CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

QUANDO EXPLODE A VINGANÇA (1971) – UMA OBRA-PRIMA DE LEONE

Imagem extraída do DVD

Ambientado durante a revolução mexicana de 1913, “Quando Explode a Vingança” (título original em italiano (Giù La Testa), terceiro filme do magno diretor Sergio Leone da trilogia de Era Uma Vez… é uma história sobre poder e política, escrito pelo diretor, os famosos roteiristas Luciano Vincenzoni e Sergio Donati, que colaboraram com o diretor em “Três Homens em Conflito” (1966) e “Era Uma Vez na América (1984).”

Rod Steiger, vencedor do Oscar de melhor ator no filme “No Calor da Noite” (1967) do diretor Norman Jewison, onde fez o papel do xerife Bill Gillespie, atuando ao lado do ator negro Sidney Poitier, interpreta Juan Miranda, um camponês rude com um coração de Robin Hood, Jemes Coburn (Sete Homens e Um Destino) (1960), co-estrela no papel de John Mallory, um revolucionário irlandês atirador de dinamite que fugiu para o México para praticar suas habilidades e Romolo Valli (Um Homem, Uma Mulher, Uma Noite). Juntos, eles preparam uma ousada operação de fuga para libertar prisioneiros políticos, defender seus compatriotas contra a milícia bem equipada de um sádico oficial e arriscam suas vidas em um trem carregado com explosivos. O filme tem uma magnífica fotografia realizada nos desertos da Espanha.

A rapidez com que o longa progride deve muito à montagem de Nino Baragli, que opta por diversos cortes bruscos seguidos de elipses. Tais saltos temporais, a princípio, confundem o espectador, passando uma sensação de termos perdido algo na narrativa. Entretanto, conforme os minutos se passam, vamos encaixando lentamente as peças e, com elas, vem o entendimento do filme como um todo.

Aqui não se pode deixar de traçar a semelhança com a leitura de um livro e sua estrutura capitular, que se traduz na tela da mesma forma. Essa espécie de quebra da imersão nos força a pensar, a analisar a projeção diante de nós, assumindo, talvez, uma visão mais crítica em relação à sua trama e, em segundo momento, à revolução em si. Os questionamentos, presentes nos closes das bocas cheias de comida, voltam ao primeiro plano e, por mais que os protagonistas estejam de um lado do conflito, passamos a nos perguntar qual a diferença entre ambos os lados. A importância de Juan e John é, aqui, ressaltada, ao passo que ambos foram tragados a contragosto para a revolução, não pertencendo, efetivamente, a nenhuma facção.

Mesmo com essa visão política presente na projeção, o que fica, porém, incrustado em nossa mente, é a amizade entre o mexicano e o irlandês, reiterando a forte visão humanista de toda a violência apresentada na obra. Quando Explode a Vingança, no fim, fica como uma grande aventura desses dois homens, caráter constantemente lembrado pela inesquecível trilha de Ennio Morricone, que rompe o som ambiente nos momentos-chave, seja para empolgar o espectador, seja para fazê-lo rir através da palpável química entre Rod Steiger e James Coburn. É um filme que merece ser assistido inúmeras vezes e que, em nenhuma delas, irá cansar, fisgando nossa atenção do início ao fim.

É preciso mencionar aqui as curiosidades que houve durante a pré-produção dessa obra-prima:

Inicialmente, Peter Bogdanovich seria o diretor de Quando Explode a Vingança, mas ele desistiu do projeto, sendo substituído por Sam Peckinpah, que acabou sendo retirado do projeto por questões financeiras com a United Artists; Peckinpah era um diretor de temperamento explosivo.

Clint Eastwood e Jason Robards estiveram cotados para interpretar o personagem Sean Mallory, mas nada concretizado; Quando recebeu a proposta do papel de Sean Mallory, James Coburn relutou antes de aceitar. Para ajudar na decisão, procurou o ator Henry Fonda, que tinha filmado “Era Uma Vez no Oeste” com o cineasta, e ouviu que Sergio Leone era o maior diretor com o qual já havia trabalhado.

Trailler oficial de Quando Explode a Vingança

Crítica a Quando Explode a Vingança

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O AVARENTO

Após um dia de trabalho intenso e cansativo com muitas corridas com a UBER, o ex traxista João da Silva resolve parar e recolher o carango para descansar e no dia seguinte pegar no batente cedo.

Chega a casa por volta das duas e meia da madrugada. Dá um beijo na mulher que o aguardava acordada. Toma um banho, janta, descansa um pouco em frente à televisão assistindo a um show de Bob Dylan – (Bob Dylan – Across The Borderline) (Live at Farm Aid 1986), de quem é fã incondicional. Cansado, pega no sono no sofá e depois desperta, se levanta e recolhe definitivamente à cama.

Mal se deita, o celular toca. Era um morador da mesma rua o chamando às pressas para socorrer a filha para uma UPA, que estava passando mal, com muita febre e vômito. O “ubeiro” não titumbeou um segundo, disse que sim e, cansado do jeito que estava, vestiu a mesma roupa com que trabalhou o dia inteiro e disse não ter problema. Mandou que o vizinho entrasse no carro às pressas com a filha e a esposa e “cantou” os pinéus.

Quando retornou da UPA com o vizinho e a filha já recuperada do mal-estar e medicada, o dia já havia amanhecido. Cobrou do vizinho apenas o valor da corrida, que ficou no “pindura” para ser pago no final do mês.

Dias depois, o “ubeiro”, precisando de umas vinte máscaras para trabalhar numa empreitada que havia firmado com um hospital para carregar paciente, sabendo que a esposa do vizinho, a quem havia prestado socorro à filha, era enfermeira de hospital e poderia conseguir as antefaces, procurou-o e contou-lhe da necessidade das máscaras. Prontamente o vizinho arranjou, mas quando o “ubeiro” lhe foi agradecer pelo “presente” ofertado, o vizinho “mala” advertiu:

– Não! Não! Não! Não! Não, amigo!

– Você não entendeu! Essas máscaras que eu estou lhe passando, custa um real cada uma! Portanto, como na caixa tem vinte, são vinte paus a caixa! Aqui está a caixa com as vinte máscaras, mas a entrega só será concretizada mediante o pagamento dos vinte “mangos!” Morou??!!!

Até hoje o “ubeiro” João da Silva não compreendeu a atitude tacanha do vizinho, avareza sem tamanho, a quem lhe havia prestado um grande favor meses antes, levando à filha a uma UPA sem cobrar nada em troca.

Bob Dylan – Across The Borderline (Live at Farm Aid 1986)

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JACK THE RIPPER, UM CASO NUNCA SOLUCIONADO, TORNA-SE FAMOSO MUNDIALMENTE

Texto escrito em parceria com Luis Antonio Tavares Portella

Jack, o Estripador (Jack theRipper em inglês) é o pseudônimo mais conhecido para designar um famoso serial killer (assassino em série) que nunca foi identificado, famoso por atuar na periferia de Whitechapel, distrito de Londres, e arredores em 1888. Na verdade, a alcunha de “Jack, o Estripador” teve sua origem em uma carta denominada Dear Boss (Prezado Chefe) que foi escrita por alguém que alegava ser o assassino e encaminhada para a polícia, carta essa que foi amplamente divulgada pela imprensa da época.

Acredita-se hoje que a carta era falsa e foi elaborada e escrita por jornalistas na época em uma tentativa de aumentar o interesse do público sobre o caso dando um nome ao misterioso criminoso para vender mais jornais. O famoso homicida também recebeu outros nomes, como WhitechapelMurderer (Assassino de Whitechapel) e LeatherApron (Avental de Couro), segundo algumas testemunhas, o suspeito sempre era descrito usando um sobretudo de couro para esconder sua identidade.

“Um possível suspeito”, caricatura do The Illustrated London News, publicada em 13 de outubro de 1888, retratando o Comitê de Vigilância de Whitechapel buscando Jack, o Estripador.

Seu modus operandi consistia em perseguir, atacar e estripar prostitutas que viviam e trabalhavam nos bairros pobres de East End. Após serem abordadas, as vítimas tinham suas gargantas cortadas com uma arma afiada e logo após tinham o seu abdômen perfurado e eviscerado, muitas vezes com remoção de alguns órgãos. Para peritos da época, os cortes e remoção de alguns órgãos levantou a hipótese de o assassino ter algum conhecimento sobre cirurgias e anatomia.

Mulheres e crianças em Whitechapel, em frente a alojamentos comuns, em meados do período dos assassinatos e nos arredores onde Jack, o Estripador cometeu seus crimes. Eram vizinhanças conhecidas por sua pobreza e alto índice de crimes, o que dificultou mais ainda a investigação do caso.

Rumores sobre a identidade do assassino se intensificaram entre setembro e outubro de 1888, quando a Scotland Yard (Polícia Britânica) e a imprensa receberam outras cartas supostamente escritas pelo assassino. Uma delas, a famosa carta”From Hell” (Do Inferno), foi recebida por George Lusk do Comitê de Vigilância de Whitechapel, e incluía em seu interior a metade de um rim humano preservado, possivelmente retirado de uma das vítimas. Hoje, acredita-se que essa carta de fato tenha sido escrita pelo próprio assassino. A opinião pública sempre foi a favor da existência de um único assassino, descartando a possibilidade de serem vários, usando como base a natureza brutal de suas matanças e o sensacionalismo da imprensa da época, que criou uma aura quase sobrenatural ao redor de sua existência e dos homicídios. Jack, o Estripador, segundo os boatos, sempre agia sozinho, de forma fria e calculada.

Vários jornais locais cobriram exaustivamente o caso e foram essenciais para consolidar a fama internacional do Estripador, bem como o mistério da sua identidade, tornando-se praticamente uma lenda urbana. Suas vítimas canônicas, ou “As Cinco Vítimas”, como ficaram conhecidas: Mary Ann Nichols, Annie Chapman, Elizabeth Stride, Catherine Eddowes e Mary Jane Kelly, foram mortas entre 31 de agosto e 9 de novembro de 1888 e são geralmente consideradas as mais plausíveis de estarem conectadas, devido aos detalhes que conectam os crimes e o modus operandi do assassino detalhado pela polícia. Após as cinco, Jack aparentemente desapareceu. Entre 1888 e1891, outros assassinatos brutais ocorreram em Whitechapel, mas as investigações oficiais da polícia descartaram a relação destes com as “cinco canônicas”. Jack nunca foi capturado e os assassinatos das cinco mulheres nunca foram resolvidos. Estes, tornaram-se lendas junto com o assassino, sendo genuinamente fonte de pesquisas históricas, folclore e até pseudo-história. Hoje em dia, existem mais de cem suspeitos de serem Jack, o Estripador, mas a falta de tecnologia na época para análises mais detalhadas e as evidências limitadas tornam quase impossível concluir o caso. Jack, as cinco vítimas e a incapacidade da polícia de resolver o enigma inspiram muitos trabalhos ficcionais até hoje. Fica a pergunta: “Quem era ele ou ela”?

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PEDRA LETICIA – MAMONAS ASSASSINAS CAGADA E CUSPIDA

Alguns momentos de Pedra Letícia e o ídolo Reginaldo Rossi

A sensação musical do momento nas Redes Sociais é a banda de rock cômico de Goiânia (GO), Pedra Letícia, formada pelo vocalista, compositor, letrista, violonista e arranjador Fabiano Cambota, Xiquinho Mendes (guitarra), Kuky Sanches (baixo), Pedro Torres (bateria).

O nome da banda deriva de uma brincadeira de Renato Aragão (Didi), ao cantar a música tema (“Bijuterias”) de João Bosco, da novela “O Astro”, (1977), porém substituindo o verso “Minha pedra ametista” por “Minha pedra Letícia”. A banda também brinca com o fato de serem goianos e não fazerem músicas sertanejas, mas não gostam de classificar seu estilo musical.

Na estrada desde os anos dois mil, a banda só decolou mesmo quando um fã pegou um videoclipe amador da música “Como é que ocê pôde abandoná eu?”, com um áudio de qualidade baixa retirado de um dos shows da banda com slides de imagens do Google foi publicado no You Tube por um fã e acabou viralizando na internet com um número de acessos ultrapassando mais de cinco milhões de visitantes.

Isso acabou por lotar a agenda da banda com muitas apresentações por todos os interiores e capitais do Brasil, despertando a curiosidade dos maiores programa de televisão, entre ele o Domingão do Faustão.

Não demorou muito para que a banda recebesse propostas de várias gravadoras, decidindo assinarem com a EMI em 2008, que foi a única que não quis montar um projeto, comparando o Pedra Letícia com os Mamonas Assassinas. Em setembro de 2008 foi lançado o álbum de estreia homônimo “Pedra Letícia” pela gravadora EMI e produzido pelo ex-guitarrista do Herva Doce e produtor musical Marcelo Sussekind[12], com participação especial de Reginaldo Rossi na faixa “Em Plena Lua de Mel”. As músicas “Como que ocê pode abandonar eu” e “Teorema de Carlão” se tornaram populares, com esta última se tornando um hit nas rádios cariocas. Esse ano foi marcado também pela entrada do baterista Zé Junqueira e do guitarrista Everton Queiroz, que foi temporariamente contratado e depois foi substituído por Fábio Pessoa.

Em 20 de junho de 2020 foi feita uma live da banda nos Estúdios 624 cantando Hits como “Ela Traiu o Rock’n Roll”, música de Fabiano Cambota com o humorista Danilo Gentili, “Teorema de Carlão/Pega uma Baranga”, “Como que ocê pôde Abandoná Eu”, “Eu Não Toco Raul”, “Funcionário do Mês”, “Caretão” e muitas outras estão no repertório da apresentação.

No dia 11 de agosto de 2021, a banda lança o álbum ao vivo duplo “Live de 15 Anos”, que acabou alcançando a posição 94 na parada do Apple Music Brasil.

A banda segue fazendo muito sucesso por todo o Brasil, mas segundo o vocalista, Fabiano Cambota, a coisa só estourou mesmo quando ele sacou que o humor é um estado de espírito que deveria ser utilizado nas letras das músicas e nos shows como uma válvula de escape para fazer o público rir. Mamonas Assassinas, fenômeno nacional nos anos noventa, que o diga.

Em Plena Lua de Mel – Pedra Letícia DVD “Ao Vivo e sem Retoques”

O auge e Queda de Fabiano Cambota – Pedra Letícia

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SAM PECKINPAH – O POETA DA VIOLÊNCIA

Peckinpah nos bastidores das filmagens de Pat Garrett & Billy the Kid

Sam Peckinpah sempre foi um diretor polêmico desde seus primeiros filmes The Deadly Companions, traduzido no Brasil por Parceiros da Morte (1961); Ride The High Country, traduzido no Brasil para Pistoleiros do Entardecer (1962); Major Dundee, traduzido no Brasil para Juramento de Vingança (1965), dentre outras obras-primas da sua filmografia.

Pat Garrett & Billy the Kid (1973), como outros filmes de Peckinpah, foi assolado por problemas. A produção do filme ficou conhecida pelas batalhas nos bastidores entre Peckinpah e os chefões do estúdio Metro-Goldwyn-Mayer. Devido às muitas confusões, logo após o término das filmagens, o diretor perdeu o controle sobre o longa e o corte e a edição foram assumidos inteiramente pelo estúdio. O filme foi substancialmente reeditado, resultando em uma versão truncada lançada nos cinemas e amplamente rejeitada pelo elenco, pela equipe técnica e pelo próprio diretor. Esta versão também foi bastante criticada pelo público. A “versão prévia” de Peckinpah (também conhecida como versão do diretor), só foi lançada em home vídeo 15 anos depois, em 1988. Esta, levou a uma reavaliação do filme, com muitos críticos aclamando-o como um clássico maltratado e um dos melhores filmes da época.

A começar por James Coburn que aceitou trabalhar no filme, porque queria interpretar o legendário xerife Garrett. Era para ser dirigido por Monte Hellman, que alcançara êxito com Two-Lane Blacktop. Quando Peckinpah foi chamado para a direção, sua intenção era transformar a história num fecho da revisão do Velho Oeste que ele havia começado em Ride the High Country e continuado em The Wild Bunch.

Peckinpah reescreveu o roteiro de Wurlitzer, alterando a relação de Billy e Garrett, o que abalou o escritor. Peckinpah queria Bo Hopkins para o papel de Billy, mas acabou acertando com o cantor de música country Kris Kristofferson (sem barba). Kris trouxe para o elenco sua então esposa Rita Coolidge e o cantor Bob Dylan.

Peckinpah procurou homenagear atores lendários do gênero western, contratando para o filme Chill Wills, Katy Jurado, Jack Elam, Slim Pickens e Paul Fix. Jason Robards, que trabalhou com o diretor em seu conturbado filme de 1970, The Ballad of Cable Hogue, também fez uma pequena ponta.

O filme foi rodado em Durango, México, por pressão dos produtores. As dificuldades da realização e montagem acabaram por prejudicar o resultado final, e Peckinpah não obteve o retorno do público e da crítica que merecia. Nos últimos anos foram lançadas versões mais próximas do que o diretor desejava, fazendo com que o filme fosse valorizado.

Peckinpah consagrou-se como um dos mais vigorosos e hábeis cineastas estadunidenses pela utilização estética da violência e da brutalidade na maioria das suas obras. Ele desenvolveu um cinema cheio de realismo, onde a característica principal não era a violência que os filmes continham e sim a forma como ele a manipulava em função de seus personagens.

Encantou-se jovem (59), mas deixou um legado para a posteridade.

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PAT GARRETT AND BILLY THE KID (1973)

Para Altamir Pinheiros

Pat Garrett e Billy The Kid é um faroeste clássico, sem maquiagem, do Poeta da Violência, Sam Peckinpah, meio desconhecido dos aficionados do western raiz, mas que deixou sua marca pela canção de duas estrofes e o refrão, escrita na época pelo maior músico e compositor do Século XX, Byb Dylan, para fazer parte da trilha sonora: Knocking on Heavens Door.

A começar pelo elenco, Jemes Coburn (Patt Garrett), Kris Kristofferson (Willian Bonney), Bob Dylan (Elias), Jason Robards (Gov. Lew Wall), Rudy Wurtitzer) e Katy Jurado (Mrs. Baker), o Poeta da Violência imprime seu ritmo alucinógeno nas cenas de combate sem deixar margem para que outros cineastas o substituam. Kris Kristofferson foi quem deu a ideia a Dylan para escrever a canção para o filme, que se tornou um clássico do cantor e compositor.

Knockin’ on Heaven’s Door, o inesperado sucesso de Bob Dylan, completa 50 anos, e tornou-se sucesso no mundo todo.

Segundo o crítico musical José Teles, no seu site oficial TELESTOQUES, o livro Bob Dylan – The Lyrics 1961 -2012 reúne as letras que Dylan compôs durante 51 anos, um calhamaço com 740 páginas. Uma produção prodigiosa, com dezenas de obras-primas, que o levaram a ganhar um Nobel de Literatura em 2016. No entanto, uma das canções mais simples, despretensiosas (duas estrofes e o refrão), escrita para ilustrar uma cena do filme Pat Garrett e Billy The Kid, tornou-se a mais conhecida do compositor mundo afora. A genialidade é o tutano da simplicidade.

Cantada por estrelas como Eric Clapton, Guns ‘n’ Roses, The Byrds, Harry Styles, Elvis Costello, Zé Ramalho. Há até uma versão de John Lennon, num CD da série The Lost Lennon Tapes. É obrigatória no repertório de bandas que fazem covers de rock setentista. Em 2004, num desses listões da Rolling Stone, que frequentemente compila canções mais isso ou aquilo, no das 500 Melhores Músicas de Todos os Tempos, a de Dylan figura na posição 190.

A estas alturas fica óbvio que a canção é Knockin’ on Heaven’s Doors, que completou 50 anos 2023. Foi escrita num dos anos menos prolíficos do compulsivo Bob Dylan. Em 1973, ele só lançou um disco de estúdio, com a trilha do filme de Sam Peckinpah, Pat Garrett and Billy The Kid, com James Coburn, e Kris Kristofferson. Este último foi quem convenceu Dylan a compor as músicas do filme, inclusive “Knockin’ on Heaven’s Doors”. Dylan acabou fazendo um papel coadjuvante, um sujeito chamado apenas de “Alias”, ou “Vulgo”, que mal fala nas cenas em que aparece (a foto é um still de Dylan como Alias)

Feito numa época em que o western estava em baixa, Pat Garrett and Billy the Kid não foi sucesso de bilheteria, nem de crítica. Tampouco se esperava que a música tivesse vida própria fora das telas. Lançada dois meses depois da estreia do filme, Knockin on Heaven’s Door iniciou sua carreira de sucesso. Seria a música mais regravada de Bob Dylan nos anos 70. Foi gravada na Cidade do México, com participação de Roger McGuinn (The Byrds), no violão, e Jim Keltner na bateria, Terry Paul, no baixo, e Carl Fortina, no Harmonium, e ainda um coral feminino.

Pat Garrett & Billy the Kid Official Trailer #1 – James Coburn Movie (1973) HD

Pat Garrett and Billy the Kid Knocking on heavens door

Bob Dylan – Knockin’ on Heaven’s Door (Live)

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FRANCISCO DE ASSIS – O MANÍACO DO PARQUE

Francisco de Assis, à época da prisão, em 1989

O filme de título “Maníaco do Parque”, que está sendo rodado em São Paulo e será lançado em 2024, contará a história do serial killer Francisco de Assis Pereira (1967), o motoboy psicopata vivido na tela pelo ator (Silvero Pereira), foi condenado por um júri popular a mais de 268 anos de prisão por atacar mais de vinte e uma mulheres, tendo assassinado dez delas e escondido seus corpos no Parque do Estado, em São Paulo.

A história do assassino em série e os detalhes da sua psicopatia são revelados por Elena (Giovanna Grigio), uma repórter iniciante que enxerga na investigação dos crimes cometidos pelo maníaco a grande chance de alavancar sua carreira. Enquanto Francisco de Assis segue vivendo livre e atacando mulheres, sua fama na mídia sensacionalista cresce vertiginosamente, gerando terror na capital paulista.

Tendo suas primeiras cenas gravadas no parque de São Paulo, o filme o “Maníaco do Parque,” está sob a direção do competente diretor Maurício Eça, produzido por Marcelo Agra e roteiro de L.G. Bryão, Thaís Nunes, com estréia prevista para 2024, conta a história do motoboy, o serial killer Francisco de Assis, matador de mais de dez mulheres no parque da zona sudeste de São Paulo nos anos noventa e abusado de mais de vinte e uma delas. Isso é o que está comprovado nos inquéritos policiais.

A história do Maníaco do Parque é assustadora, aterrorizante, exigindo uma abordagem séria do diretor que a conduz à telona. Filmar a história do Maníaco do Parque com seriedade, fugindo dos clichês dos filmes brasileiros, é saber decifrar com seriedade o poder de persuasão do maníaco para atrair suas vítimas para dentro do Parque com promessas vãs. “Me aproximava das meninas como um leão se aproxima da presa. Eu era um canibal. Jogava tudo o que eu podia para conquistá-la e levá-la para o parque, onde eu acabava matando e quase comendo a carne. Eu tinha uma necessidade louca de mulher, de comê-la, de fazê-la sentir dor. Eu pensava em mulher 24 horas por dia.”

O famoso motoboy recebia várias cartas de admiradoras na prisão. Alguns trechos desses documentos]:

“Eu não sei o que fazer para te distrair. Mas eu tenho uma ideia: primeiro quero dizer que te desejo todas as noites. É muito bom. Te acho gostoso, meu fogoso. Você está juntinho comigo, dentro do meu coração. Depois que chego em casa, queria você de corpo e alma, te amando. Te quero de qualquer jeito. Eu te amo do fundo do meu coração. Não perca a esperança, acredite em Deus, porque algum dia a gente vai se encontrar. Sei de seu comportamento doentio, por isso quero que fique calmo… ”

“Por enquanto, nossos beijos são assim. Mas quero te beijar de verdade. Acho que tens saudades. Eu te amo, te amo, te amo etc., te desejo, te quero de corpo e alma. E me perdoe por tudo que estou sofrendo. Sabe Francis, eu não me conformo, e choro. E eu preciso ser forte (…)”

“Quero te dizer que estou morrendo de saudade, querendo você… Aih meu Deus como te desejo todas as noites. Eu durmo sozinha e querendo você aqui. Mas sei que é impossível. O certo é eu ir te ver. E como posso sentir. Que é meu?”

“Francisco, não deixe a tristeza tomar conta de você e acabar com o brilho do seu olhar. Acredite em Deus, você não está e nunca ficará sozinho. Jesus te ama, sua mãe e seu pai também e, principalmente, eu…”

“Depois que tudo aconteceu, tentei dar um fim a minha vida, mais uma coisa super interessante teve que acontecer, eu pensei muito e tive esperanças, acredite o mundo dá voltas, quando a gente menos espera algo de bom sempre acontece.”

O jornalista e roteirista Gilmar Rodrigues publicou, em 2009, o livro “Loucas de Amor: mulheres que amam serial killers e criminosos sexuais” (editora Ideias a Granel), onde tenta entender por que o Maníaco é desejado por tantas mulheres. Segundo o autor, ele ficou impressionado com as cerca de mil cartas de amor que o criminoso recebeu um mês após ser preso, ainda em 1998.

Espera-se que o diretor Maurício Eça seja honesto na transposição para a telona desse tema tão integrado e salve o cinema brasileiro das porcarias que são lançadas há de séculos.

Maníaco do Parque conta o que sente ao ver fotos de suas vítimas

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RECUPERACAO

Eu estou praticamente recuperado do acidente, mas como eu tenho artrose e artrite e a roda dianteira da moto acertou em cheio meu joelho esquerdo, o impacto não deslocou o joelho, mas provocou um inchamento que, mesmo curado, a dor da recuperação é insuportável, não deixa escrever.

Já marquei a data para começar a fisioterapia para diminuir ou acabar o inchaço.

Será na próxima semana.

Foi ótima a recuperação: muita disciplina e não ficar parado esperando a morte chegar.

Amigos da Confraria do Bem do JBF, eu tive sorte, muita sorte mesmo, não ter ficado inutilizado com fraturas ou quebra de algum membro.

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“ARRUMA UM PAU QUE TEM SOMBRA”

Posto de Saúde Terezinha Batista

Eram cinco horas da manhã de uma segunda-feira chuvosa.

Nesse dia o setor de emergência do Posto de Saúde Freira Terezinha Batista estava abarrotado de indigentes esperando atendimento, principalmente de jovens grávidas, geração Bolsa Família, programa esmola criado e ampliado no governo LULA, que tinha como lenitivo o suposto combate à pobreza, à desigualdade social e à assistência à população miserável, segundo exposição de motivos da lei 10.836, de 9 de janeiro de 2004, mas que, criminosamente, foi desviado do seu objetivo principal para dar lugar a um assistencialismo ladravaz jamais visto na história do Brasil.

Às seis horas da manhã chega ao setor de emergência uma paciente já em trabalho de parto. Os enfermeiros de plantão correm para atendê-la, mas quando se aproximam o bebê já está aos berros nas mãos da avó materna que veio acompanhada da neta na ambulância.

Mal a genitora e a avó descem do socorro, aparecem mais quatro crianças, filhos da neta, que tinham entre dois e três anos. Afora três de idade entre quatro, cinco e seis anos que haviam ficado no barraco assistidos pela irmã adolescente da genitora que, além de prenha do terceiro filho, também possuía mais dois de pais diferentes.

Arrancando os cabelos diante de tal situação e não controlando o desespero por ver tanto neto ao seu redor, a avó da genitora, uma senhora de quarenta anos, mas aparentando ter mais de sessenta, não contém a lágrima e, se dirigindo à neta, desabafa:

– Carminha, minha fia! Onde tu vai parar com tanto fio? Tu e tua irmã já tem pra mais de doze! Não é possível, fia! Tu tá pensando que o governo vai te sustentar e teus fios com essa esmola do bolsa família pra o resto da tua vida, é? Acorda pra Jesus, menina!

E continuou:

– Acaba com essa ilusão e vai arrumar um pau que tem sombra para tu descansar debaixo! Quem vive de promessa são palavras, menina! Tu precisa de um homem que cuide de tu e desses meninos, porque depois que Deus me levar, quem vai cuidar de tu e teus fios?

Desabafou a avó, soluçando, atenta a uma nova ambulância que chegava ao pátio do Posto de Saúde com mais uma filha do bolsa família com a barriga carregando trigêmeos, preste a dar à luz!

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OPPENHEIMER (2023), O FILME DO ANO

Texto escrito em parceria com Luis Antonio Tavares Portella, meu filho

Oppenheimer é um filme biográfico de suspense escrito e dirigido por Christopher Nolan. É baseado na biografia de 2005 American Prometheus, dos autores Kai Bird e Martin J. Sherwin. O filme narra a vida de J. Robert Oppenheimer, um físico teórico que foi fundamental no desenvolvimento das primeiras armas nucleares como parte do Projeto Manhattan, inaugurando assim a Era Atômica.

A trama do filme adaptará a história real de J. Robert Oppenheimer, o físico teórico norte-americano que ficou conhecido como o “pai da bomba atômica”. Ele se tornou o diretor do Laboratório de Los Alamos, chefiando a pesquisa e o desenvolvimento da arma que ajudou a encerrar a Segunda Guerra Mundial, sob o que foi secretamente chamado pelo governo de Projeto Manhattan.

Após a Guerra, ele foi nomeado como presidente do Comitê Consultivo da Comissão de Energia Atômica, onde manifestou forte oposição ao desenvolvimento da bomba de hidrogênio, sucessora da sua criação, o colocando em conflito com o também físico Edward Teller, a mente por trás da nova arma. Oppenheimer então se juntou a outros grandes cientistas que possuíam as mesmas preocupações para pressionar o governo a interromper o projeto da nova arma, já que tamanho poder de destruição era perigoso demais para a humanidade.

Durante a Guerra Fria, em 1953, foi acusado de ser comunista. Ele não foi oficialmente culpado por traição, mas perdeu acesso aos segredos militares. Após se afastar das pesquisas em armas bélicas, foi Diretor do Instituto de Estudos Avançados de Princeton, onde trabalhou até se afastar para tratamento de um câncer na garganta, vindo a falecer por conta da doença em 1967.

Continuando a tradição de Nolan de preferir efeitos visuais práticos ao invés de gráficos gerados por computador (CGI), as filmagens envolveram o uso de explosivos reais para recriar o teste nuclearTrinity. Um cenário especial foi criado com gasolina, propano, pó de alumínio e magnésio para serem usados. Ao usar miniaturas para o efeito prático, o supervisor de efeitos especiais do filme, Scott R. Fisher, referiu-se a elas como “grande-aturas”, já que a equipe tentou tornar os modelos os maiores possíveis. Para parecer que tinham tamanho natural, a equipe usou a técnica de perspectiva forçada. Além disso, uma cidade no estilo dos anos 1940 também foi construída do zero para o filme. Imagens das interações entre átomos, moléculas e ondas de energia, bem como a representação de estrelas, buracos negros e supernovas, também foram obtidas por meio de métodos práticos. Nolan afirma que o filme não contém efeitos gerados por computador, dando um charme especial à sua produção.

Oppenheimer torna-se assim mais um fruto da mente ousada e criativa de Christopher Nolan, mostrando porque é considerado um dos principais cineastas do século 21.

a) OPPENHEIMER – Novo Trailer (Universal Studios) – HD

b) “Oppenheimer”: a ópera atômica de Chris Nolan – comentários de Isabela Boscov