WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

O ENTERRO DA SAUDADE

Vou enterrar a saudade
No quintal da solidão!

Mote de Pedro Torres

Cansei de guardar veneno
Dentro do meu velho peito
Por isso eu achei um jeito
Pra continuar sereno
Numa cova do terreno
Da humilde habitação
Joguei cal em proporção
Para evitar umidade
Vou enterrar a saudade
No quintal da solidão!

Uma tampa de lajedo
Vou botar naquela cova
Pra que uma saudade nova
Não enrame igual ao bredo
Vou libertar do degredo
Toda minha inspiração
Tocar no meu violão
Acordes de liberdade
Vou enterrar a saudade
No quintal da solidão!

Vou sair do labirinto
Da saudade matadeira
Que quer de qualquer maneira
Todo o meu prazer extinto
Mas seguindo o meu instinto
Acharei a solução
Meu santo de devoção
Me mostrará a verdade
Vou enterrar a saudade
No quintal da solidão!

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

OS BRASILEIROS: Mario Pedrosa

Mário Xavier de Andrade Pedrosa nasceu em 25/4/1900, em Timbaúba, PE. Advogado, jornalista, escritor, ativista político e, principalmente, crítico de arte. Iniciador das artividades da oposição de esquerda internacional no Brasil, liderada por Leon Trótski, na década de 1930 e da crítica de arte moderna brasileiira na década de 1940. Foi um dos líderes e teórico do movimento concretista no Brasil.

Filho de Antonia Xavier de Andrade Pedrosa e Pedro da Cunha Pedrosa, usineiro e senador da República, aos 13 anos foi estudar na Suiça, no Institut Quinche, onde ficou até 1916. Ao retornar ao seu País, mudou-se para o Rio de Janeoiro e ingressou na Faculdade Nacional de Direito, onde teve os primeiros contatos com o marxismo, num grupo de estudos organizado pelo Prof. Edgardo de Castro Rebello. Logo após formar-se advogado, em 1923, mudou-se para São Paulo, onde passou a trabalhar não como advogado. Foi redator de política internacional no jornal Diário da Noite. Além disso, publicava também artigos de crítica literária. Seu envolvimento na política resultou na filiação ao PCB-Partido Comunista Brasileiro, em 1926.

Em 1927, mudou-se para São Paulo para assumir a direção da Organização Internacional para Apoio a Revolucionários (Socorro Vermelho), fundada em 1922 pela Internacional Comunista, para prover auxilio moral e material aos comunistas presos ou perseguidos em todo o mundo. Por essa época, teve contatos com os opositores ao stalinismo e foi enviado à Russia, em 1927, onde faria um curso na Escola Leninista Internacional, em Moscou. Na viagem adoeceu, na Alemanha, e por lá ficou, passando a combater o movimento nazista, que se inciava. Na época estudou filosofia, estética e sociologia na Universidade Humboldt de Berlim, com renomados pensadores.

Retornou ao Brasil em 1929 e manteve contatos com Rodolfo Coutinho e Lívio Xavier, que também se opunham às políticas adotadas pela direção do PCB. Pouco depois foi expulso do “partidão”, devido a sua ligação com o movomento trotsksita. Em 1931, junto com alguns amigos, fundou a Liga Comunista, ligada à Oposição de Esquerda Internacional. Em 1938, representou vários partidos operários da América Latina no Congresso de Fundação da Quarta Internacional, em Périgny, França, e foi eleito para o Comitê Executivo da IV Internacional. Após o fim do Estado Novo, retornou ao Brasil e tornou-se crítico de arte do Correio da Manhã (1945-1951), d’O Estado de São Paulo (1951-1956), da Tribuna da Imprensa (1951-1956), Jornal do Brasil (1957-1961) e voltou ao Correio da Manhã em 1966-1968. Nestes jornais conciliava sua condição de crítico de arte com crítica política na seção opinativa.

A II Bienal de Arte de São Paulo, em 1953, consagrou o pintor ítalo-brasileiro Eliseu Visconti, numa exposição especial, considerado por ele como o “inaugurador” da pintura nacional. Nesta Bienal, trouxe obras, como Guernica, de Picasso, bem como obras dos principais mestres da vanguarda artística da época: Paul Klee, Mondrian, Alexander Calder, Edvard Munch, Marcel Duchamp e Juan Gris. Pouco depois, foi secretário-geral da 4ª Bienal (1957); organizou o Congresso Internacional de Críticos de Arte (1959); vice-presidente da AICA-Associação Internacional de Críticos de Arte; presidente da ABCA-Associação Brasileira de Críticos de Arte, além de membro do juri de diversas bienais de arte em todo mundo.

Em 1970 foi processado por denunciar no exterior a prática de tortura a presos politicos e teve decretada a prisão preventiva. Buscou asilo no Chile, que logo se tornou público. A revista The New York Review of Books publicou carta aberta assinada por uma centena de personalidades internacionais (Calder, Picasso, Henry Moore, Max Bill etc.), responsabilizando o governo brasileiro por sua integridade física. Já em Santiago, em 1971, foi convidado pelo diretor do Instituto de Arte Latino-americana, Miguel Rojas Mix, para integrar aquela entidade e ministrar aulas de história da arte latino-americana na Faculdade de Belas Artes de Santiago. Pouco depois, foi incumbido pelo presidente Allende de organizar um museu de arte moderna no país.

Em pouco tempo e graças às suas amizades, conseguiu a doação de mais de mil obras de grandes artistas (Calder, Miró, Picasso etc.) e em 1972, na primeira exposição, foi inaugurado oficialmente o Museo de la Solidaridaried. Regressou ao Chile no ano seguinte dois dias antes do golpe militar e da morte de Salvador Allende. Asilou-se na embaixada do México, para onde se mudou, e depois para Paris, acolhido por novo asilo político. De lá, batalhou e consegiu recuperar as obras doadas ao Museu apreendidas pela junta militar chilena.

Em 1977, já doente, retronou ao Brasil e passou a acompanhar o surgimento das lutas sindicais no ABCD paulista. Em agosto de 1978, publicou o artigo: “Carta a um Operário”, dirigida ao líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva, sugerindo a formação de um partido dos trabalhadores clique aqui para ler). Em seguida participou da fundação do PT, em 1980, Foi o primeiro dos intelectuais a se filiar, tendo a ficha de inscrição nº 1. No campo das artes, foi protagonista no surgimento do movimento concretista no Brasil; diretor do MAM-Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e autor de vários livros: Dos murais de Portinari aos espaços de Brasília, Calder e a música dos ritmos visuais (1949), Artes, necessidade vital (1949), Dimensões da arte (1951), Forma e personalidade (1951), Panorama da pintura moderna (1951), Da Missão Francesa, seus objetivos políticos (1957), Arte em crise (1975), Panorama da pintura contemporânea, A problemática da arte contemporânea, Arte agora, Arte/forma e personalidade (1979), Da natureza afetiva da forma na obra de arte (1979), além de vários artigos publicados em revistas especializadas. Deixou inacabado o livro A pisada é esta, (sua autobiografia).

Em 1980, ao completar 80 anos, foi homenageado com uma exposição na Galeria Jean, contendo as obras de muitos dos seus amigos artistas, cobrindo o período de 1919 a 1980. Dessa exposição resultou o catálogo “Homenagem a Mário Pedrosa”. No mesmo ano, coordenou a edição do livro Museu da Imagem do Inconsciente, de Nise da Silveira e faleceu em 5/11/1981, aos 81 anos. Em termos biográficos e análise literária, temos: Mario Pedrosa: Retratos do exílio, de Carlos Eduardo de Senna Figueiredo, publicado pela Ed. Antares, em 1981; Mario Pedrosa: Itinerário crítico, de Aracy Amaral e Otília Beatriz F. Arantes, publicado pela Cosac Naify, em 2004; Mario Pedrosa e o Brasil, de Aracy Amaral, publicado pela Fundação Perseu Abramo, em 2001; Mario Pedrosa: arte, revolução, reflexão, de Franklin Pedroso e Pedro Vasquez, publicado pelo Centro Cultural Banco do Brasil, em 1992 entre outras biografias e análises.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

DEU NO JORNAL

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

BALIZAMENTOS PESSOANOS

Dirijo-me aos 60+ que continuam perguntando sobre a significância das suas caminhadas terrestres, antes de adentrarem no outro lado da Vida, a verdadeira Vida para os espiritualistas e espiritistas de todas as denominações.

Permitam-me todos explicitar, abaixo, alguns pensamentos do poeta Fernando Pessoa, extraídos de um livro do jurista pernambucano José Paulo Cavalcanti Filho, da Academia Brasileira de Letras, para mim um dos maiores estudiosos contemporâneos de Pessoa e seus heterônimos, intitulado FERNANDO PESSOA: O LIVRO DAS CITAÇÕES, José Paulo Cavalcanti Filho, Rio de Janeiro, Editora Record, 2013, 235 p. Como todo excelente livro de cabeceira, depois da Bíblia Sagrada, ele redimensiona existências, favorecendo novos olhares para os amanhãs terrestres de cada um, além de ampliar uma criticidade porventura distanciada das conjunturas atuais, brasileiras e estrangeiras. Escolhi as mais significativas para o atual instante mundial, recheado de conflitos bélicos, desaforos trocados entre um bilionário norte-americano que pretendia a Casa Branca e o atual mandatário estadunidense, ambos dotados de um sentimento nulamente ético, tal e qual no Brasil, quando aposentados e pensionistas do INSS são vitimados por cobranças mensais fraudulentas em seus contracheques, todas efetivadas a mando de executivos públicos e sindicais de péssimas índoles morais, devidamente acobertados por uma sistema de mando de ibopes de aprovação cada vez mais reduzidos. Ei-los, por categorias fixadas pelo notável autor pernambucano:

Alma – “A alma é grande e a vida é pequena. E só alcançamos onde o nosso braço chega e só vemos até onde chega nosso olhar.”

Altura – “Sou do tamanho do que vejo e não do tamanho da minha altura.”

Asas – “Quanto mais eu abro as asas, mais sei que não sei voar.”

Cartas – “Só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas.”

Deus – “Eu tenho Deus em mim.”

Futuro – “É difícil distinguir se o nosso passado é o nosso futuro, ou se o nosso futuro é que é o nosso passado.”

Ironia – “A ironia é o primeiro indício de que a consciência se tornou consciente.”

Ser – “Não sou nada, nunca serei nada, não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.”

Trabalho – “Não é o trabalho, mas o saber trabalhar que é o segredo do êxito no trabalho.”

Ver – “O essencial é saber ver, saber ver sem estar a pensar, saber ver quando se vê, e nem sempre pensar quando se vê, nem ver quando se pensa.”

Viva Fernando Pessoa. Estribado nele, traço minha sempre atual filosofia de vida:

COM MENTE SEMPRE PEQUENA, NADA DEVE VALER A PENA!

PENINHA - DICA MUSICAL

DEU NO X

DEU NO X

DEU NO X

DEU NO X