LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA
DEU NO X
UMA PROFISSIONAL DO CACETE!
— Uwiringiyimana Felix (@UwiriFelix) February 18, 2026
MAURINO JÚNIOR - SEM CRÔNICAS
A REPÚBLICA DA SUPERFÍCIE
Há algo de silenciosamente trágico quando uma nação começa a desconfiar do pensamento. Não se trata de uma crise espetacular, dessas que ocupam manchetes com escândalos ou cifras bilionárias. Trata-se de um fenômeno mais discreto e, por isso mesmo, mais perigoso: a lenta substituição da profundidade pela aparência, da pesquisa pelo palpite, da formação pelo improviso. Durante décadas, repetimos que a educação seria a grande prioridade. A palavra tornou-se um mantra cívico, pronunciado com solenidade em discursos, relatórios e campanhas. Entretanto, enquanto a retórica ascendia, os laboratórios envelheciam, as bibliotecas rareavam, os pesquisadores aprendiam a sobreviver mais do que a investigar.
Criou-se, pouco a pouco, uma cultura da superfície. A universidade, que deveria ser um território de inquietação intelectual e risco epistemológico, foi cercada por burocracias que confundem produção de conhecimento com preenchimento de formulários. O professor, que deveria ser um artesão do rigor e da dúvida, passou a dividir seu tempo entre relatórios intermináveis e a necessidade constante de justificar sua própria existência. Não se investe em pesquisa como se investe em espetáculo. Pesquisa exige tempo — e tempo não rende aplausos imediatos. Exige silêncio — e o silêncio não gera trending topics. Exige erro — e o erro não cabe em slogans. Assim, substituímos o método pelo discurso inflamado, o dado pela narrativa conveniente, o argumento pela adesão.
O resultado não é apenas acadêmico; é civilizacional. Uma sociedade que desvaloriza a pesquisa começa a perder sua capacidade de imaginar o futuro. Sem investigação científica, não há inovação consistente. Sem leitura profunda, não há pensamento crítico. Sem professores estimulados a estudar continuamente, forma-se uma cadeia de transmissão de conteúdos cada vez mais esvaziados. É evidente que não se trata de um problema individual. Há professores brilhantes lutando contra a maré. Há estudantes que resistem ao empobrecimento intelectual. Há pesquisadores que produzem excelência apesar da precariedade.
Mas estruturas moldam comportamentos. Quando a prioridade orçamentária oscila ao sabor de conveniências imediatas, quando a cultura pública passa a tratar a erudição com desconfiança e a complexidade como arrogância, instala-se uma pedagogia invisível da mediocridade. E a mediocridade tem uma característica perigosa: ela se normaliza. Começa-se aceitando que “é assim mesmo”. Que a pesquisa pode esperar. Que a formação continuada é luxo. Que bibliotecas são ornamentos. Que laboratórios são despesas, não investimentos.
Pouco a pouco, a imaginação coletiva encolhe. Não é necessário censurar livros para empobrecer uma nação; basta torná-los irrelevantes no imaginário social. Não é preciso fechar universidades; basta asfixiá-las lentamente. Não é preciso declarar guerra ao pensamento; basta tratá-lo como inconveniente. A tragédia maior talvez não seja a falta de recursos, mas a erosão simbólica do valor do conhecimento. Quando a inteligência deixa de ser admirada e passa a ser suspeita, algo profundo se rompe.
Educação não é apenas transmissão de conteúdos. É formação de critérios. É aprendizado da dúvida. É disciplina do raciocínio. É treino da complexidade. Sem isso, o debate público se reduz a palavras de ordem. A análise vira torcida. A crítica vira rótulo. E a política — qualquer que seja ela — passa a operar num terreno cada vez menos iluminado pela razão.
O mais inquietante é que os efeitos não aparecem imediatamente. Eles se acumulam. São graduais. São cumulativos. São geracionais.
Uma geração mal formada não apenas sabe menos; ela questiona menos. E uma sociedade que questiona menos se torna mais vulnerável a simplificações, promessas fáceis e soluções mágicas. Talvez o desafio maior não seja apenas reivindicar mais investimento — embora ele seja indispensável. O desafio é recuperar o prestígio cultural do estudo sério, do método, da pesquisa paciente, do professor que lê mais do que fala. Não se constrói uma nação sólida apenas com infraestrutura visível. Constrói-se também com infraestrutura invisível: bibliotecas ativas, laboratórios vivos, professores pesquisando, estudantes inquietos.
Se quisermos sair da república da superfície, será preciso coragem para reinvestir na profundidade. Coragem para aceitar que conhecimento não é gasto: é fundamento. Que universidade não é ornamento: é pilar. Que professor não é burocrata: é formador de futuro. A educação não precisa de slogans. Precisa de estrutura. Não precisa de aplausos episódicos. Precisa de continuidade. Não precisa de promessas inflamadas. Precisa de compromisso silencioso e persistente. Quando uma sociedade decide levar o conhecimento a sério, ela muda sua trajetória histórica.
Quando decide não levar, também.
DEU NO JORNAL
REBAIXAMENTO
DEU NO X
O DISCURSO DO REBAIXADO
Ala, ala, ala, ala ele REBAIXADO. 🤣🤣 pic.twitter.com/iX3LNG3Z2U
— Tumulto BR (@TumultoBR) February 19, 2026
DEU NO JORNAL
COM TEU DINHEIRO E REUNIÕES NO PALÁCIO
DEU NO JORNAL
OFENSA
Enquanto magistrados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os membros do Tribunal de Contas da União (TCU) ignoraram e autorizaram, por omissão, a propaganda eleitoral de Lula no desfile da escola Acadêmicos de Niterói bajulando o pré-candidato à reeleição Lula (PT) em pleno ano eleitoral, coube aos juízes do Carnaval do Rio tomar providências, batendo o martelo para rebaixar a escola que fez o pior desfile do ano.
A escola faturou alto, mas teve problemas na dispersão, alegorias ruins e presas na saída e até atrapalhou o andamento de outras escolas.
Foi muito apertada a distância entre as escolas, separadas por décimos na pontuação, mas a escola de Lula, não: ficou a 3 pontos da penúltima.
Um dia após a apresentação, o Palácio do Planalto defendeu o desfile e lembrou que nem TSE, nem TCU viram problemas. Não quiseram ver.
Além de pagar mico pela presepada, Lula ainda corre o risco de ver sua candidatura anulada na Justiça.
Deve ir atrás do autor da ideia de jerico.
* * *
A expressão “ideia de jerico”, que fecha essa nota aí de cima, ofendeu muito o jumento Polodoro, nosso querido mascote.
Ele relinchou de raiva e deu coices que só a porra.
Rincha, Polodoro!!!
PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA
HINO À RAZÃO – Antero de Quental
Razão, irmã do Amor e da Justiça,
Mais uma vez escuta a minha prece.
É a voz dum coração que te apetece,
Duma alma livre, só a ti submissa.
Por ti é que a poeira movediça
De astros e sóis e mundos permanece;
E é por ti que a virtude prevalece,
E a flor do heroísmo medra e viça.
Por ti, na arena trágica, as nações
Buscam a liberdade, entre os clarões;
E os que olham o futuro e cismam, mudos,
Por ti, podem sofrer e não se abatem,
Mãe de filhos robustos, que combatem
Tendo o teu nome escrito em seus escudos!

Antero Tarquínio de Quental, Ponta Delgada, Portugal (1842-1891)
ALEXANDRE GARCIA
NOSSA LENIÊNCIA COM OS MENORES CRIMINOSOS FEZ MAIS UMA VÍTIMA

Todas as tentativas de reduzir a maioridade penal no Brasil falharam até agora
Shirlene Cardoso Borgonha, 39 anos, foi morta aqui em Brasília pelas costas, com pauladas na cabeça, por um jovem de 17 anos para quem ela devia R$ 100. Ele já foi apreendido por “ato análogo ao feminicídio” – temos de dizer assim, porque o sujeito é menor de idade. Quando a polícia chegou, ele estava com outro jovem de 16 anos, que jogou no lixo um revólver 32 municiado. Os dois foram, então, apreendidos. A polícia verificou a ficha dele: não é o primeiro homicídio, já consta lá, ele é homicida – só que ele não é considerado assim porque é inimputável. A ficha ainda tem tráfico de drogas, porte ilegal de arma de fogo, roubo de motocicleta, receptação de mercadoria furtada, agressão com lesão… tudo isso. E estava na rua.
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Argentina vai baixar maioridade penal; no Brasil, esta ainda é luta árdua
Vi um brilhante novo jornalista, Alexandre Magnani, lembrando da morte do cachorro Orelha, em Florianópolis, cruelmente assassinado por menores de idade. Ele disse que a Argentina está no caminho de baixar a maioridade penal, de 16 para 14 anos. Javier Milei queria 13, mas a oposição resistiu; a Câmara Federal aprovou, então, por 149 votos a 100, a redução para 14 anos. Agora está no Senado, e deve passar também.
Já no Brasil é uma luta enorme para baixar para 16 anos. E a maioridade penal aqui já foi de 14 anos, durante todo o império e até 1920, ou seja, mesmo com a constituição republicana de 1891 a idade foi mantida. Absolutamente inimputáveis eram apenas os menores de 9 anos. De 1921 em diante, com 18 anos aplicava-se a plena culpa, e dos 14 aos 18 havia um processo especial. Foi em 1940 que a maioridade penal foi para 18 anos, idade que foi mantida na atual Constituição. Há muitas propostas para mudar isso. A primeira delas apareceu em 1993, quando a atual Constituição só tinha cinco anos. Agora, o deputado Mendonça Filho está com uma PEC baixando a maioridade penal para 16 anos.
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Ministro de Lula foi criticado pela própria esquerda por sugerir plebiscito
Wellington Lima, o atual ministro da Justiça, substituto de Ricardo Lewandowski, causou uma celeuma na esquerda. Ele disse que a maioridade penal é um assunto sobre o qual o povo deveria ser consultado por meio de referendo ou plebiscito. O PT e o Psol se insurgiram imediatamente, porque eles adoram proteger criminosos. E começou a discussão. Imaginem o PT fazendo uma nota contra o ministro da Justiça do governo do PT. O Psol também se manifestou. Eu andei pesquisando, mas não se faz estatísticas de assassinatos praticados por menores de idade, até porque nem se pode chamar de assassinato. Mas, do que se sabe, são mais ou menos umas mil mortes por ano.
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Mais uma demonstração de que cinto de segurança faz a diferença entre a vida e a morte
Uma van com placa de Brasília vinha trazendo 16 passageiros da Bahia para passarem o carnaval aqui, e bateu na traseira de um caminhão em Planaltina, aqui pertinho de Brasília. O acidente deixou cinco mortos e 12 feridos. Eu vi a foto: só a parte da frente da van estava amassada, e ainda assim o motorista foi um dos que ajudaram a socorrer os feridos. Ele se machucou na perna e na testa, mas sem gravidade. Outros passageiros da van, no entanto, morreram ou estão feridos gravemente. Nenhuma das notícias na imprensa levantou a hipótese de que essas pessoas estavam sem cinto de segurança, porque a parte do veículo em que elas estavam está intacta. Ou seja, os corpos é que continuaram na velocidade da van, chocaram-se de cabeça com algo na frente do veículo, e morreram. O barulhinho da fivela do cinto de segurança realmente faz a diferença entre a vida e a morte.
CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

