MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

QUANDO EU PENSO QUE VAI MELHORAR

Decididamente, estamos na corda bamba, absolutamente distante de ser bêbado ou equilibrista. Não esperamos mais “a volta do irmão do Henfil” porque, na verdade, ele voltou e foi vítima – tanto quantos seus irmãos Henfil e Chico Mário – de um estado ineficiente e desastroso. O “irmão do Henfil” era o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, que era homofílico e morreu de AIDS, sendo contaminado nas transfusões de sangue na hemodiálise.

O fio de esperança que nos envolve, acaba sendo tragado pelo comportamento corrupto dos nossos governantes e somos sufocados pela leniência de uma justiça acéfala, cujos integrantes esqueceram que representam apenas um terço da república e abarcaram o poder por intepretações bem particulares das leis. Na verdade, o processo judicial passou a ser seletivo e quando se quer falar que tais procedimentos violam as garantias constitucionais individuais, a sensação é de que riem da gente com a maior naturalidade. Você não pode protestar nem publicamente – basta lembrar do caso da “terrorista” que não tinha arma química, biológica, granada, nada disso, apenas um batom – e nem juridicamente porque a justiça não tem interesse em ouvir quem protesta.

O conluio, ou simbiose, entre justiça e corrupção se estreitou suficientemente ao longo do tempo. A vontade do povo é o que menos importa. Comece pensando na lei de ficha limpa que representa o anseio da população séria contra políticos corruptos. Não adiantou. A justiça eleitoral homologa a candidatura de um canalha corrupto, enquanto um trabalhador que deixar de pagar prestações de um crediário fica impedido de fazer novas compras se for negativado no SPC ou Serasa. Isso é inconcebível.

Uma das coisas que mais me incomoda nesse país é essa lenga-lenga de golpe. Muito além do que se tratou por um grupelho de militares, como aquelas pessoas que estavam na frente do congresso são cúmplices desse “complô”? isso entra na cabeça de pessoas interessadas em punir quem pensa ao contrário. O caso da Débora, o caso do vendedor de água mineral que foi obrigado a usar tornozeleira eletrônica, o caso de uma senhora de quase 80 anos detida com arma devastadora – uma bíblia.

As pessoas protestam. As pessoas dizem que não suportam mais. As pessoas falam, falam, falam e os donos do poder continuam pouco se lixando para isso. O que mudou desde a eleição de 2022? Em termos econômicos e sociais o Brasil piorou, apesar da divulgação de índices estupendos de emprego. Em termos práticos a Transparência Internacional reconheceu que a percepção da corrupção no Brasil piorou. O país se afastou de uma política que o aproximava da OCDE, para uma caricatura medíocre de um estado democrático. No passado, as Cruzadas não passaram de uma forma de matar, em nome de Deus. As Cruzadas de hoje é a defesa do estado democrático de direito, sem lá o que porra isso signifique.

Em meio disso tudo, surge mais um escândalo e, ao que tudo indica, outro já se avizinha. Em meio a tudo isso, o congresso aprova o aumento de vagas para deputado federal, passando dos 513 atuais para 531. Não se trata apenas de uma permutação simples. Trata-se de um ataque às contas públicas tendo em vista cada deputado custar mais de R$ 180 mil/mês, logo, essa gente representa um custo anual da ordem de 1 bilhão de Reais.

O que se avizinha é trágico. Teremos mais 18 novos focos de despesas, de ineficiência e de irresponsabilidade fiscal. Nossa esperança não dança na corda bamba de sobrinha. Anda numa montanha russa onde as quedas são intensas e as elevações simples lampejos.

DEU NO X

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

O SENTIMENTO DO AMOR

O sentimento do amor
A mãe traz no coração.

Mote do Poeta Nascimento

Só ela traz esse laço
Fruto do amor perfeito,
Depois da luz, dá o peito,
O aconchego, o abraço.
Sopra, se vem o mormaço,
Reza e pede a proteção
E O Autor da Criação
Ouve e atende o clamor.
O sentimento do amor
A mãe traz no coração.

Hoje a minha mãe querida
Está no Reino de Deus,
Deixou saudade nos seus,
Há meses fez a partida.
Devota da Concebida,
Pedia em cada oração
A divina intercessão
Junto a Deus Pai Criador.
O sentimento do amor
A mãe traz no coração.

DEU NO JORNAL

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

SCHIRLEY – CURITIBA-PR

Domingo é dia de missa.

Neste, provavelmente, estarão comemorando nas missas o novo Papa pelo mundo todo.

Robert Francis Prevost. Belo nome.

Escolheu ser Papa Leão XIV o que gerou curiosidade nos fiéis. A escolha foi uma homenagem a Papas anteriores, como Leão I conhecido como “O Magno” e Leão XIII autor da encíclica social “Rerum Novarum’.

Muito se falou em um “Papa americano”. Nascido em Chicago em 14 de setembro de 1955 tornou-se o primeiro pontífice norte-americano da história da igreja católica. Pouco se falou sobre sua dupla cidadania peruana. Foi lá, no Peru, que ele atuou como missionário, professor de missionário, pároco, administrador diocesano e bispo de Chiclayo.

Um “Papa latino-yankee” que já se posicionou contra Trump (cada que um pense o que quiser). Só deixou o Peru para trabalhar no Vaticano.

Prevost, nos anos 70, obteve o título de bacharel em matemática. Em setembro do mesmo ano juntou-se aos agostinianos e fez seus primeiros votos solenes. Em 1979, formou-se como Mestre em Divindade pela Catholic União Teológica.

E não, esse Leão nada tem a ver com futebol! 🤪

Seu esporte favorito é o tênis e gostaria de ter mais tempo para voltar as quadras para poder praticar mais.

Agora assumo a responsabilidade de chamá-lo de “linguarudo”, hehe. Robert é fluente em 5 idiomas! Inglês, Espanhol, Italiano (lembrei do Di), Francês e creiam, Português!

Todas as curiosidades sobre Robert (colhidas aleatoriamente) só me trouxeram aqui pela curiosidade que mais chamou minha atenção!

Temos um Papa cervejeiro. Isso mesmo.

Sem perder a compostura preciso dizer que brasileiro é “phoda” mesmo. Logo em seguida ao anúncio de um novo Papa descobriram uma imagem que viralizou nas redes sociais.

Em 2004 Robert realizou uma breve visita a Minas Gerais. Na foto o pontífice aparece sorridente (efeito será?) com um copo (ou taça) de cerveja nas mãos!

Ulalá! Quem diria, cervejeiro (o que não é proibido desde que não seja vício).

Um ótimo domingo a todos.

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Joana Angélica

Joana Angélica de Jesus nasceu em 12/12/1761, em Salvador, BA. Religiosa concepcionista, pertencente a Ordem das Reformadas de Nossa Senhora da Conceição e mártir da independência do Brasil. Conhecida pelo ato de bravura final de sua vida, tem hoje sua imagem reconstruída por historiadores que pontuam sua importância na história do Brasil.

Entrou para o noviciado no Convento de Nossa Senhora da Conceição da Lapa, em caráter de exceção, em 1782 e fez profissão de fé no ano seguinte, quando ingressou como irmã da Ordem, onde permaneceu reclusa durante 20 anos. Entre 1792 e 1801 foi escrivã do convento; em 1812 assumiu a função de vigária por dois anos; assumiu a direção do convento em 1815, quando foi escolhida abadessa, função que desempenhou até 1817.

Voltou à posição de abadessa em 1821, até o dia de sua trágica morte defendendo o convento. Em 20/2/1822, as tropas portuguesas invadiram o Convento de Nossa Senhora da Conceição da Lapa, alegando que de lá os adeptos da independência estavam atirando nos soldados portugueses. Um grupo de soldados tentava arrombar um portão, enquanto Joana Angélica ordenava às irmãs que fugissem pelos fundos. A madre se colocou como último obstáculo aos invasores e conta a história, reproduzida por diversos historiadores, que teria exclamado: “Para trás, bandidos. Respeitem a casa de Deus. Recuai, só penetrareis nesta casa passando por sobre o meu cadáver”.

Uma baioneta atravessou-lhe o ventre e assim, tronou-se a primeira mártir da luta pela libertação da Bahia em 2/7/1823, data da efetiva independência baiana. Uma extensa pesquisa realizada em diversos arquivos, conduzida pela pesquisadora Antônia da Silva Santos durante dez anos, não encontrou nenhum documento provando que a Sóror disse isso de fato. De qualquer modo, ficou registrado seu ato heroico, que motivou o processo canônico de sua beatificação.

Para isto, uma pesquisa foi realizada nos mosteiros de Salvador, arquivos públicos, bibliotecas e arquivo da Cúria Metropolitana, bem como arquivos e bibliotecas em São Paulo e Rio de Janeiro, chegando até o Arquivo Nacional da Torre do Tombo, em Lisboa. Tal pesquisa foi anexada ao processo de candidatura à beatificação, enviado à Santa Sé pelo Convento da Lapa, em 2001. Enquanto sua santificação não é confirmada pela Igreja, as homenagens dirigidas à Joana Angélica vêm se acumulando desde princípios do século XX. Em 1923, o Conselho Municipal de Salvador nomeou a rua da lapa, onde se localiza o Convento, como Avenida Joana Angélica.

Seu nome denomina diversos logradouros públicos em algumas cidades brasileiras. Em 20/2/1922, o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia realizou uma grande comemoração do Centenário do martírio da Madre Joana Angélica de Jesus. Em 26/7/2018, através da Lei Federal nº 13.697, foi incluída no “Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria”. Seu mausoléu encontra-se no Convento da Lapa, em Salvador.

DEU NO JORNAL

O DESAFIO DO DESENVOLVIMENTO

Editorial Gazeta do Povo

O mapa-múndi invertido preparado pelo IBGE e divulgado por seu presidente, Marcio Pochmann: Brasil “quase” acima de todos

Há muitas décadas, os brasileiros alimentam a esperança de ver o país mais desenvolvido e próspero. No entanto, o progresso continua lento – muito aquém do desejado – como revela o mais recente relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), divulgado nesta semana. Segundo o levantamento, o Brasil ocupa, em 2023, a 84ª posição no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), exatamente o mesmo lugar de 2015, com um índice de 0,786. Em relação ao ranking atualizado de 2022, houve um avanço modesto: subimos apenas duas posições. Vale lembrar que, na versão inicial do ranking de 2022, o país aparecia em 89º lugar, mas os números foram atualizados posteriormente.

O IDH brasileiro é hoje equivalente ao de Palau, um arquipélago no Pacífico com cerca de 18 mil habitantes, formado por 340 ilhas (algumas minúsculas), ameaçado de desaparecer com a elevação do nível do mar. É também apenas 0,001 ponto superior ao da Moldávia, pequeno país do Leste Europeu com 2,5 milhões de habitantes, que vive sob constante tensão desde a invasão russa à vizinha Ucrânia, pressionado por movimentos separatistas e tentativas externas de interferência política.

Embora o Brasil tenha apresentado aumento contínuo no IDH nas últimas décadas – com exceção do ano de 2015 e do período da pandemia, quando o mundo todo enfrentou retrocessos –, o ritmo do progresso nacional tem sido visivelmente mais lento que a média global. Para se ter uma ideia, em 2002 estávamos na 63ª posição; em 2010, caímos para a 73ª; em 2015, para a 84ª; e, em 2023, com o 86º lugar. E o resultado brasileiro em 2023, poderia ter sido ainda pior. Quando se leva em conta a desigualmente social, o Brasil cai drasticamente, ficando apenas na 105ª posição global.

O resultado – que a máquina de propaganda do governo federal chamou de “salto” na melhoria da qualidade de vida da população e consequência das políticas federais – mantém o país entre os piores da América Latina, à frente apenas de Paraguai (99º), Bolívia (108º) e Venezuela (121º). Ficamos atrás de Chile (45º), Argentina (47º), Uruguai (48º), Peru (79º) e Colômbia (83º). No topo do ranking global estão Islândia (1º), Noruega (2º), Suíça (3º), Dinamarca (4º), Alemanha (5º) e Suécia (6º). Os Estados Unidos ocupam o 17º lugar.

O ranking do Pnud avaliou 193 países com base em dados de 2023 sobre expectativa de vida, escolaridade e padrão de vida, medido pela Renda Nacional Bruta (RNB) per capita ajustada pela paridade de poder de compra (PPP). No caso brasileiro, a ligeira melhora no índice deveu-se, sobretudo, ao aumento da expectativa de vida, que passou de 74,87 anos em 2022 para 75,85 anos em 2023, e ao crescimento da renda bruta per capita nacional – calculada sem contabilizar deduções de impostos e tributos –, que passou de US$ 17,5 mil para US$ 18 mil. No campo da educação, porém, seguimos estagnados: a média de anos de escolaridade permanece em baixos 8,43 anos, evidenciando mais uma vez a fragilidade estrutural do setor.

Não por acaso, o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), também divulgado recentemente, revelou um dado alarmante: 29% da população brasileira pode ser considerada analfabeta funcional. As avaliações internacionais, com rigor quase implacável, continuam a escancarar o abismo entre o Brasil e as nações que souberam investir de forma séria e contínua em educação e os efeitos nefastos da falta de uma educação voltada para a excelência.

Os dados do IDH evidenciam, mais uma vez, que o país ainda tem um longo caminho a percorrer até alcançar o verdadeiro desenvolvimento. São décadas de negligência, falta de planejamento de longo prazo, investimentos ineficazes por parte dos governos e políticas populistas e eleitoreiras. Virar o mapa-múndi de cabeça para baixo, como fez o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sob a gestão de Márcio Pochmann, não será suficiente para mudar a realidade brasileira e colocar o Brasil entre os países desenvolvidos.

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

SOBRE POLÍTICA, SEM POLITIQUICES

Confesso sempre que detesto discutir com quem não pensa, só rumina, critica e lamenta, sem uma mínima criatividade analítica. Todos eles me fazendo lembrar vagalumes que só acendem pela parte de trás, como se o fiofó tivesse algum QI.

Mas ler sobre política por gente que analisa e reflete, faz um bem danado de bom. E um dos pensantes que mais admiro, infelizmente já se encontra na eternidade, inspirando um montão de outros irmão desencarnados. E o nome dele é Rubem Alves (1933-2014), de nome completo Rubem Azevedo Alves, filósofo, teólogo, psicanalista e professor consagrado da Universidade de Campinas, São Paulo, mineiro de muita BS – Binoculização Social.

Com excepcional senso de oportunidade, a Companhia Editora Nacional lançou, em 2020, uma primorosa seleção de crônicas de Rubem Alves, algumas delas publicadas nos jornais Folha de São Paulo e Correio Popular, num livro intitulado CONVERSAS SOBRE POLÍTICA PARA TODOS OS TEMPOS. Com uma reflexão excelente na contracapa, feita pela sua filha Raquel Alves, atual presidente do Instituto Rubem Alves. Duas pequenas amostras: “Falar sobre política é um jeito de falar sobre nós mesmos. Falar dos nossos sonhos, do nosso estilo de vida e, principalmente, falar sobre o mundo que queremos e que construímos para nós e para aqueles que virão depois de nós.” A segunda amostra:

“Não há tempo certo para ler e pensar sobre as questões que Rubem Alves nos traz. Todo tempo é tempo de sonhar e construir. Sempre foi e sempre será. Seja passado, presente ou futuro, este livro será sempre fundamental e atual.”

No Prefácio, o aplaudido jornalista Jamil Chade revela que Rubem Alves, em seu texto, explicita que a insurreição, no Brasil, só se efetivará através da educação. E ressalta um pensar do teólogo mineiro: “Para que todo ambiente se democratize é preciso que o povo saiba pensar. Se o povo não souber pensar, votos e eleições não produzirão democracia.”
Do livro, lido e rabiscado por mim várias vezes, explicito abaixo algumas reflexões do notável Rubem Alves, por muitos amados e por alguns outros vistos com olhos enviesados, dada sua coragem gigantesca de opinar sem papas na língua, embora sempre muito caridosamente lúcida. Com licença do Luiz Berto, apresento algumas neste fubânico jornal:

“O crime não começa com o dedo que puxa o gatilho. Ele começa naquele que fabrica a arma.”

“A presença dos ratos na vida brasileira é evidência de que o nosso povo não sabe pensar, não sabe identificar os ratos.”

“Um povo se faz com ideais, com esperanças partilhadas. Estava certo o poeta Tagore quando dizia que o povo pedia canções. Como o Guimarães Rosa, vivo na esperança da ressurreição dos mortos.”

“Seria maravilhoso se o povo agisse de forma racional, segundo a verdade e segundo os interesses da coletividade.”

“A essência da representatividade é a igualdade entre o representado e o representante. Uma raposa não pode representar as galinhas. O dono da fábrica não pode representar os operários, nem um heterossexual pode representar os gays.”

“Não acredito que o conformismo dos homens se deva ao fato de que eles não dão importância ao próprio governo. Deve-se, ao contrário, ao fato de haverem perdido as esperanças. Sabem que seus esforços são inúteis.”

Que os leitores se cidadanizem mais, pensando mais racionalmente, com coragem e binoculização. Caso contrário, tudo vai dar mel…

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO X