário ter as prioridades certas. E a maior delas é derrotar Lula. Quem tem mais chances disso é o Flávio. Na pesquisa, todos os outros perdem: Zema, Caiado e Renan. Repito: sei que muita coisa ainda vai acontecer até outubro, mas essa é a foto que temos. A candidatura de Flávio parece consolidada, e ele vem crescendo nas pesquisas.

Portanto, apoiar Flávio é uma questão de sobrevivência. Não é preciso morrer de amores por ele, ser um bolsonarista raiz, nada disso. Até porque ninguém vence uma eleição majoritária com a bolha das redes sociais, por mais barulhenta que seja. É preciso atrair os votos do centro, dos indiferentes, daqueles que não ligam tanto para política. E a postura moderada e agregadora que o Flávio vem adotando mostra que ele compreendeu bem isso.

Não é hora de “tretas”. Não é o momento para “caçar traidores”, até porque Flávio já fechou alianças com Sergio Moro, Deltan Dallagnol, André Marinho e Ciro Gomes. De minha parte, isso é uma promessa: podem xingar à vontade no X que não haverá mais resposta. Podem cutucar, cavar falta, colocar lenha na fogueira, criar apelidos “carinhosos” e distorcer tudo que falo, não importa: esse ambiente se torno tóxico demais e em nada ajuda na vitória da direita. Todos deveriam deixar o ego um pouco de lado e abraçar a causa mais nobre do momento: aposentar logo o Lula e, de preferência, começar um trabalho sério para tirar ao menos Moraes e Toffoli do Supremo. É isso que pode salvar nossa democracia.

RODRIGO CONSTANTINO

TRUMP E A GUERRA NO IRÃ

Presidente Donald Trump em discurso televisado sobre a ofensiva militar dos EUA contra o Irã.

Presidente Donald Trump em discurso televisado sobre a ofensiva militar dos EUA contra o Irã

Quando Donald Trump decidiu, num ataque incrível, bombardear instalações nucleares do Irã, isso foi não só uma iniciativa para impedir o regime dos aiatolás xiitas de avançar em seu projeto da bomba atômica, como também um alerta: se não negociar para valer, a coisa vai ficar esquisita. O Irã, dominado por malucos, pagou para ver, e Trump autorizou, meses depois, um ataque massivo contra o país.

Agora chegamos num impasse: Trump, após os militares americanos e israelenses terem eliminado as principais cabeças do regime, colocou um deadline para o acordo. A poucas horas do fim de um prazo que estabeleceu para que o Irã reabra o estratégico Estreito de Ormuz, o presidente americano disse nesta terça-feira (7) que uma “civilização inteira morrerá hoje à noite”. Caso o estreito não seja reaberto, as forças americanas bombardearão usinas de energia e pontes iranianas, ameaçou o mandatário republicano:

“Uma civilização inteira morrerá hoje à noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. Contudo, agora que temos uma mudança de regime completa e total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer, quem sabe?”, escreveu Trump na rede Truth Social, especulando sobre um acordo de última hora.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta terça-feira que mais de 14 milhões de pessoas se inscreveram para “sacrificar suas vidas” pelo país, no dia em que vence um ultimato estipulado pelos Estados Unidos para que grandes ataques não sejam realizados contra a infraestrutura da nação persa.“Mais de 14 milhões de iranianos orgulhosos já se registraram para sacrificar suas vidas em defesa do Irã. Eu também tenho sido, sou e continuarei sendo devotado a dar a minha vida pelo Irã”, escreveu Pezeshkian no X.

O fator do fanatismo complica a situação no Irã. Na Venezuela, com os chavistas, foi mais fácil convencer por mudanças com argumentos racionais – tipo a captura de Nicolás Maduro. A escalada suicida no Irã mostra que não ameaça suficiente para esses xiitas baixarem suas armas. Remete ao caso japonês na Segunda Guerra, cujo slogan principal era “Todo o mundo sob um mesmo teto”, sobre o imperialismo japonês, além de outro slogan conhecido: “Cem milhões com um só espírito”, promovendo a união total do povo e a disposição de morrer pelo regime. De fato, os kamikazes faziam exatamente isso.

O regime do Irã convocou nesta terça-feira os jovens para formarem correntes humanas ao redor das usinas elétricas em todo o país. Seus kamikazes? A campanha “Jovens do Irã por um amanhã brilhante” foi convocada para “encenar um símbolo de unidade e resistência diante do inimigo”, afirmou o vice-ministro de Assuntos da Juventude do Ministério do Esporte, AlirezaRahimi. Mas todos sabem que boa parte da população, especialmente os mais jovens, detestam o radicalismo do regime dos aiatolás.

Enquanto o Irã parece não se importar com a morte de milhares de iranianos, uma história mostra como os Estados Unidos agem diferente. Falo do espetacular resgate do piloto americano em pleno território inimigo. O oficial, um coronel altamente respeitado, foi abatido em seu F-15E, ejetou-se gravemente ferido nas pernas, mas sobreviveu por mais de 48 horas atrás das linhas inimigas.

Ele cuidou das próprias feridas, escalou penhascos sangrando profusamente, encontrou refúgio em uma fenda nas montanhas do Irã. Conseguiu ficar quase invisível aos inimigos, apesar de helicópteros, drones e milícias iranianos fechando o cerco e da oferta de prêmio pelo seu aprisionamento pelo governo do Irã. Tem que ter um nível de treinamento que acho que não conseguimos nem imaginar. Quando finalmente conseguiu ativar o rádio, a primeira mensagem do piloto foi “Deus é bom”.

As forças especiais americanas, com apoio de dezenas de aeronaves e inteligência da CIA, o resgataram na madrugada de Domingo de Páscoa, sem uma única perda do lado americano. Foi uma operação de alto risco que Trump, segundo relatos, não hesitou por nenhum instante em autorizar, e chamou de “Easter Miracle”. Segundo especialistas escutados pela imprensa, foi uma das mais ousadas da história militar dos EUA.

Algumas pessoas fizeram até um paralelo curioso com paixão, morte e ressurreição de Cristo. O avião foi abatido na Sexta-Feira Santa, o piloto conseguiu ficar escondido numa caverna na montanha durante o sábado e foi resgatado no Domingo de Páscoa, ao nascer do dia. A vida de um soldado americano vale ouro! O que está em choque, no fundo, é uma civilização que odeia a vida, e outra que ama a vida. Tomara que Trump não precise escalar os ataques, que os que restaram no comando do regime tenham juízo e bom senso. Mas se o pior acontecer, não temos dúvidas de que uma vitória total americana é o resultado mais desejado.

RODRIGO CONSTANTINO

LULA ESTÁ GAGÁ COMO BIDEN?

Lula diz que “não pensa” sobre críticas de evangélicos a desfile: “Não sou carnavalesco”

Para rechaçar Lula como candidato razoável, basta mostrar seu histórico: inflação, criminalidade em alta, rombo nas estatais, escândalos. Agora imagina somar tudo isso a um estado de demência, a uma condição cognitiva bastante deteriorada: é o caos!

Lula sempre falou muita besteira, às vezes coisas gravíssimas ou extremamente ofensivas, que a imprensa sempre trata apenas como “gafes”. Como sua ideologia socialista também é uma porcaria, é preciso tomar cuidado para separar o que é fala consciente de deslizes mesmo. Por exemplo: quando Lula diz que o traficante é vítima do usuário, isso é a sua visão ideológica de mundo. Quando ele diz que o Brasil será um orgulho mundial no crime organizado, isso já é ato falho ou sincericídio.

Mas o fato é que a incidência de “gafes” vem aumentando. De acordo com levantamento do Poder360, Lula protagonizou ao menos 157 declarações contendo alguma distração ou incorreção (inadvertida ou não) desde o início do 3º mandato. Diz a reportagem:

Quando se analisa o que disse o presidente, 43% dos casos podem ser consideradas ofensas a pessoas, minorias sociais ou outros grupos. Outros 15% são relacionadas à política internacional, como comentários sobre a atuação de outros países e guerras – sempre expressando alguma controvérsia ou imprecisão.

Além das ofensas e incorreções, há os casos de lapso de memória. Lula chamou o presidente francês Emmanuel Macron de Sarkozy, ex-presidente da França, durante um evento oficial; em cerimônia pública; trocou o nome da atual mulher, Janja, pelo de sua 2ª mulher, Marisa Letícia, morta em 2017; confundiu a ex-presidente Dilma Rousseff com a ex-deputada Irma Passoni; disse ter mandato até “31 de dezembro de 2010” (o correto é 5 de janeiro de 2027); afirmou que o Brasil faz fronteira “com toda a América do Sul” (Chile e Equador não fazem fronteira com o país).

Tirando o último exemplo, que pode ser ignorância mesmo, os demais apontam para alguém que claramente não está com o poder total de sua cognição. Lula tem 80 anos. A idade pesa, e o PT se preocupa com isso. Dizem que até gostaram da escolha do Caiado pelo PSD porque haverá outro idoso na disputa – e porque se fosse Eduardo Leite haveria mais risco de tirar votos do próprio Lula.

Saúde de presidente ou candidato a presidente é coisa séria. Tem relevância eleitoral, já que será a pessoa com o enorme aparato do Poder Executivo em mãos. Para rechaçar Lula como candidato razoável, basta mostrar seu histórico: inflação, criminalidade em alta, rombo nas estatais, escândalos infindáveis de corrupção, dívida pública insustentável e projetos de lei contra a família tradicional. Agora imagina somar tudo isso a um estado de demência, a uma condição cognitiva bastante deteriorada: é o caos!

Nos Estados Unidos esse assunto ganhou enorme peso na última eleição. Joe Biden dava claros sinais de que estava gagá, de que já não era ele o presidente de fato. Num debate com Donald Trump, a coisa ficou tão escancarada que quase deu pena do democrata. O problema não é a idade em si: Trump também está chegando aos 80 anos. Mas cada um chega de um jeito. Biden estava “fora de si”, e Lula parece ir pelo mesmo caminho, não importa quantas imagens adulteradas publiquem dele fazendo exercício. Lula não é um garotão com “tesão de 20”, mas um idoso com sinais de que está ficando gagá. É o Biden tupiniquim.

RODRIGO CONSTANTINO

O ÔNUS DA PROVA

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As senadoras Ana Paula Lobato (PDT-MA) e Soraya Thronicke (Podemos-MS), respectivamente autora e relatora do PL da Misoginia no Senado

Entre os pilares do modelo de Justiça ocidental estão aquelas velhas máximas que até os leigos conhecem, como “todos são inocentes até que se prove o contrário” e “a quem acusa cabe o ônus da prova”. A ideologia woke e os movimentos de “minorias” tentam subverter isso. O feminismo radical, por exemplo, cismou que a denúncia de uma mulher substitui qualquer necessidade de evidências concretas.

Vimos bem isso no caso da sabatina do juiz Brett Kavanaugh nos Estados Unidos: a esquerda tratou como fato inquestionável uma acusação requentada de décadas antes sem qualquer testemunha ou prova contra o indicado. As denúncias contra Neymar e Johnny Depp são outros bons exemplos. Ricos e famosos, eles puderam se defender e provar a inocência, mas quantos casos assim terminam mal para os acusados, mesmo sem evidência robusta por parte de quem denuncia?

Para um júri condenar alguém nos Estados Unidos, é necessário que os jurados considerem o réu culpado “além de qualquer dúvida razoável”. O sistema é montado assim pois é preferível ter alguns culpados impunes do que inocentes presos. A Justiça é calcada em fatos, em dados objetivos, em evidências concretas. E é assim para proteger os inocentes. Afinal, qualquer um pode mentir, inclusive as “minorias”.

É por isso, entre outras coisas, que o PL da Misoginia é tão perigoso. Com conceitos vagos e subjetivos, qualquer coisa pode ser enquadrada em misoginia e levar inocentes à prisão. A lei não protege a mulher de verdade, e basta ver que a esquerda que votou “sim” rejeita qualquer proposta de endurecimento das punições aos reais estupradores. Mas alguém que faz uma piada sobre a histeria de uma mulher pode acabar atrás das grades!

A relatora do projeto, senadora Soraya Thronicke, acabou dando um bom exemplo dos riscos da lei. Ela denunciou de forma totalmente leviana o deputado Alfredo Gaspar de estupro de menor, e demandou um teste de DNA para verificar a paternidade da suposta vítima. Mas isso inverte totalmente o ônus da prova! “Nós não temos o dever de provar absolutamente nada!”, escreveu a senadora. Como assim?! Então se joga no ar uma acusação gravíssima e não precisa ter qualquer prova?!

O deputado Gaspar não se recusou a fazer exame de DNA. Ele declarou publicamente que está disposto a realizar o teste com quem for preciso para esclarecer o assunto. Inclusive já apresentou um exame de DNA de 2014, segundo o qual a criança seria filha do primo dele, Maurício Brêda. Ele também divulgou um vídeo da própria jovem, hoje com 21 anos, negando que seja filha dele ou que tenha sofrido qualquer abuso. Como não há recusa, a Súmula 301 do STJ (que trata justamente da presunção por recusa) não se ativa aqui.

A senadora disse que se ficar comprovado que Gaspar não é o pai, ela pede desculpas. Como se um simples pedido de desculpas fosse suficiente para compensar os danos causados por uma denúncia espetaculosa no meio de uma CPMI! Gaspar já anunciou que vai prestar queixa na PF por denunciação caluniosa e coação no curso do processo, além de acionar o Conselho de Ética. Se ficar comprovado que a acusação não tinha base ou foi leviana, a senadora e o deputado Lindbergh Farias podem enfrentar processos criminais, ação por danos morais e medidas éticas no Congresso.

É importante resgatar o “devido processo legal” e a “presunção de inocência” em nosso país, pois são pilares básicos do Estado de Direito. Infelizmente, a justiça foi aparelhado, inclusive em sua mais alta instância. É por isso que Lula, condenado por nove juízes e desembargadores em três instâncias com “provas sobradas”, acabou solto e elegível por malabarismos supremos, enquanto Jair Bolsonaro, sem cometer qualquer crime, continua preso e inelegível.

Aos amigos tudo, aos inimigos a lei. No caso, a lei vaga, mal interpretada ou até mesmo inventada pelos próprios ministros supremos. Imagina essa aberração do PL da Misoginia como mais um instrumento de perseguição nas mãos dessa gente!

RODRIGO CONSTANTINO

O BOLSONARISMO AINDA VIVE

Jair Bolsonaro

O ministro Barroso estava num convescote dos comunistas da UNE quando disse: “Nós derrotamos o bolsonarismo”. Não só era a confissão de um crime, já que ministros supremos precisam ser apartidários e imparciais, como era um anúncio muito precoce. O bolsonarismo, ao que tudo indica, segue não apenas vivo, mas forte.

Como mostra uma reportagem da Folha de SP, a uma semana do fim da janela partidária, o PL já alcançou a marca de 105 deputados federais. É a maior bancada de um partido na Câmara dos últimos 25 anos. E isso não se deve aos lindos olhos azuis de Valdemar, com certeza. É fruto de um movimento que ainda respira e atrai multidões, mesmo com seu líder preso.

Não resta dúvida de que há inúmeros parlamentares sem convicção ideológica ali. O PL, afinal, agrega uma ala do tal centrão fisiológico também. Mas é inegável que o crescimento do partido se deu a partir da chegada de Jair Bolsonaro, e que o ex-presidente continua sendo o principal cabo eleitoral da direita.

Isso tem ligação com méritos do próprio Jair, como um governo sem escândalos de corrupção, o despertar da esperança patriótica no povo e ministérios técnicos, como também deriva da própria perseguição sofrida pelo ex-presidente e seu entorno. A tentativa de destruir o bolsonarismo por meio do abuso de poder supremo teve um efeito bumerangue: o povo percebeu a injustiça e reagiu.

Há, ainda, o fator do antipetismo. Cada vez mais gente se dá conta, finalmente, de que o governo Lula é um fiasco total. Ser oposição a esse desgoverno, portanto, é questão de bom senso e pragmatismo político. Dentro do PL, como já disse, existe uma ala que pouco se importa para valores e princípios, mas é crescente o grupo que tem como missão derrubar Lula e restaurar o Estado de Direito no país.

Os deputados mais calcados nesses princípios conservadores são os que mobilizam mais gente, como o caso do jovem Nikolas Ferreira. Pesquisa recente mostra que Nikolas é o deputado com imagem mais positiva, enquanto outra pesquisa mostra que o nível de rejeição a Lula entre os jovens de 16 a 24 anos ultrapassa a impressionante marca de 70%. O futuro não parece muito promissor para a esquerda radical, e a contracultura de hoje é ser conservador.

Tanto é verdade que Bolsonaro ainda assusta o sistema que Alexandre de Moraes decidiu por uma prisão domiciliar inovadora, repleta de cautelares, justamente para afastá-lo das articulações políticas e das campanhas de seus aliados. O STF sabe que o bolsonarismo ainda respira, e que toda a asfixia imposta pelos ministros não foi suficiente para matá-lo ou sequer enfraquecê-lo.

A maior prova disso é a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro crescendo e ultrapassando as intenções de voto em Lula no segundo turno. Tentaram enterrar Bolsonaro e o bolsonarismo vivos, mas não foram capazes. Agora resta tentar “neutralizar” a força conservadora, pressionando e chantageando o PL para que seja mesmo um partido típico do centrão, sem oferecer qualquer ameaça ao sistema podre e carcomido. Espero que fracassem nessa empreitada…