O elo de Francisco Kertész com o governo Lula (PT) vai além da sociedade com o ministro da propaganda, Sidônio Palmeira, e dos R$ 12 milhões recebidos de estatais.
A lista de doações à esquerda inclui Manuela D’Ávila e Guilherme Boulos, em 2020, e Dilma Rousseff, em 2018.
Há ainda uma bela gaita para Geraldo Júnior, vice-governador de Jerônimo Rodrigues (PT), da Bahia, em 2016.
A estreia em doações (ou investimentos) foi com o deputado estadual Edmon Lucas, em 2006.
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A palavra “investimentos”, que está entre parêntesis na nota aí de cima, resume tudo.
Investimentos rentáveis.
Investir nos figurões do PT sempre dá excelentes lucros.
Prospera entre políticos de oposição em Brasília a suspeita de que o governo Lula negou ajuda ao governo do Rio, no combate ao crime, para ver o Rio em chamas e, assim, criar o pretexto para intervenção federal.
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Negar ajuda pra combater o crime, conforme diz a nota aí em cima, é coisa normal, normal no atual gunverno.
Vários setores que exportam para os EUA estão acumulando perdas desde o tarifaço
Outubro está quase terminando e os empresários brasileiros que exportam para os Estados Unidos terão mais um mês de queda por causa da aplicação da tarifa de 10% por razões comerciais e 40% por razões políticas. Os americanos querem que não haja mais censura no Brasil (o que não é nenhuma novidade, porque a Constituição já exige isso), que todos tenham direito ao devido processo legal (o que não é nenhuma novidade, porque a Constituição já exige isso), e que não haja perseguições políticas (o que não é nenhuma novidade, porque a democracia já exige isso). É, os americanos têm essa mania de liberdade – segunda-feira foi o aniversário da inauguração da Estátua da Liberdade, que é um símbolo muito grande para os americanos, e eles estão exigindo isso do Brasil.
Até agora não tivemos nenhum centímetro de avanço. O Brasil festejou uma foto. Ah, Lula e Trump tiraram uma foto. “Minha tarifa por uma foto”, parafraseando o “meu reino por um cavalo” do Ricardo III de Shakespeare. A foto foi considerada pelos jornalistas governistas como uma vitória de Lula e uma derrota dos bolsonaristas – claro, Bolsonaro está preso em casa, não tinha como tirar foto com Trump. Enfim, muito carnaval por uma foto. Imaginem como estão os exportadores brasileiros, os que produzem, os que estão em dificuldades fabris e industriais, os que não conseguem pagar a folha porque as exportações para os EUA, grandes compradores de certos produtos brasileiros, despencaram. Em agosto elas já tinham caído; em setembro, houve uma queda mais vertiginosa ainda, de cerca de 20%. Vamos ver de quanto será a redução em outubro.
E não há perspectiva de solução. O governo diz que isso é com o Supremo, e o Supremo é um poder independente. Mas isso é com o Executivo, sim, porque basta o Executivo autorizar seus líderes a apoiar alguma iniciativa que resolva a questão da condenação injusta de manifestantes, sem impunidade. Quem quebrou patrimônio público, que pague.
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Aeroporto na Paraíba está com tudo, graças a um único passageiro ilustre
A Folha de S.Paulo desta segunda-feira contou a incrível história do aeroporto de Patos (PB), município cujo prefeito é o pai do presidente da Câmara, Hugo Motta. De repente, o aeroporto ganhou investimento federal e estadual: quase R$ 36 milhões para a pista e outras melhorias – do dinheiro dos pagadores de impostos federais foram R$ 21,8 milhões; dos pagadores de impostos estaduais, R$ 14 milhões.
A Folha também fez a comparação entre o movimento do aeroporto em todo o ano passado e o movimento neste ano, a partir de fevereiro, quando Hugo Motta assumiu a presidência da Câmara. De fevereiro a agosto de 2024, foram 227 pousos e decolagens, pouco mais de um por dia. Neste ano, entre fevereiro e agosto, foram 451 pousos e decolagens de jatinhos – isso sem contar os aviões da Força Aérea Brasileira, que transportavam o presidente da Câmara. Apenas uma empresa de voo comercial atua lá: a Azul Conecta, que faz voos regionais.
Operação contra o Comando Vermelho já é a mais letal da história do Rio de Janeiro
De vez em quando sou forçado a lembrar do principal motivo pelo qual decidi, há uma década, sair do Rio e morar na Flórida. O Rio é um experimento social fracassado, de Brizola a Fachin, passando pelos artistas e Lula, todos dão um jeito de transformar marginal em vítima da sociedade. O resultado está aí.
Dezenas de mortos (de preferência bandidos, mas há policiais entre eles), quase uma centena de fuzis apreendidos e até drones no Comando Vermelho lançando bombas! Várias vias importantes do Rio fechadas, os acessos ao aeroporto, tudo para mostrar quem manda na cidade: o crime organizado.
O STF impede operações aéreas da polícia desde a pandemia. Lula diz que traficantes são vítimas dos usuários, enquanto coloca boné do CPX. As imagens são chocantes e a população é totalmente refém da bandidolatria. A impunidade é o maior convite ao crime.
Enquanto isso, Lula se oferece a Trump para agir como mediador com Nicolás Maduro, como se a Venezuela não fosse um narcoestado defendido pelo companheiro petista. Ainda apela para o relativismo: quem vai decidir onde intervir nessa polarização entre “bem e mal”?
Ora, que tal quem tenta combater de fato o tráfico, em vez de manter diálogos cabulosos com o crime organizado? Lula sequer aceita considerar o PCC e o CV grupos terroristas, o que daria mais margem de manobra para os americanos. No fundo é defesa da bandidolatria mesmo.
O carioca, enquanto isso, vai se adaptando ao absurdo no Rio, normalizando o surreal, buscando viver como se cenários de caos e guerra fossem apenas parte do seu cotidiano. Não deveria ser. O problema é que o Rio pode ser o Brasil amanhã. A tendência parece ser essa, infelizmente…
Periquito bem cuidado? Eu tenho e não nego, não, Mas vive numa prisão, E por isso é revoltado, Porém é muito assanhado… E prender é contra a lei. Fui lá no mato e soltei, Dele tive caridade: Pra viver em liberdade Meu periquito soltei.
Dalinha Catunda
Duplo sentido? – Talvez! Vi o verso explicativo, E – também – convidativo, Não perdendo minha vez; Nunca gostei de escassez Sobre o dom que cultivei De libertar, porque sei Que voar mostra a verdade: Pra viver em liberdade Meu periquito soltei.
Professor Weslem
Meu periquito assanhado, Teima em não se aquietar, Todo instante quer trepar, Em um alçapão armado, Um fogo descontrolado, Desde quando ele, ganhei, Até quando vai, não sei, Sua libidinosidade, Pra viver em liberdade Meu periquito soltei.
Joabnascimento
Parecia um papagaio Era fora da bitola Mas vivia na gaiola E dizia daqui eu saio Vou dar o prazo até maio E gritava ei ei ei Vou descobrir o que sei E vou mentir na verdade Pra viver em liberdade Meu periquito soltei.
Rivamoura Teixeira
Tô glosando aqui e agora Com mote do periquito Um macho muito bonito Que comigo não mais mora Pedia para ir embora Com pena nunca deixei Enfim, o bicho mandei Procurar felicidade Pra viver em liberdade Meu periquito soltei.
Vânia Freitas
Há tempos, na minha casa Um periquito vivia Numa gaiola sombria Cantando e batendo asa Soltei-o, dizendo: vaza Nesse momento, notei Outros chegando, pasmei E ali, ficaram à vontade Pra viver em liberdade Meu periquito soltei.
Creusa Meira
Não quis prender o bichinho Pra viver numa prisão Deu – me muita compaixão Abri tudo ligeirinho Libertei meu passarinho A melhor coisa, pois, sei Vê-lo livre eu adorei Fiz sua felicidade Pra viver em liberdade Meu periquito soltei.
Dulce Esteves
Faça como eu e liberte Também o seu Passarinho, Gaiola não é o ninho Mais ideal que se oferte, Me imite, não fique inerte Siga o exemplo que dei Viva de acordo com a lei Prender é pura maldade: Pra viver em liberdade Meu periquito soltei.
Bastinha Job
Já tá quase em extinção Este querido” bichim” Que mora em um cupim Faz sua alimentação De frutinhos de pinhão Certo dia lhe tranquei Mas por pena liberei E desfiz toda maldade Pra viver em liberdade Meu periquito soltei.
Araquém Vasconcelos
Quando peguei pra criar O periquito era novo Mas aprendeu com o povo Chamar nome pra danar Antes do Ibama chegar Vou soltar o que achei Se no Brasil tem a lei Vou cumprir sem falsidade Pra viver em liberdade Meu periquito soltei.
Jerismar Batista
Meu periquito vivia Muito triste, acabrunhado Mas ficou todo animado Cantando de alegria A partir daquele dia Quando a rola lhe mostrei Ninguém sabe nem eu sei No que deu tal amizade Pra viver em liberdade Meu periquito soltei.
Javier Milei comemora a vitória de seu partido nas eleições legislativas argentinas de 26 de outubro
Após ser derrotado pelo peronismo kirchnerista na eleição provincial de Buenos Aires, em setembro, o libertário Javier Milei tinha uma disputa de vida ou morte nas eleições parlamentares do último domingo, dia 26, que renovariam metade da Câmara de Deputados e um terço do Senado da Argentina: se a esquerda repetisse o desempenho do mês anterior, Milei teria uma segunda metade de mandato digna de “pato manco”. Mas o resultado final surpreendeu positivamente: o partido governista, A Liberdade Avança (LLA), terminou com quase 41% dos votos contra 33,6% da Força Pátria, a principal coalizão peronista.
Os libertários subiram de 37 para 93 deputados; sua parceria com o PRO, partido do ex-presidente Mauricio Macri, fará dessa coalizão a principal força minoritária na Câmara, desbancando a Força Pátria. O LLA também triplicou sua bancada no Senado, pulando de 6 para 18 senadores, mas ali o kirchnerismo, mesmo tendo perdido seis senadores, continua sendo a principal força. Ainda mais notável foi o fato de os libertários terem vencido os peronistas em dois bastiões tradicionais da esquerda: a cidade de Buenos Aires e a província de mesmo nome (que não inclui a capital federal), onde vive cerca de 40% da população. No município de Buenos Aires, o LLA elegeu 7 deputados, contra 4 peronistas; na província homônima, venceu por 17 a 16. Outras províncias importantes onde os libertários elegeram as maiores bancadas na Câmara foram Córdoba (onde os kirchneristas saíram zerados), Entre Ríos, Mendoza e Santa Fé.
A eleição tinha um caráter forte de referendo a respeito das reformas econômicas de Milei, iniciadas em 2023. O kirchnerismo havia causado tanto caos na economia argentina que só um choque súbito e drástico poderia surtir algum efeito – reformas graduais já tinham sido tentadas por Macri, entre 2015 e 2019, e não funcionaram. No entanto, as medidas cobraram seu preço de uma população já empobrecida. Milei jamais escondeu que a situação primeiro pioraria para depois melhorar, mas apenas sinceridade não coloca comida na mesa. Ainda assim, os argentinos deram-lhe um voto de confiança, e agora o país começa a colher os frutos na forma de inflação em queda e superávits primários. A quantidade de pessoas abaixo da linha de pobreza, que chegou a 53% no início do mandato de Milei, já caiu 20 pontos porcentuais e está abaixo dos 41,7% registrados no fim do mandato de Alberto Fernández.
A estabilização econômica, no entanto, é tarefa que ainda está longe de ser concluída. Mesmo reduzidos na comparação com a época do kirchnerismo, a inflação e os índices de pobreza seguem preocupantes. O câmbio está muito longe de poder flutuar livremente, o Estado argentino ainda está inchado, faltam muitas reformas a fazer, como a trabalhista e a tributária. A ajuda norte-americana, na forma de um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões com o Banco Central da Argentina para frear a desvalorização do peso, é apenas um socorro temporário. Os eleitores argentinos se viram diante de duas escolhas: permitir que o processo iniciado por Milei continue, ou aplicar-lhe um freio de mão. O resultado importa não apenas porque reforçou a confiança do eleitorado na capacidade de Milei entregar o que prometeu, mas porque criou uma relação de forças bastante interessante no Congresso argentino.
A derrota imposta ao peronismo kirchnerista significa que a esquerda perdeu parte de sua capacidade de impor grandes dificuldades à governabilidade e às medidas mais severas de austeridade. Mas a vitória que o eleitorado deu aos libertários, embora seja suficiente para impedir a derrubada de vetos presidenciais – algo que a oposição conseguiu fazer com certo sucesso no passado recente –, ainda os obrigará a costurar alianças com forças mais ao centro para aprovar a continuação do programa reformista. Milei terá de vencer a tentação de antagonizar todas as demais forças políticas – a ponto de ter acumulado desentendimentos com sua vice, Victoria Villaruel – e dialogar em busca do apoio que falta a seu grupo para ter a maioria. “Tenho de sair e buscar os votos que preciso para implementar essas reformas de segunda geração que são importantes para o povo argentino”, disse Milei em entrevista na segunda-feira. Deixar de arrumar brigas com governadores aliados e partidos centristas será um bom começo.
O populismo de esquerda já tinha sido derrotado na Bolívia após duas décadas de socialismo no poder; agora, sofre uma nova derrota na Argentina. Ainda é muito cedo para descartar de vez uma recaída em 2027, ano em que Milei deve tentar a reeleição, tamanho o efeito da “prisão mental” que o populismo costuma impor às populações. Mas o fato de os argentinos terem, mais uma vez, dado um voto contra o retrocesso econômico, após o susto da eleição provincial de Buenos Aires, serve de alento e esperança de que a Argentina consiga finalmente escapar da gravíssima crise econômica criada pelo kirchnerismo.