ALEXANDRE GARCIA

PARTIDOS POLÍTICOS COM IDENTIDADE SE TORNARAM COISA RARA NO BRASIL

urna eletrônica partidos políticos

Partidos políticos hoje não passam de números que o eleitor aperta na urna eletrônica

Descobri, lamentavelmente, que não ligo os números dos candidatos a nomes de partidos políticos, à exceção do 22 e do 13. O resto eu nem sei. Partido hoje virou número, não é nem nome mais. Antes, eu dizia que o nome já era apenas um rótulo de fantasia; nem isso é mais, os partidos se reduziram a números de dois algarismos – que viram três, quatro ou cinco dependendo do cargo que o candidato disputa. Vejo nomes conhecidos da história política brasileira fazendo propaganda, e parecem envergonhados do nome de seu partido: só põem o número. Mal ficamos sabendo a que partido pertencem.

A isso foram reduzidos os partidos, que eu já nem chamo mais de “políticos”: não têm doutrina; no máximo, têm um estatuto igual aos outros para ser arquivado na Justiça Eleitoral. De modo geral, a separação hoje é por nome, indivíduo e suposta ideologia. Eu digo “suposta”, porque a pessoa diz que é de direita, de esquerda ou de centro, mas, se pedimos para ela explicar o que isso significa, ela vai ter dificuldade, ou vai dizer alguma coisa genérica que serviria para a direita e para a esquerda. É uma pena. Formam-se partidos como se formam ONGs, e com a mesma intenção.

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Coordenador da Secom que iniciou fake news sobre Nossa Senhora Aparecida foi punido pela metade

Achei estranho que o TRE do Distrito Federal tenha proibido apenas as publicações políticas de George Marques, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação (Secom), da Presidência da República, depois de ficar comprovado que saiu dele uma das fake news sobre Nossa Senhora Aparecida e Flávio Bolsonaro. Ao Poder360, Marques disse que tem um perfil de “política e humor”. Como assim? Ele é da Secom, mas também tem um perfil de política e humor? Quando é oficial e quando é particular? O interessante é que o TRE-DF parece ter aceito essa distinção, mas isso é caso de fusão, nem é de mistura.

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É muito difícil que a eleição se decida já no primeiro turno

Vejo muita gente apostando que a eleição para presidente pode se decidir já no primeiro turno. Se olharmos as pesquisas, o primeiro turno pode até antecipar o resultado do segundo turno, mas que já se defina o resultado agora, isso não. O que podemos ver são alguns sinais dos tempos. No Rio de Janeiro, Eduardo Paes tem 42% no Datafolha e Douglas Ruas tem 31%. A disputa lá vai para o segundo turno, e Paes está dizendo que apoia e vota em Lula. Golbery me dizia: “quando tem um ‘mas’, sempre leve em conta que o que importa é o que vem depois do ‘mas’”. E Paes declarou apoio a Lula com um “mas”: “mas não preciso da bengala do Lula, não sou subordinado dele. Ele não manda em mim”. Será que ele percebeu alguma coisa que as pesquisas não percebem?

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Estoques em alta mostram queda no consumo

Tenho dito que no domingo vamos escolher se queremos mudar ou se queremos seguir na direção atual. A Confederação Nacional da Indústria está mostrando que os estoques estão altos, principalmente nos setores têxtil, de eletroeletrônicos e de móveis. Ou seja, as vendas caíram e não há compras suficientes para baixar os estoques, por causa do endividamento e dos juros altos. E os juros são altos porque o governo está muito endividado; se não oferecer bons prêmios ao investidor, não consegue pôr os papéis dele no mercado. E aí o governo – o atual, que deseja continuar – puxa os juros para cima.

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO X

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

ELEIÇÕES

Domingo próximo teremos eleições. Max Weber, talvez o mais proeminente pensador alemão do século XX, define política (Escritos poéticos) como a “Arte de evitar que o convívio humano se transforme em um inferno”. Não será fácil, no Brasil de hoje, considerando a radicalização extrema que invade até amigos íntimos e familiares.

Em livro festejado, La folle du logis, Jean Louis Missika compara os programas eleitorais, na televisão francesa, a um “Muppet Show ao vivo”. Aqui não é muito diferente. Temos sempre a sensação de estarmos assistindo comerciais de Novo Omo ou Biotônico Fontoura, vendendo-se candidatos como se fossem um produto qualquer, de segunda categoria.

Cada vez menos a intenção, e mais a forma; menos a ideia, e mais o close; menos a decência, e mais a ilusão; menos a coerência de uma vida limpa, e mais o branco dos dentes ou os jeitos de rir. Até nome os candidatos estão perdendo, agora se vota em números, numa desideologização que acaba construindo uma democracia de aparências.

Complicado, em um cenário assim, é que destinatários das campanhas políticas invariavelmente são os excluídos econômicos. Nas telas não aparecem mocinhas bem-vestidas, nem edifícios na praia de Boa Viagem, que os depoimentos são sempre de gente carente e quase sem esperança, homens e mulheres simples que habitam os mocambos que sitiam o Recife. A estes se promete o que sabem nunca terão ‒ saúde minimamente decente, escola, emprego, segurança.

Acontece que a ocorrência simultânea de exclusão econômica e inclusão política limitada tem repercussões institucionais graves; dado que a sociedade não é capaz de corresponder às expectativas econômicas das massas, geradas por essa inclusão política efêmera. Produzindo-se um quadro de frustração que rapidamente degrada a legitimidade do poder político, em todos os níveis.

É evidente que falar na televisão, e no rádio, é importante para a democracia; passando, esse Horário de Propaganda Eleitora (dita) Gratuita, a ser um dos poucos momentos em que os candidatos podem apresentar suas ideias. O problema neste caso é que, para funcionar bem, é preciso tenham o que quase nenhum deles tem, que é ideias. E que o eleitor seja verdadeiramente cidadão, capaz de separar o mito que embala a mensagem da realidade perversa por trás dela.

Algumas ideias, circulando nos países democráticos, estão à espera de serem copiadas no Brasil. Por exemplo, na Dinamarca, todos os inscritos nos cadastros sociais não podem votar. Simples assim.

Para uma ideia do que representam, no Brasil, o “Bolsa Família” tem 18.7 milhões inscritos, cerca de 49 milhões de dependentes. “BPC (Benefício de Prestação Continuada)”, 6.4 milhões. “Gás do Povo”, 15 milhões. “Pé de Meia”, 3,89 milhões. “Fies” (3,3), “Prouni” (3.7), um total de 7 milhões. E por aí vai, em programas similares.

Tudo buscando evitar que a opressão da fome leve multidões a pagar, com o voto, essa dependência. O que lembra Gonzaga e Zé Dantas (Vozes da seca), “Mas dotô uma esmola/ A um homem qui é são/ Ou lhe mata de vergonha/ Ou vicia o cidadão”.

Lembro, ainda, poema (A implosão da mentira) em que o amigo Affonso Romano de Sant’Anna retrata essas campanhas eleitorais (trechos): “Mentiram-me. Mentiram-me ontem/ e hoje mentem novamente./ Mentem de corpo e alma, completamente./ E mentem de maneira tão pungente/ que acho que mentem sinceramente./ E de tanto mentir tão brava/mente/ Constroem um país de mentira/ ‒ diária/mente./ Página branca onde escrevo./ Único espaço de verdade que me resta./ Onde transcrevo o arroubo, a esperança, e onde tarde/ ou cedo deposito meu espanto e medo”.

Para findar com mínimos de esperança, lembro Richard Rorty (Filosofia e esperança social), “O melhor que podemos esperar do futuro, com alguma expectativa de que se realize, é que os sonhos sobrevivam”. Pelo menos isso, amigo (e)leitor, vamos rezar para que os sonhos permaneçam no ar.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL

APOSTAS NOS ZISTADOS ZUNIDOS

Apostas na vitória de Flávio Bolsonaro (PL) passaram dos 62% nesta quinta (1º) na plataforma de apostas e previsões Polymarket, e dos 61% na prestigiada Kalshi, também dos EUA.

É o maior patamar de Flávio em mais de 12 meses.

Apostas na reeleição de Lula (PT) despencaram para 38%.

As plataformas têm elevado índice de acerto: os investidores nesse negócio contratam os melhores consultores e se valem de pesquisas detalhadas para orientar apostas milionárias.

Na Polymarket, apostas na eleição brasileira mobilizam cerca de US$ 20 milhões (R$ 104 milhões).

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Essa nota aí de cima diz que as plataformas citadas “têm elevado índice de acerto”.

Ótima notícia para começar o expediente desta sexta-feira.

Sinal de que o fim de semana vai ser excelente!

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

AS ELEIÇÕES DE 1950

Silvestre Péricles de Gois Monteiro foi um governador honesto, trabalhador e poeta. Contudo, arbitrário; um caudilho, anticomunista, muitas vezes violento em suas imposições políticas. No dia 3 de outubro de 1950 estavam marcadas eleições gerais. Silvestre lançou seu candidato a governador, Campos Teixeira. Naquela época não havia pesquisa, mas ele dizia ter mais de 80% dos votos em Alagoas. Os caciques da oposição, UDN, com eleição garantida para deputado, não se arriscaram a candidatar-se contra Campos Teixeira. Foi quando apareceu um jovem jornalista, que com ousadia e audácia topou a candidatura afirmando que ganharia a eleição para governador do Estado. Arnon de Mello entrava assim para história das Alagoas. Candidato à Constituinte de 1945, Arnon perdeu; teve 1.300 votos. Atrás de Silvestre (6.105), Rui Palmeira (3.232), Freitas Cavalcanti (2.388). Na frente de Carlos Prestes (1.093) e Graciliano Ramos (62).

A campanha eleitoral de 1950 foi uma das mais violentas na história das Alagoas. Como todo déspota, Silvestre não admitia discordância. Quando os jornalistas da oposição criticavam o governo com veemência, ele ficava possesso e dava o troco. Mandou dar surra no jornalista Donizete Calheiros (ficou paralítico), empastelar um jornal, tocar fogo no caminhão dos estudantes que pichavam os muros com propaganda de Arnon. A campanha foi um período de tiros, mortes, chacina na cidade de Mata Grande, várias pessoas de uma família morreram. O irmão de Silvestre, Senador Ismar de Gois Monteiro, seu inimigo político, levou três tiros numa tentativa de assassinato. O clima era de total intranquilidade.

Numa noite de brisa, eu estava em minha casa lendo revistas em quadrinhos, menino, esperto, adolescente precoce, maloqueiro da praia da Avenida da Paz, quando bateram na porta de minha casa. Atendi e me surpreendi com um grupo de homens vestidos de paletó branco, e apenas uma mulher. Eles perguntaram pelo Coronel Mário Lima, comandante do 20º Batalhão de Caçadores. De repente meu pai chegou cumprimentando os visitantes. Era a cúpula da UDN que pedia abrigo para realizar uma reunião; e minha casa foi o único local que acharam seguro para discutirem as estratégias de campanha e denunciar o clima de intranquilidade. Meu pai os recebeu, deixou-os à vontade na sala.

Eram os membros da oposição, que Silvestre chamavam-no de “udeno-comunistas”. Discutiram durante toda noite. Curioso, fiquei admirando, prestando maior atenção ao debate sobre as opiniões e medidas a serem tomadas. O que mais me impressionou foi a participação atuante e determinada, cheia de opiniões da única mulher do grupo, Dona Leda Collor de Mello, esposa de Arnon; naquela época lugar de mulher era na cozinha. Fui dormir e deixei os políticos, Rui Palmeira, Freitas Cavalcanti, Melo Mota, Carlos e Mário Gomes de Barros, Ezequias da Rocha, Oséas Cardoso, entre outros, discutindo até a madrugada, com o apoio da água gelada, cafezinho, doce de mangaba, bolo e refresco de cajá de Dona Zeca.

Essas reuniões se repetiram. Meu pai tomou essa posição em receber os políticos em nossa residência para evitar mais violências. Ele comunicou o fato ao governador Silvestre e ao General Comandante da 7ª Região. Se responsabilizando pela acolhida aos políticos receosos de uma reprimenda. Arnon de Mello estava crescendo eleitoralmente na capital e no interior, o que levava os governistas ao desespero. A eleição se aproximava e a garantia das tropas do Exército solicitada pela oposição não chegava ao 20° BC. O General Góes Monteiro, irmão de Silvestre, eminência parda da República, candidato a Senador em Alagoas, segurou a ordem de envio de tropas para garantir a eleição no interior.

Foram expedidos radiogramas para a 7ª Região Militar informando que estavam sendo preparadas fraudes e violências durante a eleição, que iria haver derramamento de sangue. Somente às duas horas da manhã do dia 3 de outubro (dia da eleição), chegou do Recife, ordem para garantir as eleições em Alagoas. O 20º Batalhão de Caçadores permanecia de prontidão com a tropa organizada, preparada para ser distribuída nos municípios mais complicados. Havia um problema: não existiam viaturam suficiente para o deslocamento imediato dos soldados para todo Estado.

O coronel Mário Lima requisitou caminhões, camionetes que passavam em frente ao quartel; embarcaram todos os soldados para o interior. O Exército garantiu a eleição.

Apurados os votos, Arnon teve 56.962 votos contra 36.338 de Campos Teixeira. O general Góes Monteiro, candidato a senador, pensava ser uma eleição fácil, debochou, não fez campanha: perdeu para um médico, obscuro político de Sertãozinho (hoje Major Izidoro), Ezequias da Rocha.

Final de novembro, em uma inspeção do general comandante da 7ª Região à guarnição de Maceió, o coronel Mário Lima acompanhou o general comandante em visita de praxe ao governador Silvestre. Depois da conversa protocolar, quando retornavam pela sala, Dona Constança, mãe de Silvestre, sentada em uma cadeira de balanço, provocou, alto: “Esse Exército de merda fez meu filho perder a eleição”. Os militares fingiram não ouvir. Sorrindo desceram as escadas do Palácio dos Martírios.

DEU NO X

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

A ANCESTRALIDADE

Os conceitos de ancestralidade e ancestrais indicam uma conexão geral com pessoas ou coisas do passado.

Num conceito genético, porém, eles têm um significado mais específico. Nossos ancestrais são as pessoas das quais descendemos biologicamente.

Gosto muito de olhar pelo retrovisor do tempo, lembrar das coisas boas que já tivemos e que o tempo levou. Sofro com isso. A saudade aflora e me maltrata.

Tenho dificuldade de conviver com as ausências de pessoas queridas que não estão mais entre nós. Sofro muito quando um ente querido parte para a morada celestial.

Adoro fotografias, principalmente as antigas, de meus familiares queridos, que não se encontram mais neste plano, e vivo pesquisando o passado.

Pesquiso o passado e trago à tona pensamentos antigos. Não sou um museu ambulante mas cultuo as pessoas maravilhosas que por nós passaram.

“A saudade mata a gente” – já diziam os poetas Antônio Almeida e João de Barro (conhecido como Braguinha).

Pesquisando o passado, encontrei uma preciosidade, dentro de um CREDO (Oração) , da autoria de JOHN D. ROCKEFELLER JR.

O Credo de John D. Rockefeller Jr. é um conjunto de princípios éticos, morais e filosóficos apresentado publicamente pelo filantropo em um famoso discurso radiofônico em 1941. Ele resume sua visão sobre o trabalho, a responsabilidade individual, e o governo, que ele considerava o servo do povo e não o seu senhor.

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MEU CREDO – DA AUTORIA DE JOHN D. ROCKEFELLER JR.

“CREIO que a Lei foi feita para o homem e não o homem para a Lei; que o governo é o servo do povo e não o seu senhor.

CREIO na dignidade do trabalho, físico ou mental; o mundo deve a todo homem uma oportunidade para ganhar a vida.

CREIO no valor supremo do indivíduo e no seu direito á vida, a liberdade e a busca da felicidade.

CREIO que a justiça e a verdade são os fundamentos da ordem social duradoura.

CREIO que o prometido é sagrado, que a palavra de um homem deve valer tanto quanto as suas obrigações; que o seu caráter – e não sua riqueza seu poder ou sua posição – é o seu supremo índice do seu valor.

CREIO que todo direito implica uma responsabilidade; toda oportunidade, uma obrigação, toda posse um dever.

CREIO que a economia é essencial a uma existência organizada, sendo requisito primordial para uma estrutura financeira sólida, seja para os governos, para os negócios ou para os indivíduos.

CREIO que prestar serviços úteis é o dever comum da humanidade e que somente o fogo purificador do sacrifício consome a escória do egoísmo e revela a grandeza da alma humana.

CREIO que há um Deus todo amor e todo poderoso, qualquer que seja o seu nome, e que, para cumprir sua suprema missão, conseguir sua maior felicidade e tornar-se inteiramente útil o homem precisa viver em harmonia com a Vontade Divina.

CREIO que nada é mais grandioso que o amor, que somente o amor sobrepuja o ódio; que o direito pode triunfar sobre a força.

Amém!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA