SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO
PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA
VANDALISMO – Augusto dos Anjos
Meu coração tem catedrais imensas,
Templos de priscas e longínquas datas,
Onde um nume de amor, em serenatas,
Canta a aleluia virginal das crenças.
Na ogiva fúlgida e nas colunatas
Vertem lustrais irradiações intensas
Cintilações de lâmpadas suspensas
E as ametistas e os florões e as pratas.
Como os velhos Templários medievais
Entrei um dia nessas catedrais
E nesses templos claros e risonhos …
E erguendo os gládios e brandindo as hastas,
No desespero dos iconoclastas
Quebrei a imagem dos meus próprios sonhos!

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos, Cruz do Espírito Santo, Paraíba (1884-1914)
DEU NO X
DE NOVO EM PARIS, A BRASILEIRA QUE LULA TIROU DA POBREZA
🚨URGENTE – Janja vai para Paris, mais uma vez, com o dinheiro do contribuinte pic.twitter.com/HozpI8SGaP
— SPACE LIBERDADE (@NewsLiberdade) October 23, 2025
CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA
MARIA LUISA – BARUERI-SP
DEU NO X
TENS CORAGEM DE COMER?
DEU NO JORNAL
LAVAGEM
Desde que Lula se aboletou na Presidência, as contas d’água dos seus palácios dispararam: em apenas dois anos e oito meses, superaram o valor gasto nos quatro anos em que Jair Bolsonaro (PL) era o inquilino.
De janeiro de 2023 a agosto de 2025, as contas de água dos palácios Alvorada, Planalto, Granja do Torto e Pavilhão das Metas somaram R$ 13 milhões.
* * *
Tudo dentro dos conformes.
É necessário muita água, muita mesmo, pra lavar a sujeira reinante nos palácios lulosos.
A soma de 13 milhões é coerente: este é o número do bando.
Normal, normal.
JESSIER QUIRINO - DE CUMPADE PRA CUMPADE
PARAFUSO DE CABO DE SERROTE
DEU NO X
BI, BI, BI
MAURINO JÚNIOR - SEM CRÔNICAS
A NOITE DOS GEMIDOS EQUIVOCADOS
Nunca se sabe quando a vida decide nos pregar uma de suas pequenas, mas inesquecíveis, peças de teatro. Foi numa dessas madrugadas de Propriá, em 1992, que o ordinário se confundiu com o extraordinário, e o silêncio da noite se tornou cúmplice de um mal-entendido digno de um roteiro de comédia.
Minha ex-esposa e eu estávamos, enfim, descansando depois de um dia de cansaço razoável. Marcus Alexandre, nosso amigo recém-retornado de uma longa temporada missionária na Bolívia, também repousava, ou pelo menos tentava.
Pouco depois da 1 da manhã, estranhos sons começaram a perfurar a serenidade da casa. Gemidos, suspiros, exclamações curtas — “ain, ain, ain”, “unhé, unhé!” — seguidos de perguntas que soavam absurdamente sugestivas: “Quer mais, quer??”
Levantei-me e a minha ex-esposa assustada, atrás de mim perguntando o que seria aquilo, pois os barulhos e gemidos se intensificaram e, pouco depois, lá estava o Marcus Alexandre, também acordado, os olhos arregalados de incredulidade e como quem estava pensando: “Que diabos será isso?”
Olhei para o Marcus. Ele me olhou de volta, a expressão inconfundível: “Ôôôôôxi!”. Nenhum de nós precisava de tradução: o cérebro, por um instante, se recusou a processar a realidade.
A curiosidade — ou a imprudência — falou mais alto. Abrimos a porta. E ali, sob a luz pálida da madrugada, a revelação: um jovem casal, sentados nos degraus de acesso à porta de nossa casa. O rapaz, empenhado, entregava nada mais do que um cachorro-quente à namorada, que, por sua vez, era surda-muda. Os sons, ao invés de paixão proibida, eram apenas uma tentativa amorosa e barulhenta de comunicação — e de apreciação do lanche.
O riso foi inevitável. Eu ri tanto que minha garganta quase cedeu; minha ex-esposa, de tanto rir, chorava; Marcus, no outro quarto, tentava recuperar o fôlego entre gargalhadas. Na manhã seguinte, durante o café, ainda não nos recuperáramos. E o assunto, claro, dominou a mesa.
A vida, constatei, tem o poder de transformar a mais inocente das cenas em um episódio memorável. E às vezes, a comédia mora exatamente nos lugares onde menos esperamos — até que o cheiro de cachorro-quente e a inocência de um casal nos lembram que, afinal, o mundo é sempre mais engraçado e gentil do que imaginamos.
DEU NO JORNAL

