MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

CUSTO DA DEMAGOGIA

Esta semana, a Câmara de Deputados aprovou o fim da escala 6 x 1 e após a transição de um ano, todos nós vamos trabalhar 5 dias e folgar dois. Que esse novo dia de folga seja a quarta-feira porque a gente trabalha segunda e terça, folga na quarta, quinta e sexta e folga no sábado. O domingo já vem de graça mesmo. Acordemos que a coisa não é bem assim. Há uma redução de 44 horas para 50 horas semanais, então, podemos trabalhar 8 horas por dia, de segunda a sexta, por exemplo.

Em sã consciência ninguém é contra qualquer trabalhador ter direito a mais horas de lazer, ter mais tempo para dedicar aos estudos ou para dedicar à sua família. Não é essa questão. O problema é que tem dois mundos diferentes: setor público e setor privado. No setor público, algumas atividades já cumprem esse regime de trabalho, mas outras terão uma grande dificuldade em se adequar. Um hospital público, por exemplo, não tem como parar no final de semana, não dispõe de imediato de pessoas para suprir a ausência de outros e qualquer contratação está precedida de um concurso público ou de uma seleção simplificada.

Tanto o setor público quanto o setor privado dependem da atividade econômica. Quando a economia recua, as empresas são penalizadas pela obrigatoriedade de pagar impostos e o governo depende disso para arrecadar impostos, mas o impacto dessa proposta vai afetar diretamente o setor que gera emprego que é o setor privado. Atualmente, os encargos pagos sobre folha de pessoal, bem pesados e bem medidos, variam na faixa de 60 a 80% e com a redução das horas trabalhadas, mantendo-se o salário, não precisa ser um gênio para entender que haverá aumento de custos e, qualquer empresa do setor privado, vive mediante a perspectiva de lucro, portanto, a confusão será grande.

Não se trata de se posicionar contra o projeto apenas para criar divergência política. O lógico será convidar os trabalhadores para um debater sua situação e a partir daí fazer algo que não prejudicasse a economia, porque da forma como feito, há poucas dúvidas sobre os danosos efeitos econômicos. Ao que parece, haverá substituição de mão de obra por tecnologia em casos mais elementares e escassez de trabalho. Por exemplo: no caso da Educação, existe uma norma que regula o ano letivo em 200 dias. Alguém precisará fechar essa conta, porque ao reduzir a quantidade de horas, pelo que entendo, precisa esticar o tempo. Regra de três simples e direita: se eu diminuo a quantidade de horas trabalhadas por dia, eu precisar de mais dias para fazer o mesmo trabalho ou de mais pessoas. Neste último caso, será mais versátil, pois devemos ter dois professores da mesma disciplina, na mesma turma. A convivência é pacífica porque teremos dois ou mais professores da mesma disciplina por turma.

Quem estuda Microeconomia, sabe que existe uma relação inversa entre custo marginal e produtividade marginal. Vamos explicar isso para que não pensemos em determinados nomes da política. Custo marginal é custo decorrente da produção de uma unidade a mais. Se para produzir 10 unidades o custo de produção foi 15 e ao se produzir a 11ª unidade, este custo aumentou para 18, então o custo marginal é 3. Isso vale também para custo médio e produtividade média. Quanto menor a produtividade marginal/média, maior será o custo marginal/médio e é aqui que a porca torce o rabo.

A produtividade média do Brasil é relativamente baixa quando comparada a outros países. Um estudo da Fundação Getúlio Vargas mostrou que um trabalhador americano faz em 15 minutos o que o trabalhador brasileiro faria em 1 hora. A redução das horas trabalhadas vai impactar a produtividade média (vai diminuir) e com isso haverá aumento nos custos. Logicamente, este custo será repassado para o preço.

Demagogia tem preço e ele além de alto, não é pago pelo demagogo. É pago pela sociedade. Infelizmente, no Brasil o setor privado é demonizado suficientemente. O discurso é sempre o mesmo: exploração da mão de obra, ganância pelo lucro, concentração de renda. Ninguém considera o esforço que um determinado empresário fez para implantar uma atividade lucrativa que gera emprego e renda. O ponto é que existe uma torcida muito grande para que o empresário se lasque, mas estas pessoas não dão a mínima importância para os empregos perdidos.

No Brasil, quem paga a conta é sempre o empresário, mesmo quando ele não tem nada com o assunto. Em 1987, Bresser-Pereira ao assumir o ministério da fazenda do governo Sarney, alterou o método de cálculo da inflação. Ao invés de calcular do dia 1º de um mês para o dia 1º do mês subsequente, ele definiu que seria de 15 a 15. Tudo bem. É só uma medida temporal. O fato é que ele jogou no lixo a inflação de 26,02% apurada nos 14 dias e houve um prejuízo nítido para operações reajustadas pela inflação, como a Caderneta de Poupança.

Muita gente procurou a justiça e FHC acabou pagando essa conta, mas com a participação da iniciativa privada. Demissão sem justa causa havia uma multa de 10% sobre o FGTS e este dinheiro era para cobrir o rombo causado por Bresser-Pereira. Em 2018, Paulo Guedes acabou com essa multa.

Mais uma vez, ninguém é contra qualquer medida que beneficie o trabalhador. Então, a crítica em relação ao modo de como isso tudo foi feito. Aguardemos.

DEU NO JORNAL

ROMBÃO

Sob o governo Lula, o rombo das estatais federais já chegou a R$ 5,9 bilhões até abril, recorde para o período e maior que todo o déficit de 2025.

Os dados foram apresentados pelo Banco Central.

* * *

Ainda tá pouco.

O rombo vai aumentar muito mais até o descondenado tirar o traseiro da cadeira presidencial.

Enquanto isso não acontecer, o rombo vai virar rombão.

JOSÉ RAMOS - ENXUGANDOGELO

DONA MARIA, A MORADORA DA CASA 82

Dona Maria reflexiva

A vida não está boa. Agora. Mas, já foi excelente, antes. Tudo acontecia dentro de uma normalidade e seguia os caminhos da humanização que sonhamos.

Dona Maria, soube-se tempos depois, nascera ali naquela casa 82, Rua das Paparaúbas. Ali também crescera, enfrentou a juventude, e casou. Casou com João, naquele tempo, Cabo da Marinha de Guerra. Era Taifeiro (aquele que cuida e se envolve com a alimentação – no caso dele, no navio).

Embarcado, João passou mais tempo da vida no navio que em casa. Naquela casa de número 82. E, sempre que João desembarcava revivia com Dona Maria, a quente lua de mel. A gravidez era inevitável, e, João nunca acompanhou a luta de Dona Maria durante a gestação dos cinco filhos. Três meninos e duas meninas.

Sem reclamar, Dona Maria cuidava de tudo. E ninguém reclamava de nada. Só Ela, que, às vezes, carente, se obrigava a recorrer aos métodos antigos para satisfazer as carências do corpo. As maiores carências eram satisfeitas no desembarque de João.

Dona Maria era a mãe e o pai dos filhos. Cuidava de tudo. Da escola, da orientação familiar, das dificuldades e, principalmente, de esclarecer as dúvidas e os questionamentos dos filhos.

Cuidava, sozinha, dos afazeres domésticos daquela casa 82.

Muitos aniversários e datas religiosas foram vividos sem a presença paterna. Mas, Dona Maria, por acreditar em milagres, durante os aniversários dos filhos, guardava sempre uma fatia do bolo para João. Entendia que era seu dever e a forma de imaginar a presença do marido.

Os anos iam passando. Os filhos, todos já adultos e agora graduados nas universidades, começaram a cuidar de suas próprias vidas. Dona Maria já não lavava mais as fraldas e nem passava no ferro as camisas usadas pelos filhos ainda alunos. Todos, inclusive as duas meninas, já cuidavam de suas vidas.

Numa manhã de uma quinta-feira, a campainha da casa 82 tocou. De soslaio, Dona Maria viu uma viatura da Marinha. Imaginou que João estivesse voltando de mais uma viagem de serviço.

Do carro desceu um oficial da Marinha, em vez de João. O oficial pediu a presença de Dona Maria, pois tinha algo a comunicar. O falecimento de João. O desmaio foi inevitável. O oficial procurou apoiar Dona Maria, ao tempo que garantia que a Marinha cuidaria de tudo. Do translado do corpo, ao sepultamento.

Os dias seguintes não foram os mesmos. Dona Maria reuniu os cinco filhos e lhes comunicou o fato. Toda a vizinhança da Rua das Paparaúbas soube, e, claro, demonstrou solidariedade. A vida seguiu, mas de forma diferente.

Os filhos casaram. Todos. Os netos começaram a chegar. Mas, contrastando com os anos anteriores, as visitas dos filhos foram “roubadas” pelo modernismo e os novos valores que a sociedade enfrenta diariamente.

Dona Maria, a moradora da casa 82 da Rua das Paparaúbas “adotou” um novo filho. O croché. Com ele e ao lado dele vivia as folgas das atividades domésticas, agora não tão intensas.

Todo fim de tarde, tão logo “o sol esfriava”, Dona Maria brincava com o novo filho, sem chupeta, sem fralda e sem carrinho. Era ali que vivia cada dia, cada fim de tarde. Até que as estrelas cadentes parecessem visitá-la.

O croché preenche a ausência dos filhos

A prática desenvolveu a atividade de Dona Maria. Dona Maria evoluiu tanto nos cuidados com aquele filho adotivo, que passou a receber encomendas. A diminuição das despesas domésticas com a saída dos filhos naturais daquela casa 82, não afetou a pensão que Dona Maria continuou recebendo pelo falecimento de João. O que valia para ela, era a ocupação do tempo vago e o preenchimento da solidão inevitável.

Dona Maria: “eu me abraço abraçando o tronco da árvore”

Aquela casa 82 da Rua das Paparaúbas parecia ser muito distante para os filhos fazerem uma visita. Viviam alegando que não tinham tempo – mas eram vistos nos fins das tardes passeando com os cães e cadelas que, insuflados e absorvidos pelo modernismo, passaram a criar. Até lhes davam nomes humanos.

Para Dona Maria, só o croché.

Certo dia Dona Maria precisou comprar agulhas novas – as antigas estavam lhe trazendo lembranças (João, em vida, trouxera da Hungria e as presenteou, para quem sabe, as necessidades de algum dia) desconfortáveis e precisou comprar novos novelos de linhas coloridas para as encomendas das clientes. Aproveitou e foi dar um rápido passeio pelo parque.

Ali, avistou uma das duas filhas passeando com duas cadelas nas coleiras. Não se aproximou. Preferiu olhar de longe.

Correu e abraçou o tronco de uma árvore, enquanto pensava em voltar para casa e conviver com o filho adotivo – o croché.

A partir daquela descoberta, Dona Maria passou a chamar aquele tronco de árvore de João.

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

WELLINGTON VICENTE - GLOSAS AO VENTO

A CASINHA

Sítio Espinho Branco, Altinho-PE – Foto Almir Altinho

* * *

O pai do pai de papai
Morava nessa casinha.

Mote do Poeta Fifia da Cabeça de Boi

Foi em Mil e Setecento
Quando o meu tataravô
Há muito tempo morô
Aqui nesse apartamento.
A cangalha e o jumento:
Algumas coisas que tinha,
Meia dúzia de galinha,
Um gato e um papagái.
O pai do pai de papai
Morava nessa casinha.

Poeta Fifia da Cabeça de Boi

A casa foi construída
De vara, barro e cipó.
Por minha tataravó
Foi muitas vezes varrida.
A paz viveu escondida
Nesta humilde taperinha
Quando chego à porteirinha
A lágrima no olho cai.
O pai do pai de papai
Morava nessa casinha.

Wellington Vicente

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

DEU NO JORNAL

ZORRA TOTAL

Vem dos ativistas de esquerda, alinhados ao governo, o espetáculo mais patético, justificando o fato de o governo Lula (PT) não agir contra organizações criminosas.

Parecem viver uma Síndrome de Estocolmo: defendem, justificam ou minimizam as mesmas gangues que aterrorizam a população.

Mal disfarçam fascínio pelos que, nas periferias e favelas, exercem o poder com eficiência brutal.

Para eles, o criminoso é vítima da “desigualdade”, nunca o algoz. E o cidadão refém nem merece menção.

Soberania não é discurso contra os EUA, é a capacidade de controlar território, proteger o povo, impedir o crime de substituir o poder público.

Facções controlam rotas de drogas, impõem toque de recolher, recrutam crianças, dominam penitenciárias e até financiam campanhas eleitorais.

O governo Lula não age porque não quer. Prefere narrativas e rejeitar ajuda externa não por patriotismo, mas por ideologia e conveniência.

* * *

Jamais o gunverno lulo-petralha iria agir contra os cumpanheros.

Isso é claro e evidente.

Faz parte da cartilha ideológica do bando vermêio-istrelado.

A zorra administrativa não vai peitar nunca a zorra criminal.

JOSÉ DOMINGOS BRITO - MEMORIAL

AS BRASILEIRAS: Martha Rocha

Maria Martha Haelecker Rocha nasceu em 19/9/1932, em Salvador, BA. Eleita Miss Bahia, aos 21 anos, foi a primeira Miss Brasil, aos 22, em 1954. No mesmo ano foi bem cotada para vencer o concurso de Miss Universo, nas casas de apostas dos EUA, mas ficou como vice, projetando-a no cenário nacional. O ideal de beleza consolidado pela baiana seguiu influenciando algumas gerações por mais alguns anos.

Filha de Hansa Hacker Rocha e Álvaro Pereira Rocha, uma família de 10 filhos. Segundo ela mesma: “Nossa casa era austera e grande. Era sala de visita para lá, sala de não sei quê para cá, portas fechadas sempre. Eu sonhava com aquela sala onde jantavam as irmãs mais velhas com meus pais. Ficava sempre de olho comprido, jantando com os irmãos menores e vovó Eulália”.

Casou-se aos 24 anos com o banqueiro português Álvaro Júlio Victorino Piano e tiveram 3 filhos: Álvaro Luis, Carlos Alberto, nascidos em Buenos Aires, e Fernanda, falecida aos 29 anos, em 2009, fato que a deixou muito deprimida por longo tempo. Como Miss Brasil, teve uma agenda de viagens pelo País. Em 1955 visitou Caxias, no Rio Grande do Sul. A imprensa local noticiou: “Vaidosa ao extremo, a miss veio escoltada por uma secretária particular e uma cabeleireira, que costumavam acompanhá-la em todas as visitas pelo país”.

Em 2015 o jornalista Ancelmo Goes revelou a história das duas polegadas a mais para consolar o orgulho brasileiro. No Carnaval de 1955 lançaram uma marchinha, gravada pela própria Martha, onde se cantava “Por duas polegadas a mais, passaram a baiana pra trás/Por duas polegadas, e logo nos quadris/Tem dó, tem dó, seu juiz!”. Tudo foi combinado com os demais jornalistas e a própria Martha autorizou a versão.

Em 16/2/1959, seu marido faleceu num acidente de avião. Dois anos após, casou-se com Ronaldo Xavier de Lima, com quem teve uma filha, a artista plástica Claudia Xavier de Lima. A partir de 1996, passou a aparecer em júris de concursos de beleza, tornando-se a primeira miss a cobrar cachê para tais eventos. Mais tarde, explicou numa entrevista que era uma necessidade, pois no ano anterior perdera todo o dinheiro que tinha com a falência de uma instituição financeira (a Casa Piano) comandada à época por um de seus familiares.

Em 2000, descobriu ser portadora de câncer de mama e passou a ter outro estilo de vida. Nessa época, mudou-se do Rio para Laranjal, bairro de Volta Redonda. Foi homenageada, em 2004 (50º ano do concurso de Miss Brasil), com uma exposição itinerante de fotos de sua trajetória, contando inclusive com o Rollys Royce que ganhou no concurso.

Em março de 2019, revelou em seu Facebook que por questões financeiras, estava vivendo no lar de idosos Carol Caminha, em Niterói. “Não me sinto diminuída” por isto, acrescentou. Faleceu em 4/7/2020, aos 87 anos após uma insuficiência respiratória seguida de um infarto. Recebeu, também, outras homenagens como o bolo ou a torta “Martha Rocha”. A receita foi criada por Dair da Costa Terzado, da Confeitaria das Famílias, em Curitiba. A pick-up Chevrolet 3100, lançada em 1955, recebeu o apelido “Marta Rocha”, devido aos “quadris” largos.

Seu nome foi usado como apelido num sorvete e até num tipo de pão doce. Os interessados em conhecer mais a primeira Miss Brasil, podem recorrer a ela própria em Martha Rocha: uma autobiografia, publicada por Ida Pessoa, pela Editora Objetiva em 1999.

DEU NO X

FERNANDO ANTÔNIO GONÇALVES - SEM OXENTES NEM MAIS OU MENOS

UM TEÓLOGO EVOLUCIONARIO

Logo após o encerramento do Concílio Vaticano II, os alunos da Pontifícia Universidade Laternense efetivaram um levantamento para se eleger o maior teólogo católico de todos os tempos. E o resultado surpreendeu: o eleito foi Karl Rahner, um teólogo que defendia uma Igreja democrática e aberta, com fronteiras indefinidas, com uma teologia pluralista do ponto de vista teológico, filosófico e doutrinário. Uma nova Igreja, na visão de uma dinâmica juventude católica, embora nem tudo fosse transcorrer como os resultados da pesquisa indicavam.

Karl Josef Erich Rahner nasceu em Friburgo, na Brisgóvia, em 5 de março de 1904, eternizando-se em Innsbruck, em 30 de março de 1984, tendo sido um sacerdote católico jesuíta de origem germânica e um dos mais dinâmicos teólogos do século XX.

Influenciado por Erich Przywara e Joseph Maréchal e estimulado por seus estudos com Martin Heidegger, Rahner tentou estruturar uma síntese da tradição teológica com o pensamento contemporâneo. Ele desenvolveu uma teologia baseada na experiência transcendental.

Karl Rahner foi ainda considerado um representante de uma teologia querigmática e foi um pioneiro na abertura da doutrina católica ao pensamento do século XX, sua teologia influenciando o Concílio Vaticano II, tendo Rahner trabalhado como especialista em sua preparação e implementação.

Rahner foi co-editor da segunda edição da enciclopédia católica Lexicon for Theology and Church e, portanto, teve um impacto em toda a teologia católica de língua alemã. Ele promoveu a comunicação teológica internacional e o diálogo entre a teologia e as ciências naturais.

Karl Rahner cresceu em uma família de classe média. Seu pai lecionou em um curso de magistério. Em sua juventude, ele participou do movimento católico Quickborn, onde conheceu Romano Guardini. Depois de obter o diploma do ensino médio, ele entrou na ordem dos jesuítas em 1922. Mais tarde estudou filosofia e teologia em Feldkirch, Pullach, Valkenburg, Freiburg, em Breisgau e Innsbruck. A participação dele nos seminários de Martin Heidegger nos anos 1934-1936 revelou-se decisiva para o treinamento de Rahner.

Nos últimos anos da Segunda Guerra Mundial, ele realizou atividade pastoral na Baixa Baviera. Depois do conflito, ele continuou sua atividade de ensino, primeiro como professor na escola secundária da ordem em Pullach.

Em 1965, fundou, com Antonie van den Boogaard, Paul Brand, Yves Congar, Hans Küng, Johann Baptist Metz e Edward Schillebeeckx), a revista Concilium, uma das mais importantes da teologia católica contemporânea. Nesta época, ele também voltou a escrever, na forma de ensaios e artigos em prol do pacifismo e do desarmamento nuclear.

De 1967 até aposentadoria, em 1971, ele foi professor catedrático de dogma na Westfälischen Wilhelms-Universität, em Münster. Em 1971 foi nomeado pela Hochschule für Philosophie München como professor honorário para as questões filosóficas e teológicas “na fronteira“.

Em 1969, o Papa Paulo VI nomeou-o membro da Comissão Teológica Internacional, cargo que ocupou até 1972. Em 1981 mudou-se para Innsbruck, onde morreu subitamente em março de 1984 e foi enterrado na cripta da Igreja dos Jesuítas.

Escritor prolífico, Rahner escreveu mais de 800 artigos e ensaios.

A base para a teologia de Rahner: Todos os seres humanos têm uma experiência latente (“não-temática”) de Deus em qualquer percepção de significado ou “experiência transcendental”. Segundo ele, é somente por causa dessa proto-revelação que é possível reconhecer uma revelação distintamente especial como o Evangelho. A teologia transcendental de Rahner atraiu a atenção de teóricos de diversas vertentes teológicas.

Para todos os leitores católicos do JBF, recomendo um lançamento recente da Editora Paulus: DA NECESSIDADE E DA BENÇÃO DA ORAÇÃO, Karl Rahner, São Paulo, Editora Paulus, 2026, 144 p.

Karl Rahner foi um pensador jesuíta muito arretado de ótimo para os atuais momentos planetários.