RODRIGO CONSTANTINO

MISOGINIA: TIRO NO PÉ DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Senado aprova projeto que equipara misoginia ao racismo

Alcolumbre e as senadoras Ana Paula Lobato e Soraya Thronicke durante a votação da proposta que criminaliza a misoginia

O Senado aprovou, por unanimidade, um projeto de lei terrível que criminaliza a “misoginia”. O diabo está sempre nos detalhes, e o inferno está cheio de boas intenções. A aparência de nobreza da causa, em ano eleitoral, colocou os conservadores numa sinuca de bico. Preferiram votar pela censura, de olho no eleitorado feminista (que jamais vai votar na direita), do que preservar os valores da liberdade. O advogado André Marsiglia, especialista em liberdade de expressão, comentou:

A criminalização da misoginia, aprovada ontem no Senado, nasce sob pretexto nobre, mas em um país acostumado a punir ideias em vez de ações concretas. Um país no qual já não se consegue sequer debater o que é “mulher” sem o risco de ser processado e silenciado por pessoas e grupos autoritários. Na prática, a “misoginia” tende a se tornar mais um instrumento subjetivo de silenciamento e censura, inclusive de mulheres, do que uma forma de proteção. Vale dizer que a lei pune palavras e que agressões físicas já são punidas por leis anteriores.

Agora dependemos da Câmara para rejeitar essa aberração. Alguns deputados corajosos se manifestaram contra. Foi o caso de Bia Kicis:

O Senado aprovou hoje a equiparação da misoginia ao crime de racismo. O projeto define misoginia como: “conduta que manifeste ódio ou aversão às mulheres, baseada na crença da supremacia do gênero masculino”. Projeto de divisão e ódio entre homens e mulheres acelerado com sucesso. E a direita cai na armadilha da esquerda. Primeira pergunta a ser respondida pela esquerda: mas afinal, o que é uma mulher? Nem isso vocês sabem dizer. Na Câmara trabalharemos para derrotar esse projeto.

Nikolas Ferreira também prometeu lutar para derrubar o projeto na Câmara: “Inacreditável é a palavra…Amanhã começa o trabalho pra derrubar essa aberração que foi aprovada hoje no Senado”. Que os senadores do Novo e PL tenham sucumbido a esse troço é algo realmente lastimável e preocupante. Acenar para feministas nunca é boa estratégia para conservadores, e é preciso ignorar os marqueteiros tucanos que dominam o mercado eleitoral no país. O eleitor quer convicções morais firmes, honestidade, e soa falso um conservador tentando acender vela para movimento feminista. Se você tem medo de ser acusado de misógino pelo Psol e pela Globo, então vá fazer qualquer coisa da vida, menos ser um senador da República!

O economista Marcelo Pessoa questionou: “Quantos anos de cadeia para quem divulgar a Carta de São Paulo aos Efésios?” Eis um trecho: “As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja, seu corpo, da qual ele é o Salvador. Ora, assim como a Igreja é submissa a Cristo, assim também o sejam em tudo as mulheres a seus maridos”. (Efésios 5, 22-24). Podemos debater a interpretação desse conceito de submissão, lembrando que o homem precisa também ser submisso a Cristo, mas eis o ponto: se essa lei for sancionada, sequer poderá haver o debate. A Bíblia será criminosa!

Na mesma linha foi a conta MaverickJocker, que tem denunciado uma ala infiltrada dentro da direita: “Nem Nero que incendiou Roma e crucificou cristãos de cabeça pra baixo, nem Robespierre que guilhotinou padres por rezar missa, nenhum tirano da história da civilização ocidental conseguiu a proeza que sessenta e sete senadores brasileiros alcançaram numa terça-feira qualquer: criar as condições jurídicas para que a leitura da Bíblia possa ser enquadrada como crime inafiançável e imprescritível. Equipararam misoginia a racismo, até cinco anos de cadeia, e nenhum desses sessenta e sete parou um segundo pra perguntar o que Aristóteles perguntaria em meio: como se tipifica algo que não tem definição objetiva?”

Ele concluiu: “Não faltava lei no Brasil, já existem Maria da Penha, feminicídio, lesão corporal, ameaça, injúria, stalking e uma dezena de dispositivos contra violência real. O que faltava era uma mordaça jurídica para calar quem pensa diferente do feminismo radical e sessenta e sete senadores a entregaram por unanimidade porque no Brasil de 2026 é mais fácil votar pela manchete do dia seguinte do que defender a civilização que te elegeu”.

A juíza Ludmila Lins Grilo chamou a atenção para os conceitos vagos do texto: “Quase todos os senadores votaram a favor do mais novo instrumento de perseguição estatal a desafetos: a tal lei da criminalização da misoginia. Acabei de ler o substitutivo aprovado. Como sempre, tipo penal aberto, permitindo ali a inclusão de absolutamente qualquer coisa. Qualquer ‘constrangimento’ a uma mulher poderá ser considerado misoginia. Vou repetir: constrangimento. Se você cobrar uma deputada mulher com severidade, por exemplo, ela poderá alegar constrangimento. Se você fizer um meme com um deputado travesti, também”. Ludmila pergunta: “Se essa lei aberrante for aprovada, quem vai querer correr o risco de contratar mulheres?”

Em suma, que baita tiro no pé da direita no Senado! Espera-se, agora, que os deputados conservadores tenham mais clareza e coragem para enfrentar essa bizarrice sem medo da patrulha esquerdista…

RODRIGO CONSTANTINO

TRUMP VAI VENCER NO IRÃ?

cuba trump

O presidente Donald Trump durante coletiva na Casa Branca

O Irã certamente não é a Venezuela. O buraco é bem mais embaixo quando se parte para cima de um regime como o dos aiatolás xiitas. Várias lideranças já foram mortas, inclusive o próprio aiatolá Khamenei, mas a hidra segue viva, atacando. A Guarda Revolucionária ainda detém o poder e o povo, desarmado, não tem condições de enfrentá-la. Restou a Donald Trump subir o tom das ameaças e buscar alguma negociação.

O presidente dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (23) o adiamento, por cinco dias, de ataques contra a infraestrutura energética do Irã. A decisão, segundo ele, foi tomada após o que descreveu como “conversas muito boas e produtivas” entre Washington e Teerã no fim de semana – versão contestada por autoridades iranianas.

A agência Fars, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, citou uma fonte não identificada que negou qualquer diálogo, afirmando não haver “nenhum contato direto ou indireto com Trump”. Segundo essa fonte, o republicano teria “recuado” após ser informado de que o Irã atingiria usinas de energia na chamada “Ásia Ocidental”.

As falas de Trump têm sido um tanto erráticas, talvez como uma estratégia deliberada para confundir o adversário, talvez por ele realmente estar reavaliando suas opções o tempo todo – e não são opções fáceis. Com o estreito de Ormuz praticamente fechado, por onde passa 20% do petróleo mundial, os preços dispararam e cobram um alto custo, principalmente dos países asiáticos e europeus (os Estados Unidos possuem reservas estratégicas que vêm sendo liberadas no mercado).

Com esse quadro, não faltam reportagens, editoriais e colunas de opinião em tom catastrófico. Muitos, que já eram críticos de Trump, acham que ele cometeu um grave erro ao atacar o Irã e que não possui uma estratégia clara de saída. Alguns já falam numa recessão global por conta da guerra. Nesse contexto tão pessimista, achei adequado trazer a visão mais otimista de Victor Davis Hanson, que estuda guerras há meio século. Para o professor, a maré está virando a favor dos Estados Unidos no conflito. Eis seus principais pontos:

Europeus: Eles nunca tocam num conflito até sentirem o cheiro da vitória. No início? Silêncio total. Agora estão movendo ativos discretamente e oferecendo apoio. Puro cálculo – eles leram o campo de batalha e decidiram de que lado está a vitória.

Estados petroleiros do Golfo: Sauditas, emiradenses, qataris sobrevivem lendo perfeitamente o ambiente. Estão expulsando adidos iranianos, interceptando silenciosamente mísseis iranianos sobre suas capitais, e os Emirados Árabes Unidos acabam de reafirmar seu compromisso de investimento de US$ 1,4 trilhão nos EUA no meio da guerra. Isso não são gestos – são apostas. E eles estão “all-in” na América.

Al Jazeera: A rede estatal do Qatar, que normalmente ataca ações dos EUA (e abriga escritórios do Hamas), agora está chamando a campanha de bombardeios americana de “brilhante” e “subestimada”. Quando o canal que hospeda tanto a maior base aérea dos EUA quanto o Hamas elogia a efetividade americana, a mensagem é inequívoca: eles acham que estamos vencendo.

Realidade militar: A-10 Warthogs e helicópteros Apache estão agora voando em missões de ataque dentro do espaço aéreo iraniano à vontade. Essas plataformas lentas e de baixa altitude só aparecem quando as defesas aéreas inimigas estão efetivamente neutralizadas. Isso confirma o que realmente está acontecendo no terreno.

Por essa ótica, a única cartada do Irã é a opinião pública, torcer para as críticas ao governo Trump aumentarem muito, o que poderia ser prejudicial para as eleições de meio-termo este ano. O veredito de Hanson é que se Trump aguentar o rojão – e ele acha que aguenta – o regime iraniano pode cair. Não em anos, mas logo. Resumo: observe o que as pessoas fazem, não o que elas dizem. Todo jogador com “skin in the game” está apostando na América. Os sinais não mentem.

Joguei no Grok esta opinião, e ele concordou: “A narrativa de que o Irã está resistindo ou virando o jogo não se sustenta nos fatos no terreno: as ações concretas – de aliados regionais a movimentações militares americanas – apontam para uma aposta clara na vitória dos EUA e aliados.Os sinais são consistentes: quem tem algo a perder está alinhado com o lado que parece prevalecer”.

Tomara que sim! O Ocidente precisa neutralizar de vez o regime iraniano, o maior financiador do terrorismo islâmico no mundo. A estratégia democrata, de Obama a Biden, de mandar dinheiro e confiar nos aiatolás se mostrou um fiasco. Estavam apenas empurrando com a barriga o problema, que só cresce. Era hora de agir, e Trump tem coragem de tomar as decisões duras. Será um legado e tanto se ele for capaz de derrubar esse regime nefasto.

RODRIGO CONSTANTINO

FLÁVIO PEDE À MILITÂNCIA QUE PARE DE ATACAR ALIADOS

Pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro acena à elite econômica em evento do BTG Pactual em São Paulo.

Pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, deu entrevista à emissora chilena durante viagem ao país por ocasião da posse do novo presidente de direita José Antonio Kast

O senador Flávio Bolsonaro entrou num Space do X repleto de militantes bolsonaristas e transmitiu um recado muito importante: cerca de 90% de sua campanha será digital, ele precisa do engajamento da militância, mas pediu para que esses seguidores parassem de atacar os próprios aliados, principalmente os pré-candidatos ao Congresso. Foi um reforço a um pedido já feito pelo próprio Jair Bolsonaro, em carta escrita à mão da prisão, também usando a palavra “ataques” entre aliados. Eis um trecho da fala do senador (infelizmente a conversa foi apagada pelo “host” do programa):

Pelo contrário, a gente tem que ajudar ele lá. É um cara que meu pai também gosta muito, já tomou busca e apreensão, é vítima da perseguição igual muitos de nós aqui. Esses detalhezinhos é que eu acho que, na hora, por mais que dê vontade de largar o dedo e fazer uma crítica e tal, pensa que é um ativo do nosso lado. O Gayer é um cara que articula um monte de coisa, ajuda aqui no digital, é um pré-candidato ao Senado lá, e pra gente essa eleição é, na ordem de importância, é Presidência da República, Senado, deputado federal, depois governador e por último deputado estadual, essa é a prioridade, pois todo mundo aqui é maduro o suficiente para entender que o jogo é pesado no Congresso, a gente tem que ter uma base forte lá, e não adianta a gente fazer 100% do Senado e da Câmara e também não ter a presidência. Então, esse ajuste fino só que eu acho que a gente tem que fazer, e por mais que dê vontade às vezes de ir e atacar, provocar, enfim, esfregar a verdade na cara, eu peço que deem uma respirada antes e pensa sempre o seguinte, cara: o que a gente vai ganhar com isso, né?

O senador citou o nome do deputado Gustavo Gayer, pois ele foi alvo de críticas e ataques recentemente, um deles da conta João 8:32, que espalha bastante mentira pelas redes (ironicamente usando o versículo bíblico que fala que a verdade vos libertará). João 8:32 “cobrou” do deputado Gayer: “Deputado, sua prioridade é virar senador ou eleger o presidente Flávio Bolsonaro? Está mais preocupado com seu projeto particular de poder OU com remover o PT elegendo Flávio?” Tudo isso só porque Gayer havia postado um vídeo brincando que sua filha adolescente fazendo sua pré-campanha tornava um Sidônio desnecessário. Flávio já havia respondido no X:

Gayer, você é um cara preparado, leal e também é vítima da covarde perseguição política que enfrentamos nos últimos anos!Você é nosso pré-candidato ao Senado em Goiás e peça fundamental para resgatarmos o nosso Brasil!Siga firme, produzindo os conteúdos que achar necessários para defender nossos princípios e denunciar o desastre do governo lula para nossa Nação!Vamos pra cima, mermão!

Trocando em miúdos, Flávio está desautorizando essa militância mais fanática, que se diz “bolsonarista raiz” e quer ser mais bolsonarista do que o próprio Jair e Flávio. São pessoas que passam o dia caçando “traidores” à direita, dedicando sua energia para atacar (e não são apenas críticas ou cobranças, como alegam) gente do Partido Novo, a revista Oeste, a Gazeta do Povo, Ludmila Lins Grillo, Ana Paula Henkel, Nikolas Ferreira e eu, entre outros com longa trajetória de defesa dos valores da liberdade. Como perguntou o próprio Flávio, o que sua campanha ganha com isso?

Em breve essa gente vai se dizer mais bolsonarista do que a própria família. Eis a reação da conta João 8:32 após a fala do Flávio no Space: “A dinâmica das redes sociais é algo novo para o Flávio, que sempre focou na imprescindível articulação política. Mesmo assim meu amigo Flávio Bolsonaro reconhece que 90% da campanha virá do digital, de forma orgânica! Seguirei cobrando quem faz corpo mole (pra dizer o mínimo)! A vantagem de sermos uma militância aguerrida, descoordenada e SEM COLEIRA é poder cobrar a TODOS, algo que um candidato não pode fazer, pois deve focar em agregar!” Ou seja, vai ignorar o pedido do próprio Flávio, pois sabe melhor do que ele qual o seu papel na campanha, e porque o senador não tem experiência em rede social…

Nesses dias, Eduardo Bolsonaro havia compartilhado uma postagem dessa conta João 8:32 atacando o deputado Nikolas Ferreira com uma escancarada mentira: um vídeo em que Nikolas chamava Ricardo Nunes de “copo de veneno”, e que ocultava um trecho para dar a entender que ele se referiu assim ao Mello Araújo, vice da chapa que foi colocado por Bolsonaro justamente para tentar impedir esquemas tucanos na prefeitura de SP. Depois Eduardo apagou.

Flávio tem adotado o tom certo até aqui, com serenidade, moderação, diálogo, buscando os votos do centro. Essa militância fanática só prejudica, pois implode pontes, cria intrigas sem parar e se dedica muito mais a atacar aliados do Flávio do que seus verdadeiros adversários. Parece até coisa de infiltrado de esquerda!

Aliás, sobre isso, uma conta com o pseudônimo MaverickJoker (@JokMavX) tem tirado o sono dessa turma. Sempre com fatos incômodos, com argumentos embasados, essa conta tem desmascarado muitos desses militantes. Recomendo que sigam, apesar de desconhecer o autor.

RODRIGO CONSTANTINO

NÃO FOI DESSA VEZ…

Wagner Moura ficou sem a estatueta de Melhor Ator por O "Agente Secreto" no Oscar 2026.

Wagner Moura ficou sem a estatueta de Melhor Ator por O “Agente Secreto” no Oscar 2026

O filme O agente secreto não levou nenhuma estatueta no Oscar deste domingo. Nem de “melhor filme”, nem de “melhor ator” para Wagner Moura, que muitos consideravam já um fato consumado. O presidente Lula já tinha até preparado festa para explorar politicamente a “cultura nacional”. Mas não foi dessa vez. Quem sabe no próximo filme sobre nossa ditadura, não a atual, que os artistas não enxergam, mas o regime militar?

“Torceu contra, Rodrigo?” Algumas pessoas apontam que é falso o patriotismo de quem não torceu pelo diretor e pelo ator. Uma concepção equivocada de patriotismo. O que essa turma de esquerda faz é usurpar a arte para fins políticos e eleitorais. Wagner Moura deu várias entrevistas nos Estados Unidos: só falava de Bolsonaro! Parece uma obsessão…

Ficou com seu discurso de vencedor entalado na garganta, mas podemos especular o teor. Certamente atacaria o governo Bolsonaro e bancaria a vítima de perseguição, traçando um paralelo entre o regime militar e o governo do ex-presidente, em vez de constatar o óbvio: hoje é que vivemos um regime de exceção, implantado pelo consórcio PT-STF, justamente aquele defendido por artistas como Wagner Moura.

Portanto, eu respondo: sim, torci contra. E fiquei feliz com o resultado. O Brasil não precisa desse ufanismo patético regado a recursos públicos. São nos regimes comunistas que a “arte” se presta ao papel de ser instrumento dos tiranos e corruptos. Não haveria qualquer “orgulho nacional” se nosso Oscar fosse para um filme “lacrador” ou para um ator militante.

Aliás, parêntese: que papelão ridículo o de Javier Bardem. Chegou gritando “Sem guerra” e “Libertem a Palestina”. Os clichês de sempre. Sobre os cerca de 40 mil iranianos massacrados pelo regime dos aiatolás xiitas defendido por Lula, nem uma só palavra! Como a “empatia” dessa gente é seletiva, não é mesmo? Fecho o parêntese.

Artista adora escolher “causas nobres” para chamar a atenção e pagar pedágio para uma indústria tomada por “progressistas”. Seria, então, vexaminoso para um brasileiro patriota, decente, honesto, ter de ver um vitorioso Wagner Moura enaltecendo o que não presta e mentindo sobre o período em que o país estava justamente se endireitando.

Mas tudo bem. A Lei Rouanet vai continuar irrigando os cofres dessa turma que só tem esse tema único na cabeça, novos filmes serão feitos sobre nossa “terrível ditadura militar”, e nada, absolutamente nada será produzido para expor os atuais tiranos corruptos, aqueles que realmente censuram, perseguem, prendem e, como Clezão pode atestar, matam.

RODRIGO CONSTANTINO

IMPRENSA SOB ATAQUE… FAZ TEMPO!

Associações de imprensa e entidades da categoria dos jornalistas divulgaram nesta quinta-feira (12) notas públicas em que criticam a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de determinar uma operação contra um jornalista maranhense.

As entidades declararam ver risco de um “precedente preocupante” no exercício da profissão, com “intimidação” à prática profissional do jornalismo e ao princípio constitucional do sigilo de fonte. Luís Pablo Almeida, autor do blog do Luís Pablo, teve celulares e um notebook apreendidos na terça-feira (10) em uma operação de busca e apreensão em sua casa, após reportagens em que informou sobre um suposto uso irregular de veículo oficial do TJ-MA pelo ministro do STF Flávio Dino.

Para a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), a operação contra Luís Pablo “coloca não apenas o repórter sob risco, mas todos os jornalistas brasileiros”. A Abraji considerou a ação “insuficientemente fundamentada” e disse que a decisão de Moraes não teve “indicação de erro factual nas reportagens”. A Abraji conclui dizendo que a apreensão de bens viola o sigilo de fonte e se coloca à disposição do jornalista.

A dúvida que surge é por onde andava essa turma nos últimos sete anos. Afinal, os abusos supremos contra jornalistas não começaram agora, nesse caso bizarro do Maranhão, mas vêm se arrastando faz tempo. Várias foram as vítimas do arbítrio de Moraes, e parece que justamente as categorias ligadas ao jornalismo não foram capazes de enxergar.

O advogado André Marsiglia comentou: “A imprensa está sob ataque há 7 anos, desde o início do inquérito das Fake News, mas as associações de imprensa descobriram só agora, quando os ataques passaram a sair no Jornal Nacional”. Ele chega a questionar para que servem essas associações nesse contexto.

A publicação de Vera Magalhães resume bem a postura de boa parte da imprensa antes. A jornalista postou um desenho de um juiz careca segurando a Constituição e os dizeres “vigiar e punir, gostoso demais”. Essa gente achou que a água do autoritarismo nunca bateria em seus bumbuns? Seu colega, o “liberal” Pedro Doria, chegou a escrever: “Fechar o X é uma tragédia, mas Moraes não tinha escolha”. Oi?

Não podemos esquecer que muitos desses jornalistas foram cúmplices de Moraes até aqui. Só agora parecem preocupados. Leandro Ruschel resgatou vários casos de jornalistas e influenciadores perseguidos, que passaram despercebidos pela nossa velha imprensa. A lista é grande: Guilherme Fiuza, Paulo Figueiredo, Alexandre Garcia, eu mesmo, entre tantos outros. Onde estavam esses jornalistas que agora temem os abusos supremos? Hibernando?

Antes tarde do que nunca, diz o ditado. Mas seria recomendável que ao menos esses jornalistas e suas associações fizessem um mea culpa, reconhecessem em público que erraram, que ajudaram a alimentar um monstro. O problema é que, ao fazer isso, eles jogariam por água abaixo aquela narrativa patética de que Moraes e seus comparsas estavam “salvando a democracia” ao mirar em “blogueiros bolsonaristas”…

RODRIGO CONSTANTINO

TCHAU, HADDAD!

O diretório estadual do PT em São Paulo confirmou que Fernando Haddad (PT) será o candidato ao governo do estado.

Fernando Haddad preferia disputar o Senado em São Paulo, mas concorrerá ao governo para atender a um pedido do presidente Lula

“Diante das alternativas, Haddad fez boa gestão na Fazenda”, afirmou o editorial da Folha de SP. Para o jornal, o ministro “resistiu às ideias desastrosas do PT, manteve bons técnicos na equipe e a imagem proba”. Por fim, seriam bons “os indicadores em emprego e PIB, mas efeitos nefastos da leniência de Lula com déficits tendem a se manifestar nos próximos anos”.

Que bizarro! O ministro só fez aumentar arrecadação tributária e dívida pública, e ainda assim é elogiado pela Folha por não ter implodido de vez com a economia, como Lula queria! Que régua baixa dessa turma! O começo da frase já revela tudo: diante das alternativas. Ou seja, Haddad está sendo “elogiado” pelo jornal porque poderia ter sido ainda pior a gestão econômica lulista!

Vamos lá: o PIB não afundou, mas o crescimento não é nada demais. Um país como o Brasil crescer pouco mais de 2% é pouco, e a Argentina, com as reformas liberais de Javier Milei, vai crescer mais do que o dobro disso.

No mais, o povo sente no dia a dia uma realidade diferente, e isso talvez tenha ligação com a qualidade do PIB, que piorou. O agro puxa o grosso do crescimento, e o governo expande seu papel na economia, o que não é sustentável. Indústria e comércio patinam. E não podemos deixar de lado a desconfiança com os indicadores oficiais: até o Ministério Público pediu o afastamento de Marcio Pochmann do IBGE, pois suas decisões suspeitas de afastar técnicos indicam uma possível manipulação dos dados.

O emprego não está mal na fotografia, mas é preciso levar em conta que ele é medido com base em quem está procurando trabalho sem encontrá-lo. Ora, com 94 milhões de brasileiros em “programas sociais”, claro que isso reduz o incentivo para buscar formalmente emprego. Mas, novamente, não é sustentável. O melhor programa social que existe, como sabia Reagan, é justamente o trabalho.

As famílias estão mais endividadas, os pedidos de recuperação judicial cresceram cerca de 20%, e o clima é de apreensão. A economia tende a ser um tema importante em eleições, e a taxa de rejeição de Lula vem subindo, o que indica justamente que a situação econômica real não é tão “bonita” quanto alguns números mostram. A realidade é diferente, a taxa de juros segue muito elevada por culpa do governo perdulário, e se a fotografia não é das melhores, o filme é ainda pior: a dinâmica aponta para indicadores fiscais terríveis em 2027, já que o governo se mostrou incapaz de aprovar reformas estruturais e reduzir despesas.

Celebrar, portanto, um ministro responsável por números tão medíocres é realmente um espanto. O governo Bolsonaro, com seu ministro liberal Paulo Guedes, conseguiu reduzir a dívida pública em 3,6 pontos percentuais, apesar da pandemia. Com Haddad e Lula, essa dívida saltou sete pontos percentuais! O governo petista é pior do que o vírus chinês, eis a conclusão. O economista Adolfo Sachsida, diante desses dados, comentou:

Tenho muito orgulho de ter feito parte de uma das melhores equipes econômicas da história do Brasil: a equipe liderada por Paulo Guedes e pelo presidente Jair Messias Bolsonaro.Foi um período de intenso trabalho, marcado pelo compromisso com as reformas e pela dedicação ao futuro do Brasil. Vale lembrar que enfrentamos circunstâncias absolutamente extraordinárias: a maior pandemia em 100 anos, a mais severa crise hídrica em um século e a maior guerra na Europa em 75 anos. Ainda assim, seguimos trabalhando com responsabilidade para preservar a economia e preparar o país para o futuro.

De fato, o governo Bolsonaro entregou bons resultados apesar desse contexto, e deixou a casa em ordem para seu sucessor. Lula, uma vez mais, colocou tudo a perder, as estatais voltaram a dar enormes prejuízos, o rombo fiscal aumentou e a arrecadação tributária bateu recorde, mostrando que o problema não é falta de recursos. Quem é que pode comemorar algo assim? O brasileiro morre de saudades de Paulo Guedes, isso sim. Para azar de Haddad, um sujeito medíocre, sua base de comparação é nada menos do que o melhor ministro da Economia que já tivemos.

Haddad já vai tarde! Foi um dos piores prefeitos de São Paulo, e agora se mostrou um ministro cujo “grande feito” foi não ter destruído de vez com todo o legado de Guedes. O próximo passo é perder a disputa para o governo de São Paulo para o atual governador Tarcísio, outro ministro importante do governo Bolsonaro, que entregou ótimos resultados e tem feito uma boa gestão no estado mais rico do país. Eis a diferença mais básica entre a esquerda e a direita: somente a direita entrega realmente bons resultados!

RODRIGO CONSTANTINO

GILMAR MENDES CAVA PÊNALTI DA NULIDADE

Gilmar Mendes

Gilmar Mendes chamou de “barbárie institucional” os vazamentos de conversas íntimas de Daniel Vorcaro, abrindo caminho para pregar a anulação do caso depois

O ministro Gilmar Mendes voltou a ser o grande ícone do garantismo no país. Depois de deixar de lado todas as preocupações com as prerrogativas dos réus, quando o alvo era o bolsonarismo, Gilmar voltou a falar com muita preocupação desse assunto. Chegou a citar “barbárie institucional” para se referir aos vazamentos de conversas íntimas de Daniel Vorcaro:

A exposição pública de conversas de cunho estritamente privado, desvinculadas de qualquer ilicitude, constitui uma gravíssima violação ao direito à intimidade e uma demonstração de barbárie institucional que transgride todos os limites impostos pelas leis e pela Constituição.

Gilmar Mendes ainda puxou da cartola o Dia Internacional da Mulher, para dar uma cartada feminista em seu discurso político. Seu real objetivo, porém, parece ser cavar um pênalti para pregar a anulação do caso na frente, como esse trecho deixa transparecer: “Ao permitir a publicação de diálogos íntimos de um casal, o Estado e seus agentes não apenas falham em seu dever de guarda, mas desrespeitam a legislação, que impõe categoricamente a inutilização de trechos que não interessam à persecução penal”.

A “cadeia de custódia” estaria ameaçada, e essa narrativa prepara o terreno para considerar tudo nulo depois. Mas Gilmar Mendes foi rebatido por vários especialistas, e tomou até nota dos leitores no X: “O ministro deveria atentar-se para o artigo 36 inciso III da LC 35/1979 (LOMAN), que proíbe magistrados de manifestarem, por qualquer meio, opinião sobre processos pendentes. Observe a lei para preservar a imparcialidade”.

O advogado Emerson Grigollette escreveu um longo texto rebatendo o ponto de vista de Gilmar Mendes, que começa já refutando o cerne da questão: “O Ministro vai me desculpar, mas o que chama de ‘necessidade’ na realidade é sua vontade de mudar a lei que já regula a matéria. Esse ponto trazido em seu post já foi exaustivamente debatido quando da aprovação da LGPD e após amplo debate, decidiu-se que, o interesse público (como crimes, por exemplo) se sobrepõe ao interesse particular (intimidade e privacidade) nas situações abaixo que, aliás, não são fruto do meu entendimento, mas do expresso texto da LGPD já vigente”.

Em seguida, Grigollette apresenta a lei que Gilmar Mendes parece desconhecer, e conclui: “Logo, o caso envolvendo o Banco Master, o escândalo do INSS e de várias outras situações onde há indícios criminais gravíssimos, sobretudo, quando possam estar envolvendo autoridades brasileiras, obviamente não estão amparados pela LGPD, não havendo fundamento legal para sustentar o sigilo desses casos com base na LGPD”.

A jornalista Paula Schmitt contestou a publicação de Gilmar Mendes por outro ângulo, comparando sua postura de agora com aquela na Lava Jato: “Mas o senhor não defendeu a operação de kompromat conhecida como Vaza Jato? Não houve a revelação de milhares de conversas privadas sem qualquer relevância jurídica, usadas apenas para humilhação pública e chantagem?” Marina Helena abordou outro aspecto, que é a falta de senso de prioridade do ministro: “De todas as 129 milhões de revelações, o que chocou o senhor foram os diálogos íntimos do casal?”

Em suma, pode-se até questionar se o vazamento das conversas íntimas merece críticas, mas certamente esse ponto é totalmente periférico ao que realmente interessa ao país nesse escândalo. Serve para alguns memes engraçados nas redes sociais, ou para o povo da fofoca se interessar mais pelo que se passa no caso do Banco Master, mas aquilo que realmente importa é a relação promíscua entre o banqueiro fraudulento e ministros do STF.

Em qualquer país sério, Moraes e Toffoli já teriam sido afastados de seus cargos e estariam no banco dos réus sob investigação, com seus celulares apreendidos pela Polícia Federal. Cada dia que passa é um dia a mais para esses ministros destruírem provas e apagarem rastros deixados nesse esquema com o mafioso banqueiro. Mas quem tem coragem de agir para garantir a Justiça nesse país?

RODRIGO CONSTANTINO

CASAL NA DEFENSIVA

O advogado André Marsiglia resumiu bem a situação: “Estamos diante de uma encruzilhada incontornável: ou a Globo mente sobre Moraes, ou Moraes mente sobre as reportagens da Globo. Se a Globo mente, por que não está respondendo, como tantos responderam, no inquérito das fake news? Se Moraes mente, precisa cair e ser investigado”.

Eu mesmo tinha escrito esses dias: em outros tempos, por muito menos, Moraes já teria prendido Moraes ou incluído Malu Gaspar no inquérito do fim do mundo. Moraes não é mais o mesmo! Está acuado, desmoralizado, sendo cobrado por quem antes o chamava de “muralha” e fingia acreditar que seu abuso de poder era para “salvar a democracia”.

Até mesmo sua esposa se manifestou pela primeira vez sobre o contrato “suspeito” com o Banco Master. Viviane de Moraes disse que foram quase cem reuniões e 36 pareceres para o banco de Daniel Vorcaro. Puxa vida! Como o contrato era de R$ 129 milhões, isso dá R$ 3,6 milhões por parecer! Era justamente o valor mensal que o escritório da família de Moraes recebia. Não há, no mundo jurídico, contrato similar, com cifras tão elevadas.

Lygia Maria, em sua coluna na Folha de SP, começa constatando uma verdade inapelável: “Só numa república bananeira como o Brasil um juiz da corte constitucional que tem relações com o líder de uma organização criminosa ainda não foi – e tudo indica que não será – investigado”. Moraes, afinal, foi pego com batom na cueca, como diz o título de sua coluna. Lygia conclui:

Num país sério, Paulo Gonet, o procurador-geral da República, já teria pedido abertura de investigação contra Moraes para apreender seu celular. Mas esperar por Gonet é como esperar por Godot, da peça de Becket. O Brasil é um teatro do absurdo. Assim, se o caso for mantido no STF, o juiz com batom na cueca pode vir a participar do julgamento do seu amigo mafioso. Traição suprema aos brasileiros.

A colunista da Folha já vinha adotando uma postura mais firme de cobrança aos abusos supremos faz tempo, mas a novidade é que inúmeros de seus pares na velha imprensa também passaram a fazê-lo. Gente que antes tratava Moraes com respeito e até deferência, como se ele fosse mesmo o guardião da democracia contra “golpistas”, agora demanda explicações abertamente sobre o que já veio à tona no caso do Banco Master. Moraes não estava acostumado a ser alvo de cobranças, e não está sabendo como reagir. Se declarar guerra total aos veículos de comunicação, isso pode marcar um fim trágico ainda mais rápido para quem se achava um deus do Olimpo.

Até mesmo o campo da esquerda parece ter abandonado Moraes. Leandro Demori escreveu: “O contrato que ‘não existia’. Quem espalhou a tese (sem nenhuma prova) vai se retratar? Não, não vai. Os fatos já não importam mais. Irão dobrar a aposta e dizer que não tem nenhum problema”.

Não dá mais para negar o contrato que a própria Viviane Moraes admitiu, e a tentativa de explicar o serviço prestado ficou ainda pior. João Luiz Mauad comentou: “Segundo entendi da nota que o escritório da doutora Viviane demorou quase dois meses para divulgar, o escopo do contrato de R$ 129 milhões envolvia principalmente a elaboração e revisão de manuais de compliance e código de ética, que você encontra já prontinhos na internet ou pode mandar produzir a seu gosto por qualquer programa de IA disponível no mercado”.

Mauad acrescentou: “Sugestivo também é o fato de que, além de caríssimos, esses serviços também se mostraram bem ineficazes, afinal, como estamos vendo agora, a quebra do banco se deu principalmente pela total falta de ética, conformidade e governança, tanto que a operação da PF no Master se chama Compliance Zero”.

Ou seja, a emenda foi pior do que o soneto, e ninguém acredita nessa versão fantasiosa. A grana era, ao que tudo indica, para contratar os serviços do próprio Alexandre de Moraes. Serviços esses ilegais, de lobista, de quem, tal qual uma muralha, pudesse bloquear até ordem de prisão do banqueiro fraudulento…

RODRIGO CONSTANTINO

A MÁFIA

DANIEL VORCARO

Manifestantes exibem cartaz com o rosto de Daniel Vorcaro e os dizeres: “Vorcaro Ladrão”

O editorial do Estadão hoje fala de “Uma máfia no coração do poder”. De fato, a palavra que melhor descreve essa “turma” do Vorcaro é máfia. Tinha o núcleo do serviço sujo, com policial e com sicário, tinha o núcleo das propinas para cooptar autoridades, tinham as conexões do próprio banqueiro para garantir acesso aos esquemas fraudulentos com instituições do Estado e tinha uma leva de jornalistas e influenciadores na lista de pagamentos para criar pautas favoráveis ao grupo.

O jornal dedica um parágrafo para falar das autoridades mais relevantes que Vorcaro teria colocado no bolso:

Suas relações promíscuas chegam ao coração do sistema de Justiça. O ministro Dias Toffoli, que chegou a fazer negócios com as redes de Vorcaro, assumiu, em circunstâncias estranhíssimas, a relatoria do caso e emperrou o trabalho da polícia por meses. A mulher do ministro Alexandre de Moraes celebrou um contrato multimilionário e mal explicado com o Master. Nenhuma dessas circunstâncias, por si, prova crime. Mas compõem um quadro suficientemente delicado para exigir o mínimo de transparência institucional.

Aqui falta um pouco de coragem e objetividade para chamar as coisas pelos nomes: as “circunstâncias” provam, sim, crimes. Ou alguém acha que é normal um contrato de R$ 129 milhões entre um banco e um escritório da família do ministro supremo sem qualquer prestação de serviço advocatício que justificasse uma mísera fração desse montante? Mas, ao menos, o jornal admite que a postura reativa do STF é comprometedora e suspeita:

O que se viu foi o contrário. Uma Corte na defensiva, e até agressiva, quando investigações se aproximaram de seus membros. Decisões monocráticas intimidaram críticos, bloquearam diligências e interromperam iniciativas de apuração parlamentar. O Tribunal se mostra muito mais ocupado em proteger os segredos de seus ministros do que em dissipar dúvidas legítimas.

E é aqui que mora o cerne da questão: tudo que o STF vem fazendo de ilegal e abusivo desde 2019 tinha como objetivo perseguir políticos e jornalistas honestos para proteger seus esquemas. Vorcaro gostou muito de um encontro com Lula, mas se referiu a Bolsonaro como “idiota” e “beócio” quando ele divulgou uma notícia sobre a Caixa punindo servidores que tentaram justamente impedir um esquema com o Master.

Bolsonaro incomodou muito o sistema corrupto, que reagiu com essa perseguição implacável que culminou numa prisão totalmente injusta. O STF foi atrás de jornalistas independentes que denunciavam esses abusos, pois isso ameaçava os próprios esquemas. Flavio Gordon, colunista da Gazeta do Povo, comentou: “A CENSURA e a CORRUPÇÃO são irmãs siamesas. O inquérito das fake news sempre teve essa única função: autoproteção mafiosa”.

Nesse contexto, podemos dar as boas-vindas a essa turma da velha imprensa na luta contra os abusos supremos, mas não sem antes lembrar do papel que teve até aqui. O Globo, por exemplo, soltou nota de repúdio contra as ameaças descobertas contra seu jornalista Lauro Jardim, alegando que não vai se intimidar. Eis o conteúdo da nota:

O GLOBO repudia veementemente as iniciativas criminosas planejadas contra o colunista Lauro Jardim, um dos mais respeitados jornalistas do país. A ação, como destacado pelo ministro André Mendonça, visava ‘calar a voz da imprensa’, pilar fundamental da democracia. Os envolvidos nessa trama criminosa devem ser investigados e punidos com o rigor da lei. O GLOBO e seus jornalistas não se intimidarão com ameaças e seguirão acompanhando o caso e trazendo luz às informações de interesse público.

Ótimo! Uma pena o jornal não ter adotado a mesma postura quando “a turma” tentava calar na marra Allan dos Santos, Oswaldo Eustáquio, Paulo Figueiredo, Guilherme Fiuza e este que vos escreve, entre tantos outros. A mídia estava hibernando nessa época, assim como a OAB e tantas entidades que poderiam e deveriam ter atuado para conter o monstro que hoje ameaça engolir geral. O Estadão conclui seu editorial:

A prisão de Vorcaro pode representar o início de uma investigação que finalmente ilumine essas conexões e puna os cúmplices de fraudes multibilionárias. Ou pode ser apenas mais um episódio a se diluir no ciclo habitual de crises nacionais. O que se desenha é uma nova disputa: não entre este ou aquele grupo partidário, nem entre tal ou qual Poder ou instituição, mas entre a banda podre de Brasília (distribuída por todos os Poderes, partidos e instituições) e a banda republicana. O desfecho do caso Master revelará ao Brasil qual delas realmente predomina no coração do poder.

De fato, não é uma disputa entre esquerda e direita, mas entre quem quer combater a corrupção e quem quer impunidade, similar ao que ocorreu na Lava Jato. Tomara que a ala republicana possa vencer essa guerra, apesar de um histórico favorável aos corruptos em nosso país…

RODRIGO CONSTANTINO

UMA MISTURA DE EPSTEIN COM AL CAPONE

O banqueiro Daniel Vorcaro, do liquidado Banco Master

Com autorização do ministro André Mendonça, Daniel Vorcaro e seu cunhado foram presos novamente nesta quarta. Mendonça resolveu tirar o sigilo da decisão, da qual a PGR foi contra. Paulo Gonet não viu ameaça no banqueiro fraudulento, mesmo que, em mensagens num grupo de WhatsApp, ele falasse em “dar um pau” e “quebrar todos os dentes” do jornalista Lauro Jardim, entre outros. O PGR, porém, defendeu a prisão dos inocentes do 8 de janeiro, de Filipe Martins, de Bolsonaro e de tantos outros.

O Brasil foi mesmo dominado por uma máfia. Vorcaro, que teve R$ 22 bilhões sequestrados na operação, parece uma mistura de Jeffrey Epstein com Al Capone. Suas festinhas no “Cine Trancoso” serviam para atrair e intimidar autoridades, enquanto essa postura de tramar agressões é típica de mafiosos como Al Capone.

Vorcaro investiu bastante em “conexões”, ou seja, tentou comprar quem estava à venda em Brasília. Contrato de R$ 129 milhões com o escritório da família de Alexandre de Moraes, recursos para o resort da família de Dias Toffoli e por aí vai. Se ele delatar, o que se tornou mais provável com sua volta à prisão, muita gente poderosa vai tremer nas bases. Vorcaro é um gângster, mas não lhe faltam cúmplices…

Enquanto isso, a esquerda e uma ala da direita “bolsonarista” partiram para cima de Nikolas Ferreira após Malu Gaspar relatar que o deputado viajou num jatinho que era de uma empresa com vários sócios, entre eles Vorcaro. Isso há quatro anos, para fazer campanha para Jair Bolsonaro. À época, Vorcaro não era tido como criminoso, e Nikolas sequer organizou a logística das viagens. Era apenas um convidado.

Nada disso importa para quem quer apenas difamá-lo e desgastá-lo. Até Tabata Amaral embarcou nessa, ignorando que recebeu em seu casamento o ministro Moraes. Ou seja, os R$ 129 milhões, já conhecidos do público, não a impediram de achar adequado ter na festa um “companheiro” de Vorcaro, mas Nikolas aceitar carona num avião fretado virou o problema. É pura desonestidade, claro.

A esquerda, aliás, faz de tudo para barrar a CPI do Master, enquanto Nikolas luta por sua instalação. As ações falam mais alto do que as palavras. Kriska Pimentinha, ligada ao PT, chegou a publicar um claro briefing da Secom com uma estratégia para atacar Nikolas, que também foi alvo da turma “australiana” que se diz bolsonarista raiz, mas não respeita os pedidos do próprio Jair Bolsonaro.

O grupo de WhatsApp de Vorcaro se chamava “a turma”, mas se trata de uma turma de milicianos, de bandidos. Que André Mendonça siga no bom caminho e autorize o trabalho da Polícia Federal com toda a autonomia que ela precisa para avançar nas investigações. Tem muita gente envolvida nesse escândalo do Master. Que todos eles paguem por seus crimes!