JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

OS MOINHOS DOS VENTOS E DOS SONHOS

“Os sonhos mais lindos sonhei!
De quimeras mil, um castelo ergui!
E no teu olhar, tonto de emoção,
Com sofreguidão, mil venturas previ!

O teu corpo é luz, sedução!
Poema divino cheio de esplendor!
Teu sorriso prende, inebria, entontece!
És fascinação, amor!”

Ontem eu sonhei. Sem sequer imaginar alguma petulância, no sonho, eu era Don Quixote e caminhava ao lado do Sancho. Procurávamos um moinho, pois o vento era, naquele tempo, os nossos corações – e a vida precisava ser mantida. Soprada. Impulsionada com movimentos da esquerda para a direita.

Que fosse até mesmo um redemoinho. Mas que fosse, a princípio, de vento. O vento que carrega nuvens, e, às vezes, também provoca tempestades. É a natureza do vento.

Eis que, num olhar despretensioso, de soslaio, Sancho – o mais fiel dos escudeiros – descobre no horizonte o balançar das folhas de uma palmeira. Baixinho, para não me assustar e acordar, diz:

– Senhor, temos ventos!

Incontido olhei e confirmei o aviso, ao tempo que disse:

– Não temos apenas ventos, Sancho. Temos o moinho!

Quixote comemora com Sancho o Moinho dos Ventos

Queimadas, quase todos já sabem, foi (e ainda é) o povoado onde vim ao mundo no dia 30 de abril. Meu primeiro banho (contou minha Avó) foi com água retirada da raiz da mucunã. Era tempo de seca total. A bacia (também contou minha Avó) não era grande, pois o menino era pequeno e a água era pouca.

Na cozinha a parentada cuidava do almoço: galinha caipira com pirão de parida para a mãe; patos e capotes para quem os podia comer. E gostasse.

Na sombra da frondosa mangueira do quintal, dois ambientes. Num, a limpeza preparatória dos patos e capotes; e, noutro, o Avô moía o milho para o pão-de-milho (hoje, cuscuz) sendo perturbado pelos pintos que se aproveitavam dos farelos que saltavam.

O pão-de-milho feito num prato, com a massa molhada aparada por um pano de prato, e posta a cozinhar no vapor da água fervente de uma panela.

Moinho antigo que virou peça de museu

Galinha cozida e pirão de parida feito. Patos e capotes fartos, preparados em cabidela – havia quem preferisse sem o sangue. E era prontamente atendido.

Na camarinha, a parida recebia cumprimentos, ainda com o esfomeado recém-nascido lutando para encontrar o mamilo materno e sugar a delícia do leite.

Na cozinha a parentada acabara de comer e as mulheres se apressavam para lavar os pratos e as panelas. O quintal onde as aves foram abatidas e limpas, recebia agora um novo cenário.

Um jirau que também era aproveitado como mesa de uma beirada propositadamente preparada, recebia, agora, outro moinho: o de moer grãos de café torrados ao mel da rapadura e acrescentado com porções de mangirioba.

Na latada da frente da casa as visitas aproveitavam aquele delicioso café torrado e moído em casa. Leite de cabra, pão-de-milho, biscoitos e bolachas acompanhavam o tão famoso e desejado café da tarde.

Bons tempos.

Moinho de mesa

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

MARTA CONCEIÇÃO FONSECA – JOÃO PESSOA-PE

O amor voltou com muita força!

E os preços cada vez mais altos!!!

Toda vez que faço compras, sinto muitas saudades dos tempos do “ódio”.

As coisas eram bem mais baratas.

Gente, este país parace coisa de doido.

Uma piada de mau gosto!!!

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

A GENTE ATÉ SE TOPAVA…

A gente até se topava
Mas não se dava direito.

Mote deste colunista

Na minha fase primeira
De sonhos e fantasia
Eu me encanguei com Maria
Filha de Chico Oliveira
E cometi a besteira
De guardá-la no meu peito.
Mas descobri que um sujeito
Dizia que a namorava,
A gente até se topava
Mas não se dava direito.

Perguntei para a sujeita
Se era tudo verdade,
Ela usando falsidade
Dizia: – Você aceita
Que uma pessoa suspeita
Possa falar desse jeito?!
Eu exijo mais respeito!!!
Riscou faca e ficou brava.
A gente até se topava
Mas não se dava direito.

Comecei botar reparo
Nos “pantim” daquela infame,
Numa moita de velame
Tocaiei dia inda claro;
Avistei Zé de Amaro
Com um ar muito suspeito,
Foi um abraço perfeito
Que nem Satanás soltava.
A gente até se topava
Mas não se dava direito.

Eu como sou paciente
Peguei os dois, amarrei
Uma pisa nela eu dei
Porém, soltei de repente.
Com ele agi diferente
Só sei que sumiu no eito…
Pois até ontem o prefeito
Menos um voto contava.
A gente até se topava
Mas não se dava direito.

DEU NO JORNAL

MAIS UMA EMPRESA ARROMBADA

Com os Correios beirando a insolvência, como sua direção já admitiu, a atual gestão quer empurrar a conta de sua ineficiência para o cidadão.

Quer aumentar tarifas em vez e cortar despesas, assim como o governo Lula (PT) aumenta impostos em vez de cortar gastos.

A ideia é impor 81,6% de aumento nas tarifas já a partir de abril, segundo o documento com “ações para sustentabilidade econômico-financeira”.

* * *

Um aumento de 81,6% tá pouco.

Muito pouco.

Em se tratando de uma empresa pública federal, o percentual do aumento das tarifas deveria ser em torno dos 200%.

Ou talvez mais.

Aguardemos.

MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

AÇÃO E REAÇÃO

O artifício de desviar a atenção para problemas reais com “novidades” extremas não é algo inédito na política. Os exemplos são inúmeros e o que mais se destacava era a guerra. Sempre que a economia mundial se aproximava de um colapso, então fulano declarava guerra contra sicrano e aliados de ambos os lados se incorporavam para defender fatos que nem sabiam ao certo, quais eram. Inúmeros jovens mandados para matar outros jovens para defender o interesse particular de um governo.

O fato mais recente, porém, sem nenhuma surpresa, é a denúncia formulada pela Procuradoria Geral da República contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. Para mim, diante fragilidade do PT – mais expressivo representante da esquerda no Brasil – Bolsonaro agiu de forma desproporcional ao cargo. Era o momento de organizar as pessoas que se colocaram contra a roubalheira, mas que foram favoráveis à liberdade econômica, combate ao desperdício do dinheiro público e redução do tamanho do estado etc., mas algumas coisas menores acabaram ofuscando ou mitigando coisas maiores.

Uma das principais coisas que eu coloco como um colossal erro político foi a escolha do vice-presidente na chapa. Na primeira tentativa, tivemos o General Mourão que, individualmente, não agregava voto em nenhuma região e acabou se envolvendo num manto suspeito de interlocução com Alexandre de Morais. Em 2022, havia uma pessoa competente, desenvolvendo um trabalho importante no ministério da agricultura que era a senadora Teresa Cristina. Ligada ao agronegócio, com grande representatividade no seu estado e conhecida na região, ela foi preterida pelo general Braga Neto que pode até ser um estrategista, mas não demonstrou esse espírito.

Não resta dúvidas, para mim, que Bolsonaro será acusado de tramar o tal golpe de estado, de concordar com o assassinato de Lula e tudo mais. Eu acho que Bolsonaro não tem cara de santo, no entanto, era preciso ser muito burro para apoiar um crime contra um cara que, politicamente, não representava mais nada. Lula foi eleito por forças ocultas e não por eleitos humanos. Falo isso, na qualidade de professor de métodos quantitativos, mais especificamente, na qualidade de um técnico que usa, faz e ensina como pesquisar e como analisar dados.

Durante a divulgação das pesquisas eleitorais, eu ironizei bastante e fazia uma conta simples, uma conta de chegada. Em 2018 Bolsonaro teve 54% dos votos. Mesmo que ele perdesse uns 10% dos seus eleitores, e considerando o aumento na quantidade de votantes, em 2022, Lula só seria eleito se todos os eleitores que deixaram Bolsonaro mais os eleitores novos em 2022, votassem em Lula. Lula foi eleito sem condições de andar pelas ruas do país e ainda continua assim.

No meio disso tudo, eu vejo uma cortina de fumaça para encobrir as mazelas de um governo medíocre que não tem o que entregar de bom à sociedade. Particularmente, li uma declaração de Gleisi Hoffmann onde ela dizia que “a oposição precisa se preocupar com Bolsonaro no banco dos réus”. Isso não deve ser preocupação da oposição. Quem precisa cuidar disso são os advogados de defesa de Bolsonaro, não a oposição ao governo. O papel da oposição é fiscalizar, coibir, consertar as besteiras que o governo vem fazendo e nesse campo há muito para se fazer.

Não resta dúvidas de que essa denúncia é uma forma de enfraquecer a oposição. O presidente, de acordo com as pesquisas, perde a eleição em todos os cenários. Por isso, há uma necessidade muito urgente de tirar o principal oponente do campo de batalha. Certamente, alguns eleitores lulistas irão dizer que a prisão de Lula tinha esse objetivo, ou seja, tirá-lo da disputado, mas no caso de Lula havia provas, Moro não tinha qualquer vínculo com Bolsonaro, sua decisão foi referendada por nove outros juízes. Confesso que não li a denúncia da PGR, mas li alguns trechos de editorais de grandes jornais questionando a peça. Também vi alguns advogados afirmando que não há provas, mas Bolsonaro tem 99,99% de chance de ser condenado e preso.

Cabe lembrar que a cada ação corresponde uma reação – igual e oposta, como dizia Sir Isaac Newton. E no meu entendimento, a maior reação é a banda boa desse país se organizar em torno de um nome capaz de expulsar essa corja do planalto. Isso não resolve, mas traz um fio de esperança. Não seremos capazes de mudar a estrutura do STF, mas somos capazes de eleger senadores com coragem suficiente de acatar um pedido de impeachment.

Observem o seguinte: em 2026 vamos renovar 2/3 do senado, ou seja, 54 senadores. Para formar maioria, no senado, são necessários 42 senadores. Existem 8 senadores do PL que continuarão e fala-se do apoio de, pelo menos, mais 20, sendo pessimista. Assim, estamos falando de 14 senadores sintonizados com a dignidade para tentar mudar esse país.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

O ERRO DO “POBRE NÃO CONSOME DÓLAR”

Editorial Gazeta do Povo

dólar, trump, lula, EUA

Dólar alto encarece vários produtos e serviços que os pobres consomem

Em reunião com empresários no dia 16 de julho de 2024, Lula fez a seguinte afirmação: “O povo mais pobre, o povo mais humilde, quando ele tem um pouquinho de dinheiro, ele não compra dólar, ele compra comida, ele compra coisas para a família”. A declaração do presidente ganhou os noticiários e, a partir daí, surgiram comentários e análises a respeito do tema, com destaque para uma pergunta: pobre não consome dólar? Desnecessário explicar que a pergunta não se refere ao dólar físico, mas aos produtos que os pobres consomem, a começar pela alimentação.

A declaração de Lula tinha como pano de fundo o aumento do preço do dólar – a mudança na meta fiscal do governo, em abril do ano passado, havia dado início a um movimento de desvalorização do real – e as preocupações quanto à possibilidade de haver elevação da inflação em função do encarecimento das matérias-primas (incluindo fertilizantes), equipamentos e produtos de consumo importados. Na outra ponta do comércio exterior, o lado das exportações, a maior cotação do dólar eleva os preços em reais dos produtos vendidos ao exterior, principalmente os alimentos gerados pelo agronegócio, o que contribui para criar pressão altista sobre os preços internos desses produtos.

De início, a declaração de Lula é falsa pelo simples fato de que a desvalorização da moeda nacional frente ao dólar faz aumentar os preços em reais de tudo o que o país importa, sejam insumos ou produtos acabados que, se não são comprados e consumidos diretamente pelos pobres, entram na produção e distribuição de vários bens e serviços consumidos pelas classes de menor renda. Essa equação é simples e fácil de entender, mas parece que, no governo do PT, a começar pelo presidente da República, a capacidade para entender até os aspectos mais óbvios da realidade é uma qualidade escassa.

Para ilustrar, vale mencionar alguns exemplos, começando pela comida: toda ela é produzida usando máquinas, equipamentos, combustíveis, fertilizantes e outros insumos importados. O transporte coletivo usa combustível derivado do petróleo, produto esse que o Brasil importa e exporta em função da dificuldade das refinarias nacionais em processar o petróleo pesado (dias atrás, Lula também disse “não comer petróleo e não beber gasolina”, aliás). Os medicamentos usam tecnologia estrangeira, máquinas e componentes importados. Máquinas e equipamentos eletrônicos – como celulares, computadores, tablets, satélites de comunicação, máquinas hospitalares etc. – ou são integralmente importados ou usam componentes importados.

Todos os produtos e serviços acima citados são consumidos pelos pobres e têm seus preços aumentados no mercado interno quando o dólar sobe. Portanto, ficando apenas nesses exemplos, está claro que os pobres consomem dólar, sim, e tudo fica mais caro quando o preço do dólar sobe. Declarações do governo, principalmente quando saem da boca das mais altas autoridades, têm efeito pedagógico positivo ou negativo e contribuem para melhorar ou piorar o nível de compreensão da realidade por parte da sociedade. Quando falsas, declarações governamentais têm o poder de deseducar e piorar o entendimento de questões importantes da vida nacional.

Quanto às relações comerciais do Brasil com o resto do mundo, a análise deve começar com algumas premissas conhecidas. Em primeiro lugar, todos os países se deparam com bens e serviços de que necessitam, mas não produzem no mercado interno, ou produzem em quantidades insuficientes; da mesma forma, há produtos que são produzidos em quantidades maiores do que o suficiente para abastecer o mercado interno, e cujos excedentes são vendidos a quem não consegue produzi-los. No caso do Brasil, o país só tem a ganhar com a aumento da abertura de sua economia para o exterior e a elevação da participação no comércio global. O aumento da demanda externa por produtos brasileiros contribui para o crescimento do PIB, do emprego e da renda interna, além de elevar as receitas em dólares, o que ajuda a conter a cotação da moeda estrangeira.

Uma máxima existente nas relações internacionais é que, ao aumento do comércio exterior, seguem-se os investimentos e que, ao aumento dos investimentos, segue-se a transferência de tecnologia. O Brasil é altamente carente de investimento estrangeiro e de tecnologia estrangeira; logo, o aumento do comércio exterior contribui para ampliar a absorção de investimentos e tecnologias que o mundo gerou e o Brasil não tem.

Nesse sentido, é um erro de política externa discriminar e hostilizar nações com as quais o Brasil precisa manter relações econômicas, principalmente os Estados Unidos. Lula tem uma longa lista de declarações elogiosas a ditaduras e críticas aos Estados Unidos, como a fala grosseira sobre Donald Trump, dizendo que a volta dele ao poder “é o fascismo e o nazismo voltando a funcionar com outra cara” – a declaração foi anterior à vitória eleitoral de Trump, em novembro do ano passado; após o resultado, o petista se mostrou menos verborrágico. O mais deplorável nessa postura de Lula é que ele declarou, em alto e bom som, que tem orgulho de ser chamado de “comunista”, quando o comunismo é o regime político mais sanguinário de toda a história da humanidade, nunca superado em seus 100 milhões de mortos somente no século passado.

Para que fique bem claro, portanto, Lula está errado: o pobre consome dólar, ainda que indiretamente, e sofrerá toda vez que a política errática do governo provocar elevação do preço da moeda estrangeira.

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

ENTRELINHAS, FATOS E FEITOS PRÉ-MOMESCOS

Todo ser humano tem um determinado nível de discernimento. Entretanto, alguns, como dizia a minha saudosa vó Zefinha, são “abiscoitados”, não pensam em nada, somente em dormir, comer, urinar e obrar, sempre proclamando “foi Deus quem quis”, “se Deus quiser”, sem atentar minimamente para as causas, os fatos e feitos históricos provocadores, como se tudo fosse ficar como dantes, no Quartel de Abrantes, ou sob o comando de algum Braga Neto, hoje encarcerado por ter sido sempre, em sua caminhada, um brega nato.

Na atualidade, conforme explicitado numa contracapa de livro, “ocorrem fatos e notícias, paradigmas da sociedade e sentimentos individuais que estão constantes e cada vez mais em aceleradas transformações.” Sem uma análise criteriosa, eivada de muita serenidade crítica, tudo se tornando um emaranhado confuso, provocando angústia e desesperos, desistências, falências morais e violências, como se o fim de tudo acontecesse no dia seguintes, sem qualquer possibilidade de se alterar o estado das coisas acontecidas.

Para se ter uma ideia, basta dizer que, no Brasil, dos últimos cinco presidentes eleitos após a redemocratização brasileira e defenestrada a ditadura militar, apenas um mandatário, Fernando Henrique Cardoso, não sofreu impeachment, não foi preso, nem está sendo processado por arquitetar golpe militar. Uma análise social, feita sem sectarismos ideológicos, ressalta uma das causas básicas de tal humilhação brasileira: a ausência de uma cidadania consistente do eleitorado brasileiro, dada sua gigantesca analfabetização política, provocadora de um comportamento de manada, que nulifica um agir pensante quando diante das urnas, potencializando não cobranças das propostas feitas pelos eleitos em campanha, que pintam e bordam, apenas obcecados em seus ganhos salariais e nas futuras eleições.

Observemos outros exemplos: os atuais níveis merdálicos das novelas televisivas, as merdiocridades comportamentais dos programas de auditório, os fuxiquismos que emergem das entrevistas sociais, o nível educacional dos atuais jogadores de futebol e dos comentaristas e narradores dos jogos, a quase totalidade utilizando uma nulificante concordância gramatical e fazendo uso de um universo vocabular de causar pena e ódio. Fatores que provocam uma radical diminuição dos níveis ibopísticos de telespectadores críticos.

Outro dia, num congraçamento programado por um estabelecimento de ensino médio com seus alunos, como convidado indaguei a um grupo de vinte e poucos alunos quantos livros tinham lido em 2024, salvo os utilizados em suas séries específicas. O resultado me deixou inquieto: apenas quatro tinha lido integralmente um livro, enquanto outros três tinham por hábito apenas ler páginas esportivas de um jornal adquirido pelos pais nos finais de semana.

Para os diretores do estabelecimento particular de ensino, uma amizade curtida de longa data, indaguei como estava o nível de frequência à biblioteca da instituição, que possuía uma profissional graduada contratada e continha refrigeração em suas salas de leitura. A resposta foi chocante: pouquíssimos livros consultados durante a semana e minimamente levados por empréstimos, apesar de serem todos novos e bastante conhecidos.

Creio que o atual Nível Mundial das Comunicações Eletrônicas muito desfavorece o senso analítico de inúmeros, que apenas aceitam manadamente as informações transmitidas, sem uma mínima análise, ensejando a formação de forte alienação mental, sem conhecimento de como serão os amanhãs históricos dos seus derredores sociais. E como o assunto da moda, agora, é frevo, folia, cachaça, rebolâncias, esfregâncias, bolinagens, enfiâncias e barrigâncias, com ou sem nenhuma responsabilidade, só nos resta torcer por futuros melhores para todos os cantos do planeta.

Não sou contra carnaval, muito pelo contrário. Mas minha preocupação primeira é como será o depois do Reinado de Momo, num Brasil dotado de pouca leitura, quase nenhuma criticidade, muita odiosidade e muitos sectarismos vexatórios, com uma equipe ministerial nada convincente, com um atual mandatário idem, com ou sem chapéu, e uma juventude que está a necessitar de amplos conhecimento humanístico e tecnológico, para não ficar ao léu, indo para o beleléu dos amanhãs globais, sem eira nem beira, apesar da proclamada rebeldia evolucionária da Besta Fubana, do sempre atuante escritor Luiz Berto.

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO JORNAL