Lula fazendo campanha contra ele mesmo. Que estranho pic.twitter.com/4QjSscowuJ
— Nikolas Ferreira (@nikolas_dm) February 23, 2024
Lula fazendo campanha contra ele mesmo. Que estranho pic.twitter.com/4QjSscowuJ
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Isso é uma admissão de culpa? Uma confissão?
Só o pai da mentira seria tão descarado para admitir assim… pic.twitter.com/PROLKFrh42— Flavio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) February 24, 2024
Luciano Trigo
Para uma coisa serviu o depoimento do ex-presidente Jair Bolsonaro à Polícia Federal realizado ontem: para o Brasil inteiro descobrir que a PF adota como procedimento protocolar perguntar aos depoentes – sejam testemunhas, sejam investigados – se eles se identificam como “cis”. Parece que a classificação passou a integrar recentemente oitivas e documentos oficiais.
Como era previsível, Bolsonaro não soube responder – como não saberiam responder, provavelmente, mais de 90% dos brasileiros: aqueles que moram no país real, e não na lacrolândia, no país das narrativas.
Estes brasileiros estão preocupados com outras coisas, como aliás o aumento visível da criminalidade, não com a identidade de gênero do ex-presidente, nem com neologismos artificialmente fabricados e impostos à sociedade de cima para baixo.
Resultado: para muita gente, um depoimento grave, sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado, aguardado com grande expectativa e apreensão, caiu no ridículo, já que a única pergunta noticiada por todos os portais e jornais foi esta. Foi também a única que fez Bolsonaro romper seu silêncio: ele respondeu dizendo desconhecer o termo.
Mas, para além do caráter anedótico do episódio, cabe uma reflexão.
“Você é cis?” é uma pergunta que soa preconceituosa, estigmatizante, inoportuna, discriminatória, inadequada, intempestiva e até mesmo constrangedora, justamente porque isso não deveria fazer diferença nenhuma para a Polícia. Mas, se fazem a pergunta, é porque alguma diferença deve fazer.
Perguntar se alguém é “cis” equivale a perguntar se ele ou ela se identifica com seu sexo biológico. Mas isso é da conta da Polícia? Que diferença faz? Muda alguma coisa saber se um investigado ou testemunha é “cis”? A resposta gerará um tratamento desigualitário?
Agora imaginem, por alguns segundos, a repercussão que o episódio teria se fosse o contrário: começa o depoimento, e Bolsonaro pergunta ao delegado se ele se identifica com seu sexo biológico. Talvez recebesse voz de prisão na hora. No mínimo, seria acusado por toda a grande mídia de fóbico, golpista, fascista e genocida.
Para quem ainda não sabe, “cis” é um modismo relativamente recente adotado pela militância woke. Derivado do latim, significa “do mesmo lado”. À primeira vista, “cisgênero”, portanto, é toda pessoa que se identifica com seu sexo biológico.
Ou não exatamente, porque li agora outra definição, sutilmente diferente: cisgênero é a pessoa que se identifica com o sexo “que lhe foi atribuído ao nascer”: “Por exemplo, se uma pessoa é designada como mulher ao nascer e se identifica como mulher”.
Se entendi bem, parece que os bebês hoje em dia nascem sem sexo, e que o sexo é algo “designado” ou “atribuído” a posteriori, com base em características biológicas.
Ai ai ai, as coisas estão ficando muito complicadas. Antigamente o sexo de um bebê era um fato da biologia, ponto. Não era algo designado nem atribuído, era simplesmente algo constatado e registrado. As palavras ainda importam?
Mais preocupante, contudo, é outra mudança de costumes que o procedimento protocolar da PF explicita: antigamente as pessoas tinham direito à intimidade e à privacidade. A própria Declaração Universal dos Direitos Humanos, publicada em 1948, assegurou que ninguém será sujeito a interferências em sua vida privada.
E, em seu inciso X do artigo 5º, a Constituição Federal assevera: são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação.
Segundo juristas, o legislador visou, com isso, proteger o indivíduo da intromissão alheia em sua vida particular: o pressuposto é que não cabe ao Estado nem a ninguém se meter na intimidade de um cidadão, pelo risco implícito de prejuízo à imagem ou de exposição indevida.
Com base no exposto acima, a pergunta “Você é cis?”, na minha opinião, é duplamente ofensiva, porque o objetivo da tutela constitucional é proteger as pessoas de duas ofensas: a ofensa ao segredo da vida privada (ao direito à intimidade) e a ofensa à liberdade da vida privada (ao direito à vida privada).
Ora, se até uma baleia tem o direito de não ser importunada, qual o sentido de se perguntar a um ex-presidente – ou a qualquer cidadão – se ele se identifica com seu sexo biológico? Acredito que a melhor resposta a esta pergunta teria sido: “Não é da sua conta”.
Atingiu a marca de 320 mil assinaturas em menos de cinco dias o abaixo-assinado na plataforma Change.org pelo impeachment do presidente Lula (PT).
A alegação é que ele cometeu crime de responsabilidade, quando comparou a defesa de Israel contra os atos terroristas do Hamas ao genocídio promovido por Hitler e os nazistas.
Lula também é alvo de ação por crime de antisseminismo na Corte Penal Internacional de Haia.
O impeachment na Câmara já tem apoio de 139 deputados federais.
Lula é acusado de crime de responsabilidade por atentar contra a existência da União por “ato de hostilidade contra nação estrangeira”.
A lei enquadra chefe de governo que expuser a República “ao perigo da guerra, ou comprometendo-lhe a neutralidade”.
O abaixo-assinado pelo impeachment de Lula foi criado no dia 18 e acumulou mais de 100 mil assinaturas em menos de 24 horas.
As 139 assinaturas bateram recorde. O impeachment com o maior apoio da História foi contra Dilma, quando 124 deputados assinaram o pedido.
* * *
A indignação tomou conta das pessoas de bem em pouco tempo e se espalhou por todos os cantos.
Cresce a cada hora, a cada minuto.
Até a Corte Penal Internacional de Haia se ocupou do assunto.
Muito justo, muito certo.
Mas, segundo o Departamento Jurídico do JBF, além do impeachment, o Ladrão Descondenado, tem que ser punido também com outro tipo de pena.
Trata-se de uma sessão de enrabamento promovida por Polodoro.
O nosso querido jumento, mascote desta gazeta escrota, já está as ordens para exercer sua função com maestria, sem cuspe ou vaselina, com total arrebentamento de pregas.
Guilherme de Carvalho

O presidente Lula na coletiva de imprensa em que comparou a ofensiva israelense em Gaza ao Holocausto
Quando o presidente Lula igualou a resposta militar de Israel na Faixa de Gaza ao Holocausto judeu promovido pelos nazistas, um amigo adoçou a coisa como uma besteira, um pé-na-jaca. O Estadão sugeriu como explicação o “improviso”, a mera fala descuidada, e não faltaram lamentos pelo “deslize” nas mídias sociais. Mas a narrativa do deslize não durou um dia.
No que se refere ao presidente Lula, improviso é honestidade. Os improvisos de Lula nos são indispensáveis. Graças a eles sabemos que o presidente inclusivo usa a esquerda identitária para subir ao poder, mesmo sendo – por seus critérios – racista e machista; e sabemos também que essa esquerda sobe a montanha montada no seu cangote. A elite usa o populista, e o populista usa a elite, cada um com seus próprios projetos de hegemonia.
E graças ao mais novo improviso de Lula, uma multidão de ratos saiu da toca. Assim que o presidente foi repreendido pelo Estado de Israel e declarado persona non grata, o antissemitismo de esquerda se levantou, iracundo. A presidente do PT, Glesi Hoffmann, atacou Benjamin Netanyahu: “Ele não tem autoridade moral nem política para apontar o dedo para ninguém”, disse à Folha de S.Paulo. E negou a necessidade de desculpas. A crise diplomática escalou e, numa semana de luz e honestidade, a militância saiu em massa na defesa do absurdo: Celso Amorim, Omar Aziz, Alexandre Padilha, entre outros, e uma multidão de jornalistas e influenciadores encorajando o governo a dobrar a aposta.
Coragem, resiliência e transparência poderiam ser virtudes, não fossem, nesse caso, as escoras do vício. O PT nunca hesitou em distorcer verdades em nome das suas verdades; suas concepções idiossincráticas de bem e mal não incluem uma concepção sólida de justiça, e muito menos a consistência no campo dos direitos humanos, do que o comportamento político do ministro Sílvio Almeida diante do massacre perpetrado pelo Hamas se mostrou exemplar. Eles têm a sua própria versão dos “direitos humanos para humanos direitos”: no caso, humanos direitos são aqueles alinhados ou úteis.
Assim encontramos a militância sublinhando o número de vítimas em Gaza – números que, como se sabe, não distinguem civis e combatentes – para acusar Israel de genocídio, descontando hipocritamente o fato de que o país tem procedimentos há muito conhecidos para minimizar vítimas colaterais, e que não mira civis de forma intencional; manipulando o julgamento público com uma exigência de “proporcionalidade” completamente enviesada (o que seria “proporcional”? Matar o mesmo número de pessoas, praticar o mesmo número de estupros e assar o mesmo número de bebês em fornos?); negando a realidade de que o Hamas é uma ameaça permanente à segurança de Israel, independentemente de qualquer solução de dois Estados, e que precisa ser neutralizado; e ignorando o fato de que o alto número de vítimas em Gaza é resultado de um sequestro moral, político e militar da população palestina realizado por seus próprios cidadãos extremistas.
Meias-verdades, mentiras e narrativas. Uma das mais deslavadas é a de que a ação militar seria obra da “extrema direita sionista”, quando sabemos que ela é obra de um gabinete de união suprapartidário. Além disso, líderes da esquerda israelense, como a ativista Stav Shaffir, acabaram de rejeitar completa e publicamente essa narrativa, e o próprio chefe da oposição, Yair Lapid, declarou que Lula “demonstra ignorância e antissemitismo”. A verdade é que, no mundo pós-Holocausto e num Oriente Médio dominado pelo ódio ao Ocidente, ao judaísmo e a Israel, ser antissionista é ser antissemita.
Toda essa movimentação tem uma racionalidade clara: forçar alguma reconfiguração no jogo internacional de poder para que o Brasil ganhe pontos dentro dos Brics e poder de barganha junto ao Ocidente. E ninguém duvidaria de que, diante da tempestade em escala global que se instala, ter peso e voz internacional será importante para a sobrevivência política e econômica nos próximos anos. A questão é que a jogada inteira do Novo Maquiavel brasileiro, que pode dar certo, tem um altíssimo custo moral. O Holocausto foi, de todas as coisas horríveis que a modernidade produziu, a mais horrível; e o petismo decidiu jogar politicamente com ela.
O que não dará certo, em nenhuma hipótese – e quanto a isso, meus amigos, vocês podem dormir seguros –, é atacar Israel dessa forma e tentar em seguida sorrir para os crentes. Em tempos de política afetiva, de polarização moral extrema e de discursos totalitários contra a liberdade religiosa, há nervos sensíveis que não deveriam ser tocados. Ou o PT desistiu definitivamente de qualquer diálogo com os evangélicos, ou viajou para a Disneylândia e acredita que poderá negociar isso com os evangélicos depois.
O apoio evangélico a Israel é um fato antigo, bem estabelecido e, eu acrescentaria, o é em escala global, e não apenas no Brasil. Trata-se de uma questão histórica e teológica; o destino do cristianismo e o destino judaico estão irremediavelmente conectados, e é inútil traçar uma separação radical entre povo judeu e Estado de Israel, como alguns teólogos tentaram fazer recentemente. Os evangélicos brasileiros são, na maioria esmagadora, sionistas ou no mínimo filossemitas.
Esse fato absolutamente corriqueiro do mundo evangélico assustou o jornalismo nacional. Folha, Estadão e outros jornais se apressaram a examinar o estranho fenômeno do apoio evangélico a Israel, e a BBC chegou a publicar um vídeo-reportagem sobre o tema: “Por que tantos evangélicos apoiam Israel?”. Eu fui um dos entrevistados na reportagem, mas fiz questão de perguntar depois: Por que a BBC não publica uma matéria sobre “de onde vem a explosão de antissemitismo denunciada pelo Conib”? Os números atingiram quase 1.000% de aumento. Não preciso dizer que nenhuma reportagem foi feita sobre isso. Mas todos sabemos a razão: as fontes do antissemitismo atual estão dentro das universidades públicas, das redações da grande imprensa e do parlamento.
A Folha de S.Paulo publicou nessa quarta-feira um artigo sobre o possível impacto da crise diplomática com Israel entre os crentes: “Evangélicos veem Lula mais distante e apontam erros em série após fala sobre Holocausto”. No artigo vê-se algumas leituras caridosas e otimistas, negando que esse posicionamento tenha causado prejuízos irreparáveis. Conversa fiada; ao mesmo tempo em que cometiam seu antissemitismo à luz do dia, militantes lulopetistas massacraram os evangélicos em todas as mídias sociais. E tudo aconteceu bem debaixo do nariz dos crentes.
Se Lula conseguirá reverter o mal-estar dentro da bancada evangélica? Talvez, com seus favores. Mas entre as massas evangélicas o dano será irreversível. Se há um fato bem estabelecido e público para os crentes, é que a extrema esquerda brasileira, agora embalada no colo presidencial, é antissemita e antievangélica. E quem carimbou essa percepção foi o próprio Lula, a alma mais honesta do país, em seus honestíssimos improvisos.
Comentário sobre a postagem UMA INSTITUIÇÃO INCRITICÁVEL
jm:
Isso que eu chamo de “defender” a democracia.
Não foi à toa que venceram o “Bolsonarismo”.
Perdemos manés.
Não amolem.
Afinal de contas missão dada é missão cumprida.
E segue o baile…
Faço jornalismo há mais de 60 anos. Agora, sob o peso dos 88 anos, fora das ruas, transmito notícias, trocando informações via internet através do Grupo “Correspondentes Unidos” e aos sábados publico crônicas.
Aproveito para entregar aos leitores – a título de ilustração sonora – a excelente manifestação do Coronel Cony sobre o tema desta crônica.
Nunca me preocupei tanto quanto nesta semana em que vivemos, diante da expectativa da conclamação para reunir brasileiros na Av. Paulista, o que se fará para reagir, com um “basta”, destinado às atitudes que a Nação Brasileira vem sofrendo diante das misérias cometidas pelas autoridades contra às leis.
Mantenho no WhatsApp um grupo formado por pessoas inteligentes e de cultura. Na troca de mensagens diárias que ali aparecem, quase todos são unânimes em declarar seríssimas preocupações durante esta semana, dias que antecedem ao pronunciamento do ex-Presidente Bolsonaro.
Se estivéssemos diante de simples adversários políticos era uma coisa. Mas, pelo que temos visto, toda a sorte de ações de baixo calão podem ocorrer porque exemplos já tivemos, em dias anteriores, em que contra o povo pacífico os baderneiros já se manifestaram levando os entusiastas patrióticos à prisão sem culpa.
O que mais me preocupa é que durante a manifestação pacífica haja um atentado e que a multidão seja atropelada pelo seu próprio “rolo compressor”, pois se trata de aglomerar u’a multidão incalculável.
Só é possível aliviar a pressão psicológica que temos sofrido se cronicar como se fosse pitoresca a situação; ou seja, publicar que estamos diante de um possível “impacto no miocárdio”.