JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

A ENGENHARIA DA VIDA E DA SOBREVIVÊNCIA

O arquiteto João de Barro na construção da sua moradia

Quando começamos os estudos, aprendemos, alguns anos depois que, as espécies vivas no planeta Terra “evoluem” – de acordo com a teoria de Charles Darwin, estudioso que, contestado ou não, conseguiu deixar como válidas suas teorias.

Depois, aprendemos também, que, as espécies se renovam tanto quanto se multiplicam – embora a espécie chamada humana não esteja atentando bem para isso nos dias atuais, entendo que alguém do sexo masculino “pode e tem direito” de pretender formar uma família com alguém do mesmo sexo. Pode até formar essa família, mas vai chegar um tempo que “multiplicar”, só se for com filhos infláveis comprados nas lojas de brinquedos.

Quer dizer, a sociedade “permite” e aceita, mas a Natureza diz “não”. Mas esse é outro assunto, e não está em pauta.

Voltemos à outras espécies.

Conseguindo se multiplicar de várias formas, convivendo entre si e se alimentando de milhares de formas diferentes, as formigas, por exemplo, têm um trabalho diferente. São várias as espécies. Afirmam os estudiosos que, de uma forma ou de outra, todas são úteis entre si, para a manutenção da biodiversidade.

As formigas devem ter uma relação muito próxima na Natureza. Sim, por que, como pode um ser vivo que não usa chips, não come pizza, não anda de avião, não paga impostos, não vê futebol nem torce pelo Flamengo ou Corínthians, ser avisado de quando vai chover, e, para se prevenir, carregar para si e para toda a sua “comunidade” a ração que vai consumir durante as intempéries?

Diz o ditado popular que, “formiga que quer se perder, cria asas”. Mas existem aquelas que voam naturalmente entre uma chuva e outra. Existem, também, aquelas que adoram açúcar, e ainda, aquelas que, quando ferroam alguém, a ferroada transmite algo que dói para caramba.

Já fizeram até filmes (A guerra das formigas) com esses seres inteligentes além da conta, que nunca incomodam os humanos; além de não perderem tempo votando em qualquer 3 de outubro.

É a Lei da vida.

Mas, o nosso mundo não é habitado apenas por nós e pelas formigas. Existem outros seres. Esses, inclusive, mais livres que nós. Têm asas e lhes foi dado o direito de voar. Voar livremente. Voar para onde desejarem.

São mais felizes que alguns de nós, pois constroem suas casas ou vilas sem a necessidade de comprar barro, tijolos, cimento, ferro, e sem precisar a liberação dos CREAs. São eles os próprios arquitetos das suas moradias e sequer precisam do “habite-se”.

Não é maravilhoso, ser um João-de-Barro?

É deles o mister da certeza de que podem ou não construir suas moradias sem serem importunados pela chuva – e acabam trabalhando em casal para agilizar mais ainda a construção da moradia, pois, provavelmente, as crias estão a caminho.

Nossas estórias que viraram histórias de tanto serem contadas, nos informaram que, ao lado de um “João”, quase sempre existe uma “Maria”. João e Maria, contam as estórias que na infância nos acalentavam e faziam dormir – e precisávamos ser transportados nos braços de adultos para as nossas camas ou redes.

Assim, existe também a “Maria-de-Barro”?

Enfim, entre todos os “Joões” que sobrevivem comendo formigas, lagartas, em que consiste mesmo a manutenção da biodiversidade?

Num futuro nem tão distante, como um João-de-Barro poderá construir suas casas e nos ajudar no combate das pragas, se a cada dia cresce o desmatamento que está obrigando as aves fazerem seus ninhos de reprodução nos postes de iluminação e nas janelas dos apartamentos dos prédios?

Quem, enfim, comerá as formigas e as lagartas?

Quem será aliado da sabedoria matuta, voando, para avisar “se vai chover ou não”?

DEU NO JORNAL

JOSÉ PAULO CAVALCANTI - PENSO, LOGO INSISTO

CONVERSAS DE ½ MINUTO (20)

Mais conversas em livro que estou escrevendo (título da coluna).

* * *

GILBERTO FREYRE, escritor. No solar de Santo Antônio dos Apipucos, era usual receber pessoas ilustres. De Jânio Quadros a Carlos Lacerda. Do cineasta Roberto Rosselini a sir John Russel. Servindo sempre, a todos, seu famoso Conhaque de Pitanga. Preparado por ele mesmo com pitangas vermelhíssimas, colhidas em seu pomar e colocadas em garrafas de cachaça de cabeça. Mais canela da casa e um licor de rosas fabricado por freiras do Convento do Bom Pastor (Garanhuns), que exigia fossem virgens. Quanto ao sabor, não há consenso. Segundo lenda, o romancista John dos Passos bebeu uma garrafa inteira sem reclamar. Enquanto Rubem Braga provou só meio cálice, fez muxoxo e disse “prefiro uísque”. Naquela tarde a liturgia e a pompa, na sala, eram as mesmas. Só que sua mulher interrompeu a conversa mostrando, a todos, um envelope fechado.

– Amor, correspondência para Gilberto Freire sem ipslon. Que faço?

– Devolva, querida. Destinatário desconhecido.

Admitindo fosse algo importante, ou mesmo alguma conta para pagar, insistiu

– Mas não seria bom abrir, antes, para saber do que se trata?

– Magdalena, é crime violar correspondência alheia.

* * *

HEBE, irmã. Armazém Ferreira Costa, na loucura dessa pandemia da Covid. A caixa olha para Hebe

‒ Testou?

Hebe revirou a bolsa, tirou de dentro um monte de papéis,

‒ Claro, aqui está o certificado da vacina.

‒ Testou as lâmpadas?, senhora.

‒ Ahhh…

* * *

MARIA LECTÍCIA, a quem obedeço faz mais de 50 anos. Esqueci algumas cédulas no bolso da bermuda e foi tudo parar na máquina de lavar. Ao vê-las boiando, na água, Maria Lectícia desligou, tirou, pôs para secar e disse

– Você fica reclamando com ministros, em Brasília, mas essa é que eu chamo a verdadeira lavagem de dinheiro.

* * *

SOGRAS. JORNAL O PODER, edição de 27/04/2022, deu manchete sobre Francisco

– O Papa elogia as sogras.

Mais, por baixo, esse comentário

– É porque ele nunca teve uma.

O que faz lembrar Cantoria de Pé de Parede que assisti, em que o grande Louro Branco recebeu mote, Na casa que sogra mora/ Não tem um genro feliz, e cantou assim

Minha sogra sem respaldo
Diz nos pensamentos seus
Que meus filhos não são meus
Que tem um do Lourinaldo.
Que o primeiro é de Geraldo
E o segundo é de Diniz.
Será meu Deus que eu não fiz
Um menino até agora?
Na casa que sogra mora
Não tem um genro feliz!

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

JOÃO ARAÚJO – MUNIQUE – ALEMANHA

A FECHADURA E A CHAVE – João Araújo / Leninho de Bodocó / Jesuíno

Você não quis saber
Da luz do nosso amor
Você não quis cuidar
De quem sempre lhe cuidou
Você desmantelou
Nosso ninho, nosso lar
Se aqui, eu choro à tarde
Você, aí, chora ao luar

REFRÃO:
Chora eu e chora tu
Tu de lá e eu de cá

No Novo-Mundo estou,
No Velho-Mundo está
O que nos separou:
O desamor e o vasto mar.
A esperança que me invade
Me faz acreditar
Que a fechadura e a chave
Cedo ou tarde vão se encontrar

REFRÃO:
Chora eu e chora tu
Tu de lá e eu de cá

DEU NO X

DEU NO X

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

ROBERTO BAPTISTA CAPPELLETTI – ITANHAÉM-SP

Sobre a postagem A FRAUDE DA CAUSA NEGRA de J.R. Guzzo no JBF:

Começando pelas nefastas “cotas raciais”, caminhando com a atribuição de um tal “racismo estrutural” e terminando pela demonização de palavras que sequer tem relação com o objeto da perseguição, esse aspecto do tal de ‘politicamente correto’ já encheu todas as medidas.

Será que as “inteligências” por trás dessas manifestações não percebem que essa permanente cutucação muito mais estimula o preconceito onde ele não existe do que educa as pessoas para que evitem comportamentos desagradáveis?

Há algumas semanas recebi na página do Face Book uma cópia de um jornal de cento e tantos anos atrás, onde um se anunciava uma espécie de leilão de escravos. Comentei que na época isso era muito normal; todo mundo aceitava, muita gente investia nesse mercado vergonhoso. As respostas que vieram só faltavam pedir o meu linchamento, como se na verdade eu é que seria o “racista”.

Essa é a sociedade sadia que deverá servir de modelo para as futuras gerações?

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

AFRONTA JUDICIAL

É simplesmente incrível o comportamento da suprema corte brasileira. Nunca vi um espaço físico tão pequeno, em relação às dimensões do país, causar o estrago que as decisões do STF é capaz. São dois momentos absolutamente claros, distintos, porém integrados: o primeiro é promover a soltura de Lula e demais denunciados pela Lava Jato; o segundo é, de qualquer forma e ao arrepio da lei, fazer Lula presidente do Brasil para isso tendo o exaustivo apoio da grande mídia, numa orquestração de atos devidamente compassados, incluindo também órgãos de controle externo como o TCU.

O ministro Bruno Dantas, lulista de carteirinha, numa ação de subserviência ao seu chefe, fez a relatoria de um processo no qual o TCU, por unanimidade, cobrava de Deltan Dallagnol R$ 2,8 milhões de reais pelas despesas com passagens para integrantes da força tarefa que botou na cadeia os ladrões petistas. Esse canalha, por indicação do Senado, é vice-presidente do TCU e apesar de tudo que o PT fez entre o mensalão e o petrolão, Bruno Dantas nunca foi capaz de exigir a devolução de um centavo sequer. Então, abusando do poder que lhe foi confiado, esse filho de uma puta, relata um processo com esse teor e, ainda por cima, consegue uma aprovação unânime do órgão. Ainda bem que o processo foi suspenso, pois caso contrário seria a decretação da falência moral do judiciário.

O problema que está por trás disso tudo é um só: o apoio ao mecanismo de vingança que passa pela mente de Lula. Ele não pode, nesse instante, partir diretamente para o confronto com seus algozes porque não tem instrumentos para atingir-lhes diretamente e por isso se serve dos cafajestes togados para atingir Moro e Deltan, afinal o PowerPoint de Deltan trazia a estampada da “alma mais honesta do Brasil” como o cerne de um esquema de corrupção da magnitude que se viu. Se Lula for eleito, Moro e Deltan terão enormes dificuldades caso não sejam eleitos para os cargos que pleiteiam.

Em adição, a maquiagem da justiça começa a cair mostrando uma face cruel, tendenciosa, distante dos preceitos constitucionais. Como a bruxa má do conto de Brancas de Neve perguntava ao espelho se havia alguém mais bela do que ela, o STF olha para o próprio umbigo se perguntando se há alguém mais poderoso do que ele. Creio ser, seu espelho, a careca de Alexandre de Morais: lustrosa, brilhante e sem o nitrato de prata que permite formar a imagem no espelho. Todos os ministros do STF se sentem poderosos, mas Alexandre de Morais tem certeza da sua onipotência.

Cabe lembrar que esse ministro foi capaz de imputar uma multa ao advogado do deputado Daniel Silveira por “recursos protelatórios” e eu não sei como ele não pediu a cassação da OAB do profissional, mas faltou pouco. Atitudes absolutamente descabidas como bloqueio de contas, de patrimônio, perseguição política, pedido para Interpol declarar Alan dos Santos como foragido e toda sorte de desmandos naquela cabeça cheia de teia de aranha.

Como se sabe, Alexandre de Morais foi campeão de pedidos de impeachment, mas há uma violação natural por parte dos demais ministros e o presidente do senado não tem coragem suficiente para dar andamento a um processo desses. Alcolumbre, arquivou todos os pedidos de impeachment. Sem analisar mérito de nenhuma deles e isso acontece porque deputados e senadores possuem penduricalhos no STF e não dignos de ações de coragem.

Nesse cenário de guerra declarada, o ministro Nunes Marques suspendeu a cassação de um deputado simpatizante ao presidente e uma das matérias que li sobre isso dizia que o ministro estava dando um passo na direção do impeachment. A lei Nº 1079/1950 traz as condições pelas quais um ministro do STF pode sofrer impeachment e dentre elas não consta anular decisão do STF, mas consta mudar voto sem recursos e exercer ação política partidária. Todos os petistas do STF fazem isso. Provavelmente é do seu conhecimento o famoso jantar com ministros do STF e senados – investigados pelo STF – para discutir ….. (complete a frase).

Nitidamente, estamos lutando contra forças organizadas que buscam se perpetuar no poder para impor suas regras e seus preceitos, deixando de lado o respeito aos preceitos democráticos e promovendo a impunidade dos bandidos políticos. Esse cenário é visto na Venezuela, onde a suprema corte de lá modificou a constituição para permitir, por exemplo, que Maduro concorresse, indefinidamente, ao cargo de presidente. Recentemente Lula disse: “eu não estou mais radical, estou mais Maduro, mais Maduro”.

Acho que todos nós, que nos opomos a este cenário de injustiça, precisamos ser mais diretos nos nossos objetivos. É hora de tomar partido por um país livre da peste e a melhor forma de fazer isso é dizer não a chapa de Lula.

DEU NO X

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