RODRIGO CONSTANTINO

VAI SER NO PHOTOCHART

Embate entre Flávio e Lula se acirra em áreas como economia, segurança e pobreza na corrida presidencial de 2026.

Os pré-candidatos Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL)

Nas corridas de cavalo, às vezes não é possível ver quem cruzou a linha de chegada primeiro. Para isso existe o photochart, uma espécie de tira-teima. Em alguns esportes, alguns poucos centímetros podem fazer toda a diferença. Na política também é assim: vitórias apertadas mostram que mover 1% do eleitorado em certa direção pode definir o resultado.

Compreendo a desconfiança com nossas urnas, e na América Latina já nos acostumamos com vitórias da esquerda com 51% contra 49%. Mas se fosse tudo tão manipulável assim, não teríamos Milei, Kast e outros. Ou seja, dá para vencer, e quem repete que não adianta fazer nada pois é um jogo de cartas marcadas acaba afastando potenciais eleitores.

E vamos precisar de cada voto! Em nova pesquisa da Meio/Ideia, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece com 45,8% das intenções de voto, contra 45,5% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno na disputa pelo Planalto. O resultado representa empate técnico entre ambos. Sei que ainda falta muito tempo até as eleições e muita coisa pode mudar. Mas isso é um sinal claro de que a disputa será bem acirrada.

Vejo, com preocupação, alguns cantando vitória, achando que dá para derrotar Lula já no primeiro turno. Nunca é sábio subestimar o PT, ainda mais com a máquina estatal nas mãos. O populismo já começou a todo vapor, a propaganda será um show de mentiras e promessas falsas e o adversário vai receber chumbo grosso. Em suma, muita água vai rolar ainda.

Por isso é tão importante uma frente ampla contra Lula. Flávio Bolsonaro tem feito o certo: vem articulando alianças até com adversários históricos ou gente que traiu e detonou seu pai. É preciso engolir muito sapo nessa hora, com o objetivo único de vencer. Infelizmente, tem havido muito “fogo amigo” também, e o Flávio já tentou colocar panos quentes nisso, especialmente nas farpas trocadas entre seu irmão Eduardo e o deputado Nikolas Ferreira.

Nikolas é um baita ativo da direita. Seu vídeo cobrando Davi Alcolumbre quanto ao PL da Dosimetria passou de 100 milhões de visualizações. Valdemar Costa Neto, presidente do PL, acredita que o jovem deputado terá ainda mais voto do que Eduardo Bolsonaro teve, batendo o recorde nacional. Não há motivos para tantos ataques ou “cobranças” nesse momento, se a prioridade é derrotar Lula. Disputas partidárias podem ficar para depois.

Eu faço aqui meu mea culpa: por ver esses ataques todos contra Nikolas e entender que isso é um tiro no pé da campanha do Flávio, tomei as dores e passei a defendê-lo, enquanto criticava a postura do Eduardo. Mas o X é uma Cracolândia, e existem os incendiários que querem só ver o circo pegar fogo. O resultado é que as “tretas” saíram de controle e têm prejudicado a direita como um todo. Por isso tomei a decisão de não mais participar desse bate-boca infrutífero, que chacais e hienas tanto apreciam.

O Brasil não aguenta mais quatro anos de petismo. Isso deve estar claro para todos, espero. Logo, é necessário ter as prioridades certas. E a maior delas é derrotar Lula. Quem tem mais chances disso é o Flávio. Na pesquisa, todos os outros perdem: Zema, Caiado e Renan. Repito: sei que muita coisa ainda vai acontecer até outubro, mas essa é a foto que temos. A candidatura de Flávio parece consolidada, e ele vem crescendo nas pesquisas.

Portanto, apoiar Flávio é uma questão de sobrevivência. Não é preciso morrer de amores por ele, ser um bolsonarista raiz, nada disso. Até porque ninguém vence uma eleição majoritária com a bolha das redes sociais, por mais barulhenta que seja. É preciso atrair os votos do centro, dos indiferentes, daqueles que não ligam tanto para política. E a postura moderada e agregadora que o Flávio vem adotando mostra que ele compreendeu bem isso.

Não é hora de “tretas”. Não é o momento para “caçar traidores”, até porque Flávio já fechou alianças com Sergio Moro, Deltan Dallagnol, André Marinho e Ciro Gomes. De minha parte, isso é uma promessa: podem xingar à vontade no X que não haverá mais resposta. Podem cutucar, cavar falta, colocar lenha na fogueira, criar apelidos “carinhosos” e distorcer tudo que falo, não importa: esse ambiente se torno tóxico demais e em nada ajuda na vitória da direita. Todos deveriam deixar o ego um pouco de lado e abraçar a causa mais nobre do momento: aposentar logo o Lula e, de preferência, começar um trabalho sério para tirar ao menos Moraes e Toffoli do Supremo. É isso que pode salvar nossa democracia.

RODRIGO CONSTANTINO

TRUMP E A GUERRA NO IRÃ

Presidente Donald Trump em discurso televisado sobre a ofensiva militar dos EUA contra o Irã.

Presidente Donald Trump em discurso televisado sobre a ofensiva militar dos EUA contra o Irã

Quando Donald Trump decidiu, num ataque incrível, bombardear instalações nucleares do Irã, isso foi não só uma iniciativa para impedir o regime dos aiatolás xiitas de avançar em seu projeto da bomba atômica, como também um alerta: se não negociar para valer, a coisa vai ficar esquisita. O Irã, dominado por malucos, pagou para ver, e Trump autorizou, meses depois, um ataque massivo contra o país.

Agora chegamos num impasse: Trump, após os militares americanos e israelenses terem eliminado as principais cabeças do regime, colocou um deadline para o acordo. A poucas horas do fim de um prazo que estabeleceu para que o Irã reabra o estratégico Estreito de Ormuz, o presidente americano disse nesta terça-feira (7) que uma “civilização inteira morrerá hoje à noite”. Caso o estreito não seja reaberto, as forças americanas bombardearão usinas de energia e pontes iranianas, ameaçou o mandatário republicano:

“Uma civilização inteira morrerá hoje à noite, para nunca mais ser ressuscitada. Eu não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. Contudo, agora que temos uma mudança de regime completa e total, onde mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas prevalecem, talvez algo revolucionário e maravilhoso possa acontecer, quem sabe?”, escreveu Trump na rede Truth Social, especulando sobre um acordo de última hora.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, afirmou nesta terça-feira que mais de 14 milhões de pessoas se inscreveram para “sacrificar suas vidas” pelo país, no dia em que vence um ultimato estipulado pelos Estados Unidos para que grandes ataques não sejam realizados contra a infraestrutura da nação persa.“Mais de 14 milhões de iranianos orgulhosos já se registraram para sacrificar suas vidas em defesa do Irã. Eu também tenho sido, sou e continuarei sendo devotado a dar a minha vida pelo Irã”, escreveu Pezeshkian no X.

O fator do fanatismo complica a situação no Irã. Na Venezuela, com os chavistas, foi mais fácil convencer por mudanças com argumentos racionais – tipo a captura de Nicolás Maduro. A escalada suicida no Irã mostra que não ameaça suficiente para esses xiitas baixarem suas armas. Remete ao caso japonês na Segunda Guerra, cujo slogan principal era “Todo o mundo sob um mesmo teto”, sobre o imperialismo japonês, além de outro slogan conhecido: “Cem milhões com um só espírito”, promovendo a união total do povo e a disposição de morrer pelo regime. De fato, os kamikazes faziam exatamente isso.

O regime do Irã convocou nesta terça-feira os jovens para formarem correntes humanas ao redor das usinas elétricas em todo o país. Seus kamikazes? A campanha “Jovens do Irã por um amanhã brilhante” foi convocada para “encenar um símbolo de unidade e resistência diante do inimigo”, afirmou o vice-ministro de Assuntos da Juventude do Ministério do Esporte, AlirezaRahimi. Mas todos sabem que boa parte da população, especialmente os mais jovens, detestam o radicalismo do regime dos aiatolás.

Enquanto o Irã parece não se importar com a morte de milhares de iranianos, uma história mostra como os Estados Unidos agem diferente. Falo do espetacular resgate do piloto americano em pleno território inimigo. O oficial, um coronel altamente respeitado, foi abatido em seu F-15E, ejetou-se gravemente ferido nas pernas, mas sobreviveu por mais de 48 horas atrás das linhas inimigas.

Ele cuidou das próprias feridas, escalou penhascos sangrando profusamente, encontrou refúgio em uma fenda nas montanhas do Irã. Conseguiu ficar quase invisível aos inimigos, apesar de helicópteros, drones e milícias iranianos fechando o cerco e da oferta de prêmio pelo seu aprisionamento pelo governo do Irã. Tem que ter um nível de treinamento que acho que não conseguimos nem imaginar. Quando finalmente conseguiu ativar o rádio, a primeira mensagem do piloto foi “Deus é bom”.

As forças especiais americanas, com apoio de dezenas de aeronaves e inteligência da CIA, o resgataram na madrugada de Domingo de Páscoa, sem uma única perda do lado americano. Foi uma operação de alto risco que Trump, segundo relatos, não hesitou por nenhum instante em autorizar, e chamou de “Easter Miracle”. Segundo especialistas escutados pela imprensa, foi uma das mais ousadas da história militar dos EUA.

Algumas pessoas fizeram até um paralelo curioso com paixão, morte e ressurreição de Cristo. O avião foi abatido na Sexta-Feira Santa, o piloto conseguiu ficar escondido numa caverna na montanha durante o sábado e foi resgatado no Domingo de Páscoa, ao nascer do dia. A vida de um soldado americano vale ouro! O que está em choque, no fundo, é uma civilização que odeia a vida, e outra que ama a vida. Tomara que Trump não precise escalar os ataques, que os que restaram no comando do regime tenham juízo e bom senso. Mas se o pior acontecer, não temos dúvidas de que uma vitória total americana é o resultado mais desejado.

RODRIGO CONSTANTINO

LULA ESTÁ GAGÁ COMO BIDEN?

Lula diz que “não pensa” sobre críticas de evangélicos a desfile: “Não sou carnavalesco”

Para rechaçar Lula como candidato razoável, basta mostrar seu histórico: inflação, criminalidade em alta, rombo nas estatais, escândalos. Agora imagina somar tudo isso a um estado de demência, a uma condição cognitiva bastante deteriorada: é o caos!

Lula sempre falou muita besteira, às vezes coisas gravíssimas ou extremamente ofensivas, que a imprensa sempre trata apenas como “gafes”. Como sua ideologia socialista também é uma porcaria, é preciso tomar cuidado para separar o que é fala consciente de deslizes mesmo. Por exemplo: quando Lula diz que o traficante é vítima do usuário, isso é a sua visão ideológica de mundo. Quando ele diz que o Brasil será um orgulho mundial no crime organizado, isso já é ato falho ou sincericídio.

Mas o fato é que a incidência de “gafes” vem aumentando. De acordo com levantamento do Poder360, Lula protagonizou ao menos 157 declarações contendo alguma distração ou incorreção (inadvertida ou não) desde o início do 3º mandato. Diz a reportagem:

Quando se analisa o que disse o presidente, 43% dos casos podem ser consideradas ofensas a pessoas, minorias sociais ou outros grupos. Outros 15% são relacionadas à política internacional, como comentários sobre a atuação de outros países e guerras – sempre expressando alguma controvérsia ou imprecisão.

Além das ofensas e incorreções, há os casos de lapso de memória. Lula chamou o presidente francês Emmanuel Macron de Sarkozy, ex-presidente da França, durante um evento oficial; em cerimônia pública; trocou o nome da atual mulher, Janja, pelo de sua 2ª mulher, Marisa Letícia, morta em 2017; confundiu a ex-presidente Dilma Rousseff com a ex-deputada Irma Passoni; disse ter mandato até “31 de dezembro de 2010” (o correto é 5 de janeiro de 2027); afirmou que o Brasil faz fronteira “com toda a América do Sul” (Chile e Equador não fazem fronteira com o país).

Tirando o último exemplo, que pode ser ignorância mesmo, os demais apontam para alguém que claramente não está com o poder total de sua cognição. Lula tem 80 anos. A idade pesa, e o PT se preocupa com isso. Dizem que até gostaram da escolha do Caiado pelo PSD porque haverá outro idoso na disputa – e porque se fosse Eduardo Leite haveria mais risco de tirar votos do próprio Lula.

Saúde de presidente ou candidato a presidente é coisa séria. Tem relevância eleitoral, já que será a pessoa com o enorme aparato do Poder Executivo em mãos. Para rechaçar Lula como candidato razoável, basta mostrar seu histórico: inflação, criminalidade em alta, rombo nas estatais, escândalos infindáveis de corrupção, dívida pública insustentável e projetos de lei contra a família tradicional. Agora imagina somar tudo isso a um estado de demência, a uma condição cognitiva bastante deteriorada: é o caos!

Nos Estados Unidos esse assunto ganhou enorme peso na última eleição. Joe Biden dava claros sinais de que estava gagá, de que já não era ele o presidente de fato. Num debate com Donald Trump, a coisa ficou tão escancarada que quase deu pena do democrata. O problema não é a idade em si: Trump também está chegando aos 80 anos. Mas cada um chega de um jeito. Biden estava “fora de si”, e Lula parece ir pelo mesmo caminho, não importa quantas imagens adulteradas publiquem dele fazendo exercício. Lula não é um garotão com “tesão de 20”, mas um idoso com sinais de que está ficando gagá. É o Biden tupiniquim.

RODRIGO CONSTANTINO

O ÔNUS DA PROVA

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As senadoras Ana Paula Lobato (PDT-MA) e Soraya Thronicke (Podemos-MS), respectivamente autora e relatora do PL da Misoginia no Senado

Entre os pilares do modelo de Justiça ocidental estão aquelas velhas máximas que até os leigos conhecem, como “todos são inocentes até que se prove o contrário” e “a quem acusa cabe o ônus da prova”. A ideologia woke e os movimentos de “minorias” tentam subverter isso. O feminismo radical, por exemplo, cismou que a denúncia de uma mulher substitui qualquer necessidade de evidências concretas.

Vimos bem isso no caso da sabatina do juiz Brett Kavanaugh nos Estados Unidos: a esquerda tratou como fato inquestionável uma acusação requentada de décadas antes sem qualquer testemunha ou prova contra o indicado. As denúncias contra Neymar e Johnny Depp são outros bons exemplos. Ricos e famosos, eles puderam se defender e provar a inocência, mas quantos casos assim terminam mal para os acusados, mesmo sem evidência robusta por parte de quem denuncia?

Para um júri condenar alguém nos Estados Unidos, é necessário que os jurados considerem o réu culpado “além de qualquer dúvida razoável”. O sistema é montado assim pois é preferível ter alguns culpados impunes do que inocentes presos. A Justiça é calcada em fatos, em dados objetivos, em evidências concretas. E é assim para proteger os inocentes. Afinal, qualquer um pode mentir, inclusive as “minorias”.

É por isso, entre outras coisas, que o PL da Misoginia é tão perigoso. Com conceitos vagos e subjetivos, qualquer coisa pode ser enquadrada em misoginia e levar inocentes à prisão. A lei não protege a mulher de verdade, e basta ver que a esquerda que votou “sim” rejeita qualquer proposta de endurecimento das punições aos reais estupradores. Mas alguém que faz uma piada sobre a histeria de uma mulher pode acabar atrás das grades!

A relatora do projeto, senadora Soraya Thronicke, acabou dando um bom exemplo dos riscos da lei. Ela denunciou de forma totalmente leviana o deputado Alfredo Gaspar de estupro de menor, e demandou um teste de DNA para verificar a paternidade da suposta vítima. Mas isso inverte totalmente o ônus da prova! “Nós não temos o dever de provar absolutamente nada!”, escreveu a senadora. Como assim?! Então se joga no ar uma acusação gravíssima e não precisa ter qualquer prova?!

O deputado Gaspar não se recusou a fazer exame de DNA. Ele declarou publicamente que está disposto a realizar o teste com quem for preciso para esclarecer o assunto. Inclusive já apresentou um exame de DNA de 2014, segundo o qual a criança seria filha do primo dele, Maurício Brêda. Ele também divulgou um vídeo da própria jovem, hoje com 21 anos, negando que seja filha dele ou que tenha sofrido qualquer abuso. Como não há recusa, a Súmula 301 do STJ (que trata justamente da presunção por recusa) não se ativa aqui.

A senadora disse que se ficar comprovado que Gaspar não é o pai, ela pede desculpas. Como se um simples pedido de desculpas fosse suficiente para compensar os danos causados por uma denúncia espetaculosa no meio de uma CPMI! Gaspar já anunciou que vai prestar queixa na PF por denunciação caluniosa e coação no curso do processo, além de acionar o Conselho de Ética. Se ficar comprovado que a acusação não tinha base ou foi leviana, a senadora e o deputado Lindbergh Farias podem enfrentar processos criminais, ação por danos morais e medidas éticas no Congresso.

É importante resgatar o “devido processo legal” e a “presunção de inocência” em nosso país, pois são pilares básicos do Estado de Direito. Infelizmente, a justiça foi aparelhado, inclusive em sua mais alta instância. É por isso que Lula, condenado por nove juízes e desembargadores em três instâncias com “provas sobradas”, acabou solto e elegível por malabarismos supremos, enquanto Jair Bolsonaro, sem cometer qualquer crime, continua preso e inelegível.

Aos amigos tudo, aos inimigos a lei. No caso, a lei vaga, mal interpretada ou até mesmo inventada pelos próprios ministros supremos. Imagina essa aberração do PL da Misoginia como mais um instrumento de perseguição nas mãos dessa gente!

RODRIGO CONSTANTINO

O BOLSONARISMO AINDA VIVE

Jair Bolsonaro

O ministro Barroso estava num convescote dos comunistas da UNE quando disse: “Nós derrotamos o bolsonarismo”. Não só era a confissão de um crime, já que ministros supremos precisam ser apartidários e imparciais, como era um anúncio muito precoce. O bolsonarismo, ao que tudo indica, segue não apenas vivo, mas forte.

Como mostra uma reportagem da Folha de SP, a uma semana do fim da janela partidária, o PL já alcançou a marca de 105 deputados federais. É a maior bancada de um partido na Câmara dos últimos 25 anos. E isso não se deve aos lindos olhos azuis de Valdemar, com certeza. É fruto de um movimento que ainda respira e atrai multidões, mesmo com seu líder preso.

Não resta dúvida de que há inúmeros parlamentares sem convicção ideológica ali. O PL, afinal, agrega uma ala do tal centrão fisiológico também. Mas é inegável que o crescimento do partido se deu a partir da chegada de Jair Bolsonaro, e que o ex-presidente continua sendo o principal cabo eleitoral da direita.

Isso tem ligação com méritos do próprio Jair, como um governo sem escândalos de corrupção, o despertar da esperança patriótica no povo e ministérios técnicos, como também deriva da própria perseguição sofrida pelo ex-presidente e seu entorno. A tentativa de destruir o bolsonarismo por meio do abuso de poder supremo teve um efeito bumerangue: o povo percebeu a injustiça e reagiu.

Há, ainda, o fator do antipetismo. Cada vez mais gente se dá conta, finalmente, de que o governo Lula é um fiasco total. Ser oposição a esse desgoverno, portanto, é questão de bom senso e pragmatismo político. Dentro do PL, como já disse, existe uma ala que pouco se importa para valores e princípios, mas é crescente o grupo que tem como missão derrubar Lula e restaurar o Estado de Direito no país.

Os deputados mais calcados nesses princípios conservadores são os que mobilizam mais gente, como o caso do jovem Nikolas Ferreira. Pesquisa recente mostra que Nikolas é o deputado com imagem mais positiva, enquanto outra pesquisa mostra que o nível de rejeição a Lula entre os jovens de 16 a 24 anos ultrapassa a impressionante marca de 70%. O futuro não parece muito promissor para a esquerda radical, e a contracultura de hoje é ser conservador.

Tanto é verdade que Bolsonaro ainda assusta o sistema que Alexandre de Moraes decidiu por uma prisão domiciliar inovadora, repleta de cautelares, justamente para afastá-lo das articulações políticas e das campanhas de seus aliados. O STF sabe que o bolsonarismo ainda respira, e que toda a asfixia imposta pelos ministros não foi suficiente para matá-lo ou sequer enfraquecê-lo.

A maior prova disso é a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro crescendo e ultrapassando as intenções de voto em Lula no segundo turno. Tentaram enterrar Bolsonaro e o bolsonarismo vivos, mas não foram capazes. Agora resta tentar “neutralizar” a força conservadora, pressionando e chantageando o PL para que seja mesmo um partido típico do centrão, sem oferecer qualquer ameaça ao sistema podre e carcomido. Espero que fracassem nessa empreitada…

RODRIGO CONSTANTINO

MISOGINIA: TIRO NO PÉ DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Senado aprova projeto que equipara misoginia ao racismo

Alcolumbre e as senadoras Ana Paula Lobato e Soraya Thronicke durante a votação da proposta que criminaliza a misoginia

O Senado aprovou, por unanimidade, um projeto de lei terrível que criminaliza a “misoginia”. O diabo está sempre nos detalhes, e o inferno está cheio de boas intenções. A aparência de nobreza da causa, em ano eleitoral, colocou os conservadores numa sinuca de bico. Preferiram votar pela censura, de olho no eleitorado feminista (que jamais vai votar na direita), do que preservar os valores da liberdade. O advogado André Marsiglia, especialista em liberdade de expressão, comentou:

A criminalização da misoginia, aprovada ontem no Senado, nasce sob pretexto nobre, mas em um país acostumado a punir ideias em vez de ações concretas. Um país no qual já não se consegue sequer debater o que é “mulher” sem o risco de ser processado e silenciado por pessoas e grupos autoritários. Na prática, a “misoginia” tende a se tornar mais um instrumento subjetivo de silenciamento e censura, inclusive de mulheres, do que uma forma de proteção. Vale dizer que a lei pune palavras e que agressões físicas já são punidas por leis anteriores.

Agora dependemos da Câmara para rejeitar essa aberração. Alguns deputados corajosos se manifestaram contra. Foi o caso de Bia Kicis:

O Senado aprovou hoje a equiparação da misoginia ao crime de racismo. O projeto define misoginia como: “conduta que manifeste ódio ou aversão às mulheres, baseada na crença da supremacia do gênero masculino”. Projeto de divisão e ódio entre homens e mulheres acelerado com sucesso. E a direita cai na armadilha da esquerda. Primeira pergunta a ser respondida pela esquerda: mas afinal, o que é uma mulher? Nem isso vocês sabem dizer. Na Câmara trabalharemos para derrotar esse projeto.

Nikolas Ferreira também prometeu lutar para derrubar o projeto na Câmara: “Inacreditável é a palavra…Amanhã começa o trabalho pra derrubar essa aberração que foi aprovada hoje no Senado”. Que os senadores do Novo e PL tenham sucumbido a esse troço é algo realmente lastimável e preocupante. Acenar para feministas nunca é boa estratégia para conservadores, e é preciso ignorar os marqueteiros tucanos que dominam o mercado eleitoral no país. O eleitor quer convicções morais firmes, honestidade, e soa falso um conservador tentando acender vela para movimento feminista. Se você tem medo de ser acusado de misógino pelo Psol e pela Globo, então vá fazer qualquer coisa da vida, menos ser um senador da República!

O economista Marcelo Pessoa questionou: “Quantos anos de cadeia para quem divulgar a Carta de São Paulo aos Efésios?” Eis um trecho: “As mulheres sejam submissas a seus maridos, como ao Senhor, pois o marido é o chefe da mulher, como Cristo é o chefe da Igreja, seu corpo, da qual ele é o Salvador. Ora, assim como a Igreja é submissa a Cristo, assim também o sejam em tudo as mulheres a seus maridos”. (Efésios 5, 22-24). Podemos debater a interpretação desse conceito de submissão, lembrando que o homem precisa também ser submisso a Cristo, mas eis o ponto: se essa lei for sancionada, sequer poderá haver o debate. A Bíblia será criminosa!

Na mesma linha foi a conta MaverickJocker, que tem denunciado uma ala infiltrada dentro da direita: “Nem Nero que incendiou Roma e crucificou cristãos de cabeça pra baixo, nem Robespierre que guilhotinou padres por rezar missa, nenhum tirano da história da civilização ocidental conseguiu a proeza que sessenta e sete senadores brasileiros alcançaram numa terça-feira qualquer: criar as condições jurídicas para que a leitura da Bíblia possa ser enquadrada como crime inafiançável e imprescritível. Equipararam misoginia a racismo, até cinco anos de cadeia, e nenhum desses sessenta e sete parou um segundo pra perguntar o que Aristóteles perguntaria em meio: como se tipifica algo que não tem definição objetiva?”

Ele concluiu: “Não faltava lei no Brasil, já existem Maria da Penha, feminicídio, lesão corporal, ameaça, injúria, stalking e uma dezena de dispositivos contra violência real. O que faltava era uma mordaça jurídica para calar quem pensa diferente do feminismo radical e sessenta e sete senadores a entregaram por unanimidade porque no Brasil de 2026 é mais fácil votar pela manchete do dia seguinte do que defender a civilização que te elegeu”.

A juíza Ludmila Lins Grilo chamou a atenção para os conceitos vagos do texto: “Quase todos os senadores votaram a favor do mais novo instrumento de perseguição estatal a desafetos: a tal lei da criminalização da misoginia. Acabei de ler o substitutivo aprovado. Como sempre, tipo penal aberto, permitindo ali a inclusão de absolutamente qualquer coisa. Qualquer ‘constrangimento’ a uma mulher poderá ser considerado misoginia. Vou repetir: constrangimento. Se você cobrar uma deputada mulher com severidade, por exemplo, ela poderá alegar constrangimento. Se você fizer um meme com um deputado travesti, também”. Ludmila pergunta: “Se essa lei aberrante for aprovada, quem vai querer correr o risco de contratar mulheres?”

Em suma, que baita tiro no pé da direita no Senado! Espera-se, agora, que os deputados conservadores tenham mais clareza e coragem para enfrentar essa bizarrice sem medo da patrulha esquerdista…

RODRIGO CONSTANTINO

TRUMP VAI VENCER NO IRÃ?

cuba trump

O presidente Donald Trump durante coletiva na Casa Branca

O Irã certamente não é a Venezuela. O buraco é bem mais embaixo quando se parte para cima de um regime como o dos aiatolás xiitas. Várias lideranças já foram mortas, inclusive o próprio aiatolá Khamenei, mas a hidra segue viva, atacando. A Guarda Revolucionária ainda detém o poder e o povo, desarmado, não tem condições de enfrentá-la. Restou a Donald Trump subir o tom das ameaças e buscar alguma negociação.

O presidente dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (23) o adiamento, por cinco dias, de ataques contra a infraestrutura energética do Irã. A decisão, segundo ele, foi tomada após o que descreveu como “conversas muito boas e produtivas” entre Washington e Teerã no fim de semana – versão contestada por autoridades iranianas.

A agência Fars, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, citou uma fonte não identificada que negou qualquer diálogo, afirmando não haver “nenhum contato direto ou indireto com Trump”. Segundo essa fonte, o republicano teria “recuado” após ser informado de que o Irã atingiria usinas de energia na chamada “Ásia Ocidental”.

As falas de Trump têm sido um tanto erráticas, talvez como uma estratégia deliberada para confundir o adversário, talvez por ele realmente estar reavaliando suas opções o tempo todo – e não são opções fáceis. Com o estreito de Ormuz praticamente fechado, por onde passa 20% do petróleo mundial, os preços dispararam e cobram um alto custo, principalmente dos países asiáticos e europeus (os Estados Unidos possuem reservas estratégicas que vêm sendo liberadas no mercado).

Com esse quadro, não faltam reportagens, editoriais e colunas de opinião em tom catastrófico. Muitos, que já eram críticos de Trump, acham que ele cometeu um grave erro ao atacar o Irã e que não possui uma estratégia clara de saída. Alguns já falam numa recessão global por conta da guerra. Nesse contexto tão pessimista, achei adequado trazer a visão mais otimista de Victor Davis Hanson, que estuda guerras há meio século. Para o professor, a maré está virando a favor dos Estados Unidos no conflito. Eis seus principais pontos:

Europeus: Eles nunca tocam num conflito até sentirem o cheiro da vitória. No início? Silêncio total. Agora estão movendo ativos discretamente e oferecendo apoio. Puro cálculo – eles leram o campo de batalha e decidiram de que lado está a vitória.

Estados petroleiros do Golfo: Sauditas, emiradenses, qataris sobrevivem lendo perfeitamente o ambiente. Estão expulsando adidos iranianos, interceptando silenciosamente mísseis iranianos sobre suas capitais, e os Emirados Árabes Unidos acabam de reafirmar seu compromisso de investimento de US$ 1,4 trilhão nos EUA no meio da guerra. Isso não são gestos – são apostas. E eles estão “all-in” na América.

Al Jazeera: A rede estatal do Qatar, que normalmente ataca ações dos EUA (e abriga escritórios do Hamas), agora está chamando a campanha de bombardeios americana de “brilhante” e “subestimada”. Quando o canal que hospeda tanto a maior base aérea dos EUA quanto o Hamas elogia a efetividade americana, a mensagem é inequívoca: eles acham que estamos vencendo.

Realidade militar: A-10 Warthogs e helicópteros Apache estão agora voando em missões de ataque dentro do espaço aéreo iraniano à vontade. Essas plataformas lentas e de baixa altitude só aparecem quando as defesas aéreas inimigas estão efetivamente neutralizadas. Isso confirma o que realmente está acontecendo no terreno.

Por essa ótica, a única cartada do Irã é a opinião pública, torcer para as críticas ao governo Trump aumentarem muito, o que poderia ser prejudicial para as eleições de meio-termo este ano. O veredito de Hanson é que se Trump aguentar o rojão – e ele acha que aguenta – o regime iraniano pode cair. Não em anos, mas logo. Resumo: observe o que as pessoas fazem, não o que elas dizem. Todo jogador com “skin in the game” está apostando na América. Os sinais não mentem.

Joguei no Grok esta opinião, e ele concordou: “A narrativa de que o Irã está resistindo ou virando o jogo não se sustenta nos fatos no terreno: as ações concretas – de aliados regionais a movimentações militares americanas – apontam para uma aposta clara na vitória dos EUA e aliados.Os sinais são consistentes: quem tem algo a perder está alinhado com o lado que parece prevalecer”.

Tomara que sim! O Ocidente precisa neutralizar de vez o regime iraniano, o maior financiador do terrorismo islâmico no mundo. A estratégia democrata, de Obama a Biden, de mandar dinheiro e confiar nos aiatolás se mostrou um fiasco. Estavam apenas empurrando com a barriga o problema, que só cresce. Era hora de agir, e Trump tem coragem de tomar as decisões duras. Será um legado e tanto se ele for capaz de derrubar esse regime nefasto.

RODRIGO CONSTANTINO

FLÁVIO PEDE À MILITÂNCIA QUE PARE DE ATACAR ALIADOS

Pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro acena à elite econômica em evento do BTG Pactual em São Paulo.

Pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, deu entrevista à emissora chilena durante viagem ao país por ocasião da posse do novo presidente de direita José Antonio Kast

O senador Flávio Bolsonaro entrou num Space do X repleto de militantes bolsonaristas e transmitiu um recado muito importante: cerca de 90% de sua campanha será digital, ele precisa do engajamento da militância, mas pediu para que esses seguidores parassem de atacar os próprios aliados, principalmente os pré-candidatos ao Congresso. Foi um reforço a um pedido já feito pelo próprio Jair Bolsonaro, em carta escrita à mão da prisão, também usando a palavra “ataques” entre aliados. Eis um trecho da fala do senador (infelizmente a conversa foi apagada pelo “host” do programa):

Pelo contrário, a gente tem que ajudar ele lá. É um cara que meu pai também gosta muito, já tomou busca e apreensão, é vítima da perseguição igual muitos de nós aqui. Esses detalhezinhos é que eu acho que, na hora, por mais que dê vontade de largar o dedo e fazer uma crítica e tal, pensa que é um ativo do nosso lado. O Gayer é um cara que articula um monte de coisa, ajuda aqui no digital, é um pré-candidato ao Senado lá, e pra gente essa eleição é, na ordem de importância, é Presidência da República, Senado, deputado federal, depois governador e por último deputado estadual, essa é a prioridade, pois todo mundo aqui é maduro o suficiente para entender que o jogo é pesado no Congresso, a gente tem que ter uma base forte lá, e não adianta a gente fazer 100% do Senado e da Câmara e também não ter a presidência. Então, esse ajuste fino só que eu acho que a gente tem que fazer, e por mais que dê vontade às vezes de ir e atacar, provocar, enfim, esfregar a verdade na cara, eu peço que deem uma respirada antes e pensa sempre o seguinte, cara: o que a gente vai ganhar com isso, né?

O senador citou o nome do deputado Gustavo Gayer, pois ele foi alvo de críticas e ataques recentemente, um deles da conta João 8:32, que espalha bastante mentira pelas redes (ironicamente usando o versículo bíblico que fala que a verdade vos libertará). João 8:32 “cobrou” do deputado Gayer: “Deputado, sua prioridade é virar senador ou eleger o presidente Flávio Bolsonaro? Está mais preocupado com seu projeto particular de poder OU com remover o PT elegendo Flávio?” Tudo isso só porque Gayer havia postado um vídeo brincando que sua filha adolescente fazendo sua pré-campanha tornava um Sidônio desnecessário. Flávio já havia respondido no X:

Gayer, você é um cara preparado, leal e também é vítima da covarde perseguição política que enfrentamos nos últimos anos!Você é nosso pré-candidato ao Senado em Goiás e peça fundamental para resgatarmos o nosso Brasil!Siga firme, produzindo os conteúdos que achar necessários para defender nossos princípios e denunciar o desastre do governo lula para nossa Nação!Vamos pra cima, mermão!

Trocando em miúdos, Flávio está desautorizando essa militância mais fanática, que se diz “bolsonarista raiz” e quer ser mais bolsonarista do que o próprio Jair e Flávio. São pessoas que passam o dia caçando “traidores” à direita, dedicando sua energia para atacar (e não são apenas críticas ou cobranças, como alegam) gente do Partido Novo, a revista Oeste, a Gazeta do Povo, Ludmila Lins Grillo, Ana Paula Henkel, Nikolas Ferreira e eu, entre outros com longa trajetória de defesa dos valores da liberdade. Como perguntou o próprio Flávio, o que sua campanha ganha com isso?

Em breve essa gente vai se dizer mais bolsonarista do que a própria família. Eis a reação da conta João 8:32 após a fala do Flávio no Space: “A dinâmica das redes sociais é algo novo para o Flávio, que sempre focou na imprescindível articulação política. Mesmo assim meu amigo Flávio Bolsonaro reconhece que 90% da campanha virá do digital, de forma orgânica! Seguirei cobrando quem faz corpo mole (pra dizer o mínimo)! A vantagem de sermos uma militância aguerrida, descoordenada e SEM COLEIRA é poder cobrar a TODOS, algo que um candidato não pode fazer, pois deve focar em agregar!” Ou seja, vai ignorar o pedido do próprio Flávio, pois sabe melhor do que ele qual o seu papel na campanha, e porque o senador não tem experiência em rede social…

Nesses dias, Eduardo Bolsonaro havia compartilhado uma postagem dessa conta João 8:32 atacando o deputado Nikolas Ferreira com uma escancarada mentira: um vídeo em que Nikolas chamava Ricardo Nunes de “copo de veneno”, e que ocultava um trecho para dar a entender que ele se referiu assim ao Mello Araújo, vice da chapa que foi colocado por Bolsonaro justamente para tentar impedir esquemas tucanos na prefeitura de SP. Depois Eduardo apagou.

Flávio tem adotado o tom certo até aqui, com serenidade, moderação, diálogo, buscando os votos do centro. Essa militância fanática só prejudica, pois implode pontes, cria intrigas sem parar e se dedica muito mais a atacar aliados do Flávio do que seus verdadeiros adversários. Parece até coisa de infiltrado de esquerda!

Aliás, sobre isso, uma conta com o pseudônimo MaverickJoker (@JokMavX) tem tirado o sono dessa turma. Sempre com fatos incômodos, com argumentos embasados, essa conta tem desmascarado muitos desses militantes. Recomendo que sigam, apesar de desconhecer o autor.

RODRIGO CONSTANTINO

NÃO FOI DESSA VEZ…

Wagner Moura ficou sem a estatueta de Melhor Ator por O "Agente Secreto" no Oscar 2026.

Wagner Moura ficou sem a estatueta de Melhor Ator por O “Agente Secreto” no Oscar 2026

O filme O agente secreto não levou nenhuma estatueta no Oscar deste domingo. Nem de “melhor filme”, nem de “melhor ator” para Wagner Moura, que muitos consideravam já um fato consumado. O presidente Lula já tinha até preparado festa para explorar politicamente a “cultura nacional”. Mas não foi dessa vez. Quem sabe no próximo filme sobre nossa ditadura, não a atual, que os artistas não enxergam, mas o regime militar?

“Torceu contra, Rodrigo?” Algumas pessoas apontam que é falso o patriotismo de quem não torceu pelo diretor e pelo ator. Uma concepção equivocada de patriotismo. O que essa turma de esquerda faz é usurpar a arte para fins políticos e eleitorais. Wagner Moura deu várias entrevistas nos Estados Unidos: só falava de Bolsonaro! Parece uma obsessão…

Ficou com seu discurso de vencedor entalado na garganta, mas podemos especular o teor. Certamente atacaria o governo Bolsonaro e bancaria a vítima de perseguição, traçando um paralelo entre o regime militar e o governo do ex-presidente, em vez de constatar o óbvio: hoje é que vivemos um regime de exceção, implantado pelo consórcio PT-STF, justamente aquele defendido por artistas como Wagner Moura.

Portanto, eu respondo: sim, torci contra. E fiquei feliz com o resultado. O Brasil não precisa desse ufanismo patético regado a recursos públicos. São nos regimes comunistas que a “arte” se presta ao papel de ser instrumento dos tiranos e corruptos. Não haveria qualquer “orgulho nacional” se nosso Oscar fosse para um filme “lacrador” ou para um ator militante.

Aliás, parêntese: que papelão ridículo o de Javier Bardem. Chegou gritando “Sem guerra” e “Libertem a Palestina”. Os clichês de sempre. Sobre os cerca de 40 mil iranianos massacrados pelo regime dos aiatolás xiitas defendido por Lula, nem uma só palavra! Como a “empatia” dessa gente é seletiva, não é mesmo? Fecho o parêntese.

Artista adora escolher “causas nobres” para chamar a atenção e pagar pedágio para uma indústria tomada por “progressistas”. Seria, então, vexaminoso para um brasileiro patriota, decente, honesto, ter de ver um vitorioso Wagner Moura enaltecendo o que não presta e mentindo sobre o período em que o país estava justamente se endireitando.

Mas tudo bem. A Lei Rouanet vai continuar irrigando os cofres dessa turma que só tem esse tema único na cabeça, novos filmes serão feitos sobre nossa “terrível ditadura militar”, e nada, absolutamente nada será produzido para expor os atuais tiranos corruptos, aqueles que realmente censuram, perseguem, prendem e, como Clezão pode atestar, matam.

RODRIGO CONSTANTINO

IMPRENSA SOB ATAQUE… FAZ TEMPO!

Associações de imprensa e entidades da categoria dos jornalistas divulgaram nesta quinta-feira (12) notas públicas em que criticam a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de determinar uma operação contra um jornalista maranhense.

As entidades declararam ver risco de um “precedente preocupante” no exercício da profissão, com “intimidação” à prática profissional do jornalismo e ao princípio constitucional do sigilo de fonte. Luís Pablo Almeida, autor do blog do Luís Pablo, teve celulares e um notebook apreendidos na terça-feira (10) em uma operação de busca e apreensão em sua casa, após reportagens em que informou sobre um suposto uso irregular de veículo oficial do TJ-MA pelo ministro do STF Flávio Dino.

Para a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), a operação contra Luís Pablo “coloca não apenas o repórter sob risco, mas todos os jornalistas brasileiros”. A Abraji considerou a ação “insuficientemente fundamentada” e disse que a decisão de Moraes não teve “indicação de erro factual nas reportagens”. A Abraji conclui dizendo que a apreensão de bens viola o sigilo de fonte e se coloca à disposição do jornalista.

A dúvida que surge é por onde andava essa turma nos últimos sete anos. Afinal, os abusos supremos contra jornalistas não começaram agora, nesse caso bizarro do Maranhão, mas vêm se arrastando faz tempo. Várias foram as vítimas do arbítrio de Moraes, e parece que justamente as categorias ligadas ao jornalismo não foram capazes de enxergar.

O advogado André Marsiglia comentou: “A imprensa está sob ataque há 7 anos, desde o início do inquérito das Fake News, mas as associações de imprensa descobriram só agora, quando os ataques passaram a sair no Jornal Nacional”. Ele chega a questionar para que servem essas associações nesse contexto.

A publicação de Vera Magalhães resume bem a postura de boa parte da imprensa antes. A jornalista postou um desenho de um juiz careca segurando a Constituição e os dizeres “vigiar e punir, gostoso demais”. Essa gente achou que a água do autoritarismo nunca bateria em seus bumbuns? Seu colega, o “liberal” Pedro Doria, chegou a escrever: “Fechar o X é uma tragédia, mas Moraes não tinha escolha”. Oi?

Não podemos esquecer que muitos desses jornalistas foram cúmplices de Moraes até aqui. Só agora parecem preocupados. Leandro Ruschel resgatou vários casos de jornalistas e influenciadores perseguidos, que passaram despercebidos pela nossa velha imprensa. A lista é grande: Guilherme Fiuza, Paulo Figueiredo, Alexandre Garcia, eu mesmo, entre tantos outros. Onde estavam esses jornalistas que agora temem os abusos supremos? Hibernando?

Antes tarde do que nunca, diz o ditado. Mas seria recomendável que ao menos esses jornalistas e suas associações fizessem um mea culpa, reconhecessem em público que erraram, que ajudaram a alimentar um monstro. O problema é que, ao fazer isso, eles jogariam por água abaixo aquela narrativa patética de que Moraes e seus comparsas estavam “salvando a democracia” ao mirar em “blogueiros bolsonaristas”…