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CHAMAS DA VINGANÇA (2004) – UM FILME EXCELENTE DE AÇÃO

Imagem de Chamas da Vingança quando lançado em DVD

Dirigido por Tony Scott, irmão do aclamado diretor Ridley Scott, infelizmente se suicidado jogando-se de uma ponte em Los Angeles em (19.08.2012), Chamas da Vingança, conta a história de Creasy (Denzel Washington), um ex-agente da CIA que, torturado pelas lembranças de seus atos passados, tornou-se alcoólatra e decidiu sair dos Estados Unidos. Em visita a um antigo colega no México, ele recebe uma proposta para se tornar guarda-costas da pequena Pita (Hannah Dakota Fanning), filha de um poderoso empresário mexicano e de uma americana – um trabalho nada fácil em um país no qual, de acordo com o próprio filme, ocorre um seqüestro a cada 60 minutos.

Um grande aspecto do filme é a sua coesão, de tal modo que todas as motivações fílmicas são explicadas, e uma coisa leva a outra com a naturalidade que deve ser. Aqui, o cineasta trabalha bem com essas cenas de reconhecimento, levando os personagens a identificarem símbolos ou signos capazes de mudar o rumo dramático. A cena do sequestro é um claro exemplo disso. John Creasy (Denzel Washington), ao treinar Lupi (Dakota Fanning) para uma competição, a acostuma com um barulho agudo, que significa que ela teria de partir em retirada ao ouvi-lo. Sabendo disso, num momento em que ela está prestes a ser sequestrada, Creasy atira para o alto e ela, já sabendo do sinal, o reconhece e foge. São elementos desta natureza que incrementam o enredo e abrilhantam o filme.

O personagem de Denzel Washington é obscuro emocionalmente, frio na exata medida para transpassar infelicidade, mas humano o bastante para demonstrar afeto diante da única personagem capaz de fazê-lo sorrir no filme. Ele apenas esboça um sorriso duas vezes e nas duas é acompanhado da menina, que de algum modo o traz à vida. É, enfim, quando tudo parece voltar a fazer sentido para ele que acontece a ruptura brutal e ela sai de cena. Esta é uma grande atuação de Denzel Washington, que traduz em verdade tudo aquilo que lhe era exigido para o papel. Por meio do protagonista, temáticas violentas como solidão e desamparo são introduzidas de maneira bem assídua e as frases pronunciadas por ele, assim como suas expressões faciais, atingem em cheio, quem assiste.

Inicialmente relutante em aceitar a tarefa, Creasy acaba se apegando à garotinha – e, quando uma tragédia se abate sobre a família, o sujeito resolve se vingar de todos os responsáveis, diretos e indiretos, pelo que ocorreu (em seu caminho, ele encontra dois personagens vividos por atores brasileiros, Gero Camilo, um gênio que a Globo Lixo só utiliza para porteiro das cidades cenográficas e Charles Paraventi, ambos atores de Cidade de Deus)…

a) Chamas da Vingança – Man on Fire 2004 Trailer.

b) Sinopse: Chamas da vingança (Man on Fire) 2004 [Trailer, Filmes, Resenha, Sumário, Relato]

c)Gero Camilo conta como foi trabalhar com Denzel Washington | QUE NEM TU

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ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ (2007) – UMA OBRA-PRIMA DOS IRMÃOS COEN

Cartaz do filme quando lançado em DVD

Quando Clint Eastwood encarnou seu “pistoleiro sem nome” na célebre Trilogia dos Dólares, de Sergio Leone, o gênero western ganhou um novo padrão. Não mais o cowboy bom-moço de outros clássicos do gênero, como os interpretados por John Wayne. Agora o protagonista demonstrava claramente sua moral duvidosa e seus óbvios traços de cinismo. Não é segredo para ninguém que ali o protagonista de western ganhou contornos bem mais humanos e quase que fronteiriços entre o herói e o anti-herói. Também seria óbvio dizer que os irmãos Coen conheciam muito bem essa evolução quando filmaram Onde Os Fracos Não Tem Vez. Mas a obra-prima de 2007 é muito mais que um simples padrão modernizado do gênero. Os diretores adicionaram elementos que modificaram sua estrutura e seu espírito. Se o longa-metragem o subverte ao dar o protagonismo a um anti-herói inequívoco, ele acaba também por modificar os próprios moldes dos vilões tradicionais, já que Anton Chiguhr é em tudo atípico.

Qualquer análise sobre Onde Os Fracos Não Tem Vez gravitará necessariamente em torno de seu anti-herói – um dos maiores vilões da história do cinema. Javier Bardem interpreta Chiguhr de modo assombrosamente inspirado e o compõe de uma série de maneirismos que revelam sua frieza, sua soberba e sua completa loucura. Seu corte de cabelo excêntrico parece ser usado por ele como uma ironia ou um deboche. Impressiona seu ritualismo a cada cena. Ele caminha calmamente até suas vítimas e dialoga com elas sem jamais se exaltar, agitar-se. O personagem decide com lances de uma moeda se seu interlocutor morrerá ou viverá.

Anton Chiguhr nega o livre arbítrio. Seus atos são reflexos de uma força que não demora a se revelar – o psicopata dos irmãos Coen encarna a própria força da morte. Irreprimível e atemporal. Nenhum dos personagens do longa-metragem apresenta registros de historicidade. Nada sabemos sobre eles. Nem suas motivações nem seus objetivos. Presente, passado e futuro tornam-se um só.

Texas, década de 80. Um traficante de drogas é encontrado no deserto por um caçador pouco esperto, Llewelyn Moss (Josh Brolin), que pega uma valise cheia de dinheiro mesmo sabendo que em breve alguém irá procurá-lo devido a isso. Logo Anton Chigurh (Javier Bardem), um assassino psicótico sem senso de humor e piedade, é enviado em seu encalço. Porém para alcançar Moss ele precisará passar pelo xerife local, Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones). Excelente filme que demorei muito para assisti. Um filme bem tenso e para deixar mais tenso ainda o telespectador o filme não tem trilha sonora e com uma brilhante atuação de Javier Bardem, com uma fotografia soberba. Oscar merecido.

“Onde os Fracos não têm Vez” é, sem dúvida o auge dos irmãos Coen, que aqui fazem um trabalho de mestre em um filme que faz uma reflexão sobre os tempos de violência.

O filme acompanha um ex militar Llewelyn Moss que encontra em um cenário de crime uma maleta contendo 2 milhões de dólares. Ele decide levar para casa mesmo sabendo que vai dar errado. Um psicopata sem senso de humor e que mata com frieza é contratado para achar o dinheiro e inicia sua caçada deixando rastos de morte por onde passa, paralelamente o Xerife Bell está na caçada não só pelo assassino quanto por Llewelyn.

O filme é uma adaptação do livro escrito em 2005 por Cormac McCarthy chamado de No Country For Old Men. É escrito e dirigido pelos irmãos Coen, que aqui apresenta seu melhor trabalho. É um filme profundo e cheio de camadas, definitivamente não é para todos já que os diretores adotam um ritmo lento e os diálogos são feitos para serem interpretados. Aliás, eles estão muito inspirados aqui, cada personagem são brilhantemente bem escritos.

O filme tem como protagonismo o personagem Bell, veterano da polícia, o filme abre com um “voice over” com ele relembrando o pai e avô dele na época que eles trabalhavam na polícia, desse diálogo podemos tirar a sacada do filme, de que os tempos mudaram (ou não já que temos outro diálogo lá para o fim), agora o mundo é cheio de violência, o ser humano não possui mais bondade, são todos cheio de maldade e frieza, não se importando com o bem estar da sociedade, lá para o fim existe uma conversa entre Bell e seu tio onde podemos refletir se os tempos realmente mudaram ou se sempre nos humanos fomos violentos. São diálogos simples com grandes significados e as atuações são perfeitas. Tommy Lee Jones está extraordinário. É uma atuação simples, mas que passa muita sinceridade. Josh Brolin é outro com grande atuação, é um homem comum que não se distanciou da guerra e que vê no dinheiro uma forma de mudar seu destino. É outro com muitas camadas. Temos boas participações de Woody Harrelson e Kelly Macdonald. Mas a alma do filme é Javier Bardem, aqui ele incorpora um dos maiores psicopatas da história do cinema e uma das melhores atuações masculinas da história. É um personagem muito frio, intenso e que tem uma “conduta de moral” distorcida para praticar suas atrocidades.

Os Irmãos Coen criaram um visual e fizeram uma escolha de ator para o papel na medida. O ator possui uma caracterização marcante com um cabelo e exótico e uma arma de crime absolutamente fora dos padrões. A atuação do Bardem é assustadora na pele do psicopata Chiguhr. O olhar dele é assustador e passa muito de suas emoções, sua maneira de cometer os crimes é banal e fria, um fascinante estudo de personagem. Para auxiliar no suspense da obra, os Coen preferiram não adicionar trilha sonora, e com isso temos um filme tenso e bem trabalhado nesse western moderno.

O roteiro para variar é brilhante, sabendo dar profundidade nos personagens e na história em si em cima dos diálogos e das metáforas presentes no filme. A fotografia é excele, o design de produção é muito bom e o trabalho com o som é outro destaque da parte técnica, além dos enquadramentos de câmera.

O longa concorreu em 8 categorias, saindo vencedor em melhor filme, direção, roteiro adaptado e ator coadjuvante para Javier Bardem. “No Country For Por Men” é um filme brilhante, cheio de profundidade dos personagens e com uma grande mensagem de um mundo onde é dominado pelos fortes e os fracos realmente não tem vez, um mundo caótico onde a injustiça infelizmente reina.

No Country For Old Men (2007) Official Trailer – Tommy Lee Jones, Javier Bardem Movie HD

TODOS os DETALHES que você PERDEU em ONDE OS FRACOS NÃO TEM VEZ

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O HUMORISTA JOÃO CLÁUDIO MORENO – E O SUCESSO RELATIVO

Numa entrevista antológica concedida ao apresentador Emílio Surita e sua trupe do Programa Pânico da Jovem Pan realizado em 2011, o piauiense João Cláudio Moreno, o maior humorista do Brasil depois de Chico Anísio, além de comentar os bastidores do programa Zorra Total da Rede Globo, na época em que a emissora de Roberto Marinho podia ser levada a sério, era digna de uma emissora de televisão, fala sobre sua relação com o genial Chico Anísio, durante seis anos em que trabalharam juntos.

Nessa entrevista o humorista João Cláudio Moreno fala da criatividade e do improviso genial de Chico Anísio, da dificuldade de lidar com o gênio generoso, do quanto ele esculhambava com a alta direção da emissora, principalmente a Diretora de Programação, Marluce Dias, que dizia que a única coisa que prestava nela era que dava pra comer até na frente do marido, que era cego.

Fala da mãe dele, Dona Raimundinha Rego, que era humorista genial, apesar de possuir só o quarto ano primário e ter mais de 98 anos, e está sempre acabando com a alta estima dele, segundo ele para desestimular seu ego.

Nessa mesma entrevista à Pam, o humorista João Cláudio Moreno narra um encontro de Alceu Valença e Hermeto Pascoal, que é um negocio de doido ouvir os dois falando, onde ninguém entende porra nenhuma do que os dois falam.

Simplesmente imperdível a narrativa!

Vale apenas assistir a entrevista toda! É antológica!

No final dessa entrevista o humorista João Cláudio Moreno fala sobre o sucesso relativo, o sucesso absoluto e o sucesso e o fracasso. Fala sobre a dificuldade de administrá-lo, o que nem sempre é fácil, e comenta do sucesso de uma cantora do Piauí, negra, periférica, sem dente, que foi chamada para participar de um encontro de mulheres negras feministas na Inglaterra, por isso seu nome Maria da Inglaterra.

Quando ela chegou no encontro das Mulheres Negras Femininas da Inglaterra, quando adentrou no palco, foi logo cantando para a surpresa das outras mulheres negras e feministas:

Sou uma muié dominada de paixão. Eu me casei pra alegrar meu coração. Quando ele chega vem com a cara cheia, eu chego rente, vou chiar na peia. Bata meu bem, pode bater, quanto mais bata mais eu sinto prazer. Bata meu bem, pode bater, quanto mais bata mais eu sinto prazer

A mulher que estava coordenando o encontro, que era de São Paulo, correu e mandou tirar Maria da Inglaterra do Palco imediatamente. Mais ela não perdeu tempo e emendou a segunda parte: Não interessa o que vão falar, as costas é minha eu posso aguuuentar.

Nesse momento houve uma vaia das colegas – só das colegas – porque o povo dentro do teatro aplaudiu de pé e Maria da Inglaterra estava feliz por ter externado tudo aquilo que sentia. Para ela era um sucesso relativo, porque satisfazia os seus desejos, mesmo naquele momento.

Quando a turma terminou a vaia, ela levantou e disse:

A inveja ainda mata um diabo desses!

Não interessa se foi bom ou não para as outras pessoas, o mais importante foi que foi bom para ela, que realizou seu sucesso, mesmo relativo. Ficou de bem consigo mesma, feliz!

O vídeo com a entrevista toda é longo, mas vale apena assisti-lo! É uma aula de humor inteligente do início ao fim!

Clique na imagem abaixo para acessar a entrevista no YouTube:

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KRAMER VS. KRAMER (1979), UM ÓTIMO DRAMA NO TRIBUNAL

É impossível não se emocionar com o embate jurídico travado no tribunal por Ted e Joanna, interpretados magnificamente por Dustin Hoffman e Meryl Streep, numa batalha judicante comovente pela custódia do filho.

O filme narra a história de Ted Kramer (Dustin Hoffman), um profissional para quem o trabalho vem antes da família. Joanna (Meryl Streep), sua mulher, não suportar mais essa situação e sai de casa, deixando Billy (Justin Henry), o filho do casal. Quando Ted consegue finalmente ajustar seu trabalho às novas responsabilidades, Joanna reaparece exigindo a custódia da criança. Ted não aceita os argumentos de Joanna e os dois esbarram no fórum lutando pela guarda do filho Billy.

Um espetacular drama sobre os traumas do divórcio e as dificuldades entre trabalho e família. O jovem marido e pai Ted Kramer (Dustin Hoffman) ama sua família e seu trabalho, onde passa a maior parte do tempo. Tarde da noite, quando retorna para casa depois do trabalho, a esposa Joanna (Meryl Steep) inicia uma discussão e acaba abandonando o marido e o filho de seis anos. Ted tem que aprender a ser pai enquanto enfrenta os problemas de sua estafante carreira. Justo quando ele se adapta a seu novo papel e passa a desfrutar sua condição de pai, Joanna retorna, querendo o filho de volta.

Inteligente, bem realizado pelo diretor Robert Benton e com roteiro baseado no romance homônimo de Avery Corman. No Oscar de 1980, venceu em cinco categorias: melhor filme, melhor diretor, melhor ator (Dustin Hoffman), melhor atriz coadjuvante (Meryl Streep) e melhor roteiro adaptado. Recebeu ainda outras quatro indicações, nas categorias de melhor fotografia, melhor ator coadjuvante (Justin Henry), melhor atriz coadjuvante (Jane Alexander) e melhor edição. Um filme emocionante e comovente.

Kramer vs. Kramer mergulha de cabeça no tema que, mesmo não sendo mais tabu nos EUA em 1979, quando a produção foi lançada, chamou atenção pela forma que a abordagem é feita, com a adaptação do romance de Avery Corman pelo roteirista e diretor Robert Benton tentando manter os dois pés fincados no chão e lidando com as consequências de maneira realista e dolorosa, arriscando inclusive uma escolha arriscada em usar como estopim para a trama o “abandono do lar” por Joanna Kramer, esposa e mãe de um menino de tenra idade e não o contrário. É, de muitas maneiras, a semente para a visão mais recente, mas não muito diferente, de Noah Baumbach em seu História de um Casamento.

O diretor Benton já começa a projeção com a Joanna de Meryl Streep (que lhe rendeu sua segunda indicação ao Oscar e primeira vitória), em uma devastadora sequência, largando a vida de casada – marido e filho – sem maiores explicações, mas com feição entristecida e uma voz embargada que deixa algo no ar, algo que só voltaria bem mais para a frente na obra que, então, passa a focar quase que exclusivamente em Ted Kramer (Dustin Hoffman) tentando ajustar-se ao novo status quo de sua vida em que ele precisa conciliar o trabalho com afazeres domésticos que giram ao redor de seu filho Billy (Justin Henry), o que obviamente leva ao caos imediato. A maneira como as lentes apontam para Ted, aos poucos levando-o do desespero à forte conexão com Billy, sacrificando sua carreira no processo, não tem como objetivo falar de Ted apenas, mas sim também, indiretamente, de Joanna, mesmo que sua presença física na fita seja diminuta.

Esse é, na verdade, o grande trunfo da delicada direção de Benton e de mais uma excelente atuação de Hoffman. Entendemos muito facilmente que todo o desconhecimento e falta de jeito sobre a vida doméstica que Ted revela é um atestado para a importância de Joanna – ou da mulher – nessa equação. Ao mesmo tempo, a discussão dos papeis em um casamento ganha relevo, pois da mulher se espera todo o tipo de sacrifício. Afinal, ter filho e trabalhar não combina, não é mesmo? Mas o mesmo não vale para o homem, que é o provedor oficial, claro. Tudo é, no entanto, muito sutil em Kramer vs. Kramer, sem a necessidade de entulhar a narrativa com diálogos expositivos por todo o tempo ou com a demonização da mulher que “abandonou” o lar, até porque o trabalho de Benton é tão bem costurado que a compreensão da escolha de Joanna vem muito rapidamente, assim como quando, em seu retorno, ela luta pela custódia do filho. Chega a ser prodigioso como um filme sobre um homem e uma mulher em processo de separação e divórcio e que é focado quase que integralmente no homem, fala tão bem e tão equilibradamente dos dois lados.

É bem verdade que Benton não resiste completamente à tentação do didatismo e entrega à Streep seu momento choroso padrão que ela entrega muito convincentemente. A questão é que, quando isso acontece, a situação toda já está consolidada e as pistas sobre as motivações de Joanna já foram mais do que exploradas. Essa sua conversa com Ted e, depois, uma repetição na tribuna, destoam da abordagem indireta e inteligente que o roteiro vinha oferecendo, ainda que, pelo menos no processo de divórcio, o lado verborrágico fosse efetivamente inevitável.

Por outro lado, a curta duração do filme faz com que o diretor recorra a algumas elipses temporais que aceleram talvez demais a nova realidade de Ted, correndo com sua involução no trabalho e sua evolução com Billy, além de seu contato mais constante com Margaret (Jane Alexander), vizinha dele e amiga de Joanna. Como esses elementos dão estofo à narrativa, a obra teria se beneficiado com uma evolução mais vagarosa nesse lado, em um dos poucos casos em que mais duração teria beneficiado o conjunto. Mesmo assim, vale nota a direção de arte minimalista de Paul Sylbert e a fotografia sóbria de Néstor Almendros, que amplificam o naturalismo e realismo da obra, muitas vezes compensando a pressa de Benton.

Kramer vs. Kramer elegantemente mete o dedo na ferida de uma situação ainda não completamente equacionada e pacificada, mesmo tanto tempo depois. Grandes atuações e texto certeiro em um filme que cumpre com maestria sua função de levantar importantes e ainda muito atuais discussões sobre a vida e os pequenos e grandes fracassos que a compõe.

Kramer vs. Kramer (1979) Trailer #1 | Movieclips Classic Trailers

Dustin Hoffman winning Best Actor for “Kramer vs. Kramer”

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DANÇA COM LOBOS (1990) – UMA OBRA-PRIMA DE AVENTURA OESTEANA

Dances with Wolves foi uma surpresa quando foi lançado em 1990 nos cinemas americanos. Ninguém esperava não só o sucesso de crítica, mas, principalmente, o sucesso de público que o primeiro filme dirigido por Kevin Costner alcançou, especialmente em se tratando de um épico de três horas em sua versão original, que ganhou quase uma hora a mais em sua versão estendida, lançada um ano depois.

O filme, que marca a estreia de Costner na direção, foi produzido por ele e Jim Wilson. A trilha sonora é de John Barry, a direção de fotografia de Dean Semler, o desenho de produção de Jeffrey Beecroft, a direção de arte de William Ladd Skinner, o figurino de Elsa Zamparelli e a montagem de William Hoy, Chip Masamitsu, Steve Potter e Neil Travis.

O filme conta a história de John Dunbar (Costner), um oficial de cavalaria que se destaca como herói na Guerra Civil Americana e, por isto, recebe o privilégio de escolher onde quer servir. Ele escolhe um posto longínquo e solitário, na fronteira. Ali estabelece amizade com um grupo de índios Sioux – Lakota, sacrificando a sua carreira e os laços com o exército estadunidense em favor da sua ligação com este povo, que o adota.

“Dança com Lobos” novamente abre as portas para o gênero em Hollywood e mostra que ainda temos muitas coisas para falar a respeito de um tema tão consagrado e cultuado nas décadas passadas. O longa ficou marcado como o responsável pela renovação dos westerns americanos e marcou o início do faroeste moderno nos cinemas. Aqui temos uma aventura épica, um drama envolvente, um romance singelo e um humor leve e passivo. Kevin Costner traz simplesmente o melhor e mais notável trabalho de toda a sua carreira, com uma direção magistral, com muita segurança em cada cena, com uma narrativa muito bem amarrada onde era mesclado momentos de tranquilidade e tensão.

O roteiro de “Dança com Lobos” é incrivelmente perfeito e feito com uma coesão incrível. Pois temos o início da história do tenente John Dunbar, que se inicia durante a Guerra Civil americana (por volta da década de 1860) em uma luta travada pelo fim da escravidão. Somos confrontados com um personagem que sofre com traumas pelos horrores da guerra, que é totalmente perturbado, que já tentou suicídio, mas que ao partir para um local para viver sozinho, ele vai se reencontrando, se desenvolvendo, se achando, sua vida vai tomando um outro rumo e uma outra forma. Temos aqui um verdadeiro estudo do ser humano e suas culturas – como o desenvolvimento e a construção do respeito, do reconhecimento, dos ensinamentos, da admiração, da confiança. Também temos o choque e o confronto de cultura entre o homem branco americano e os índios Sioux, que aparentemente poderia difundir a sua cultura entre os índios, mas somos confrontados com uma assimilação dos costumes dos nativos, acontecendo uma verdadeira aculturação às avessas.

O filme foi indicado a 12 Oscars no Oscar de 1991 e ganhou sete, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor para Costner, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Edição, Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora Original e Melhor Mixagem de Som. O filme também ganhou o Globo de Ouro de Melhor Filme – Drama. O longa de Costner ainda integra a seleta lista dos únicos três westerns a ganhar o Oscar de Melhor Filme na história, sendo acompanhado por “Cimarron” (1931) e “Os Imperdoáveis” (1992).

“Dança com Lobos” é um marco na indústria hollywoodiana, é muito importante para um fator social, por praticamente ter assumido a culpa de ter dizimado uma cultura inteira (a cultura indígena). Após 32 anos de lançamento, o longa não ficou datado, não ficou ultrapassado, envelheceu muito bem, o tempo fez muito bem para à obra. Além, é claro, o filme é creditado como uma das principais influências para a revitalização do gênero de cinema ocidental em Hollywood.

Dança com Lobos – Trailer Oficial (LEGENDADO)

Dança com Lobos: O filme que Revolucionou o Faroeste (Análise)

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DJANGO (1966) – OBRA-PRIMA DO GÊNERO SPAGHETTI WESTERN

Django e seu caixão fantasmagórico

A cena de abertura do epopeico faroeste do gênero spaghetti western, Django, é antológica: um lamaceiro escorregadio como cenário natural. A câmara focando um homem solitário, arrastando um caixão fantasmagórico pelo lamaçal caótico, acompanhado da antológica trilha sonora Django, composta pelo maestro argentino-italiano Luis Enríquez Bacalov, apropriada para o clima sinistro da história do filme.

O filme Django conta a história de um andarilho misterioso, arrastando sua poderosa metralhadora, disposto a vingar a morte de sua esposa, assassinada por uma gangue rival que agia na região fronteiriça do México. Para conseguir seu feito ele fez “acordo” com o chefe da gangue comandada pelo general Hugo Rodriguez, bandido histriônico, calculista, ambicioso, contra seu oponente, louco, o Major Jackson, da gangue rival e seus mais de quarenta facínoras, sanguinários, que aterrorizavam a fronteira do México.

É um dos melhores exemplos de filmes do gênero spaghetti western, com uma trilha sonora apropriada ao clima da história, duelos de armas e um anti-herói de poucas palavras, que arrasta um caixão mortífero. O visual magnífico do filme é devido ao trabalho do diretor de arte Carlo Simi, que já havia criado personagens e cenários para filmes anteriores do diretor Sergio Corbucci, como o “Minnesota Clay.”

Antes e depois da primeira cena antológica do confronto entre Django com a metralhadora e o mais de quarenta bandidos da gangue dos Camisas Vermelhas comandada pelo Major Jackson em frente ao Saloon do Nathaniel, ficou a impressão de que estávamos diante de mais um western lugar-comum, mas ante a competência do diretor Sergio Corbucci o que vemos é um filme com cenário de batalha expertise, épica, que até hoje fascina crítico e cinéfilo que o elogiam como uma obra-prima do spaghetti western.

Django é o primeiro, o único faroeste do western sphaghetti a conquistar público e críticas favoráveis. Projetou o ótimo ator Franco Nero ao panteão dos deuses do faroeste numa época em que o romantismo reinava no faroeste americano. Todos logo identificamos o primeiro e o melhor da franquia. Sim, o nome Django tornou-se uma franquia, pois existem muitas dezenas de filmes relacionados ao personagem famoso, talvez chegue perto de meia centena de filmes, todos com adjetivos diversos, títulos chamativos, mas nenhum chegou perto do original que permanece eterno, com a matriz intocada, sem nada que possa abalar a sua merecida fama.

No ponto de vista cinematográfico, o único filme que chegou quase a merecer comparação com a qualidade do original, foi o filme “Django Livre” do diretor Quentin Tarantino. A comparação que se faz é apenas pela qualidade do filme, seus valores cinematográficos, seu ótimo elenco, que contou acertadamente com a participação do “Django” original, Franco Nero, numa pequena atuação, mas uma grande e merecida homenagem prestada pelo cineasta Tarantino ao grande ator, criador do personagem cujo nome, até hoje impressiona os aficionados do gênero. O filme cria um clima místico e quase sobrenatural, quando o personagem aparece do nada arrastando um caixão, com uma aparição fantasmagórica deixando todos os telespectadores surpresos. O diretor Sergio Corbucci soube segurar com muita competência e profissionalismo essa atmosfera sombria.

Nada de parecido tinha sido visto antes nos filmes do gênero western, e a expectativa vai num crescendo para todos os personagens do vilarejo e muito importante, também para nós os expectadores do filme, pois o que vai ou poderá acontecer é uma incógnita.

Mas o diretor Sergio Corbucci mostrou que é um mestre, pois os fatos vão se sucedendo até que afinal o inesperado é revelado e com a sucessão dos acontecimentos, os vilões são enfrentados e como em todo bom filme de faroeste, o mocinho vence no final para satisfação de todos.

Ressalte-se ter sido lançado uma grande quantidade de filmes que levam o nome Django, com dezenas de atores que tentaram imitar o personagem-título do primeiro, mas nenhum deles possui a competência do filme e ator original. Não que não sejam bons atores, porque o personagem do primeiro é muito místico, sombrio, e o ator deu ao personagem principal uma áurea, um desempenho extraordinário que nenhum outro filme de faroeste conseguiu alcançá-lo.

Official Trailer – DJANGO (1966, Franco Nero, Sergio Corbucci, Loredana Nusciak)

Crítica RetrôDJANGO – 1966 | Crítica Retrô

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MAR ADENTRO (2004) – REFLEXÃO SOBRE A MORTE ASSISTIDA

Cartaz de Mar Adentro, quando lançado em DVD

“Mas cá entre nós, eu acho que depois de morrermos não há nada. Tal como antes de nascermos. Nada.” Ramón Sampedro – personagem do ator Javier Bardem, no filme.

MAR ADENTRO (2004), narra a história do marinheiro, escritor e ativista espanhol, Ramón Sampedro, interpretado magistralmente no cinema pelo ator hispânico Javier Bardem, tendo Ramón ficado tetraplégico após um mergulho numa área rasa do amar e ter batido com a cabeça numa pedra. O filme mostra a luta incessante de Sampedro perante os Tribunais locais pelo direito de cometer suicídio assistido, contando com a ajuda dos amigos e da família, além de um advogado, que abraçou a causa gratuitamente.

Por causa da sua incapacidade física de não poder suicidar-se e morrer conforme seus desígnios, Ramón lutou na justiça durante vinte e cinco anos pelo direito de morrer com dignidade sem incriminar os amigos ou a família que viesse a auxiliá-lo no ato de tirar a própria vida, tomando cianeto de potássio.

Ramón Sampedro tornou público seu desejo de morrer no início de 1990, mas só oito anos depois foi que conseguiu um suicídio assistido, através da ajuda de uma amiga, que antes gravou um vídeo de sua morte que foi divulgado nas redes de tevês do país e do mundo e voltou a despertar na sociedade a importância do debate sobre a despenalização da morte assistida.

A associação espanhola “Direito a Morrer Dignamente” considera que, graças à sua luta e às suas reivindicações, Ramón Sampedro contribuiu para que, em 1995, fosse aprovada uma reforma no Código Penal que reduziu as condenações em caso de eutanásia ou de assistência ao suicídio.

Entre os temas mais difíceis que o cinema ou qualquer outra arte pode tentar retratar, a morte, mais especificamente a eutanásia ou a morte assistida, deve figurar entre os principais. A complexidade da questão, aliada à falta de representatividade entre grandes diretores e roteiristas faz com que sejam raras as películas que se dedicam a debater o assunto. Em 2016, a comédia romântica britânica Como Eu Era Antes de Você recebeu uma série de críticas e protestos por ter, na ótica de muitos, glamurizado a eutanásia e reduzido o debate sério a uma comédia leve e adolescente, que se resolvem em meio a piadas, sarcasmos e uma alta dose de humor. A diretora inglesa Thea Sharrock não teve competência para dirigir um tema sensível com catilogência.

Mar Adentro, anterior à comédia britânica, parece entender exatamente as críticas e se antecipar a todas elas. A história retrata a vida de Ramón Sampedro, o espanhol de meia idade que se tornou tetraplégico, deseja, conscientemente, a morte. Ramón, depois de mergulhar e bater a cabeça numa pedra no fundo do mar, vive numa cama na humilde residência em que mora com o pai, seu irmão José, a cunhada Manuela e o sobrinho Javier. A eutanásia na Espanha era proibida e Ramón precisa contar com a ajuda da advogada Júlia, que simpatiza com sua história, para tentar convencer a Corte espanhola a alterar a lei e atender ao seu pedido.

Todo o drama é escrito de maneira muito sóbria e humana. Não existe qualquer tentativa de se romantizar a questão ou criar heróis e vilões dentro da trama. Um ponto bem claro para evidenciar a preocupação do roteiro é o pouco tempo dedicado ao debate legal sobre a morte assistida em si. As cenas de tribunal são mínimas e os termos jurídicos, inexistentes.

O centro da trama é realmente o sentimento de Ramón e sua relação com a vida e as pessoas à sua volta. Nesse sentido, conforme as relações evoluem, entendemos melhor os dramas de Júlia e Rosa e porque elas se conectam tanto com o protagonista. Júlia sofre de uma doença degenerativa que coloca ela numa cadeira de rodas e a aterroriza quanto ao seu futuro. Ela se apega à Ramón e eles criam uma conexão forte e sensível. Já Rosa, tão machucada em relacionamentos amorosos, projeta em nele um homem ideal e que a dá forças para viver. Quando ela entende que para ele a maior demonstração de amor é ajudá-lo a morrer, ela se entrega e deixa de lutar contra a vontade dele, trazendo à história um final sensível e melancólico, mas nada romântico ou glamourizado.

Toda essa sensibilidade é positivamente ressaltada pelas ótimas atuações e pelo design de produção da obra. A preocupação de Amenábar em balancear a quantidade de tomadas internas e externas dá um alívio ao espectador e evita uma sensação claustrofóbica de acompanhar toda a história dentro do quarto onde Ramón vive. A composição de personagem por parte do ator Javier Bardem também merece destaque, desde as expressões faciais, a postura enrijecida, a respiração e a fala acelerada trazem verdade ao personagem, que através da maquiagem indicada ao Oscar daquele ano o transforma completamente.

Mar Adentro consegue emocionar e ao mesmo tempo trazer reflexões pertinentes sobre a morte assistida em caso extremo da vida, duas características que infelizmente nem sempre andam juntas. O filme é mais um ótimo trabalho do direto Alejandro Amenábar e do cinema espanhol que, merecido, levou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de volta à Espanha, que havia vencido pela última vez com Tudo Sobre Minha Mãe (1999), do espalhafatoso, mas talentoso cineasta, Pedro Almodóvar.

Trailer do Filme Mar Adentro

Cine Bioéticas – Mar Adentro

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LEONARDO DANTAS SILVA – HISTORIADOR DO CARNAVAL DE PERNAMBUCO

Leonardo Dantas Silva (1945-2023)

Encantou-se no sábado, dia 11.11.2023, o historiador e jornalista pernambucano Leonardo Dantas Silva, aos 77 anos. O pesquisador foi o primeiro presidente da Fundação de Cultura do Recife e, em 2022, foi eleito Patrimônio Vivo de Pernambuco.

Leonardo Dantas encantou-se no Hospital Unimed, localizado no bairro da Ilha do Leite, na área central do Recife, onde estava internado desde o dia 19 de outubro, e onde recebia tratamento de uma fibrose pulmonar.

Nascido no dia 10 de dezembro de 1945, Leonardo Dantas era um dos mais profundos conhecedores do carnaval pernambucano. Em 1969, ele se formou em Direito pela Universidade Católica de Pernambuco.

O jornalista e historiador recifense Leonardo Dantas era conhecido como um dos maiores especialistas da história do carnaval pernambucano e do período do Brasil Holandês. Leonardo Dantas deixa um enorme legado de amor e reverência a Pernambuco e à sua Cultura. Uma luz que jamais deixará de brilhar.

Durante anos o Jornal da Besta Fubana acolheu uma coluna do jornalista e historiador, que sempre nos abrilhantava com um artigo semanal historiando sobre a história do carnaval pernambucano e o período holandês.

Sua obra é extensa sobre o carnaval e o período holandês no Brasil, indo desde “Bandeira de Pernambuco” (1972), com prefácio de Marcos Vinícios Villaça até “Arruando Pelo Recife” (2021), sem contar os milhares de artigos científicos publicados nos jornais e revistas especializadas de Pernambuco e do País.

Vai deixar saudades.

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

O CABUETA

Cabuetas, imagem de arquivo

Há mais de quinze anos sem se ver, amigo de turma ginasial reconhece colega trabalhando na Uber, faz a maior festa, e o convida para fazer uma corrida: levá-lo até a residência do pai que ficava distante do bairro onde se encontrava trabalhando. Para encurtar caminho e chegar mais depressa em casa, uma vez que conhecia os atalhos, o colega pede para o amigo de ginásio seguir por outro caminho, que não era reconhecido pelo GPS, que chegava a casa com mais de meia hora adiantado.

Sujeito de princípios éticos e ilibados, o colega da Uber não estava disposto a ceder à proposta indecorosa do amigo de classe. Logo disse não, mas o amigo insistiu no sim, demonstrando mais uma vez as vantagens da corrida e o lucro que a Uber e o colega iam ter se seguisse sua orientação.

– Mas a Uber tem o direito de me suspender por estar quebrando uma cláusula de contrato se eu seguir sua orientação, amigo. O sistema acusa que eu estou burlando o trajeto para tirar vantagens. Sinto muito amigo mais eu vou seguir a direção correta, estabelecida pelo GPS, pois tenho família para sustentar e uma suspensão sai caro para mim, argumentou.

– Amigo, – insistiu o colega de turma mais uma vez, – vá por mim. A Uber não fiscaliza isso não e você não está burlando nada, apenas encurtando caminho, que é mais vantajoso para você e para a empresa.

Percebendo que o amigo não ia desistir mesmo, cedeu à tentação mesmo, e seguiu o rumo do caminho traçado pelo colega, mas a contra gosto.

Como a Uber não tinha como checar aquele caminho, pois não constava no sistema do GPS, o colega sacana, no outro dia ligou para a empresa, contou o ocorrido, dedurou o amigo e apelou para a empresa demiti-lo por estar sacaneando com ela.

No outro dia a empresa liga para o “uberista” dizendo que ele estava dispensado, pois ludibriou a empresa utilizando de artifícios ardis não previstos em contrato, ou senão teria de pagar uma multa por descumprimento de cláusulas de contrato.

Foi o que o amigo de ginásio fez, pagou a multa, com dinheiro emprestado pelo pai que lhe deu um puxão de orelha e aprendeu uma grande lição: nunca ceder a tentação fácil, pois ela é inimiga da honestidade.

No dia seguinte ao pagamento da multa e a liberação do carro, o “uberista” volta a circular com o carro. Cinicamente o colega da traição telefona perguntando se o “uberista” estava disponível para levá-lo ao trabalho.

– Eu? Estou sim. E você? Tem alguma corrida para mim?

Do outro lado da linha silêncio total.

Bezerra da Silva – Ele Cabueta com o Dedão do Pé

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

AS VANTAGENS DO ALZHEIMER

Alzheimer: Quem sou eu? Onde estou?

Aos 82 anos de idade, Francisco se casou com Maria, de 27 anos que, em consideração ao marido tão idoso, decide que devem dormir em quartos separados. Assim fica acordado entre os envolventes das núpcias.

Terminada a festa do casamento, cada um vai para o seu quarto. Maria se prepara para deitar, quando ouve batida forte na porta do seu quarto.

As batidas insistem… Ao abrir a porta, ela se depara com Francisco, com 82 anos, pronto para entrar em ação.

Tudo corre bem após uma relação quente e vigorosa… Francisco despede-se e vai para o seu quarto.

Passados alguns minutos, Maria ouve novas batidas na porta do quarto… Era Francisco, novamente pronto para outra ação.

Maria se surpreende, mas deixa-o entrar. Terminada a relação, Francisco beija Maria carinhosamente e despede-se, indo para o seu quarto.

Maria se prepara para dormir novamente, quanto escuta fortes batidas na porta do seu quarto. Espantada, Maria abre a porta e se depara com… Francisco!!! Mais do que pronto para a ação, com aspecto vigoroso e renovado.

E Maria diz, espantada e surpresa:

– Estou impressionada com o senhor que, em sua idade possa repetir a relação com essa freqüência… Já estive com homens com um terço de sua idade e eles se contentavam apenas com uma vez. Você, Francisco, é um grande garanhão!

Desconcertado, Francisco pergunta:

– E eu já estive aqui antes?