CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

A BRIGA DO SÉCULO: CAPIXABA x PORRETA

Osvaldo Carlos do Rego Couto, de apelido Capixaba por ter nascido no Espírito Santo, filho do Coronel Couto, criou-se praia da Avenida da Paz. Forte, musculoso, xodó das meninas, cuidava de seu corpo. Foi meu colega na Escola Preparatória de Cadetes em Fortaleza, atleta de primeira grandeza, excelente ponta direita, não quis continuar a carreira militar. Desde cedo apreciou boas mulheres, bons papos, inteligência e raciocínio rápidos lhe davam o toque de bom humor e alegria. Contador de história nato; prendia atenção ao contar suas aventuras.

Mudou-se para Brasília, nunca perdeu o contato com os companheiros de juventude, gentil, quando visitava Maceió distribuía presentes entre os amigos. Tinha simpatia e alegria, inatas, um ser humano de bem com a vida. Na última vez que almoçamos juntos, festa de fim-de-ano do Cáu, relembramos grandes noitadas, aventuras de jovens cheios de sonhos e até irresponsabilidades. A vida de Capixaba é um livro bem humorado, ainda não escrito.

Capixaba gostava de carnaval, certa vez nós estávamos fazendo o passo no Bloco Cavaleiro dos Montes numa manhã quente de Banho de Mar à Fantasia, a moçada enlouquecia ao tocar o frevo Vassourinhas. Eu vi quando Capixaba recebeu uma cotovelada na cara, caiu no asfalto, atordoado. Ao recuperar-se da pancada identifiquei o agressor, mas não tive a petulância de partir para briga contra o agressor de meu amigo, era nada mais, nada menos que Porreta, um baiano, alto, forte, arruaceiro de zona, certa vez lutou e bateu em três policiais na Boate Tabariz em Jaraguá. Porreta, conhecido nas baixas rodas por ser briguento e homossexual, era o “Madame Satã” de Maceió. Todos tinham medo de Porreta, bicha macho para ninguém botar defeito. Capixaba inconformado, desafiou o baiano para um duelo, tipo Vale Tudo dali a um mês, na Praça Sinimbu à noite. Porreta não refugou, topou a parada.

Capixaba começou a preparar-se para grande luta. Boêmios, prostitutas, policiais, políticos, desocupados, estudantes, comentavam o duelo marcado, causou a maior expectativa na cidade.

Capixaba começou a treinar. Corria diariamente às cinco da manhã do coreto da Avenida ao Morro Tom Mix, uma linda duna demolida na praia do Trapiche pela Salgema (Braskem).

Naquela época, Nezito Mourão, um dos maiores beques do Brasil, jogou pelo CRB, depois jogou no Santos com Pelé, campeão do mundo em 61-62, havia aberto uma Academia de Boxe. Capixaba matriculou-se, recebeu aulas técnicas de murros e defesas, preparando-se para enfrentar o Porreta. Certa vez “brigaram” em treinamento, Capixaba de repente aproveitou uma guarda aberta de Mourão, deu-lhe um soco no olho, zonzou, Nezito tentou dar o troco no indisciplinado aluno, entretanto, Capixaba com medo do revide correu em disparada foi bater em Marechal Deodoro. Fez parte do treinamento.

Certa manhã, nós estávamos conversando sentados num banco da Avenida da Paz, quando Capixaba avistou dois marinheiros ingleses caminhando em direção ao cais do porto, ele gritou “Son of bich”, os marinheiros não gostaram, continuaram a caminhada, Capixaba correu atrás, provocando, deu uma tapa em cada inglês. Iniciou no calçadão uma briga de cinema, dois contra um. Lutaram até cansar. Certo momento Capixaba correu da luta, dizia ser treinamento para enfrentar Porreta.

Afinal, chegou a noite esperada ansiosamente pela população de Maceió. Alguns amigos acompanharam nosso herói até a Praça Sinimbu. Ao se aproximar do local, Capixaba ouviu o grito provocativo do Porreta com as mãos nos quartos, “Preparou-se para levar a maior surra de sua vida?”

Capixaba tirou seus sapatos, a camisa, o relógio, me pediu para guardar. arregaçou a calça. A assistência formou um círculo deixando os dois lutadores no centro. Aconteceu uma das maiores lutas presenciadas nas Alagoas e alhures. Primeiros movimentos, os adversários se estudando, alguns ataques, outras defesas, jogo de pernas. De repente rápidos murros, socos na cara, na barriga, às vezes se atracavam, se soltavam, não havia juiz para separar. Esmurraram-se, se digladiaram por mais de uma hora, suavam, sangravam.

Estavam cansados, Capixaba distraiu a guarda, Porreta aproveitou, acertou um soco desconcertante na cara, nosso amigo caiu no chão, jorrando sangue pela boca. A raiva subiu para cabeça, Capixaba num ímpeto surpreendente levantou-se num pulo dando cabeçada no peito do atônito Porreta. “Madame Satã” caiu de costas, abriu a cabeça no calçamento, sangrou. Ato contínuo, Capixaba montou em Porreta, não perdoou, esmurrando-o incessantemente.

Retiraram Capixaba de cima de “Madame Satã” nocauteado, sangrando. Imediatamente levaram-no para o Pronto Socorro, quatro dentes quebrados, muito sangue. Assim terminou o reinado de Porreta, o baiano mais macho do Brasil.

Capixaba também acabou seu reinado nesse mundo, foi-se embora meu querido amigo. Resta agora lembranças, contar suas histórias, ou dançar um tango.

DEU NO X

VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

ANTIGA LIÇÃO DE DIREITO

Era o primeiro dia de aula de um Curso de Direito. A alegria tomava conta da sala, onde os alunos já se sentiam futuros bacharéis.

Emocionados, respeitosamente, receberam de pé o elegante professor de Introdução ao Estudo do Direito, que os cumprimentou e mandou que todos se sentassem. Após observar demoradamente e com seriedade todos os alunos, o professor fixou o olhar num rapaz franzino, tímido e de óculos, que estava sentado na primeira fila, e em voz alta, perguntou-lhe o nome.

O rapaz respondeu:

– Meu nome é Francisco, professor.

Com voz estridente, o professor ordenou:

– Retire-se da sala de aula, e não volte mais, Francisco!

A turma mergulhou em silêncio sepulcral.

O aluno ficou perplexo, diante de tamanha brutalidade. Tinha certeza de que não fizera nada que justificasse sua expulsão da sala de aula. Apenas, respondera qual era o seu nome, conforme lhe fora perguntado. Humilhado, imediatamente, Francisco levantou-se, pegou sua pasta onde tinha lápis e papel, e se retirou.

A turma ficou assustada e indignada, diante da incabível grosseria do professor. Ninguém entendeu a razão da sua ira contra Francisco, que, da mesma forma dos outros alunos, apenas aguardava, atento, o início daquela que seria a primeira aula do Curso de Direito.

Todos perderam a voz. O silêncio continuou, até que o professor tossiu e começou a falar:

– Dando início à primeira aula do Curso de Direito, pergunto a vocês?

– Para que servem as leis?

Os alunos continuavam assustados, mas os mais desinibidos ousaram responder:

– As leis existem, para que se ponha ordem à sociedade em que vivemos.

– Não! – respondeu o professor.

– Para que seja possível a convivência humana! – disse outro aluno.

– Não! Contestou o professor.

Para que as pessoas paguem pelos erros cometidos!

– Não!

E o professor continuou a falar, indignado:

– Será que, entre tantos alunos, nenhum sabe dar uma resposta correta?

Até que, timidamente, uma aluna respondeu:

– Para que haja Justiça!

O professor, eufórico, respondeu:

– SIM!!! Até que enfim!!! É isso mesmo!!! … Para que haja Justiça!

– E para que serve a Justiça? – Perguntou o professor, com hostilidade.

Todos começaram a se irritar com a atitude grosseira do professor. Mesmo assim, continuaram dando suas respostas:

– Para preservar os direitos humanos…

– Certo! E o que mais? – perguntou o professor.

Os alunos continuaram respondendo:

– Para separar o joio do trigo! Para distinguir o certo do errado! Para premiar aquele que fez o bem e punir aquele que fez o mal!

O professor vibrou:

– Muito bem! Mas, me respondam: Agi certo, ao expulsar Francisco da sala de aula?

– Não! – a resposta dos alunos foi uníssona.

O professor insistiu na pergunta:

– Podem me dizer se cometi uma injustiça com Francisco?

Todos os alunos responderam:

– Sim!!!

O professor, então, retrucou:

– E por que ninguém protestou diante da injustiça que eu fiz?!!!.Para que queremos leis e regras, se não dispomos da coragem necessária para praticá-las?

– Cada um de vocês tem a obrigação de reclamar, quando presenciar uma injustiça. Todos. Não voltem a ficar calados, nunca mais!

– Vão chamar Francisco! – disse o professor com voz austera, olhando fixamente para todos os alunos.

Acabrunhado, Francisco relutou em voltar. Foi preciso que os outros alunos fossem chamá-lo, acompanhados do professor, que o abraçou e lhe pediu desculpas, por tê-lo usado como exemplo do que vem a ser uma injustiça.

Naquele dia, os alunos do Curso de Direito receberam a mais importante lição que poderiam receber:

“O DIREITO NÃO SE NEGOCIA”.

DEU NO JORNAL

OS JOVENS E A PIOR VELHICE

Luís Ernesto Lacombe

Sindicalistas e estudantes causam tumulto na votação da privatização da Sabesp.

Sindicalistas e estudantes causam tumulto na votação da privatização da Sabesp

Em “defesa das liberdades democráticas”, a galeria do plenário da Assembleia Legislativa de São Paulo foi tomada por jovens… Era dia de aprovar a privatização da Sabesp, a companhia de saneamento do estado. Era dia de quebrar tudo, para impedir uma decisão legislativa absolutamente legal e democrática.

Os mais novos talvez sejam mesmo dados a incoerências, já que podem lhes faltar conhecimento, experiências educadoras, condutoras… Mas a selvageria na galeria da Alesp não autoriza eufemismos, nenhuma tentativa de compreensão dos imaturos, nenhuma possibilidade de aceitação do ódio à liberdade, da violência, da ignorância e do desapego ao mundo real.

Talvez as novas gerações tenham entendido de forma equivocada o conselho que Nelson Rodrigues deu à juventude de outro tempo: “Jovens, envelheçam”. Já que é impossível acelerar a passagem do tempo, e o conselho do dramaturgo nada tinha a ver com isso, o que se viu foi uma autocondenação à pior espécie de velhice: a velhice das ideias, capaz de parar o tempo e inverter o que é bom em ruim, e vice-versa.

Os distraídos, usando Calvin Klein, Adidas e Nike, eram minoria, mas estavam lá, na galeria transformada em trincheira do mofo, do atraso. Claro, o uniforme padrão não era de “grifes capitalistas”. As camisetas da maior parte dos jovens confirmavam o retardamento da turba, o compromisso com o lixo que tenta arrastar a humanidade há mais de um século para o extermínio das almas, o extermínio da própria espécie.

Os mais agressivos apresentavam no peito e nas costas os nomes de suas gangues: Unidade Popular pelo Socialismo; Movimento Luta de Classes; União da Juventude Rebelião; Poder Popular Socialista; MTST. Todos se renderam precocemente à demência, se enfearam, se embruteceram, querendo achar que representam o amor, a fraternidade, a solidariedade.

E eles têm seus programas políticos, ideológicos, econômicos, sociais… Todos iguais, uma redundância de infantilidade, imaturidade e senilidade. A ideia genial é estatizar tudo, tudo mesmo: propriedades rurais, indústrias, bancos, empresas de comunicação, gravadoras de música, produtoras de filmes, empresas de transporte, estabelecimentos de ensino… Quem quiser cursar uma faculdade deve ter a vaga garantida pelo Estado, sem necessidade de vestibular.

O Estado também deve garantir emprego para todo mundo. Vamos todos virar funcionários públicos. E vamos trabalhar menos, esse é o desejo dos jovens da Alesp e de tantos outros. Eles defendem a redução da carga de trabalho, com folgas obrigatórias aos domingos, em dias festivos e feriados. Com aumento de salários, claro, e liberdade total para fazer greve por qualquer motivo, ou mesmo sem motivo.

Os ricos vão pagar os impostos, pelo menos até que eles, os ricos, sejam extintos… E não haverá remessa de lucros, de dividendos a investidores estrangeiros. O pagamento de dívidas do país, das dívidas do Estado com “os capitalistas estrangeiros”, será suspenso. O Brasil terá “total independência frente aos países imperialistas, em particular ao imperialismo norte-americano”. E ainda vamos apoiar “a luta de todos os povos e países pela libertação da dominação e espoliação capitalista”.

Estão assim os nossos jovens, já apodrecendo antes da idade adulta. Os zumbis descontrolados da Alesp, os fascistas, comunistas e terroristas das escolas e universidades. Os apoiadores do Hamas, os inimigos da polícia, do bem, do correto, da família, de Deus. Os iludidos, os enganados, os burros… Precisamos reagir… Jovens, despertem. Jovens, amadureçam!

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

DE QUE MORREU FERNANDO PESSOA?

Nas últimas colunas, falamos do fim de Pessoa. Falta o complemento. Tentando saber de que morreu Pessoa. Ao responder, antes de tudo, é preciso considerar o cenário primitivo da medicina àquele tempo. Para exames de imagem, único recurso era a radiografia (desde 1895). O uso de plasma, como transfusão, apenas começava. Sulfas são de 1936; bancos de sangue, de 1937; penicilina, de 1944; ultrassonografia, endoscopia, tomografia, ressonância magnética e outros exames sofisticados viriam só na segunda metade do século XX. Tudo bem depois de sua morte, no distante 1935.

Em Portugal, longe dos grandes centros da Europa, atendimentos médicos domici liares ainda eram rotina. Hospitais destinavam-se apenas a casos graves, quase sempre terminais; e mais pareciam asilos ‒ lugares a que se ia para amainar dores de feridas crônicas, fazer amputações, lancetar grandes abscessos e morrer. Sem informações médicas mais detalhadas, resta especular sobre o diagnóstico. Vamos aos mais indicados pelos especialistas que consultei, todos (e foram muitos) professores doutores.

CIRROSE. Referência mais comum, entre os especialistas em Pessoa, é que a morte se deu por cirrose, a partir do álcool que consumiu pela vida inteira. Cirrose é fibrose grosseira que endurece o fígado e o leva à falência. Pode também evoluir para grande conjunto de consequências físicas ‒ disfunção sexual, atrofia testicular, aumento das mamas, queda de pelos; além de lesões vasculares da pele, em forma de aranha, conhecidas como telangiectasias aracniformes – dado seu tamanho diminuto, não facilmente reconhecíveis por quem convive com o paciente. Ausente quaisquer destes sinais, em seu caso.

Não obstante, o histórico de Pessoa sugere ser mesmo grande a chance de haver tido cirrose. Talvez até mais que apenas uma grande chance. É esse, aliás, o diagnóstico do médico dr. Bastos Tigre, depois de examiná-lo pelos anos 1920. Com o conhecimento que se tem hoje, é bem sabida a relação epidemiológica direta entre cirrose e alcoolismo, num período de 25 anos, avançando à medida que aumenta o volume do álcool. Praticamente nula até uma ingestão diária de 40 gramas, evolui para percentual de 50 por cento ao atingir 200 gramas, sem aumentos estatísticos a partir de então. E Pessoa bebia, por dia, muito mais que ditos gramas.

Na tentativa de calcular o montante de álcool diário por ele consumido, Francisco Manuel Fonseca Ferreira contabiliza uma garrafa de vinho a cada refeição principal, seis cálices de aguardente ao longo do dia, mais uma garrafa de vinho (ou mesmo garrafão) durante a noi te. Provavelmente, a quantidade seria maior ainda. A começar pelos seis cálices de aguardente, ao longo do dia, que parece uma conta modesta. Sobretudo no período próximo da morte. Sem contar que à noite, em vez de vinho, quase sempre prefere mesmo a aguardente da bendita garrafinha que sempre sempre o acompanhava.

Mas não é cirrose, com certeza, a causa de sua morte. Nem nenhuma doença hepática crônica descompensada. Tivesse efetivamente sofrido algo assim, dificilmente exibiria o vigor intelectual e a grandeza na produção do seu último ano de vida. Sabemos que se sentiu mal, teve dores abdominais e internou-se no hospital. Tudo muito rapidamente. Mas, para que morres se de cirrose, teria necessariamente demonstrado antes, além de desnutrição e fraqueza muscular (adinamia) intensa, também alguns dos sintomas clássicos que acompanham o estágio terminal de todas as cirroses. Em breve resumo:

a) Icterícia – em que apresentaria o corpo amarelado.

b) Ascite – em que aumentaria o volume do seu abdome. As calças ficariam com alguns botões sempre abertos e, nas pernas, demasiado grandes; posto que essa ascite, enquanto faz o restante do corpo definhar, aumenta só a cintura do paciente ‒ daí vindo sua designação popular, barriga-d’água.

c) Distúrbios neuropsíquicos – em que teria tido necessariamente agravadas, pelo álcool, disfunções neurológicas (como tremores, sobretudo nas mãos) e obnubilação (perturbação da consciência).

d) Hemorragia digestiva alta – com perda de sangue. Caso essa perda seguisse o trânsito digestivo normal, teria as fezes enegrecidas; e, quando não, vomitaria sangue. Um sintoma que, dado ter pai tuberculoso, logo chamaria a atenção da família, dos amigos, dos colegas de escritório, sobretudo porque são hemorragias geralmente volumosas.

e) Coma – por falência funcional do fígado ou complicações infecciosas.

Sem nenhuma referência qualquer a estes sinais, no relato dos amigos que com ele estiveram nos últimos dias. Nem no dos médicos que o atenderam. Mas não apenas por isso deve-se afastar, definitivamente, a hipótese de ter sido cirrose a causa de sua morte. Sobretudo porque cirrose não causa dor abdominal aguda, sua grande queixa nos últimos dias de vida. Só essa constatação bastaria.

OUTRAS CAUSAS POSSÍVEIS. As dificuldades para um diagnóstico aumentam. Na certidão de óbito da 5a Conservatória (hoje, com registro transferido à 7a Conservatória do Registro Cível de Lisboa, folha 805, assento número 1.609), está obstrução intestinal ‒ sem informações sobre o que teria levado a essa obstrução. Um evento pouco provável pela falta de distensão abdominal, de movimentos peristálticos visíveis ou vômitos.

Seria também razoável, sempre em tese, que pudesse ter tido tuberculose (a doença que vitimou seu pai) ou outros males do pulmão, por ser um fumante inveterado. De charuto e cigarro. E não custa lembrar que teve sempre gripes fortes, pela vida ‒ “dor de garganta”, como diz em seu diário. No início três por ano, ao passar do tempo foram ficando bem mais frequentes. E tantas eram que preferia dormir em um quarto interno do apartamento, longe do frio que no inverno penetrava pelas janelas. Mas tuberculose, mesmo intestinal, jamais daria um quadro agudo como o seu. Disso também não morreu.

No Livro de Registro do Hospital São Luís dos Franceses, o diagnóstico do dr. Jaime Neves é cólica hepática. Mas essa cólica hepática, atualmente chamada cólica biliar, não resulta do consumo de álcool. E nem mesmo tem a ver com o fígado, por decorrer de obstrução na vesícula, sendo sua causa mais comum a litíase. Esse diagnóstico do dr. Jaime Neves, por tudo, merece pouca fé. Caso assim se desse, e mesmo com os conhecimentos científicos da época, já se sabia que, sem intervenção médica, morreria em poucos dias ‒ dada a ocorrência inevitável de septicemia e falência de órgãos. Fosse mesmo esse o mal e, quase certamente, seria operado. Até porque cirurgias de vesícula já eram praticadas, com alguma regularidade, no Portugal daquele tempo. Mais provável é que, ante as incertezas no diagnóstico, tenha o primo doutor anotado uma causa qualquer, no prontuário médico, suficiente para justificar a morte.

CAUSA MORTIS PROVÁVEL, PANCREATITE. A mais provável hipótese médica é mesmo abdome agudo, decorrente de pancreatite. Um quadro, regra geral, não precedido por antecedentes clínicos, como ocorreu com Pessoa. Comum em alcoólicos, essa pancreatite é caracterizada por dor muito forte no abdome, associada com frequência a um quadro de choque grave e distúrbios metabólicos importantes.

Aumentando as chances estatísticas dessa hipótese, considere-se que certamente já não tinha um pâncreas sadio. Sem contar a possibilidade, comum em pancreatites, de ocorrer um quadro de dor tão forte (semelhante à de litíase biliar), no abdome superior, que poderia levar a desmaios ‒ por conta de enzimas pancreáticas que caem na corrente sanguínea, na ca vidade abdominal e/ou na retrocavidade dos epíploos.

Quando o encontraram sem sentidos à porta do banheiro, nos dias que precederam sua morte, talvez tenha tido apenas um episódio de hipoglicemia ‒ frequente em alcoólicos que bebem dias a fio (quase) sem comer ‒ ou delirium tremens, não há como saber; só que, mais provavelmente, terá sido um desses desmaios característicos da doença responsável por sua morte.

Tudo levando a crer que as dores que sentiu nos últimos dias, e de que tanto se queixou, devem ter mesmo sido surtos dessa pancreatite ‒ a causa da morte do poeta. Pessoa morreu? Viva Pessoa.

A PALAVRA DO EDITOR

CANTA FORTE, CANTA ALTO, MESMO OS QUE JAMAIS CHEGARÃO AO “ALTO DA GLÓRIA”

“Sejam bem vindos, mas venham na ‘maciota’. Num vale zuá u apagado foguim di ‘paia’ e os Sardinhas.” ¿Alguna vez te has preguntado de dónde provienen tu pasión, tus sueños y tus intereses? ¿Qué es lo que te hace ser… tú?

Quizás… Um recadinho do Sancho para o Xerim: “Você pousou no Galeão mais uma vez sem o caneco na mão”. kkkkkk

Alvíssaras, Hallelujah… GOLEADA – Projeto de privatização da Sabesp foi aprovado por 62 votos a um na Alesp. BONS VENTOS SOPRAM EM SAMPA. Valeu, Tarcísio!

The fundamental things apply. Da non crederci: o forse sì? O meu vasquim, ufa, safou-se… kkk… Sancho decidió poner un cartel: «Corazón a la venta; adentro el Vasco, cuatro perros, algunos pocos amigos y dos hijas. Venta de un corazón con urgencia, precio negociable».

Hasta dónde llegarías para encontrar las respuestas? Javier Milei y Sancho a favor de la venta de órganos. «Riñón a la venta»: Irán es el único país del mundo en que está permitido un mercado legal de órganos. Una organización gubernamental es la encargada de registrar los donantes y los potenciales compradores.

Una reciente tribuna del Wall Street Journal sobre este tema, enumeraba los pros y los contras sobre la venta legal de órganos: “pese a los escrúpulos éticos, visto desde la óptica económica «se salvarían muchas vidas sustituyendo el altruismo por el pago, porque no se puede confiar en la benevolencia de los donantes”.

The fundamental things apply, pois a pre’vidente’ Tetê inicia com: “Oremos para não acontecer mais nenhum “pé na bunda” para “Sancho frete rápido”. Oremos…Já pretérito, um domingueiro e domiziano, porkniano, peppiniano, pasquiniano e carvalhiano Palmeiras, aos ’69’ pontos gritou campeão. «Las imágenes hablan por sí solas». Ganhar títulos é igual ter carro; você pode ter vários, mas sempre o mehor será o do ano! Corazón en fiesta…

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PENINHA - DICA MUSICAL