DEU NO JORNAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOSÉ ALVES FERREIRA – SÃO PAULO-SP

Olá! Contêiner

Tenho 52 anos de experiência em comercio exterior; aposentado, toco minha vida até quando o Criador quiser…

Lógico, vi muita coisa evoluir no acondicionamento no recebimento/envio de cargas… e, chegamos ao contêiner uma forma de preservação – principalmente em navios de forma a protege-las. inventado lá pelos anos 50, quando um “tal “– como gosta de nosso líder supremo – de Malcom McLean pensar em uma caixa metálica para acondicionar carga sem danifica-las.

Mas, mal sabia o “tal” que um dia sua invenção evoluiria para ter outras utilidades substituindo tuneis, viadutos, pontes e passagens; para “gambiarra” de desconexos e CANALHAS que hoje estão de plantão.

São tão imbecis que nem disfarçaram o tal “túnel”, corroído de ferrugens e que em breve despencara; mas, importante é o momento, a narrativa…

Será que a Maersk cobrará direitos aurorais sobre uso indevido de sua marca ou punida por não fornecer um “túnel adequado para passagem de agua e dejetos????

A ver no futuro…

Inté”

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A FOME DESCONHECE A PRESERVAÇÃO DAS ESPÉCIES

“Oh! Deus, perdoe este pobre coitado
Que de joelhos rezou um bocado
Pedindo pra chuva cair sem parar

Oh! Deus, será que o senhor se zangou
E só por isso o sol arretirou
Fazendo cair toda a chuva que há

Senhor, eu pedi para o sol se esconder um tiquinho
Pedi pra chover, mas chover de mansinho
Pra ver se nascia uma planta no chão

Oh! Deus, se eu não rezei direito o Senhor me perdoe
Eu acho que a culpa foi
Desse pobre que nem sabe fazer oração”

Música “Súplica Cearense”, da autoria de Gordurinha e Nelinho

Por que, em alguns países a “caça esportiva” (caçar pelo prazer da prática) é permitida?

Como perguntou Chico Anísio durante uma entrevista ao Jô Soares: “Que falta vai fazer à humanidade, o Mico Leão Dourado, se matarem todos?

E eu aproveito e pergunto: qual é mesmo a utilidade do Tamanduá, do Rinoceronte, da Zebra?

Claro que, quem nasceu no Rio de Janeiro, foi educado por boas famílias, estudou em boas escolas e nunca sentiu nem ouviu o ronco das tripas, só come picanha, choriço, carnes argentinas e churrascos gaúchos, será um eterno defensor das espécies, muitas das quais ele sequer ouviu falar.

Agora alguém que nasce e vive na região desprotegida de planejamento de captação da água, onde o índice pluviométrico é baixíssimo e que muitos vivem rezando “para o sol se esconder um tiquinho, pedindo pra chover, mas chover de mansinho pra ver se nasce uma planta no chão” que possa ter alimento para o gado, para as cabras, para as galinhas e para os peixes, jamais vai deixar de comer o que lhe sacie a fome.

Gado morto pela falta d´água

O criador, cabisbaixo, olha em volta e até aonde a vista alcança: tudo seco.

Olha para o boi, até então de estimação, pois era quem reproduzia a maior parte dos bezerros dali.

O boi parece chorar.

Sente o que pode acontecer.

Sabe que, de um jeito (abatido pelo proprietário) ou de outro (se permanecer vivo e sem ter nada para comer) a morte é inevitável.

Os meninos já sentem a escassez. Nenhuma caça.

O camaleão, primeira opção para evitar que a fome os matasse tal qual o boi, já fica difícil de caçar. A coloração atrapalha. Não é mais verde. Virou cinzento e se confunde com as estacas e os paus das árvores e das cercas.

Camaleão só é preservado onde há o verde e a fartura

Não é difícil encontrar alguém vendendo carne de jacaré nas feiras de muitos interiores do Maranhão. Como é abatido e a qual espécie pertence, também não sei. Mas, pela forma como é vendida aquela carne, com certeza quem vende sabe que é proibido.

Quem compra, também sabe.

Mas, em outros lugares, a fome não quer saber de proibição.

E cabe uma pergunta: por que o homem não pode comer carne de jacaré, e o jacaré por comer o homem?

Alguém pode até me rotular de idiota por fazer essa pergunta.

Mas, o jacaré está sempre com fome?

Quando ele não está com fome, deixa de ser predador?

Desde quando existe a letra daquela música, dizendo que, “jacaré que não se vira, vira bolsa de madame”?

Jacaré gordo que merece ser comido

Mas, repito a pergunta feita no início deste texto: por que a “caça esportiva – sem que se saiba o destino da caça abatida – é permitida” e a caça para a sobrevivência é proibida?

Por que as leis brasileiras que tratam desse assunto são tão idiotas e seletivas?

Não. Não vou escrever aqui que é proibido “espantar” uma baleia em alto mar. Também não vou dizer que, seletivamente, em alguns casos, as leis brasileiras são mandadas pcdc!

Paca pode ser comida e mostrada que está “gostosa”

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

OFENSA

Mauricio Marcon (PL-RS) criticou o gesto obsceno de Lula ao mostrar o dedo do meio durante discurso em Brasília:

“Quanta classe para um presidente. Será que estava bêbado?”, indagou o deputado federal.

* * *

O sinhô deputado praticou uma grave ofensa, perguntando se Lula estava bêbado.

Ofendeu profundamente os bêbados, uma classe honesta, unida e solidária.

Tem que pedir desculpas.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

ARRANJOS POLÍTICOS

Há um ano se fala em eleição presidencial nesse país e vi muitas opiniões de que o atual presidente não iria concorrer novamente, sendo um dos motivos, o risco de encerrar sua folha corrida com uma derrota eleitoral. Pela quantidade de “inaugurações” realizadas até ontem, aqui pelo Nordeste, o referido cidadão é mais candidato do que qualquer outro.

Cabe destacar, dentre tantas “inaugurações”, duas que se sobressaíram fortemente: uma foi a transposição das águas do Velho Chico que chegariam, através de um “túnel” para beneficiar a população de Apodi, no Rio Grande do Norte. Pois é! O presidente chegou para ver água entrar e sair do túnel, mas por “erro de cálculo” o presidente chegou e a água não. espantosamente, o tal túnel era, apenas, um container. O que eu lamento é que a população nordestina permanece incapaz de reagir contra tanta falta de respeito.

A coisa foi bem pior, talvez, em Salvador com a inauguração da ponte para Itaparica. Esta ponte foi prometida, pelo governo petista, em 2006 e, após 20 anos, nunca foi construída uma viga de concreto. O governador da Bahia, numa entrevista, informou que a ponte precisa de recursos e que para concluir a obra seriam necessários 20 anos. Diante desses dois exemplos, fica a perguntar: por que se vota no PT?

Antes de qualquer coisa, sou nordestino, discordo de quaisquer sentimentos de xenofobia, não alimento quaisquer rupturas entre os estados brasileiros e acho lamentável quando somos tratados como uma escória. Não deve ser assim. Recentemente um juiz pernambucano aceitou denúncia do Ministério Público contra um camarada que teceu comentários racistas contra os nordestinos. É uma pena que isso aconteça.

Se olharmos os resultados das eleições presidenciais, principalmente a de 2022, os votos que elegeram o atual presidente foram maciçamente do Nordeste, mas as demais regiões também deram votos que complementaram essa vitória. Todos acreditavam que em Minas Gerais, o PT perderia com uma larga diferença de votos, mas não foi isso que aconteceu. Observe o caso de São Paulo. Como é possível que Marina Silva, acreana de nascimento, aparecer nas pesquisas de intenção de votos com percentual maior do que o ex-secretário de segurança pública, Guilherme Derrite?

Tudo isso mostra que a conscientização política é algo que precisa ser focado com mais dedicação. O modelo educacional que nós temos induz ao ambiente doutrinário e são muitos casos nos quais os filhos em idade escolar (3º ano do ensino médio, por exemplo) fingem que ouvem seus pais, apenas como uma forma de não estender um debate. Na verdade, o conceito aprendido na escola, disseminado pelos mestres e fortalecido pelos colegas de turma, já encontrou raízes sólidas no pensamento juvenil. Há exceções? Sim, mas estas são raríssimas.

Eu me recordo do comentário feito por um amigo sobre uma prova de História que o filho fez. O assunto era a 2ª Guerra Mundial, mas todas as aulas que o professor ministrou tratava de igualdade de gênero e coisas assim. Na verdade, não era aulas, mas meros bates papos e falatório por parte do professor. Este tipo de situação é mais raro numa escola privada, no entanto, a sensação que eu tenho é que existe um plano arquitetado para que a educação seja, unicamente, pública. Os protestos contra os recursos do Prouni, por exemplo, mostram perfeita discordância em relação a este tipo de programa porque ele atende a iniciativa privada e tais recursos poderiam ser investidos na educação pública.

O Brasil não sinaliza que sairá dessa miséria tão cedo. Nosso deslocamento, no tempo, é igual a uma mancha de óleo no mar: cresce como circunferência e aproveita os movimentos ondulatórios para crescer. Observe-se, por exemplo, o resultados das estatais: até maio, contabilizaram um rombo de R$ 7,4 bilhões e se consideramos as projeções até dezembro, isso deve chegar, facilmente, aos R$ bilhões. Alguém do governo está preocupado? Nem um pouco a desculpa é simples: existem outros países cuja relação Dívida/PIB é maior do que 1. O Japão, por exemplo, a dívida pública é mais de 200% do PIB, mas olha quanto o Japão paga de amortização dessa dívida e compara com o que acontece no Brasil.

Diante de tudo isso, seria compreensível que a oposição entendesse que há um só problema a ser resolvido: tirar esse governo irresponsável e equilibrar as contas públicas. Combater a corrupção e fazer valer a lei para que sobre dinheiro para investimento em educação, saúde e segurança, dentre outros campos.

Não se trata de acabar com programas sociais, mas de aperfeiçoar para que eles realmente funcionem.

DEU NO X

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Ênio Silveira

Ênio Silveira nasceu em 18/11/1925. Renomado editor, comandou a prestigiada Editora Civilização Brasileira por uns 50 anos. Com sua visão não elitista do livro, provocou uma revolução no mercado livreiro no Brasil, particularmente nas áreas da sociologia, economia e política, propiciando a edição entre nós dos clássicos autores nestas áreas.

Estudou na Escola Livre de Sociologia, da USP-Universidade de São Paulo, e após formado buscou emprego numa editora. Através de amigos foi apresentado a Monteiro Lobato, que por sua vez apresentou-o ao seu amigo e ex-sócio Octalles Marcondes Ferreira, dono da Companhia Editora Nacional. Com tal indicação, obteve o emprego em 1944 e passa a conviver com grandes escritores e intelectuais, dentre os quais o sociólogo Fernando Azevedo e o pedagogo Anísio Teixeira, assessores culturais da empresa.

Em 1946 mudou-se para Nova Iorque York, onde realizou o curso de editoração na Universidade de Columbia e fez estágio na importante editora Alfred Knopf. Lá, aprendeu as modernas técnicas de produção e divulgação de livros, muito úteis para sua atuação inovadora no mercado editorial brasileiro. De volta ao Brasil, no início da década de 1950, entrou em contato com seu antigo patrão e recebe a proposta de assumir a editora Civilização Brasileira, no Rio de Janeiro. Sob seu comando, a editora deslancha. Seu crescimento vertiginoso é atribuído a uma visão inovação em termos de divulgação, como a publicidade de livros em outdoors, algo inédito no mercado livreiro do Brasil.

A editora possuía um amplo catálogo, que contemplava desde de grandes obras literárias até livros universitários. Foram as publicações nos campos da sociologia, da economia e da política que transformaram a Civilização Brasileira em referência na área política. Vale dizer que, apesar de ser declaradamente comunista, seu desejo era contribuir para a transformação da realidade nacional e pela independência de pensamento. Por isso, suas publicações não se restringiam aos clássicos marxistas, mas contemplavam autores que, em sua opinião, pudessem contribuir para “o arejamento dos espíritos” e para novas formas de pensar o país.

A partir de 1964, com a ditadura militar, editou diversas publicações de oposição ao regime e periódicos que promoviam o livre debate de ideias numa época de restrição democrática, como a Revista Civilização Brasileira. Foi perseguido; teve os direitos políticos cassados; preso 7 vezes e foi alvo de alguns inquéritos policiais. Milhares de exemplares de livros da editora foram apreendidos e destruídos e seu patrimônio foi dilapidado. Porém, nada disso foi o suficiente para intimidá-lo.

A partir de 1966, a editora passou por graves problemas financeiros e teve que pedir concordata. Com dificuldades de se manter, resistiu mais algum tempo e em 1985 decide procurar Manuel Bulhosa, banqueiro português e dono da editora Bertrand, que tinha interesse em expandir seus negócios no Brasil. Desse modo, a editora Civilização Brasileira foi adquirida pela editora Bertrand, assumindo o compromisso de não descaracterizá-la. A negociação garantiu que ele permanecesse como conselheiro da Bertrand e diretor da Civilização Brasileira até 11/1/1996, quando faleceu vitimado por um edema pulmonar.

No mesmo ano, Bulhosa vendeu a editora ao grupo editorial Record. A editora Civilização Brasileira lançou mais de 2 mil livros e ficou conhecida por seu perfil combativo, destacando-se no campo da resistência à ditadura militar instaurada no Brasil após o golpe de 1964. Além de sua enorme contribuição para a cultura brasileira, Ênio Silveira teve protagonismo no cenário político, lutando incansavelmente pela democracia, a despeito de todas as violências das quais foi vítima.

Em termos biográficos, contamos com 2 livros, que retratam a saga da editora e do seu editor: Ênio Silveira: o editor que peitou a ditadura, de Sérgio Franco, pela Alameda Editorial em 2025 e Ênio Silveira: Coleção “Editando o Editor” vol. 3, organizado por Jerusa Pires Ferreira, lançado pela Editora EDUSP em 1992.

Clique aqui para assistir vídeo sobre Ênio Silveira.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

DEIXE O POETA CANTAR

Doutor, não cale o poeta,
Deixe o poeta cantar!

Mote de Zé de França

Seu doutor, não prive a fala
Que ecoa nas emoções…
Dos sofridos corações
Cujo a solidão faz sala.
Não cale aquele que cala
O sofrer e o penar…
De quem sofreu por amar
E foi taxado de pateta,
Doutor, não cale o poeta,
Deixe o poeta cantar!

Jr. Adelino

Deixe que as suas rimas
Sigam pela amplidão,
Que as cordas do bordão
Façam duetos com as primas.
Deixe falar sobre climas,
De sertão, agreste e mar,
Da beleza do luar,
Das orações do profeta.
Doutor, não cale o poeta,
Deixe o poeta cantar!

Wellington Vicente