DEU NO X

COMENTÁRIO DO LEITOR

SEQSSÚ E OUTRAS SACANAGENS

Comentário sobre a postagem ANÍSIA BATISTA – GOIÂNIA-GO

Matilde Urbach Le Regret d’ Hèraclite:

Tamufu e outras baixarias, bem ao gosto desta “ereta” gazeta pra lá de escrota…

Já dizia o Anysio que “No Brasil de hoje, os cidadãos têm medo do futuro. Os políticos têm medo do passado”. Chico Anysio

Do Anysio à Anísia.

Ensina a Sra Batista:

“Nunca mande ninguém se foder. Mande abrir uma empresa e pagar todos os impostos. É muito mais educado e dá no mesmo!”

Falando em seqssú e outras sacanagens, o ótimo humor da Sra Batista me conduz até outra máxima:

“Sexo não tem nada a ver com amor. Tanto é verdade que o governo me fode há anos e eu não sou apaixonado por ele.”

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

MIGALHA DE VENTURA – Olegário Mariano

Tirem-me a luz que os olhos me alumia,
O ar que me enche os pulmões e o céu que adoro;
Tirem-me esses momentos de alegria,
Tirem-me a voz de pássaro canoro;

Tirem-me a paz do espírito, a harmonia
Da vida, e o mar que canta, quando eu choro
Tirem-me a noite e, ao luar da noite fria,
O sonoro esplendor do céu sonoro;

Tirem-me a glória de viver, o encanto,
A lágrima, o sorriso, a mocidade
Que faz com que eu na vida engane tanto!

Tirem-me o manto, deixem-me desnudo,
Mas não me tirem da alma esta saudade,
Que é meu sangue, meu ser, meu pão, meu tudo!

Olegário Mariano, Recife-PE, (1889-1958)

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL

PROMETEU SANEAR O INSS… ALGUÉM ACREDITOU?

Marcel van Hattem

O depoimento do atual presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, à CPMI não deixou dúvidas: o problema não é falta de diagnóstico, é falta de vontade política. O governo Lula colocou no comando do Instituto alguém que admite não ter capacidade para fiscalizar nem para enfrentar interesses políticos evidentes. O resultado é previsível e já conhecido dos brasileiros: a roubalheira continua.

Durante a oitiva, ficou claro que Waller convive com contradições que não são pequenas. Diz que pediu a exoneração de uma diretora estratégica, mas aceita passivamente a ingerência do ministro da Previdência na manutenção dessa mesma pessoa em um cargo subalterno ao de presidente do INSS.

Ele reconhece suspeitas graves envolvendo servidores que assinaram dezenas de acordos sob investigação, mas se refugia no discurso burocrático da “presunção de inocência” para nada fazer. É exatamente o mesmo roteiro de gestões anteriores, inclusive o de dirigentes que hoje estão presos.

O mais grave é que não se trata de ignorância. As informações estão na imprensa, os alertas foram feitos, os indícios são públicos. Ainda assim, o presidente do INSS afirma não ter buscado saber quais políticos foram beneficiados por acordos suspeitos assinados por seus subordinados, como é o caso de Wesley Martins.

O próprio Wesley foi demitido após a Operação Sem Desconto, mas readmitido durante as curtas férias do presidente do INSS, de apenas cinco dias. Na volta ao trabalho, Waller não fez nada; deixou o caso nas mãos da Corregedoria, apesar de ter amplos poderes sobre a nomeação e a demissão de pessoas — o que revela uma clara postura de omissão diante de pressões políticas evidentes.

Nada disso acontece por acaso. Luiz Inácio Lula da Silva tem um histórico claro: nomeia para cargos-chave pessoas que não enfrentam esquemas, que não compram briga e que permitem que tudo siga funcionando como sempre funcionou. Foi assim em governos passados do PT. Está sendo assim novamente. A diferença é que agora os fatos estão sendo escancarados em uma Comissão Parlamentar de Inquérito, a CPMI do INSS.

A CPMI, aliás, revelou outro escândalo ainda mais perverso. Os aposentados roubados por sindicatos e associações fraudulentas foram ressarcidos com dinheiro público — do pagador de impostos. Já os aposentados lesados por bancos ficaram sem a mesma proteção, porque o governo Lula decidiu vetar o dispositivo legal que obrigaria o ressarcimento.

O correto seria que todos os lesados fossem ressarcidos pelos ladrões, sejam eles dos sindicatos, sejam dos bancos, jamais pela sociedade brasileira, que já paga tanto imposto para pouco ou nenhum retorno.

Enquanto Waller esbanjava incompetência na CPMI, os descontos indevidos continuam aparecendo nos contracheques. É o que os aposentados revelam, em tempo real, no chat das transmissões ao vivo dos trabalhos da comissão nas redes sociais. O próprio presidente do INSS admite que a fiscalização é feita “por amostragem” e que o órgão não tem capacidade de controle efetivo. Em bom português: o Estado sabe que o roubo acontece, sabe que não consegue impedir e aceita tudo isso como normal. A roubalheira é apenas um efeito colateral. Já para quem depende de uma aposentadoria mínima para sobreviver, isso é cruel.

A conclusão é inevitável. A narrativa de que Lula “colocou alguém para sanear o INSS” é falsa. O que se vê é a repetição do modelo petista: aparelhamento, conivência e transferência da conta para a sociedade. Desta vez, porém, todo esse escândalo não vai acabar em pizza.

A verdade está vindo à tona, e a CPMI irá até o fim para responsabilizar os envolvidos e pôr fim à impunidade e ao descontrole que corroem o INSS há décadas, inclusive sob a gestão do atual presidente, Gilberto Waller Júnior.

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CARLOS EDUARDO SANTOS - CRÔNICAS CHEIAS DE GRAÇA

CARNAVALESCAMENTE FALANDO

Parte inicial da partitura do “Vassourinhas”

Aproximando-se o Carnaval cabe ao cronista expandir alguns conhecimentos sobre detalhes da parte musical da mais genuína das festas brasileiras, sobremodo, músicas que nasceram, foram reformadas, mas permanecem sucesso ainda hoje. “Vassourinhas”, símbolo do nosso reinado de Momo, além de outras, apresentadas pela Spok Frevo Orquestra.

Lá vem a História!

Segundo entrevista que fiz com o veterano Maestro João Pires de Menezes, que recentemente completou 100 anos de idade, poucos sabem que o frevo Vassourinhas nasceu em 6 de janeiro de 1909, numa casa modesta, no arrabalde do Porto da Madeira, antigo ancoradouro do rio Beberibe, local que era a sede do Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas.

Tempos depois a música viria a se tornar um clássico, sobressaindo-se pelo arranjo do sax de Felinho – que gravou seu primeiro disco – e depois passou a emoldurar, de maneira insuperável, a maravilhosa melodia, com seus incríveis arranjos, exatamente aquela cujos compositores são pouco conhecidos: o maestro Mathias da Rocha, com versos de Joana Batista Ramos, conforme atesta, também, o Dicionário Cravo Albim.

Joana era uma senhora negra e pobre, empregada doméstica, filha de escravizados. Foi a letrista da Marcha nº 1, do Vassourinhas, antiga denominação do famoso frevo, imortalizado como Vassourinhas.

Todavia sabemos que Vassourinhas é mais frevo quando interpretado por Felinho – Félix Lins de Albuquerque – maestro, compositor, flautista e saxofonista pernambucano, nascido em 1895, em Bonito, onde também nasceu Nelson Ferreira, outro expoente de nossa música. Felinho faleceu no Recife, em janeiro de 1980.

Aliás, há quem pense ser de autoria de Felinho, o Vassourinhas, a retumbante obra musical produzida especialmente para o saudoso Clube Vassourinhas. Porém a letra é de Joana Batista Ramos e a música, do maestro Mathias da Rocha. Seu nome original não era apenas Vassourinhas, mas Marcha Nº 1, pertencente ao Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas.

Em épocas remotas, quando surgiram grandes agremiações profissionais, cada uma tinha seu clube de carnaval e geralmente, suas músicas-hino; daí surgiu o Vassourinhas, formado pela turma dos mais antigos qa vassoura, hoje denominados vassoureiros ou garis.

Que ainda hoje são bem lembrados: Blocos das Flores Brancas, o mais antigo; Turunas de São José, Pirilampos de Tejipió, Blocos das Pás Douradas, Quero Mais, Amantes de Glória, Andaluzas, Madeiras, do Rosarinho, Apôs Fun e muitos outros que não chegaram a permanecer, senão em gravações de discos e letras de músicas modernas, criadas por compositores de destaque, como Antônio Maria, Luiz Bandeira e muitos outros.

A música Vassourinhas era cantada quando os foliões regressavam à sede do clube para recolher os estandartes, por isso, era chamada também de “Marcha Regresso”. Com o passar dos anos, outras letras surgiram em cima da canção original de Joana Batista Ramos e Mathias da Rocha.

Vejamos parte da letra original, já um tanto esquecida por nossos cantores-foliões.

Somos nós os Vassourinhas
Todos nós em borbotão
Vamos varrer a cidade
Agora isto não! Ah, isto não!
Tu bem sabes o compromisso
Ah, isto não! Não pode ser
A mostrar nossas insígnias
E a cidade se varrer

Somos nós os Vassourinhas
Todos nós em borbotão
Vamos varrer a cidade
Ah, isto não! Ah, isto não!
Tu bem sabes o compromisso
Ah, isto não! Não pode ser
A mostrar nossas insígnias
E a cidade se varrer

Ah! Reparem meus senhores
O pai desse pessoal
Que nos faz sair à rua
Dando viva ao carnaval

Com o passar dos anos, outras letras surgiram alterando a criação original e chegaram até a ser gravadas. Mas, como naqueles tempos não havia registro de Direito Autoral, foram ocorrendo alterações das letras.

Segundo nota de Cravo Albim um dos maiores dicionaristas de música brasileira e dados colhidos na obra de Beatriz Kauffmann, em 1945, o apresentador compositor e cantor da Rádio Nacional do Rio de Janeiro, conhecido por “Almirante” (Henrique Foreis Domingues) descobriu que a letra da canção de roda se encaixava corretamente na de Joana Batista e usou a segunda estrofe escrevendo mais duas outras.

O disco foi “Continental” nº 15.279-B. (Link pra ouvir na Google). Esta versão de Almirante para o frevo Vassourinhas foi a primeira que apareceu gravada no Rio de Janeiro. O sucesso foi tão amplo que a nova letra se espalhou pelo Brasil inteiro. Sem esta adaptação e o arranjo de Almirante, provavelmente o frevo Vassourinhas teria ficado no anonimato.

Aproveitando a melodia de Mathias da Rocha outras belas letras se notabilizaram, como aquela que foi adaptada por “Almirante”:

Se essa rua, se essa rua fosse minha
Eu mandava, eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante
Para meu, para meu bem passear

A tristeza, Vassourinhas
Invadiu meu coração
Ao pensar que talvez nunca
Nunca mais te veja, não

Mas, com a evolução das artes musicais, Vassourinhas se engrandeceu com novos arranjos, letras, gravações e outros solistas, espalhando pelo mundo o hino do povo de Pernambuco.

Aproveitamos para louvar aqui o solo de sax do Maestro Spok. Sobressaem-se, em nossa época, os shows apresentados pela Spok Frevo Orquestra em vários países. Há pouco tempo, esta orquestra levantou a platéia no Teatro Municipal de São Paulo, ao interpretar Vassourinhas com novos arranjos.

Meu amigo Inaldo Cavalcanti de Albuquerque – o Maestro Spok – parece que recebeu a divina missão de continuar difundindo os novos frevos, divulgando pelo mundo a arte mais significativa de Pernambuco.

Inaldo formou uma orquestra que se tornou uma jazz band, composta por dezoito músicos, formados no Recife, em 2001, cujo objetivo é divulgar o frevo no Brasil e no mundo.

Passo de Anjo é uma dessas melodias. Frevo de sua autoria e João Lira, que foi eleito pelo jornal O Estado de S. Paulo como um dos três melhores frevos lançados em 2004 e já é considerado o Vassourinhas de nossa época.

Que o grande Spok receba nosso abraço, carnavalescamente.

PENINHA - DICA MUSICAL

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