RODRIGO CONSTANTINO

LICENÇA PARA OFENDER

Júlia Zanatta

Um servidor da Secretaria de Saúde de Santa Catarina, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), foi identificado como o autor de ofensas enviadas à deputada federal Julia Zanatta (PL-SC)

Um servidor da Secretaria de Saúde de Santa Catarina, filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), foi identificado como o autor de ofensas enviadas à deputada federal Julia Zanatta (PL-SC). A Polícia Legislativa Federal (PLF) o indiciou por ameaça, injúria e difamação, com agravante por terem sido praticadas via e-mail e contra funcionária pública no exercício da função de parlamentar federal.

“Vai te f*der, desgraçada, criminosa, mentirosa, nojenta… Larga desse crucifixo no pescoço, sua falsa cristã”, diz trecho do conteúdo ofensivo. “Todo o apoio ao Alexandre de Moraes, aos ministros do STF, ao presidente Lula (o melhor desse país até hoje) e a próxima a ir para a cadeia será você, sua ratazana de esgoto. Ah, não… as ratazanas são mais evoluídas e não quero ofendê-las… Você não passa de uma bactéria patogênica, nociva”, emendou o agressor.

Algumas pessoas confundem liberdade de expressão com “licença para ofender”, ou críticas com xingamentos. Essa confusão causa muito mal à própria liberdade de expressão. O que os liberais sempre defenderam foi liberdade com responsabilidade. A resposta a quem é ofendido tem que ser na Justiça, não em inquérito ilegal do Alexandre de Moraes, claro. O ministro, aliás, é defendido pelo servidor.

Outra confusão comum que muitos fazem é entre liberdade de expressão e tolerância obrigatória na própria propriedade do indivíduo. Se alguém vai à conta do outro xingar e recebe um “block”, isso não é “censura”, mas o legítimo direito do proprietário da conta de manter sua página livre de ofensas. Infelizmente, há até gente que se diz de direita e que não entende isso, reproduzindo as falácias da esquerda.

Por falar em liberalismo, há uma campanha, que não é de hoje, para misturar o liberalismo clássico (que merece muitos elogios) e o “liberalismo” no sentido americano, que é “progressismo” de social-democrata. A Folha de SP faz sempre essa mistura, por exemplo. O “pai do conservadorismo”, Edmund Burke, era um liberal whig. Quem mistura deliberadamente os termos o faz de propósito, para atacar o liberalismo bom, aquele de Paulo Guedes, por exemplo, buscando confundi-lo com a turma “progressista” do Arminio Fraga. É pura perfídia…

Se o STF de Moraes confunde de propósito qualquer crítica com “ataque”, para justificar seu abuso de poder, isso não quer dizer que ataques de verdade não existam – o que não justifica inquérito ilegal e autoritário. Quando a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro é chamada de “p*ta”, por exemplo, isso foge totalmente ao escopo de uma crítica. É ataque, sim, é injúria e merece resposta na Justiça. Os liberais clássicos entendem bem isso. Os petistas e alguns que se dizem “bolsonaristas” não. Buscam uma licença para ofender e fazem isso em nome da preciosa liberdade de expressão.

RODRIGO CONSTANTINO

MANIFESTAÇÕES

Flávio Bolsonaro Avenida Paulista

Flávio Bolsonaro participou do ato “Acorda Brasil” na Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (1º)

As manifestações deste domingo encheram as ruas de Belo Horizonte e São Paulo. Tinha bastante gente, apesar da turma do Pablo Ortellado falar em vinte mil pessoas. Acima de tudo, a imagem de um povo unido que perdeu o medo de protestar é importante, pois cabe lembrar que o sistema fez de tudo para intimidar a população com aquelas punições absurdas do 8 de janeiro. O povo perdeu o medo e retomou as ruas. Todo poder emana do povo.

O senador Flávio Bolsonaro foi bem. Alguns reclamaram que ele não bateu de frente com ministros do STF, evitando citar nomes. Mas é compreensível: Flávio é pré-candidato e precisa transmitir a imagem de moderado, além de saber dos riscos envolvidos num ambiente em que STF e TSE vêm perseguindo a direita. Ele preferiu focar no Lula, seu adversário direto, mostrando como seu desgoverno está destruindo o Brasil uma vez mais.

Já Nikolas Ferreira subiu o tom e falou que o destino adequado de Alexandre de Moraes não é o impeachment, mas a prisão. Good cop, bad cop. Enquanto Flávio manda um recado mais suave e “presidenciável”, o jovem deputado desce a lenha nos ministros do STF e lembra como os conservadores têm sido alvos desse abuso de poder.

Além de Flávio e Nikolas, vários outros políticos e lideranças estiveram presentes, como o governador Zema e o pastor Silas Malafaia. O recado, aqui, também é claro: é hora de união contra o lulismo! É hora de deixar as divergências e as intrigas de lado, como o próprio Jair Bolsonaro pediu em carta. Parem de atacar Michelle e Nikolas, cada um vai ajudar na campanha à sua maneira e o importante é todos terem em mente o objetivo comum de derrotar Lula.

Nikolas, inclusive, desabafou depois no Programa 4por4, mostrando como há uma patota barulhenta nas redes sociais que vive para desgastá-lo. Nada do que ele faz está bom para essa turma. Que, aliás, é incoerente: ora Nikolas não tem votos, pois todos são do “bolsonarismo”; ora ele tem que participar mais, pedindo votos para o Flávio. No fundo esse pessoal quer mesmo criticar e gerar divisão, mas como Nikolas mostrou, eles não têm real influência fora da bolha das redes sociais.

Enquanto a direita mostra união e força, o governo contrata pesquisa para entender por que Lula segue caindo. Não precisavam gastar o dinheiro. Os motivos são óbvios: segurança pública não é uma prioridade do governo, a economia vai mal e os escândalos de corrupção voltaram com tudo. Lulinha, inclusive, está envolvido no caso do INSS e admitiu a interlocutores que teve voo e hotel pagos pelo “Careca do INSS” e viagem a Portugal. Sua situação é cada vez mais complicada, o que explica o desespero da bancada petista na CPMI, partindo para a agressão contra o presidente após a aprovação da quebra de sigilo fiscal do filho de Lula.

Nunca é recomendável subestimar a força petista, ainda mais com a máquina estatal na mão. As medidas populistas seguem a todo vapor. Mas as chances da direita derrotar o lulismo aumentam a cada dia. Flávio vem fazendo bem sua parte, com postura ponderada e pregando união. Esse é o caminho para aposentar de vez o ladrão que voltou à cena do crime, segundo seu próprio vice…

RODRIGO CONSTANTINO

O TAPA DO DESESPERO

Lulinha sigilo

Empurra-empurra e confusão marcam aprovação da quebra de sigilo fiscal do filho do presidente, Fábio Luiz, o Lulinha

A votação da CPI do INSS que resultou no pedido de quebra de sigilo do filho do presidente Lula virou um cabo de guerra entre governo e oposição. Entre as alternativas estudadas está contestar no Supremo Tribunal Federal (STF) a legitimidade da aprovação do requerimento. Aliados do governo também avaliam pedir uma nova votação dos requerimentos. A base governista também tenta um acordo político com Alcolumbre.

O PT é e sempre foi um mau perdedor. Gleisi Hoffmann já chamou de “golpe” o ocorrido. É sempre a mesma coisa: quando o PT ganha, foi a democracia; quando perde, houve um golpe. O discurso já é manjado, assim como o tradicional apelo ao “tapetão”, ao STF, judicializando a política.

Mas dessa vez o desespero petista ficou mais escancarado. Ele pode ser ilustrado pelo tapa que o deputado Rogério Correia deu em Luiz Lima, do Partido Novo. A violência também é uma marca histórica da esquerda radical. Eles exalam “amor”, só que não. Na prática, consideram sua violência “redentora”, pois buscam o monopólio das virtudes. Seus “nobres” fins justificam quaisquer meios.

“Eles precisam apanhar nas urnas e nas ruas”, disse Zé Dirceu convocando a militância contra o tucano Mario Covas, que acabou, de fato, agredido naquela campanha. Quando o petista Maninho empurrou um empresário contra o para-choque de um caminhão, Lula saiu em sua defesa: “Esse companheiro, o Maninho, por me defender, ficou preso por sete meses. Isso porque resolveu não permitir que um cara ficasse me xingando na porta do Instituto Lula”. Esse é o PT, cujo líder justifica a violência quando é para “defendê-lo”.

Agora o PT faz de tudo para tentar blindar Lulinha. Não quer investigações, mesmo com evidências de que o filho de Lula recebia mesada de R$ 300 mil do “careca do INSS”. Esse escândalo bateu à porta da casa de Lula faz tempo, envolvendo seu irmão e agora seu filho. Lula, tentando bancar o intransigente com malfeitos, ainda disse que chamou seu filho e disse que, se ele tivesse praticado algum crime, pagaria por isso. Só não contou o que respondeu seu filho depois…

Em ano eleitoral, tudo isso tem produzido bastante desgaste ao presidente, que busca a reeleição e um quarto mandato. O povo esquecido lembrou que PT é sinônimo de corrupção. Algumas pesquisas já colocam Lula e Flávio Bolsonaro em empate técnico. Temos ainda o desgaste por contada economia, que não vai bem, e da segurança pública, pauta prioritária do eleitor e que o governo se mostra totalmente incapaz de agir em prol da população – preferindo chamar traficante de vítima do usuário.

Por mais que o PT tente melar a aprovação da quebra de sigilo de Lulinha no Congresso, parece que é tarde demais: a própria Polícia Federal já teve autorização do ministro André Mendonça para quebrar seu sigilo. Lulinha vem ganhando muito dinheiro com atividades suspeitas faz tempo. Era monitor de zoológico e logo depois vendeu por milhões a empresa Gamecorp para a Oi, que se beneficiou de uma mudança na Lei Geral de Telecomunicações assinada por seu pai, então presidente, que permitiu a compra da Brasil Telecom pela mesma Oi. Coincidência, claro…

Agora esse sujeito, chamado de “Ronaldinho do Lula”, de “fenômeno”, terá suas contas expostas e investigadas pela PF e pela CPI. Coisa boa não deve sair dali. Quando o escândalo do INSS estourou, Lulinha se mandou para a Espanha, talvez antevendo o problema. Podemos apenas imaginar o que já teria sido feito se fosse um filho de Bolsonaro. Certamente estaria preso…

RODRIGO CONSTANTINO

NEM TUDO É ECONOMIA

Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro mantém tendência de crescimento na pesquisa AtlasIntel desde o anúncio de pré-candidatura à Presidência da República

“É a economia, estúpido!” A frase do assessor de Bill Clinton acabou se tornando uma daquelas “verdades” repetidas desde então. Mas será que ela é mesmo verdadeira? Não resta a menor dúvida de que a economia é um fator crucial em qualquer eleição, mas será que tudo se resume ao quadro econômico? Segundo pesquisa recente, certamente que não.

A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg divulgada nesta quinta (26) indica que a corrupção e a criminalidade são os maiores problemas do país para os brasileiros. A empresa fez a seguinte pergunta aos entrevistados: “Quais são, na sua opinião, os maiores problemas do Brasil hoje em dia?”. Da lista apresentada, era possível selecionar até 3 opções. “Corrupção” foi um problema apontado em 54,3% das respostas, enquanto “criminalidade e tráfico de drogas” apareceu em 53,3%.

Bastante atrás das duas opções apareceram “economia e inflação”, com 19,2%; “violência contra a mulher/feminicídio”, com 16,4%; “extremismo e polarização política”, com 15,7%; “situação da saúde”, com 15,5%, e “situação da educação”, com 15,3%.

Faz sentido, ainda mais em se tratando do Brasil. Para os americanos, a corrupção e a criminalidade não são problemas tão graves assim, então a economia realmente assume um papel muitas vezes predominante, em que pese temas como imigração ou aborto falarem mais alto em certas ocasiões. Mas no Brasil, onde o cidadão corre risco razoável de vida todo dia que sai de casa, e onde Brasília se transformou num antro de corrupção que drena os recursos do povo, há mais foco nessas áreas.

Até porque tudo isso impacta também a economia. Um país tão corrupto assim é um país onde fazer negócios se torna um martírio. A criminalidade afeta diretamente o dia a dia de todos, e ninguém aguenta mais se ver como refém da bandidagem.

A campanha do pré-candidato Flávio Bolsonaro vai focar no tema da segurança pública, e isso pode representar uma enorme vantagem em relação ao ser adversário. Lula, não custa lembrar, disse que o traficante é vítima do usuário, e toda a sua política de segurança parte da premissa esquerdista de que o bandido é uma “vítima da sociedade”. O eleitor, por outro lado, deseja alguém que vá endurecer com os criminosos. Há uma demanda crescente por uma espécie de Bukele brasileiro, e Flávio esteve em El Salvador para ver in loco como foi a política tão bem-sucedida que praticamente eliminou a criminalidade no país.

Já no tema de corrupção, o PT vai tentar nivelar todos por baixo, falando de “rachadinha”, mas o povo não é bobo e percebe como os escândalos voltaram com força durante o governo Lula. Na época de Bolsonaro, o país ficou basicamente 4 anos sem qualquer escândalo de corrupção, a ponto de seus oponentes terem de falar do “crime” de importunar uma baleia! Agora temos o caso do INSS, o escândalo do Banco Master, e tudo bem próximo do presidente. Lulinha, seu filho, já é alvo inclusive de delação no caso do INSS.

E para a surpresa de ninguém, convenhamos. Lulinha já foi chamado de “Ronaldinho” do pai, o “fenômeno” dos negócios. De fato, saiu de monitor de zoológico para milionário que vendeu a Gamecorp para a Oi. Logo depois, seu pai alterou a Lei Geral de Telecomunicações para permitir que a mesma Oi comprasse a Brasil Telecom. Coincidência ou corrupção?

Enfim, nos dois principais tópicos, segundo a pesquisa, Flávio leva grande vantagem. E no terceiro também! Sim, a economia importa, e o povo tem sentido no bolso as consequências da má gestão do atual desgoverno. Os impostos só aumentam, ainda assim o rombo fiscal cresce, pressionando a taxa de juros, e isso tem levado a maior inadimplência. Toda vez que o brasileiro vai ao mercado sente que os indicadores oficiais de inflação mentem, pois a perda do poder de compra da moeda é evidente.

Flávio está com a faca e o queijo na mão para fazer uma campanha demolidora contra Lula, com base nos três principais itens de interesse nacional. Se a eleição for minimamente justa e o TSE for um árbitro imparcial desta vez, então as chances de vitória da direita são boas. Algumas pesquisas já mostram isso, e o PT estaria preocupado. Melhor assim: o Brasil precisa de uma guinada para endireitar aquilo que vem prejudicando tanto sua população sofrida.

RODRIGO CONSTANTINO

TRUMP EXPÕE LOUCURA DEMOCRATA

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa para militares e seus familiares em Fort Bragg, na Carolina do Norte, EUA, em 13 de fevereiro de 2026

O discurso do presidente Donald Trump no “State of the Union” nesta terça (24) foi histórico. Trump é um show man, e dificilmente os republicanos terão outro presidente que combine esse lado um tanto cômico do presidente com suas conquistas concretas no governo. Trump tem o que mostrar em termos de avanços com suas políticas públicas, e sabe fazer isso humilhando seus adversários como poucos. Foi um massacre.

“Levante se você concorda que o principal trabalho do governo americano é proteger o cidadão americano, não os imigrantes ilegais”. Os democratas ficaram sentados. “Que vergonha”, rebateu Trump. Com essa tirada, Trump expôs como os democratas se tornaram contrários aos valores americanos, como parecem odiar a própria América. Ilhan Omar e Rashida Tlaib ficaram gritando contra Trump, o que deu um tom mais bizarro ainda à situação. Como alguém em sã consciência pode discordar de um depoimento tão incontroverso?

Em sua fala, o republicano disse que os Estados Unidos vivem uma “era de ouro” e defendeu os resultados de sua política econômica, de segurança nas fronteiras e de fortalecimento militar. Durante o discurso, Trump afirmou que herdou do ex-presidente democrata Joe Biden um país em crise, com inflação elevada, fronteiras abertas e instabilidade internacional, mas disse que seu governo, em pouco tempo, promoveu uma mudança estrutural. “Nossa nação está de volta – maior, melhor, mais rica e mais forte do que nunca”, declarou Trump. Fatos inegáveis.

Falando sobre imigração e segurança, Trump declarou que os Estados Unidos agora têm “a fronteira mais forte e mais segura da história americana”. Segundo ele, “nos últimos nove meses, zero imigrantes ilegais foram admitidos nos Estados Unidos”. O republicano acrescentou que “o fluxo de fentanil letal através da nossa fronteira caiu em um recorde de 56%” e que, no último ano, “a taxa de homicídios registrou a maior queda da história registrada – o menor número em mais de 125 anos”.

Trump também anunciou oficialmente o que chamou de “guerra contra a fraude” nos EUA, que será liderada pelo vice-presidente J.D. Vance. Como exemplo, citou um caso envolvendo a comunidade somali em Minnesota sobre fraude e desvio de recursos públicos. Trump também defendeu a necessidade de identidade para se votar, o que, novamente, deveria ser medida incontroversa. Os democratas fizeram cara feia, como se filtrar somente cidadãos nas eleições fosse algo errado.

Na área da geopolítica, Trump mostrou resultados e avanços no Oriente Médio, citando o Irã fragilizado, afirmou que está trabalhando duro para encerrar a guerra da Rússia contra a Ucrânia, voltando a dizer que ela sequer teria começado se ele fosse o presidente à época, e mencionou a captura de Nicolás Maduro, o ditador socialista da Venezuela.

No contexto deste assunto, Trump apresentou no plenário do Congresso a venezuelana Alejandra Gonzalez, que se reuniu novamente com seu tio, Enrique, que ficou preso por anos pelo regime de Maduro. Foi um momento comovente e histórico. O presidente também homenageou o suboficial-chefe Eric Slover, apontado como piloto do helicóptero líder na operação que culminou na prisão do líder chavista.

Sobre o combate ao narcotráfico, o presidente Trump lembrou que seu governo designou cartéis mexicanos como Organizações Terroristas Estrangeiras, medida que, segundo ele, ampliou os instrumentos legais e operacionais para combater essas facções. “Por anos, vastas regiões da nossa área, incluindo grandes partes do México, foram controladas por cartéis assassinos”, afirmou.“Com nossa nova campanha militar, paramos quantidades recordes de drogas entrando em nosso país e praticamente interrompemos completamente a entrada por água ou mar”, declarou.

Talvez o momento mais tocante do discurso tenha sido quando Trump citou o assassinato da ucraniana Iryna Zarutska morta no trem quando voltava para casa do trabalho. Sua mãe, Anya, estava presente, e Trump prometeu justiça para sua filha. “Estamos honrados em ter conosco uma mulher que passou pelo inferno”, disse Trump. “Em 2022, ela e sua filha – que filha linda, tão linda, que jovem mulher linda – Iryna fugiram da Ucrânia devastada pela guerra para viver com parentes perto de Charlotte, na Carolina do Norte. E, a propósito, o que está acontecendo com Charlotte?”

Trump continuou contando sobre o assassinato de Iryna Zarutska em agosto de 2025, referindo-se ao suspeito – Decarlos Brown – como um “monstro desequilibrado” e dizendo que Brown foi solto por meio de “fiança sem dinheiro”. “Ela escapou de uma guerra brutal, apenas para ser assassinada por um criminoso endurecido, posto em liberdade para matar na América”, disse ele, antes de se virar para reconhecer Anya Zarutska na galeria.

Todos os republicanos aplaudiram a mãe de Iryna, mas os democratas não. Trump questionou: “Como podem não se levantar?” Imagina a cabeça de um típico democrata que usou broche da Ucrânia nos últimos anos e sequer é capaz de honrar a mãe ucraniana que teve sua filha morta do nada por um maluco no trem!

Enfim, o longo discurso de Trump no Congresso matou dois coelhos com uma cajadada só: mostrou várias conquistas importantes do seu governo nesse começo de gestão, e expôs a crescente insanidade dos democratas, cada vez mais dominados por um radicalismo antiamericano abjeto.

RODRIGO CONSTANTINO

O SAMBA DA IMORALIDADE TOTALITÁRIA

carnaval lula desfile

Desfile da escola Acadêmicos de Niterói no carnaval do Rio de Janeiro, homenageando Lula

Com vaias do público e audiência menor na televisão, a Acadêmicos de Niterói fez o espetáculo mais medonho da noite, quiçá da história do carnaval carioca, ao homenagear Lula numa escancarada propaganda eleitoral antecipada. Bolsonaro foi retratado como o Bozo presidiário, os “neoconservadores” numa lata de conserva e Lula como um grande líder do povo. O ex-presidente chegou a descer na Sapucaí para interagir com os sambistas, e o ator que o interpretou confessou que o fez a convite do próprio presidente.

José Nêumanne Pinto, jornaliasta da velha guarda que ninguém pode “acusar” de ser bolsonarista, resumiu bem: “Estou enojado por tudo. Um crime eleitoral sem precedentes. Se o Brasil fosse um país sério, o TSE estaria reunido agora e Lula amanheceria inelegível”.

O jurista Andre Marsiglia explicou: “Não foi apenas propaganda eleitoral antecipada; foi a mais descarada que já vi, digna de ilustrar manuais de direito eleitoral como exemplo de ilícito. Houve, ainda, abuso de poder econômico e uso da máquina, pois a propaganda foi financiada com dinheiro público. Um acinte!”

O Partido Novo, que tinha entrado com pedido de medida cautelar no TSE para impedir essa propaganda eleitoral antecipada, comentou numa postagem minha: “Pedimos ao TSE que impedisse essa vergonha. E agora vamos pedir ao TSE a INELEGIBILIDADE de Lula. Propaganda antecipada e abuso de poder político e econômico. Se a lei vale para todos, tem que valer nesse caso também”.

Flávio Bolsonaro também vai pelo mesmo caminho: “O Brasil vive uma depravação moral generalizada, sem precedentes em sua história. Lula esfola o povo com aumento de impostos e usa esse mesmo dinheiro arrecadado para fazer campanha antecipada pra ele mesmo”. Em outra publicação, ele acrescenta: “Nossa ação contra os crimes do pt na Sapucaí, com dinheiro público, será protocolada rapidamente no TSE! Além dos ataques pessoais a Bolsonaro, eles atacaram o maior projeto de Deus na Terra: a FAMÍLIA! Vamos vencer o mal com o BEM!”

É muita indecência, imoralidade, abuso de poder, breguice e culto à personalidade no pior estilo fascista ou comunista. O deputado Marcel van Hattem, do Novo, sintetizou: “Igualzinho à Coreia do Norte, agora, no sambódromo do Rio”. O senador Sergio Moro foi na mesma linha: “Faltou o carro da Odebrecht e do Sítio de Atibaia no desfile do Lula. Foi um deprimente espetáculo de abuso do poder, com enaltecimento de Lula, sem escândalos de corrupção, e com ataques aos adversários, tudo financiado pelo governo. A Coréia do Norte não faria melhor”.

Lula debochou do TSE, enquanto Cármen Lúcia achava que era preciso aguardar o desfile para não configurar censura prévia – aquela que ela aprovou contra o Brasil Paralelo num documentário sobre o próprio STF que nem estava pronto.

O escárnio foi tanto que alguns chegaram a especular que Lula cavou um pênalti de propósito, que, velho e cansado, com rejeição nas alturas, com medo de uma derrota humilhante, prefere a inelegibilidade. Ou isso, ou é mesmo total certeza de impunidade, para humilhar de vez as instituições, ridicularizar o TSE e provar que quem manda no país é ele. Pois a coisa virou várzea total e isso é inegável…

RODRIGO CONSTANTINO

A ORGIA MAIS LONGEVA DA HISTÓRIA

Fictor

Grupo Fictor pediu recuperação judicial após crise do Banco Master

Todos estão falando de Toffoli, mas uma manchete chamou minha atenção: “Fictor inclui bordel e ex-traficante na lista de credores”. Em recuperação judicial, a holding financeira é acusada de fraude na tentativa de compra do Banco Master, e possui uma dívida declarada de R$ 4,2 bilhões. Entre os 13 mil credores, há um tradicional bordel da zona leste de SP.

Li num grupo esta quinta e gostei da síntese: o Brasil é a orgia mais longeva da história. Lembrei da frase ao ler essa reportagem, além de todos os textos sobre o caso Toffoli. Tenho receio de generalizar, de buscar no passado distante casos escandalosos de corrupção, pois isso de certa forma alivia os culpados de hoje, dilui sua responsabilidade num histórico mais abrangente.

O Brasil sempre foi um bordel. Isso não quer dizer que não tenha piorado. Nas últimas duas décadas, com a forte predominância petista no poder, era inevitável essa deterioração do que já era um tanto ruim. Se o patrimonialismo sempre foi um câncer em nossa “república”, ele piorou muito com o PT. Se o nepotismo era um problema frequente, tornou-se pior. E por aí vai.

Flavio Gordon, em coluna publicada na Gazeta do Povo, busca em Calígula e no modelo soviético paralelos para o que aconteceu com o Brasil nos últimos anos. Toffoli seria o cavalo Incitatus que o imperador pervertido quis indicar ao Senado Romano, para humilhar de vez o que já estava bastante degradado. E os soviéticos, ao colocar lealdade ideológica acima de tudo, alçaram a mediocridade a um novo patamar na gestão pública. Diz Gordon:

Sim, mais do que simplesmente repetir o patrimonialismo brasileiro consagrado, o lulopetismo deu-lhe a fundamentação teórico-ideológica, sem nunca deixar de fingir que o combatia. Antonio Gramsci – pai intelectual do partido e grande teórico do aparelhamento – forneceu o mapa: conquistar a hegemonia por meio da ocupação capilar das instituições; transformar a cultura em instrumento de poder; converter tribunais, universidades, agências e estatais em pontos de sustentação de um projeto de longo prazo; enfiar seus militantes (os “companheiros”) nas mais variadas posições de poder e influência. Inspirando-se na ideia gramsciana de “Estado ampliado”, o PT traçou o objetivo de governar não apenas o Executivo, mas dirigir o imaginário, a linguagem e os próprios critérios de legitimidade social.

Somente assim se pode entender a chegada de alguém como Dias Toffoli ao STF. “Quando a seleção institucional deixa de operar por mérito intelectual e moral e passa a operar por afinidade ideológica, o resultado é previsível: a mediocridade militante substitui a excelência, e o ressentimento converte-se em critério de promoção”, explica Gordon.

Em suma, o Brasil não é um país sério faz tempo, é uma esculhambação total, várzea, paraíso dos bandidos, terra da impunidade, ícone do patrimonialismo que confunde a coisa pública com a privada. Mas é inegável que o que era terrível piorou muito com o petismo. O resultado está aí: uma Corte Suprema que mais parece um bando!

RODRIGO CONSTANTINO

O ETERNO BENEFÍCIO DA DÚVIDA A LULA

Lula PT Salvador

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Rosângela Lula da Silva participam da celebração dos 46 anos do PT em Salvador

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva terá uma eleição imprevisível, mas detém “algum favoritismo” na corrida eleitoral, disse André Esteves, chairman e sócio-sênior no BTG Pactual, durante painel com gestores em que foi moderador.

“Não vai ter ruptura” nos preços de mercado caso Lula seja reeleito, disse Rogério Xavier, CEO da SPX Capital, que citou percepção de que a piora dos fundamentos fiscais da economia são como “uma linha de piora contínua”. “Se temos a percepção de que não vai ter ruptura para o dia da eleição”, será possível perceber se o início do governo Lula terá algum ajuste fiscal ou impulso que “dê credibilidade para o novo mandato”. Problema maior da dívida pública não é estoque, é fluxo, disse

Luís Stuhlberger, CEO e CIO da Verde Asset Management, disse que “talvez o mercado não fique tão ruim” no caso de nova vitória de Lula. O mercado pode dar “benefício da dívida”, sem reação negativa imediata. “A noção de que o ‘day after’ vai ser caótico é equivocada”, disse Stuhlberger, acrescentando que, nesse cenário, mercado avaliaria o que Lula tem a propor no plano fiscal.

Essa é a tal turma da Faria Lima que “fez o L” já na eleição passada. São gestores muito inteligentes, muito bem-sucedidos em suas áreas, muito ricos, o que nos faz descartar a hipótese de burrice ou alienação para esse eterno “benefício da dúvida” a quem já se mostrou populista irresponsável tantas vezes.

Stuhlberger chega a afirmar que Lula seria avaliado por um eventual plano fiscal apresentado depois de sua reeleição! Ou seja, não precisa sequer apresentar um plano de governo, um nome confiável para ministro da Economia – talvez o Haddad novamente, ou quem sabe Guido Mantega?

É uma piada de mau gosto. O PT é um partido que flerta abertamente com ditaduras, que já deu todos os sinais de ter um projeto totalitário de poder. O empobrecimento do país é parte desse projeto, pois cria dependência, permite a compra de votos dos mais pobres por meio do “vale-gás” e dos mais ricos por meio dos subsídios do BNDES.

Esses gestores não parecem ligar a mínima para o sofrimento de um povo miserável e escravizado, desde que os títulos do governo continuem sendo pagos em dia, a uma taxa de agiotagem por conta justamente do quadro fiscal insustentável.

Se Bolsonaro entregou com Paulo Guedes a casa em ordem apesar de uma pandemia, Lula uma vez mais mostrou descaso total com as contas públicas e a dívida já chega a quase 100% do PIB. O rombo fiscal aumentou, apesar do recorde de arrecadação. Ou seja, não faltam recursos, por meio de impostos cada vez mais abusivos.

Mas essa patota do mercado financeiro, que mancha a reputação de todo o mercado de capitais, algo muito maior, ainda confia no Lula! Estão dando sinais de que poderão “fazer o L” novamente. Não estão preocupados com “ruptura”, pois Lula ainda poderá mostrar um plano fiscal razoável depois. É de cair o queixo mesmo!

São esses gestores que alimentam a narrativa de uma ala “bolsonarista” que passou a demonizar o “mercado” como um todo. Um deles, da Austrália, chegou a me chamar de “entreguista” por defender a privatização da Petrobras!

Entreguista é como os comunistas chamavam o saudoso Roberto Campos. Em tempo: Jair Bolsonaro chegou a defender abertamente a privatização da Petrobras, mas há “bolsonarista” que prefere o Ruizão e o Aldo Rebelo do PCO e PCdoB…

E claro, é justamente o contrário: no modelo atual quem manda é justamente a turma da JBS, do BTG e companhia, em parceria com os petistas. O Brasil cansa…

RODRIGO CONSTANTINO

A FUGA DOS BILIONÁRIOS DA CALIFÓRNIA

Rua de São Francisco, na Califórnia (EUA). Em praticamente qualquer cidade grande do Ocidente a via pública tornou-se insuportável

O The Wall Street Journal divulgou nesta terça que Mark Zuckerberg, CEO da Meta, e sua esposa, Priscilla Chan, compraram uma mansão em frente ao mar em Indian Creek, na Flórida, com a intenção de se mudar para o “sunshine state“.

A casa teria custado entre 150 e 200 milhões de dólares, mas só de economia de impostos o fundador do Facebook economizará dez bilhões de dólares! Zuckerberg é apenas mais um numa lista que só cresce, a ponto de fazerem a piada de que os impostos californianos são um complô dos agentes imobiliários da Flórida…

Larry Page e Sergey Brin, do Alphabet (Google), já tinham feito esse movimento antes. Peter Thiel também, assim como Elon Musk, o homem mais rico do mundo. Todos eles estão fugindo, em essência, dos impostos insanos do estado da Califórnia, dominado por democratas há décadas.

Ben Shapiro, do Daily Wire, já tinha tomado esta decisão há alguns anos, e mesmo tendo sido criado em Los Angeles, jamais se arrependeu. Além da questão dos impostos, Shapiro reclama que a mentalidade “woke” na Califórnia destruiu os valores básicos, que em bairros nobres se convive com drogados nas ruas, que tudo anda meio caótico e desorganizado por lá.

Estive em San Francisco recentemente, depois de anos, e tive a mesma percepção de como as coisas pioraram. A verdade é aquela que Thomas Sowell já disse: as ideias de esquerda simplesmente não funcionam. As políticas “progressistas” do estado esmagaram a classe média e estão expulsando os ricaços.

E não pense ser algo restrito aos bilionários apenas. Os jogadores da NFL, por exemplo, recebem 178 mil dólares cada um pela vitória no Super Bowl. Mas há um imposto por cada “duty day” que os jogadores permanecem no estado, de acordo com seus salários. Segundo um cálculo, o valor de imposto chega a 279 mil dólares para cada jogador. Ou seja, os jogadores tiveram que pagar cerca de cem mil dólares para jogar a final em San Francisco!

Na mentalidade socialista, tratar mal os mais ricos é uma forma de “justiça social”. Na prática, significa expulsar aqueles que produzem riquezas e empregos, promover fuga de capital e de talentos. Com a dívida enorme que possui, quanto tempo mais a Califórnia aguenta agindo dessa maneira insana?

RODRIGO CONSTANTINO

LIÇÕES LUSITANAS

Antórnio Seguro, do Partido Socialista, derrotou André Ventura por 66,7% dos votos válidos contra 33,3%, em Portugal, neste domingo (8)

António José Seguro, candidato da esquerda e quadro histórico do Partido Socialista, venceu com folga as eleições deste domingo (8) e será o próximo presidente de Portugal. O político, que se apresenta como “democrata, progressista e humanista”, fez dois terços dos votos válidos, superando com facilidade André Ventura, do partido Chega.

Ventura reconheceu a derrota, mas sem desanimar: “Não vencemos estas eleições presidenciais, mas estamos a fazer História! Obrigado pela confiança”. A direita e a centro-direita fizeram cerca de metade dos votos no primeiro turno, mas mesmo assim o socialista venceu a disputa. Por quê?

Em boa parte porque a eleição foi transformada numa disputa entre “moderados” e “radicais”, em vez de esquerda e direita. Seguro é tido como um quadro mais moderado do Partido Socialista, tendo inclusive feito oposição responsável à direita quando o país teve de realizar reformas e apertar os cintos.

Já André Ventura se vende como antissistema, detonou todos os candidatos no primeiro turno, colocando-se como o único capaz de enfrentar o establishment. Essa é uma boa estratégia para chegar ao segundo turno, mas não para atrair o apoio dos demais candidatos de centro-direita e direita…

Os “liberais limpinhos” acharam mais seguro, com o perdão do trocadilho, apoiar o candidato socialista Seguro. Os globalistas estão aliviados, a esquerda global congratula o vencedor, e todos comemoram que a “ultradireita” saiu derrotada – desta vez. Não creio que seja boa notícia para Portugal.

Mas algumas lições podem ser extraídas do pleito. A principal delas: para vencer uma eleição majoritária é preciso atrair gente do centro, menos “radical”, e um tom excessivo na campanha, contra “tudo e todos”, pode assustar. Calibrar a mensagem antissistema com essa estratégia mais pragmática é o grande desafio da direita nacionalista.