DEU NO X

DEU NO JORNAL

SEGUIU A ROTINA

Lula voltou a defender a “desdolarização” no domingo, mesmo diante da crise com os EUA, que já impôs 50% de tarifas ao Brasil.

E reiterou a bobagem: “eu (sic) não preciso ficar subordinado ao dólar”.

* * *

Normal, normal.

Nada de surpresa.

Reiterar bobagem, conforme consta na nota aí de cima, faz parte da rotina do descondenado.

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO X

DEU NO JORNAL

AH, BOM…

Ordem de prisão domiciliar de Bolsonaro, segundo a própria decisão:

Porque o ex-presidente, que apareceu em imagens, “produziu conteúdo para publicação em redes sociais de filhos e apoiadores”.

Ah, bom.

* * *

Ah, bom…

Entendi.

Ele merececeu.

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

SINHÁ – Machado de Assis

Nem o perfume que expira
A flor, pela tarde amena,
Nem a nota que suspira
Canto de saudade e pena
Nas brandas cordas da lira;
Nem o murmúrio da veia
Que abriu sulco pelo chão
Entre margens de alva areia,
Onde se mira e recreia
Rosa fechada em botão;

Nem o arrulho enternecido
Das pombas nem do arvoredo
Esse amoroso arruído
Quando escuta algum segredo
Pela brisa repetido;
Nem esta saudade pura
Do canto do sabiá
Escondido na espessura,
Nada respira doçura
Como o teu nome, Sinhá!

Joaquim Maria Machado de Assis, Rio de Janeiro-RJ, (1839-1908)

DEU NO JORNAL

CARTA AO GUZZO, MESTRE DO JORNALISMO

Paulo Briguet

J. R. Guzzo partiu, mas sua coragem moral e paixão pelo jornalismo verdadeiro seguem vivos, inspirando a luta pela liberdade no Brasil

Caro mestre J. R. Guzzo,

Neste sábado, acordei com a triste notícia da sua morte. Iríamos, eu e o meu amigo Jorge Serrão, fazer um programa sobre o professor Olavo de Carvalho, e resolvemos estender a homenagem a você. Em 2013 e 2015, tive a alegria de ser recebido pelo Olavo na Virgínia, mas infelizmente você partiu antes que eu pudesse conhecê-lo e manifestar pessoalmente minha admiração pelo seu trabalho. Faço-o por meio desta carta.

A saudosa professora Maria Helena Vianna ensinou-me no primeiro dia de aula, em 1989, as seis perguntinhas básicas a que toda matéria jornalística deve responder: Quê? Quem? Como? Quando? Onde? Por quê? Mais tarde, aprendi com o grande Carlos Lacerda que há uma sétima e fundamental pergunta a ser respondida pelo jornalismo: E daí?

Você, Guzzo, ao longo dos seus 82 anos de vida e 64 de imprensa, notabilizou-se por responder com maestria à sétima pergunta do lead — que corresponde à essência da notícia.

Tendo iniciado sua carreira no antigo “Última Hora”, você foi uma testemunha participante de todos os grandes momentos da história do país nas últimas sete décadas. Como diretor de redação da revista “Veja” de 1976 a 1991, transformou-a na maior publicação do país, com recorde de vendagens.

Certamente, você conhecia a famosa frase de George Orwell: “Jornalismo é aquilo que alguém quer que não seja publicado; o resto é publicidade”. Pois foi exatamente a partir desse incômodo provocado pelo verdadeiro jornalismo que se iniciou a derradeira e — por que não dizer? — mais heroica fase de sua trajetória profissional.

Em 2019, a revista que você engrandeceu se apequenou ao censurar a publicação de um artigo sobre o Supremo Soviete Federal. Mas você se tornou maior ainda, fundando a revista “Oeste” e sendo acolhido como colunista na “Gazeta do Povo”. Uma de minhas maiores honras profissionais deste cronista de sete leitores é ter o nome perto do seu na lista de colaboradores do jornal.

Nos últimos seis anos, Guzzo, você foi um guerreiro incansável em defesa da liberdade de expressão e no combate à ditadura judicial socialista que se implantou em nosso país. Em todos os seus artigos — escritos em português impecável e clareza meridiana — você desmascarava e enfrentava os tiranos do Regime PT-STF.

A palavra coragem deriva do latim coraticum e quer dizer “aquilo que vem do coração”. Aqui não se trata do coração como sinônimo de emocionalismo barato, mas sim do termo em seu sentido clássico: o de centro da consciência. Você escrevia com o coração nas mãos, ou seja, com absoluta sinceridade intelectual e humildade diante dos fatos.

A coragem, como explica Santo Tomás de Aquino, não é apenas uma ação, mas a bravura que se origina em um coração forte e uma alma fiel. A covardia, ao contrário, deriva de coda — cauda, rabo. É a atitude dos que têm o rabo preso e servilmente colocado entre as pernas, como os animais amedrontados. É claro que, em um país governado por covardes, você incomodava muito — e vai fazer muita falta.

Mas eu tenho boas notícias, Guzzo. No dia seguinte à sua partida, multidões de brasileiros foram às ruas para deixar claro que não vamos parar, nem precipitar, nem retroceder. A força do seu coração, mestre, vai inspirar e motivas as nossas lutas. Seu coração parou de bater no sábado, mas no domingo estava pulsante nas ruas do Brasil.

Que Deus o receba em Sua infinita misericórdia.

DEU NO X

CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS

AMOR, SUBLIME AMOR (2021)

Em destaque a atriz Ariana DeBose, ganhadora do Oscar de melhor atriz coadjuvante 2022

Comenta-se a exaustão a nova versão moderna de AMOR SUBLIME AMOR (2021), novo filme do magno diretor americano Steven Spielberg, refilmagem do clássico musical de (1961), WEST SIDE STORY, dirigido por Robert Wise e Jerome Robbins, filme musical mais premiado da história do cinema, tendo ganhado 10 Oscars, 3 Globos de Ouro e 2 Grammys em 1962, e outros.

Inspirado em Romeu e Julieta, obra mais popular de William Shakespeare e, provavelmente, a história clássica do amor proibido mais conhecida do mundo. Tanto é verdade que essa tragédia romântica é uma das campeãs de adaptação para as telas. O que pouca se sabe é que essa peça de Shakespeare, no que lhe diz respeito, é adaptada de um conto italiano, traduzido em versos para o idioma inglês, que posteriormente recebeu um tratamento em prosa. Ambas as versões serviram de base para a peça shakespeariana…

Existe uma lenda urbana segundo a qual Romeu e Julieta realmente existiram, viveram e morreram em Verona, oriundos de famílias inimigas, e que tinham idade bastante precoce para os padrões atuais – algo em torno de apenas 13 anos, o que justificaria suas ações precipitadas e a paixão avassaladora, que não mede conseqüências.

No filme de Robert Wise e Jerome Robbins, à semelhança do que acontece na peça, o longa-metragem apresenta Tony, antigo líder da gangue de brancos anglo-saxônicos chamados de Jets, apaixonado por Maria, irmã do líder da gangue rival, os Sharks, formada por imigrantes porto-riquenhos. O amor do casal protagonista floresce entre o ódio e a briga das duas gangues e seus códigos de honras, tal qual a desavença histórica entre os Capuletto e os Montechio mostrada em Romeu e Julieta.

Já em Amor, Sublime Amor (2021) do diretor Spielberg, narra a rivalidade juvenil que se passa na Nova Iorque dos anos de 1957. As gangues Jets, estadunidenses brancos, e os Sharks, descendentes de porto-riquenhos, são rivais que tentam controlar o bairro de Upper West Side. Maria (Rachel Zegler) acaba de chegar à cidade para seu casamento arranjado com Chino (Josh Andrés Rivera), para o qual ela não está muito animada. Quando numa festa a jovem se apaixona por Tony (Ansel Elgort), ela precisará enfrentar um grande problema, pois ambos fazem parte de gangues rivais: Maria, dos Sharks; Tony, dos Jets. Nessa história, inspirada em Romeu e Julieta, os dois apaixonados precisarão enfrentar a tudo e a todos se quiserem celebrar esse romance proibido.

Tratando-se de Spielberg, era esperado que seu Amor, Sublime Amor, fosse tão grandioso quanto emocionante, mas o que ele entrega ao público é realmente um dos seus melhores filmes dos últimos anos – e a prova de que, ainda que estejamos em uma fase de refilmagens vazias, pirotécnicas e sem propósitos, ainda existem motivos para revisitar grandes clássicos.

Amor, Sublime Amor conta com uma direção impecável de Steven Spielberg, o que não é de se estranhar, e se torna ainda mais atrativa pelos trabalhos visuais. Enquanto os latinos exploram as cores mais quentes e cheias de vida, os norte-americanos aparecem em tons mais sóbrios, frios, como se fosse uma representação dos sentimentos negativos não só em relação aos seus rivais, como também a indivíduos de diferentes etnias.

Com propostas de mudança, o filme preenche a adaptação original e dá potência à emblemática história também sobre ódio. Assistir a Amor, Sublime Amor, dirigido magistralmente por Spielberg, é não ficar com saudade do primeiro devido à sua atemporalidade. A atuação magistral da atriz Ariana DeBose, ganhadora do Oscar de melhor atriz coadjuvante, depois de ter recusado fazer o papel de Anita por quatro vezes, paga um saco de pipoca.

a) Trailer Oficial Legendado

b) Crítica: uma estatueta maior

C) Spielberg conta porque escolheu adaptar ‘Amor, Sublime Amor’ como seu primeiro musical

ALEXANDRE GARCIA

PRISÃO DE BOLSONARO

prisão de bolsonaro

No domingo Jair Bolsonaro já estava em prisão domiciliar de fato, porque ele é proibido de sair de casa aos fins de semana. Aí seu filho Flávio, senador, que estava no palanque em uma Copacabana lotada, ligou para o pai, pedindo uma mensagem. Jair gravou a mensagem, e publicaram fotos dele de bermuda, em casa, mostrando a tornozeleira. A reação veio no fim da tarde de segunda-feira, com Alexandre de Moraes decretando prisão domiciliar. Jair Bolsonaro não pode mais sair de casa; está preso em casa, embora não tenha sido condenado.

Não sei se, no momento em que vocês estão me ouvindo ou lendo, já houve alguma reação de Washington, mas o Departamento do Tesouro, que aplica a Lei Magnitsky, já havia avisado que não ficaria apenas em Moraes. Ou seja, Moraes pode estar arrastando consigo mais ministros do Supremo, o que pode ser uma tremenda inconveniência para os que estão mais próximos dele, como Gilmar Mendes e Luís Roberto Barroso, que fizeram os discursos na reabertura dos trabalhos do Supremo. Muitos colocam Flávio Dino também nesta lista.

E Moraes também está arrastando consigo Lula, porque neste terceiro mandato eu nunca vi tanto grito contra Lula quanto no domingo. Em primeiro lugar, o grito é contra Moraes, mas trouxe Lula a reboque. Ou seja, o Supremo que tirou Lula da prisão e o botou na Presidência, como lembrou Gilmar Mendes outro dia, agora pode estar ajudando um movimento de impeachment de Lula, como se ouviu nas ruas.

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Magnitsky desemperrou a roda dos sorteios de relatoria no STF

E vocês notaram que a Lei Magnitsky parece ter lubrificado a roda emperrada do sorteio de relatores? Antes, só dava Moraes. Agora, o caso de Daniel Silveira caiu para Luiz Fux. O relator de um pedido de Lindbergh Farias para mandar os bancos brasileiros manterem as contas de Moraes (o que é uma maluquice) é Cristiano Zanin. Até esse momento, não vi nenhuma decisão nesta segunda ação, mas o ministro está em uma sinuca de bico: se Zanin mandar os bancos manterem abertas as contas de Moraes, os bancos fecham, porque não têm como funcionar se desobedecerem à Lei Magnitsky; mas, se disser que não pode atender o pedido e que os bancos têm de obedecer à Magnitsky, o colega não vai gostar.

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Mais uma canetada de Toffoli para acabar com o combate à corrupção

O ministro Dias Toffoli, com uma liminar, suspendeu uma ação de improbidade administrativa contra o senador Jaques Wagner que corria na Justiça Federal na Bahia, a respeito das obras do estádio para a Copa do Mundo de 2014, quando Jacques Wagner era governador da Bahia. Toffoli alegou que as provas da Odebrecht tinham sido anuladas. Meu avô, se fosse vivo, ficaria escandalizado com isso. Toffoli era advogado do PT, antes de virar advogado-geral da União e ministro do Supremo, e Jaques Wagner é o líder do governo do PT. Meu avô diria que Toffoli deveria se declarar impedido, por razões éticas, e passar o caso para outro ministro que não tenha sido do PT. Mas o Supremo já naturalizou isso e muito mais; mulheres de ministros sendo advogadas em ações no Supremo, ministro fazendo gesto obsceno, isso já foi normalizado. Meu avô já está dispensado de ver essas coisas há algum tempo.