DEU NO JORNAL
SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO
BOM DIA
DEU NO X
PARARAM OU CONTINUAM?
E aí Lula ? Pararam o ainda estão roubando os velhinhos ? pic.twitter.com/UlScHAqbLK
— Nanibarbosa (@RosaneBonoro) December 27, 2025
MARCOS MAIRTON - CONTOS, CRÔNICAS E CORDEIS
REFLEXÕES DE FIM DE ANO
Os últimos dias de cada ano sempre me levam a refletir sobre o tempo. Para mim, é algo um tanto paradoxal fazer isso em um período específico, pois vivo dizendo que o tempo não existe.
Mas talvez esteja aí a razão das minhas recorrentes reflexões sobre o tema: apesar da minha rebeldia contra o tempo, ele parece estar sempre à espreita, pronto para mostrar o seu poder.
Bem, às vezes minhas reflexões se transformam em versos. Às vezes eu resolvo mostrá-las a quem tiver interesse. Foi o que aconteceu neste ano de 2025.
Aos meus queridos leitores do JBF, feliz ano novo!
ENQUANTO PASSAM OS ANOS
O fim do ano está chegando
E um novo começo também
Porque na vida é assim:
Um ano vai, outro vem.
Na verdade, essa contagem,
É uma espécie de miragem,
Nada mais que ilusão.
Não há ano, mês ou hora,
Tudo acontece agora.
O tempo é só… é só uma ficção.
Não, não é que eu não entenda
A festa que o povo faz
Com mensagens de esperança
De sucesso, saúde e paz.
(Afinal!)
É um ciclo concluído
Mais um período vivido
Nessa existência tão fugaz.
Mas, no fundo, nós sabemos
Que o único tempo que nós temos
É o agora…
(só o agora!) e nada mais!
A gente conta os dias e os meses,
A gente se dedica, tantas vezes,
A lembrar do passado e fazer novos planos.
E às vezes esquecemos o presente
Que é viver agora, simplesmente,
Enquanto passam os anos!
CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA
PAULO CARVALHO – RECIFE-PE
Caro editor,
Se possível e pertinente, envio para publicação nesse grande órgão:
“Mas doutor uma esmola, para um homem que é são, ou lhe mata de vergonha ou vicia o cidadão.” [Luiz Gonzaga e Zé Dantas].
Como hoje ninguém tem mais vergonha, está todo mundo viciado.
Um Feliz Natal e um Feliz Ano Novo de saúde e sucesso.
R. Brigadão pela força, meu caro.
Feliz ano todinho pra você e todos os nossos leitores!!!
A frase que você cita na sua mensagem é do clássico “Vozes da Seca“, da autoria de Luiz Gonzaga e Zé Dantas.
Vamos ouvir a interpretação no vídeo que está a seguir:
PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA
SONETO DO AMIGO – Vinicius de Moraes
Enfim, depois de tanto erro passado
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica…

Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes, Rio de Janeiro (1913-1980)
DEU NO JORNAL
NUNCA ANTES
Brasília assiste a movimento sem precedentes na história institucional brasileira: o Supremo Tribunal Federal (STF) sinaliza que pode interferir em decisão técnica do Banco Central e anular a liquidação do Banco Master, suspeito de irregularidades graves, demonstrando o poder de influência do banqueiro Daniel Vorcaro.
Atos recentes do ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF, e ações do Tribunal de Contas da União (TCU) põem em xeque a autonomia do BC como regulador bancário.
O STF nunca antes questionou decisão técnica do Banco Central, órgão independente, por lei, para garantir a estabilidade financeira do país.
Toffoli reforçou a expectativa de reversão após ordenar acareação entre Daniel Vorcaro (Master) e o diretor de Fiscalização do BC, Ailton Aquino.
Na acareação de terça (30), também com o ex-presidente do BRB, Vorcaro tentará desqualificar o trabalho de Aquino e seus auxiliares.
O TCU questiona a “velocidade” e até os fundamentos da decisão de liquidar o banco Master, pavimentando o caminho para sua reversão.
* * *
A expressão “sem precedentes”, contida no primeiro parágrafo desta nota aí de cima, resume tudo.
E “sem precedentes” onde?
Na “história institucional brasileira”.
Tá lá escrito.
E dito isto, tá tudo dito.
Num precisa falar mais nada.
MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE
PREPARE-SE: ANO NOVO!
Chega o final do ano e a gente deseja um “próspero ano novo”. Espero que isso não se configures apenas como uma convença social, mas que tenhamos, mesmo, um ano de prosperidade, apesar das peripécias governamentais. Janeiro não será apenas o início de um novo ano, será o mês da adoção do novo regime tributário.
Primeiro cabe lembrar que haverá isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Em segundo lugar, o governo não faz nenhum favor em relação a isto, porque se pegarmos os valores de isenção de 2010, e atualizarmos pela inflação, a gente chega mais ou menos nesse patamar atual. Em outras palavras, tudo parece ser, apenas, uma atualização monetária. É importante lembrar que se uma pessoa tem duas fontes de rendas e se a soma ultrapassa essa base, ele irá pagar imposto sobre o que exceder os R$ 5 mil.
Agora, a parte mais cruel dessa história ficou guardada para o trabalhador autônomo. Os ministros e o presidente falam tanto em aumentar a tributação sobre os mais ricos, mas tudo que fazem é lascar os mais pobres. Basta pensar que o salário-mínimo era reajustado por inflação mais crescimento econômico e agora é inflação mais 2,50%. Isso leva o salário-mínimo para R$ 1.621,00. Poderia ser um pouco melhor? Sim, mas vamos acreditar que isso é suficiente para atender demandas de quem o recebe.
O ponto crucial dessa reforma foca, diretamente, trabalhadores autônomos. O eletricista que ia na tua casa fazer uma avaliação e/ou correção elétrica e que você fazia um Pix básico para pagar. Até então, não havia preocupação em saber a origem do dinheiro que foi transferido via Pix, desde que observados determinados limites. Por exemplo, uma pessoa que recebe R$ 5 mil via Pix, terá que explicar a origem disso. Caso tenha sido decorrente da venda de um produto ou serviço, o cara precisa emitir uma nota fiscal e declarar e pagar imposto sobre isso.
Cabe acrescentar duas outras coisas: os gastos que você faz com o seu cartão de crédito precisa ser coerente com sua renda. Não empreste seu cartão para que terceiros façam compras e não receba dinheiro de terceiros para completar o pagamento fatura, porque isso pode se configurar como “renda não declarada”. Outra questão está relacionada com aluguéis. Você tem um apartamento alugador e inquilino faz Pix para pagar o aluguel. Beleza! Pagarás imposto. Sabe aquela aulinha particular que você deu sobre equações do segundo grau? É renda. Declare.
Não vou entrar no mérito da questão para discutir se os mais ricos pagam menos impostos do que os mais pobres. No Brasil, os impostos incidem sobre consumo, produção, patrimônio e renda e se a gente foi olhar isso do ponto de vista de indivíduo mais pobre, a gente vai encontrar um cenário complicado mesmo, porque o cara não tem renda, não tem patrimônio, em geral não é produtor, restando-lhe apenas o consumo. Portanto, o cara paga imposto pelo que consome. Um rico paga por tudo isso e ainda mais tem uma faixa de consumo muito mais ampla.
A gente está acostumado a receber informações sem muita qualidade ou veracidade, mas há muita coisa que é dita e que causa um efeito enorme em que não tem conhecimento no assunto. Ontem, recebi uma matéria que alardeava o tanto de recursos externos que entrou no Brasil (US$ 1,1 trilhão) e a pessoa que compartilhou só faltou soltar vivas e fogos comemorando os “feitos” governamentais. Porém, quando você procura saber a causa, vai se surpreender. Desse montante fantástico, US$ 884,48 bilhões era, de capital especulativo, ou seja, recursos utilizados por investidores externos para comprar ações de empresas brasileiras, como a Petrobrás.
Acho que todos nós entendemos a importância dessa grana para a Petrobras, mas ao primeiro sinal de ameaça, este capital sai rapidinho do Brasil. Em adição, UD$ 256 bilhões eram empréstimos a subsidiárias e ai cabe dizer corretamente: são EMPRÉSTIMOS, formalizados a uma determinada taxa de juros, mas que são quitados mediante remessa de lucros. Fica claro que isso pode ser responsável pelo enquadramento da inflação dentro da meta.
O que mais me assusta é que 2026 é um ano eleitoral. Ou seja, nosso sofrimento decorrente da incerteza continua latente. Até o momento ninguém decreta que devemos ter paz e confiança.
Um Feliz Ano Novo!
DEU NO JORNAL
E HAVIA FRAUDES???
JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO
FULÔ DE CAJUEIRO
Floração do cajueiro
Queimadas, Pacajus, 1953: caminho de areia solta entre a BR-116 e as terras dos Albano e dos Nogueira. Meados de setembro, pico da fartura dos cajus frutos (aprendi, cedo, que o “fruto” é a castanha) que naquelas paragens salvou o ronco das barrigas de muitos.
No trecho do caminho de terra solta, a casa de Antônio Luciano, marido da minha tia Maria, irmã caçula da minha mãe.
Mais que de repente o cachorro late, como se fora uma campainha, avisando que tem estranho na porteira da cerca.
– Sinhá Maria, posso apanhar uns cajus?!
Tia Maria solta o alguidá de barro que estava lavando no jirau, e diz:
– Pudê, pode, minha fia – mais dêxe as castanhas, visse!
“Cajueiro pequenino
Carregado de fulô
Eu também sou pequenino
Carregado de amor
Cajueiro velho amigo
Meu amor jurou em vão
Jurou se casar comigo
Se eu lhe desse o coração
Cajueiro não fulora
Também sente a minha dor
O meu bem me deu um fora
E com outro se casou
Cajueiro baixa a calha
Deixa o meu gato passar
Vou embora pra bem longe
Vou morar no Ceará”
Abdias do Forró
Era um dia de sábado. O sol já tava frio – e nós até já tinha bebido o café da tarde. Beiju de farinha no acompanhamento, com nata de leite passada. Pouco sal.
Vovó pegou a vassourinha e começou a varrer o enorme terreiro que Vovô havia brocado, limpando tudo. Agora, era a vez da Vovó fazê a limpeza. Na boquinha da noite, prumode não deixar cheiro de fumaça, Vovô ia fazê a coivara. Tinha que tá tudo limpinho. A gente ia recebê visitas. Vinha gente de longe.
Adispois de fazê a coivara, Vovô ia cuidar de acendê dois lampiões prumode luminá o local. A gente ia recebê visita. Vinha gente de longe.
Naqueles tempos a gente chamava de “cantoria”. Ninguém sabia o nome de nada. Repente, desafio, arenga de violeiros, galope à beira-mar, frege, fala de cordel. Tudo para nós era “cantoria”.
Na cozinha, Vovó fazia bules e mais bules de café. Adoçava com açúcar preto (mascavo). O café deixava sobre uma chapa de ferro colocada nas bocas do fogão a lenha. Fogo baixo. Prumode o café num esfriá nem esquentá demais.
Não tão longe dali, aproveitando a escuridão que dava boas vindas, as cigarras iniciavam sua ópera. Mais parecia mesmo, a “Ópera de Verdi”!
Pessoas convidadas para a “cantoria” começavam a chegar. Alguns deixavam suas montarias ao largo da área – sem esquecer de verificar se havia milho no saco atrelado à boca do animal.
– Noite!
Diziam os que chegavam.
– Noooiiite!
Respondiam os que haviam chegado antes, e os de casa. Afinal, a gente ia eceber visita. Vinha gente de longe.
“Cajueiro pequenino
Carregado de fulô
Eu também sou pequenino
Carregado de amor.”
De repente, parecendo que havia sido combinado, as cigarras interromperam a ópera. As andorinhas pararam de ziguezaguear e a luz vinda dos dois lampiões brilharam mais. Os cantadores chegaram. A “cantonia” ia começar.
Antes do frege, Tia Maria, beata assumida que fazia parte da Congregação das Marianas, levantou e pediu licença:
– Gente, vamos ficar de pé, todos, e fazer a oração que Deus nos ensinou em agradecimento por estarmos todos juntos e com saúde: “Pai nosso que estás no céu…..”!
Sentados. Todos escutaram o agradecimento dos cantadores pelo convite feito pelos donos da casa e a boa receptividade demonstrada com a chegada deles.
E, como sempre fazem no cumprimento obrigatório da modas sertanejas e das cantorias:
“A alegria do filho correndo e gargalhando…
A paz de meditar nas obras de Deus…
O prazer do cuscuz, do café, da rede macia…
E a honra de trabalhar ao lado de poetas como Zé.”
“Ter cuscuz no meu prato pra comer,
Beber meia garrafa de café,
São as coisas que eu gosto de fazer.”
“Cajueiro pequenino
Carregado de fulô
Eu também sou pequenino
Carregado de amor.”
Afinal, a gente ia eceber visita. Vinha gente de longe.


