Em cada feira, há o verso bonito de um violeiro. Nas esquinas, o resfolego amoroso de uma sanfona lembrando seu Luiz. No céu, uma lua branca e serena enfeitando o chão e enchendo de luz o rio. É este o meu Sertão, único, múltiplo, plural e singular. Não apenas bonito, mas sobretudo belo.
Sertão da macambira, do xique-xique, do mandacaru, plantas espinho/flor que acariciam o coração grande do sertanejo. Também sertão das flores e dos Poetas, que, tal qual pássaros, cantam suas loas e embelezam o dia-a-dia matuto. Aldeia do vaqueiro, do embolador, do aboio e das artes. Das carrancas, do couro e dos grandes Rios, o Santo Chico, o Pajeú…
Sertão que não se deixa por outro lugar, ainda que as asas da ribançã permaneçam enxutas. É este o meu Sertão, arrodeado de Paz e Fé por todos os lados. Abençoado pelo meu Padim Ciço e por Frei Damião. O Sertão que me faz gritar um Graças a Deus, todos os dias, pela consciência e ventura de estar aqui, de ser um ser tão sertão.
O juiz Antonio Maria Patiño Zorz, de São Paulo, ainda na primeira instância da justiça eleitoral, tornou inelegível, por oito anos, Pablo Marçal. É uma ação movida pelos candidatos derrotados da eleição municipal de São Paulo, Tábata Amaral, do PSB, e Guilherme Boulos, do Psol.
Marçal foi condenado por abuso do poder político, abuso do poder econômico, uso indevido dos meios de comunicação, captação ilícita de recursos de campanha. Ainda cabe recurso para o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP).
Coisas assim não existem na justiça americana. Para começar, os Estados Unidos não têm justiça eleitoral e quem faz a eleição lá é um secretário do governador de cada estado. A justiça americana permitiu, por exemplo, que o presidente Donald Trump concorresse. O melhor julgamento é o povo.
O colega colunista JR. Guzzo propôs que em 2026 Lula e Bolsonaro se enfrentem novamente nas eleições presidenciais. O povo julgaria e ponto final. O Brasil tem essa mania de tutela. Os burocratas que ocupam o Estado se sentem tutores do povo brasileiro. Como se estivéssemos no tempo do Império, do início da República.
O vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, naquele discurso memorável discurso histórico em Munique, na Conferência de Segurança, disse: “Se vocês têm que prender e censurar opositores é porque a democracia de vocês está precisando virar democracia de verdade. Está muito fraquinha. Se ela tem medo disso, tem medo das palavras”.
Isso se aplica para o Brasil. Deixa que o povo decida.
Não estou defendendo o Pablo Marçal, porque eu discordo do estilo dele – mas isso é uma questão pessoal minha. O que eu acho é que deveriam deixar que o povo decida.
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Nísia Trindade sai do Ministério da Saúde
A ministra Nísia Trindade deve sair do Ministério da Saúde. Ela, que tinha uma célula esquerdista dentro da Fiocruz, a Fundação Oswaldo Cruz – e foi mantida lá por Jair Bolsonaro, embora discordasse totalmente do ex-presidente.
Aliás, agora a gente está vendo quem tinha razão na pandemia. Aqueles que eram chamados de “terraplanistas” tinham toda a razão sobre a vacina, a máscara, sobre fechamento do comércio, sobre o distanciamento. Só que agora ninguém é responsável. Não fazem uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar quem provocou tanto prejuízo para o povo brasileiro.
Voltando ao assunto Nísia Trindade, quem deve entrar no lugar dela é Alexandre Padilha (mais do mesmo), que já foi ministro da Saúde, é médico e que está como ministro das Relações Institucionais de Lula. Pelo menos ele já tem experiência no Ministério da Saúde.
Sobra, então, a vaga do Ministério da Relações Institucionais. Será que Lula vai nomear alguém do PT ou será que ele vai nomear alguém do Centrão? Ainda não sei, mas acredito que o Centrão está com um pé atrás. O Titanic que é este governo já bateu no iceberg e não sei se o Centrão vai querer embarcar de vez.
Cesare Mansueto Giulio Lattes nasceu em 11/7/1924, em Curitiba. Um dos maiores cientistas brasileiros. Físico, codescobridor do “méson pi”, que deu o Prêmio Nobel de Física de 1950 a Cecil Frank Powell, líder do grupo de pesquisa, e fundamental para o desenvolvimento da física atômica. Exerceu forte liderança na criação do CNPq-Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico.
Filho de Carolina Maroni Lattes e Giuseppe Lattes, imigrantes italianos, completou o ensino médio no Colégio Dante Alighieri e se graduou em física aos 19 anos pela USP-Universidade de São Paulo. Teve como professor e mentor o cientista Gleb Wataghin, mestre de uma geração de físicos, como Mário Schenberg, Jayme Tiomno, Oscar Sala e Sônia Ashauer.
Conviveu com os cientistas pernambucanos Mário Schenberg, José Leite Lopes e Leopoldo Nachbin, e costumava brincar dizendo que para ser um grande cientista, só havia duas alternativas: nascer em Pernambuco ou se casar com uma pernambucana. Foi o que ele fez em 1947 ao se casar com a matemática Martha Siqueira Neto, com quem teve 4 filhas e foi o amor de sua vida em mais de 50 anos. Quando ela faleceu, em 14/10/2002, ele declarou “Minha vida acabou”. De fato, foi o que se deu logo após, com problemas cardíacos e pulmonares, que se acumularam até o falecimento em 8/3/2005.
Embora fosse o principal pesquisador e primeiro autor do artigo que descreve o “méson pi”, apenas Cecil Frank Powell -líder do grupo- foi agraciado com o Nobel de Física, não obstante ele ter merecido a premiação devido ao “seu desenvolvimento do método fotográfico de estudo dos processos nucleares e suas descobertas em relação a mésons feitas com este método”. O que impediu que ele recebesse o prêmio foi a determinação da política do Comitê do Nobel, até 1960, de conceder o prêmio apenas ao líder do grupo de pesquisa.
Mais tarde ele declarou: “Sabe por que eu não ganhei o prêmio Nobel? Em Chacaltaya, quando descobrimos o méson-pi, se publicou: Lattes, Occhialini e Powell. E o Powell, malandro, pegou o prêmio Nobel pra ele. Occhialini e eu entramos pelo cano”. Realmente, ele é o primeiro autor citado no artigo, que levou ao Prêmio Nobel. Powell é o último, conforme a referência bibliográfica: Lattes, C.M.G.; Muirhead, H.; Occhialini, G.P.S.; Powell, C.F. (1947). Processes involving charged mesons. Nature. 159 (4047): 694–697. Tal façanha marcou o início de um novo campo de estudos: a física das partículas elementares. Chegou a haver rumores que Niels Bohr teria deixado uma carta intitulada “Por que César Lattes não ganhou o Prêmio Nobel – Abra 50 anos após a minha morte”. No entanto, durante as buscas feitas no Arquivo Niels Bohr, em Copenhague, a carta não foi encontrada.
Não recebeu a premiação, mas entre 1949 e 1954, foi indicado 7 vezes ao Prêmio Nobel de Física. Além de sua atuação na criação do CNPq, em 1951, teve papel destacado na criação do CBPF-Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas, em 1949, e do IMPA-Instituto de Matemática Pura e Aplicada, em 1952. Teve participação fundamental no Instituto de Física da USP, onde implantou o laboratório de emulsões nucleares, e na UNICAMP, dirigindo o Departamento de Cronologia, Raios Cósmicos e Altas Energias do Instituto de Física e montou o laboratório de Síncroton.
Apesar de ser crítico de Einstein, suas pesquisas foram fundamentais para o desenvolvimento da ‘Teoria da Relatividade’, pois foram precursoras para a concepção dos ‘quarks’, apresentando fundamentos das teorias sobre a criação e a expansão do universo. Suas contribuições não se restringem ao meio acadêmico. Entre 1945 e 1956, houve uma forte interseção entre ciência e política. Os pesquisadores tinham a noção de que a ciência, para progredir, tem que partir de preceitos políticos capazes de arregimentar apoio logístico e financeiro em questões estratégicas para o desenvolvimento nacional.
De 1950 a 1959, esteve presente na Comissão de Raios Cósmicos da União Internacional de Física Pura e Aplicada, demonstrando a necessidade de integração em parcerias e cooperação entre nações em prol do desenvolvimento científico. Recebeu várias homenagens nacionais e internacionais em reconhecimento ao legado de suas contribuições. Numa das homenagens, o CNPq deu seu nome à “Plataforma Lattes”, uma base de dados de currículos e instituições nas áreas do conhecimento. Trata-se do registro da vida profissional dos pesquisadores, elemento indispensável à análise de mérito e competência dos pleitos apresentados às agências de fomento no Brasil.
Dentre tantas homenagens de instituições científicas, vale citar uma bem popular, como o samba-enredo da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira: “Ciência e Arte”, numa parceria de Cartola e Carlos Cachaça, em 1947. A canção foi regravada em 1999 por Gilberto Gil no álbum Quanta Live, premiado com o “Grammy” na categoria World Music. Contamos ainda com a excelente biografia – Cesar Lattes: uma vida – visões do infinito, de Maria Góes e Tato Coutinho, publicada pela editora Record, em 2024. Neste ano seu nome foi inscrito no “Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria”. Para conhecer melhor o caráter humano do cientista, vale a pena ver a entrevista concedida por suas filhas. Para ler, clique aqui.
Dá para ter uma comida batata, sem ter que gastar dinheiro com esse pessoal fascista do AGRO que só quer vender em dólar, comprar trator, comprar picape, usar veneno, queimar a floresta e mudar o clima.