DEU NO X

DEU NO JORNAL

DITADURA ISOLADA

A Venezuela, do ditador amigão do Lula, Nicolás Maduro, deu mais um passo em direção ao isolamento.

Países europeus como Itália e França convocaram os embaixadores em sinal de reprovação ao regime.

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Esse tirano assassino é uma vergonha pra toda essa nossa América Latina.

E é amigão do peito do descondenado brasileiro!

Isso nos faz passar vergonha no mundo inteiro.

Lula volta a dizer que há "narrativa" criada contra a Venezuela

Uma parelha fedorenta

ALEXANDRE GARCIA

BOLSONARO IMPEDIDO DE IR À POSSE DE TRUMP

Donald Trump e Jair Bolsonaro, durante evento em 2020

O ministro Alexandre de Moraes, que mandou tirar o passaporte de Jair Bolsonaro, não vai devolvê-lo para que o ex-presidente brasileiro possa ir à posse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, segunda-feira que vem, na Casa Branca. Trump é amigo de Bolsonaro, os dois têm afinidades, e daí veio esse convite muito especial.

Segundo a agência oficial, Moraes alega que o comportamento de Bolsonaro tem indicado a “possibilidade de tentativa de fuga” do Brasil. Imaginem se Bolsonaro vai fugir, vai dizer “olha, eu estou fugindo porque eu sou golpista”. Equivaleria a uma confissão. Mas não: Bolsonaro pediu o passaporte e prometeu devolvê-lo quando voltasse, depois de cinco dias.

Essa história de “possibilidade de tentativa”, aliás, está parecida com o caso do “golpe”. Tudo “tentativa”. E lembremos que a Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça decidiu que não houve crime no caso de um sujeito que cortou um cadeado, entrou armado na casa, mas não roubou nada, foi impedido de roubar. Isso foi apenas preparação, não configurou crime, disse o STJ. E agora Moraes diz que Bolsonaro “já estaria se preparando” para fugir do Brasil… Quem vai, então, é Michelle Bolsonaro, que certamente vai brilhar na Casa Branca e provocar alguma reação da Janja. Não há como não lembrar disso e fazer essa comparação.

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Mudou o ministro, mas redes sociais do governo ainda estão com Janja

Falando nisso, Janja continua comandando as redes sociais na Secretaria de Comunicação. O novo ministro, Sidônio Palmeira, pôs outra pessoa, mas para isso teve de submeter a escolha a Lula. E ele, claro, perguntou para a Janja. O nomeado ainda vai ficar ligado ao gabinete de Lula, quer dizer, à Janja. 

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Maduro diz bobagem e provoca crise entre EUA e Brasil

Um senador norte-americano, Rick Scott, republicano que representa a Flórida, ouviu as declarações de Nicolás Maduro sugerindo o uso de uma tropa brasileira para invadir e libertar Porto Rico dos Estados Unidos. Agora, Scott está questionando o governo brasileiro para ver o que Lula tem a dizer a respeito disso. Foi uma maluquice de Maduro, dirigindo-se a brasileiros que estavam em Caracas representando o Foro de S. Paulo, o PT e o MST no Festival Antifascista. Os venezuelanos homenageiam um brasileiro, o general Abreu e Silva, que como capitão integrou as tropas de Simón Bolívar na libertação da Venezuela e da Colômbia, e Maduro chegou a dizer que “o Batalhão Abreu e Silva vai invadir”. Acontece que no Recife existe um Batalhão Abreu e Silva, da PM de Pernambuco. Isso causou uma celeuma danada.

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Senador quer saber quem são os “criminosos” e os “parceiros” da Receita no caso do Pix

Por falar em convocar, o senador Magno Malta está convocando o chefe da Receita, Robson Barreirinhas, para explicar quem são os “criminosos” que ele denunciou ao dizer que recuaria naquela instrução normativa do Pix. Quem quer acusar alguém de criminoso tem de dar um nome. E, se o chefe da Receita for convocado para ir ao Senado, certamente vão lhe perguntar também quem são os parceiros, porque Barreirinhas agradeceu a “parceria” da imprensa nessa tentativa de monitorar o Pix.

Aliás, todo mundo pergunta: se era tudo fake news, se era mentira, por que o governo recuou? Como é que a verdade cedeu à falsidade? O caso é que pegaram o governo tentando, sim, enquadrar sabe-se lá quantos dos 40 milhões de informais que estariam sujeitos a declarar e pagar Imposto de Renda.

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IVA brasileiro será mesmo o mais alto do mundo

Está sancionada a primeira parte da reforma tributária, que começa a entrar em vigor em 2027. O IVA será mesmo o mais alto do mundo, 28%. E mais do que isso: só essa primeira parte tem 544 artigos. Pobre do pagador de impostos.

DEU NO X

PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

UM COMOVENTE POEMA DE PINTO DE MONTEIRO

Severino Lourenço da Silva Pinto, Monteiro-PB (1895-1990). Um gênio da cantoria improvisada nordestina. Saiba mais sobre ele no Wikipédia

Eu comparo esta vida
à curva da letra S:
tem uma ponta que sobe
tem outra ponta que desce
e a volta que dá no meio
nem todo mundo conhece

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POR QUE DEIXEI DE CANTAR

Recebi mais de um poema
Fazendo interrogação
Por que eu da profissão
Mudei de rumo e sistema
Resolverei um problema
De não poder tolerar
Muita gente a perguntar
Ansiosa pra saber
Em verso vou responder
Por que deixei de cantar.

Deixei porque a idade
já está muito avançada
A lembrança está cansada
O som menos da metade
Perdi a facilidade
Que em moço possuía
Acabou-se a energia
Da máquina de fazer verso
Hoje eu vivo submerso
Num mar de melancolia.

Minha amiga e companheira
Eu embrulhei de molambo
Pego nela por um bambo
Para tirar-lhe a poeira
Hoje não tem mais quem queira
Ir num canto me escutar
Fazer verso e gaguejar
Topar no meio e no fim
Canto feio, pouco e ruim
Será melhor não cantar.

Não foi por uma pensão
Que o governo me deu
Por que o eu do meu eu
Não me dá mais produção
Cantor sem inspiração
Tem vontade e nada faz
Eu hoje sou um dos tais
Que ninguém quer assistir
Nem o povo quer ouvir
Nem eu também posso mais.

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DEU NO JORNAL

MILITÂNCIA

O diretor da Receita Federal bem que poderia ter evitado agradecer o “apoio da imprensa” à espionagem de pix alheio.

Talvez sem perceber, fez uma das mais contundentes denúncias de todos os tempos à subserviência da mídia militante ao governo Lula.

* * *

Nada de novo.

Não há motivo algum para surpresa.

A militância de redação merece mesmo todos os agradecimento do governo federal.

CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

MEU AMIGO BENEVIDES

Alto de Ipioca

Eu estava na ativa do Exército, servia no 20º Batalhão de Caçadores em Maceió, quando conheci o então soldado Benevides. Baixinho, magro, risonho. Nos tornarmos amigos, ele é do tipo afável, comunicativo, tem prazer em servir aos outros. Num português mais claro, Bené era o maior puxa-saco do quartel. Sabia chaleirar com dignidade.

Ao dar baixa do Exército, pediu-me para arranjar-lhe um emprego. Benevides além de discreto era bom de serviço, cuidadoso motorista.

Certa noite, em uma bela festa de casamento, eu participava de uma roda de uísque entre alguns abastados das Alagoas, quando João Moraes, um conhecido empresário, reclamou a falta de um bom motorista, discreto no trabalho. Aproveitei a ocasião, indiquei o jovem Benevides como confiável motorista, cargo que exerce até hoje com discrição e fidelidade canina.

João Moraes, homem de doces negócios açucareiros, gosta também da cana, de uma aguardente. Para ele nada melhor que um bom uísque acompanhado por belas mulheres. Naquela época ele tinha um time de deixar essas meninas da televisão no chinelo. Bom financista, João fez alguns cálculos, chegou à conclusão que alugar uma casa junto com dois amigos, num local discreto só para receber suas amigas íntimas, saía mais barato, era mais seguro que motel.

Alugaram uma casa, com varandas internas, dando para uma piscina no centro. A casa havia pertencido a um senador das Alagoas, a partir daí ficou conhecida como Casa do Senador. A localização era discreta e maravilhosa, no alto de Ipioca, com uma bonita vista para o mar.

Em algumas sextas-feiras havia “repiau” na Casa do Senador. Os convidados só podiam aparecer com uma garrafa de uísque na mão e uma namorada no braço, para evitar tentação de paquerar mulher alheia. A boa comida era por conta de uma cozinheira baiana contratada pelo empresário, vidrado em caruru, vatapá e acarajé. Foram farras memoráveis, coisa cara, restrita a João Moraes e poucos amigos, a fina flor da burguesia alagoana.

Benevides adaptou-se ao sistema de vida da empresa, muito trabalho, quase sem folga. Quando havia “repiau”, logo cedo, levava Janice, a cozinheira, ao mercado para compra dos ingredientes do Caruru. Fazia seu serviço normal; a partir das 15 horas preparava a Casa do Senador nos mínimos detalhes, gelo, bebida, copos limpos, toalhas nas suítes. Tudo supervisionado por ele. Um mordomo perfeito, servia de garçom na hora precisa. Geralmente as farras terminavam por volta das 22 horas. O patrão e amigos depois da brincadeira retornavam às suas casas. O mordomo ficava para limpar, ajeitar a casa, e distribuía cada menina em sua residência, outras em bares ou ponto de encontros continuando a noitada.

Bené frequentemente me visita. Eu puxo para ele soltar algumas histórias da casa do Senador. Contou-me casos de farras homéricas, me deixando com inveja.

Certa vez, Benevides convidou-me para ser padrinho de seu casamento. Com muita honra entrei na Igreja para ver meu amigo dar o sim à Madalena, bela moça glutona, com 25 anos já havia adquirido 78 quilos. O dócil Bené se encantou com a beleza e brabeza de sua Madá. Já têm 3 filhos, a alegria da casa administrada pela controladora matriarca.

Certo dia meu amigo apareceu-me com um galo na cabeça, um olho roxo. Perguntei se foi um acidente. Ele olhou para os dois lados, certificando que estávamos sós, contou-me o ocorrido, quase cochichando.

– Meu Capitão, sexta-feira passada houve maior farra na Casa do Senador, acabou-se às três da manhã. Como sempre, fui distribuir as raparigas no final de festa. Uma delas trocou a calcinha no carro para continuar a noite, esqueceu, deixou a calcinha usada no banco traseiro. No sábado acordei-me tarde com um tapa na cara da mão forte de Madalena. Ciumenta, braba feito um siri em lata, me dava porrada gritando.

– Sem-vergonha achei uma calcinha no carro, você é um cabra safado, ainda pega o carro do patrão para farrear.

– Apanhei como a peste, mas não disse a verdade, não podia contar o que se passa às sextas-feiras na Casa do Senador, o segredo do patrão.

Assim é meu amigo Benevides, discreto, servil e leal. Qualidades de poucos homens.

DEU NO X

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

ACONTECÊNCIAS DA FEIRA DE NOVA-CRUZ (RN)

Décadas atrás, entrando pelo século passado, a pequena cidade de Nova – Cruz (RN) era paupérrima. Sem água e sem luz, também não dispunha de consultórios médicos, ambulatórios nem hospitais.

A mortalidade infantil era absurda. A criança adoecia à tarde e antes de amanhecer o dia estava morta. Lá, não havia assistência médica nenhuma, e, consequentemente, não havia plantão médico.

Chá de canela era o “remédio” que os curiosos indicavam para os bebês, quando de repente ficavam febris, pálidos e choramingando. Foi assim que vi um irmãozinho meu, Galdino, morrer, no dia em que completou sete meses de idade, ao sofrer uma convulsão pela madrugada. Tinha amolecido à noitinha, ficou febril e foi “medicado” por um conhecido charlatão da cidade, que, em sua casa, consultava o povo da roça, dia de feira. O remédio por ele indicado foi chá de canela, achando que deveria ser uma gripezinha.

Nunca esqueci o desespero da minha mãe naquela madrugada, gritando desolada, sem querer acreditar que a criança estava morta. Meu pai, também desesperado, tentava acalmá-la, mas era em vão. Eu tinha pouco mais de quatro anos. Nunca esqueci essa terrível cena, numa madrugada escura e fria.

Pela manhã, a casa se encheu de gente. À tarde, houve o enterro de Galdininho (como minha mãe o chamava), com a presença de familiares da minha mãe, que moravam em Natal. Essas coisas tristes da vida, a gente nunca esquece…

Pois bem. A feira municipal de Nova – Cruz (RN) acontecia na segunda – feira. Era considerada a maior feira da região agreste. Começava pela madrugada e se estendia até o final da tarde.

Do balcão da venda do nosso pai, assistíamos a um verdadeiro espetáculo de cultura popular: As cantigas dos cegos, pedindo esmolas, e insultando uns aos outros, defendendo seus direitos àquele ponto. Era uma verdadeira festa do Cordel. Os desafios eram hilários e maliciosos.

A feira era um verdadeiro encontro ou reencontro de almas. Era um dia divertido, com meu pai, minha mãe e quase todos os filhos no balcão da venda. Em frente, havia duas barracas que vendiam cocorotes (de coco), bolo branco (hoje chamado “bolo da moça”) e doce americano (geleia de coco). Nunca me esqueci do gosto dos cocorotes. Tudo era uma gostosura.

Mais adiante, chegava um vendedor ambulante, com uma mala cheia de óculos de grau para vender, e formava-se uma fila de pretensos “clientes”, para comprar óculos, cujo grau lhes permitisse ler as letrinhas da caixinha de fósforo “OLHO”. Esse era o teste para aprovação do grau.

A precariedade da vida em Nova – Cruz forçava o povo a dar preferência aos óculos vendidos pelo ambulante. Além do mais, se o problema fosse apenas “vista curta”, seria mais cômodo e mais em conta comprar os óculos já prontos na feira, do que ter que viajar a Natal, somente para esse fim. Os compradores de óculos ficavam satisfeitos quando enxergavam perfeitamente as letrinhas da caixinha de fósforos “OLHO”. Era o sinal de que o grau era aquele.

De Nova – Cruz a Natal são 110km. Entretanto, naquela época (60/70), em estrada de barro, a viagem de ônibus levava de 4 a 5 horas. Durante o inverno, o atoleiro era grande. Por isso, os feirantes da zona rural eram acostumados a comprar óculos de grau na feira, já prontos. A aprovação dos óculos era 100%, e ninguém reclamava. Meu saudoso tio Paulo Bezerra, por comodidade, também só comprava óculos de grau na feira, e se dava muito bem.

Também na feira de Nova – Cruz, costumava estar presente um homem vestido com uma bata branca, com pose de doutor, que ali armava uma pequena banca e sobre ela mantinha uma garrafada, que continha um ácido para “tirar” sinais da pele. Nessa época, não se falava em carcinoma. A fila de pessoas que pagavam para tirar sinais era grande. Nunca se soube de um insucesso de um desses “procedimentos cirúrgicos”. Hoje, esse homem seria preso por charlatanismo. Meus tios Paulo Bezerra e Eulina Bezerra chegaram a tirar alguns sinais com ele e os “procedimentos” foram muito bem sucedidos.

Essas lembranças fazem parte da minha saudade. Volto à minha infância e juventude. Essa feira, na minha vida, foi muito mais do que uma simples feira.

DEU NO JORNAL

O PIX E O DESEJO ENSANDECIDO DE CONTROLAR O DISCURSO

Editorial Gazeta do Povo

Nikolas Ferreira vídeo Pix

Vídeo do deputado Nikolas Ferreira sobre o Pix teve centenas de milhões de visualizações

“A norma é correta, o que falam dela é mentira, mas mesmo assim resolvemos revogar.” A atitude do governo federal, ao revogar a normativa da Receita Federal sobre monitoramento de movimentações no Pix e no cartão de crédito acima de R$ 5 mil para pessoas físicas e R$ 15 mil para pessoas jurídicas, bem poderia ser resumida nessa afirmação carregada de cinismo. A verdade é que, com um vídeo de alguns poucos minutos, o deputado Nikolas Ferreira impôs um 7 a 1 na partida de estreia do marqueteiro Sidônio Palmeira como “ministro da Propaganda” lulista – e, agora, os derrotados e sua torcida estão mais que dispostos a recorrer ao tapetão.

Não há a menor dúvida de que o estopim para o recuo do governo foi a enorme disseminação do vídeo do deputado do PL de Minas Gerais, que bateu rapidamente os 217 milhões de visualizações – é como se todo brasileiro tivesse assistido ao vídeo uma vez. Não é nosso objetivo, no momento, analisar a medida da Receita ou o mérito das críticas de Nikolas. A discussão sobre quais medidas se pode tomar para combater a sonegação (desde, é claro, que não se descambe para violações de sigilo), que grupos deveriam ser fiscalizados com mais rigor, a conduta específica da Receita Federal do Brasil, e a conveniência da normativa agora revogada é perfeitamente lícita em uma sociedade democrática. E é justamente por isso que temos de lamentar a enorme degradação do debate público ocorrida neste episódio.

Isso porque, em vez de contra-argumentar e tentar defender o acerto da resolução, a única estratégia que o governo federal e seus apoiadores na imprensa e em outros setores da opinião pública empregaram foi qualificar o vídeo como “fake news” e “desinformação”. E ainda por cima o fizeram como se apenas o qualificativo bastasse, já que não houve nem sequer um esforço para demonstrar qual afirmação factual o deputado havia feito e que era incorreta. Ironicamente, o deputado colocou bastante ênfase em negar (mais de uma vez) a principal informação factualmente falsa que vinha sendo veiculada a respeito do imbróglio todo, a de que o Pix seria taxado.

Sem isso, o que sobrou a alguns jornais foi afirmar, em tom de denúncia, que Nikolas “acusava o governo de querer taxar Pix”, como se isso fosse uma barbaridade completa, e não um recurso legítimo empregado na discussão pública desde que o mundo é mundo. Não há candidato que deixe de dizer, durante uma campanha, que seu adversário fará um mau governo, fazendo inclusive afirmações sobre o que pode vir a acontecer em determinados setores, como a economia. A própria esquerda, na política e na imprensa, se comporta assim o tempo todo: basta observar as previsões apocalípticas feitas após a eleição de Donald Trump ou após a mudança nas políticas de moderação das mídias sociais de Mark Zuckerberg.

Seria, por acaso, fake news dizer que os Estados Unidos caminharão para o fascismo após a posse de Trump, ou que Instagram e Facebook virarão campo fértil para o cometimento de crimes com a saída dos checadores? Certamente que não, pois não se trata de afirmações factuais incorretas – se forem incorretas, isso só será possível saber no futuro. O mesmíssimo princípio se aplica quando Nikolas diz que uma taxação do Pix pode entrar no radar do governo – e nem a medida provisória recentemente publicada serve como argumento para desqualificar essa afirmação ou transformá-la em fake news, já que o Brasil é o país onde até a suprema corte viola cláusulas pétreas da Constituição.

De resto, o que há no vídeo – e nos espanta que isso pareça tão difícil de perceber para tanta gente – é crítica pura e simples. No caso da normativa da Receita, Nikolas critica, por exemplo, o suposto efeito da medida sobre brasileiros mais pobres que recorrem à informalidade como meio de aumentar sua renda. Em um contexto mais amplo, o deputado menciona a sanha arrecadadora, as promessas não cumpridas (inclusive no caso da “taxa das blusinhas”), o sigilo a respeito de gastos da Presidência, e a espiral crescente do gasto público. Nada disso é “desinformação”, muito menos fake news – independentemente de Nikolas estar certo ou não a respeito do que diz. Também a crítica é parte do debate público, que se faz na base do embate de argumentos e da exposição de dados que comprovem ou desmintam certa tese. É direito de qualquer cidadão; no caso de parlamentares como Nikolas, é até mesmo parte de suas funções. Mas o governo e seus aliados querem negar ao brasileiro esse direito.

Na quarta-feira, ao anunciar a revogação da norma, o secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, fez um agradecimento revelador. Enquanto fazia sua justificativa contraditória, de que a norma estava sendo anulada apesar de estar tudo certo com ela e apesar de as críticas serem todas “mentirosas”, Barreirinhas afirmou: “Preciso agradecer a imprensa, que foi parceira da gente na tentativa de afastar essas mentiras”. A “parceria”, no caso, consistiu em ecoar o discurso governista, chamando de “fake news” e “desinformação” um vídeo que definitivamente não merece tal qualificativo, em mais uma demonstração do baixíssimo nível que o debate sobre liberdade de expressão assumiu no Brasil. Se os profissionais da informação são incapazes (isso na mais benigna das hipóteses) de reconhecer a diferença entre uma crítica legítima e a afirmação factual falsa, é certo que o futuro de uma garantia democrática está em maus lençóis no país.

E, como no Brasil de Lula tudo pode piorar, o vídeo de Nikolas Ferreira ainda pode se tornar alvo de perseguição judicial, já que o grupo Prerrogativas (que se tornou uma espécie de AGU pessoal do presidente da República) anunciou que iria à Procuradoria-Geral da República e ao Conselho de Ética da Câmara contra o deputado – por um crime que não existe, diga-se de passagem; e, ainda que existisse, não poderia jamais ser imputado a alguém que não espalhou fake news, mas apenas exerceu sua liberdade de expressão e seu direito de crítica. Direito este que, incrivelmente, há jornalistas querendo cassar, como fez Eliane Cantanhêde na GloboNews ao afirmar que “desacreditar, atacar medidas públicas é crime” – os totalitários do século 20 não teriam dito de outra forma.

“Temos de tomar uma medida pedagógica”, justificou o advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do Prerrogativas, ao anunciar sua perseguição contra Nikolas Ferreira. “Pedagógico” é a palavra perfeita: desde as mudanças anunciadas por Mark Zuckerberg nas políticas de moderação de suas redes sociais, e agora, com o caso do Pix, o brasileiro está aprendendo que o governo Lula e parcelas importantes da imprensa e do mundo jurídico, quando falam em “regulação das mídias sociais”, não estão nem um pouco preocupadas com democracia ou proteção dos usuários: trata-se apenas de controlar o discurso, decidir quem pode falar e o que pode ser dito – e esta última categoria, evidentemente, não inclui críticas ao governo.