O desespero por votos fez Lula (PT) anunciar nova lorota para tentar enganar o eleitor no 2º turno: suposto transporte público “livre” aos fins de semana.
A “proposta”, que não existe, não tem nem custo estimado.
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A nota aí de cima diz que o descondenado anunciou “nova lorota”.
Ora, isto está dentro da normalidade luleira.
Anunciar lorotas é uma atividade que faz parte do expedente presidencialeiro banânico.
Depois dessa lama do caso Master (com envolvimento de ministros do Supremo), e das eleições, voltamos a nosso dia-a-dia. Com atrasos. E isso faço ao lembrar dois amigos, com notícias faz pouco – uma ruim, outra boa. Amigo é coisa pra se guardar bem dentro. Shakespeare até dizia (Ricardo II), “É numa alma que se lembra dos bons amigos”.
Recordo ainda, nesse começar de texto, bela mensagem de Fernando Pessoa (Soares, no Desassossego) ao amigo Sá Carneiro: “Não reparamos que éramos um só,/ Que cada um de nós era uma ilusão do outro,/ E cada um, dentro de si,/ O mero eco do seu próprio ser”. Aqui, agora, falo desses dois.
1. GUSTAVO SÁ CARNEIRO,médico, especialista em acupuntura, e roqueiro. Estava eu com dor nas costas, por conta de saque mal dado no tênis. Recomendaram que fizesse acupuntura, com o melhor do Brasil. Gustavo, claro. E o procurei. No consultório, a secretária disse que poderíamos entrar na sala. Não o conhecia, então. Mas o lugar estava sem ninguém, chegou pouco depois e foi logo dizendo: – “Estou atrasado porque acabei de vir de Júpiter”. Após o que completou, olhando para mim, – “E o senhor, que me diz?”.
Respondi com uma pergunta – “Isso é metáfora ou descrição física de alguma aventura estelar?”. – “Foi uma viagem interplanetária”. – “Então digo que você é uma lapa de doido, grande”. – “Sou, mas o senhor é o primeiro cliente que teve coragem de me dizer. E sabe por que?” – “Não”. – “Porque o senhor é mais um jupiteriano. Também nasceu lá”.
E ficamos os dois rindo, juntos. Tanto que, nas consultas seguintes, só me chamava de Jupiteriano. Bela pessoa. De bem com a vida. Pena que tenha partido. Para Júpiter, quem sabe?, onde nasceu. Ele e eu, parece. Viva Gustavo!!! Saudades.
2. JESSIER QUIRINO,arquiteto, artista e gênio. Ele ainda é do tempo em que se escrevia cartas. E, aqui, lembro curiosa citação de Pascal (Cartas Provinciais), “Só fiz esta carta mais longa porque não tive tempo de a fazer mais breve”. Sem contar que Jessier escreve com letra desenhada, bonita, própria de arquitetos. Semana passada recebi, dele, essa que lhe bateu nas mãos e transcrevo a seguir:
“Itabaiana, 15 de agosto de 2026. Meu bom e velho cumpadre Zé Paulo. É sobre avareza, o assunto:
“A estrada de ferro de Crato p’ra Fortaleza parava em Iguatu – CE. O Major José Procópio de Souza (homem de extrema avareza) foi para a capital – Fortaleza, e deixou um seu trabalhador, Antônio Gomes, esperando no terminal ferroviário. Por três dias, findando na sua passagem de retorno ao Crato.
“Nisto, o pobre matuto teve que se virar, p’ra sobreviver em terra estranha. O Coronel, por ser muito sovina e desumano, deixou pouco dinheiro p’ras refeições e outras necessidades do matuto. Este, ao encontrar um amigo que ia até Fortaleza, escreveu carta ao Major, p’ra ser entregue em mãos. Eis a Carta:
“Major Zé Procópio. Eu quero lhe perguntar se EU, Antônio Gomes (o popular Gominho), seu trabalhador, EU SOU SANTO? Porque, se eu sou santo, vosmecê traga um oratóro, p’ra me incolocar dentro, aqui em Iguatu. Porque, quem deixa vinte real, prum pobre trabalhador passar três dia, solto como jumento em sombra de igreja, esse pobre, só sendo santo. Ass. São Gominho de Zé Gome”.
Só mesmo Jessier. Por falar nele, em conversa, lembrei que Aurélio Buarque de Holanda, cadeira 30 da Academia Brasileira de Letras, considerava palavra mais bonita, em nossa língua, ‒ “Libélula”. E perguntei, ‒ Compadre Jessier, e qual a mais feia? Respondeu, na hora, ‒ Fome.
Grande resposta, grande figura, grande personagem, Viva Jessier!!!
Governador eleito do Paraná, Sergio Moro atesta: “Lula é um mentiroso. Mentiu no Mensalão, mentiu para mim nos interrogatórios da Lava Jato, mentiu na presidência e mente ao povo brasileiro na campanha eleitoral”.
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Que mentira!
O dotô Moro mentiu ao dizer isto.
Como sabemos todos nós, cada vez que abre a boca Lula só fala a mais pura verdade.
A sexta-feira não havia amanhecido, o povoado do Pontal da Barra dormia. No quarto escuro, Yara, barriguda, pesada, levantou-se quando as primeiras nuvens iniciaram a alaranjar-se. Ouvia-se apenas o barulho das marolas da lagoa e o vento batendo nas palhas dos coqueiros. Manduca acordou-se ainda madrugada era a melhor parte do dia para pescar. A esposa preparou café com macaxeira frita, pão torrado e ovos para marido e seu companheiro de pesca, Zé Doidão, um menino retardado mental, pelos 11 anos, conhecia a lagoa como ninguém. Tomaram o café reforçado, desceram ao quintal, abriram a portinhola da cerca baixa. Ao puxaram a lona de cima da canoa, ouviram o chamado de Yara.
– Manduca, acho que vai ser agora, as dores estão chegando a todo instante.
Ele correu à casa de Dona Guilhermina, parteira de alta competência, anos de experiência. A comadre penetrou casa adentro trazendo o material, mandou Yara tirar a roupa, colocou a chaleira para ferver. Com Manduca assistindo em poucos instantes tirou a menina da barriga da mãe. Yara, deitada com a criança enrolada, conseguiu comentar.
– Foi rápido demais, parece que essa menina estava com pressa de chegar ao mundo.
Zé Doidão saiu de porta em porta contando em seu linguajar confuso que nascera um neném na casa de Seu Manduca. Em pouco tempo os vizinhos sabiam que Yara dera à luz a uma menina. As amigas entraram na casa sem cerimônia. Yara deitada na cama, olhava com carinho a filha, feliz em ter parido aquela criança tão bonita. Dona Zeca, mãe de Manduca, perguntou qual o nome da criança. Yara olhou para o marido como se pedisse apoio, respondeu sorrindo.
– Antônia, igual a meu pai, Seu Antônio, criatura maravilhosa, bondosa que me criou cheio de amor, desde que minha mãe morreu.
Manduca completou.
– Minha filha Antônia vai ser médica ou advogada. Viva Tônia. Antônia Pereira Lins!
Desistiu da pesca naquela sexta-feira. Festeiro, foi comprar os condimentos para preparar uma caldeirada de peixe, outra de sururu, haveria uma farra com as visitas que certamente viriam conhecer Tônia. No espaçoso quintal colocou dois cavaletes e completou com tábuas por cima. Estava pronta a mesa. Em poucos instantes apareceu, Jacy, irmã de Yara, seu marido, Pedro Lampião, estava trabalhando, era o Comandante da Lancha do Horário. Pela manhã partiu navegando do cais das lanchas na Praça Pingo D’Água, percorreria as pequenas cidades e povoados à beira das lagoas, embarcando e desembarcando cargas e passageiros.
Jacy, grávida de poucos meses, ajudou a preparar as comidas com outras amigas, enquanto Manduca providenciava bebidas, gelos e complementos. Em momentos aumentou o movimento na casa.
Yara não se cansava de olhar sua pequena Tônia, pensava: O que será dessa coisa linda? O que a vida prepara para meu amor? Tônia na paz de criança dormindo, vez em quando abria o choro, Yara dava-lhe o peito, ela sugava com força. O ventilador de teto abrandava o calor.
A residência era geminada como todas as outras da rua principal. Uma porta, duas janelas. A casa pertencia a Dona Zeca, viúva do Sargento Agamenon da Força Expedicionária Brasileira – FEB, morreu em 1943 nos campos de batalhas na Itália durante a Segunda Guerra Mundial lutando contra o Fascismo. A casa era estreita, porém, tinha espaçoso comprimento, da rua principal à beira da Lagoa. A sala da frente foi transformada em loja, seguia um corredor com três quartos e um banheiro. No fundo havia uma sala de estar, ao lado, uma escada circular dava para dois quartos no segundo andar. Seguida a sala, uma boa cozinha e área de serviço; à beira da lavanderia descia oito degraus para o vasto quintal cercado à beira da Lagoa Mundaú. A família vivia da pesca do Manduca e das peças de renda, feitas artesanalmente por Dona Zeca e Yara. Davam para sustentar a casa.
Naquele 27 de janeiro de 1950, a casa de Manduca encheu-se de amigos, como ele esperava. Comida e bebida à vontade; vez em quando o pai carinhoso entrava no quarto admirando a beleza da criança. Encantava-se com Tônia dormindo junto à mãe. Yara sorria, achava graça na adoração do pai à primeira filha.
OBS – TEXTO INICIAL DO MEU NOVO ROMANCE “TÔNIA RENDEIRA”, LANÇAMENTO BREVE.