
Partidos políticos hoje não passam de números que o eleitor aperta na urna eletrônica
Descobri, lamentavelmente, que não ligo os números dos candidatos a nomes de partidos políticos, à exceção do 22 e do 13. O resto eu nem sei. Partido hoje virou número, não é nem nome mais. Antes, eu dizia que o nome já era apenas um rótulo de fantasia; nem isso é mais, os partidos se reduziram a números de dois algarismos – que viram três, quatro ou cinco dependendo do cargo que o candidato disputa. Vejo nomes conhecidos da história política brasileira fazendo propaganda, e parecem envergonhados do nome de seu partido: só põem o número. Mal ficamos sabendo a que partido pertencem.
A isso foram reduzidos os partidos, que eu já nem chamo mais de “políticos”: não têm doutrina; no máximo, têm um estatuto igual aos outros para ser arquivado na Justiça Eleitoral. De modo geral, a separação hoje é por nome, indivíduo e suposta ideologia. Eu digo “suposta”, porque a pessoa diz que é de direita, de esquerda ou de centro, mas, se pedimos para ela explicar o que isso significa, ela vai ter dificuldade, ou vai dizer alguma coisa genérica que serviria para a direita e para a esquerda. É uma pena. Formam-se partidos como se formam ONGs, e com a mesma intenção.
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Coordenador da Secom que iniciou fake news sobre Nossa Senhora Aparecida foi punido pela metade
Achei estranho que o TRE do Distrito Federal tenha proibido apenas as publicações políticas de George Marques, coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação (Secom), da Presidência da República, depois de ficar comprovado que saiu dele uma das fake news sobre Nossa Senhora Aparecida e Flávio Bolsonaro. Ao Poder360, Marques disse que tem um perfil de “política e humor”. Como assim? Ele é da Secom, mas também tem um perfil de política e humor? Quando é oficial e quando é particular? O interessante é que o TRE-DF parece ter aceito essa distinção, mas isso é caso de fusão, nem é de mistura.
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É muito difícil que a eleição se decida já no primeiro turno
Vejo muita gente apostando que a eleição para presidente pode se decidir já no primeiro turno. Se olharmos as pesquisas, o primeiro turno pode até antecipar o resultado do segundo turno, mas que já se defina o resultado agora, isso não. O que podemos ver são alguns sinais dos tempos. No Rio de Janeiro, Eduardo Paes tem 42% no Datafolha e Douglas Ruas tem 31%. A disputa lá vai para o segundo turno, e Paes está dizendo que apoia e vota em Lula. Golbery me dizia: “quando tem um ‘mas’, sempre leve em conta que o que importa é o que vem depois do ‘mas’”. E Paes declarou apoio a Lula com um “mas”: “mas não preciso da bengala do Lula, não sou subordinado dele. Ele não manda em mim”. Será que ele percebeu alguma coisa que as pesquisas não percebem?
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Estoques em alta mostram queda no consumo
Tenho dito que no domingo vamos escolher se queremos mudar ou se queremos seguir na direção atual. A Confederação Nacional da Indústria está mostrando que os estoques estão altos, principalmente nos setores têxtil, de eletroeletrônicos e de móveis. Ou seja, as vendas caíram e não há compras suficientes para baixar os estoques, por causa do endividamento e dos juros altos. E os juros são altos porque o governo está muito endividado; se não oferecer bons prêmios ao investidor, não consegue pôr os papéis dele no mercado. E aí o governo – o atual, que deseja continuar – puxa os juros para cima.