DEU NO JORNAL

O PAPEL DO ESTADO NO INCENTIVO À CULTURA

Editorial Gazeta do Povo

estado cultura

Nem controle ideológico, nem distanciamento total devem marcar a participação do Estado no setor cultural

A notícia de que uma rede de cinemas usava uma brecha nas regras da chamada “cota de tela” – a exigência de que parte da grade de exibição seja preenchida com filmes nacionais – para liberar horários melhores para as produções de maior apelo comercial reacendeu a discussão sobre o papel do Estado na definição da política cultural. Este debate sempre foi marcado pelas posições mais diversas, desde a defesa de um direcionamento ideológico do apoio estatal às artes, até o afastamento completo do Estado do setor cultural, que ficaria única e exclusivamente a cargo da população e dos agentes privados.

Há três grandes linhas que norteiam a maioria das posições a respeito da relação entre Estado e cultura: 1. não se envolver; 2. controlar e dominar; ou 3. apoiar e incentivar. Uma boa análise do problema requer, de início, identificar em quantos segmentos se divide a cultura para, em função das peculiaridades de cada setor, decidir sobre a política oficial para cada segmento. A direita liberal, de saída, descartada a segunda opção (controlar e dominar), típica de regimes políticos ditatoriais que, em geral, se dedicam a buscar o controle do pensamento, das crenças e dos hábitos da população. Nesses regimes, filmes, televisão, teatro, música, literatura, jornalismo, crítica literária e outras formas de expressão e opinião são todas controladas (e censuradas) pelo governo, sem cuja concordância nada se faz.

Se a opção “controlar e dominar” é inaceitável e incabível em sociedades livres, abertas e democráticas, por ser incompatível com a própria ideia de liberdade e direito de manifestação cultural, restam outras possibilidades. Para os liberais, a livre manifestação cultural deve ser um direito e, portanto, pessoas, empresas, entidades culturais e a comunidade devem atuar em liberdade e segundo as regras do livre mercado. Deixar a manifestação cultural livre e em paz, no entanto, não significa a ausência total de regras, pois há segmentos e aspectos culturais que requerem alguma ação pública, mostrando que a opção de distanciamento completo, preferida de libertários e liberais antiperfeccionistas, também não é uma opção ideal.

Um exemplo é o caso de museus que guardam e protegem objetos históricos, cuja manutenção e administração requerem algum dinheiro público e proteção contra formas de destruição. Recorde-se, a esse respeito, o lamentável episódio do saque e destruição do Museu de Bagdá, em 2003, quando mais de 170 mil peças foram destruídas ou roubadas nos dias que se seguiram ao colapso do regime de Saddam Hussein. Aquele museu mantinha peças da antiga Mesopotâmia, região considerada o berço da civilização, onde surgiram as primeiras cidades, o primeiro alfabeto e o primeiro código jurídico. Ali, a humanidade jogou fora um pedaço importante de seu passado e objetos que representavam civilizações antigas, cuja guarda, sob responsabilidade do poder público, falhou lamentavelmente.

Outro caso é o das chamadas “belas artes”, que, mesmo não tendo forte apelo popular, oferecem algo valioso a quem entra em contato com elas, e por isso também podem merecer a proteção e o apoio estatal – e é inegável que, em muitos lugares, atividades culturais como orquestras sinfônicas só conseguem sobreviver bancadas pelo Estado. Por outro lado, também parece evidente que nem tudo deve receber apoio governamental, a começar por obras que desrespeitem valores importantes para a sociedade, ou promovam ideias que violem, por exemplo, a dignidade do ser humano. Sociedades fundadas na liberdade de opinião e expressão, portanto, sabem analisar os vários tipos de manifestação cultural para adotar a opção de apoiar e incentivar sem controlar e dominar, além de guardar aquilo que é histórico e não pode ser objeto de comércio.

No Brasil, houve o caso da Embrafilme, que durante o tempo em que funcionou, foi acusada de selecionar filmes e projetos para executar ou incentivar segundo o controle e a censura dos burocratas que a dirigiam, sempre submetidos ao padrão ideológico do governo a que pertenciam. Em 2009, durante o segundo governo Lula, uma Conferência Nacional de Comunicação chegou a defender a recriação da estatal, que havia sido extinta em 1990. Independentemente do nome, interessava aos estatistas apenas a existência de uma empresa estatal de produção, com cargos e verbas cobertas com dinheiro do pagador de impostos e, por isso mesmo, com algum poder de controle sobre a cinematografia comercial e vontade de impor sua visão de mundo a toda a população.

Vale a pena manter e expandir bibliotecas públicas, museus históricos e obras de memória dos feitos nacionais, para ficar em alguns exemplos. O Brasil tem uma forma indireta de promover a cultura nacional por meio da Lei Rouanet, que autoriza empresas e pessoas físicas a destinarem parte de seus impostos a projetos culturais. Ainda que tenha alguns vícios problemáticos, essa lei nasceu com a ideia de que as pessoas físicas ou jurídicas busquem apoio a projetos culturais, desde que cumpram regras sobre regularidade fiscal, qualidade técnica dos projetos, cumprimento dos códigos de postura, obediência às normas de segurança, respeito às leis ambientais, proteção aos direitos trabalhistas dos envolvidos, prestação de contas e submissão à fiscalização pelo poder público. E a Lei Rouanet não deixa de ter um viés liberal, ao deixar que uma pessoa ou empresa possa escolher onde investe ao menos parte dos impostos que deve, em vez de entregá-los todos ao governo para que decida como bem entender.

O uso de recursos públicos no apoio e incentivo à cultura, portanto, é legítimo. O que o Estado não pode fazer é impor regras que violem o princípio da proporcionalidade, ou avançar até o ponto de autorizar ou vetar determinado projeto ou ação em função de sua ideologia e lado político, pois isso abre espaço para a censura e o controle estatal sobre as ações culturais desenvolvidas pela sociedade. O apoio direto a determinadas manifestações culturais, regras de incentivo à participação da iniciativa privada na produção e patrocínio, e regulamentações como a mencionada “cota de tela” são políticas públicas que merecem debate, dado o papel fundamental da cultura em qualquer sociedade.

PENINHA - DICA MUSICAL

BERNARDO - AS ÚLTIMAS NOTÍCIAS

DEU NO X

COMENTÁRIO DO LEITOR

CHUPADORES DE SACO MURCHO

Comentário sobre a postagem ORGANIZAÇÕES TERRORISTAS

Luci Oliva:

E o babaca do Otávio Fezes, digo Guedes, da Globonewslixo, afirmou, com convicção, que o Flávio tinha fugido do Brasil e não voltaria mais.

Ele voltou e foi aclamado no aeroporto.

Essa corja não sabe mais o que fazer para chupar o saco murcho do cachaceiro corrupto.

Para não perder a grana do governo estão perdendo caráter, honra, moral e vergonha.

Quando não tiverem verdades para falar, melhor que fiquem calados que é menos constrangedor e não passarão tenta vergonha.

DEU NO JORNAL

“VAMO TUDO SE LASCÁ”

Francisco Escorsim

escala 6x1 pec das domésticas

PEC das Domésticas prometeu dignidade e entregou informalidade. A história está se repetindo

Tomava um café na padaria. Ao meu lado, uma senhorinha prestava atenção ao que passava na tevê pendurada num canto da parede.

Era possível escutar os jornalistas debatendo. O movimento da padaria já tinha aquietado, era meio da manhã. O assunto era a votação da PEC 6×1, ou 5×2, ou sei lá que nome deram.

Ela notou que eu a observava e comentou: “Vamo tudo se lasca…”. Surpreso, perguntei o porquê. Contou-me que era empregada doméstica que trabalhava na mesma família havia 15 anos e que quando inventaram uma lei dessas, pra supostamente proteger as empregadas, aconteceu o oposto: foi demitida e sofre até hoje pra encontrar emprego de diarista.

Voltei no tempo. Lembrei um pouco da discussão que havia naquela época. Falavam também de justiça social, de dignidade, de corrigir uma dívida histórica e patati e patatá. Lembro da certeza quase religiosa das pessoas no Twitter – que nem se chamava X ainda – dizendo que, finalmente, as patroas seriam forçadas a tratar as funcionárias como seres humanos.

No papel, parecia uma beleza: FGTS, hora extra, jornada controlada. Quem poderia ser contra? Mas aí o mundo real cobrou a conta. E o mundo real é essa senhorinha ao meu lado.

O que aconteceu na prática? O desespero bateu na classe média, a conta não fechou no orçamento doméstico e a lei virou um bumerangue mortal. O que ia proteger as domésticas acabou criando o maior exército de diaristas sem direito a férias, sem 13.º e sem eSocial do planeta. Uma informalidade institucionalizada com selo de garantia de Brasília.

Duas vezes por semana na mesma casa para não gerar vínculo, lembra? A imensa maioria das domésticas se tornou diarista.

Calados, seguimos acompanhando a discussão na tevê. O filme é rigorosamente o mesmo. A turma vota o fim do sábado útil com aquele olhar de quem está salvando a humanidade enquanto a encaminha ao abismo.

É claro que trabalhar seis dias por semana é uma moenda de gente. Ninguém discute a exaustão do trabalhador. Mas a canetada assume que o Brasil inteiro é uma agência de publicidade descolada em São Paulo, onde o sujeito bate o ponto no notebook e almoça sushi. Esquecem que o país real tem muito mais de comércio miúdo do interior, a farmácia de bairro, a lanchonete da esquina que opera com a corda no pescoço e a margem espremida.

No Sudeste, as grandes redes dão de ombros: colocam três totens de autoatendimento, demitem os caixas humanos, automatizam o processo e repassam o custo pro cliente. O mundo corporativo absorve a pancada criando mais desemprego tecnológico.

E no Brasil dito profundo? O dono do mercadinho não tem recursos para contratar um segundo funcionário CLT para cobrir o sábado. Ele simplesmente não tem de onde tirar esse dinheiro. A reação dele vai ser a mesma da classe média com as domésticas. Vai mandar embora o funcionário registrado e vai contratar o mesmo sujeito na segunda-feira por fora.

Ou vai exigir que ele abra um MEI para emitir nota como “prestador de serviços intermitentes”. O trabalhador vira uma empresa de um homem só, sem seguro-desemprego, sem fundo de garantia, mas com o sábado livre para pensar na vida.

No fim das contas, aprovarão a proteção ao trabalhador na quinta-feira e entregarão esse mesmo trabalhador para a selva dos bicos na segunda de manhã. É a velha história: Brasília cria o direito no papel, e o mercado dispensa o trabalhador para a invisibilidade da calçada.

Terminei o cafezinho, mas não fui embora. Fiquei a prosear com a Maria das Dores, o nome dela. Mostrou-me fotos dos netos. Continua a trabalhar por eles. É ela quem cria os quatro.

LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

DEU NO JORNAL

PROTEÇÃO AO CRIME

Em sua paralisia deliberada diante da escalada do crime, o governo Lula (PT), recusou cooperação internacional contra facções que dominam favelas, fronteiras e presídios.

E insiste em proteger PCC e o Comando Vermelho da classificação de organizações terroristas.

Em nota, atacou opositores, rotulando-os de “traidores da pátria”, como se o Brasil estivesse em guerra contra Washington, e não contra PCC, Comando Vermelho ou qualquer outra estrutura que sequestra a soberania popular.

O antiamericanismo fora de moda de Lula recusou a oferta dos EUA de inteligência compartilhada, bloqueio de recursos e ações coordenadas.

Em vez de combater os bandidos, tentando tomar dos opositores a poderosa bandeira do combate ao crime, Lula ataca quem cobra atitude.

Lula finge ignorar que o governo perdeu o controle sobre extensas áreas do território nacional, onde quem manda não é a lei e sim o fuzil.

* * *

A frase “paralisia deliberada diante da escalada do crime“, que abre essa nota aí de cima, resumo tudo.

Absurdo total.

Completa irresponsabilidade.

É de lascar!

Esperar alguma atitude racional e sensata do atual presidente petralha, é tarefa impossível.

É igual dar conselho a doido: pura perda de tempo.

RODRIGO CONSTANTINO

DONALD TRUMP CONTRA TERRORISTAS BRASILEIROS

O governo Trump demonstrou total alinhamento com a agenda do senador Flávio Bolsonaro na questão da segurança pública

A decisão do governo Donald Trump de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas foi uma vitória do Brasil e de Flávio Bolsonaro. “O governo Trump continuará utilizando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e negar financiamento e recursos a narcoterroristas”, escreveu o secretário de Estado Marco Rubio. Era o dia do seu aniversário, mas quem ganhou um presente foi o brasileiro decente.

Claro que o timing dessa decisão não foi coincidência. O governo Trump demonstrou total alinhamento com a agenda do senador Flávio Bolsonaro na questão da segurança pública, indo contra o Lula, que chama traficante de vítima de usuário. O governo petista nunca quis considerar PCC e CV grupos terroristas, e reagiu com histeria à decisão americana, puxando a cartada da “soberania”.

Mas esse argumento é ridículo. Os Estados Unidos possuem bases militares na Europa e ninguém acha que, por isso, os países europeus são colonizados pela América. Os americanos ajudaram a Colômbia a combater o narcotráfico e só quem era simpatizante de Pablo Escobar poderia ser contra essa ajuda necessária.

Quem não usa boné do CPX ou não mantém “diálogos cabulosos” com o PCC está comemorando. Ninguém acha de verdade que os americanos vão sair colocando alvos aleatórios do nada em brasileiros comuns. Isso é pura paranoia ou narrativa ideológica. O fato inegável é que o Brasil não está dando conta, sozinho, de combater o crime organizado, que aterroriza a população. Confundir soberania com PCC é simplesmente absurdo.

Flávio Gordon questionou: “Estou entendendo errado ou a esquerda brasileira está assumindo de vez que CV e PCC equivalem ao que ela chama de ‘pátria’?”. É o que está parecendo. Celso Amorim reagiu ao comunicado de Rubio, para a surpresa de zero pessoas, alegando que “equiparar crime organizado a terrorismo não é útil”. Não é útil para o Foro de São Paulo, certamente. Amorim é o mesmo que defende o regime iraniano e que escreveu prefácio em livro favorável ao Hamas!

O Globo embarcou na histeria petista com a seguinte chamada: “Para especialistas, classificação de PCC e CV como terroristas pelos EUA pode oferecer risco à soberania nacional”. O senador Rogério Marinho rebateu: “Para surpresa de zero pessoas, os especialistas do Globo e da esquerda afirmam que classificar criminosos como terroristas oferece riscos a soberania nacional. Soberania padrão PT”.

A direita foi à contramão, celebrando a decisão. Flávio Bolsonaro divulgou a postagem de Rubio e escreveu: “Grande dia”. Nikolas Ferreira chamou a decisão de “golaço” do Flávio Bolsonaro. Podem existir algumas preocupações legítimas de especialistas, principalmente na questão dos bancos usados para lavar dinheiro do crime organizado, mas os benefícios superam e muito os riscos. Os Estados Unidos não possuem um histórico de abusos, e sempre estiveram do lado certo nas grandes guerras, seja contra o nazismo, o comunismo, o fascismo e o terrorismo.

Depois de criticarem o senador Flávio Bolsonaro pela relação de proximidade com Daniel Vorcaro ao longo das últimas semanas, os ex-governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema usaram o anúncio da classificação das facções brasileiras como terroristas pelos Estados Unidos para criticar o governo Lula. Ambos reagiram à decisão, anunciada ontem pelo secretário de Estado americano, Marco Rubio, em vídeos publicados nas redes sociais, nos quais subiram o tom contra a conduta da gestão petista na segurança pública.

“Vejam que absurdo, o PT diz que tratar facção como terrorista ameaça a soberania do Brasil e que isso facilita uma interferência americana no Brasil. Quem ameaça a nossa soberania é justamente o PCC e o Comando Vermelho. Eles dominam territórios do Brasil. Lá, quem manda são eles, e não o governo. Nossa soberania não está ameaçada, ela foi roubada e o Lula nunca fez nada a respeito. Pelo contrário, ele só passa pano para bandido”, disse Zema.

A disputa nunca esteve tão clara no que diz respeito ao crime: do lado esquerdo, a turma que quer proteger as facções que aterrorizam o povo brasileiro; do lado direito, aqueles que querem endurecer no combate à bandidagem, contando com a ajuda americana para libertar o povo brasileiro. Que o eleitor tenha juízo e possa compreender o que está em jogo nessa disputa…