O deputado Evair de Melo (PP-ES) solicitou ao ministro Edson Fachin, presidente do STF, providências para pedir ao governo da Espanha a extradição de Lulinha, filho de Lula, suspeito de participação no roubo a aposentados e de receber mensalão de R$ 300 mil do Careca do INSS.
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Que absurdo, sinhô deputado!
Extraditar o filho do chefe do poder executivo.
Uma solicitação sem qualquer cabimento.
Se ele tem nas veias o sangue do papai, não pode nunca ter participado deste rombo astronômico.
“A sociedade desenvolverá um novo tipo de servidão que cobre toda sua superfície com uma rede de regras complicadas que as pessoas não conseguem entender. Esse estado não tiraniza, mas estupidifica um povo até transformá-lo em um rebanho de animais tímidos e obedientes, dos quais o governo é o Pastor” Alexis de Tocqueville (1805-1859)
Quando se fala em educação, uma expressão muito repetida diz “A tarefa do sistema educacional é formar pessoas questionadoras e com pensamento crítico”. A repetição dessa frase é tanta que parece até discurso decorado.
Quando escuto isso, me lembro de um outro comentário feito por uma professora da rede pública: “As aulas foram usadas para fazer cartazes sobre o 7 de setembro, sobre o outubro rosa, sobre o dia da consciência negra e sobre o novembro azul. Terminou o ano, as crianças não sabem nada de português, matemática, história ou geografia, mas sabem fazer cartaz que é uma beleza!”
O problema aí é que, como qualquer um pode constatar, os tais cartazes são justamente o oposto de “pensamento crítico” ou “cidadão questionador”. Em todas as escolas do país, os cartazes são todos iguais, todos repetindo os mesmos clichês, com o mesmo vocabulário, defendendo os mesmos mocinhos e atacando os mesmos vilões.
Isso não acontece por acaso. Para explicar, vou me repetir e citar de novo Aldous Huxley, de quem já falei em outro pitaco: “Em um estado totalitário verdadeiramente eficiente os escravos não precisam ser coagidos, porque amam a escravidão. Fazer o povo amar a escravidão é a tarefa dos ministérios, diretores de jornais e professores.”
Ao transformar a escola em um centro de repetição, onde todos pensam igual e repetem as mesmas idéias, o estado apela para o “espírito de grupo”, um instinto básico que vêm do nosso passado animal, e mostra que ficar sozinho é perigoso mas ficar junto a um grupo traz segurança. Traduzindo: as crianças são ensinadas – talvez fosse melhor dizer “adestradas” – a ter medo de discordar da maioria. Ao levar ao extremo a idéia de uniformidade, criam-se adultos que sentem um medo irracional de serem vistos como diferentes ou divergentes do grupo. Este comportamento irracional se manifesta na repetição quase mecânica de expressões vazias, palavras de ordem e clichês politicamente corretos. Alguém um dia teve a idéia de chamar o dono de cachorro ou gato de “tutor”, e em poucos dias todo mundo se esforçava para usar a nova palavra com ares de quem falava assim desde criancinha.
No método de “pintar cartaz”, o raciocínio é substituído pela reação instintiva a palavras e expressões, exatamente como funciona o adestramento de animais. Palavras como “tolerância”, “empatia”, “bondade”, “justiça”, “democracia” são designadas como positivas. “Preconceito”, “desigualdade”, “ilegal”, “desumano” e muitas outras são designadas como negativas. A reação ao encontrar qualquer palavra deve ser automática, sem jamais questionar se o uso dessa palavra faz sentido ou se é apenas um apelo emocional.
A dedicação da escola pelo método de “pintar cartaz” não é gratuita: serve para formar adultos infantilizados, porque o aluno aprende que o importante não é fazer um cartaz bonito ou bem pintado, mas fazer um cartaz que diga exatamente o que deve ser dito, com as palavras e expressões pré-determinadas. A criança aprende, e o adulto prossegue obedecendo às ordens que ele não sabe quem proferiu, mas que ele recebeu através da mídia e das redes sociais. Se para a criança as ordens são sobre o outubro rosa e o novembro azul, para o adulto serão sobre tudo o que ele enxerga e vive: obedecer às autoridades, acreditar no governo, jamais pensar em mudar qualquer coisa sem que seja pelo caminho “democrático”, acreditar que os seus direitos são favores concedidos pelos políticos, colocar as ordens desses mesmos políticos acima da sua própria noção de moral e ética. Como ironia final, uma das ordens a serem obedecidas é chamar esse comportamento submisso de “pensamento crítico”.
Eu sou a terra, eu sou a vida. Do meu barro primeiro veio o homem. De mim veio a mulher e veio o amor. Veio a árvore, veio a fonte. Vem o fruto e vem a flor.
Eu sou a fonte original de toda vida. Sou o chão que se prende à tua casa. Sou a telha da coberta de teu lar. A mina constante de teu poço. Sou a espiga generosa de teu gado e certeza tranquila ao teu esforço. Sou a razão de tua vida. De mim vieste pela mão do Criador, e a mim tu voltarás no fim da lida. Só em mim acharás descanso e Paz.
Eu sou a grande Mãe Universal. Tua filha, tua noiva e desposada. A mulher e o ventre que fecundas. Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.
A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu. Teu arado, tua foice, teu machado. O berço pequenino de teu filho. O algodão de tua veste e o pão de tua casa.
E um dia bem distante a mim tu voltarás. E no canteiro materno de meu seio tranquilo dormirás.
Plantemos a roça. Lavremos a gleba. Cuidemos do ninho, do gado e da tulha. Fartura teremos e donos de sítio felizes seremos.
Anna Lins dos Guimarães Peixoto Bretas (Cora Coralina), Cidade de Goiás (1889-1985)
Durante breves instantes com uma cidadã de nome Alimonda, lembrei-me que fiquei devendo complementos “alimondícios” ao meu amigo Philippe Gusmão, leitor pernambucano radicado no Rio de Janeiro, que desejava informações sobre um filme caseiro onde apareciam seu pai com um grupo de jovens – os Alimonda – na década de 1950. Mas não consegui.
Há poucos dias, em prosa informal e quase instantânea com moça bela e jovial, num balcão de loja, cujo nome próprio é Alimonda Teresina de Melo Morais, indaguei a origem de nome tão diferente,
Ela me disse que seu nome tinha sido uma “invenção” de seu pai, que trabalhara muitos anos em fábrica afogadense, uma indústria de sabões e óleos vegetais, a Alimonda e Irmãos S.A., no Recife.
E completou informando que ele fez uma espécie de promessa consigo mesmo, para elogiar a primeira filha com o nome da família dos seus patrões, amigo que fora do Dr. José Paulo Alimonda, descendente de italianos.
Mas, para completar a ânsia de sua mãe – continuou a moça – desde os tempos de solteira, quando desejou que constasse, também, na Certidão de batismo, o nome de Teresina, sua terra natal, capital do Piauí.
Conclusão: acabou por ser a moça, de certo modo, incomodada durante seus 28 anos de vida, com uma chatice, aquelas bem cabulosas mesmo, de se ver obrigada a dar explicações às indagações, que eram frequentes, face à originalidade do seu nome.
Todas as vezes que teve de anunciar seu nome para algum cadastramento verbal, havia uma complicação, porque alguém escrevia: Terezinha, tendo ela o dissabor de retocar, informando que, além de ser Teresina, seu nome deveria se escrever com “s” e não com “z”.
A mesma jovem, coitada, em casos especiais, completava a dúvida citando que seu nome de batismo havia sido uma “invenção” de seu pai, por isso foi batizada como Alimonda.
Havia, ainda, quem perguntasse se estava ligada à família Alimonda, dona da fábrica de sabões e óleos vegetais, que existira no bairro dos Afogados.
Mas, como se diz no vulgo, “no fundo, o buraco era ainda mais embaixo”… Seu Morais, pai da moça, desejava batizar a filha com um nome incomum e para atender à esposa, a “pobrecita” saiu da pia batismal com uma Certidão capaz de chateá-la durante todos os anos de vida: Alimonda Teresina.
E para recordar a emblemática amizade de seu pai com os Alimonda, a moça, ao construir sua casa, afixou no alto da fachada uma peça de azulejo de majólica, faiança italiana do Renascimento, inspirada na tradição hispano-mourisca.
Mas continuo tendo que responder aos visitantes, não apenas o que significava aquele emblema em azulejo. Aí lá vinha toda a história novamente.
A nomeação de Jorge Messias para a vaga deixada por Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal ganhou contornos de disputa de várzea nos últimos dias. De um lado, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), coloca na pauta da casa inúmeros temas com o único propósito de fustigar o governo, como retaliação ao fato de Lula não ter escolhido para o STF o também senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), favorito de Alcolumbre. De outro, o governo deixa de cumprir uma formalidade para ganhar tempo e impedir o Senado de cumprir seu papel constitucional, o de analisar o nome de Messias.
Ainda em meados de novembro, o governo publicou a indicação de Messias no Diário Oficial, e o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ, responsável pela sabatina dos indicados) do Senado, Otto Alencar (PSD-BA), escolheu Weverton Rocha (PDT-MA) como relator. Alcolumbre, então, marcou a sabatina para 10 de dezembro, mas a cancelou na última terça-feira, alegando uma “grave omissão” do governo, porque Lula não enviou ao Senado a mensagem oficial com a indicação de Messias. Por mais que alguns senadores considerassem suficiente a publicação no Diário Oficial, o presidente do Senado preferiu evitar qualquer tipo de “alegação de vício regimental no trâmite da indicação diante da possibilidade de se realizar a sabatina sem o recebimento formal da mensagem”, especialmente se Messias fosse rejeitado na CCJ ou no plenário.
A estratégia – melhor seria dizer “truque” – do governo tem sua lógica. Se a mensagem tivesse sido enviada e o cronograma tivesse sido mantido, Messias teria pouco tempo para tentar reverter a forte rejeição a seu nome entre os senadores; adiar a sabatina (que deve ficar para o ano que vem) lhe dá semanas preciosas para seguir com o “beija-mão”. Senadores governistas já haviam adiantado à imprensa que o governo fez tudo de caso pensado, e que só enviaria a mensagem oficial ao Senado quando tivesse certeza de que Messias passaria nas duas votações. É uma manobra que rebaixa o Senado, visto como mero carimbador das vontades de Lula.
Nada disso, no entanto, serve de justificativa para Alcolumbre – nem em sua vontade de tomar para si o papel do presidente e impor um nome para o STF, nem em sua fúria ao pautar a análise de vetos presidenciais ou projetos aos quais o governo se opõe, como revide ao Executivo. Sua birra já causou e continua causando prejuízos graves ao país, como no caso da “contrarreforma da Previdência”, a primeira “pauta-bomba” aprovada durante a atual rinha. Agora, a derrubada de vetos presidenciais ao projeto de renegociação de dívidas estaduais premiou ainda mais os governadores irresponsáveis, permitindo que eles antecipem receitas e deixem seus sucessores com o pires na mão – mais uma vez.
Não satisfeitos com as manobras e a “pauta-bomba”, os protagonistas destas cenas lamentáveis se digladiam por meio de notas públicas e informações de bastidores. No domingo, Alcolumbre chegou a publicar uma nota criticando o governo pela demora no envio da mensagem ao Senado, e afirmando que há uma “tentativa de setores do Executivo de criar a falsa impressão, perante a sociedade, de que divergências entre os poderes são resolvidas por ajuste de interesse fisiológico, com cargos e emendas”. Considerando a enorme quantidade de indicações políticas feitas por Alcolumbre – inclusive para a chefia de ministérios – e sua influência na distribuição de emendas, acredita na nota (e em sua afirmação de que a pauta recente do Senado nada tem a ver com a indicação ao STF) quem quer.
Jorge Messias é um péssimo nome para o Supremo, por motivos que já elencamos aqui. Mas Lula e Alcolumbre conseguiram rebaixar o processo de indicação a uma batalha voluntarista. Um considera inaceitável que os senadores tenham vontade própria e rejeitem alguém que, de fato, é inadequado para o cargo; outro quer fazer dos colegas instrumento para empurrar seu nome favorito goela abaixo de Lula, nem que para isso prejudique o país todo. A nenhum dos dois interessa que os senadores cumpram de fato a sua missão constitucional, sabatinando o indicado como se deve, e votando de acordo com sua consciência.