Quando eu olho em minha cama Que não avisto mais ela, Somente escuto a voz dela Dizendo a mim que me ama. Começa aí o meu drama Então pergunto porquê? Quando é que vou te vê? Ou se de fato acabou? Você partiu mas deixou Uma parte de você.
Poeta Nascimento
Meu fim de semana é Um vazio sem medida Pois parte da minha vida Eu doei a Salomé. Parece que a minha fé Abandonou meu AP, Canto no Karaokê Tudo o que Rossi gravou. Você partiu mas deixou Uma parte de você.
🚨”VÍTIMA DA SOCIEDADE” deu um murro e quebrou o vidro do carro tentando assaltar Tabata Amaral para tomar uma cervejinha no final de semana. Força Tabata👍 pic.twitter.com/CyTtT0gBoy
Rosa Maria Egipcíaca da Vera Cruz nasceu em 1719, na Costa de Ajudá, atual Benin, África. Escravizada e autora do mais antigo livro escrito por uma mulher negra na história do Brasil: Sagrada teologia do amor divino das almas peregrinas. Capturada pelo tráfico negreiro, aos 6 anos, foi trazida para o Rio de Janeiro. O nome Egipcíaca foi dado em referência à Santa Maria Egipcíaca.
Viveu no Rio de Janeiro prestando serviços domésticos até 1733, quando foi vendida para a mãe do Frei José de Santa Rita Durão e levada para Minas Gerais. Pouco depois caiu na prostituição e teve uma enfermidade. Neste período passou a ter visões místicas, levando-a a deixar o meretrício e se tornar beata. Em 1748 se desfez de seus bens, distribuindo tudo aos pobres. Passou a se dedicar aos ofícios divinos e em diversas ocasiões foi tomada por espíritos, segundo o vigário, malignos. Foi exorcizada algumas vezes e fazia sermões edificantes alternados entre visões de Nossa Senhora da Conceição e comportamentos estranhos, como se estivesse possuída por demônios.
Tais sermões levaram-na a ficar conhecida em Mariana, Vila Rica e São João del-Rei. Levada ao Bispo de Mariana, foi acusada de embusteira, sendo açoitada no pelourinho da cidade. Sobreviveu aos castigos e teve o lado direito do corpo semiparalisado. Pouco depois foi novamente analisada pelo frei Manoel da Cruz; passou por uma série de testes e concluíram que tudo era fingimento. Com tal diagnóstico o povo passou a chamá-la de feiticeira, tornando sua vida insuportável, fazendo-a retornar ao Rio de Janeiro, em 1751, numa fuga a pé percorrendo 500 km.
Diz-se que, motivada por inspiração espiritual, aprendeu a ler e escrever e passou a revelar seus dons sobrenaturais ao Provincial dos Franciscanos, Agostinho de São José, que se tornou seu mentor espiritual. Sua devoção extrema, jejuns prolongados, comunhão frequente e autoflagelação levaram os franciscanos a chamarem-na de “Flor do Rio de Janeiro”. Ainda em 1751 fundou uma casa com o nome de “Recolhimento do Parto”, destinado a receber ex-prostitutas e manter orações, que atraiu a atenção da população. Em pouco tempo passou a ser adorada por fiéis que a procuravam de joelhos, beijando-lhe os pés e venerando suas relíquias. Suas cerimônias católicas eram misturadas com ritos africanos, como o hábito de pitar cachimbo.
Por esta época escreveu a Sagrada Teologia do Amor Divino das Almas Peregrinas, um livro de cerca de 250 páginas, que foi considerado como heresia e parcialmente destruído pelo seu confessor e ex-exorcista Pe. Francisco Gonçalves Lopes, conhecido como Xota-Diabos, tendo em vista preservá-la da Inquisição. Conta a história que ela se indispôs com o clero ao “dizer-se mãe de Deus redentora do universo, superior a Santa Teresa, objeto de verdadeira e herética idolatria em seu recolhimento, além de capitanear rituais religiosos sincréticos igualmente suspeitos”.
Tais histórias contadas pelo povo relatam que em dado momento, ela chegou a dizer que o menino Jesus diariamente ia pentear seus cabelos e, em agradecimento, dava-lhe de mamar. Certamente, tais declarações irritaram os padres, que a entregaram aos oficiais do Santo Ofício da Inquisição, em 1763. Foi enviada ao cárcere, em Lisboa, onde não desmentiu suas visões e experiências sobrenaturais e veio a falecer, em 12/10/1771.
Em fins da década de 1980, o antropólogo Luiz Mott realizou uma pesquisa de fôlego sobre o fenômeno e publicou, em 1993 o livro Rosa Egipcíaca: uma santa africana no Brasil pela Editora Bertrand Brasil. O livro despertou o interesse público em conhecer melhor a história dessa mulher, suscitando a publicação de diversos artigos em revistas acadêmicas. Segundo ele, Rosa Egipcíaca “é certamente a mulher negra africana do século XVIII, tanto em África como na diáspora afro-americana e no Brasil, sobre quem se dispõe mais detalhes documentais sobre sua vida, sonhos, escritos e paixão”.
Outro livro que alavancou o interesse por essa história foi o romance ficcional Rosa Maria Egipcíaca da Vera Cruz: a incrível trajetória de uma princesa negra entre a prostituição e a santidade, publicado por Heloisa Maranhão, em 1997, pela Editora Rosa dos Tempos. Segundo o historiador John Russel-Wood, em seu livro Escravos e libertos no Brasil colonial (2005), “Rosa Egipcíaca abre uma janela para a história das mentalidades de uma sociedade escravocrata e também dá identidade e individualidade a uma mulher africana, escrava e depois livre, no mar de anonimidade conferido aos escravos e aos indivíduos de ascendência africana livres no Brasil”.
Um psicanalista famoso, também notável filósofo social, Erich Fromm (1900-1980) escreveu um livro famoso – Ter ou Ser?, editado pela Zahar Editora, onde ele afirma com uma clarividência quase profética: “Pela primeira vez, na História, a sobrevivência física da espécie humana depende de uma radical mudança do coração humano. Todavia, uma transformação do coração humano só é possível na medida em que ocorram drásticas transformações econômicas e sociais que deem ao coração humano a oportunidade para mudança, coragem e visão para consegui-la.”
As nações do mundo principiaram a se reunir com mais frequência nos últimos tempos, buscando encontrar soluções exequíveis para algumas tragédias contemporâneas: a analfabetização mundial, a chocante má distribuição de renda, o aquecimento climático, a intoxicação pelo gás carbônico, a insana multiplicação de ânsias políticas nada maduras, o deplorável saneamento terrestre, um capitalismo autofágico e um esquerdismo nada sedutor e ingenuamente messiânico, um fundamentalismo que busca desacreditar as últimas descobertas das ciências, o desmatamento amazônico, o desrespeito para com povos indígenas, o degelo antártico, além de um individualismo egotista não enxergante e nulamente binoculizador, que mutila as potencialidades de uma indispensável democracia comunitária amplamente redistributiva, favorecendo a emersão de medos e inseguranças múltiplas, elevando mais os atuais índices de criminalidade.
Pediria licença aos fubânicos, já de vida resolvida e 50+, que buscassem ler, ampliando suas criticidades já bem estruturadas, dois livros que muito poderão contribuir para uma orientação mais sadia dos seus derredores profissionais, familiares e comunitários, principalmente de uma juventude que está, no Brasil, na última pesquisa mundial do PISA de cognitividade entre 81 países, na 65ª posição em Matemática, 62ª em Ciências e 62ª em Leitura, numa ampla asneirização cogniiva, facilmente perceptível quando se depara com comentários jumentálicos dos informativos televisivos, das narrações esportivas, das bundalidades expositivas de eventos da TV, das novelostas (novelas bostas) exibidas, a grande maioria delas com excelentes desempenhos artísticos e excrementosos enredos. Eis os livros recomendados, com a devida licença de todos:
a. MEDO DA LIBERDADE, Erich Fromm, Coimbra PT, Edilções 70, 2023, 302 p.
b. REALMAR A ECONOMIA: A ECONOMIA DE FRANCISCO E CLARA, Eduardo Brasileiro (org), São Paulo, Paulus, 2023, 319 p.
Não pretendendo exceder a paciência dos amigos fubânicos, apresento abaixo alguns balizamentos que muito poderão solidificar a PCC – Pensação Crítica Construtiva de todos, favoecendo um 2024 mais edificante, onde poderemos renovar a área política pátria, elegendo gente oensante, binoculizadora, empreendedora e socialmente responsável, sejam homens, mulheres ou LGBTQIA+. Ei-los:
1. Colega não é amigo.
2. Lugar de ex é no passado. E quem gosta de passado é museu.
3. Não insista com alguém que não se esforça para compreender.
4. Coloca o seu amor próprio como prioridade. Só quem rasteja é minhoca.
5. Defenestre da sua vivência as pessoas invejosas e fuxicosas, preguiçosas e não afetivas.
6. Não permita nunca palpites acríticos sobre seu existir.
7. O que os outros pensam é problema deles.
8. Imagine-se sempre em contínua evolução, sempre de olhos voltados para frente e para o alto.
9. Elimine amores pequenos e amedrontados, mesquinhos e interesseiros.
10. Perceba-se sempre uma metamorfose ambulante, buscando mais leituras para novas perspectivas.
11. Perceba que ser é muito melhor que apenas ter.
12. E nunca se esqueça de que “quanto mais negra for a noite, mais radiosa será a madrugada”.
E saibamos todos edificar um 2024 bem muito brasileiro, também mundial, mais humano e menos depressivo, mais gigante e nada desfigurante, culturalmente dinâmico, bundalicamente inexpressivo e educacionalmente paulofreireano, para gáudio dos que fazem os quatro cantos do planeta e a Besta Fubânica.
Amemos! quero de amor Viver no teu coração! Sofrer e amar essa dor Que desmaia de paixão! Na tu’alma, em teus encantos E na tua palidez E nos teus ardentes prantos Suspirar de languidez!
Quero em teus lábios beber Os teus amores do céu! Quero em teu seio morrer No enlevo do seio teu! Quero viver d’esperança! Quero tremer e sentir! Na tua cheirosa trança Quero sonhar e dormir!
Vem, anjo, minha donzela, Minh’alma, meu coração… Que noite! que noite bela! Como é doce a viração! E entre os suspiros do vento, Da noite ao mole frescor, Quero viver um momento, Morrer contigo de amor!
Manuel Antônio Álvares de Azevedo, São Paulo (1831-1852)