DEU NO JORNAL

TSE MIROU NO ZÉ GOTINHA E ACERTOU NA CUCA DO SÍTIO DO PICAPAU AMARELO

Jocelaine Santos

O mascote das urnas eletrônicas Pilili

Há pouco mais de uma semana, escrevi que somos tratados pelos poderosos de plantão – incluindo os ministros supremos – como “burros”, verdadeiros animais de carga, que só servem para trabalhar e, quando reclamam, levam chicote no lombo e freio na língua. E, então, veio o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e disse que, além de burros de carga, somos criaturas infantis, com mentalidade equivalente à de humaninhos em fraldas, serezinhos incapazes de pensar por si próprios, a todo momento dispostos a enfiar o dedo na tomada ou comer terra. É por isso que nos deram Pilili.

Segundo a imprensa, a tal mascote – primo quadrado do Zé Gotinha, criado lá nos selvagens anos 1980 para tentar facilitar a aceitação da vacina – a urna eletrônica Pilili foi ideia da agência de propaganda contratada pelo TSE. Impossível responder por que raios um tribunal eleitoral precisaria de uma agência de propaganda. Mas o nosso TSE tem uma. E assim nasceu a impensável mascote, apresentada como “símbolo das Eleições 2026”.

Segundo o TSE, Pilili é “defensora da democracia”, cuja qualidade seria ser “imparcial e aguerrida” e que “estará nas campanhas em defesa do voto e da escolha consciente”. Motivo de sobra para ter medo de Pilili!!!

Há anos temos vivenciado como essas palavras têm sido distorcidas e usadas para silenciar, perseguir e criminalizar qualquer um que os poderosos de plantão queiram atingir. Hoje, são justamente os que se dizem “defensores da democracia” os que mais a espezinham e a corroem.

“Defesa do voto” tem sido usada para criminalizar quem ouse dizer um “ai” contra a perfeição do processo eleitoral brasileiro, e “escolha consciente” é outro termo perigoso, facilmente convertido em sinônimo de “escolha quem eu mandar”.

Mais do que uma mascote desnecessária e risível, Pilili é um monstro, uma daquelas figuras de pesadelo em que tudo está do avesso. É como se estivéssemos em um sonho angustiante, na forma de crianças indefesas, sendo perseguidas por uma figura monstruosa, ainda que sorridente, que parece querer o nosso bem, quando, na verdade, quer nos transformar em zumbis.

Cuidado com Pilili. Pilili vai te pegar! “E pega daqui, e pega de lá” – se qualquer coisa você ousar questionar.

DEU NO X

DEU NO JORNAL

PUNIÇÃO

Deltan Dallagnol questiona se haverá punições a depredadores da USP, como houve no 8 de janeiro:

“A regra que vale para direita, vale para esquerda, ou as bandeiras vermelhas e coloridas isentam de punição?”

* * *

Boa pergunta.

Vamos ver se os punidores darão resposta.

Aguardemos.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO X

MARCELO BERTOLUCI - DANDO PITACOS

TREZENTOS TRILHÕES

Os Estados Unidos devem 36 trilhões de dólares. A China deve 15 trilhões. O Japão, 10 trilhões. A Alemanha, 3 trilhões. O Reino Unido, também 3 trilhões. A França deve 3 trilhões e meio. O Brasil está chegando aos 2 trilhões. Praticamente todos os países do mundo estão endividados. Estima-se que a soma das dívidas governamentais passe dos 150 trilhões. Empresas devem mais 90 trilhões, e pessoas físicas, mais 60 trilhões. O total passa dos 300 trilhões. Em 2024, essa dívida gerou o pagamento de 15 trilhões em juros, o que corresponde a 13% do PIB global. Mas quem são os credores dessa dívida?

1 – Os Bancos Centrais: O FED tem 5 trilhões de dólares em dívida do governo dos EUA. O Banco do Japão tem 5 trilhões de dólares em dívida do governo japonês. O Banco do Povo da China tem 3 trilhões de dólares em dívida do governo chinês. Bancos centrais globalmente detêm aproximadamente 25 trilhões em títulos dos governos de seus países. Isso representa menos de 10% da dívida total, mas essa dívida é a base do sistema: é a partir da emissão de títulos que todo o mecanismo se sustenta.

2 – Investidores institucionais: São instituições que usam os títulos como reserva financeira. Fundos de pensão: 50 trilhões. Seguradoras: 35 trilhões. Fundos mútuos: 25 trilhões. Fundos soberanos: 10 trilhões. Total: 120 trilhões.

3 – Governos estrangeiros: Governos detêm aproximadamente 30 trilhões em dívidas emitidas por outros países. A China possui 3,2 trilhões em ativos estrangeiros, incluindo 850 bilhões em títulos dos EUA. O Japão possui 1,1 trilhão em títulos dos EUA. A principal fonte disso é o comércio. Os EUA, por exemplo, compram da China muito mais do que vendem. Se a China exigisse pagamento em dinheiro, as vendas diminuiriam e ambos os lados seriam prejudicados no curto prazo. Assim, a China compra os títulos dos EUA e os EUA usam esse crédito para pagar a China. Em outras palavras, a China entregou produtos e recebeu em troca papéis que supostamente serão pagos no futuro.

4 – Famílias ricas: O 1% mais rico do mundo detém aproximadamente 40 trilhões em ativos financeiros, grande parte deles em títulos. E um quarto disso, 10 trilhões, pertence a aproximadamente 500.000 pessoas que constituem o 1% mais rico dentro do 1% mais rico. Em 2024, estas 500.000 pessoas repartiram 500 bilhões de dólares em juros.

5 – Pequenos investidores: Perto de 100 trilhões de dívida estão nas mãos de pequenos investidores e fundos de investimento, como por exemplo o Tesouro Direto no Brasil.

A questão importante é que as dívidas dos países foram planejadas para serem impagáveis. Na verdade, a dívida da maioria dos países é muito superior à sua base monetária, o que faz com que simplesmente não exista dinheiro suficiente para pagá-la. Exemplo: o Brasil deve 9 trilhões de reais, mas existem apenas 440 bilhões de reais em dinheiro. Se somarmos o “dinheiro virtual”, quantias que só existem nos computadores dos bancos, chegamos a 7,3 trilhões, o que ainda é menos do que a dívida. Ou seja, se o saldo de todas as contas bancárias e aplicações financeiras de todas as pessoas e todas as empresas do país fosse transferido para os credores, ainda ficaríamos devendo. Ao invés de chamar de empréstimo, o mais exato é dizer que os credores usaram seu dinheiro para comprar uma renda eterna.

Em 2024, os pagamentos globais de juros sobre a dívida foram de aproximadamente 15 trilhões de dólares. E este dinheiro não está pagando a dívida, nem mesmo uma pequena parte dela. Na verdade, nas últimas décadas a dívida de praticamente todos os países vem crescendo, às vezes mais lentamente, às vezes mais rápido, mas sempre crescendo, e sempre aumentando o valor que os pagadores de imposto entregam aos credores. Até quando?

A dívida global hoje representa 300% do PIB, e está crescendo 7% ao ano. O PIB está crescendo 3% ao ano. Matematicamente, a dívida global chegará a 500% do PIB por volta de 2035 se as tendências atuais continuarem. Isso não é sustentável. Em algum momento, algo vai quebrar. Aí, ou os governos dão calote, o que elimina a dívida mas colapsa o sistema financeiro, ou aumentam a emissão de dinheiro, que reduz a dívida por meio da desvalorização da moeda, mas destrói as poupanças, ou tentam “renegociar” a dívida, o que no fundo significa apenas empurrar o problema para frente, de preferência para depois da eleição.

Isso tem solução? Não. Na verdade, isso é uma consequência inevitável de um modelo de sociedade que permite que políticos façam o que bem entendem e deixem as consequências nas costas dos eleitores. Bancos centrais, moedas inflacionáveis sem lastro, governos que concedem a si mesmos o poder de fazer e modificar as leis que eles deveriam obedecer, tudo isso foi criado para substituir a escravidão antiga, aquela das senzalas e chibatas, pela moderna, dos impostos sempre crescentes e da obediência voluntária. Modificar isso não passa por decisões econômicas; passa por decisões políticas, quase inimagináveis hoje em dia, que começariam por tirar de Executivo, Legislativo e Judiciário o nome de “poderes” e colocá-los na posição de empregados da população. Não vai acontecer. Ao contrário, o que vai acontecer é que o sistema vai se sofisticar ainda mais para extrair o nosso dinheiro com maior eficiência.

Como disse um ministro do rei francês Luís XIV, “Cobrar impostos é como depenar gansos: devemos sempre tentar conseguir o máximo de penas com o mínimo de gritos.”

DEU NO JORNAL

SEM LIMITE

O banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do banco Master, implantou um sistema para subornar pessoas, inclusive autoridades, segundo fontes próximas à investigação, que tem sido classificado como “crime perfeito”.

Em vez de usar malas de dinheiro ou assemelhados, ele distribuiu aos “parceiros” entre 80 e 90 cartões ilimitados, que os permitiam pagar qualquer despesa, de viagens luxuosas a carrões.

Como os cartões eram em seu nome, ele apenas informava a senha àqueles beneficiados.

* * *

Cartão ilimitado…

Êita peste!!!

Isso é que era um suborno da porra!!!

Podia ter arranjado um aqui pra nós, sinhô banquêro!!!

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

OS MEUS VERSOS – Florbela Espanca

Rasga esses versos que eu te fiz, amor!
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!

Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada de um momento!
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!…

Tanto verso já disse o que eu sonhei!
Tantos penaram já o que eu penei!
Asas que passam, todo o mundo as sente…

Rasgas os meus versos… Pobre endoidecida!
Como se um grande amor cá nesta vida
Não fosse o mesmo amor de toda a gente!…

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)

DEU NO X

CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

DO BABÃO AO LADRÃO

Faixa fixada em prédio, na cidade de Presidente Prudente

Outro dia, um jovem espirituoso resolveu colocar uma faixa colorida, em terreno baldio, bem defronte ao prédio de sua namorada, com os dizeres:

“Marina, você é minha e nem o boi lambe!…”

Numa cidade do interior, pouco desenvolvida, isso chegou a ser atração turística. Mas a placa desapareceu dias depois, por iniciativa da Prefeitura, alegando que não havia licença.

Há quem diga que o pai da moça, um ex-militar de alto coturno, teria reagido, estimulando a providência junto ao Burgomestre. Tudo “por baixo dos panos”, como nos diz o ditado.

Mas a ocorrência tinha um significado poético e sentimental. João Alberto namorava com Marina às escondidas. Moça bonita, 16 anos, “donzela”de carteirinha”, xoxotinha pedindo ação, primeiro namorando, só se falavam na porta do colégio. Em suma: “Um perigo!”

Insistente e astuto, sabendo que Marina gostou da frase e da demonstração explícita, João Alberto preparou mais uma, e de noite foi lá com alguns amigos e fincou no mesmo local, dois paus e a a segunda bendita faixa:

“Marina, só você navega em meu coração!”

A essa altura, a escola onde estudava a jovem entrou em rebuliço. Era só no que se falava. E sabendo que a coisa tinha motivado a namoradinha, dias depois, apareceu mais uma faixa:

“Marina, quando lhe vejo meu coração lateja em festa.”

Aí já avacalhou! Ampliou-se a questão, por vários ângulos.

Para se vingar, o Coronel Genésio, ex-comandante do 14º RI-SP, pai da moça, brabo que só uma capota choca, revidou, embora de forma também inteligente e estratégica.

Na janela do seu próprio apartamento fixou uma faixa bem grande, com a palavra quase ofensiva: “Babão!”

O “amado” da filha do Coronel, “murchou”. Foi um míssil na sua ardilosidade. Mas, como ambas as mensagens foram inteligentes, não houve dúvidas: o artifício do jovem apaixonado “foi um arraso”!

Meses depois, João Alberto resolveu enfrentar o velho Genésio, de frente. Apresentou suas “credenciais militares”: disse que havia feito o CPOR e era concursado e se tornou funcionário da Segurança da Cia. da Vale do Rio Doce, dourando suas frases com miçangas e lantejoulas.

O Coronel, “deu uma aliviada” e permitiu o “namoro vigiado”. Mas, já havia imaginado botar um tanque de guerra para ostensivamente circular pela rua da escola, pra esculachar mesmo. Mas, ex-colegas de farda conseguiram evitar que a ideia vingasse. Assim teria sido demais!…

Tempos depois, sempre escoltada pela doméstica da casa, a mocinha cumpriu o programa de aulas normalmente. Meses à frente, aconteceu o noivado, depois o casamento. Tudo normal. Na sequência, nasceu o primeiro bruguelo, neto do Coronel e sua “reprimida” esposa, D. Matilde, coitada.

As placas, porém, não foram esquecidas.

E pouco depois de um ano, após o enlace matrimonial de Marina e João Alberto, ocorreu o nascimento do primeiro rebento do casal. Festas para todos os visitantes e até nota em Ibrahim Sued, fato que motivou João Alberto, na maior moita, a instalar mais uma placa, dessa vez com um sentido oculto; quase vingativo:

“O Coronel, ganhou um netinho!”

Mas, como dizem que o passado às vezes se repete, façamos referência a uma certa placa, embora apenas colada na janela de um apartamento, que nada tem a ver com nossa historieta.

Todavia, ao invés de “Babão”, estava escrito: “Ladrão”. Aí deu-se a bexiga da cilibrina”.

Tal iniciativa, incomodou os poderosos de plantão.

Por idéia dos pelegos, a Polícia foi pedir ao proprietário para retirar a “homenagem”, alegando que a expressão poderia resultar em crime, assinalado no artigo 2469 do código sacanocrático brasileiro.

Foi um verdadeiro buruçu. O fato se expandiu na Internet, em centenas de canais. O proprietário, sabendo que episódio teria desdobramento, “aprontou”.

Dias depois, caiu em circulação a foto de um prédio ostentando, em cada janela, placas onde se lia, em letras garrafais, a palavra da atualidade: Ladrão, Ladrão, Ladrão, Ladrão.

Era Ladrão que não acabava mais! Todo o condomínio se associou à resplandescente “homenagem”, em solidariedade.

Aí se entendeu que a solução aplicada pelos jagunços-policiais, foi muito pior, porque desencadeou a ira condominial.

No 1º de maio apareceu na Internet outra foto, no mesmo prédio, ainda pior, com palavras vingativas, porém, mais inteligentes. Só que representou – sabemos nós – u’a mensagem ainda mais contundente. Foi de lascar!

O proprietário que anteriormente fora pressionado pela Polícia – que apareceu em sua casa sem mandado, sem nada; só com a cara e a coragem, concordou em retirar a “faixa ofensiva”. Compreende-se, assim, a revolta no Condomínio!

Mas, dois dias depois, instalou mais uma, um tanto vingativa:

Se a moda pegar em nosso país, não haverá político que não se ofenda quando ocorrer fato semelhante, cabendo à jagunçada solicitar aos editores do dicionário Aurélio, a retirada do verbete: Ladrão.