DEU NO X
CÍCERO TAVARES - CRÔNICA E COMENTÁRIOS
MATAR OU MORRER (1952) – UM CLÁSSICO DO WESTERN AMERICANO
Este texto de hoje é deciado ao colunista fubânico Peninha
Realizado num período de perseguição política nos Estados Unidos (o macarthismo) e roteirizado por John W. Cunningham e Carl Foreman, um dos nomes da lista negra do senador Joseph McCarthy, High Noon (1952), ou Matar ou Morrer, tem no diretor Fred Zinnemann seu primeiro desafio, tornando o primeiro ponto notável dos bastidores desta obra-prima, que foi concebido como uma resposta simbólica ao “caça às bruxas” e à cisão que então se estabelecia em Hollywood.
Na pacata cidade de Hadleyville, no Novo México, quando o Xerife Will Kane, interpretado magistralmente pelo ator Gary Cooper, está prestes a se casar com a protestante, a jovem e belíssima Grace Kelly, recebe a notícia de que Frank Miller, interpretado pelo ator Ian MacDonald) – o psicopata que Kane havia prendido anos atrás – foi solto da prisão e estava preste a chegar no trem do meio-dia à cidade para a desforra.
Enquanto os três mais odiosos cúmplices de Miller esperam na estação, o Xerife tenta conseguir ajuda. Os habitantes da cidade se recusam a arriscar suas vidas por medo de vingança. Vários relógios revelam que o meio-dia está se aproximando. “Matar ou Morrer” se passa em tempo real, com a hora fatal se aproximando enquanto a música-tema, a balada “Do Not Forsake Me, Oh My Darling”, insiste em frisar os acontecimentos. Will Kane é deixado praticamente sozinho contra quatro vilões.
O assassino solto deve chegar a bordo do trem do meio-dia. Frente aos sentimentos conflitantes da população, ao desamparo por parte de seus antigos colaboradores e, especialmente, às súplicas de sua esposa, o Xerife enfrenta um dilema praticamente sem solução.
Esse é o pano de fundo que Fred Zinnemann utiliza para desenhar um painel do fim anunciado da época das conquistas. Os personagens são protagonistas inconscientes de seu próprio papel. Will Kane representa o desbravador, o precursor, o próprio espírito da colonização. Não por acaso ele está velho e prestes a se aposentar. Seu adversário, Frank Miller, não é um dos tradicionais vilões do velho oeste, cujo único fim era a morte, em combate ou na forca. Ele foi preso, julgado, sentenciado a passar a vida na cadeia, mas foi libertado.
Não se sabe por que ele foi solto, nem o filme se presta a dar um motivo concreto. Só se sabe que, em algum lugar longe dali uma espécie diferente de justiça se fez, e essa justiça colocou em liberdade um homem cuja primeira atitude é juntar-se aos seus capangas e buscar vingança. É nos personagens secundários, habitantes da cidade, entretanto, que se encontra a parte mais interessante da metáfora elaborada aqui.
Observando com atenção, percebe-se que neles a coragem foi substituída por precaução e o espírito aventureiro deu lugar ao desejo de estabilidade. Por mais que se envergonhem disso, os homens do povoado não reúnem em si a força para ajudar o xerife, entregando-o ao que todos consideram sua morte certa – ou seu suicídio, como descrevem alguns, o que seria uma forma de eximir-se da culpa por manter os braços cruzados. Um dos moradores da cidade chega a dizer: “Nós pagamos um bom salário ao Xerife e seu ajudante. Eles que resolvam”. A função do novo cidadão urbano seria, portanto, a de pagar seus impostos e esperar que os problemas desapareçam. Nada mais de iniciativa, nada de participação direta. Eles que resolvam o abacaxi.
A ganância também aparece aqui modificada pela nova ordem. Não são mais terras ou gado que interessam, os desejos da população da cidade são mais, digamos, atuais. O hoteleiro diz não gostar do Xerife, pois antes da chegada da lei e da ordem havia mais movimento em seu hotel. Eis uma crítica ao capitalismo selvagem, ao qual não importa que todos se matem, contanto que isso traga lucros. Já o assistente do Xerife recusa-se a ajudá-lo por não ter sido indicado para substituí-lo. Um novo Xerife chegaria à cidade no dia seguinte.
Nesse caso a cobiça é pelo cargo, e aqui, melhor do que em qualquer outro ponto, percebe-se que os tempos não são mais de força e coragem, mas de política e barganha. Eis que, como resultado de tudo isso, Will Kane é abandonado. Para que não se diga que os aspectos artísticos da obra não foram citados, vale lembrar que tanto a trilha sonora quanto a música tema cabem perfeitamente no filme, colaborando bastante para criar uma atmosfera de conflito interno no protagonista.
Gary Cooper oferece uma atuação na medida certa, sem exageros, mas que passa ao espectador a angústia de encontrar-se na situação em que se encontra. Há ainda algo de revigorante no papel da mulher em “Matar ou Morrer.” Também aqui se poderia dizer que o filme é precursor, mas seria difícil fazê-lo sem explicitar demasiadamente a conclusão da história. O mais importante é que a cena final representa o ocaso de uma era.
É verdade que a colonização não termina com o desfecho do personagem de Gary Cooper. Seu fim, porém, havia sido anunciado. O tempo de coragem, da marcha ao desconhecido, da vida e da morte pela força e pelas armas estava agonizando. A aventura do velho oeste chegava ao fim.
Não é à toa que “Matar ou Morrer” é considerado o segundo melhor western de todos os tempos pelo American Film Institute. Um filme inteligente, angustiante e que merece ser assistido por várias vezes. É simplesmente fantástico pelo seu caráter alegórico e revolucionário.
Esse foi um filme muito polêmico quando lançado nos States, principalmente por motivos políticos. O roteirista foi acusado pelos artistas e esquerdistas de ter incluído no roteiro passagens antidemocráticas, antiamericanas. Inclusive esse filme foi muito criticado por ninguém nada menos que o famoso cowboy John Wayne, que afirmava que o filme era antiamericano e não era um filme western e sim uma agressão à democracia estadunidense.
Causou tanta polêmica que foi até citado pelo presidente Ronald Reagan durante um dos seus pronunciamentos transmitidos pela TV. Mas apesar de toda controvérsia o filme foi um grande sucesso de crítica e de público, chegando a conquistar quatro oscars.
O filme é considerado um clássico do cinema, pois inova na abordagem do conflito em um plano mais psicológico e pela carga de suspense nele contido.
A fotografia é primorosa, de uma qualidade surpreendente, em glorioso preto e branco, ganhadora do prêmio oscar de melhor fotografia do ano.
O elenco é surpreendente. O papel principal foi antes oferecido aos atores Marlon Brando e Montgomery Clift que recusaram participar do filme por vários motivos, sendo o principal dele o recebimento de uma quantia muito irrisória para atuarem em papéis muito importantes, pois a quantia posta à disposição pela produção foram meros de setecentos mil dólares, uma quantia irrisória para um filme com grande elenco, mesmo para os tempos antigos, (1952).
Há de se notar que durante todo o filme, aparecem diversos relógios, todos marcando os minutos antecedentes ao meio dia. O filme é todo feito no horário real e essas cenas com os relógios têm grande impacto visual e bastante suspense, pois cada minuto antes do meio dia é de muita angústia para o personagem principal, o Xerife Cooper, pois todos os habitantes da cidade negam-se covardemente a ajudá-lo a combater com os bandidos vingadores, que vão chegar no trem das doze horas em ponto, com a intenção de matá-lo. Cada relógio em si se torna um dos personagens como testemunhas coadjuvantes do filme em questão.
Após o duelo final, o Xerife é elogiado pelos moradores da cidade que pedem para ele permanecer na cidade como defensor da lei. Nessa hora, o xerife faz uma cara de nojo e joga ao chão a estrela de xerife, num gesto de desprezo pela covardia dos habitantes que se recusaram a ajudá-lo a enfrentar os bandidos.
Esta cena, na época do lançamento do filme, foi muito criticada pelo ator John Wayne, que achou uma ofensa aos defensores da lei, que um xerife jogasse ao chão uma estrela que representava uma autoridade e ele achava também que com a cena ele estava jogando ao chão a estrela americana da democracia. Tudo picuinha política, isso porque o roteirista (Carl Foreman) tinha sido em prisca época membro do partido comunista americano. O macarthismo estava presente em toda esquina estadunidense. Era a época da caça às bruxas.
Nesse caso, ninguém contestou o gesto do Xerife, o que comprova que a política deturpa tudo e John Wayne sempre foi um “cowboy” político.
O resultado final do filme é primoroso, um grande diretor Fred Zinnemann, um grande ator Gary Cooper, que já tinha sido previamente ganhador de um Oscar, a atriz novata Grace Kelly e um elenco de apoio com celebridades, todas muito atuantes e muito experientes na atuação de filmes de faroeste, tais como: Thomas Mitchell, lloyd Bridges, Katy Jurado e Lee Van Cleef, é sem dúvida um dos melhores filmes western de todos os tempos.
Um grande clássico, tão grande como “Shane” (1963), do competente diretor George Stevens, ou “Rastros de Ódio” de (1956), do lendário John Ford, que são as melhores referências no padrão de qualidade do western americano.
Trailer Legendado
DEU NO JORNAL
ENQUANTO ISSO…
DEU NO X
HOMEM DE PALAVRA
Quem estava no avião???? pic.twitter.com/AqcKamemAe
— TeAtualizei 🇧🇷👊🏻❤️ (@taoquei1) October 15, 2024
COMENTÁRIO DO LEITOR
ONDE SERÁ?
Comentário sobre a postagem CRIATIVO O ENGENHEIRO QUE DESENHOU ESTA NAVE
João Francisco:
O formato da nave é muito anatômico.
Resta saber onde será o escapamento.
* * *
LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA
MAS QUEM É A BLOGUEIRA INVEJOSA ?
DEU NO X
CONFIANÇA
CONFIA NO PERSONAL TREINER, CONFIA! pic.twitter.com/zxeeP1f0MC
— Joaquin Teixeira (@JoaquinTeixeira) October 14, 2024
CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA
HEBER – JABOATÃO DOS GUARARAPES-PE
DEU NO JORNAL
PROVA SURPRESA! 10 QUESTÕES PARA LEVAR ZERO NO DIA DO PROFESSOR
Paulo Polzonoff Jr.
Hoje (15) é Dia do Professor. No meu tempo, era dia de levar maçã para a escola, mas hoje dizem que é feriado, então boa sorte para encontrar um lugar onde deixar seu filho enquanto os “mestres” curtem uma folguinha. Hoje é dia também de se lembrar dos professores que nos marcaram – uns poucos para o bem e a maioria para o mal. Ou será que estou sendo rabugento demais? Por fim, é dia de ler textos sentimentaloides, cheios de lugares-comuns que idealizam uma profissão nobre, muito nobre, nobilíssima. Mas que, você há de convir, foi tomada por uma militância ruidosa cuja vocação não é ensinar, e sim doutrinar.
E também é dia de…. prova surpresa! Isso mesmo! Podem guardar os livros e os cadernos sob a carteira (era assim no Madalena Sofia). Em cima da carteira só quero lápis, borracha e caneta. Está sentindo o cheiro da prova recém-saída do mimeógrafo? Hmmm, delícia. Mas, antes que vocês se embriaguem, lembrem-se: vocês têm dez minutos para responder à prova. Quem tirar acima de 70 vai ganhar uma estrelinha na testa. Já quem for reprovado vai ser condenado a 17 anos de prisão por atentar contra o Estado democrático de direito.
Boa sorte!
Matemática
Quando não está viajando pelo mundo falando mal de Israel, bajulando ditadores ou turistando ao lado de sua esposa, Janja, Luizinho administra um país que com um déficit primário de R$ 100 bilhões nos últimos 12 meses. Mesmo assim, Luizinho e sua esposa querem comprar um avião novinho em folha para si e para os ministros não terem de viajar com o populacho. Calcule o risco de sermos governados por essa gente que tem o rei na barriga e a inflação resultante dessa gastança, e explique de onde eles tirarão o dinheiro para adquirir o brinquedinho.
Lógica
Se a Constituição existe para garantir a democracia e a liberdade dela decorrente, como é possível que um ministro do Supremo Tribunal Federal, em tese guardião da Constituição, possa sistematicamente atropelar as leis do país e acabar com as liberdades individuais, tudo com a justificativa de defender a democracia?
Geografia
O Brasil está em chamas. Só em setembro de 2024, 106 mil km2 de mata nativa foram queimados no país. Em relação a agosto, esse número é 88% maior. De janeiro a setembro, a devastação totalizou 223 mil km2. Com base nesses dados, responda onde vive, o que comem e como se reproduzem os artistas que, durante o governo Bolsonaro, faziam jograis e musiquinhas água-com-açúcar para impor a narrativa de que o Brasil estava sendo destruído pelo descaso fascista.
História
Que nome se dá, em pleno 2024, ao regime autoritário que culpa os judeus de Israel por todos os problemas políticos e econômicos do mundo, que não condena os ataques terroristas do Hamas e que promove boicotes a empresas de judeus, como denunciado pelo ministro da Defesa, José Múcio?
Estatística
Levando em conta o desvio padrão, a arrogância das autoridades eleitorais, as múltiplas teorias da conspiração, o mistério em torno do código-fonte, os sucessivos erros dos institutos de pesquisa e a desconfiança perfeitamente natural e legítima do eleitor brasileiro, calcule a possibilidade de um candidato de esquerda ganhar a eleição com 50,1% dos votos válidos.
Biologia
No Rio de Janeiro, seis pessoas se submeteram a transplantes e receberam órgãos contaminados com HIV. A ministra Nísia Trindade classificou a situação como “grave” e “adversa” – o que não quer dizer porcaria nenhuma nem traz qualquer tipo de alívio para os pacientes. Com base nessas informações, calcule quanto tempo levaria entre a divulgação da notícia,, os comentários escandalizados da LulaNews e a queda da ministra – se fosse no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, claro.
Química
Numa solução já saturada de esquerdismo, progressismo, ativismo judicial, censura e autoritarismo, um cientista maluco chamado Jair Bolsonaro tem a oportunidade de acrescentar dois elementos para, supostamente, equilibrar um pouco a solução e diminuir seu odor pútrido. Ele acrescenta uma medida (qual medida? sei lá! uma colher de sopa!) de nitrato de potássio (KN) e outra de amerício (AM) puro *. O que acontece? A solução perde o cheiro de enxofre, fica tudo na mesma ou até piora?
Física
Silas Malafaia e Pablo Marçal, os dois a 80km/h, tu acha que vai ficar um do lado do outro? **
Interpretação de texto
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição. Art. 2º São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
Reescreva com suas próprias palavras esse trecho confuso da Constituição de 1988, de modo que até o mais fraquinho dos ministros do STF entenda.
Redação
Tendo como exemplo o célebre verso “Des filhes deste sole”, imortalizado pela cantore Yurungai durante um comício do candidato Guilherme Boulos, reescreva todo o Hino Nacional utilizando a linguagem mais neutra e politicamente correta possível, tomando todo o cuidado do mundo para não ofender principalmente os surdos, os gordos e os pais de pet.
* * *
* Os nomes dos produtos não correspondem às fórmulas. É só uma brincadeira com o nome de Kássio Nunes e André Mendonça.
** Referência a um meme de 5 anos atrás, no qual um sujeito qualquer, evidentemente sem saber nada sobre movimento retilíneo uniforme, pergunta se um carro tem vantagem sobre o outro, estando os dois à mesma velocidade.
DEU NO X
CACETADA ARRETADA
“ELES PODEM TER A FORTUNA QUE QUISEREM, ELES SÃO MINORIA”.
– Só por esta fala, CRISTINA GRAEML 35 deveria ganhar 4. milhões de votos.🤩COMPARTILHEM AMIGOS! pic.twitter.com/YQUTFE79Jb
— Elise Wilshaw (@EliseWilshaw) October 14, 2024


