CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

THIELLE GOIS, EMOJI FURACÃO

No grupo do zap, Cabaré do Berto, do dia 10 de abril de 2024, o sempre hilário e bem humorado comentarista Marcos Fontes, preciso e cirúrgico, comentou o seguinte a respeito da nova vencedora do concurso Miss Brasil Teen 2024, Thielle Gois, abaixo num vídeo que viralizou com ela emocionada comentando a importância da vitória de Miss Brasil 2024. Diz Fontes: “Eu tinha perdido a esperança na juventude brasileira, mas essa moça mostra que ainda há cérebros no país. Exemplo para todos os jovens, com habilidade para se comunicar, riqueza de vocabulário, concatenação de ideias e um bom alicerce de conceitos. A cereja do bolo veio no final, quando ela BATE CONTINÊNCIA!”Sergipana Thielle Góis vence Miss Brasil Teen 2024 e encanta plateia  durante discurso de coroação | Let's Go

De beleza estonteante e inteligência surpreendente, Thielle Gois, 18 anos, linda, natural de Umbaúba, litoral sul sergipano, menor estado da federação, jovem negra, periférica, com descendência indígena, filha de mãe solteira, estudante de escola pública, se expressou em quatro idiomas em discurso antológico de agradecimento pela vitória do maior concurso Teen do país versão 2024 que ela foi vencedora, realizado no estado de Curitiba, Paraná, mês de março, contando com a participação de 28 jovens de outros estados da federação, todas de padrões estéticos e convencionais ultrapassados.

A vitória de Thielle Gois não apenas a coloca em destaque nacional, mas também orgulha o estado de Sergipe ao conquistar o título máximo no concurso de beleza teen. Sua vitória foi resultado não apenas de sua beleza estonteante, mas também de sua simpatia, naturalidade e talento, muito talento, que encantaram os jurados e o público presente.

Ao receber a coroa de Miss Brasil Teen 2024, Thielle Gois demonstrou sua gratidão e emoção, representando não apenas sua cidade natal, mas todo o estado de Sergipe com orgulho e elegância. Seu desempenho exemplar e sua dedicação ao longo da competição são um verdadeiro exemplo de determinação e superação para jovens de todo o país.

Que a vitória de Thielle Gois no Miss Brasil Teen 2024 inspire outras jovens a seguirem seus sonhos e acreditarem em seu potencial, mostrando que, com determinação e trabalho duro, é possível alcançar grandes conquistas.

A maior surpresa desse evento de magnitude nacional e internacional, foi a ausência da Globo Lixo e outros meios de comunicações bosteis do país de ideologia comuna. Em prisca era, William Bonner e Renata Vasconcelos se mijam de emoção ao falarem ao vivo diretamente da cidade de Umbaúba para o Cansástico, exaltando o feito e o talento da jovem negra e periférica, vinda do menor Estado da Federação para conquistar o mundo com talento, beleza e desenvoltura. Talvez por ser Thielle Gois nacionalista consciente, a Globo Lixo mijou para trás e não deu destaque ao feito de importância NACIONSAL!

Sergipana Thielle Góis vence Miss Brasil Teen 2024

Sergipana de Umbaúba vence concurso e discurso em 3 línguas viraliza no Brasil – CA

Thielle Gois, Sergipana vencedora do concurso

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MARTINS, O REVERBO DA NOVA CENA MUSICAL PERNAMBUCANA

Martins, cantor e compositor pernambucano

No dia 21 de novembro de 2021, Martins e Almério, dois cantores e compositores talentosos da nova cena musical pernambucana – o Reverbo – incendiaram o Teatro do Parque, Recife (PE) em apresentação apoteótica.

Martins, dono de uma voz límpida e afinadíssima, cantou todas faixas do seu segundo CD, Martins e Almério, de canções próprias e em parceria com Almério e outros, revigorou a nova movimentação pernambucana pós Manguebeat, moldando suas inspirações musicais na Zona da Mata Norte do agreste e da capital, na fonte dos repentistas e cantadores de viola.

Em entrevista dias antes da realização do show ao jornalista Augusto Diniz, Martins confessa que pegava ônibus no Recife (PE) – onde nasceu e mora – viajava duas, três horas até onde viviam os mestres Luiz Paixão e Salustiano, reconhecidos tocadores de rabeca, símbolos da cultura popular nordestina e responsáveis por influenciar gerações de artistas pernambucanos.

Segundo ele, “passava o dia inteiro lá com os mestres para aprender tocar rabeca e saía com uma riqueza cultural para além da rabeca. Voltava e a inspiração vinha”, relata. “Oitenta por cento das coisas que componho são da minha relação com a cultura popular,” assegura.

Martins está para o Reverbo da nova movimentação musical pernambucana, bem como Chico Science esteve para o Movimento Manguebeat, movimento musical que se destacava pela combinação original de diversos gêneros musicais, unindo ritmos regionais, como o maracatu, o frevo, o forró, o rock, o hip, hop, o funk e músicas eletrônicas, com identidade própria.

Martins – Deixe (Ao Vivo No Teatro do Parque)

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BENÍCIO BEM, FORÇA QUE VEM DA ARTE

Dedicado ao talentoso humorista João Cláudio Moreno

A arte abre novos caminhos e novas oportunidades, transformando o indivíduo de dentro para fora e mostra que, independente de quem seja, estamos repletos de dons e talentos que só estão esperando aquela oportunidade para se mostrarem para o mundo.

Benício Bem é um desses artistas repletos de dons e tons musicais, que a natureza contemplou com dádivas, e que, de quando em vez, transforma tudo que é belo em arte, a expressão da subjetividade humana. Pode ser na música, na pintura, na literatura, no teatro, na dança, no desenho, nos adereços, porque a arte é democrática, requer só talento para ser clarividente. Todo mundo pode participar, não importa a idade, o gênero, a crença, a etnia. É o lugar onde artistas profissionais e amadores interagem na mesma freqüência.

De cara, uma das músicas do cantor e compositor piripiriense, Benício Bem, dentre as centena que já compôs, é, sem dúvida alguma pulsante, titulada por ele de “Geladeira” e que ele interpreta com toda a força da paixão que dilacera o coração apaixonado, mas não o prende, nem o fez jogar-se na sarjeta da solidão. Ao contrário, transforma-o no ser talentoso de Poção, resistente ao abandono amoroso. “Sinto saudade, mas eu não te quero mais porque o prazer não é melhor do que a paz,” – canta Benício sem sofrência.

Em entrevista ao apresentador Sandro Abrantes, do programa “Bom Gosto”, da TV Assembleia do Piauí, anos atrás, e o DOIS7MEIA, Benício Bem conta sua trajetória musical: Início, influência, inspiração. Bem mostra que a arte tem o poder de transformar vidas. Ela traz sensibilidade, resiliência e acalento à vida de muita gente que dela precisa, que sofre e que vê nela a verdadeira forma de alívio para as dores do cotidiano.

“Geladeira” já nasceu um clássico da sofrência. Adelino Moreira assinava em baixo. É a mistura da dor de cotovelo, do amor não correspondido, do prazer e da resistência, que ele não se deixou se abater pelo abandono. Ao contrário, deu a volta por cima, sacudiu a poeira e transformou a solidão numa festa de confete e serpentina para o coração abandonado.

Benício Bem prova, através de suas composições inteligentes, inventivas, sobretudo “Geladeira”, que a arte permite que as emoções e os sentimentos venham à tona, sendo este o seu papel na formação da sociedade: dar o sustento que ela necessita, ao garantir que a vida tenha significado.

BB PARA SHOW 86 99973 4599

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OS BONS COMPANHEIROS (1990) – MAIS UMA OBRA-PRIMA DE MARTIN SCORSESE

Cartaz de GoodFellas (1990)

Baseado no livro Wiseguy: Life In a Mafia Family, do repórter policial novaiorquino Nicholas Pileggi, lançado em 1985, ‘Os Bons Companheiros’ narra a ascensão e a queda de três gângsteres ao longo de três décadas. Robert De Niro, Ray Liotta e Joe Pesci.

A História contada em primeira pessoa pelo ítalo-irlandês Henry Hill (Ray Liotta), o filme traça uma biografia da Máfia. Ainda jovem Henry se envolve com Tommy De Vito (Joe Pesci) e James Conway (Robert De Niro) e se casa com Karen (Lorraine Bracco), jovem judia que vê toda a sua vida social se misturando com o crime. O filme tem roteiro de Nicholas Pileggi, em co-autoria com (Martin Scorsese).

Os filmes sobre a máfia se tornaram um lugar-comum dentro do cinema estadunidense. Depois de Francis Ford Coppola e sua tão bem-sucedida trilogia O Poderoso Chefão, surgiu um grupo bastante seleto de grandes filmes sobre o tema, a exemplo de Scarface, de Brian de Palma, Era Uma Vez na América, de Sergio Leone e Ajuste Final, dos irmãos Coen (esse um filme de gângster bem menos tradicional). Mas talvez o grande título do gênero, após Coppola, seja mesmo ‘Os Bons Companheiros’, lançado em 1990 sob a batuta do não menos talentoso Martin Scorsese. Há quem diga até que Scorsese superou Coppola com seu estudo tão original sobre o mundo da máfia.

Em primeiro lugar, é preciso compreender o que Os Bons Companheiros trouxe de novo ao tema. Ao contrário de filmes anteriores, incluindo a própria trilogia de Coppola, a obra-prima scorsesiana desloca o olhar sobre esses personagens tão fora da lei para o âmbito mais doméstico e pessoal possível. O cineasta conhecia o ambiente daqueles homens, já que passou toda a juventude em um bairro nova-iorquino repleto deles. Por isso, não há apenas momentos de violência explícita e de gatunices no longa-metragem. Scorsese tira seus mafiosos das ruas e dos bordéis e os coloca também em suas casas e em suas festas de família. Eles passam a se parecer mais com homens normais do que era de se esperar e isso chega mesmo a criar afeto por eles. Mas é bom pontuar que não há nenhum esforço de romantização por parte do diretor, que filma seus brutais assassinatos com uma perícia inigualável. A grande novidade é que ‘Os Bons Companheiros’ não dá respostas unidirecionais sobre seus gângsteres.

Martin Scorsese faz o que ninguém havia feito – ele traz o alto crime para o mundo dos homens comuns. Além de maravilhosamente bem filmado, seu longa-metragem tem em sua trilha sonora uma de suas fortalezas. Ela dá o tom exato do clima de subversão e de risco constante, em um universo onde o banditismo é quem dá as cartas. Tonny Bennet, Aretha Franklin, Rolling Stones, The Who, Cream e outros artistas canônicos da música norte-americana constroem uma das trilhas sonoras mais memoráveis da história do cinema. O clássico riff de Sunshine of Your Love, da banda de Eric Clapton, se tornou parte indissociável de ‘Os Bons Companheiros,’ assim como a antológica queima de arquivo pontuada com certa dose de ironia por Layla, da banda Derek & The Dominos. Todas as canções parecem feitas sob medida para o filme e se entrosam muito bem com o submundo criminoso de Jimmy Conway (Robert De Niro), Tommy DeVito (Joe Pesci) e Henry Hill (Ray Liotta). Um amálgama entre imagem e som raro de se ver.

Em sua conclusão, ‘Os Bons Companheiros’ quebra a quarta parede para envolver diretamente o espectador em suas indagações finais. O filme conquista o público exatamente por mexer em algo escondido profundamente nele – o desejo de transgressão. Jimmy Conway e sua camarilha trazem à tona a sede de insubordinação do homem comum, submetido a tantas leis, regras e obrigações sociais ao longo de toda a vida e sem receber, muitas vezes, a devida contrapartida. Não se trata, de forma alguma, de uma justificativa rasteira ao crime, que é praticado da forma mais ignóbil durante todo o longa-metragem. Mas uma coisa é certa: quando Tommy DeVito atira enfurecido contra a câmera, Martin Scorsese sabe muito bem o que deseja despertar em seu público.

Les Affranchis – Bande Annonce Officielle (VF) – Robert De Niro / Ray Liotta / Martin Scorsese:

Os Bons Companheiros – O Melhor Filme do Martin Scorsese:

14 Curiosidades + Segredos OS BONS COMPANHEIROS (GoodFellas) 1990 | Canal Replay:

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PACTO DE JUSTIÇA (2003) – UM ÓTIMO FILME DE KEVIN COSTNER

Terceiro filme produzido e dirigido por Kevin Costner. Os demais foram o clássico “Dança com Lobos” (1990) e “O Mensageiro” (1997) que, durante as filmagens o ator Robert Duvall sofreu um acidente, caindo do cavalo em que montava e quebrando várias costelas devido à queda. O orçamento de “Pacto de Justiça” (ou Open Range),foi de US$ 26 milhões. Bilheteria 69 milhões.

No filme Denton Baxter (Michael Gambon) é um poderoso vaqueiro do Oeste americano que ameaça todos aqueles que podem tirar seu poder na cidade em que vive. Cansados desta situação, Charley Waite (Kevin Costner), Boss Spearman (Robert Duvall), Button (Diego Luna) e Mose Harrison (Abraham Benrubi) decidem enfrentá-lo. Porém em meio à batalha Charley acaba conhecendo Sue Barlow (Annette Bening), uma mulher que conquista seu coração. É a volta do diretor e ator a um de seus temas favoritos, o Velho Oeste, com uma abordagem peculiar sobre um assunto raríssima vezes abordado por produções anteriores.

Aliás, a capacidade de Kavin Costner de cavar assuntos diferentes dentro do gênero western para mergulhar neles merece ser aplaudida. Em Dança com Lobos, ele teve a coragem de envolver o espectador nos detalhes dos hábitos da vida dos americanos nativos ao inserir seu protagonista, John J. Dunbar, em um meio desconhecido, que ele vai desvelando diante de nossos olhos sem preconceito e sem rótulos.

Em Pacto de Justiça, o foco é o conflito entre dois tipos de cowboys: os chamados pejorativamente de “free grazers” (ou pastores livres) e os rancheiros. E antes que alguém venha aqui apontar que o conflito entre colonos e rancheiros é alvo de diversas obras do gênero, saliento logo: não há colonos que almejam viver da agricultura em Pacto de Justiça. O conflito é mesmo entre um grupo de homens, representado pelos personagens de Robert Duvall e Kevin Costner, que cuidam de seu gado no pastoreiro livre (o Open Range do título original), ou seja, em “terra de ninguém” e os rancheiros que têm terras próprias para o mesmo fim. Esse aspecto bem particular, até onde se sabe, jamais foi abordado em obras anteriores.

Mas Pacto de Justiça, não se enganem, também é uma típica história de vingança, daquelas em que os relutantes heróis são pacifistas, mas sabem que a violência é necessária em determinados momentos nesse Oeste Selvagem. Com isso, a fita ganha contornos mais familiares ao público em geral, permitindo que a segunda metade seja voltada exclusivamente para esse aspecto, com a transformação de Boss Spearman (Duvall) e principalmente Charley Waite (Costner) de vaqueiros em pistoleiros. Mas, até isso acontecer, a construção dos personagens é crível, graças a um roteiro cadenciado de Craig Storper, em seu único roteiro para o cinema até agora, baseado em romance do famoso escritor americano de faroestes Lauran Paine, de quem Costner sempre foi fã declarado.

De toda maneira, Kevin Costner mostra sua costumeira segurança na direção, transitando entre tomadas em plano aberto no primeiro terço da fita que, ao longo da narrativa, vão se fechando, como se entrássemos no inconsciente de Waite. O fotografia ficou ao encargo do então estreante (na direção de fotografia) James M. Muro, que depois viria a fazer Crash: No Limite. E o trabalho da dupla Costner/Muro ganha outros contornos quando o tiroteiro efetivamente começa. Nesse momento, vemos outra coisa muito rara em Westerns: a ausência completa de floreios. Ninguém é o “gatilho mais rápido do Oeste”, não há duelos no estilo clássico, não há beleza plástica alguma, pelo menos não em seu sentido tradicional. Trata-se de uma luta crua, feia mesmo, em que os tiros são mais aleatórios do que qualquer outra coisa e as mortes não são enfeitadas ou exageradas.

O resultado final é que “Pacto de Justiça” é um grande exemplar do gênero western que, infelizmente, apesar de ter sido elogiado pela crítica da época e um razoável sucesso de bilheteria, é normalmente uma obra esquecida nas prateleiras empoeiradas dos cinéfilos. Mas vale a pena (re) descobrir esse trabalho de Kevin Costner na direção voltando ao gênero que o consagrou.

PACTO DE JUSTIÇA TRAILER

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BENÍCIO BEM – E O CAMINHONEIRO DO DENTE FURADO

Benício Bem Coco do Troca Troca

Benício Bem, artista superlativo, múltiplo, pulsante, pungente, completo. Privilegiado com talento raro para a música de harmonia e melodia inteligente.

Simples, espontâneo, verdadeiro, corajoso, assumindo sua preferência sexual num ambiente familiar predominantemente adulto, paternal, democrático, ao estilo respeitoso dos seguidores e fãs.

Cigano de alma libertária, Benício Bem nasceu em Poção, distrito de Piripiri, Teresina (PI), onde fica localizado o Olho d’ Água mais fascinante do que o Delta do Parnaíba, ou Delta das Américas. Correspondente à foz do Parnaíba, onde se encontram as 73 ilhas fluviais mais belas do mundo.

Benício é a reencarnação espiritual-musical de Carmen Miranda com seus balangandãs e de Pinduca, o Rei do Carimbó raiz paraense, com seu “kirimbu” cigano, estirizado, violado, repentista.

Há muito tempo na estrada, fazendo estripulia musical, o piripiriense de Poção já tem no currículo musical mais de 150 crônicas musicais ao estilo “pinduquense”. “Banca de Camelô”, “Ciranda de Cigana”, “Como o Piauí É Bom”, “Coco da Maria Toca Toca”, dentre outras pérolas.

“O Caminhoneiro do Dente Furado,” título do carimbó que dá nome à crônica, é o título de uma canção que ele compôs recentemente para um caminhoneiro por quem estava apaixonado até os quatro pinéus, como se diz no nordeste, e não conseguia ser correspondido. Mas o esqueceu após compor a canção. Freud explica essa metamorfose ambulante.

Breve ele aporta por aí como o humorista João Cláudio Moreno, o gênio do humor de Piripiri (PI), maior do Brasil depois de Chico Anísio.

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CHAMAS DA VINGANÇA (2004) – UM FILME EXCELENTE DE AÇÃO

Imagem de Chamas da Vingança quando lançado em DVD

Dirigido por Tony Scott, irmão do aclamado diretor Ridley Scott, infelizmente se suicidado jogando-se de uma ponte em Los Angeles em (19.08.2012), Chamas da Vingança, conta a história de Creasy (Denzel Washington), um ex-agente da CIA que, torturado pelas lembranças de seus atos passados, tornou-se alcoólatra e decidiu sair dos Estados Unidos. Em visita a um antigo colega no México, ele recebe uma proposta para se tornar guarda-costas da pequena Pita (Hannah Dakota Fanning), filha de um poderoso empresário mexicano e de uma americana – um trabalho nada fácil em um país no qual, de acordo com o próprio filme, ocorre um seqüestro a cada 60 minutos.

Um grande aspecto do filme é a sua coesão, de tal modo que todas as motivações fílmicas são explicadas, e uma coisa leva a outra com a naturalidade que deve ser. Aqui, o cineasta trabalha bem com essas cenas de reconhecimento, levando os personagens a identificarem símbolos ou signos capazes de mudar o rumo dramático. A cena do sequestro é um claro exemplo disso. John Creasy (Denzel Washington), ao treinar Lupi (Dakota Fanning) para uma competição, a acostuma com um barulho agudo, que significa que ela teria de partir em retirada ao ouvi-lo. Sabendo disso, num momento em que ela está prestes a ser sequestrada, Creasy atira para o alto e ela, já sabendo do sinal, o reconhece e foge. São elementos desta natureza que incrementam o enredo e abrilhantam o filme.

O personagem de Denzel Washington é obscuro emocionalmente, frio na exata medida para transpassar infelicidade, mas humano o bastante para demonstrar afeto diante da única personagem capaz de fazê-lo sorrir no filme. Ele apenas esboça um sorriso duas vezes e nas duas é acompanhado da menina, que de algum modo o traz à vida. É, enfim, quando tudo parece voltar a fazer sentido para ele que acontece a ruptura brutal e ela sai de cena. Esta é uma grande atuação de Denzel Washington, que traduz em verdade tudo aquilo que lhe era exigido para o papel. Por meio do protagonista, temáticas violentas como solidão e desamparo são introduzidas de maneira bem assídua e as frases pronunciadas por ele, assim como suas expressões faciais, atingem em cheio, quem assiste.

Inicialmente relutante em aceitar a tarefa, Creasy acaba se apegando à garotinha – e, quando uma tragédia se abate sobre a família, o sujeito resolve se vingar de todos os responsáveis, diretos e indiretos, pelo que ocorreu (em seu caminho, ele encontra dois personagens vividos por atores brasileiros, Gero Camilo, um gênio que a Globo Lixo só utiliza para porteiro das cidades cenográficas e Charles Paraventi, ambos atores de Cidade de Deus)…

a) Chamas da Vingança – Man on Fire 2004 Trailer.

b) Sinopse: Chamas da vingança (Man on Fire) 2004 [Trailer, Filmes, Resenha, Sumário, Relato]

c)Gero Camilo conta como foi trabalhar com Denzel Washington | QUE NEM TU

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ONDE OS FRACOS NÃO TÊM VEZ (2007) – UMA OBRA-PRIMA DOS IRMÃOS COEN

Cartaz do filme quando lançado em DVD

Quando Clint Eastwood encarnou seu “pistoleiro sem nome” na célebre Trilogia dos Dólares, de Sergio Leone, o gênero western ganhou um novo padrão. Não mais o cowboy bom-moço de outros clássicos do gênero, como os interpretados por John Wayne. Agora o protagonista demonstrava claramente sua moral duvidosa e seus óbvios traços de cinismo. Não é segredo para ninguém que ali o protagonista de western ganhou contornos bem mais humanos e quase que fronteiriços entre o herói e o anti-herói. Também seria óbvio dizer que os irmãos Coen conheciam muito bem essa evolução quando filmaram Onde Os Fracos Não Tem Vez. Mas a obra-prima de 2007 é muito mais que um simples padrão modernizado do gênero. Os diretores adicionaram elementos que modificaram sua estrutura e seu espírito. Se o longa-metragem o subverte ao dar o protagonismo a um anti-herói inequívoco, ele acaba também por modificar os próprios moldes dos vilões tradicionais, já que Anton Chiguhr é em tudo atípico.

Qualquer análise sobre Onde Os Fracos Não Tem Vez gravitará necessariamente em torno de seu anti-herói – um dos maiores vilões da história do cinema. Javier Bardem interpreta Chiguhr de modo assombrosamente inspirado e o compõe de uma série de maneirismos que revelam sua frieza, sua soberba e sua completa loucura. Seu corte de cabelo excêntrico parece ser usado por ele como uma ironia ou um deboche. Impressiona seu ritualismo a cada cena. Ele caminha calmamente até suas vítimas e dialoga com elas sem jamais se exaltar, agitar-se. O personagem decide com lances de uma moeda se seu interlocutor morrerá ou viverá.

Anton Chiguhr nega o livre arbítrio. Seus atos são reflexos de uma força que não demora a se revelar – o psicopata dos irmãos Coen encarna a própria força da morte. Irreprimível e atemporal. Nenhum dos personagens do longa-metragem apresenta registros de historicidade. Nada sabemos sobre eles. Nem suas motivações nem seus objetivos. Presente, passado e futuro tornam-se um só.

Texas, década de 80. Um traficante de drogas é encontrado no deserto por um caçador pouco esperto, Llewelyn Moss (Josh Brolin), que pega uma valise cheia de dinheiro mesmo sabendo que em breve alguém irá procurá-lo devido a isso. Logo Anton Chigurh (Javier Bardem), um assassino psicótico sem senso de humor e piedade, é enviado em seu encalço. Porém para alcançar Moss ele precisará passar pelo xerife local, Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones). Excelente filme que demorei muito para assisti. Um filme bem tenso e para deixar mais tenso ainda o telespectador o filme não tem trilha sonora e com uma brilhante atuação de Javier Bardem, com uma fotografia soberba. Oscar merecido.

“Onde os Fracos não têm Vez” é, sem dúvida o auge dos irmãos Coen, que aqui fazem um trabalho de mestre em um filme que faz uma reflexão sobre os tempos de violência.

O filme acompanha um ex militar Llewelyn Moss que encontra em um cenário de crime uma maleta contendo 2 milhões de dólares. Ele decide levar para casa mesmo sabendo que vai dar errado. Um psicopata sem senso de humor e que mata com frieza é contratado para achar o dinheiro e inicia sua caçada deixando rastos de morte por onde passa, paralelamente o Xerife Bell está na caçada não só pelo assassino quanto por Llewelyn.

O filme é uma adaptação do livro escrito em 2005 por Cormac McCarthy chamado de No Country For Old Men. É escrito e dirigido pelos irmãos Coen, que aqui apresenta seu melhor trabalho. É um filme profundo e cheio de camadas, definitivamente não é para todos já que os diretores adotam um ritmo lento e os diálogos são feitos para serem interpretados. Aliás, eles estão muito inspirados aqui, cada personagem são brilhantemente bem escritos.

O filme tem como protagonismo o personagem Bell, veterano da polícia, o filme abre com um “voice over” com ele relembrando o pai e avô dele na época que eles trabalhavam na polícia, desse diálogo podemos tirar a sacada do filme, de que os tempos mudaram (ou não já que temos outro diálogo lá para o fim), agora o mundo é cheio de violência, o ser humano não possui mais bondade, são todos cheio de maldade e frieza, não se importando com o bem estar da sociedade, lá para o fim existe uma conversa entre Bell e seu tio onde podemos refletir se os tempos realmente mudaram ou se sempre nos humanos fomos violentos. São diálogos simples com grandes significados e as atuações são perfeitas. Tommy Lee Jones está extraordinário. É uma atuação simples, mas que passa muita sinceridade. Josh Brolin é outro com grande atuação, é um homem comum que não se distanciou da guerra e que vê no dinheiro uma forma de mudar seu destino. É outro com muitas camadas. Temos boas participações de Woody Harrelson e Kelly Macdonald. Mas a alma do filme é Javier Bardem, aqui ele incorpora um dos maiores psicopatas da história do cinema e uma das melhores atuações masculinas da história. É um personagem muito frio, intenso e que tem uma “conduta de moral” distorcida para praticar suas atrocidades.

Os Irmãos Coen criaram um visual e fizeram uma escolha de ator para o papel na medida. O ator possui uma caracterização marcante com um cabelo e exótico e uma arma de crime absolutamente fora dos padrões. A atuação do Bardem é assustadora na pele do psicopata Chiguhr. O olhar dele é assustador e passa muito de suas emoções, sua maneira de cometer os crimes é banal e fria, um fascinante estudo de personagem. Para auxiliar no suspense da obra, os Coen preferiram não adicionar trilha sonora, e com isso temos um filme tenso e bem trabalhado nesse western moderno.

O roteiro para variar é brilhante, sabendo dar profundidade nos personagens e na história em si em cima dos diálogos e das metáforas presentes no filme. A fotografia é excele, o design de produção é muito bom e o trabalho com o som é outro destaque da parte técnica, além dos enquadramentos de câmera.

O longa concorreu em 8 categorias, saindo vencedor em melhor filme, direção, roteiro adaptado e ator coadjuvante para Javier Bardem. “No Country For Por Men” é um filme brilhante, cheio de profundidade dos personagens e com uma grande mensagem de um mundo onde é dominado pelos fortes e os fracos realmente não tem vez, um mundo caótico onde a injustiça infelizmente reina.

No Country For Old Men (2007) Official Trailer – Tommy Lee Jones, Javier Bardem Movie HD

TODOS os DETALHES que você PERDEU em ONDE OS FRACOS NÃO TEM VEZ

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O HUMORISTA JOÃO CLÁUDIO MORENO – E O SUCESSO RELATIVO

Numa entrevista antológica concedida ao apresentador Emílio Surita e sua trupe do Programa Pânico da Jovem Pan realizado em 2011, o piauiense João Cláudio Moreno, o maior humorista do Brasil depois de Chico Anísio, além de comentar os bastidores do programa Zorra Total da Rede Globo, na época em que a emissora de Roberto Marinho podia ser levada a sério, era digna de uma emissora de televisão, fala sobre sua relação com o genial Chico Anísio, durante seis anos em que trabalharam juntos.

Nessa entrevista o humorista João Cláudio Moreno fala da criatividade e do improviso genial de Chico Anísio, da dificuldade de lidar com o gênio generoso, do quanto ele esculhambava com a alta direção da emissora, principalmente a Diretora de Programação, Marluce Dias, que dizia que a única coisa que prestava nela era que dava pra comer até na frente do marido, que era cego.

Fala da mãe dele, Dona Raimundinha Rego, que era humorista genial, apesar de possuir só o quarto ano primário e ter mais de 98 anos, e está sempre acabando com a alta estima dele, segundo ele para desestimular seu ego.

Nessa mesma entrevista à Pam, o humorista João Cláudio Moreno narra um encontro de Alceu Valença e Hermeto Pascoal, que é um negocio de doido ouvir os dois falando, onde ninguém entende porra nenhuma do que os dois falam.

Simplesmente imperdível a narrativa!

Vale apenas assistir a entrevista toda! É antológica!

No final dessa entrevista o humorista João Cláudio Moreno fala sobre o sucesso relativo, o sucesso absoluto e o sucesso e o fracasso. Fala sobre a dificuldade de administrá-lo, o que nem sempre é fácil, e comenta do sucesso de uma cantora do Piauí, negra, periférica, sem dente, que foi chamada para participar de um encontro de mulheres negras feministas na Inglaterra, por isso seu nome Maria da Inglaterra.

Quando ela chegou no encontro das Mulheres Negras Femininas da Inglaterra, quando adentrou no palco, foi logo cantando para a surpresa das outras mulheres negras e feministas:

Sou uma muié dominada de paixão. Eu me casei pra alegrar meu coração. Quando ele chega vem com a cara cheia, eu chego rente, vou chiar na peia. Bata meu bem, pode bater, quanto mais bata mais eu sinto prazer. Bata meu bem, pode bater, quanto mais bata mais eu sinto prazer

A mulher que estava coordenando o encontro, que era de São Paulo, correu e mandou tirar Maria da Inglaterra do Palco imediatamente. Mais ela não perdeu tempo e emendou a segunda parte: Não interessa o que vão falar, as costas é minha eu posso aguuuentar.

Nesse momento houve uma vaia das colegas – só das colegas – porque o povo dentro do teatro aplaudiu de pé e Maria da Inglaterra estava feliz por ter externado tudo aquilo que sentia. Para ela era um sucesso relativo, porque satisfazia os seus desejos, mesmo naquele momento.

Quando a turma terminou a vaia, ela levantou e disse:

A inveja ainda mata um diabo desses!

Não interessa se foi bom ou não para as outras pessoas, o mais importante foi que foi bom para ela, que realizou seu sucesso, mesmo relativo. Ficou de bem consigo mesma, feliz!

O vídeo com a entrevista toda é longo, mas vale apena assisti-lo! É uma aula de humor inteligente do início ao fim!

Clique na imagem abaixo para acessar a entrevista no YouTube:

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KRAMER VS. KRAMER (1979), UM ÓTIMO DRAMA NO TRIBUNAL

É impossível não se emocionar com o embate jurídico travado no tribunal por Ted e Joanna, interpretados magnificamente por Dustin Hoffman e Meryl Streep, numa batalha judicante comovente pela custódia do filho.

O filme narra a história de Ted Kramer (Dustin Hoffman), um profissional para quem o trabalho vem antes da família. Joanna (Meryl Streep), sua mulher, não suportar mais essa situação e sai de casa, deixando Billy (Justin Henry), o filho do casal. Quando Ted consegue finalmente ajustar seu trabalho às novas responsabilidades, Joanna reaparece exigindo a custódia da criança. Ted não aceita os argumentos de Joanna e os dois esbarram no fórum lutando pela guarda do filho Billy.

Um espetacular drama sobre os traumas do divórcio e as dificuldades entre trabalho e família. O jovem marido e pai Ted Kramer (Dustin Hoffman) ama sua família e seu trabalho, onde passa a maior parte do tempo. Tarde da noite, quando retorna para casa depois do trabalho, a esposa Joanna (Meryl Steep) inicia uma discussão e acaba abandonando o marido e o filho de seis anos. Ted tem que aprender a ser pai enquanto enfrenta os problemas de sua estafante carreira. Justo quando ele se adapta a seu novo papel e passa a desfrutar sua condição de pai, Joanna retorna, querendo o filho de volta.

Inteligente, bem realizado pelo diretor Robert Benton e com roteiro baseado no romance homônimo de Avery Corman. No Oscar de 1980, venceu em cinco categorias: melhor filme, melhor diretor, melhor ator (Dustin Hoffman), melhor atriz coadjuvante (Meryl Streep) e melhor roteiro adaptado. Recebeu ainda outras quatro indicações, nas categorias de melhor fotografia, melhor ator coadjuvante (Justin Henry), melhor atriz coadjuvante (Jane Alexander) e melhor edição. Um filme emocionante e comovente.

Kramer vs. Kramer mergulha de cabeça no tema que, mesmo não sendo mais tabu nos EUA em 1979, quando a produção foi lançada, chamou atenção pela forma que a abordagem é feita, com a adaptação do romance de Avery Corman pelo roteirista e diretor Robert Benton tentando manter os dois pés fincados no chão e lidando com as consequências de maneira realista e dolorosa, arriscando inclusive uma escolha arriscada em usar como estopim para a trama o “abandono do lar” por Joanna Kramer, esposa e mãe de um menino de tenra idade e não o contrário. É, de muitas maneiras, a semente para a visão mais recente, mas não muito diferente, de Noah Baumbach em seu História de um Casamento.

O diretor Benton já começa a projeção com a Joanna de Meryl Streep (que lhe rendeu sua segunda indicação ao Oscar e primeira vitória), em uma devastadora sequência, largando a vida de casada – marido e filho – sem maiores explicações, mas com feição entristecida e uma voz embargada que deixa algo no ar, algo que só voltaria bem mais para a frente na obra que, então, passa a focar quase que exclusivamente em Ted Kramer (Dustin Hoffman) tentando ajustar-se ao novo status quo de sua vida em que ele precisa conciliar o trabalho com afazeres domésticos que giram ao redor de seu filho Billy (Justin Henry), o que obviamente leva ao caos imediato. A maneira como as lentes apontam para Ted, aos poucos levando-o do desespero à forte conexão com Billy, sacrificando sua carreira no processo, não tem como objetivo falar de Ted apenas, mas sim também, indiretamente, de Joanna, mesmo que sua presença física na fita seja diminuta.

Esse é, na verdade, o grande trunfo da delicada direção de Benton e de mais uma excelente atuação de Hoffman. Entendemos muito facilmente que todo o desconhecimento e falta de jeito sobre a vida doméstica que Ted revela é um atestado para a importância de Joanna – ou da mulher – nessa equação. Ao mesmo tempo, a discussão dos papeis em um casamento ganha relevo, pois da mulher se espera todo o tipo de sacrifício. Afinal, ter filho e trabalhar não combina, não é mesmo? Mas o mesmo não vale para o homem, que é o provedor oficial, claro. Tudo é, no entanto, muito sutil em Kramer vs. Kramer, sem a necessidade de entulhar a narrativa com diálogos expositivos por todo o tempo ou com a demonização da mulher que “abandonou” o lar, até porque o trabalho de Benton é tão bem costurado que a compreensão da escolha de Joanna vem muito rapidamente, assim como quando, em seu retorno, ela luta pela custódia do filho. Chega a ser prodigioso como um filme sobre um homem e uma mulher em processo de separação e divórcio e que é focado quase que integralmente no homem, fala tão bem e tão equilibradamente dos dois lados.

É bem verdade que Benton não resiste completamente à tentação do didatismo e entrega à Streep seu momento choroso padrão que ela entrega muito convincentemente. A questão é que, quando isso acontece, a situação toda já está consolidada e as pistas sobre as motivações de Joanna já foram mais do que exploradas. Essa sua conversa com Ted e, depois, uma repetição na tribuna, destoam da abordagem indireta e inteligente que o roteiro vinha oferecendo, ainda que, pelo menos no processo de divórcio, o lado verborrágico fosse efetivamente inevitável.

Por outro lado, a curta duração do filme faz com que o diretor recorra a algumas elipses temporais que aceleram talvez demais a nova realidade de Ted, correndo com sua involução no trabalho e sua evolução com Billy, além de seu contato mais constante com Margaret (Jane Alexander), vizinha dele e amiga de Joanna. Como esses elementos dão estofo à narrativa, a obra teria se beneficiado com uma evolução mais vagarosa nesse lado, em um dos poucos casos em que mais duração teria beneficiado o conjunto. Mesmo assim, vale nota a direção de arte minimalista de Paul Sylbert e a fotografia sóbria de Néstor Almendros, que amplificam o naturalismo e realismo da obra, muitas vezes compensando a pressa de Benton.

Kramer vs. Kramer elegantemente mete o dedo na ferida de uma situação ainda não completamente equacionada e pacificada, mesmo tanto tempo depois. Grandes atuações e texto certeiro em um filme que cumpre com maestria sua função de levantar importantes e ainda muito atuais discussões sobre a vida e os pequenos e grandes fracassos que a compõe.

Kramer vs. Kramer (1979) Trailer #1 | Movieclips Classic Trailers

Dustin Hoffman winning Best Actor for “Kramer vs. Kramer”