Rasga esses versos que eu te fiz, amor!
Deita-os ao nada, ao pó, ao esquecimento,
Que a cinza os cubra, que os arraste o vento,
Que a tempestade os leve aonde for!
Rasga-os na mente, se os souberes de cor,
Que volte ao nada o nada de um momento!
Julguei-me grande pelo sentimento,
E pelo orgulho ainda sou maior!…
Tanto verso já disse o que eu sonhei!
Tantos penaram já o que eu penei!
Asas que passam, todo o mundo as sente…
Rasgas os meus versos… Pobre endoidecida!
Como se um grande amor cá nesta vida
Não fosse o mesmo amor de toda a gente!…

Florbela Espanca, Vila Viçosa, Portugal (1894-1930)
Hoje estou meio que Flormurcha, não florbela. Sandorinha, minha cadelinha, foi-se. Era quase idêntica a uma raposinha. (dir-se-ia dela que diferia por não ter o rabo felpudo). No mais era ‘igualinha’. Nasceu no dia 2 de março de 2009. Morreu neste 9 de maio de 2027. Era uma veterana de muitas batalhas. Comeu muito rato em sua longa vida cachorrística. Morou em umas 15 casas (sim, mudamos muito). Era viajada a mocinha. Teve uma ótima vida. Mas não custava nada chegar aos 20. Faltava pouco. Por que, minha bela, parar nos 17? Restam as lágrimas e uma saudade imensa.
Hoje Matilde está triste.