RODRIGO CONSTANTINO

O GRADUAL ISOLAMENTO DE ALEXANDRE DE MORAES

O que temos em curso no Brasil hoje é uma aliança instável entre tucanos e petistas, para que o “sistema” pudesse resgatar seu poder de antes e afastar a ameaça de um governo honesto de direita. Para tanto, tiveram que soltar Lula, torná-lo elegível e recolocá-lo na cena do crime, como diria Alckmin.

Muita gente poderosa faz parte desse “consórcio”, que envolve a velha imprensa e muitos empresários. Alexandre de Moraes certamente não age sozinho, e em vários momentos importantes teve apoio do plenário do STF para seus atos. São muitos cúmplices no verdadeiro golpe que nossa democracia sofreu.

Mas não resta dúvidas de que Alexandre de Moraes é o maior ícone desse regime de exceção implantado no Brasil. Por isso acredito que, em algum momento, o próprio “sistema” vai oferecer sua cabeça para sair ileso e impune do que fez até aqui.

Moraes seria uma espécie de pitbull da turma, e por isso mesmo pode assumir o papel de “bode expiatório”, levar a culpa pelo que o restante consentiu ou permitiu, ainda que por omissão. Ao se tornar o foco das pesadas críticas e denúncias do dono do X e um dos homens mais ricos do mundo, Moraes reagiu com o fígado, dobrando a aposta, o que torna o custo de mantê-lo cada vez maior para o “sistema”.

Em seu editorial de hoje, até a Folha de SP busca certo afastamento, aceitando a premissa falsa de que “salvar a democracia” era uma meta nobre, mas que os meios começam a parecer excessivos. Diz o jornal de esquerda:

Decerto o sentido da crítica a Moraes não soa descabido. O ministro já estendeu bem além do razoável uma frente de investigação nada transparente, ademais questionável desde a origem. Ao atacar um problema real, o das ameaças à democracia, Moraes adentrou um terreno pantanoso, o de definir o que é verdade e o que não é, atoleiro do qual parece não conseguir sair.

No Roda Viva desta segunda, sob o comando da militante Vera Magalhães, o senador Flávio Bolsonaro respondeu que não acredita no impeachment de Alexandre como solução para nossos problemas. Essa chamada incomodou muito bolsonarista, mas recomendo a entrevista na íntegra. Flávio não deixou de responsabilizar Alexandre por seus atos ilegais. Ele apenas ofereceu uma saída “honrosa” ao sistema.

É seu papel de “good cop” dentro da família. Não resta dúvida de que Flávio é o mais diplomático deles, defensor do diálogo com o inimigo. Ele disse que esperava do próprio STF uma autocorreção de rumo, para que resgatasse a credibilidade perdida perante o povo. E foi direto: “É preciso encerrar todos esses inquéritos ilegais”.

Para quem não acha que haverá uma revolução salvadora no país, alguma ponte com o “sistema” precisa ser construída. Não é uma estratégia absurda. O maçarico do mundo todo, aceso por Musk, está esquentando o cangote dos verdadeiros golpistas, que só defendem uma “democracia” sem a participação da direita. A solução mais imediata para se preservar as galinhas dos ovos de ouro é se livrar do enorme bode na sala.

É pouco afastar Alexandre para quem vem sendo alvo de tantas injustiças. Mas é um começo. É uma retomada gradual da normalidade institucional. Ou o “sistema” entende a necessidade deste passo, ou vai declarar guerra ao mundo todo, não só ao dono do X. E o custo disso para o Brasil será insuportável. O “sistema” terá de transformar mesmo o Brasil numa Venezuela, o que será terrível para muitos ali.

RODRIGO CONSTANTINO

OBRIGADO MUSK: O MUNDO AGORA SABE!

Proprietário da Tesla, Elon Musk: fábrica na Alemanha pode ter sido alvo de ativistas climáticos

Elon Musk, o bilionário que comprou o Twitter para libertar o “passarinho azul” aprisionado, resolveu questionar Alexandre de Moraes: por que você exige tanta censura em seu país? Essa simples pergunta – totalmente legítima – despertou ondas de ânimo em todos aqueles preocupados com o avanço da tirania no Brasil. Mas não ficou só nisso…

A coisa escalou bem rápido. O dono da Tesla e da SpaceX passou a publicar novas mensagens cobrando maior respeito à liberdade de expressão por parte do nosso ministro supremo. Musk entrou de sola na luta pela liberdade em nosso país, avisando que publicaria todo o material dos arquivos do Twitter, demonstrando como houve pressão ilegal e até ameaças para que a plataforma realizasse perseguição política.

Todos ficaram aguardando a reação. E ela veio, no final de semana mesmo. Musk fez burocratas trabalharem no domingo, a esquerda criticar o consumo de drogas (no afã de difamar o empreendedor) e até globalistas que se curvam para a OMS alertarem para o perigo contra a “soberania nacional”, confundindo o desejo de Alexandre com as leis da nação.

Alexandre de Moraes não dobrou a aposta: ele a multiplicou por dez! O ministro resolveu incluir o “CEO do X” nos inquéritos ilegais das milícias digitais. Musk não é o CEO de sua empresa, e colocar um cidadão americano nas “investigações sigilosas” foi um ato desesperado – e totalmente patético. O abuso de poder de Alexandre virou piada internacional. Não faltam americanos alertando para o absurdo. Um deles comentou:

Um governo estrangeiro NUNCA deveria sentir-se suficientemente ousado para perseguir cidadãos dos EUA por razões políticas, independentemente do partido ao qual o cidadão dos EUA se alinha. O fato de o Brasil sentir que pode ir atrás de Elon Musk é uma acusação a Biden e aos democratas. Eles são responsáveis por isso.

Vale notar que o FBI possui um instrumento para investigação no exterior chamada “transnational repression”. É para quando governos estrangeiros perseguem, intimidam ou agridem cidadãos americanos. No site do FBI há essa explicação: “Os governos de alguns países assediam e intimidam os seus próprios cidadãos que vivem nos EUA. Estes governos também podem ter como alvo cidadãos naturalizados ou nascidos nos EUA que tenham família no estrangeiro ou outras ligações estrangeiras. Isto viola a lei dos EUA e os direitos e liberdades individuais”.

Alguns petistas ficaram animados com a decisão de Alexandre de Moraes, acreditando que Elon Musk será alvo até de busca e apreensão por parte do FBI. O governo Biden instrumentalizou bastante o Estado para fins partidários, mas ainda há leis na América. Tanto que nem Allan dos Santos foi extraditado, pois conseguiu asilo político e o governo americano não reconhece como crime a opinião do jornalista sobre o STF.

Mas se Alexandre não tem poder nos Estados Unidos e virou motivo de chacota no mundo, no Brasil é verdade que sua vontade virou “lei”, com a cumplicidade da mídia. A imprensa chegou a afirmar que a Anatel estaria de prontidão para banir o X do Brasil. Tirar o X do ar é fácil; difícil mesmo é ver a Anatel bloquear o sinal de celular dos presídios.

O STF está a serviço do petismo, perseguindo qualquer um que ouse defender a liberdade de expressão. A velha imprensa automaticamente sai em sua defesa, chamando de “ataque” qualquer crítica ao comportamento dos ministros supremos. Mas no resto do mundo essa narrativa não vai colar. E Elon Musk jogou os holofotes do mundo todo para o Brasil. As decisões bizarras de Alexandre de Moraes estão sendo escrutinadas por todos, o que vai revelar ao planeta aquilo que nós já sabemos faz tempo: não há mais democracia no Brasil.

Se Elon Musk levar adiante sua promessa, colocando princípios acima do lucro, o X vai suspender as punições ilegais de vários usuários, e acabará banido do país. O Brasil, então, entrará no rol de ditaduras totalitárias que expulsaram a plataforma. Musk já vem fazendo campanha para o uso de VPN, mecanismo necessários em regimes ditatoriais. A guerra está só começando. Mas o lado da liberdade ganhou um aliado de peso, o homem mais rico do mundo, dono da plataforma mais utilizada pelos jornalistas, e alguém com mais de 180 milhões de seguidores.

Musk pode inclusive banir Alexandre de Moraes de sua plataforma. Ainda não o fez pois, ao contrário do ministro, preza pela liberdade – mesmo daqueles que a utilizam para atacá-lo. Não sabemos como essa disputa vai terminar, até porque Alexandre é peixe pequeno no âmbito global: há bilionários poderosos do outro lado, como George Soros, lutando pela censura planetária.

Mas a simples entrada de Musk no jogo deu uma visibilidade ímpar para a situação brasileira. Agora o mundo todo já sabe que há um “juiz” rasgando as leis para perseguir desafetos. Somos uma ditadura, e reconhecer isso é o primeiro passo para mudar a triste realidade.

RODRIGO CONSTANTINO

BRASIL NO EIXO DO MAL

Venezuela quer reunião com Lula para aparar arestas.

Venezuela quer reunião com Lula para aparar arestas

Na ONU, Brasil reconhece violações aos direitos das mulheres no Irã, mas se abstém em votação para estender investigações: “Baseado em um espírito de diálogo construtivo, o Brasil vai se abster”, disse o chefe da missão brasileira durante sessão da Comissão de Direitos Humanos. O Brasil de Lula apoia o Irã dos aiatolás xiitas, no fundo.

Em nota do Ministério das Relações Exteriores, o governo brasileiro lamenta o terremoto no “Taipé Chinês”, que deixou nove mortos e centenas de feridos. Trata-se de mais uma prova que o Brasil de Lula é um puxadinho da ditadura chinesa. O Itamaraty colocou Taiwan como território chinês e não um país independente.

O Brasil se opôs a uma proposta da Comissão de Direito Internacional das Nações Unidas (ONU) de possibilitar que oficiais estrangeiros condenados por crimes de guerra sejam processados e punidos fora de seu país. A posição foi externada num parecer enviado em novembro de 2023 ao órgão da ONU, que disciplina a aplicação das regras do direito internacional entre os países membros.

No documento, o Brasil ainda defende que, dentro de seu território, um país só deve cumprir obrigações impostas pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) – como uma ordem de prisão – contra um líder estrangeiro somente se o país dele também for signatário do Estatuto de Roma, que criou a corte, define os crimes julgados por ela (genocídio, crimes contra a humanidade, crimes de guerra, entre outros) e processa pessoas acusadas por esses delitos.

Hoje, o processo mais notório no tribunal é o de Vladimir Putin, ditador da Rússia, contra quem há um mandado de prisão internacional expedido no ano passado, em razão de atrocidades cometidas na invasão da Ucrânia. Lula, como todos sabem, quer dar um jeitinho de levar o ditador assassino para o Brasil.

Por fim, Lula segue demonizando Israel para suavizar o lado dos selvagens terroristas do Hamas. Inventou um número absurdo, mentindo deliberadamente que mais de 12 milhões de crianças palestinas morreram em Gaza. A população total da Faixa de Gaza não passa de 2 milhões, e Israel tem cerca de 10 milhões.

Ou seja, Lula criou do nada tal número exorbitante, e não foi gafe: ele já confessou antes essa estratégia de chutar números absurdos para impressionar a plateia. É um mitomaníaco, e acabou sendo alvo de troça do chanceler Israel, Katz, que comentou marcando Lula: “Deveria haver uma lei que obrigasse toda pessoa que deseja se tornar presidente a aprender a contar”.

O Brasil lulista é um pária mundial, a vergonha do planeta, um país cada vez mais dentro do Eixo do Mal, investindo no antiamericanismo patológico e virando as costas para os valores ocidentais. E pensar que os tucanos globalistas fizeram o L para “salvar a democracia”…

RODRIGO CONSTANTINO

É PRECISO TER CORAGEM!

O desembargador aposentado Sebastião Coelho voltou a criticar Moraes pela condução dos processos do 8 de janeiro.

O desembargador aposentado Sebastião Coelho

Todos nós temos nossas preocupações comezinhas, nossos interesses mais imediatistas, nossa zona de conforto. E o problema é que, por conta disso, muitos se acovardam diante do perigo e permitem o avanço da tirania. Se todos abandonarem essa pusilanimidade, aí haverá uma resistência concreta aos que pretendem instalar uma ditadura em nosso país.

É nesse contexto que devemos enaltecer a escolha de Sebastião Coelho por Filipe Martins para ser seu novo advogado. Filipe, preso político há meses, sabe que não estamos mais no campo do Direito, e que não adiante um advogado apenas técnico, pois o ministro Alexandre de Moraes quer utilizá-lo como símbolo e aviso aos bolsonaristas.

Sebastião Coelho, portanto, é uma escolha corajosa. Filipe sabe que Alexandre odeia Coelho, principalmente após a humilhante exposição do advogado de um dos réus do 8 de janeiro, que levou o STF até a banir a defesa presencial.

O desembargador aposentado é homem de coragem, tão em falta no Brasil. E ao apontá-lo como advogado, Filipe Martins demonstra ter fibra também. O recado é claro: trata-se de uma pressão política e ele não quer se curvar, mas sim resistir e expor ao mundo o que acontece.

“Os julgamentos do 8 de Janeiro devem ser anulados por suspeição do ministro Alexandre de Moraes”, disse Sebastião Coelho. O Brasil vai acumulando presos políticos. Daniel Silveira é outro, que está preso ilegalmente há mais de 200 dias. Seu advogado chegou a pedir a prisão de Alexandre por tortura. Alexandre de Moraes multou o advogado.

Do ponto de vista individual, o custo de peitar o ministro e o sistema que ele representa é muito alto. Mas devemos, por isso mesmo, elogiar a coragem dos que agem assim, para resistir à tirania em curso.

“Alexandre de Moraes age como ditador”, disse o jornalista norte-americano que lançou luz sobre o Twitter Files no Brasil. Michael Shellenberger é outro que tem coragem e faz jornalismo sério, investigativo. As mensagens trocadas por executivos do antigo Twitter não deixam margem a dúvidas: Alexandre agiu de forma ilegal pressionando a plataforma para obter dados sigilosos sem mandado com o intuito de perseguir bolsonaristas.

Alexandre de Moraes, porém, dobrou a aposta e falou em usar seu novo “Ministério da Verdade” para derrubar contas e combater a “lavagem cerebral” nas redes sociais. Ele não tem mais como recuar: vai ter de dar “all in” e apostar em sua tirania impune mesmo, pois sabe que cometeu muitos crimes.

O ministro afirmou que “na história, nenhum presidente se iguala a Michel Temer”. Temer foi, de fato, um bom presidente, ainda que não o melhor. Mas Temer cometeu um grave equívoco. Quem indicou Moraes para o Supremo mesmo? Exato: Temer. Quem sabe o ex-presidente não possa articular para colocar um freio no arbítrio e no abuso de poder de seu indicado para o STF? É preciso ter coragem! Ou vamos mesmo virar uma ditadura totalitária…

RODRIGO CONSTANTINO

O DESAFIO DO ANO

Além do cenário externo, a Bolsa brasileira foi afetada por atitudes e declarações do governo Lula, em especial as reiteradas tentativas de interferência em estatais e empresas privadas.

Não chega a ser o último teorema de Fermat, claro, mas o neto de Lula lançou ao país todo um desafio e tanto: provar que seu avô é ladrão. Segundo o rapaz, cujo nome estava num dos pedalinhos do sítio que “não” era do seu avô, todo mundo repete, mas ninguém prova a culpa. Um “moleque” desafia, então, em busca de provas, diz ele.

Imbuído desta missão impossível, preparei meus instrumentos de Sherlock Holmes, limpei as lentes dos óculos, e mergulhei numa busca implacável tal qual Indiana Jones procurando a joia do Nilo. Não foi nada fácil, evidentemente. Mas, após 18 segundos de Google, do conforto de minha cadeira, eis algumas coisas que encontrei:

Tivemos, no governo Lula, o mensalão e o petrolão, e um simples gerente da Petrobras chegou a devolver aos cofres públicos cem milhões de dólares. Lula foi condenado por nove juízes e desembargadores em três instâncias, com “provas sobradas”.

Nem mesmo o STF, agindo como uma espécie de puxadinho petista, inocentou o companheiro. Na verdade, com base em malabarismos supremos e o pretexto do CEP da investigação, Lula foi “descondenado”, a coisa voltou à estaca zero e Sergio Moro foi considerado o único juiz suspeito do país, por “juízes” que são políticos e próximos do PT.

Além das provas concretas, podemos citar as constatações de gente acima de qualquer suspeita. Por exemplo: Geraldo Alckmin. O atual vice-presidente de Lula já disse que o ladrão queria voltar à cena do crime. Ministros supremos também já admitiram que o PT lulista agiu como uma quadrilha, que houve farta corrupção. Barroso foi um deles, mas não o único.

O Brasil todo chama Lula de ladrão pelo fato simples de que houve o maior esquema de corrupção da nossa história em seu governo, e ele mesmo se beneficiou dos esquemas com empreiteiros.

O desafio, como podemos ver, era mais fácil do que parecia. No fundo, a única coisa relevante nisso tudo é a falta de pudor do netinho de Lula ao lançar tal “desafio”. Isso sim, diz muito sobre a situação em nosso país. Seguro de que o vovô voltou com tudo à cena do crime e, desta vez, controla a imprensa quase toda e até militares, o rapaz se sente à vontade para tentar reescrever a história e criar um avô diferente do real.

É um país com tanta inversão moral, num faroeste espelhado, em que os bandidos perseguem os mocinhos, que até mesmo José Dirceu, anos depois, reapareceu no Congresso para discursar. E saiu em defesa da “democracia social”, aquela que tira dinheiro dos mais ricos – menos ele e Lula, milionários. O Brasil voltou! Dirceu é a cara disso no Senado. E o neto de Lula cobrando provas da corrupção do avô também. O desafio do ano, quiçá do século, será resgatar a decência em nosso país…

RODRIGO CONSTANTINO

SÓ EM DITADURAS NÃO SE PODE CRITICAR AUTORIDADES

Gilmar Mendes

O ministro do STF, Gilmar Mendes, entrou com uma representação na Polícia Federal contra um homem que o abordou no aeroporto de Lisboa. Ele foi identificado como Ramos Antonio Nassif Chagas, servidor do INSS. O homem disse a Gilmar: “Você e o STF são uma vergonha para todo o Brasil e para todo o povo de bem; infelizmente, um país lindo como o nosso está sendo destruído por pessoas como você”.

Trata-se claramente de uma opinião pessoal, que qualquer democracia protege como liberdade de expressão. Se o ministro se sentiu ofendido em sua honra, há mecanismos legais para um processo. Mas os advogados de Gilmar vão pedir uma investigação criminal. Segundo o ministro, a abordagem teve a intenção de intimidá-lo e “desestabilizar o funcionamento da instituição”.

Aqui já estamos na seara de regimes tirânicos. Nestes é que toda crítica ou opinião contrária ao sistema vira automaticamente “ataque às instituições”, passível de punição criminal e uso da polícia. A PF virou uma polícia política a serviço dos ministros do STF. Os policiais agem como capangas para intimidar críticos dos ministros, o que só ocorre em ditaduras como a de Putin, Xi Jiping ou Maduro.

E a coisa está sendo banalizada. Segundo a revista Oeste, o brasileiro Alexandre Kunz, que confrontou o ministro Barroso durante uma palestra em Oxford, foi intimado pela PF e deve prestar depoimento virtual. Kunz mora na Inglaterra há mais de dez anos e tem passaporte britânico. Segundo a PF, o processo tramita em sigilo no STF. Em suas redes sociais ele postou: “Fui intimado pela PF!! Qual animal eu perturbei? (seguido dos desenhos de uma baleia e uma lula). Nem no Brasil eu moro. Vergonha”.

Flavio Gordon comentou: “Mandar a polícia federal ir atrás de críticos é um claro ABUSO DE AUTORIDADE. É crime contra a administração pública”. João Luiz Mauad também escreveu sobre os casos:

A mesma PF, que há pouco decidiu arquivar o inquérito sobre o imbróglio no aeroporto de Roma, porque os “crimes contra a honra” não se encaixam em nenhuma das hipóteses de extraterritorialidade jurisdicional previstas na lei brasileira, agora resolveu “investigar” dois outros casos semelhantes. Eu coloquei as aspas porque está claro que o objetivo não é investigar, afinal as cenas estão gravadas em vídeo, mas intimidar as pessoas para tentar evitar que novos casos semelhantes ocorram. Em outras palavras: suas excelências estão incomodadas com esse tipo de abordagem. Não seria surpresa se, de agora em diante, interpelar autoridades em público, inclusive no exterior, passasse a ser considerado, também, crime contra a democracia…

Ironicamente, no aniversário do contragolpe militar de 1964 que impediu a vitória comunista no país, Gilmar Mendes comentou: “A luta contra o abuso de poder é também a luta da memória contra o esquecimento. Hoje e sempre, é preciso recordar o golpe de 1º de abril de 1964 e suas gravosas consequências para o desenvolvimento institucional do Brasil. É fundamental que, ao registrarmos a passagem dessas seis décadas, rememoremos as violências e as violações cometidas, a fim de que tal estado de coisas jamais se repita. Ditadura nunca mais!”

Seria até cômico, não fosse tão trágico. Enquanto isso, pressionado pelo mundo todo e até pelo companheiro Lula num teatro chinfrim, Maduro diz que a Venezuela tem o melhor sistema eleitoral do planeta. Agora sim, ele vai finalmente ser punido por Fake News em algum inquérito do nosso STF. Afinal, todos sabemos que o sistema venezuelano é o segundo colocado, já que o melhor mesmo é o nosso. Podem perguntar para o Barroso…

RODRIGO CONSTANTINO

FLUXO IMIGRATÓRIO É SEMPRE DA ESQUERDA PARA A DIREITA

Patrulha da fronteira dos EUA barrando imigrantes na fronteira do Texas com o México em 2023

Patrulha da fronteira dos EUA barrando imigrantes na fronteira do Texas com o México em 2023

Certa vez, no Fórum da Liberdade, Ciro Gomes condenou o muro americano na fronteira com o México, comparando-o com o Muro de Berlim. O esquerdista ignorou um “detalhe” óbvio: o muro dos americanos serve para impedir a entrada de imigrantes ilegais, enquanto o muro dos alemães comunistas servia para impedir a saída do próprio povo.

Eis a realidade que tanto incomoda a esquerda: o fluxo imigratório é sempre de países ou cidades mais esquerdistas para países e cidades mais de direita. A esquerda tem “lindas” ideias, sinaliza muita virtude, mas não consegue entregar bons resultados, pois sua ideologia vai contra a natureza humana. A direita prega a lei e a ordem, o livre mercado, os valores morais, e isso cria sociedades prósperas e desejadas.

Uma reportagem no Globo de hoje fala dos expatriados do Brasil que buscam refúgio nos Estados Unidos, muitas vezes de maneira ilegal. Pelo “sonho americano”, esses brasileiros aceitam privações e impedimento de visitar seus parentes. “Concentrados em sua maioria nas áreas metropolitanas de Miami, Boston e Nova York, muitos brasileiros trocam vida de classe média no Brasil por empregos nas áreas de construção civil e limpeza doméstica”, diz o subtítulo.

Há relatos de situações bem complicadas que indivíduos enfrentaram, mas um deles explica o motivo: “O termo que ainda podemos usar é o sonho americano. A perspectiva de que você aqui vai trabalhar, poder melhorar de vida e prover uma vida melhor, não só para você, mas para seus familiares”. Isso além da segurança, claro.

Na Gazeta do Povo, há uma reportagem sobre a enorme crise imigratória criada pelo socialismo na América Latina. Segundo a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), “mais de 7,7 milhões de pessoas deixaram a Venezuela em busca de proteção e de uma vida melhor; a maioria — mais de 6,5 milhões de pessoas — foi bem recebida por países da América Latina e do Caribe”.

“Desde 2014, o número de venezuelanos que solicitaram asilo em outros países aumentou 4.000%”, afirma a ACNUR. O Brasil passa a ser um destino desejável para o venezuelano, enquanto os Estados Unidos são o destino sonhado pelos brasileiros. Já dentro dos Estados Unidos, o fluxo de migração é de estados mais democratas (esquerdistas) para estados mais republicanos (conservadores).

É uma questão de grau de esquerdismo. A tendência é sempre a mesma: os indivíduos querem viver em locais onde há mais ordem, segurança e oportunidades, e isso quem costuma entregar é a direita. Quando as pessoas podem “votar” com os pés, elas invariavelmente deixam claro sua real preferência política, ainda que o discurso seja diferente. É o reconhecimento de que a direita tem um plano de voo mais eficiente, é superior à esquerda na hora de mostrar a que veio.

RODRIGO CONSTANTINO

BUROCRATAS FARDADOS

Ministro Francisco Joseli Parente Camelo, presidente do Superior Tribunal Militar.

Ministro Francisco Joseli Parente Camelo, presidente do Superior Tribunal Militar

O presidente do Superior Tribunal Militar (STM), ministro Francisco Joseli Parente Camelo, disse nesta terça-feira, 26, que não acredita que existe comunismo no Brasil e que a esquerda quer é “um Brasil melhor”. Em entrevista à BandNews TV, o tenente-brigadeiro do ar afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não é comunista.

“O presidente Lula é um sindicalista. Não vejo o presidente Lula, e jamais o vi, como um comunista. Porque as pessoas tem uma mania de pensar que ser de esquerda é ser comunista. Isso não existe. Ser de esquerda é querer um Brasil melhor, um Brasil mais solidário, um Brasil mais próspero, um Brasil que pensa no mais pobre, é tudo isso que a esquerda pensa. Ser de esquerda não é ser comunista e o comunismo, para mim, não existe no nosso país”, disse.

O presidente do STM também se referiu à ditadura militar de 1964 como uma “revolução necessária naquele momento”. “Vejo 1964 como uma revolução e como necessário. Não vou dizer que não cometemos erros, porque os erros foram acontecendo e foram virando uma bola de neve”, afirmou. Ora bolas: por que foi necessária naquele momento a revolução militar se não para impedir que comunistas tomassem o poder?

O ministro do STM quer dizer, então, que aqueles comunistas, que continuam os mesmos e sem qualquer pedido de desculpas ou reconhecimento dos equívocos de sua ideologia, abandonaram o comunismo? Os petistas não defendem até hoje o regime cubano, por acaso? Não enaltecem a “democracia relativa” da Venezuela, sob ditadura socialista?

Ao afirmar que ser de esquerda é “desejar um país melhor”, o ministro do STM apela para a tática do monopólio da virtude. Ele diria o mesmo da “extrema direita”? Esse tipo de “passada de pano” para o petismo é algo indecente, imoral e demonstra bem a razão da rápida deterioração do quadro institucional brasileiro: se até a elite militar acende vela para comunistas corruptos, quem vai impedir o projeto de poder do PT?

Um amigo da Marinha me recomendou o livro A estranha derrota, de Marc Bloch, cuja sinopse diz: “Considerada a mais pertinente análise da derrota da França na Segunda Guerra, esse livro foi escrito entre julho e setembro de 1940, logo após a rápida derrota das tropas francesas frente ao invasor alemão. O manuscrito escapou por pouco de se perder e só foi publicado seis anos depois, quando Marc Bloch, um dos mais importantes historiadores da França, já havia sido fuzilado pela Gestapo em 1944. Participando como soldado nas duas guerras mundiais, Bloch tenta compreender os motivos da derrota. Para ele, a França sucumbe não devido à sua inferioridade militar. Os motivos são mais profundos e Bloch busca a explicação no próprio ritmo da vida social. A edição traz outros pequenos textos que ajudam a compor um painel da sociedade francesa durante a Segunda Guerra e a revelar o perfil desse brilhante historiador, que contribuiu decisivamente para mudar o enfoque dos estudos históricos até então voltados para fatos políticos do passado, ao buscar apreender o homem na sociedade de seu tempo”.

Para meu amigo, o paralelo com nossas Forças Armadas é evidente. O autor explica que uma das razões para a França ter perdido a guerra em seis semanas foi a rotina de escritório a que os soldados e, principalmente, os comandantes foram submetidos após a Primeira Guerra. O mérito passou a ser o puxa-saquismo e o carreirismo rolou solto, os soldados deixaram de ser guerreiros para serem “funças”. Quando a guerra começou, deu no que deu.

“Nossos generais nunca tiveram um batismo de fogo, são burocratas que prestam continência”, desabafou. Isso vai na linha da crítica que o deputado Ricardo Salles tem feito aos nossos militares. A impressão que fica, para muitos patriotas, é que a cúpula militar parece disposta a tudo – até mesmo prestar continência ao ditador Maduro – desde que preserve seus carguinhos, alguma promoção ou privilégio, e dane-se o povo e o país!

Não tenho a menor dúvida de que tal conclusão será injusta com muita gente boa nos meios militares. Mas quando o presidente do STM faz esse papelão de se humilhar diante de Lula, a imagem das Forças Armadas fica mais e mais chamuscada perante o povo brasileiro.

RODRIGO CONSTANTINO

QUEM ACREDITA EM TEATRO DE LULA COM MADURO?

Cerimônia de chegada do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, por ocasião de sua visita oficial ao presidente Lula (PT), em maio de 2023

Cerimônia de chegada do ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, por ocasião de sua visita oficial ao presidente Lula (PT), em maio de 2023

Brasil e Venezuela trocam farpas. A velha imprensa finge que acredita. O ditador venezuelano, chamado de presidente pelo jornal O Globo, classificou sua opositora como “terrorista”, o que faz todo tirano. No G1, da Globo, temos o cenário de uma potencial briga diplomática entre os dois países:

A tentativa frustrada da professora Corina Yoris de se candidatar à Presidência da Venezuela como principal adversária de Nicolás Maduro produziu a primeira manifestação crítica do Ministério brasileiro das Relações Exteriores sobre o processo eleitoral no país vizinho. E, em consequência disso, uma resposta do governo de Maduro que externa irritação com a postura do Itamaraty.

Acredita na briga quem quer, claro. Tem gente que acredita em duendes, e tem gente que acredita até mesmo no Lula. Mas é preciso ser muito ingênuo para cair nesse teatro chinfrim. Tanto que na mesma nota do Itamaraty, o Brasil se coloca imediatamente contrário a qualquer sanção imposta ao regime companheiro.

No fundo, fica a sensação de que o Brasil deu até uma dica camarada ao amigo: se ao menos houvesse uma “decisão legal” impedindo a oposição de disputar a eleição… Ou seja, Maduro precisa cuidar mais das aparências, estabelecer um TSE como o nosso!

Afirmo que é teatro por motivos óbvios. A Venezuela não virou uma ditadura que persegue opositores agora, da noite para o dia. Ela sempre foi isso, há anos. E Lula sempre apoiou seus companheiros, primeiro Hugo Chávez, depois seu sucessor Nicolás Maduro. Lula e o PT apoiam a Venezuela não apesar da ditadura comunista, mas sim por causa dela. Como sempre apoiaram Cuba, ora bolas!

Crer, portanto, nessa troca de farpas diplomáticas é passar atestado de estupidez. Lula precisa recuperar um pouco a imagem de “democrata” perante o mundo, resgatar aquela narrativa falsa criada pela imprensa de que é uma espécie de Mandela pacificador. Ao ficar do lado do Hamas contra Israel no conflito em Gaza, Lula virou um pária mundial de vez.

As declarações de amor ao companheiro Maduro em nada ajudam no esforço incrível da velha imprensa de pintar o petista como democrata que veio “salvar a democracia” do Brasil, ameaçada por fascistas e golpistas imaginários. Ao “criticar” agora a falta de eleições limpas na Venezuela – o que ocorre há duas décadas – Lula ensaia adesão ao papel que lhe foi incumbido pela turma da Globo e companhia.

Mas Lula segue o mesmo: um bajulador de ditaduras comunistas que olha com certa inveja para o poder de seus companheiros. No Brasil, seu PT segue também com seu projeto totalitário de poder, que mira nos adversários e, com a ajuda suprema, cria crimes fantasiosos para justificar sua perseguição implacável.

A única diferença é que a Venezuela está em estágio mais avançado de comunismo e não precisa mais simular que é uma democracia. Mas o Brasil lulista chega lá, no que depender da mídia, da Polícia Federal, do TSE e do STF…

RODRIGO CONSTANTINO

QUANDO O ALVO É BOLSONARO, FALTA SEMPRE O CRIME!

Jair Bolsonaro

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes deu 48 horas para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) explicar formalmente sua hospedagem na embaixada da Hungria, em Brasília. A estadia ocorreu entre 12 e 14 de fevereiro, dias depois de o ex-mandatário ter o passaporte apreendido. As imagens de Bolsonaro na representação diplomática foram divulgadas nesta segunda-feira (25) pelo jornal norte-americano The New York Times.

Em 8 de fevereiro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou que o ex-presidente entregasse o passaporte à Polícia Federal. A decisão foi tomada no âmbito da Operação Tempus Veritatis, que investiga uma suposta trama golpista para manter Bolsonaro no poder após as eleições de 2022.

Bolsonaro não poderia ser preso por autoridades brasileiras, se estivesse dentro da embaixada, que representa legalmente território estrangeiro. A PF deve investigar quais foram as circunstâncias da visita de Bolsonaro à embaixada para verificar se houve tentativa de fuga ou pedido de asilo político, segundo apuração do jornal O Globo.

Especular sobre intenções é sempre algo mais complicado do que analisar ações concretas. E eis o ponto aqui: no caso de Bolsonaro, a “Justiça” está sempre especulando sobre suas intenções, já que seus atos em si não se configuram crime. Ou passar a noite na embaixada é proibido, por acaso?

Bolsonaro é “golpista”, pretendia mobilizar a população para criar um caos e agir para usurpar o poder, sabe-se lá como. É sempre o campo das suposições, do que ele faria, mas nunca do que ele efetivamente fez. É a “futurologia” do sistema, enquanto nos tempos petistas tínhamos fartos crimes cometidos, desvios de bilhões do governo, propinas, “provas sobradas”, como disse um desembargador entre os nove que condenaram Lula.

Bolsonaro seria alvo de ordem de prisão. Para fugir, ele foi para a embaixada da Hungria pois pretendia se proteger. Nem uma coisa (a ordem de prisão) nem a outra (ele fugir da ordem que não teve) aconteceu. Mas ele pode ser preso pelo que aconteceria, segundo especulações. Se isso não é a distopia do filme Minority Report, com Tom Cruise, não sei o que é.

Dormir na embaixada, repito, não é crime. E que tal ter conversas com traficantes na favela dominada pelo crime? Bolsonaro, usando sua “faca de corte rápido”, rebateu quando um jornalista perguntou se era normal pernoitar na embaixada: “Não é normal ir no Complexo do Alemão conversar com traficante”.

Bolsonaro foi acusado de forma leviana pela morte de Marielle. Agora que prenderam os mandantes, gente próxima do PT, ninguém mais fala do assunto. Bolsonaro foi acusado de forma leviana de ter levado os móveis do Palácio do Planalto. Agora que acharam os móveis, ninguém cobra do Lula explicação por ter responsabilizado o ex-presidente.

É tudo muito cansativo. É pura perseguição, e a velha imprensa faz parte, é cúmplice do consórcio PT-STF. Até mesmo se Bolsonaro pedisse asilo político não haveria nada de anormal ou inusitado. A Veja estampou em sua capa na época: “O plano secreto de Lula para evitar a prisão: pedir asilo à Itália e deixar o Brasil”. Só que Lula, como sabemos, participou de crimes de corrupção.

Já Bolsonaro é vítima de perseguição política. Afinal, todos sabem que o sistema podre e carcomido tem um culpado, que é Bolsonaro, faltando apenas o crime. Falta crime e falta “clima”, como confessou um jornalista próximo de ministros supremos. Por isso criam tantas narrativas, tantos factoides, pulam de pretexto em pretexto para desgastar Bolsonaro e preparar o terreno para a eventual prisão. Em regimes de puro arbítrio, o asilo pode ser a única saída mesmo…