ALEXANDRE GARCIA

PAÍS QUE DEIXA TERRITÓRIO SER DOMINADO POR BANDIDOS NÃO TEM SOBERANIA

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Lula fez ministros usarem boné azul com slogan na última reunião ministerial

Vamos falar um pouquinho de soberania. Lula botou um blue cap – eu lembro daquela banda, Renato e Seus Blue Caps –, um bonezinho azul em todo o ministério, imitando Nicolás Maduro. Isso que vimos na reunião ministerial não chega a ser a Escolinha do Professor Raimundo, que tem mais graça, mas Lula xingou todo mundo, Eduardo Bolsonaro, Donald Trump, Estados Unidos, parecia mesmo discurso do Maduro, exigindo fidelidade dos seus ministros, incluindo os três ou quatro do Centrão. Lula disse que o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, não gosta dele, e o partido, no dia seguinte, já avisou seu ministro do Turismo: ou ele sai dali, ou o União Brasil sai dele. Vamos ver o que o ministro do Turismo vai escolher.

Mas voltemos à soberania. O que é soberania? Em primeiro lugar, para ter soberania, um país tem de respeitar sua própria Constituição. O presidente da República, por exemplo, jurou perante o Congresso Nacional defender, guardar e cumprir a Constituição, mas até agora não o vi defender nada, porque a Constituição tem sido desrespeitada e o presidente da República nem sequer reclama. É preciso defender a soberania, isso é óbvio. Mas o governo tem defendido? O território nacional é do Estado brasileiro, está sob a jurisdição do Estado brasileiro?

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Facções criminosas tomaram conta da Amazônia

Vejam o que acontece ali na nossa cara, no Rio de Janeiro e na Amazônia. O Estadão conseguiu um relatório da Secretaria de Segurança do Estado do Amazonas, mostrando que há um domínio dos rios, divididos entre Comando Vermelho e Primeiro Comando da Capital. E há quase 200 pistas para helicópteros e aviões de pequeno porte que transportam drogas. Ainda nesta semana encontraram, em um lago na cidade de Juruá, um helicóptero que caiu, e que tinha três quilos de skunk que os traficantes deixaram para trás. Talvez eles nem tenham visto, quando o helicóptero estava afundando. Houve uma denúncia, a Polícia Civil foi lá e achou o helicóptero.

Há muitas pistas clandestinas em Roraima, na fronteira com a Venezuela, e no sul do Amazonas, na fronteira com a Bolívia. E então eu pergunto: o Brasil domina esses territórios? E nem falo das ONGs estrangeiras, ou do rei da Noruega, que apareceu lá em 2013, com o general Villas-Bôas, então comandante militar do Amazonas, sendo simplesmente informado de que o rei da Noruega estava lá. Essa é a nossa soberania. Enquanto não tivemos força policial e força militar para dissuadir os foras-da-lei e os estrangeiros, não vai adiantar nada. Não adianta botar bonezinho azul para fazer happening para a opinião pública, para propaganda.

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O país da COP-30 terá mais termelétricas

A COP-30 está chegando, e vemos que está saindo um leilão para termelétricas a carvão, gás e diesel, ou seja, combustível fóssil. Nós temos a Angra 3 parada, temos rios para serem aproveitados como hidrelétricas, mas teremos mais termelétricas. E ainda botam a culpa no pum do gado, porque o gado é dos pecuaristas e os pecuaristas não apoiam o governo petista.

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Até Alberto Youssef está livre graças a Toffoli

Dias Toffoli, o ex-advogado do PT que agora é ministro do Supremo, tornou ficha-limpa Alberto Youssef, o doleiro da Lava Jato. A decisão acabou de transitar em julgado. O ministro derrubou todas as provas, não vale mais nada, nem a confissão, nem a devolução de valores. Derrubam-se os pilares da civilização ocidental, a ética judaico-cristã, o respeito ao poder do cidadão (que vem dos gregos) e o cumprimento das leis e os direitos (que vêm dos romanos). Parece que tudo está caindo, e como é que ficamos?

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Farra de licenças no TCE do Rio Grande do Sul

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul confirmou, dias atrás, as condenações do presidente do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul, do vice-presidente e do corregedor, por receberem licenças-prêmio ilegais. O presidente Antônio Lopes Peixoto vai ter de devolver quase R$ 448 mil; o vice-presidente Iradir Pietroski terá de devolver R$ 300 mil; e o corregedor Alexandre Postal precisará devolver R$ 471 mil. É uma ação de 2020, que foi movida por vários deputados estaduais gaúchos, inclusive um que hoje é prefeito de Porto Alegre, Sebastião Coelho.

DEU NO X

DEU NO X

JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE

DEU NO JORNAL

A AUTONOMIA DOS BANCOS CENTRAIS E A PRESSÃO POLÍTICA POR JUROS BAIXOS

Editorial Gazeta do Povo

Dólar e Real banco central juros

Em vários países, autoridades monetárias estão sob pressão para reduzir os juros

Nenhum governante gosta de juros altos, e com razão. Eles encarecem a dívida pública (ao menos, a parte dela que é indexada à taxa básica de juros) e o crédito necessário para investimentos que levam ao crescimento econômico, a variável que governantes mundo afora mais gostam de exibir como prova de que estão fazendo a coisa certa – ainda que esse crescimento seja inflado por políticas expansionistas que são as razões exatas pelas quais bancos centrais são obrigados a elevar os juros para conter a inflação, como tem sido o caso brasileiro recente.

E poucos governantes têm sido tão hostis em seus ataques à autoridade monetária nacional quanto Lula. Quando ainda estava na oposição, o PT foi contrário ao projeto de lei que garantia autonomia do Banco Central, chegando a buscar o STF na tentativa de derrubar a regra aprovada em 2021. O motivo era simples: a autonomia blindava os diretores do BC de ingerências políticas, impedindo que a esquerda, caso voltasse ao poder, substituísse todos os diretores para impor as próprias preferências. Assim, Lula foi obrigado a conviver por dois anos com Roberto Campos Neto, que se tornou o bode expiatório favorito do presidente da República, ainda que as decisões do Copom fossem tomadas de forma colegiada, e muitas elevações da Selic tenham sido aprovadas com o voto de diretores indicados já por Lula.

Mesmo quando a maioria dos membros do Copom passou a ser de diretores nomeados pelo petista – incluindo o novo presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo –, a Selic continuou subindo, por motivos que o colegiado se cansou de explicar em comunicados e atas: a política fiscal perdulária do governo teria efeitos inflacionários catastróficos se não fosse contida por uma política monetária contracionista. Se Lula estava esperando diretores dóceis à sua vontade, ao menos até agora deu com os burros n’água; e, graças à autonomia consagrada em lei, não pode trocar seus indicados por um grupo de paus-mandados que reduzam os juros na marra, sem base técnica, como ocorrera no primeiro mandato de Dilma Rousseff, com o BC sob Alexandre Tombini.

Ainda assim, Lula não perde uma oportunidade de pressionar o Banco Central quando se aproximam as reuniões do Copom, e reclama quando o encontro termina sem um desfecho que lhe agrade. O presidente pode até terceirizar as críticas mais ácidas, dando a impressão de que está poupando Galípolo, mas não esconde o seu desejo de ingerência política sobre as decisões do Banco Central. E esta ingerência, como a experiência recente do Brasil demonstra, costuma ser desastrosa para um país. A política fiscal é prerrogativa do governante de plantão, mas um banco central precisa de liberdade para definir sua política monetária com critérios técnicos, e não de acordo com os humores de um presidente ou primeiro-ministro, que naturalmente sempre desejará juros os mais baixos possíveis.

Nos Estados Unidos os juros têm estado, desde o fim de 2024, na faixa de 4,25% a 4,5% ao ano – um sonho para os padrões brasileiros, mas bastante altos para os padrões norte-americanos –, e a elevação da taxa, especialmente em 2022 e 2023, foi a resposta às pressões inflacionárias causadas pela recuperação econômica pós-pandemia. Mas o presidente Donald Trump não tem gostado nada da prudência adotada pelos diretores do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), e vem pressionado por reduções nos juros desde que iniciou seu segundo mandato. Às vésperas das reuniões do Fomc (o comitê que decide a taxa de juros, e cujos membros incluem todos os governors do Fed), ele usa seus perfis em mídias sociais para pressionar a autoridade monetária e afirma que os diretores agem com “motivação política” quando os juros não caem.

O principal alvo da pressão é Jerome Powell, o presidente do Fed, que é para Trump o que Campos Neto fora para Lula. Mais recentemente, Trump ameaçou processar Powell usando como pretexto reformas em prédios do órgão, chamou-o de “idiota” e afirmou que ele deixará o cargo antes do fim do mandato de presidente, em maio de 2026. Excetuando-se renúncia ou morte, isso só ocorreria caso Trump demitisse Powell por “justa causa”, o que ainda poderia ser questionado na Justiça. Até agora, o norte-americano não tem ido além das ameaças, mas um episódio ocorrido nos últimos dias representa um teste para as ambições de Trump.

Na segunda-feira, o presidente norte-americano demitiu Lisa Cook, que faz parte do Board of Governors do Fed e, portanto, também integra o Fomc. Cook poderia permanecer no Fed até 2038, mas Trump alegou fraude hipotecária como a “justa causa” que permitiria o encerramento prematuro do seu mandato. Ainda não há nem mesmo processo judicial a respeito dessa acusação, e Cook prometeu brigar na Justiça pelo seu posto. Mas, ainda que de fato ela tenha cometido irregularidades ou mesmo crimes que justificam sua remoção, isso não justificaria toda a pressão que Trump tem colocado sobre o Fomc e, especialmente, sobre Powell.

Qualquer presidente, de Lula a Trump, tem o direito de acreditar que os juros praticados em seus países deveriam ser mais baixos que os atuais. Mas usar seu poder para pressionar a autoridade monetária é, como afirmamos, uma ingerência altamente deletéria, colocando critérios políticos acima de decisões que deveriam ser técnicas. A ofensiva de Trump contra o Fed em nada difere dos ataques lulistas ao BC e a Campos Neto; quem repudia esta também há de rejeitar aquela.

PENINHA - DICA MUSICAL