Trump e Putin em encontro em Helsinque, na Finlândia, em julho de 2018
Nesta sexta-feira podemos ter uma notícia de paz. Donald Trump será o anfitrião de Vladimir Putin no estado americano do Alasca, que os Estados Unidos compraram da Rússia em 1867, por um pouco mais de US$ 7 milhões – bem mais caro que aquele apartamento lá em Key Biscaine, na Flórida, que teria sido comprado à vista por um ministro do Supremo… A grande expectativa é que Trump consiga de Putin uma paz na Ucrânia. Isso é muito importante, porque a guerra na Ucrânia é resultado de uma invasão russa, por causa de províncias ucranianas onde a população é de etnia e língua russas, até dinheiro russo circula por lá. Antes disso já houve problemas com a Crimeia, aquela é uma região complicada. Em Yalta, ali pertinho, ocorreu a grande conferência que ajudou no término da Segunda Guerra Mundial, reunindo Stalin, Roosevelt e Churchill.
Trump, que já conversou com Volodymyr Zelensky e já havia conversado várias vezes com Putin, conseguiu encerrar uma guerra de 30 anos entre Azerbaijão e Armênia, ex-repúblicas soviéticas. Existe até uma uma Via Trump da Paz e da Prosperidade por lá, em homenagem a esse feito, e os dois países encaminharão ao comitê do Prêmio Nobel a sugestão de dar o Nobel da Paz a Trump. Ele ainda falou em paz entre Paquistão e Índia, Camboja e Tailândia.
Só Lula é que insiste em brigar com Trump, com essas conversas de “jabuticaba”, “não vou me ajoelhar”, “vou dar um truco”… o mundo está achando muito estranha essa linguagem diplomática do chefe de governo e de Estado do Brasil. Trump voltou a se queixar da perseguição a Bolsonaro, e disse que o Brasil sempre cobrou muita taxa dos produtos norte-americanos. Lula já disse que Trump está mentindo, e a discussão está neste pé.
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Assassino de lixeiro em Minas já tinha passado de agressão
Vocês viram o caso do sujeito em Minas Gerais que matou um lixeiro, porque o caminhão do lixo estava atrapalhando a passagem dele. Ele ameaçou a motorista do caminhão do lixo já com uma arma na mão, uma pistola. De quem era a pistola? Da mulher dele, uma delegada de polícia. Então, ele estava com a arma da delegada de polícia, mulher dele, e se sentindo o poderoso. É um sujeito de 47 anos, que é uma montanha; percebe-se que ele está cheio, está bombado de academia. Os jornalistas o chamaram de “empresário”, mas não é empresário coisa nenhuma; empresários são Jorge Gerdau Johannpeter, Antônio Ermírio de Moraes. Ele é comerciante de bebidas. Nada contra; eu adoro os comerciantes de vinhos, por exemplo.
Já que o caminhão estava dificultando a passagem dele, o sujeito passou, mas deu um tiro no peito de um dos lixeiros, que tinha família, e o matou. Nesta quinta ocorreu mais uma audiência com ele e foi confirmada a prisão preventiva, porque ele tem um passado de agressão, segundo um registro policial de São Paulo. Ou seja, ele já é uma pessoa violenta. Certamente ele não tinha porte de arma, e a corregedoria está investigando a atitude da mulher, que já alegou que não sabia de nada, que ele pegou a arma sem ela saber dessas histórias.
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Avião russo já saiu do Brasil, mas mistério permanece
O avião russo que passou três dias no aeroporto de Brasília sem ninguém saber o que tinha dentro já saiu do Brasil. O Ilyushin 76, um gigante de quatro turbinas, veio da Rússia, passou pelo Azerbaijão, pela Guiné, pousou em Brasília, foi para Santa Cruz de la Sierra (na Bolívia), de lá para a capital da Colômbia, Bogotá, e para Caracas, na Venezuela. Deve estar indo para Cuba, ao que tudo indica. Esse avião não é da força aérea russa, é de uma empresa de transporte aéreo chamada Aviacon, sancionada pelo governo americano porque é uma transportadora de armas pra ditaduras. Na Anac, não tem nenhum registro de carga; seria uma passagem diplomática por aqui, e portanto isenta de inspeção. Isso nos lembra que, logo no início do terceiro governo Lula, duas belonaves iranianas sancionadas pelos americanos como terroristas ficaram misteriosamente no Rio de Janeiro, fundeadas lá, e depois saíram. São os mistérios encobertos pelos sigilos do governo Lula.
A música Downtown, interpretada por Petula Clark, foi lançada em novembro de 1964 e é uma das canções mais icônicas da década de 1960.
Tony Hatch escreveu Downtown após uma visita a Nova York, onde ficou impressionado com a energia vibrante da cidade, especialmente na região… pic.twitter.com/EoTVxDUZeY
Robert Oppenheimer gostava de ver, durante horas, barcos passando sem pressa no Rio Potomac (Virgínia Ocidental). Talvez porque lhe lembrassem todos nós, habitantes da terra, que como aquelas embarcações navegamos nas águas do tempo. Não só ele, como chefe; todos, no grupo do Projeto Manhattan, eram pessoas sensíveis.
Juntos, gostavam de ouvir música romântica, como a ópera em cinco atos Fausto, de Gounuod, a história de um homem triste que fez pacto com o Diabo. E de ver ballet como O Aprendiz de Feiticeiro, de Paul Dukas, a partir de um poema de Goethe em que se retrata os perigos de usar tecnologias poderosas, que assistiram nas vésperas de explodir Hiroshima.
Uma das bombas por eles feitas, de Urânio 235, acabou batizada como Little Boy (rapazinho). A outra, de Plutônio Processado, era Fat Man (homem gordo). Igual à que foi antes detonada, com êxito, em Los Alamos, deserto de Alamogordo (Novo México). E o próprio nome do projeto, Manhattan, foi escolhido em homenagem à enorme população de Nova York. Tudo para lembrar que o objetivo daquelas pessoas delicadas, amantes de poesia, música e ballet, era desintegrar seres humanos. Como os milhões que habitavam a ilha.
Não por acaso o barulho da explosão, se viu no teste realizado, tinha o som quase perfeito de uma gargalhada humana. Em meio a elétrons e nêutrons se despedaçando, um estranho riso que vinha do coração da terra e subia na direção do céu, como se procurasse Deus, misturado a fogo, chumbo, fumaça, morte, desalento e lágrimas.
Era uma preparação. Uma premonição. Um aviso. Pouco antes do caos, em 10 de março, 343 bombardeiros atacaram Tóquio usando bombas de Napalm. No chão, ficaram 83 mil corpos. Logo depois, em 15 de março, o imperador Hiroito decidiu se render. Militares, à frente o major Hatanaka, se recusaram a aceitar essa vergonha, assim consideravam. E tentaram dar um Golpe de Estado que lhes permitissem resistir. Sem sucesso. A confusão era generalizada. Mas ninguém ali tinha qualquer dúvida sobre o futuro sombrio que aguardava seu povo.
Fins de julho de 1945. A guerra estava decidida. Alemães, já rendidos. Japoneses tentavam, desesperadamente, apenas pedindo que seu imperador Hiroito fosse poupado. Não sabiam então é que outra guerra, por dentro daquela, já tinha começado. Uma guerra fria.
Stalin se preparava para invadir o Japão, o que para ele seria glória. Sinal de seu poder. Só que também afronta, sabiam todos, ao império americano. Sem contar que chegara o tempo da vingança contra aqueles que destruíram Peal Harbor e mataram 12 mil em Okinawa.
Só na semana que precedeu Hiroshima, como aperitivo, foram 100 mil corpos no chão de Tóquio. Com uso apenas de bombas tradicionais. Sabor doce de vísceras e sangue a serviço da democracia, já prenunciando que o pior estava por vir.
Ao Japão voou, primeiro, a de Urânio. Com incertezas sobre se iria funcionar. Mas, desse errado, e sobrava outra, de Plutônio, com tecnologia já testada.
Um avião B-29 da US Air Force foi adaptado para acomodar aquele gigante de aço atômico, com 15 toneladas. Em homenagem ao piloto que lançaria essa bomba, Paul Tibbets Jr., foi batizado como Enola Gay (Tibbets), nome de sua mãe. A pobre mulher não deve ter gostado, mais tarde, ao ver seu nome associado a tanta carnificina.
Nos Estados Unidos, e mesmo fora dele, muitas vozes pediam clemência. Queriam o fim da matança. Em vão.
Segunda, 6 de agosto. Ao sol nascente das 9.15, Enola Gay detonou sua bomba em Hiroshima. A explosão se deu 570 metros acima do solo, produzindo um cogumelo de fumaça com 18 quilômetros de altura. E a temperatura, na terra, chegou a 300 graus.
Little Boy fez, num primeiro momento, 120 mil vítimas. No término do ano, por conta da radiação, seriam 140 mil corpos. Quase todas crianças, mulheres e velhos, que pais e maridos estavam nas frentes de batalha. A cidade foi escolhida por acaso, num sorteio entre quatro. Sem que houvesse, ali, um único objetivo militar.
Fim de tarde, relatório da Cruz Vermelha informava que naquele resto de tijolos, telhas e carnes já não havia nada mais a queimar.
Depois, o episódio inspirou filme da Nouvelle Vague (de 1959), Hiroshima, mon Amour, de Alain Renais. A história do romance implausível entre uma francesa (Emanuelle Riva) e um japonês (Eiji Okada), para Claude Chabrol “o mais belo filme que já vi”. Só que a arte, pura e comovente, nem sempre imita nossa vida.
Aproveito e lembro um 16 de março em que dona Maria Lia fazia 40 anos. Mandei, para ela, esse bilhete: “Minha mãe, não é por nada não mas a IDA começa aos 40”. Sem resposta. Mas, quando fez 80, seu motorista chegou bem cedinho com esse recado: “Meu filho, esperei 40 anos para lhe responder. A IDA pode ser que comece aos 40. Mas a VIDA começa, mesmo, é aos 80”. Como agora, nos 80 anos de Hiroshima, em que deveríamos celebrar não a devastação do passado, mas a vida futura de que falava com tanto gosto e alegria dona Maria Lia.
Voltemos às bombas atômicas, posto que sua história não parou aí. Além das duas inicialmente fabricadas (a primeira testada com êxito, e a segunda Little Boy) houve, depois, uma terceira e derradeira, de Plutônio, igual àquela do teste. Era Fat Man.
Faltava decidir o que fazer com ela. Difícil entender, fosse lançada, posto não haver mais guerra. Qual a razão de continuar aquele horror? Só que tanto dinheiro não podia ser desperdiçado, cerca de 50 bilhões de dólares a valor de hoje. Era preciso dá-lhe um fim. A burocracia governamental pedia mais mortes.
Quinta, 9 de agosto. Às 11.02 da manhã, Fat Man destroçou mais 90 mil vidas em Nagasaki. Novamente, uma cidade sem qualquer alvo militar. Novamente, só crianças, mulheres e velhos. Novamente sem tristezas, lágrimas, culpas ou remorsos.
Oppenheimer, depois, se recusou a fazer uma bomba mais potente ainda. O macartismo considerou imperdoável ingratidão para com país que o acolhera tão generosamente. Seu irmão e a mulher dele acabaram processados. Acusados de ser comunistas, foram proibidos de trabalhar para o governo ou de ensinar. A guerra fria começava a fazer vítimas, com menos sangue embora, também nos Estados Unidos.
Agora, comemoramos 80 anos desse holocausto. Preocupados que os velhos B-52 já foram substituídos por modernos B61-11. Maiores, capazes de transportar várias bombas. E muitos outros países já têm, agora, suas próprias.
Por falar nisso o Tratado de Proibição de Testes Nucleares, firmado por todos os 193 países da ONU, já perdeu a Coreia, em 2003 (que tem a bomba); e agora, também, Índia e Paquistão (que também tem as suas), mais Israel e Sudão. Só para lembrar, o Irã ainda faz parte dele, embora não se submeta a inspeções. Sendo certo que um tratado como esse não garante nada.
A humanidade vê, com horror, esse futuro de incertezas planetárias. Enquanto cada um de nós ainda espera, com o coração, por ventos de esperanças. E sonha, secretamente, com barcos navegando nas águas da paz.
João Pedro cavalgava seu alazão rumo à Fazenda Dois Riachos quando avistou, ao longe, um pequeno carro estacionando no acostamento. Desceu uma mulher olhando para o pneu traseiro murcho. A senhora iniciou uma série de inúteis pontapés no pneu furado. João Pedro parou seu carro, gentilmente a acudiu.
Ela chutava o pneu, e chorava. João Pedro pediu calma, estava ali para ajudar. A distinta respirou fundo, voltando a si como se estivesse em transe.
Ele levantou o carro com o macaco, retirou o pneu furado, colocou o estepe. Enquanto realizava a troca, a madame não deu uma palavra. Agradeceu, pediu desculpas, estava com a cabeça cheia de problemas e com ódio no coração. Que ele perdoasse. Apresentou-se, Fátima.
– Prazer, João Pedro. Minha amiga, o ódio não vale a pena.
– Minha raiva é grande. Vontade de matar. De qualquer maneira, desculpe e muito obrigado. Respondeu a morena com a alma infeliz.
João Pedro logo chegou à fazenda. Almoçou, descansou, deu algumas ordens. Ao entardecer foi dirigindo seu carro branco até a pequena cidade de Dois Riachos, onde a grande jogadora de futebol, Marta, nasceu. Entrou no Restaurante Chapéu de Couro para uma cerveja e ver se encontrava amigos. Percebeu que a senhora do carro, a irada Fátima estava sozinha em uma mesa tomando uísque.
Ao sentar pediu ao garçom uma cerveja, quando sentiu uma pessoa encostar à sua frente. João Pedro levantou a cabeça, era a moça, sorrindo. Perguntou se podia acompanhar, ato contínuo ela sentou-se elegante e iniciaram conversa.
– Pensei no que você falou. É verdade, raiva mata, deixa o coração ferido. E a vida é uma só. Vou tentar superar a bordoada que recebi. Agora conte sua vida. Quem é você? Cavalheiro gentil do cavalo alazão?
João Pedro resumiu sua vida. Era de Maceió, toda sexta-feira ele fiscalizava uma pequena fazenda, fazia pagamento e retornava para a capital no sábado.
Enquanto falava, João Pedro analisou a amiga acidental no restaurante. Devia ter entre 35 a 40 anos, pele bem cuidada, morena. O braço parecia porcelana. Rosto redondo, cabelos pretos, bem tratados. Olhos negros vivos como se estivessem acesos, penetrantes, por cima de um nariz levemente achatado. Exalava sensualidade e mistério. Sentiu que havia um grande problema em sua alma, daí esse rancor. Notou uma marca de aliança na mão esquerda. Seria casada?
Continuaram naquela mesa por mais de duas horas em conversa descontraída, alegre, com o acompanhamento do velho uísque. De repente, Fátima olhou nos olhos de João Pedro, pegou-o pela cabeça, puxou-o, deu-lhe um beijo na boca. Correspondida, ficaram a chupar línguas. De repente ela pediu sorrindo.
– Quero ir pra cama com você, agora! Tem que ser agora, antes que desista, não quero desistir.
Rápido ele pagou a conta. Sem esperar pelo troco saíram. Entraram no carro de João Pedro, partiram para um motel à beira da estrada. Fátima durante o percurso beijava seu pescoço, alisava-o, não se falaram.
Ao entrar no quarto do hotel, ela pediu, “Beije aqui meu amor!” João Pedro obedeceu, fizeram amor até mais tarde.
Depois do êxtase, corpos separados, enquanto ele olhava para o teto, sentiu que Fátima chorava, aumentando o choro. Estava histérica, lamentando-se, pedindo desculpas como se outra pessoa estivesse presente.
– Seu bosta! Você foi o culpado, você me traiu!
João Pedro conseguiu acalmá-la. Fátima contou sua vida.
Era casada, dois filhos já rapazes, morava no Recife. No dia anterior, ao entrar no escritório, flagrou o marido transando com a secretária no tapete. Uma prima, que implorou um emprego. Em casa o marido tentou justificar. Fátima não conseguiu dormir. Pela manhã pegou alguma roupa e partiu no seu carro rumo à casa de uma amiga em Piranhas, sertão de Alagoas. Ninguém sabia onde ela estava. Desligou celular e partiu, com toda raiva, ódio no coração. Estava planejando matá-lo, entretanto, percebeu que não era a solução. No restaurante, bebendo, preferiu outro tipo de vingança. Foi o ódio que impeliu fazer amor com João Pedro. Estava arrependida, com sentimento de culpa, mas a raiva não havia passado.
Ele ouviu com atenção enquanto trocava de roupa, e admirava aquele belo espécime de mulher. Já vestidos, ele abraçou-a, deu um cheiro nos cabelos.
– Agora vá dormir no hotel. Amanhã visite sua amiga, depois volte para sua família, você é uma pessoa especial. Não se sinta culpada pelo que aconteceu. A raiva é uma emoção cruel, muito forte, você agiu impulsionada pelo sentimento de vingança. O que aconteceu foi melhor que matá-lo, tenho certeza. O segredo é nosso, ninguém precisa saber o que houve entre nós. Eu amei essa noite, jamais esquecerei.
Saíram do motel até o carro de Fátima. Ela alisou a cabeça de João Pedro, deu-lhe um beijo na boca. Olhou em seus olhos e cochichou: “Amei lhe conhecer, essa noite marcou minha vida.” Abriu a porta do carro, sem olhar para trás, caminhou lentamente em direção a seu carro. Meia bêbada foi dormir no único hotel da cidade.
Médicos cubanos retornando para Havana, após a vitória de Jair Bolsonaro na eleição de 2018
Depois de ter punido Alexandre de Moraes e outros ministros do STF, nesta quarta-feira o governo norte-americano cancelou vistos de mais dois brasileiros, desta vez em um pacote que atingiu também cubanos e cidadãos de outras nações; todos eles têm em comum o fato de terem participado de programas de envio de médicos de Cuba para outros países – no caso brasileiro, trata-se do Mais Médicos, criado por Dilma Rousseff em 2013 e que tinha como espinha dorsal a “importação” de profissionais vindos da ilha comandada com mão de ferro pela ditadura comunista dos irmãos Castro. Foram sancionados Mozart Júlio Tabosa Sales, que no governo Dilma era chefe de gabinete e secretário nacional de Gestão do Trabalho e Educação na Saúde, e hoje é secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde; e Alberto Kleiman, diretor do Departamento de Relações Internacionais do Ministério da Saúde na gestão Dilma e, até dezembro do ano passado, coordenador-geral do governo Lula para a COP-30.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, descreveu o Mais Médicos brasileiro como um “golpe diplomático inconcebível de ‘missões médicas’ estrangeiras”, e não poderia ter sido mais certeiro na descrição. Usando um pretexto real – a falta de médicos em várias regiões brasileiras e nas áreas pobres de grandes cidades –, o governo Dilma desenhou, em conluio com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e a ditadura cubana, uma forma de financiar o regime comunista da ilha caribenha por meio da exploração do trabalho de profissionais da área médica. Recordar o que foi e como funcionou o Mais Médicos é o melhor antídoto contra as alegações de “perseguição” feitas por Alexandre Padilha, atual ministro da Saúde e titular da pasta na época em que o programa foi criado.
O governo alegava que o Mais Médicos estava aberto a qualquer estrangeiro, mas 80% dos médicos que vieram de outros países eram cubanos, submetidos a um regime bastante diferente de seus colegas de outras nacionalidades. Enquanto estes últimos recebiam integralmente o salário acertado com o governo brasileiro, os cubanos eram vítimas de uma triangulação perversa: a Opas recebia os salários, entregava apenas uma parte (de 10% a 30%) ao médico que estava no Brasil, ficava com uma pequena comissão pelos serviços administrativos, e enviava o restante do dinheiro a Cuba, onde a família do médico recebia uma pequena parcela e o resto ia parar nos cofres da ditadura. Vergonhosamente, em 2017 o Supremo Tribunal Federal validou esse arranjo, que violava flagrantemente a lei trabalhista brasileira, aceitando o argumento do governo de que os valores não constituíam salário, mas uma bolsa. O governo Dilma manteve muitos desses detalhes escondidos, e eles só foram conhecidos pelos brasileiros graças a médicos cubanos valentes, que fugiram da severa vigilância dos agentes dos Castro e expuseram a exploração a que eram submetidos.
As provas definitivas de que o Mais Médicos não passava de um truque para financiar o governo cubano vieram em 2015, quando a emissora de televisão Band teve acesso a áudios de uma reunião com assessores de vários ministérios, na qual uma participante afirmou que o objetivo de trazer alguns poucos médicos de outros países era esconder o fato de que o Mais Médicos era, sim, um acerto entre Brasil e Cuba. E, em 2018, o jornal Folha de S.Paulo teve acesso a telegramas da embaixada brasileira em Havana, mostrando que a própria ideia do Mais Médicos havia sido dos cubanos, e não dos brasileiros. A ditadura havia até mesmo criado uma Sociedade Mercantil Cubana Comercializadora de Serviços Médicos Cubanos, que veio ao Brasil em 2012 para mapear as áreas mais carentes de profissionais. Por fim, o próprio governo cubano confirmou suas intenções quando, após a vitória de Jair Bolsonaro, em 2018, chamou de volta todos os médicos – apesar de o então presidente eleito ter oferecido a possibilidade de eles permanecerem no Brasil, passando pelo Revalida, o teste que todos os formados em Medicina no exterior precisam fazer para trabalhar no país, e que Dilma havia dispensado no caso dos cubanos.
Que esses profissionais tiveram um efeito significativo nas comunidades em que atuaram é evidente: eles foram a lugares aonde os profissionais brasileiros não se dispõem a ir, independentemente dos seus motivos. Mas isso se deu por meios torpes: a exploração de trabalhadores que não tinham escolha a não ser integrar o programa, recebendo uma parcela pequena do dinheiro que lhes era devido, e estando submetidos a uma severa vigilância que lhes privava de todas as liberdades. Era totalmente possível cumprir o objetivo alegado, o de proporcionar atendimento médico a brasileiros de regiões carentes, sem recorrer a esse tipo de negociata com a ditadura cubana; mas era exatamente esse o objetivo real do Mais Médicos, como os Estados Unidos acabam de nos recordar.