DEU NO JORNAL

VOTO BANDIDO

Marcel van Hattem (Novo-RS) comemorou a sanção da lei antifacção com sua emenda que proíbe o voto de presos provisórios.

“Um motivo pra gente comemorar: bandidos não vão mais decidir as eleições”, disse.

* * *

Podem não decidir as eleições votando.

Mas com certeza decidirão fazendo campanha e arrumando votos.

Afinal, vivemos na republiqueta lulo-petralha.

JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

DEU NO X

DEU NO JORNAL

BRASIL É MAIS DEMOCRÁTICO QUE EUA, DIZ “ESTUDO”

Guilherme Fiuza

Segundo relatório do V-Dem Institute, o Brasil é um caso exemplar de “reversão” democrática. Já os EUA, sob Trump, viraram uma autocracia

A imprensa continua achando que pode fazer o público de bobo. Vários veículos considerados relevantes no panorama da mídia brasileira publicaram um ranking de democracia divertidíssimo, segundo o qual o Brasil superou os EUA como sociedade democrática.

“Brasil supera EUA em ranking mundial de democracia pela 1ª vez”, noticiou o UOL. TV Globo e outros grandes veículos repetiram a “notícia” — assim mesmo, como verdade. O “estudo” do Instituto V-Dem, da Universidade de Gotemburgo, na Suécia, é apresentado nas manchetes como uma conclusão matemática.

Seria interessante um outro estudo (sério) para aferir que percentual do público embarca numa coreografia dessas. Claro que o jogo é aquele de investir na desumanização de Trump e no embelezamento de Lula. Mas quanta gente ainda embarca nessa dramaturgia criativa? Quantos ainda acham que sociologia é uma tirada do Wagner Moura no tapete vermelho?

“Qualidade democrática brasileira supera a americana em movimento inédito na história do V-Dem”, escreveu a “Folha de S. Paulo”. Em lugar de “americana”, deveria ter escrito “estadunidense”, para ficar mais de acordo com os manuais da propaganda revolucionária de grêmio estudantil. “Qualidade democrática” provavelmente se mede pela quantidade de ditaduras que o governo apoia. Ou pela cumplicidade com eleição fraudada por vizinho carniceiro. Ou pelo acordo com regime de partido único para regulação das redes.

Esse negócio de transformar democracia em alegoria já foi longe demais. E ainda não se desmanchou de vez graças a muitos colaboradores na grande imprensa que cultivam a demonização de Donald Trump. É quase uma teimosia de um setor até bastante categorizado da mídia — os jornalistas com experiência em coberturas internacionais — essa marcação de posição sistemática: apareceu Trump no noticiário, eles tiram da gaveta seu verbete embolorado do xenófobo, autocrático, beligerante, produtor de fake news, pós-verdades etc.

É mais ou menos o contrário. Com todos os seus defeitos, Trump hoje representa o contraponto a uma imprensa degenerada, que atenta contra o senso comum. Basta o exemplo da BBC fraudando um discurso do próprio Trump para tentar manipular a eleição presidencial dos EUA. E diversas outras ações, em anos recentes, regidas pelas big techs, em articulação com o “deep state”, para espalhar premissas falsas — como a história fantasiosa do conluio de Trump com a Rússia. Onde estão esses atentados “soft” nos rankings mundiais de democracia?

As entidades multilaterais falharam flagrantemente no enfrentamento ao Eixo do Mal — ou, no mínimo, no repúdio ao crescimento do poder obscuro cultivado em regimes como a ditadura iraniana. A Casa Branca é hoje o único polo real de contraposição a essa degeneração civilizatória — embalada, nos dias de hoje, com fantasias “progressistas”, “woke” e todo o humanismo de butique que passou a ser usado para fermentar poderes paralelos e artificiais.

“Estados Unidos perdem status de ‘democracia liberal’ pela primeira vez em 50 anos, indica relatório global”. Faça você mesmo a sua manchete para responder a essa notícia — lembrando que o Brasil de Lula agora é modelo de democracia para os EUA. Mas pense antes de postar.

DEU NO JORNAL

ATA DO COPOM PÕE MAIS PESO NA IRRESPONSABILIDADE FISCAL QUE NA GUERRA

Editorial Gazeta do Povo

editorial ata copom

Gabriel Galípolo, presidente do BC, e todos os outros diretores atuais da autoridade monetária foram indicados por Lula

Após cada reunião do Copom, o mercado financeiro e os analistas aguardam a divulgação da ata da reunião, que ocorre sempre na terça-feira da semana seguinte. O documento aprofunda os motivos brevemente descritos nos comunicados publicados imediatamente após cada reunião, e que explicam a decisão relativa à taxa Selic. O comunicado da semana passada já antecipava que a crescente incerteza derivada da guerra em curso no Oriente Médio havia influenciado a redução de 0,25% na Selic, em vez do 0,50% esperado antes do início dos ataques ao Irã; mas a ata mostrou que há outros motivos tão relevantes quanto o conflito para que os juros tenham sofrido a redução mínima.

Que o ataque norte-americano e israelense ao Irã, com todos os seus efeitos sobre a cadeia de produção e distribuição de petróleo, foi um gatilho poderoso é algo incontestável. O comunicado o afirma, quando relata que “as expectativas de inflação (…), que seguiam em trajetória de declínio, subiram após o início dos conflitos no Oriente Médio, permanecendo acima da meta de inflação em todos os horizontes”. Ninguém sabe por quanto tempo a guerra durará, se o Estreito de Ormuz será desbloqueado (e se isso ocorrerá por negociação ou pela força), e por quanto tempo e com que intensidade os preços do petróleo continuarão oscilando; assim como é impossível prever se, uma vez encerrada a guerra, a commodity retornará aos valores antigos, ou se os patamares atuais serão o “novo normal”.

A ata, no entanto, dedica mais espaço a um outro problema, este bem brasileiro, que à guerra em si: a gastança desenfreada do governo petista. Os diretores do Banco Central introduzem o assunto dizendo que “a política fiscal tem um impacto de curto prazo, majoritariamente por meio de estímulo à demanda agregada, e uma dimensão mais estrutural, que tem potencial de afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida e impactar o prêmio a termo da curva de juros”, e que “uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta”, ou seja, que responsabilidade fiscal ajuda a puxar os juros para baixo. Mas é o que tem ocorrido?

Nem de longe, respondem os membros do Copom. “O esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade”, afirma o comunicado. Em outras palavras, se Lula não estivesse pressionando tanto as contas públicas e forçando um aquecimento da economia pelo estímulo ao consumo, talvez uma redução maior na Selic fosse possível mesmo em meio à guerra. Ou, melhor dizendo, com um governo fiscalmente responsável os juros nem sequer teriam subido até 15%; estariam em um patamar mais baixo e menos proibitivo para investimentos. E o Copom ainda diz que é preciso “calibrar e refinar os impactos da medida de ampliação da isenção do Imposto de Renda”.

Uma outra observação do Copom chama a atenção. Ao tratar do mercado de trabalho, o comitê afirmou na ata que “a taxa de desemprego tem se mantido em patamares historicamente baixos enquanto os rendimentos reais médios têm mantido a tendência de elevação acima do crescimento da produtividade do trabalho”, e fala de uma “avaliação dos padrões de transmissão dos níveis de ocupação para os rendimentos do trabalho e, finalmente, para os preços dos diversos setores da economia”. Este trecho evoca um episódio passado em que Lula distorceu uma fala do então presidente do BC Roberto Campos Neto.

Em abril de 2024, Campos Neto havia dito praticamente o mesmo que estão dizendo agora os membros do Copom – todos eles indicados por Lula –, mas foi um tanto mais direto: “quando as empresas não conseguem contratar e têm de começar a subir o salário para o mesmo nível de produção, significa que você está iniciando um processo inflacionário”. Na ocasião, Lula acusou Campos Neto de querer que o brasileiro não ganhasse mais, omitindo malandramente a condicional sobre o aumento de produtividade: se a demanda cresce (pois as pessoas estão recebendo mais e têm mais dinheiro para gastar), mas a oferta não (porque a produtividade não acompanha a elevação dos salários), os preços sobem; é lei básica da economia, que não é revogada só porque um presidente afirma que “os livros estão superados”.

O terraplanismo econômico petista já demonstrou ser mais devastador que uma pandemia de dimensões planetárias – a recessão de 2015-2016, consequência da “Nova Matriz Econômica” lulodilmista, foi mais severa que a retração causada pelo “fecha tudo” da Covid-19. Ainda que os efeitos da guerra entre americanos, israelenses e iranianos sejam mais intensos neste momento, no médio e longo prazos a repetição da estratégia do passado, com estímulo ao consumo para sustentar um aquecimento da economia, trará prejuízos ainda maiores para o país e exige mais preocupação que o conflito. E desta vez Lula não pode culpar mensageiros “nomeados por Bolsonaro” para descartar o alerta.

PENINHA - DICA MUSICAL

MAURINO JÚNIOR - SEM CRÔNICAS

A INÉPCIA DO DESGOVERNO BRASILEIRO: OURO EM PÓ E JUDICIÁRIO EM UÍSQUE

A República Federativa do Brasil, outrora celebrada como potência em formação e laboratório de futebol, samba e café, transformou-se num bordel das relações promíscuas entre poder, riqueza e privilégio. O escândalo do Banco Master — esse epicentro amarelo ouro de fraude bilionária e proximidade chocante com membros do mais alto tribunal da nação — escancara, como nunca antes no centro da cena pública, um país cujo governo e suprema corte caminham de mãos dadas pelo vale da ignomínia.

O que temos aqui não é uma trivial disputa sobre previsões econômicas ou sobre declive de juros — não. Trata se de um tsunami de corrupção ativa e passiva, um sistema financeiro clandestino com fachada de banco, um epicentro de negociatas que implicam juízes da mais alta Corte, execuções financeiras fraudulentas e relações pessoais que fariam corar qualquer república de bananas — se ao menos este país fosse uma bananicultura e não um gigante sul americano.

Enquanto alguns ministros do Supremo Tribunal Federal se limitam a negar que exista conflito de interesses, a fumaça que sobe dos corredores de Brasília cheira não a incenso de justiça, mas a incenso queimado para ocultar provas e reputações chamuscadas. Uma ministra aqui, um jantar caro ali; um contrato milionário que recompensa um escritório de advocacia familiar; mensagens trocadas entre banqueiros e magistrados, como se a toga fosse apenas um traje formal de gala.

É um teatro de absurdos em que o protagonista é o próprio desgoverno — esse monstro burocrático que engole bilhões com a ferocidade de um cão faminto e cospe migalhas para o povo. Temos um banqueiro, Daniel Vorcaro, cuja ascensão meteórica nas finanças chegou ao ápice da farsa: títulos e carteiras de crédito que não existiam, promessas de retorno que eram meras miragens “à la carte”, e um rombo de dezenas de bilhões que agora recai sobre os cofres públicos e o Fundo Garantidor de Crédito.

Ao mesmo tempo, ministros cuja função constitucional é preservar a imparcialidade e a integridade do Judiciário participam, direta ou indiretamente, de relações próximas demais com o suspeito central — como se o Supremo fosse um jantar privado, não a guarita suprema da lei. Um deles, pressionado por ligações reveladas em mensagens, deixa a relatoria do processo; outro, cuja família recebeu milhões em contratos, aparece em cafés e encontros com o banqueiro sobre os quais ainda não respondeu com convicção pública.

E assim, o que deveria ser um caso de investigação profunda da Polícia Federal e do Ministério Público transforma se numa celebração da blindagem institucional: sigilos inexplicáveis, redistribuições misteriosas de processos, encontros não documentados entre membros da mais alta Corte e autoridades financeiras. O clima que se vive não é de confiança, mas de um cinismo que se tornou política de Estado.

O Brasil assiste — atônito, estupefato — ao espetáculo de um Judiciário que deveria ser guardião da Constituição e que, em vez disso, parece cada vez mais um clube exclusivo de favorecimentos. Não é mais tolerável a narrativa asséptica de que “tudo está sendo investigado” quando carteiras de crédito fantasmas chegam à moldura de bilhões de reais, enquanto magistrados permanecem nas cadeiras como se nada tivesse acontecido.

O resultado dessa camarilha é simples:

📌 A credibilidade do STF está em frangalhos.
📌 A confiança na Justiça se desfaz como papel ao vento.
📌 O povo brasileiro, que paga impostos e direitos fundamentais, vê a elite jurídica andar de mãos dadas com a falcatrua financializada.

E o desgoverno? Ah, esse continua em festa nos bastidores, embriagado de privilégios e decisões que cheiram menos a lei do que a moeda corroída pelo interesse e pelo poder — exatamente aquilo contra o que a justiça deveria lutar.

Brasil é um país de contradições: nós cultivamos árvores magníficas e, ao mesmo tempo, nutrimos um jardim de cobras entre quem deveria ser guardião da lei. O escândalo do Banco Master expõe o que sempre esteve lá: quando a autoridade se mistura com a impunidade, o desdobrar da nação é um espelho partido, refletindo uma corte menos de justiça e mais de aristocracia moral falida.

E que tremam as bases dessa corja empavonada que chama de toga o que, para o povo, significa apenas o símbolo de uma República que insiste em se afogar na própria corrupção.