PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

ORGULHO – Virgínia Vitorino

És orgulhoso altivo. Também eu.
Nem sei bem qual de nós o será mais,
as nossas forças são rivais:
se é grande o teu poder, maior é o meu.

Tão alto anda este orgulho! Toca o céu.
Nem eu quebro nem tu. Somos iguais.
Cremo-nos inimigos. Como tais
nenhum de nós ainda se rendeu.

Ontem, quando nos vimos frente a frente,
fingiste bem esse ar indiferente…
e eu, desdenhosa, ri, sem descorar…

Mas que lágrimas devo àquele riso!
E quanto, quanto esforço foi preciso
para, na tua frente, não chorar !

Virgínia Vitorino, Alcobaça, Portugal (1895-1967)

DEU NO JORNAL

GASTOS

Deve sair nas próximas semanas mais um bloqueio bilionário de recursos federais.

O motivo é o de sempre: o governo Lula gastou demais.

A expectativa é de que o bloqueio fique entre R$ 8 bilhões e R$ 10 bilhões.

* * *

A expressão “o governo Lula gastou demais”, contida na nota aí de cima, é uma definição perfeita deste país nos dias de hoje.

Como se diz no português clássico e refinado, isso é o retrato cagado e cuspido da republiqueta petralha.

XICO COM X, BIZERRA COM I

O JUMENTO E O COMPUTADOR

Sou sertão. Sertão que já pariu tanta poesia e verso e continua a inspirar quem conhece o sagrado terreno dessas terras. E daí saem cantigas e prosas a motivar os cabras e as cabrochas carentes de um abraço ou cafuné. É um tocador de fole numa esquina qualquer, um cego de feira ou um cantador versejando palavras, um poeta inspirado que bebe no bar a cachaça da alegria e tira gosto com pedaços de saudade, e assim mantém a claridade divina das coisas do interior, que não saem do nosso interior. Feliz de quem, como eu, teve a ventura de desabrochar no sertão e conhecer a luz do sol debaixo de um céu azul, que só se vê por lá. Anjos e Deuses haverão de cuidar sempre desse pedaço de chão. Chão em que vive o jumento amigo, injustiçado quando a ele se concede a falta de compreensão que lhe é culturalmente atribuída. Por isso, faço questão de destacar meu apreço pelo animal e a antipatia natural que tenho pelas ‘modernagens’ cibernéticas. Vai ver o problema é do USB – Usuário Super Burro. Viva o Sertão, o jumento e dane-se a máquina de fazer doido chamada computador, com seus imeios, zaps e facebooks.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

O PIB DESACELERA

Editorial Gazeta do Povo

pib 2025

Selic alta desacelerou a economia, mas juros são consequência do excesso de gastos do governo

O crescimento de 2,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2025, de acordo com dados divulgados pelo IBGE na terça-feira, não chegou a surpreender – o mercado financeiro já previa um número nesta faixa. É o pior resultado desde o início da recuperação econômica pós-pandemia, mas o que talvez chame mais a atenção é o fato de o país estar estagnado: o PIB cresceu apenas 0,1% no quatro trimestre em comparação com os três meses anteriores, e o IBGE revisou para baixo o desempenho do terceiro trimestre, de 0,1% para zero.

Aqui, não há mistério: a política monetária contracionista do Banco Central, que levou a Selic a 15% ao ano em junho do ano passado e manteve a taxa neste patamar desde então, desacelerou a economia. Esta é a parte que o governo Lula irá ressaltar, para responsabilizar o Banco Central pela freada do segundo semestre de 2025. O que nenhum membro da equipe econômica dirá é que o aperto monetário é consequência do descontrole fiscal do governo federal, que gasta como se não houvesse amanhã, desvalorizando a moeda e provocando inflação, que o BC combate com a única ferramenta que tem à disposição: elevando a Selic. A inflação, aliás, só não foi pior porque o vaivém tarifário de Donald Trump prejudicou o dólar, que perdeu valor globalmente e barateou o custo de itens importados.

O mercado dava como certo o início de um ciclo de afrouxamento na próxima reunião do Copom, ainda em março – o próprio comitê havia antecipado essa possibilidade após sua reunião de janeiro –, o que poderia dar um fôlego ao setor produtivo em 2026. No entanto, a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã, com todos os seus efeitos econômicos, especialmente quanto ao fornecimento internacional de petróleo, lançam incerteza sobre o momento de início e a intensidade da redução nos juros.

Além disso, em ano eleitoral não há como descartar outra explosão no gasto público ou a aprovação de medidas populistas que piorem ainda mais a situação fiscal do país, elevando a inflação ou ao menos ressuscitando a “desancoragem das expectativas”, o que já basta para o Copom voltar a agir. É sintomático que, apesar do resultado zerado do PIB nos dois últimos trimestres de 2025, o consumo do governo subiu 1,3% no período de julho a setembro, e mais 1,0% entre outubro e dezembro.

O Ministério da Fazenda prevê para 2026 uma repetição de 2025, com novo crescimento de 2,3%. Já o mercado financeiro prevê nova desaceleração: 1,82%, segundo o mais recente Boletim Focus. Embora o país sempre possa contar com a força do agronegócio (que subiu 11,7% no ano passado), há razões de preocupação: os investimentos e a poupança permaneceram praticamente estáveis como proporção do PIB (16,8% e 14,4% respectivamente), em níveis abaixo do ideal – a taxa de investimento recomendada é de 25% do PIB; e o consumo das famílias, a outra ponta da estratégia do governo para manter a economia superaquecida, dá sinais de exaustão: ficou estável no último trimestre de 2025, enquanto o número de famílias endividadas cresceu, chegando a um recorde de 79,5% em janeiro, segundo a Confederação Nacional do Comércio. São condições que dificultam um ciclo prolongado e sustentável de crescimento.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO X