O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, é reincidente no desrespeito aos deputados que representam o povo no Legislativo; já ignorou três convocações da Câmara em ocasiões diferentes.
Ontem, o chanceler de Lula (PT) não apareceu na Comissão de Relações Exteriores para explicar suas afirmações de que a classificação pelos Estados Unidos de facções criminosas brasileiras como grupos terroristas vai provocar “ação militar dos EUA em território brasileiro”.
Vieira foi convocado para explicar o asilo à ex-primeira-dama do Peru (condenada por corrupção) e a posição do governo Lula sobre o Irã.
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O poder legislativo convoca e o poder lulativo num tá nem aí.
Isso é a cara da republiqueta banânica nos dias atuais.
Há perguntas que pertencem à ciência. Há perguntas que pertencem à filosofia. E há perguntas tão vastas, tão desconcertantes e tão profundamente perturbadoras que parecem habitar uma fronteira nebulosa entre ambas. O Paradoxo de Fermi é uma dessas perguntas. À primeira vista, ele parece simples. Quase infantil. Em algum momento da década de 1950, durante uma conversa informal entre cientistas, o físico italiano Enrico Fermi teria feito uma indagação que atravessaria gerações: “Onde está todo mundo?” A pergunta era curta. Mas o abismo escondido dentro dela era infinito. Porque, quando Fermi a formulou, não estava falando apenas de alienígenas. Não estava falando de discos voadores. Não estava falando de ficção científica.
Estava falando de matemática. E a matemática não costuma ser gentil com nossas certezas. Hoje sabemos que a Via Láctea contém centenas de bilhões de estrelas. Sabemos que planetas são comuns. Sabemos que muitos deles orbitam suas estrelas em regiões onde a água líquida poderia existir. Sabemos que os elementos químicos que compõem nossos corpos não são exclusivos da Terra; pelo contrário, estão espalhados por toda a galáxia. O carbono de nossas células nasceu no coração de estrelas mortas. O ferro que corre em nosso sangue foi forjado em explosões estelares ocorridas muito antes do surgimento do Sol. Somos, literalmente, matéria cósmica organizada. Não há nada de especial nos ingredientes.
Então por que a receita teria funcionado apenas aqui? Se a vida surgiu neste pequeno planeta azul, perdido em um braço periférico de uma galáxia comum, por que não teria surgido em milhões de outros mundos? E se surgiu… Onde estão todos? A pergunta parece ganhar força a cada descoberta astronômica. Cada novo exoplaneta detectado não enfraquece o paradoxo. Ele o fortalece. Cada sistema solar descoberto parece acrescentar mais uma peça a uma equação que deveria conduzir inevitavelmente à existência de outras inteligências. Mas o Universo permanece silencioso. Terrivelmente silencioso. Não recebemos transmissões. Não detectamos sinais inequívocos. Não encontramos artefatos. Não encontramos sondas. Não encontramos ruínas cósmicas. Não encontramos nada.
O céu noturno continua exibindo sua beleza monumental, mas nenhuma assinatura indiscutivelmente artificial emerge da escuridão. E esse silêncio é estranho. Profundamente estranho. A Via Láctea possui mais de treze bilhões de anos. A humanidade tecnológica existe há pouco mais de um século. Se uma civilização tivesse surgido apenas um milhão de anos antes de nós — uma diferença insignificante em escala cósmica — já teria tido tempo suficiente para explorar toda a galáxia. Não uma vez. Diversas vezes. O Universo teve tempo de sobra. Bilhões de anos de sobra. Civilizações poderiam ter surgido, prosperado, desaparecido e renascido inúmeras vezes enquanto nossos ancestrais ainda lutavam para dominar o fogo. E, no entanto, nada. A ausência tornou-se tão intrigante quanto uma presença. Talvez até mais. Então surgem as hipóteses.
Talvez a vida seja extremamente rara. Talvez a passagem da química para a biologia seja um acontecimento tão improvável que o simples fato de existirmos já seja um milagre estatístico. Talvez existam trilhões de planetas estéreis espalhados pelo cosmos, enquanto a Terra permanece como uma exceção extraordinária. Mas essa hipótese carrega um peso perturbador. Se for verdadeira, então talvez sejamos o único lugar do Universo onde a matéria aprendeu a contemplar a si mesma. Pense nisso. Talvez toda a música já composta. Toda a literatura. Toda a filosofia. Toda a arte. Toda a alegria. Toda a dor. Toda a esperança. Toda a memória. Talvez tudo isso exista apenas aqui. Em um pequeno planeta orbitando uma estrela absolutamente comum. A ideia é tão grandiosa quanto assustadora. Mas existe uma hipótese ainda mais inquietante. E se a vida for abundante? E se a inteligência for comum? E se a galáxia estiver repleta de civilizações? Nesse caso, o silêncio torna-se ainda mais misterioso. Talvez exista um obstáculo invisível. Uma barreira. Um limite.
Algo que quase nenhuma civilização consegue ultrapassar. Os pensadores chamam isso de Grande Filtro. Talvez a maioria das espécies nunca alcance inteligência tecnológica. Talvez a maioria das inteligências destrua a si mesma. Talvez guerras, colapsos ambientais, inteligências artificiais descontroladas ou catástrofes ainda desconhecidas encerrem a história de incontáveis civilizações antes que elas consigam alcançar as estrelas. E então surge a pergunta mais assustadora de todas: O Grande Filtro está atrás de nós ou à nossa frente? Se estiver atrás, somos raros. Se estiver à frente, estamos condenados. Mas talvez a resposta seja ainda mais melancólica. Talvez não haja filtro algum. Talvez exista apenas a distância. As distâncias cósmicas são tão absurdas que nossa mente, moldada por estradas, cidades e continentes, simplesmente não consegue compreendê-las. A luz, a entidade mais veloz conhecida pela física, leva mais de quatro anos para chegar à estrela mais próxima. Quatro anos. Apenas para a mais próxima. Uma conversa com uma civilização localizada a dez mil anos-luz exigiria vinte mil anos entre pergunta e resposta.
Impérios nasceriam e desapareceriam durante uma única troca de mensagens. Idiomas inteiros surgiriam e morreriam. Espécies evoluiriam. Civilizações ruiriam. E a resposta ainda estaria viajando pelo vazio. Talvez a galáxia esteja repleta de mentes conscientes. Talvez existam poetas contemplando céus alienígenas. Filósofos debatendo a natureza da existência. Cientistas tentando decifrar o cosmos. Músicos compondo sinfonias para sóis que jamais veremos. Talvez eles estejam lá. Neste exato instante. Mas aprisionados em suas próprias ilhas de espaço e tempo. Próximos o suficiente para existir. Distantes demais para se encontrar. Há algo quase trágico nessa possibilidade. Uma galáxia repleta de inteligência. E repleta de solidão. Talvez o Universo não esteja vazio. Talvez esteja apenas separado por abismos impossíveis. E então chegamos ao aspecto mais desconcertante do paradoxo. Não é uma pergunta sobre extraterrestres. É uma pergunta sobre nós. Porque toda vez que perguntamos “onde estão todos?”, estamos revelando algo profundamente humano.
Estamos confessando que desejamos companhia. Queremos acreditar que a consciência não floresceu apenas uma vez. Queremos imaginar que, em algum lugar além da escuridão, outros olhos contemplam o mesmo céu. Outras mentes se inquietam diante dos mesmos mistérios. Outros seres observam o brilho distante das estrelas e sentem exatamente o mesmo fascínio que sentimos. Talvez um dia encontremos uma resposta. Talvez detectemos um sinal. Talvez descubramos uma civilização. Talvez descubramos apenas ruínas. Ou talvez jamais encontremos nada. Mas até lá, o Paradoxo de Fermi continuará pairando sobre a humanidade como uma sombra intelectual magnífica. Uma pergunta simples. Uma pergunta elegante. Uma pergunta devastadora. Enquanto os telescópios perscrutam os confins da galáxia e nossas sondas avançam lentamente para além da heliopausa, a questão permanece intacta, desafiando cientistas, filósofos e sonhadores:
Se o Universo é tão antigo, tão vasto e tão fértil para a vida… por que o silêncio continua sendo a única resposta que recebemos das estrelas?
Lula quer o Enamed, realizado pelo Ministério da Educação. CFM quer o Profimed, organizado pelo conselho
O presidente Lula e o Conselho Federal de Medicina entraram em uma queda de braço na qual está em jogo muito mais que a autorização para organizar um exame: o resultado afetará diretamente o exercício da medicina no país e, consequentemente, a qualidade do serviço recebido pelo brasileiro que busca atendimento médico. Em 19 de junho, Lula assinou uma medida provisória que obriga o egresso de uma faculdade de Medicina a ter uma pontuação mínima no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed, realizado pelo Inep, órgão do Ministério da Educação) para que tenha o registro profissional; no entanto, já tramitava no Congresso um projeto de lei que instituía o Exame Nacional de Proficiência em Medicina (Profimed), organizado pelo CFM.
O debate sobre a qualidade da formação médica ganhou corpo no início deste ano, quando se revelou que 57 cursos de Medicina haviam sido punidos pelo MEC pelo desempenho medíocre de seus alunos na primeira edição do Enamed, realizada em 2025. O projeto de lei do Profimed, no entanto, é anterior a essa polêmica, sendo protocolado em 2024; em fevereiro deste ano, foi aprovado pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) em caráter terminativo, mas houve pedido de senadores para que o plenário também o analisasse, e o texto está parado. Ele prevê que o CFM aplique o Profimed, assim como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) organiza o Exame de Ordem, sem o qual o egresso das faculdades de Direito não pode exercer a advocacia.
Como regra geral, regulamentações que buscam restringir a entrada de pessoas em atividades profissionais – normalmente limitando o exercício de uma profissão à posse de algum diploma universitário ou certificado de curso profissionalizante – são deletérias e desproporcionais. Como afirma a Gazeta do Povo em suas convicções, “não há motivo para que um indivíduo com as qualidades necessárias à execução de determinada atividade seja barrado pela falta de um diploma ou certificado quando o que mais importa são suas habilidades e a capacidade de bem realizar o trabalho em pauta. Mais do que isso, não deve o Estado pretender aferir essa capacitação onde o próprio mercado – ou seja, as pessoas, no uso de sua liberdade – pode fazê-lo”. Não raro, projetos de regulamentação não passam de tentativas de estabelecer reservas de mercado.
Mas esta regra geral tem exceções; quando determinada profissão lida diretamente com os chamados “bens indisponíveis” – a vida, a saúde, a integridade física e a liberdade –, a regulamentação não é apenas possível, mas desejável, para impedir que as pessoas coloquem sua saúde, por exemplo, nas mãos de gente despreparada. A exigência de diploma de Medicina para médicos, portanto, é totalmente razoável e passa pelos três critérios do princípio da proporcionalidade; o mesmo se pode dizer de medidas adicionais, seja o fechamento de cursos notoriamente incapazes de formar médicos qualificados, seja, eventualmente, um exame adicional que avaliasse a proficiência de quem recebeu seu diploma.
Se por acaso a sociedade e a classe médica concluírem que não basta impedir que as faculdades entreguem maus médicos – tanto os formados em instituições fracas quanto os que passaram por uma boa escola de Medicina, mas foram individualmente negligentes e acabaram aprovados mesmo assim –, e que por isso será melhor realizar uma prova, há uma série de outras dificuldades a resolver, a começar pela própria estrutura desse exame, para que ele realmente avalie o que deveria avaliar. Conselheiros do CFM têm apontado, por exemplo, que o Enamed não inclui uma prova prática, mas apenas questões objetivas de múltipla escolha; por outro lado, dada a multiplicidade de especialidades dentro da medicina, um eventual exame prático correria o risco de ser ou genérico demais, ou de exigir uma logística que contemplasse o máximo possível de especialidades, transformando um exame em muitos exames diferentes. Independentemente de que solução se dê a essa questão, no entanto, ainda há outros problemas.
O histórico do Inep na realização de outros exames, como o Enem, aponta para o risco de que ao menos algumas questões tenham cunho mais ideológico-identitário que propriamente técnico. Uma das perguntas do Enade 2025 tratava do encaminhamento a ser dado a um homem trans; em outra, optou-se por usar como personagem um travesti, em uma situação que podia se aplicar perfeitamente a uma mulher biológica. Um exame de proficiência em medicina serve para avaliar se o candidato tem a capacidade necessária para dar atendimento médico de qualidade do paciente, não para saber se ele compartilha desta ou daquela convicção ideológica ou se está alinhado aos identitarismos do momento – especialmente aqueles que, para existir, precisam negar a biologia, fundamento de toda a ciência médica.
Isso não nos leva a concluir automaticamente que o Profimed seria o exame ideal, até porque hoje ele existe apenas na teoria, e o PL 2294/2024 ainda pode ser alterado. O que se pode dizer com toda a certeza é que um bom exame de proficiência médica não pode ser sequestrado com propósitos ideológicos; também é razoável que o órgão responsável por regular o exercício da medicina no país esteja envolvido na sua elaboração, assim como o órgão que regula o exercício da advocacia no Brasil cuida da prova que permite a um bacharel em Direito tornar-se advogado. E com ainda mais certeza pode-se dizer que, com sua MP, Lula atravessou totalmente uma discussão que já estava ocorrendo no Congresso, louco para, em ano eleitoral, poder se vender como o salvador da qualidade da medicina nacional. Nenhum diploma ou exame garantirá o fim do erro médico, mas isso não exime a sociedade, o poder público e a classe médica de buscar meios de reduzir as chances de que um brasileiro sofra com negligências e imperícias.
O Itamaraty emitiu uma nota mencionando o risco de ação militar dos EUA no Brasil. O alerta foi motivado pela decisão do governo norte-americano de classificar oficialmente facções criminosas brasileiras como terroristas. Segundo o Ministério das Relações Exteriores, precedentes de atitudes intervencionistas da administração Trump no continente justificam a preocupação.
A Secretaria de Estado dos EUA respondeu à nota do Itamaraty. As autoridades da política externa norte-americana consideraram “absurda” a premissa de intervenção militar no Brasil. E foram além: disseram que esse tipo de posicionamento (alegação de ameaça à soberania) frequentemente é uma tentativa de desviar as atenções da opinião pública — e costuma beneficiar as ações de grupos violentos.
Com sua retórica habitualmente voltada para miragens “progressistas”, o grupo político liderado por Lula se acostumou a jogar nos adversários “conservadores” o estigma do nacionalismo “xenófobo”. Há muito tempo, esse grupo se habituou a dar uma surfada no chamado “globalismo”, bancando o cosmopolita.
Tem sido assim no mundo todo. A demagogia migratória — que hoje está na base das novas políticas de censura — alimenta o fisiologismo “progressista” em tudo quanto é canto. E, naturalmente, o discurso da benevolência com a imigração desordenada embute, entre outros aspectos indesejáveis, a negligência com o crime — como estamos assistindo no debate sobre a tipificação das facções brasileiras como terroristas.
O PT vinha marcando posição nesse filão — e só se via a presença do velho nacionalismo em seu discurso para “defender” a Petrobras e demais estatais como patrimônio “do povo”. As coincidências da vida fizeram com que essas empresas fossem gravemente lesadas durante administrações petistas. Fora isso, o time de Lula vinha apresentando sempre um sotaque internacionalista. Até porque fundações bem abastadas vêm, há um bom tempo, premiando a demagogia sem fronteiras através de suas pautas supostamente humanitárias.
A consolidação de Donald Trump como personagem central na política mundial mudou alguns parâmetros do oportunismo. Como o atual presidente dos EUA age fortemente contra o complexo propagandístico que dominou a imprensa tradicional, “notícias” tratando-o como o vilão do planeta proliferam diariamente por todos os continentes. Até segmentos mais equilibrados do jornalismo cultivam a cara de nojo quando o assunto é Trump. Esse poderoso universo de repúdio automático ao ocupante da Casa Branca se tornou um ativo para os franco-atiradores.
Assim surgiu, 25 anos após o “Lulinha paz e amor”, o “Lula patriota”. A retórica petista explorou todos os ataques possíveis à presença do verde-amarelo na política, às manifestações de rua com lemas patrióticos e à figura do patriota como um bobo manipulado por totalitários. Agora surge tranquilamente com o discurso da soberania contra os “traidores da pátria”.
E parece ter êxito, a julgar pelo comportamento do candidato mais cotado da oposição até aqui, Flávio Bolsonaro — que decidiu pedir ao governo americano para não aplicar tarifas punitivas ao Brasil. As tarifas são uma resposta ao que os EUA consideram práticas desleais — incluindo complacência com a corrupção exposta pela Lava Jato. O prejuízo político da taxação seria, portanto, inteiramente direcionado ao governo Lula.
Mas a oposição parece preferir tentar provar que não é traidora da pátria. Até prova em contrário, o bizarro discurso da invasão estadunidense colou.