Pode ser inócua e custar caro ao Brasil a decisão do governo Lula (PT) de autorizar o descumprimento da Lei Global Magnitisky, que enquadrou Alexandre de Moraes. Bancos ou empresas que o fizerem devem ser expostas a multas bilionárias e exclusão do mercado financeiro internacional, do qual os bancões dependem.
E nem adianta dizer que não é decisão de governo, como lembrou um governador de sólida formação jurídica: quem ajuizou a ação foi o líder do governo na Câmara e a decidiu Flávio Dino, ministro umbilicalmente ligado a Lula.
O banco BNP Paribas ignorou a Magnitsky e foi multado em R$ 48,4 bilhões por transações com ditaduras, e teve de demitir 13 diretores.
O governador acha a decisão do governo Lula “irresponsável” por “colocar em risco todos os brasileiros e todas as nossas instituições.”
Como sabem das punições por descumprimento da Lei Magnitsky, presidentes do Bradesco e Itaú já deixaram claro que a irão cumprir.
Mesmo “autorizados” a descumprirem a Magnitsky, bancos não podem sem obrigados a manter cliente, nem mesmo sendo ministro do STF.
* * *
Mais uma do bando luloso.
Estão superando a média diária de cagadas.
Vale repetir a avaliação do governador citado na nota aí de cima:
a decisão do governo Lula “irresponsável” por “colocar em risco todos os brasileiros e todas as nossas instituições.”
Constantino, ao comentar a invasão da Ucrânia pela Rússia, segue a linha de vários comentaristas de geopolítica do Brasil e do exterior: trata do assunto sem mencionar que a Ucrânia é um país invadido, que sofre diariamente bombardeios sobre áreas civis.
Assim, falam dos Estados Unidos, falam da Rússia, falam da Europa, mas silenciam completamente sobre o fato de que a Ucrânia se separou da União Soviética em 1991. Em 2014, a Rússia tomou a Crimeia e parte dos oblasts de Lugansk e Donetsk. A linha de frente da invasão foi congelada por meio do Protocolo de Minsk, em 2014, mas, em fevereiro de 2022, o exército Russo marchou sobre o território ucraniano novamente.
Hoje, cerca de 18% do território ucraniano é ocupado pela Rússia. A Ucrânia resiste, com as ajuda dos Estados Unidos e de países da Europa, e uma indústria de drones que vem mudando completamente os conceitos de uma guerra.
E o Constantino encerra seu texto dizendo que “se depender da Europa, essa guerra se estenderá ‘para sempre’”?
Ora, quem tem o poder de encerrar essa guerra imediatamente é Putin! Bastava retirar suas tropas do território ucraniano e a guerra terminaria. Mas meteu a Rússia nessa guerra insana, dizendo que seria uma “operação militar especial” que duraria três dias, e agora está ceifando milhares de vidas, a maior parte delas do próprio povo russo, além de destruir a economia dos dois países.
Para não esquecermos os números absurdos dessa guerra, lembremos que em dez anos de guerra contra o Afeganistão (1979-1989), morreram cerca de 15.000 soldados soviéticos. Em menos de quatro anos da guerra contra a Ucrânia, fala-se na morte de algo em torno de 250.000 russos e 100.000 ucranianos.
Essa guerra precisa realmente acabar. Mas sem premiar o ditador russo, cedendo-lhe territórios invadidos.
Decreto de Lula estabeleceu a Política Nacional Integrada da Primeira Infância (PNIPI) não faz referência aos nascituros
Como é abundante a hipocrisia nesse caso que foi reaberto pelo influenciador digital Felca, repetindo denúncias já feitas anos atrás pela Damares Alves, pela Antônia Fontenelle, e ninguém deu bola porque disseram que era coisa de evangélico, coisa da direita, coisa de fascista. Os mesmos que não deram bola para aquele filme Som da Liberdade, que trata exatamente desse assunto, do abuso sexual, da pedofilia. A esquerda brasileira diz que está defendendo as crianças e que para isso é preciso censurar as redes sociais. Não precisa; tanto que não houve censura e a Polícia Federal descobriu esse tal Hytalo Santos.
Digo tudo isso para contar que se descobriu – porque o governo divulgou com muito cuidado – um decreto de Lula anulando um decreto de Jair Bolsonaro contra o aborto. O texto anterior foi anulado pelo novo, de Lula, sob a égide da proteção à infância. A oposição afirma que isso abrirá frestas para permitir o aborto, que é o sonho da esquerda. O Código Civil, no artigo 2.º, diz que a pessoa adquire personalidade jurídica – isto é, tem nome – a partir do nascimento. Mas, ao mesmo tempo em que a personalidade civil começa no nascimento, “a lei põe a salvo, desde a concepção [ou seja, o momento em que o espermatozoide entrou no óvulo], os direitos do nascituro”. Quais são esses direitos? Olhem a Constituição: o artigo 5.º protege o direito à vida.
* * *
Violência se combate com educação, mas os demagogos não querem educar o povo
Três mulheres perderam a vida em Ilhéus (BA). Estavam passeando na praia com o cachorro, só o cachorro sobreviveu. Sofreram um ataque a faca e os corpos foram encontrados. Eram duas professoras municipais, de mais de 40 anos, e a filha de uma delas, de 20. Todas agredidas a faca. Fazem tanta campanha contra armas de fogo, mas eu olho as estatísticas de homicídios e vejo que 70% das mulheres assassinadas foram mortas à faca. Será que vão fazer uma campanha de registro de faca, ou de porte de faca? Eu ironizo porque há pessoas que fingem não saber que a origem da violência não é a arma. A arma, que serve para matar, serve também para defender a vida e a propriedade. A arma é inerte. A origem da violência está nos cérebros que armam as mãos. Então, é preciso desarmar os cérebros, e isso se faz com educação.
Mas os demagogos não querem saber de ensino e educação. Os demagogos se gabam, como Lula quando provocou Trump mais uma vez, de que nós somos o país do samba, do futebol e do carnaval. E isso basta para que as pessoas não pensem nas coisas mais importantes da vida, que são o bem-estar, a liberdade, a garantia disso tudo para os filhos e netos. Só o conhecimento dá isso, mas o conhecimento também ensina a pessoa a ser eleitora e votar nas pessoas certas. Esse tem sido o mal do nosso país em geral: o voto errado.
* * *
Economia desacelera com preferência por Bolsa Família em vez de trabalho duro
O governo lamenta que o PIB está desacelerando, inclusive porque falta mão de obra. Onde existe necessidade de mão de obra intensa, a pessoa prefere ficar em casa, não fazer nada, e ganhar o Bolsa Família. Milhões de pessoas estão assim. Alguns precisariam menos, outros se viciaram nisso, como lembra Luiz Gonzaga, que deu música àqueles versos de Zé Dantas: a esmola envergonha e vicia o cidadão.
* * *
STF acha que influenciadores de esquerda vão reverter impopularidade da corte
O presidente do STF esteve em Cuiabá e, durante um discurso, disse que não vai se aposentar, que não sairá do Supremo depois que entregar a presidência para Edson Fachin em setembro, que ele está gostando muito e vai ficar por lá. Luís Roberto Barroso ainda pode ficar mais oito anos. Enquanto isso, vemos a foto de quase 30 influenciadores de esquerda que foram ao Supremo mostrar apoio a Alexandre de Moraes e combinar campanhas de propaganda, para dizer que o Supremo está cumprindo a Constituição. Eu fico curioso para saber se as passagens e hospedagens foram pagas pelos visitantes ou por nós.
Poster: o caráter alegórico e revolucionário de Matar ou Morrer
Realizado num período de neurose e perseguição política nos Estados Unidos (o macarthismo) e escrito por Carl Foreman, um dos nomes da lista negra do senador Joseph McCarthy, “Matar ou Morrer”, tem no diretor Fred Zinnemann seu primeiro desafio, tornando o primeiro ponto notável dos bastidores desta obra-prima, que foi concebido como uma resposta simbólica ao “caça às bruxas” e à cisão que então se estabelecia em Hollywood.
Na pacata cidade de Hadleyville, no Novo México, quando o Xerife Will Kane, interpretado magistralmente pelo ator Gary Cooper, está prestes a se casar com a protestante, a jovem e belíssima Grace Kelly, recebe a notícia de que Frank Miller, interpretado pelo ator Ian MacDonald) – o psicopata que Kane havia prendido anos atrás – foi solto da prisão e estava preste a chegar no trem do meio-dia à cidade para a desforra.
Enquanto os três mais odiosos cúmplices de Miller esperam na estação, o Xerife tenta conseguir ajuda. Os habitantes da cidade se recusam a arriscar suas vidas por medo de vingança. Vários relógios revelam que o meio-dia está se aproximando. “Matar ou Morrer” se passa em tempo real, com a hora fatal se aproximando enquanto a música-tema, a balada “Do Not Forsake Me, Oh My Darling”, insiste em frisar os acontecimentos. Will Kane é deixado praticamente sozinho contra quatro vilões.
O assassino solto deve chegar a bordo do trem do meio-dia. Frente aos sentimentos conflitantes da população, ao desamparo por parte de seus antigos colaboradores e, especialmente, às súplicas de sua esposa, o Xerife enfrenta um dilema praticamente sem solução.
Esse é o pano de fundo que Fred Zinnemann utiliza para desenhar um painel do fim anunciado da época das conquistas. Os personagens são protagonistas inconscientes de seu próprio papel. Will Kane representa o desbravador, o precursor, o próprio espírito da colonização. Não por acaso ele está velho e prestes a se aposentar. Seu adversário, Frank Miller, não é um dos tradicionais vilões do velho oeste, cujo único fim era a morte, em combate ou na forca. Ele foi preso, julgado, sentenciado a passar a vida na cadeia, mas foi libertado.
Não se sabe por que ele foi solto, nem o filme se presta a dar um motivo concreto. Só se sabe que, em algum lugar longe dali, uma espécie diferente de justiça se fez, e essa justiça colocou em liberdade um homem cuja primeira atitude é juntar-se aos seus capangas e buscar vingança. É nos personagens secundários, habitantes da cidade, entretanto, que se encontra a parte mais interessante da metáfora elaborada aqui.
Observando com atenção, percebe-se que neles a coragem foi substituída por precaução e o espírito aventureiro deu lugar ao desejo de estabilidade. Por mais que se envergonhem disso, os homens do povoado não reúnem em si a força para ajudar o xerife, entregando-o ao que todos consideram sua morte certa – ou seu suicídio, como descrevem alguns, o que seria uma forma de eximir-se da culpa por manter os braços cruzados. Um dos moradores chega a dizer: “Nós pagamos um bom salário ao Xerife e seu ajudante. Eles que resolvam”. A função do novo cidadão urbano seria, portanto, a de pagar seus impostos e esperar que os problemas desapareçam. Nada mais de iniciativa, nada de participação direta. Eles que resolvam.
A ganância também aparece aqui modificada pela nova ordem. Não são mais terras ou gado que interessam, os desejos da população da cidade são mais, digamos, atuais. O hoteleiro diz não gostar do Xerife, pois antes da chegada da lei e da ordem havia mais movimento em seu hotel. Eis uma crítica ao capitalismo selvagem, ao qual não importa que todos se matem, contanto que isso traga lucros. Já o assistente do Xerife recusa-se a ajudá-lo por não ter sido indicado para substituí-lo, um novo Xerife chegaria à cidade no dia seguinte.
Nesse caso a cobiça é pelo cargo, e aqui, melhor do que em qualquer outro ponto, percebe-se que os tempos não são mais de força e coragem, mas de política e barganha. Eis que, como resultado de tudo isso, Will Kane é abandonado. Para que não se diga que os aspectos artísticos da obra não foram citados, vale lembrar que tanto a trilha sonora quanto a música tema cabem perfeitamente no filme, colaborando bastante para criar a atmosfera de conflito interno do protagonista.
Gary Cooper oferece uma atuação na medida certa, sem exageros, mas que passa ao espectador a angústia de encontrar-se na situação em que se encontra. Há ainda algo de revigorante no papel da mulher em “Matar ou Morrer.” Também aqui se poderia dizer que o filme é precursor, mas seria difícil fazê-lo sem explicitar demasiadamente a conclusão da história. O mais importante é que a cena final representa o ocaso de uma era.
É verdade que a colonização não termina com o desfecho do personagem de Gary Cooper. Seu fim, porém, havia sido anunciado. O tempo de coragem, da marcha ao desconhecido, da vida e da morte pela força e pelas armas estava agonizando. A aventura do velho oeste chegava ao fim.
Não é a toa que “Matar ou Morrer” é considerado o segundo melhor western de todos os tempos pelo American Film Institute. Um filme inteligente, angustiante e que merece ser assistido por várias vezes. É simplesmente fantástico pelo seu caráter alegórico e revolucionário.
Esse foi um filme muito polêmico quando lançado nos States, principalmente por motivos políticos. O roteirista foi acusado pelos artistas e esquerdistas de ter incluído no roteiro passagens antidemocráticas, antiamericanas. Inclusive esse filme foi muito criticado por ninguém nada menos que o famoso cowboy John Wayne, que afirmava que o filme era antiamericano e não era um filme western e sim uma agressão à democracia estadunidense.
Causou tanta polêmica que foi até citado pelo presidente Ronald Reagan durante um dos seus pronunciamentos transmitidos pela TV. Mas apesar de toda controvérsia o filme foi um grande sucesso de crítica e de público, chegando a conquistar quatro oscars.
O filme é considerado um clássico do cinema, pois inova na abordagem do conflito em um plano mais psicológico e pela carga de suspense nele contido.
A fotografia é primorosa, de uma qualidade surpreendente, em glorioso preto e branco, ganhadora do prêmio Oscar de melhor fotografia do ano.
O elenco é surpreendente. O papel principal foi antes oferecido aos atores Marlon Brando e Montgomery Clift que recusaram participar do filme por vários motivos, sendo o principal dele o recebimento de uma quantia muito irrisória para atuarem em papéis muito importantes, pois a quantia posta à disposição pela produção foram meros setecentos mil dólares, uma quantia irrisória para um filme com grande elenco, mesmo para os tempos antigos, (1952).
Há de se notar que durante todo o filme, aparecem diversos relógios, todos marcando os minutos antecedentes ao meio dia. O filme é todo feito no horário real e essas cenas com os relógios têm grande impacto visual e bastante suspense, pois cada minuto antes do meio dia é de muita angústia para o personagem principal, o Xerife Cooper, pois todos os habitantes da cidade negam-se covardemente a ajudá-lo a combater com os bandidos vingadores, que vão chegar no trem das doze horas em ponto, com a intenção de matá-lo. Cada relógio em si se torna um dos personagens como testemunhas coadjuvantes do filme em questão.
Após o duelo final, o Xerife é elogiado pelos moradores da cidade que pedem para ele permanecer na cidade como defensor da lei. Nessa hora, o xerife faz uma cara de nojo e joga ao chão a estrela de xerife, num gesto de desprezo pela covardia dos habitantes que se recusaram a ajudá-lo a enfrentar os bandidos.
Esta cena, na época do lançamento do filme, foi muito criticada pelo ator John Wayne, que achou uma ofensa aos defensores da lei, que um xerife jogasse ao chão uma estrela que representava uma autoridade e ele achava também que com a cena ele estava jogando ao chão a estrela americana da democracia. Tudo picuinha política, isso porque o roteirista (Carl Foreman) tinha sido em prisca época membro do partido comunista americano. O macarthismo estava presente em toda esquina estadunidense. Era a época da caça às bruxas.
Nesse caso, ninguém contestou o gesto do Xerife, o que comprova que a política deturpa tudo e John Wayne sempre foi um “cowboy” político.
O resultado final do filme é primoroso, um grande diretor Fred Zinemann, um grande ator Gary Cooper, que já tinha sido previamente ganhador de um Oscar, a atriz novata Grace Kelly e um elenco de apoio com celebridades, todas muito atuantes e muito experientes na atuação de filmes de faroeste, tais como: Thomas Mitchell, lloyd Bridges, Katy Jurado e Lee Van Cleef, é sem dúvida um dos melhores filme western de todos os tempos.
Um grande clássico, tão grande como “Shane” (1963), do competente diretor George Stevens, ou “Rastros de Ódio” de (1956), do lendário John Ford, que são as melhores referências no padrão de qualidade do western americano.
Definitivamente a ex-imprensa divorciou-se da moralidade profissional e rompeu relações com a honestidade intelectual.
De maneira deliberada, somou os 22 pontos do presidente Bolsonaro aos 17 de Eduardo Bolsonaro, mas desprezou a avaliação na mesma pesquisa do ministro alexandre de moraes, que foi de 15% e na maior cara dura não somou esse resultado aos 35% de lula da silva.
Moral da história.
Somados os resultados dos representantes da esquerda e da direita envolvidos na pesquisa, o resultado final foi Bolsonaro/Eduardo 39%. lula/moraes 50%.
A maioria da população debitou na conta de lula e moraes a responsabilidade pelo tarifaço de Trump.
LASCOU! Aliados de Trump consideram decisão de Dino sem efeito, citam a China como exemplo, e afirmam que a decisão do magistrado pode causar o isolamento econômico do Brasil. pic.twitter.com/zOYV8pXqga
O senador Rodrigo Paz foi o candidato mais votado no primeiro turno da eleição presidencial na Bolívia e disputará o segundo turno contra o direitista Jorge Quiroga
Depois de quase duas décadas ininterruptas de governos esquerdistas na Bolívia – com exceção do breve interregno de Jeanine Áñez, que governou por um ano após uma grave crise política –, a população do país andino decidiu dar um basta aos socialistas. Pela primeira vez desde 2009, quando a atual Constituição entrou em vigor, haverá um segundo turno, mas sem nenhum esquerdista: disputarão a presidência o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga, de direita, que recebeu quase 27% dos votos válidos; e o senador Rodrigo Paz Pereira, de centro-direita, o mais votado do primeiro turno, com pouco mais de 32% dos votos válidos. O novo presidente boliviano será conhecido em 19 de outubro.
O Movimento ao Socialismo (MAS) governou a Bolívia desde 2006, com a vitória de Evo Morales, reeleito em 2009, em 2014 e em 2019 – nestes dois últimos casos, graças a uma ajuda amiga do Tribunal Constitucional do país, já que a Constituição só permite que uma mesma pessoa governe o país por dois mandatos seguidos. Morales, no entanto, nem chegou a assumir o quarto mandato, renunciando após uma onda de fortes protestos populares motivados por denúncias de fraude no pleito de 2019. Foi nesta ocasião que a centrista Jeanine Áñez, então segunda vice-presidente do Senado, assumiu o poder em meio ao caos na linha sucessória. Ela convocou novas eleições para o ano seguinte, e o MAS saiu-se vencedor novamente, desta vez com Luís Arce, ex-ministro de Morales que, depois, romperia com seu padrinho político. Morales até tentou se candidatar novamente este ano, mas foi barrado e passou a pregar o voto nulo, que foi a escolha de 19% dos eleitores. No fim, o esquerdista mais votado foi Andrónico Rodríguez, com 8% dos votos válidos; o candidato do MAS, o ministro Eduardo del Castillo, amargou medíocres 3%.
Durante os governos socialistas, a Bolívia padeceu de um problema comum a nações latino-americanas ricas em recursos naturais governadas pela esquerda: a incapacidade crônica de aproveitar bons momentos para dar solidez à sua economia. Da Venezuela, miserável apesar de ter as maiores reservas de petróleo do mundo, nem se fala; o Brasil do “PIBão” de 15 anos atrás, movido pela alta demanda por commodities, acabou na recessão lulodilmista. Durante os governos de Morales, a Bolívia surfou na onda do gás natural, que substituiu o estanho como o item solitário do qual dependia a economia do país; o país de fato cresceu, e a pobreza e a desigualdade diminuíram, mas, quando a bonança acabou – em parte porque Brasil e Argentina acharam outras fontes do hidrocarboneto –, sobraram a dependência de um produto que já não tinha tanta demanda, déficits comerciais, fuga de dólares e inflação em alta. A crise é tamanha que Arce nem tentou a reeleição, delegando a Del Castillo a tarefa de tentar manter seu partido no poder.
Independentemente do vencedor do segundo turno, parece certo que a Bolívia deve se distanciar do apoio a ditadores latino-americanos, uma das marcas do MAS na condução da política externa boliviana – Arce, por exemplo, reconheceu Nicolás Maduro como governante da Venezuela, revertendo a postura de Jeanine Áñez, que reconhecera Juan Guaidó. Dentre os candidatos que avançaram na disputa, Quiroga é quem mais tem laços com as forças democráticas na Venezuela, na Nicarágua e em Cuba. O futuro das reservas de lítio bolivianas, as maiores do mundo e atualmente exploradas em parceria com Rússia e China, também deve estar em jogo.
O novo presidente terá o desafio de manter conquistas sociais dos governos anteriores enquanto reverte o altíssimo grau de estatização da economia boliviana promovido pelo MAS – recorde-se, por exemplo, a ocupação militar de instalações de exploração de gás natural ordenada por Morales em maio de 2006 (com a anuência de Lula, no caso de unidades da Petrobras). A “motosserra” de Javier Milei na Argentina vem dando bons resultados após o choque inicial, e foi invocada como inspiração pelos candidatos de direita bolivianos; há dúvidas se ela pode funcionar também na Bolívia, um país onde a elite empresarial está mais unida ao Estado. Por fim, resta saber se o resultado boliviano é isolado ou o indicativo de um movimento pendular para a direita na América do Sul, mas isso só será possível descobrir após os pleitos presidenciais chileno e brasileiro, em novembro deste ano e outubro do ano que vem.