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VIOLANTE PIMENTEL - CENAS DO CAMINHO

AS PRAGAS

A primeira praga que eu ouvi falar na minha vida foi “a praga do mau vizinho”. Era um jargão que um mendigo usava para agradecer a esmola que alguém lhe dava. “Deus te livre da praga do mau vizinho”! Eu era adolescente e logo conheci de perto o mau vizinho. Entendi que um mau vizinho é uma verdadeira praga, e só nos faz mal.

Vi minha mãe chorar, ao ver sua gata angorá morrer, sem nenhum pelo, em consequência de uma panela de água fervendo que lhe foi jogada por sua má vizinha, Dona Geni, para enxotá-la do seu quintal.

Vi meu irmão chorar, ao ver seus dois cachorros mortos por envenenamento, consequência de “bolas” que lhes foram jogadas por um mau vizinho. Casos verdadeiros, testemunhados por serviçais.

Como diz o ditado, “matos tem olhos, paredes tem ouvidos.” Há sempre uma testemunha ocular que o acaso coloca na “cena do crime”, para desmascarar o mentiroso. Mas a principal testemunha que existe é Deus. Se o homem não punir, Deus punirá. A Justiça de Deus tarda, mas não falha.

As dez pragas do Egito estão registradas na Bíblia, no livro do Êxodo, no Antigo Testamento (Êxodo 7—12).

Sem dúvida, esse foi um dos acontecimentos mais emblemáticos da história bíblica de Israel. Foi depois de sair do Egito, que o povo de Israel se consolidou como nação em Canaã, após peregrinar por algumas décadas pelo deserto.

Segundo os estudiosos, as dez pragas do Egito foram os castigos que Deus enviou contra a nação que estava oprimindo o seu povo escolhido. Foi após o Senhor ter enviado as 10 pragas através do ministério de seu servo Moisés, que os egípcios libertaram os israelitas.

De acordo com o texto bíblico, a primeira praga consistiu na transformação das águas do Nilo em sangue.

A segunda praga foi a invasão de rãs em todo o Egito.

A terceira praga trouxe ao Egito uma infestação de piolhos; a quarta praga trouxe a invasão de moscas; a quinta praga trouxe doenças e mortes a todos os rebanhos do Egito.

A sétima praga foi uma chuva de pedras, que destruiu as plantações do Egito; a oitava praga, foi a invasão de um enxame de gafanhotos, que infestou as terras egípcias.

A nona praga trouxe uma escuridão, que durou três dias; e na décima praga do Egito, a cólera divina fez morrer todos os primogênitos dos homens e dos animais.

Com tudo isso, fica claro que o significado das dez pragas do Egito apontou para a soberania de Deus sobre todas as coisas. As pragas caíram sobre o Egito, para que todos soubessem que o Deus de Israel é o Senhor, e para que seu nome fosse glorificado em toda a terra.

No Brasil, tem havido várias pragas, comparáveis às pragas do Egito. Como exemplo, o Covid-19, ou Corona-vírus, onde o índice de óbitos foi pavoroso.

Houve derramamento de dinheiro público nas mãos dos corruptos, com verbas desviadas da compra de oxigênio, crime para o qual até hoje não houve punição. Enquanto isso, milhares de pessoas morriam pela falta de oxigênio e leitos hospitalares.

Neste ano de 2024, nova praga assolou o País, através da proliferação do mosquito da dengue, adoecendo pessoas (50.000) e já alcançando 131 óbitos até o momento, o que não tem termos de comparação com a pandemia do Covid-19.

Mas, o fato é que, agora, a dengue entrou em cena com gosto de gás. As verbas públicas estão fazendo o verdadeiro carnaval do Ministério competente. A Vacina Qdenga já está sendo aplicada em crianças, sem que se saiba quais serão os efeitos colaterais que ela provocará.

Essas terríveis pragas parecem uma maldição de fundo bíblico, lançada sobre o Brasil, que já foi considerado o “País do Futuro”. Há também as pragas que vestem paletó e gravata ou togas pretas. Destroem toda a economia do País, não poupando dinheiro para turismos internacionais.

O nosso País está contaminado de maus políticos, corrupção, degeneração dos costumes e desrespeito, sementes que, plantadas, resultam numa péssima colheita.

Comparando as dez pragas do Egito com o que tem acontecido no Brasil, fora o sangue que manchou o rio Nilo, há muitas coincidências.

Atualmente, a dengue chegou novamente ao Brasil, de vento em popa. A poluição hídrica continua cada vez pior, e até hoje, o Órgão competente não respondeu quem tingiu de óleo as praias do Nordeste brasileiro.

Junto com a epidemia de dengue, vão as verbas milionárias, para abastecer as eleições municipais. A dinheirama está por trás de toda epidemia de dengue, e as vacinas são uma fonte de renda.

Para os egípcios, Deus mandou uma chuva de granizo que devastou seus campos. Para o Brasil, alguém soprou um fogo enorme no pantanal, queimando quatro milhões de hectares de terra.

Para os egípcios, Deus mandou uma chuva de granizo que devastou seus campos. Para o Brasil, a praga soprou um fogo enorme no pantanal, recaindo a culpa em quem não teve nada a ver com isso.

Aliás, entre uma praga de gafanhotos e uma praga de políticos corruptos, o que seria pior? A corrupção apodrece os políticos e faz o homem desacreditar no seu semelhante.

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CARLITO LIMA - HISTÓRIAS DO VELHO CAPITA

CARNAVAL É COISA SÉRIA

“Acabou nosso carnaval / ninguém ouve cantar canções / ninguém passa mais brincando feliz / e nos corações / saudades e cinzas foi o que restou… E no entanto é preciso cantar…”

A Marcha da Quarta-feira de Cinzas de Carlinhos Lyra e Vinicius de Moraes ecoa em todo Brasil depois de quatro dias de Carnaval. Há quem diga que as coisas no Brasil só funcionam depois do Carnaval. Pode até ser na Ilha da Fantasia, Brasília, onde Podres Poderes vivem nababescamente. Mas o brasileiro comum, do grande empresário ao operário, dia 2 de janeiro já estão no batente para sustentar sua vida e pagar os impostos.

Mas voltemos ao Carnaval. As Escolas de Samba e Blocos estão se reunindo pensando no Carnaval de 2025. Isso mesmo Carnaval é coisa séria, é emprego e renda. Em muitos locais profissionalizaram carnavalescos e planejadores de captação de recursos. Os ingleses há pouco tempo inventaram o termo Economia Criativa, ou seja a economia, o dinheiro gerado pela criatividade humana e o Carnaval Brasileiro é a síntese dessa Economia Criativa, onde pequenos empresários, tipo: ambulantes, taxistas, costureiras, músicos, montadores, pousadas, hotéis, restaurantes e outros são os maiores beneficiários. Carnaval é um grande negócio, que digam as cidades de São Paulo, Rio, Salvador, Recife, entre outras que começaram a se estruturar durante o Carnaval.

Há oito anos que um grupo de foliões formaram blocos para desfilar no domingo de carnaval na orla de Maceió. Nosso carnaval se restringe a esses Quixotes que há oito anos não deixaram a peteca cair, pelo menos no domingo de carnaval. Nos outros dias de carnaval Maceió fica uma tristeza. A burguesia, mais de 200 mil habitantes, viaja para assistir os carnavais de outras cidades. A estrutura carnavalesca da cidade para os 800 mil habitantes que ficam em Maceió é pífia, o maceioense não tem direito à maior manifestação cultural popular do brasileiro, a alegria fugaz que se chama carnaval.

Esse ano de 2024 também viajei, não pude recusar o convite da Diretoria da Escola de Samba Beija-Flor que desfilou com o tema: “Um Delírio de Carnaval de Maceió de Rás Gonguila.” Homenageando Maceió e o meu amigo, carnavalesco dos anos 50/60, Gonguila.

Comprei passagens e hospedagens. Minha esposa e uma filha me acompanharam na aventura carnavalesca. Ao chegar ao Rio de Janeiro fui ao Barracão da Beija-Flor na Cidade do Samba, uma descomunal estrutura para as Escolas de Samba. Fiquei impressionado. Durante o carnaval dei um bordejo nos bairros mais badalados, Copacabana, Leblon e Ipanema, nunca vi tantos blocos. Os cariocas se fantasiam para desfilarem nos blocos, ou para ir à praia ou tomar chope nos restaurantes. As cariocas charmosíssimas veste um biquíni e uma flor no cabelo, estão fantasiadas. Nunca vi tantas mulheres bonitas e bundas tão maravilhosas.

Afinal domingo à noite o desfile da Beija-Flor, fantasiado de Guerreiro me colocaram em cima do carro alegórico representando a cultura alagoana, junto com Cacá Diegues, Márcio Canuto, Yara Pão, Setton Neto, Guga Rocha, entre outros.

Tive muitas emoções em minha vida, mas nunca igual a desfilar num carro alegórico da Beija-Flor com as alas de sambistas fantasiadas de folguedos alagoanos. O desfile das Escolas de Samba do Rio é considerado o maior espetáculo da Terra. Dançando e cantando o samba enredo inspirado em minha amada cidade: “Em Maceió, o Paraíso deu à luz a um menino… à beira-mar nascia um Rei… Que o senhor das ruas deu o seu caminho…”

O sambódromo lotado cantava e aplaudia, eu era apenas um entre os 3.500 componentes da Beija-Flor. Cheguei a pensar que todas as palmas eram para mim, bela e louca ilusão explodiu meu coração, chorei de emoção…

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LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

DEU NO JORNAL

O SONHO ERA TER RESPEITO, A REALIDADE É SER PERSONA NO GRATA

Nikolas Ferreira

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a cerimônia de Abertura da 37º Cúpula da União Africana, na Sede da União Africana, em Adis Abeba, na Etiópia.

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante a cerimônia de Abertura da 37º Cúpula da União Africana, na Sede da União Africana, em Adis Abeba, na Etiópia

O pano de fundo era o mesmo: mais uma viagem feita por Lula, dentre as inúmeras, que já custaram mais de R$1 bilhão aos cofres públicos. Porém, isso se tornou pequeno diante do que está agora em foco. Durante uma entrevista coletiva na Etiópia, Lula acusou Israel de cometer um genocídio em Gaza, além de comparar, de forma extremamente infeliz, a ação dos israelenses ao extermínio de judeus promovido pela ditadura nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Se o sonho era ser respeitado nacional e internacionalmente, a realidade está muito longe disso.

Se, de forma bastante óbvia, não só Israel como outras nações repudiaram a fala do ignóbil que hoje ocupa o Palácio da Alvorada, bem como diversos parlamentares, líderes religiosos e a grande maioria da população brasileira, para Lula, nem mesmo assim foi possível dar um passo atrás e pedir desculpas. Muito pelo contrário: dobraram a aposta e, além de denunciarem Israel de forma hipócrita no Tribunal de Haia por supostamente estarem invadindo territórios palestinos, colocaram-se como vítimas de quem eles próprios estavam atacando.

Como não posso ser injusto e citar somente os que se posicionaram contra a fala grotesca do petista, vou citar alguns da minoria que apoiaram: os esquerdistas Luis Alberto Arce da Bolívia e Gustavo Petro da Colômbia, os ditadores Miguel Díaz-Canel de Cuba e Nicolás Maduro da Venezuela. Surpreendendo um total de 0 pessoas, Lula também foi ovacionado pelo Hamas, um grupo comprovadamente terrorista e assassino que mata grávidas, degola crianças e estupra mulheres. Vale lembrar que esses fundamentalistas foram os responsáveis por matar inclusive brasileiros após um ataque durante uma rave na Faixa de Gaza.

Para quem não tem o mínimo de arrumação intracromossomial para dirigir um país, como dizia Enéas Carneiro, bastava somente isso para enfim reconhecer o erro, mas ficou claro que o atual governo não enxerga como uma falha, e sim um ato intencional. Curioso, para não dizer outra coisa, como no Brasil é possível ter acesso ao Telegram de terroristas, e o mesmo não acontece em relação a uma mídia independente gigante como era o Terça Livre, na época com mais de 1 milhão de inscritos somente no YouTube. Também estranha o fato de um assessor de um deputado do Partido Comunista do Brasil zombar das vítimas do terrorismo do Hamas e ficar por isso mesmo, tendo em vista que pouco depois o mesmo estava participando de um evento – pasmem – no Ministério dos DIREITOS HUMANOS.

Acham plausível inventar narrativas sobre supostos gestos nazistas feitos por quem não era de esquerda, bem como se automutilar desenhando uma suástica para tentar culpar os outros; mas, quando são eles mesmos destilando antissemitismo, está tudo bem. É permitido que você participe de reuniões de pastas ministeriais, que continue com seu cargo em partidos e estatais, e que você presida a nação tranquilamente, pois haverá inúmeros “passadores de pano” para todas as suas incontáveis “gafes”. Para cada falsa acusação de antissemita, fascista, nazista, racista, homofóbico ou transfóbico que a esquerda faz contra seus opositores, há vários exemplos do outro lado de que eles são exatamente aquilo que acusam os outros de ser.

Defender um inescrupuloso como Lula tem saído bem caro não só para sua base, como para a assessoria de imprensa infiltrada na velha mídia. Já que não vou pelo mesmo caminho, assinei o pedido de impeachment do ex-presidiário de acordo com o artigo 5º da Lei 1079/1950, que estabelece:

“São crimes de responsabilidade contra a existência política da União:

3 – cometer ato de hostilidade contra nação estrangeira, expondo a República ao perigo da guerra, ou comprometendo-lhe a neutralidade”.

Além de mim, até então houve outros 129 signatários, recorde histórico que deve aumentar nos próximos dias. Também protocolei um pedido de informações e solicitei, via Lei de Acesso à Informação, a gravação da reunião realizada pelo presidente com seus ministros, após as declarações que ameaçam nossas relações diplomáticas. Já que pela primeira vez na história da diplomacia brasileira o líder do Poder Executivo Federal é declarado persona non grata por outro país, podemos confirmar que, além do próprio Brasil, o ladrão também não pode sair nas ruas de Israel.

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PEDRO MALTA - REPENTES, MOTES E GLOSAS

DOIS POEMAS DE CANCÃO

João Batista de Siqueira, Cancão, São José do Egito-PE (1912-1982)

* * *

MEU LUGAREJO

Meu recanto pequenino
De planalto e de baixio
Onde eu brincava em menino
Pelos barrancos do rio
Gigantescos braunais,
Meus soberbos taquarais
Cheios de viço e vigor
Belas roseiras nevadas
Diariamente abanadas
Das asas do beija-flor

A terra da catingueira
Criada na penedia
Onde a ave prazenteira
Canta a chegada do dia
Planalto, ribeiro, prado
Onde até o próprio gado
Parece ter mais prazer
Terreno das andorinhas
Onde arrulham mil rolinhas
Quando começa a chover

A borboleta ligeira
Que desce do verde monte
Passa voando maneira
Roçando as águas da fonte
As aragens dos campestres
Pelas florzinhas silvestres
Atravessam sem alarde
Quando o sol se debruça
A Natureza soluça
Nas sombras do véu da tarde

Terreno em que os sabiás
Cantam com mais queixumes
Belas noites de cristais
Cravadas de vaga-lumes
Meus mangueirais magníficos
Por onde os ventos pacíficos
Atravessam mansamente
Verdes matas perfumadas
Nas lindas tardes toldadas
Das cinzas do sol poente

Esvoaçam, preguiçosas,
As abelhas pequeninas
Tirando néctar das rosas
Das regiões campesinas
Os colibris multicores
Pelos serenos verdores
Perpassam com sutileza
O orvalho cristalino
Lembra o pranto divino
Dos olhos da Natureza

Palmeiras que o rouxinol
Canta ainda horas inteiras
As auras do pôr-do-sol
Soluçam nas laranjeiras
A pelúcia aveludada
De muitas flores bordada
Desde o vale até o outeiro
Lugar em que cada planta
Soluça, sorri e canta
Pelos trovões de janeiro

Deslumbra a gente o encanto
Das borboletas douradas
Pousarem no róscio santo
Das manhãs cristalizadas
Fingem variadas fitas
De fato que são bonitas
Porém se fingem mais belas
Que a divina Natureza,
Por ter-lhes posto a beleza,
Deu mais vaidade a elas

Oh, noite de Lua cheia
De minha terra querida!
Lindas baixadas de areia
Princípios da minha vida
Lugares de despenhado
Onde gozei, descansado
Sombra, frescura e carinho
Bosque, vale, serrania
Lugares onde eu vivia
Em busca de passarinho

Os colibris delicados
Pelas manhãs de neblina
Passam voando vexados
Na vastidão da campina
Nos frondosos jiquiris
Dezenas de bem-te-vis
Elevam seus madrigais
Lugar que grita o carão
Olhando o santo clarão
Primeiro que o dia traz

As pequeninas ovelhas
Descem buscando o aprisco
Colhendo ainda as centelhas
Do sol ocultando o disco
Seguem pelas mesmas trilhas
Como que sejam as filhas
Dum pastor que lhes quer bem
Recebendo ainda as cores
Dos derradeiros rubores
Que o céu do oeste tem

Vivia sempre brincando
Fosse de noite ou de dia
Na alma se apresentando
Um mundo de poesia
Minhas queridas delícias
Aquelas santas primícias
Se passaram como um hino
Hoje só resta a lembrança
Do tempo em que fui criança
No meu torrão pequenino.

* * *

MINHA MENINICE

Foi-se meu tempo de flores
A data da inocência
Dos primeiros resplendores
Do sol da minha existência
Meu palacete dourado
Puramente bafejado
Das brisas celestiais
Felizes dias risonhos
Foram ilusões, foram sonhos
Que ao despertar não vi mais.

Estórias de belas vindas
De príncipes, reinos e fadas
Atrás de princesas lindas
Que ainda estão encantadas
Depois da hora da ceia
Ia saltar sobre a areia
Logo que a lua surgia
Sentia a má impressão
Olhando a sombra no chão
Fazendo o que eu fazia.

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