Esse homem é um dos que mais odeiam mulheres no Brasil. #elenao pic.twitter.com/q37JgztSUH
— Júlia Lucy (@julialucydf) March 13, 2026
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Fernando Haddad preferia disputar o Senado em São Paulo, mas concorrerá ao governo para atender a um pedido do presidente Lula
“Diante das alternativas, Haddad fez boa gestão na Fazenda”, afirmou o editorial da Folha de SP. Para o jornal, o ministro “resistiu às ideias desastrosas do PT, manteve bons técnicos na equipe e a imagem proba”. Por fim, seriam bons “os indicadores em emprego e PIB, mas efeitos nefastos da leniência de Lula com déficits tendem a se manifestar nos próximos anos”.
Que bizarro! O ministro só fez aumentar arrecadação tributária e dívida pública, e ainda assim é elogiado pela Folha por não ter implodido de vez com a economia, como Lula queria! Que régua baixa dessa turma! O começo da frase já revela tudo: diante das alternativas. Ou seja, Haddad está sendo “elogiado” pelo jornal porque poderia ter sido ainda pior a gestão econômica lulista!
Vamos lá: o PIB não afundou, mas o crescimento não é nada demais. Um país como o Brasil crescer pouco mais de 2% é pouco, e a Argentina, com as reformas liberais de Javier Milei, vai crescer mais do que o dobro disso.
No mais, o povo sente no dia a dia uma realidade diferente, e isso talvez tenha ligação com a qualidade do PIB, que piorou. O agro puxa o grosso do crescimento, e o governo expande seu papel na economia, o que não é sustentável. Indústria e comércio patinam. E não podemos deixar de lado a desconfiança com os indicadores oficiais: até o Ministério Público pediu o afastamento de Marcio Pochmann do IBGE, pois suas decisões suspeitas de afastar técnicos indicam uma possível manipulação dos dados.
O emprego não está mal na fotografia, mas é preciso levar em conta que ele é medido com base em quem está procurando trabalho sem encontrá-lo. Ora, com 94 milhões de brasileiros em “programas sociais”, claro que isso reduz o incentivo para buscar formalmente emprego. Mas, novamente, não é sustentável. O melhor programa social que existe, como sabia Reagan, é justamente o trabalho.
As famílias estão mais endividadas, os pedidos de recuperação judicial cresceram cerca de 20%, e o clima é de apreensão. A economia tende a ser um tema importante em eleições, e a taxa de rejeição de Lula vem subindo, o que indica justamente que a situação econômica real não é tão “bonita” quanto alguns números mostram. A realidade é diferente, a taxa de juros segue muito elevada por culpa do governo perdulário, e se a fotografia não é das melhores, o filme é ainda pior: a dinâmica aponta para indicadores fiscais terríveis em 2027, já que o governo se mostrou incapaz de aprovar reformas estruturais e reduzir despesas.
Celebrar, portanto, um ministro responsável por números tão medíocres é realmente um espanto. O governo Bolsonaro, com seu ministro liberal Paulo Guedes, conseguiu reduzir a dívida pública em 3,6 pontos percentuais, apesar da pandemia. Com Haddad e Lula, essa dívida saltou sete pontos percentuais! O governo petista é pior do que o vírus chinês, eis a conclusão. O economista Adolfo Sachsida, diante desses dados, comentou:
Tenho muito orgulho de ter feito parte de uma das melhores equipes econômicas da história do Brasil: a equipe liderada por Paulo Guedes e pelo presidente Jair Messias Bolsonaro.Foi um período de intenso trabalho, marcado pelo compromisso com as reformas e pela dedicação ao futuro do Brasil. Vale lembrar que enfrentamos circunstâncias absolutamente extraordinárias: a maior pandemia em 100 anos, a mais severa crise hídrica em um século e a maior guerra na Europa em 75 anos. Ainda assim, seguimos trabalhando com responsabilidade para preservar a economia e preparar o país para o futuro.
De fato, o governo Bolsonaro entregou bons resultados apesar desse contexto, e deixou a casa em ordem para seu sucessor. Lula, uma vez mais, colocou tudo a perder, as estatais voltaram a dar enormes prejuízos, o rombo fiscal aumentou e a arrecadação tributária bateu recorde, mostrando que o problema não é falta de recursos. Quem é que pode comemorar algo assim? O brasileiro morre de saudades de Paulo Guedes, isso sim. Para azar de Haddad, um sujeito medíocre, sua base de comparação é nada menos do que o melhor ministro da Economia que já tivemos.
Haddad já vai tarde! Foi um dos piores prefeitos de São Paulo, e agora se mostrou um ministro cujo “grande feito” foi não ter destruído de vez com todo o legado de Guedes. O próximo passo é perder a disputa para o governo de São Paulo para o atual governador Tarcísio, outro ministro importante do governo Bolsonaro, que entregou ótimos resultados e tem feito uma boa gestão no estado mais rico do país. Eis a diferença mais básica entre a esquerda e a direita: somente a direita entrega realmente bons resultados!
Comentário sobre a postagem A SERENATA – Augusto de Lima
Geraldo Magela Reis:
Curti. De verdade.
A poesia de Augusto de Lima tem a força de uma viagem no tempo.
Minas embrulhada em aromas, montanhas e “languidez sonora”.
O soneto em destaque traz a marca pessoal de sua verve.
E falou de Minas com a propriedade de quem viveu uma época e dela participou ativamente.
É justa e merecida a lembrança.
Salve, Augusto de Lima.
A avenida que em Belo Horizonte tem o seu nome precisa de uma correção: Poeta Augusto de Lima, de estatura tão elevada quanto o político que ele foi.
Pronto, falei. (Geraldo Reis: O Ser Sensível).
Mário Quintana (Sapato florido) dizia que “A mentira é uma verdade que se esqueceu de acontecer”. E Camus (O verão), poético, “a mentira é um belo crepúsculo”. Só que nestes casos se tratam de mentiras inocentes, literárias, que não incomodam ninguém.
Ocorre que há, por dentro dessa, uma outra mais dura, cruel, sem nenhuma poesia. O padre António Vieira, para Fernando Pessoa “Imperador da língua portuguesa”, no seu Sermão da Sexagésima até disse que “A mentira hoje, no mundo, é mais poderosa que a verdade”. Longe de amadores e cínica, no Brasil de hoje requer ausência dos mais elementares sentimentos morais, um acendrado amor pelo dinheiro e total falta de vergonha na cara.
François de La Rochefoucauld até nos deixou bela frase (Reflexões ou sentenças e máximas morais) em que desdenhava do tal cinismo; ao preferir a hipocrisia que para ele, ao menos, “é uma homenagem que o vício presta à virtude”.
O ministro do Supremo Alexandre de Moraes está, hoje, no centro desse debate sobre a mentira. Em, ao menos, duas dimensões. Uma bem mais óbvia, que tem por trás grana. Sobretudo grana. Muita grana. Até agora, gerado nas sombras, um belo contrato de 129,6 milhões, pagos por um bandido hoje na prisão, beneficiando mulher e filhos. Trata-se de um bonus pater famílias, assim diriam os romanos. Sem que se saiba direito se contratados são eles ou o próprio ministro. Como esse tema está em todos os jornais, o deixemos por hora de lado.
Aqui, pretendo falar do ato de mentir propriamente dito. A partir de uma dimensão ética. E já começo lembrando que caso mais notório de implicações jurídicas, sobre essa mentira, se deu nos Estados Unidos.
Em 1972, o presidente da República Richard Nixon foi candidato, à reeleição, contra o democrata George MacGovern. Venceu, esmagadoramente, em 49 dos 51 estados americanos, perdendo apenas em Massachusetts (Nova Inglaterra) e no Distrito de Columbia – onde, aliás, fica a Casa Branca.
Ocorre que, durante essa campanha, houve fato com grande repercussão na mídia; que foi espionagem, por homens ligados à campanha de Nixon, no complexo dos edifícios de Watergate – Virginia Avenue 2.600, bairro de Foggy Bottom, em Washigton D.C. Sendo cinco pessoas presas ao tentar instalar gravadores no local e fotografar os participantes de reunião que ali se realizava.
O caso, que passou a ser conhecido como Watergate, ganhou destaque a partir de reportagens de Bob Woodward e Carl Bernstein para o jornal The Washington Post. A partir de informações repassadas por um misterioso Deep Throat (Garganta profunda); que, depois se soube, era Mark Felt, um agente do FBI, mas essa é outra história.
Nixon negou, sempre, que soubesse do que se passou por ali. Nem que tenha autorizado qualquer ação. E, de alguma forma, essa fiscalização acabava sendo natural. Pois Watergate não era sede oficial do Partido Democrata. E o governo poderia ter legitimamente interesse em comprovar o que ali faziam aqueles homens, tão tarde da noite, em salas comerciais alugadas por pessoas comuns.
Ocorre que depois se soube de algumas fitas, gravadas pelo governo, supostamente com envolvimento do presidente. Nixon se recusou a exibi-las. Até que, em 24/06/1974, a Suprema Corte o obrigou a tornar públicas tais gravações.
A Suprema Corte dos Estados Unidos é bem diferente do nosso Supremo. Até por não haver, nem lá e nem em nenhum outro tribunal do planeta, decisões monocráticas. Elas são tomadas pelo próprio tribunal. Como um conjunto. Como um tribunal. Também por sua independência, em relação às elites políticas do país. E, no caso, votaram contra o presidente da República todos os ministros (Justices, assim se chamam, para diferenciar dos Judges, que seriam os demais magistrados do país), inclusive os indicados pelo Partido Republicano. Unanimidade.
Nenhum deles se sentiu constrangido para dar apoio ao presidente da República do partido que os indicou. Outra diferença, e grande, na comparação com o Supremo daqui.
O caso, afinal, chegou à House of Representatives (a Câmara dos Deputados de lá). E o House Judiciary Committee (equivalente a nossa Comissão de Legislação e Justiça) aprovou três recomendações que poderiam levar ao impeachment de Nixon, a saber: Obstrução de Justiça, Abuso de Poder e Contempt of Congress (algo como Desrespeito ao Congresso).
Principal acusação era de que o presidente mentiu, ao dizer que de nada sabia. Mentira que restou provada pelas fitas. Seus advogados argumentaram que mentir não é crime. Nem no título 18 do Código dos Estados Unidos, conhecido como 18 U.S.C., que seria o Código Penal Federal do país; nem nos 51 Códigos Penais Estaduais. Ele não teria cometido crime, ao mentir.
Problema, para Nixon, é que o impeachment não é tratado por lá em uma lei específica (como o do Brasil, Lei 1.079/1950), mas na própria Constituição, já no artigo primeiro. E ocorre em três situações: Treason (traição), Bribery (suborno) e, no caso interessava especialmente, High Crimes and Misdemeanours – que poderia ser traduzido por um comportamento incompatível com a dignidade do cargo. O que, para todos os americanos, teria ocorrido.
Não cometeu crime, em resumo, disserem seus advogados. Mas corresponde à dignidade do cargo mentir? Foi quando teve, Nixon, a convicção de que o impeachment seria aprovado, em sequência, pelo Senado.
Então pesaram, para ele, as regras determinadas pelo Former Presidents Act – FPA, de 1958, que garantem benefícios para ex-presidentes como: pensão vitalícia; segurança, pelo Serviço Secreto, para mulher e filhos (até 16 anos); escritório mobiliado e equipe de apoio; viagens; tratamento médico, biblioteca presidenciável, funerais de estado com honras militares. Não quis correr o risco de perder tudo isso. E preferiu renunciar, em 09/08/1974. A mentira lhe custou caro, afinal. Vão-se os anéis…
Isso nos Estados Unidos, claro, em que só o ato de mentir torna indigno aquele que mente. E o desqualifica, moralmente, para exercer qualquer cargo público. Faltando agora só conferir se essa mentira, no Brasil, tem significação equivalente. Ou se seria algo até rentável, para os que mentem. Economicamente compensador. Pelo menos em relação a ministros do Supremo, que se apegam fervorosamente a seus cargos. Equivalendo, ao mentir, o calar. O não explicitar situações que deixem mal os ministros. Ou, quando for possível, impor sigilo nos seus processos.
Protegidos esses ministros por um corporativismo indecente que macula as tradições do Supremo, em que todos se consideram semi-deuses castos e puros, elegantes e benditos, desprovidos de pecados ou culpas. Serão mesmo?, eis a questão.
Para encerrar, imagino que ao olhar no espelho, todas as manhãs, o tal ministro se veja como um ser superior. Acima das contingências terrenas. Do errado e do certo. Do bem e do mal. Da lei e dos pobres mortais que somos todos nós. E talvez até pronuncie alguma frase, pensando na história, para expressar avaliação tão positiva.
O que lembra passagem com outro membro da família, este aqui de Pernambuco, não sei se seu parente, o amigo Pessoa de Moraes. Sociólogo importante, encerrou programa que tinha na TV Universitária do Recife (Supremum Organorum) olhando para as câmeras e dizendo algo que nosso ministro brasiliense (trocando o pre-nome) creio também diria,
– O Brasil precisa de Pessoa de Moraes.
Dia seguinte, mandei bilhete para ele
– Desculpe, mestre, mas discordo. O que o Brasil precisa, mesmo, é de pessoas de moral.
Nas ruas, nas escolas, em todas as casas, em todos os lugares. No Brasil popular e profundo de nossos interiores ou da periferia do país. E sobretudo em Brasília, onde está o poder real. Por sua dimensão institucional, num momento relevantíssimo para todos e cada um, especialmente para o Supremo. Isso o que desejamos, com o coração. Em vez de gatunos, gente de bem. Em vez pompa e garbo, mulheres e homens decentes. Em vez de milionários empoderados e presunçosos, pessoas de moral. Só isso.
Parlamentares da oposição querem esmiuçar a relação entre a empresa Biomm, do banqueiro Daniel Vorcaro, com Lula (PT) e o Ministério da Saúde.
A biofarmacêutica tem o dono do Banco Master, como principal acionista, e contratos milionários com o Ministério da Saúde.
Só o primeiro contrato, após Lula inaugurar a fábrica da Biomm em Nova Lima (MG), em 26 de abril 2024, totalizou cerca de R$ 300 milhões.
A empresa ainda tem três contratos ativos com a pasta do petista Alexandre Padilha.
Nem a presença de Lula fez Vorcaro ir a Nova Lima: viajou a Londres para pagar luxos e uísque Macallan para figurões e ministros do STF.
Além de Lula, a inauguração da fábrica de Daniel Vorcaro em Nova Lima contou com a presença de Padilha e de Fernando Haddad (Fazenda).
Dois dos contratos ativos no Ministério da Saúde, de R$ 135 milhões, foram assinados em 2025, com vigência de fim prevista para este mês.
* * *
Amigo é coisa pra se guardar no lado esquerdo do peito.
É linda e comovente amizade dessa parelha.
Um ex e um atual presidiário.
Coisas da republiqueta banânica.
No dia 22 de março de 1992, a Organização das Nações Unidas – ONU instituiu o Dia Mundial da Água, além de promover a Declaração Universal dos Direitos da Água, através da RES/64/292 de Julho de 2010, garantindo por lei o direito ao ser humano de usufruir de saneamento básico e acesso à água limpa e segura.
O calendário que usamos foi uma evolução do antigo calendário romano, e os nomes dos meses utilizados vieram dos deuses.
O nosso calendário, para contagem do tempo, permanece o mesmo, estabelecido pelo imperador romano Júlio César.
Escrevendo a história dos nomes dos meses do ano, é como se estivéssemos assistindo a um desfile dos meses romanos.
JANEIRO e FEVEREIRO DE 2023 já passaram. Estamos em Março, o terceiro mês, considerado o mês das águas.
MARÇO – Nome originado de Marte, o deus da guerra.
No desfile imaginário dos deuses romanos, Marte (Março) passa num carro puxado por dois cavalos, cujos nomes eram Terror e Fuga.
Para os romanos, Marte era mais do que um guerreiro. Era um deus que podia conseguir tudo pela sua grande força. Pediam-lhe chuva, e a chuva vinha.
Atualmente, março de 2026, continuamos ameaçados por um desfile fictício, onde o deus da guerra, Marte, nos ameaça, puxado por cavalos, que representam o ódio, a vingança e a censura. E a força das águas tem destruído vidas no Sul do País.
Falando nas águas do mês de março, ressaltamos a belíssima canção de Antônio Carlos Jobim, “Águas de Março“, uma verdadeira metáfora da imagem da passagem da vida cotidiana, sem interrupção, e sua inevitável progressão rumo à morte – como as chuvas do fim de março, que marcam o final do verão, no sudeste do Brasil.
A letra aproxima a imagem da “água” a uma promessa de vida, uma renovação.
O tema dessa composição começou a ser trabalhado por Tom Jobim, ao violão, no seu sítio do Poço Fundo, em São José do Vale do Rio Preto, região Serrana do Rio de Janeiro. De acordo com depoimento de Thereza Hermanny, esposa de Tom à época, a inspiração para “Águas de Março” surgiu ao final de um dia cansativo de trabalho de onde surgiram os primeiros versos “é pau, é pedra, é o fim do caminho”. Assim como quem estava cansado mesmo e querendo descansar.”
No ano anterior à composição de “Águas de Março“, Tom Jobim havia sofrido a única grande perseguição política em sua vida. Em um protesto contra a censura que vigorava durante a ditadura militar no Brasil, Tom Jobim e alguns compositores assinaram um manifesto e se retiraram do Festival Internacional da Canção, da Rede Globo. Doze artistas, entre os quais Tom, foram detidos e, durante algumas horas, interrogados. Segundo declarações posteriores de Chico Buarque, Edu Lobo e Ruy Guerra, um diretor da emissora esteve presente e insistiu para que os compositores voltassem atrás e retornassem ao festival. A pressão não funcionou, mas – na opinião de Chico e Ruy – instigou o aparelho repressivo do regime a enquadrá-los na Lei de Segurança Nacional. Depois, Tom foi intimado várias vezes a prestar depoimento, chegou a ter o seu telefone grampeado e as suas cartas, violadas.
Segundo Tom, a questão foi resolvida “de uma maneira bastante brasileira”, quando um escrivão de polícia solidário o chamou e disse: “Olhe, o senhor não queira se meter com polícia… Isso aqui não é bom. Negócio de polícia não é bom. Vou bater um negócio aqui para o senhor…” E assim, o escrivão bateu à máquina de escrever uma declaração, que Tom assinaria. “Este papel aqui diz que o senhor não teve intenção”.
Para a revista Playboy, em 1988, Tom contou que, à época da criação de “Águas de Março“, o médico lhe disse que iria morrer de cirrose. E ele escreveu: “É um resto de toco, é um pouco sozinho’”.
Em 1992, para o Jornal do Brasil, ele declarou que escreveu “Águas de Março” em um período em que estava numa grande fossa. Parecia que tudo havia acabado para ele, e que não lhe restava nada a fazer. Por isso, se entregava à bebida.
A letra de “Águas de Março” é estruturada em um único verbo (ser), conjugado na terceira pessoa do singular, no presente do indicativo em, praticamente, todos os versos – exceto no refrão, transformado em plural (“São as Águas de Março …”. Há uma constante alternância entre versos considerados otimistas e pessimistas, além do uso de antítese (“vida”, “sol” / “morte”, “noite”), pleonasmo (“vento ventando”), paronomásia (“ponta” / “ponto” / “conto” / “conta”).
Sua letra tem caráter pouco narrativo e fortemente imagético, constituindo-se como séries descritivas conectadas a um espaço semântico amplo. Muitos elementos, de natureza geral, podem referir-se à cena do sítio: “pau”, “pedra”, “resto de toco”, “peroba-do-campo”, “nó na madeira”, “caingá”, “candeia”, “matita perê”, o que enquadra “Águas de Março” em um repertório de canções ecológicas.
A letra é uma profunda reflexão do sentido da vida.
ÁGUAS DE MARÇO
É o pau, é a pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é um laço, é o anzol
É peroba no campo, é o nó da madeira
Caingá candeia, é o matita-pereira
É madeira de vento, tombo da ribanceira
É o mistério profundo, é o queira ou não queira
É o vento vetando, é o fim da ladeira
É a viga, é o vão, festa da cumeeira
É a chuva chovendo, é conversa ribeira
Das águas de março, é o fim da canseira
É o pé, é o chão, é a marcha estradeira
Passarinho na mão, pedra de atiradeira
É uma ave no céu, é uma ave no chão
É um regato, é uma fonte, é um pedaço de pão
É o fundo do poço, é o fim do caminho
No rosto um desgosto, é um pouco sozinho
É um estepe, é um prego, é uma conta, é um conto
É um pingo pingando, é uma conta, é um ponto
É um peixe, é um gesto, é uma prata brilhando
É a luz da manha, é o tijolo chegando
É a lenha, é o dia, é o fim da picada
É a garrafa de cana, o estilhaço na estrada
É o projeto da casa, é o corpo na cama
É o carro enguiçado, é a lama, é a lama
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um resto de mato na luz da manhã
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É uma cobra, é um pau, é João, é José
É um espinho na mão, é um corte no pé
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um passo, é uma ponte, é um sapo, é uma rã
É um belo horizonte, é uma febre terça
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
Pau, erda
Im, inho
Esto, oco
Oco, inho
Aco, idro
Ida, ol
Oite, orte
Aço, zol
São as águas de março fechando o verão
É a promessa de vida no teu coração
Editorial Gazeta do Povo
A CPI do Banco Master na Câmara dos Deputados, pelo jeito, continuará esperando que Hugo Motta (Republicanos-PB) saia da ressaca moral causada pelo caríssimo uísque escocês degustado ao lado de Daniel Vorcaro e outras autoridades dos três poderes da República, quase dois anos atrás. O ministro do STF Cristiano Zanin rejeitou um pedido apresentado pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que pleiteava uma ordem judicial para que Motta instalasse a comissão. Zanin alegou que esta é uma questão interna do Poder Legislativo, e que não caberia ao Judiciário se intrometer. À primeira vista, o argumento de Zanin parece sensato. Mas apenas à primeira vista.
A Constituição exige três condições para que uma comissão parlamentar de inquérito seja aberta: “requerimento de um terço de seus membros, para a apuração de fato determinado e por prazo certo”, segundo o artigo 58. Todas essas condições estão devidamente cumpridas no caso da CPI do Master. Nem a Carta Magna, nem a legislação infraconstitucional, nem o Regimento Interno da Câmara preveem que o presidente da casa segure requerimentos de abertura de CPIs indefinidamente, a seu bel-prazer – a única regra existente na Câmara é um limite de cinco CPIs simultâneas. Nem mesmo a ordem cronológica de apresentação dos pedidos, invocada por Motta dias atrás para segurar a CPI do Master, consta de qualquer lei ou regimento; foi tirado da cartola do presidente da Câmara – que, aliás, não instalou nem mesmo as cinco CPIs que “chegaram primeiro” pelo seu critério.
Quando colocou na Constituição as regras para as CPIs, o constituinte pretendeu oferecer às minorias parlamentares (não qualquer minoria – um terço de deputados ou senadores não é pouco) um mecanismo que lhes permitisse não ficar à mercê de uma maioria disposta a abafar uma investigação. Não faria sentido, então, permitir que uma única pessoa – mesmo que seja o presidente de uma casa legislativa – possa impor sua vontade a essa minoria. Foi exatamente esse o entendimento do Supremo quando, em ocasiões anteriores, foi chamado a resolver a mesmíssima questão, ordenando a abertura das CPIs dos Bingos, em 2005; do Apagão Aéreo, em 2007; e da Covid-19, em 2021. Tampouco para em pé o argumento, usado por Zanin, de que “o requerimento de criação da CPI foi protocolado há aproximadamente um mês, circunstância insuficiente, por si só, para caracterizar resistência indevida da Presidência da Casa”, pois as manifestações de Motta, incluindo o critério de antecedência inventado por ele, caracterizam, sim, sua recusa em abrir a investigação.
Interferir nas funções do Poder Legislativo, derrubando, reescrevendo ou inventando leis, é um dos passatempos favoritos dos ministros do STF. No entanto, há uma lista pequena de ocasiões em que decisões do Supremo que afetem o Legislativo não constituem ativismo judicial, e esta é uma delas. Se as condições constitucionais para a abertura de uma CPI estão cumpridas, se o presidente da Câmara não tem a prerrogativa legal de se recusar a instalar uma comissão, o Supremo pode, sim, ordenar a abertura, em respeito à vontade da minoria, que o constituinte de 1988 quis proteger.
Quando não pode e não deve, o STF faz o possível e o impossível para assumir as funções do Congresso; quando poderia e deveria consertar uma situação que viola o desejo do constituinte, o STF se omite e alega que uma interferência seria “ostensivo desrespeito à separação de poderes, por intromissão política do Judiciário no Legislativo”. E a omissão de Zanin neste caso específico é nociva para um país que precisa conhecer todos os detalhes do escândalo do Master – não apenas sobre as práticas que deixarão um rombo de dezenas de bilhões de reais, mas também (e principalmente) sobre o papel de cada autoridade na teia de influências que permitiu a ascensão do banqueiro.