CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

RÁPIDA E MORTAL (1995), UM SPAGHETTI WESTERN CULT

Cartaz quando lançado em DVD

“RÁPIDA E MORTAL,” é dirigido pelo diretor americano Sam Raimi, famoso por dirigir a série de filmes do Homem-Aranha. Conta a história de uma mulher misteriosa, Ellen, que cavalga até a cidade fictícia de Redemption em busca do homem que a obrigou a atirar no seu pai quando criança. Ela vem para matar o poderoso xerife da cidade, o homem que tornou o lugarejo desolado por suas ações cruéis qual o deserto que agora ela atravessa para chegar lá. Mas os demônios que a levaram para este mortal conflito são os mesmos que a colocaram numa situação limite; e o estranho é que pode ser a única a cair morta ao final do acerto de contas. Estrelado por Sharon Stone no papel da atriz principal, ela é a mulher sedutora de homens em “Instinto Selvagem” e Gene Hackman, cinco vezes indicado ao Oscar, vencedor por duas vezes, numa atuação magistral como o xerife vingativo.

“Rápida e Mortal” é um faroeste que diverte. Não é uma obra-prima, mas diverte. Mas o pior é que o filme diverte mesmo. Prepare-se para tiroteios rápidos, vilões cruéis e caricatos, e mortes mais que dramáticas. O filme em si é exagerado, mas esta é a fórmula certa, o exagero para divertir. O diretor Sam Raimi conduziu a brincadeira certinha. Mas miss Stone estava bem à vontade, até porque o filme teve poder de barganha da loura. Ela mandava em Hollywood naquela época. Coadjuvantes de luxo do porte de Leonardo Di Caprio e Russel Crowe, mas mesmo assim o filme não decolou e caiu no esquecimento. O que fica de reflexão é porque Hollywood é tão injusta com seus mitos? Di Caprio e Crowe nesta época eram quase desconhecidos e Sharon era a rainha da cocada preta; hoje Crowe e Di Caprio figuram como os maiores astros de Hollywood enquanto a estrela de Sharon se apagou e a cocada preta um anjo torto comeu.

A coragem de Sam Raimi se afirma na confiança do protagonismo a uma mulher. Em território historicamente dominado por homens, no qual a mulher ou era submissa ou prostituta, surge cavalgando no horizonte a bela Ellen (Sharon Stone). Vestida de cowboy, arma no coldre, chapéu e aquele olhar ferino tipo “Estranho Sem Nome”, ela chega até a cidade de Redemption em busca da boa e velha vingança, tema abundante num período em que 09 entre 10 pessoas carregavam armas nas ruas e, não raro, davam vazão à raiva metendo bala na cabeça de alguém. No caso de Ellen, a desforra tem razões mais sombrias e remonta ao assassinato do pai, então Xerife, pelo bando de John Herod (Gene Hackman) que, claro, ela encontrará na cidadela com nome de premonição.

John Herod promove na ocasião um torneio de tiro, onde viver é sinal de vitória. Ele traz forçosamente o velho parceiro Cort (Russell Crowe) para a peleja, tirando-o da vida dedicada às pregações religiosas para lembrá-lo de seu passado assassino. Cort, rápido e letal, será uma espécie de suporte psicológico a Ellen. Além da vingança, outro tema trabalhado em Rápida e Mortal é a relação pai/filho, uma vez que Herod terá como oponente seu próprio filho Fee “The Kid”, (Leonardo Di Caprio), jovem ávido para provar ao pai seu valor, nem que para isso precise matá-lo em duelo.

Sam Raimi cozinha esse assado numa panela repleta de referências, sendo a principal delas o italiano Sérgio Leone, ícone do chamado spaghetti western, e o maior diretor de faroeste do Século XX. Entre filiar-se à tradição estadunidense e seguir a maior dramaticidade do bangue-bangue europeu, o diretor envereda visualmente pela segunda, muito mais próxima de seu itinerário estilístico repleto de ângulos insólitos e tipos marcados.

Mas Raimi não se propõe ao pastiche, dotando Rápida e Mortal de identidade própria e carimba com sua assinatura contumaz. Quiçá o problema (se isso for problema) maior do filme reside no eclipse da protagonista por dois personagens tão ou mais fortes que ela própria: Herod e Cort. Algo a ver com as interpretações contundentes de Gene Hackman e Russell Crowe, frente à burocrática Sharon Stone? Pode ser. Independente dessas questões, Rápida e Mortal é um filme que tem seus brios, empolgantes e cheios de energia. Se não trouxe nada de novo para o gênero, o resgatou dignamente do limbo.

Por isso, o filme possui várias qualidades, e uma delas é seu elenco impressivo. Dentre os atores presentes no filme, tem-se a presença de Sharon Stone, Gene Hackman, Leonardo DiCaprio e Russell Crowe, então o filme apresenta um conjunto de atores talentosos. Apesar de que na época o impacto de alguns desses nomes não ser o mesmo de hoje, já que o filme foi feito com o DiCaprio antes de fazer Titanic e Crowe antes de ganhar seu Oscar. Isso não tira o peso de suas performances. Mas é Hackman, que dá um show, com uma atuação que eleva o personagem que ele interpreta. Tem presença de tela e que sabe entregar ótimos diálogos.

Um dos pontos altos do filme são as cenas dos duelos, que são bem trabalhadas, e todas elas são distintas umas das outras, principalmente por causa do ritmo e da edição, que sempre varia e impede que as cenas pareçam repetitivas. O filme também é ótimo tecnicamente falando, já que possui ótimos cenários, com um design de produção coerente, assim como os figurinos, que combinam com a personalidade de seus personagens. A trilha de Alan Silvestri casa com o filme de forma perfeita, e a música tema do filme é bastante melódica e memorável.

“Rápido e Mortal”, é um faroeste trush divertido, apesar de ser um filme com mais estilo do que substância. Relevam-se todos os problemas com o roteiro e alguns personagens. São uma hora e trinta minutos que passam rápido e cumpre seu papel de entretenimento, para os que gostam do gênero spaghett western.

Trailer de Cinema de “Rápida e Mortal”

RÁPIDA E MORTAL (The Quick and the Dead, 1995) – Crítica

DEU NO X

DEU NO JORNAL

FARRAS E FARRAS

Advogados ligados ao caso avaliam que a delação de Daniel Vorcaro, no caso do Banco Master, pode envolver dois grupos de agentes públicos ou autoridades dos Três Poderes: aqueles que se locupletaram de negócios familiares com o banqueiro e os frequentadores de farras com garotas de programa, com direito a champanhe e vinhos caros. Neste grupo estaria importante magistrado.

Segundo essas fontes, os principais personagens do Congresso estariam enrolados em ambos os grupos.

Em Brasília, há ceticismo sobre Vorcaro contar os segredos de suas relações com autoridades que participarão do seu julgamento.

Importante magistrado não tinha negócios com Vorcaro, nem mesmo por meio de escritório de advocacia, mas não perdia suas farras épicas.

Há políticos já citados, como Ciro Nogueira (PP-PI), mas a surpresa é que ainda não há prova de que tenham feito negócios com Vorcaro.

À luz da lei, explicam os advogados, quem fez negócio aceitou dinheiro, mas farras com mulheres também são consideradas atos de corrupção.

* * *

A expressão “garotas de programa” é um comovente eufemismo para “prostitutas”, ou ainda “quengas” e “raparigas”, como a gente chama aqui no nordeste.

Outra expressão que achei arretada nessa nota aí de cima foi “farras épicas”.

Chega fiquei com a boca cheia d’água, e me bateu saudades dos velhos tempos em que podia tomar umas e outras fazendo farras epicamente.

E a nota fecha dizendo que “farras com mulheres também são considerados atos de corrupção”.

Danô-se!!!

Fiquei perplexo de saber que as profissinais putásticas – que exercem honestamente seu ofício, dando duro e levando duro -, são consideradas participantes de “atos de corrupção”.

Que injustiça…

RODRIGO CONSTANTINO

TRUMP VAI VENCER NO IRÃ?

cuba trump

O presidente Donald Trump durante coletiva na Casa Branca

O Irã certamente não é a Venezuela. O buraco é bem mais embaixo quando se parte para cima de um regime como o dos aiatolás xiitas. Várias lideranças já foram mortas, inclusive o próprio aiatolá Khamenei, mas a hidra segue viva, atacando. A Guarda Revolucionária ainda detém o poder e o povo, desarmado, não tem condições de enfrentá-la. Restou a Donald Trump subir o tom das ameaças e buscar alguma negociação.

O presidente dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (23) o adiamento, por cinco dias, de ataques contra a infraestrutura energética do Irã. A decisão, segundo ele, foi tomada após o que descreveu como “conversas muito boas e produtivas” entre Washington e Teerã no fim de semana – versão contestada por autoridades iranianas.

A agência Fars, ligada à Guarda Revolucionária do Irã, citou uma fonte não identificada que negou qualquer diálogo, afirmando não haver “nenhum contato direto ou indireto com Trump”. Segundo essa fonte, o republicano teria “recuado” após ser informado de que o Irã atingiria usinas de energia na chamada “Ásia Ocidental”.

As falas de Trump têm sido um tanto erráticas, talvez como uma estratégia deliberada para confundir o adversário, talvez por ele realmente estar reavaliando suas opções o tempo todo – e não são opções fáceis. Com o estreito de Ormuz praticamente fechado, por onde passa 20% do petróleo mundial, os preços dispararam e cobram um alto custo, principalmente dos países asiáticos e europeus (os Estados Unidos possuem reservas estratégicas que vêm sendo liberadas no mercado).

Com esse quadro, não faltam reportagens, editoriais e colunas de opinião em tom catastrófico. Muitos, que já eram críticos de Trump, acham que ele cometeu um grave erro ao atacar o Irã e que não possui uma estratégia clara de saída. Alguns já falam numa recessão global por conta da guerra. Nesse contexto tão pessimista, achei adequado trazer a visão mais otimista de Victor Davis Hanson, que estuda guerras há meio século. Para o professor, a maré está virando a favor dos Estados Unidos no conflito. Eis seus principais pontos:

Europeus: Eles nunca tocam num conflito até sentirem o cheiro da vitória. No início? Silêncio total. Agora estão movendo ativos discretamente e oferecendo apoio. Puro cálculo – eles leram o campo de batalha e decidiram de que lado está a vitória.

Estados petroleiros do Golfo: Sauditas, emiradenses, qataris sobrevivem lendo perfeitamente o ambiente. Estão expulsando adidos iranianos, interceptando silenciosamente mísseis iranianos sobre suas capitais, e os Emirados Árabes Unidos acabam de reafirmar seu compromisso de investimento de US$ 1,4 trilhão nos EUA no meio da guerra. Isso não são gestos – são apostas. E eles estão “all-in” na América.

Al Jazeera: A rede estatal do Qatar, que normalmente ataca ações dos EUA (e abriga escritórios do Hamas), agora está chamando a campanha de bombardeios americana de “brilhante” e “subestimada”. Quando o canal que hospeda tanto a maior base aérea dos EUA quanto o Hamas elogia a efetividade americana, a mensagem é inequívoca: eles acham que estamos vencendo.

Realidade militar: A-10 Warthogs e helicópteros Apache estão agora voando em missões de ataque dentro do espaço aéreo iraniano à vontade. Essas plataformas lentas e de baixa altitude só aparecem quando as defesas aéreas inimigas estão efetivamente neutralizadas. Isso confirma o que realmente está acontecendo no terreno.

Por essa ótica, a única cartada do Irã é a opinião pública, torcer para as críticas ao governo Trump aumentarem muito, o que poderia ser prejudicial para as eleições de meio-termo este ano. O veredito de Hanson é que se Trump aguentar o rojão – e ele acha que aguenta – o regime iraniano pode cair. Não em anos, mas logo. Resumo: observe o que as pessoas fazem, não o que elas dizem. Todo jogador com “skin in the game” está apostando na América. Os sinais não mentem.

Joguei no Grok esta opinião, e ele concordou: “A narrativa de que o Irã está resistindo ou virando o jogo não se sustenta nos fatos no terreno: as ações concretas – de aliados regionais a movimentações militares americanas – apontam para uma aposta clara na vitória dos EUA e aliados.Os sinais são consistentes: quem tem algo a perder está alinhado com o lado que parece prevalecer”.

Tomara que sim! O Ocidente precisa neutralizar de vez o regime iraniano, o maior financiador do terrorismo islâmico no mundo. A estratégia democrata, de Obama a Biden, de mandar dinheiro e confiar nos aiatolás se mostrou um fiasco. Estavam apenas empurrando com a barriga o problema, que só cresce. Era hora de agir, e Trump tem coragem de tomar as decisões duras. Será um legado e tanto se ele for capaz de derrubar esse regime nefasto.

DEU NO X

ARREGANHOU, ESCANCAROU, CONFESSOU

DEU NO JORNAL

O CAMPO MINADO

Editorial Gazeta do Povo

Com maioria já formada na Segunda Turma do STF desde o dia 13 pela manutenção da prisão preventiva de Daniel Vorcaro – com os votos do relator André Mendonça e dos ministros Luiz Fux e Nunes Marques –, o decano Gilmar Mendes esperou até as últimas horas do prazo do julgamento em plenário virtual, no dia 20, para apresentar seu voto. Gilmar endossou a prisão preventiva, formando unanimidade (Dias Toffoli, o último membro da turma, se declarou suspeito e não votou), mas seu texto pode ser considerado um verdadeiro campo minado para o futuro das investigações sobre a rede de favorecimentos montada pelo dono do Banco Master.

Embora tenha afirmado que “a autoridade policial conseguiu trazer elementos suficientes para manter a prisão preventiva por ora”, o decano do Supremo gastou praticamente todo o seu voto fazendo uma série de contestações à maneira como as investigações vêm sendo conduzidas, aproveitando o ensejo para ressuscitar uma de suas obsessões, a crítica à Operação Lava Jato. A intensa cobertura jornalística, natural quando se trata de um dos escândalos mais cabeludos da história recente do país, pela quantidade e variedade de autoridades envolvidas, foi classificada por Gilmar como “publicidade opressiva”. Segundo o decano, setores da imprensa “focam numa narrativa de deslegitimação desta corte – talvez por ressentimento com o freio imposto aos criminosos métodos lavajatistas”, como se não tivessem sido os próprios ministros que se deslegitimaram, seja por meio de seus laços diretos com Vorcaro, seja pela solidariedade manifestada com Toffoli e Alexandre de Moraes.

Muito mais preocupante que as já batidas (e sempre infundadas) críticas de Gilmar à Lava Jato, no entanto, é o fato de, mesmo votando pela manutenção da prisão preventiva, o decano ter elencado supostas ilegalidades na condução do processo. Criticou o uso do que chamou de “conceitos porosos e elásticos” no voto de Mendonça, afirmou que a transferência de Vorcaro para a Penitenciária Federal de Brasília era ilegal, e criticou a negativa de Mendonça quando a Procuradoria-Geral da República pediu mais tempo para se manifestar sobre a prisão. Como afirmou Deltan Dallagnol em artigo que analisou o voto do decano do Supremo, “Gilmar está plantando futura nulidade (…) Está construindo um duplo caminho: anular tudo mais adiante pela falta da manifestação da PGR, ou soltar diante de uma nova manifestação contrária”.

O Supremo já demonstrou que, na ausência de motivos reais para nulidades, sabe inventá-los. Foi assim, por exemplo, na anulação de várias sentenças da Lava Jato quando réus delatados tiveram de apresentar suas alegações finais ao mesmo tempo que réus delatores – em cumprimento, aliás, do que dizia o Código de Processo Penal, e apesar de o então juiz Sergio Moro ter concedido prazo adicional às defesas dos delatados quando as alegações finais dos delatores traziam elementos novos. E foi assim que, com base em supostas mensagens cuja autoria jamais foi comprovada, o STF declarou a suspeição de Moro, com a consequente anulação de todos os atos realizados por ele em inúmeros processos, especialmente aqueles que envolviam o agora presidente Lula.

Não há nada, portanto, que impeça os ministros de repetirem a dose, especialmente se novas informações ou mesmo uma delação premiada complicarem de vez a situação de alguns membros do Supremo. Basta alegar qualquer um dos “problemas” apontados por Gilmar Mendes para inventar algum cerceamento de defesa ou nulidade qualquer. Não surpreenderia nem mesmo que, após terem declarado de forma unânime em nota que não viam razões para a suspeição de Toffoli, os ministros mudassem de ideia (talvez usando como pretexto a decisão do próprio ministro de se retirar de julgamentos recentes envolvendo Vorcaro) e decidissem que várias decisões estavam contaminadas, inclusive aquelas que ordenaram as várias fases da Operação Compliance Zero. Só o que pode impedir esse tipo de desfecho vergonhoso é exatamente aquilo que Gilmar Mendes fez questão de condenar em seu voto: a pressão constante, incansável, da opinião pública.

PENINHA - DICA MUSICAL