DEU NO JORNAL

O ASSESSOR DO GALÊGO

Jason Miller, hoje um dos mais influentes assessores de Trump, em 2021 foi detido pela PF e interrogado por três horas.

Ele não esquece.

Diz que Moraes é “ameaça à democracia” em todo o Ocidente.

* * *

Em “todo Ocidente”???

Danô-se!!!!

Elevou às culminâncias.

Que exagero maldoso do assessor trumpeiro…

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

POEMAS DE MANOEL BENTEVI

Manoel Bentevi, Palmares-PE (1911-1999)

Se eu chegar no Recife aperreado
Eu acabo com todas as fortalezas
Vou no Palácio do Campo das Princesas
Paro todo movimento do Estado
Na Assembleia não deixo um deputado
Na zona não fica uma mulher
Acabo as forças armadas que houver
Tranco banco, instituto, inspetoria
Fecho hospitais, detenções, secretarias
Só funciona o Recife se eu quiser.

Prendo guarda civil, cabo, soldado,
Comandante, Chefe do Estado-Maior
Prendo tenente, capitão, prendo major
Paro todo movimento do Estado.
Prendo telégrafo, imprensa, consulado
Emissora não deixo uma sequer,
Prendo a Lloyd, a Costeira e a Panair
Paro o trânsito, não passa mais ninguém
Da estação central não sai um trem
Só funciona o Recife se eu quiser.

Mas isso foi um sonho muito pesado
Que eu sonhei certa vez quando dormia
Um povo no ouvido me dizia
Paro todo movimento do Estado.
Acordei tristemente atribulado
Vi que era uma coisa sem mister
Não encontrei uma pessoa sequer
Que me dissesse o que tinha acontecido
E uma voz me dizendo no ouvido
Só funciona o Recife se eu quiser!

* * *

Da bobina para o distribuidor
Há um cabo que passa uma centelha clara.
Meto o pé no arranco, ele dispara.
Toda vez que acelero meu motor,
O combustível entra no carburador,
A entrada de ar transforma o gás,
Com a compressão que ele faz,
Forma o jato, o êmbolo vai subindo
Vai queimar na cabeça do cilindo,
A fumaça da gasolina sai por trás.

* * *

Na vida ninguém confia
Em nada sem ter certeza
São obras da natureza
Tudo que a terra cria:
Gente, ave, bicharia,
Tudo começou assim.
O homem é quem é ruim
Nada bom ele planeja
Por muito forte que ele seja
A morte pega e dá fim.

* * *

Naquele tempo odiento e obscuro
Em que a ciência era tragada em um vaso
Todo o mundo imerso no atraso
Eu olhei na janela do futuro:
O panorama da vida é muito duro
E o destino do homem vem traçado.
Eu, pra ver se obtinha resultado,
Do além e de coisas mais incríveis,
Penetrei no setor dos invisíveis,
Vi o mundo sorrir do outro lado.

* * *

Minha carne só é nervo e cabelouro
O espinho de juá bate e não fura
Minha saliva salva qualquer mordidura
Se a jibóia morder por desaforo
Tiro o veneno da bicha faço soro
E dou vida a qualquer um ser vivente.
Seja qual for a qualidade da serpente
Estando mesmo quieta ou assanhada
Por acaso ela me dando uma picada
É capaz de ficar sem nenhum dente…

DEU NO X

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

CONVERSAS DE ½ MINUTO (44) ‒ ADVOGADOS (I de II)

Agosto é o mês dos advogados. Por conta disso, seguem duas colunas em sequência, só com nós. Em livro que estou escrevendo (título da coluna).

ADMALDO MATOS, advogado e secretário da Fazenda de Pernambuco. Com caso para decidir, no tempo da Redentora, pediu parecer ao procurador João Pinheiro Lins e este

‒ O que deseja?

‒ Apenas diga o que deve ser feito.

E João, balançando os dedos no seu rosto,

‒ Está pensando o quê? Eu não estou aqui para cumprir nenhuma lei, seu doutor, meu papel é só dar fundamento jurídico às arbitrariedades da administração.

ARAMIS TRINDADE, advogado. Mostrou jornal com aqueles anúncios, depois que um parente falece, “A família agradece, ao dr… (nome), o esforço e a dedicação na morte de nosso parente”. E nos contou sonho que tinha sempre, depois que um cliente seu era condenado (a por exemplo 30 anos de prisão), o de ver

‒ A família agradece, ao dr. Aramis, o esforço e a dedicação que teve na condenação de nosso parente.

EVANDRO LINS E SILVA, penalista. Fomos nomeados em procuração, por ABI e OAB, para requerer o impeachment do presidente Collor. E de sexta a domingo, durante meses, nos reunimos na OAB Federal para redigir. O Ministro Evandro, responsável na petição pelos temas de Direito Penal, começou a ler discurso que preparou para a sessão do Senado

– As relações entre Collor e P C Farias são espúrias, um conúbio, um contubérnio.

Silêncio na sala, ficou olhando e nós dois parados. Fábio Konder Comparato, responsável pelo Direito Constitucional, se vira para mim

– Fale, por favor.

E eu, que redigi o resto, argumentei

– Melhor você, que é sobrinho dele.

Evandro parou de ler, indignado,

– Estão achando ruim?

– Não é isso, Ministro. Mas vai ter que escolher entre conúbio (casamento) e contubérnio (concubinato). Os dois, juntos, não pode.

– Mas a frase está pedindo esse reforço (repetiu, gesticulando, como se estivesse num júri). Acho que vocês nunca serão verdadeiros advogados que, para isso, precisam sentir gosto de sangue na boca.

Depois, mais calmo, riscou o conúbio. Collor acabou cassado. E vem, à memória, o último parágrafo de nossas Alegações Finais

– No meio deste processo que abalou a Nação foi descoberto, no sótão obscuro da vida privada do denunciado, seu verdadeiro retrato. Era Dorian Gray. A personalidade do jovem esbelto e formoso, de olhar altivo e gestos imponentes, apareceu na tela, pintada no seu lado moral, a horrenda figura da corrupção, do vício e da fraude. Todos puderam ver que a personagem pública era uma burla e o retrato escondido, a realidade.

FERNANDO LYRA, ministro da Justiça. Na Faculdade de Direito de Caruaru (ASCES) não tinha fama de ser aluno aplicado, talvez o contrário fosse uma definição mais realista. Deixou de comparecer à prova escrita de Direito Penal, dado não querer passar vergonha, e tirou 0 (zero). Precisava de 10 (dez), na dissertação final, para ter média 5 (cinco) e passar de ano. Ele próprio me contou essa história. Como o professor iria viajar deixou, com um bedel, instruções para a tal prova. Fernando se aproveitou da fragilidade econômica do pobre homem e conseguiu saber, antes, o tema da dissertação. Seria O Estupro. Comprou todos os livros sobre a matéria na praça e, durante um mês, estudou como nunca fez na vida. Escreveu 25 páginas, em vez das uma ou duas dos outros alunos. Confiando no 10 (dez) que precisava. E tirou 1 (um). Procurou o professor para pedir revisão da prova

– O senhor tem alguma explicação para me dar essa nota?

– Tenho, Fernando.

– Qual?

– É que não dou 0 (zero) a nenhum aluno que vem à sala de aula. O rapaz acorda, toma um ônibus, senta, escreve, como é que vou dar 0 (zero)? Essa é a nota dos que não aparecem. Para quem estava na sala, nota mínima é 1 (um).

– O doutor leu minhas 25 páginas?

– Não li nenhuma, Fernando.

– E me deu 1 (um)?

– Dei.

– Como?

– Não li a redação, só seu título. Pode ver, aqui está, O ESTRUPO. Se você fosse professor, leria o resto?

– Não senhor.

– E que nota daria?

– A que deu é mais do que merecida.

– Estamos conversados?

– Sim, professor. Muito obrigado.

Ano seguinte, estudou e acabou passando. A lição foi bem aprendida.

* * *

Na Câmara dos Deputados, começou discurso dizendo

– Falo como advogado.

Seu colega José Mendonça, de Belo Jardim, aparteou

– Diga isso com menos pompa, Fernando. Que, nas provas, você filava de mim que sou analfabeto.

Saudades do amigo querido.

RAYMUNDO FAORO, presidente da OAB Federal. Com ele, no seu escritório de advocacia (Rio), quem o sucedeu na OAB (com seu apoio) ‒ Eduardo Seabra Fagundes, filho do grande Miguel. Pouco antes uma carta, endereçada a Eduardo, foi por engano aberta por sua secretária, dona Lydia Monteiro da Silva, morta na explosão de bomba que havia dentro dela. Preocupado com a segurança da família, informou ter vendido todo seu patrimônio. Inclusive uma ilha que adorava, em Búzios. Até a casa em que morava, na Barra, pertencente antes ao ator global Francisco Cuoco. E depositou o apurado na Suíça. Se a violência aumentasse, confessou, iria morar fora. Faoro fechou a cara

‒ Achou ruim?, Faoro.

‒ Achei péssimo, Eduardo; que, por conta do cargo que ocupa, você é símbolo dos advogados brasileiros. Vai parecer que todos nós estamos acovardados.

‒ Você só diz isso, Faoro, porque não tem o que eu tenho, que é dinheiro.

‒ Não, Eduardo, eu é que tenho o que você não tem, que é culhão.

Não no sentido neutro da expressão, che povero coglione che sei (que pobre culhão me saísse); mas como sinônimo de bravura, avoir des couilles au cul (ter colhões no cu). Fim da relação. Faoro nunca mais lhe dirigiu a palavra. Inúteis os esforços dos amigos comuns que, várias vezes, fomos a seu escritório para tentar fazer as pazes entre os dois.

GIBRALDO MOURA COELHO, penalista. Na Ditadura, Nilo Coelho foi nomeado governador de Pernambuco. E, para fazer graça, ficávamos dizendo ao velho comunista

– Agora você vai se apresentar, dando ênfase no sobrenome, como Gibraldo Coelho (assim era conhecido). Só para ter vantagens, nas delegacias, por pensarem que é parente do governador.

– Parem com isso, por favor, todos sabem que sempre fui oposição.

– Nada, Gibraldo, você quer mesmo é faturar.

E foi tanta brincadeira que tomou uma decisão drástica. Trocou de nome. Passando a ser, para todos os fins, Gibraldo Moura. Na placa do escritório, nos papéis, no catálogo telefônico, nos cartões de visita. Só não contava é que o governador nomeado pelos militares, para substituir Nilo Coelho, fosse José… Moura. Como ele, agora, Gibraldo Moura. E não perdi a oportunidade

– Bicho inteligente, virou Moura só para se aproveitar do sobrenome.

– Aqui pra nós, amigo, ele não foi justo.

– Ele quem?, Gibraldo.

– Deus, Zé Paulo. Deus.

JOSÉ ROBERTO CASTRO NEVES, advogado, da ABL. Tímido e encantado com Bel, uma colega na Faculdade de Direito, não sabia como se aproximar para dizer de seu afeto (até então) secreto. E decidiu mandar para ela carta, endereçada à “Neta de Isabel”, que começava assim

‒ Quando conheci sua avó, eu me apaixonei perdidamente por ela.

Sem assinar. Aumentando o mistério. Resultado? Deu tão certo que casaram e foram felizes para sempre.

DEU NO JORNAL

RESUMO

A gestão despreparada do governo Lula faz o Banco do Brasil enfrentar uma de suas piores crises de sempre.

E se Lula o obrigar a descumprir a lei Magnitsky, pode até ser o fim de sua incrível história de 216 anos.

* * *

A expressão “gestão despreparada”, contida nessa nossa aí de cima, diz tudo.

Não é preciso dizer mais nada.

Resumo perfeito.

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

DEPOIS QUE O TÁ RUIM CHEGOU NUNCA MAIS MELHOROU

Minha primeira paixão musical foi por Chico Buarque de Holanda e os seus fiéis escudeiros, os rapazes que formavam o quarteto MPB4 (1964), até hoje, na minha humilde opinião, o melhor vocal masculino do Brasil.

Em 1973, fomos, eu e Eros, assistir a um show de Chico Buarque em Recife, no Teatro Santa Isabel. Viajamos na sexta à noite, de ônibus-leite, e o show seria no sábado. Compramos as entradas no câmbio negro, pois a lotação estava esgotada. Ficamos hospedados no Hotel Nassau, e essa viagem para mim e Eros foi inesquecível. Éramos recém- casados. Foi o sonho das mil e uma noites!!! A partir de então, nos tornamos fãs de Chico Buarque e do MPB4.

A formação do grupo MPB4 ocorreu em meados de 1964, quando Aquiles, Magro, Ruy e Miltinho integravam o Centro Popular de Cultura, afiliado à União Nacional dos Estudantes – UNE. Magro e Miltinho eram estudantes do 3.º ano de Engenharia da Universidade Federal Fluminense – UFF. Ambos tinham formação musical iniciada desde criança. Miltinho aprendeu violão na adolescência, com o instrumentista, Jodacil Damasceno, e Magro havia participado da Sociedade Musical Patápio Silva, além de ter aprendido teoria musical com Eumir Deodato e Isaac Karabtchevsky.

Ruy tinha acabado de se graduar em Direito pela mesma universidade e era escriturário da antiga agência do Instituto de Assistência e Previdência Social – IAPS. Ao mesmo tempo, trabalhava na noite carioca em dois grupos vocais e tinha sido “crooner” em Santo Antônio de Pádua, Rio de Janeiro.

Aquiles era estudante secundarista e participava do coral de uma escola estadual de Niterói. De família católica, aos 17 anos, resolveu seguir carreira musical com os outros três integrantes.

Cada um dos integrantes tem um gosto musical diferenciado, embora eles tenham sido influenciados pelo grupo vocal, Os Cariocas. Miltinho, desde a adolescência, curtia música americana e Bossa-nova com os grupos Os Cariocas e Tamba Trio. Aquiles, ao mesmo tempo que tinha preferência pelo Trio Irakitan, era fã de Elvis Presley.

Em 1965, os quatro rapazes do MPB4 resolveram ser músicos profissionais e viajaram para São Paulo. Já tinham gravado o compacto simples “Samba Bem”, em 1964, pelo selo Elenco. No início, os componentes do MPB4 passaram por dificuldades, pois já haviam trilhado carreiras promissoras na época e seus familiares lamentaram a decisão tomada, embora não tenham enfrentado tamanhas resistências. Além disso, Aquiles era menor de idade e seu pai desejava emancipá-lo. Entretanto, tal procedimento era demorado e Ruy Faria tornou-se seu tutor. A passagem da adolescência para a vida adulta foi abrupta para Aquiles, segundo o relato de Ruy Faria, pois foi comparada à troca da Coca-Cola por cerveja.

Chegando em São Paulo, entraram em contato com artistas recém-lançados na época, como Chico Buarque.

A parceria com Chico Buarque se iniciou nessa viagem e durou aproximadamente dez anos. Durante esse período, o MPB4 firmou sua musicalidade e acompanhava Chico Buarque em suas apresentações, como um verdadeiro escudeiro musical, com boas interpretações das composições de Chico, que chegou a ser considerado o “quinto integrante de um quarteto”. Um dos maiores destaques nessa década são as músicas “Quem te viu, quem te vê” e “Roda Viva”, ambas de 1967. Além disso, ganharam espaço também nos famosos festivais de música, produzidos pela Rede Record.

MPB4, anos 1960. Arquivo Nacional

Em 1966, foi lançado o primeiro LP do grupo, com o título “MPB4”. O destaque foi para as músicas “Lamento” e “Teresa Tristeza”. Em 1967, foi lançado outro trabalho, com as músicas “Quem te viu, quem te vê”, “Brincadeira de Angola”, “Cordão da Saideira” e “Gabriela”, que ficou em 6º lugar no III Festival da Música Popular da Rede Record.

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CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

QUEM É ESSA MULHER?

Desculpem amigos leitores. Escrevi esta crônica quando Vânia completou 70 anos, em 22 agosto de 2018. Prometi a mim, reeditá-la todos os anos, pelo resto da vida até ancorar no porto final; não está tão longe.

Quem é essa mulher que me acorda às seis horas da manhã e me beija com a boca de hortelã? Diz que é para me cuidar e me leva para nadar. Quem é essa mulher que todo dia ela faz tudo sempre igual? Depois do café da manhã sai com suas pastas embaixo do braço direto ao escritório e divide com o genro e a filha o trabalho de clientes em busca de seus direitos. Quem é essa professora que aos 40 anos resolveu enfrentar um vestibular de Direito, formou-se e montou um escritório de advocacia? Quem é essa advogada que passou quase dois anos sem folga, sem sábado e domingo, estudou e passou no concurso de Promotor de Justiça? Quem é essa promotora que deixava sua casa, seu marido e filhos durante a semana para assegurar a Justiça no interior do Estado? Quem é essa mulher que poderia estar desfrutando de uma aposentadoria merecida, porém, reabriu o escritório e trabalha todos os dias? Quem é essa mulher atarefada que arranja tempo para dedicar-se aos filhos crescidos? Quem é essa mulher que trabalha com amor e alegria e possui uma felicidade intrínseca e encantadora? Quem é essa mulher que percebeu dois pequenos coqueiros morrendo na praia, comprou dois pés de coqueiros, ela mesma reimplantou e os coqueiros cresceram viçosos sob sua vigilância? Quem é essa mulher que quando enxerga um lixo acumulado no meio da rua, telefona à Prefeitura para que venham limpar sua cidade. Quem é essa mulher que quando percebe o esgotamento sanitário vazando com a água em dejetos aciona a companhia para que possa consertar o bueiro fétido? Quem é essa mulher que cuidou do pai moribundo com amor e carinho, trouxe-o para sua casa, fez o que pode e o que não pode até o final de seus dias? Quem é essa mulher que leva comida a um cão abandonado no quintal de uma casa e nos dias de sábado dá banho e conforto ao pobre animal? Quem é essa mulher forte que não se deixa pisar? Quem é essa mulher que gosta de bons livros, de bons filmes, teatro, música, show e da cultura popular? Quem é essa sertaneja de Major Isidoro que ama o linguajar matuto de seu povo, das danças, dos coloridos folguedos e folclores? Quem é essa mulher animada que faz o passo atrás de um bloco de frevo nos dias de carnaval? Quem é essa mulher que gosta de viajar perambulando pelo mundo, Cartagena, Praga, Berlim, Nova York, Paraty, Lisboa, ou a amada Penedo? Quem é essa mulher brasileira, cidadã da pátria amada, idolatrada, salve, salve? Quem é essa mulher que nunca deixou de ser professora, ensina aos netos, dá palestras nas Igrejas e nas Festas Literárias do Brasil afora? Quem é essa mulher que move montanhas defendendo seus direitos, como uma loba defende seus filhotes? Quem é essa alegre mulher que ama as colegas de colégio e infância, conserva o carinho de suas amigas em encontros e almoços, aproveitando a fase madura da vida.

Quem é essa mulher que desde menina, gostou dos livros, dos estudos, que teve uma juventude feliz em sua Maceió e até New Jersey? Quem é essa menina que um dia encontrei em flor de seus 15 anos num acampamento de Bandeirantes, e eu tenente, cantei pra ela uma premonição: “Ôh Galeguinha você é tão bonitinha… engraçadinha… vou me casar com você”. Anos depois entramos na Catedral Metropolitana trocando alianças. Essa mulher hoje completa 77 anos e o tempo não desfez sua beleza, continua tão bonita quanto a adolescente galeguinha bandeirante que encontrei um dia, acampada na praia do Pontal.

Sou um ser privilegiado, a única pessoa no mundo a conhecer profundamente a gentileza, a bondade, a perseverança, a força dessa mulher divina, que toda noite me jura eterno amor, não me deixa dizer não, e me beija como dois velhinhos. Essa é minha mulher, minha amada, amante, timoneira do barco de nossas vidas; mas, nem tudo foi um mar de rosa. Vânia aprendeu a remar com o tombo do navio, com o balanço do mar. Navegar foi preciso. Essa mulher segurou forte o leme nos maremotos. Hoje navegamos em calmaria, o barco está chegando, enxergando, ao longe, outros mares, um porto final além do horizonte.

PENINHA - DICA MUSICAL