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DE MESSIAS À DOSIMETRIA, OS ACORDOS NAS SOMBRAS DO CONGRESSO

Luís Ernesto Lacombe

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Davi Alcolumbre marcou a sabatina de Jorge Messias e a sessão de análise do veto de Lula ao PL da Dosimetria

No Brasil, em geral, não se faz política, se faz politicagem. Os interesses do país e do povo nunca são soberanos. O que comanda as ações em Brasília são objetivos pessoais daqueles que ocupam cargos políticos, dos seus partidos – meros balcões de negócios –, de grupos empresariais… Sim, é tudo nojento, baixo, vil. Conluios, conchavos, artimanhas, chantagens, ameaças, isso tudo permeia as pancadas que os brasileiros de bem levam quase que diariamente dos politiqueiros. Os acordos mais espúrios são fechados secretamente, ainda que qualquer pessoa razoavelmente informada seja capaz de perceber cada um dos golpes.

Tudo indica que Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, fecharam mais um pacto. Foi marcada para 29 de abril a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) de mais um indicado de Lula ao Supremo – dessa vez o advogado-geral da União, Jorge Messias. No dia seguinte, 30 de abril, o Congresso vota o veto de Lula ao PL da Dosimetria. O projeto foi aprovado na Câmara com 291 votos favoráveis; e no Senado, com 48 votos. Beneficia os perseguidos políticos do 8 de Janeiro, enquanto não vem uma anistia e, mais do que isso, enquanto não se anulam todas as ações ilegais de Alexandre de Moraes desde a abertura do Inquérito do Fim do Mundo.

Se o Congresso tivesse vergonha na cara, derrubaria o veto de Lula num estalar de dedos. Se houve mesmo algum acordo para aprovar o nome de Messias para o STF, “em troca” da derrubada, seria mais uma trama do Brasil da politicagem… Só mesmo nesse submundo alguém como o atual advogado-geral da União teria seu nome aprovado para uma cadeira no Supremo. Seria mais um amigo de Lula na corte, além dos aprovados recentemente: Flávio Dino, ex-ministro da Justiça do atual ocupante do Planalto, e Cristiano Zanin, ex-advogado do petista. Sem falar de Dias Toffoli e Edson Fachin…

Voltando ao debate na Band, na campanha eleitoral de 2022, ninguém pode esquecer o que disse o então candidato do PT. Ele afirmou que é antidemocrática uma nomeação de ministro do Supremo baseada em amizade, que a escolha deveria considerar “competência e currículo”. Mais uma mentira para a enorme coleção de lorotas de Lula: “Não é prudente, não é democrático o presidente da República querer ter os ministros da suprema corte para votar favoravelmente a ele, para beneficiá-lo”…

Para ser aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Jorge Messias precisa da maioria simples dos votos dos integrantes presentes à sessão de votação. Considerando que a CCJ tem um total de 27 senadores, seriam necessários 14 votos favoráveis. Depois, o nome segue para avaliação do plenário. Aí, para que Messias se junte à turma de amigos de Lula no STF, ele teria de obter pelo menos 41 votos dos 81 senadores. Infelizmente, as duas votações são secretas. Mesmo que a Constituição, no artigo 101 (parágrafo único), não especifique essa modalidade, o Regimento Interno do Senado e a tradição indicam que seja assim. A desculpa é que isso protege os senadores de pressões externas, do Executivo, do Judiciário… E o povo? O povo que se dane.

A preservação do infeliz reino dos politiqueiros depende disso, da clandestinidade, da falta de transparência. O que se faz nas sombras mais sombras gera. Então, seria importante que todas as votações no Congresso fossem abertas, sem exceção. Enquanto isso não vem, enquanto há indicações nefastas para o STF, é preciso fazer pressão para que Jorge Messias seja descartado sem titubeio. Se já faz um péssimo trabalho na Advocacia-Geral da União, imagine do que seria capaz na mais alta corte do país.

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LAUDEIR ÂNGELO - A CACETADA DO DIA

CORRESPONDÊNCIA RECEBIDA

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SEVERINO SOUTO - SE SOU SERTÃO

PEDRO MALTA - A HORA DA POESIA

POEMA DA MENTE QUE MENTE – Affonso Romano de Sant`Anna

Há um presidente que mente,
Mente de corpo e alma, completa/mente.
E mente de maneira tão pungente
Que a gente acha que ele mente sincera/mente.
Mais que mente, sobretudo, impune/mente…
Indecente/mente.
E mente tão nacional/mente,
Que acha que mentindo história afora
Vai nos enganar eterna/mente.

Affonso Romano de Sant’Anna, Belo Horizonte-MG, (1937-2025)

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MAURÍCIO ASSUERO - PARE, OLHE E ESCUTE

GUERRA À VISTA

O vulcão prestes a entrar em erupção, no Brasil, chama-se Daniel Vorcaro. Num país sério, o poder de destruição de suas trocas de mensagens com autoridades máxima do país, já teria feito algumas cabeças rolar, mas no nosso caso, não é bem assim. Todos os citados nas trocas de mensagens com Vorcaro, continuam com seus trabalhos, com suas poses de intocáveis e de marco da honestidade humana.

Em meio ao turbilhão provocado pela falta de dignidade, pela falta de caráter, de diversos membros da política nacional, a mídia divulgou uma relação de pessoas que receberam recursos de Vorcaro, a título de pagamento de honorários. O interessante é que ao longo tempo, a medida que as denúncias contra ele ganhavam contornos sérios, os gastos com bancas de advogados cresciam verticalmente. Em meio a tudo isso, a gente lembra da hombridade de Lewandowski ao afirmar que seu escritório recebeu R$ 5 milhões do banco Master, mas ele já havia saído do quadro societário. O cara era ministro do STF e passou a ser ministro da justiça do governo. Pense um pouco e veja o quanto é válido essa declaração dele, principalmente, quando se sabe, agora, que não foram R$ 5 milhões, mas R$ 61 milhões.

Na verdade, para as pessoas coniventes com o governo, não importa se Lewandowski, Temer, a esposa de Alexandre de Morais, o Rueda – que é presidente do União Brasil – , ACM Neto e tantos outros receberam recursos do Master, sabe-se lá para quê! O que importa é que o número do telefone de Niklas Ferreira está na agenda de Vorcaro e tudo isso se deve ao ex-presidente do Banco Central, Campos Neto. Todos sabem que o governo reproduzia como um mantra que o Master era obra de Campos Neto, era uma comprovação de corrupção do governo passado e bastava ver que Tarcísio de Freitas tinha recebido dinheiro do Master.

Gabriel Galípolo, atual presidente do Banco Central foi cirúrgico em enterrar essa narrativa isentando de culpa o ex-presidente. Não era isso que o governo esperava e, de modo inconteste o deputado federal Lindbergh Farias passou a atacar, nas redes sociais, Gabriel Galípolo, tecendo-lhe duras críticas por sua opinião isenta de ideologia e reforçada no tecnicismo que o Banco Central deve ter. Como sempre, esse deputado conhecido como “Lindinho” nas planilhas da Odebrecht e investigado por corrupção quando prefeito de Duque de Caxias, não consegue mais discernir mentira e verdade, caráter e a falta dele.

Sempre que a gente pensa num vulcão em erupção, a gente pensa na lava vulcânica queimando tudo ao redor. Se a gente levar em conta o tempo no qual a nossa terra balança ao sabor desse escândalo, essa lava não queimará absolutamente nada. Não é possível que após tantas revelações, Alexandre de Morais continue ditando ordens como se digno fosse de fazer isso. Enigmático foi o recado público dado pelo presidente da república: “não deixe que isso macule sua biografia!”. Alguém entendeu? O presidente está pedindo para Alexandre de Morais renunciar?

Dura lex sed lex, é dito sobre a lei. A lei é dura, mas é lei, no entanto, no Brasil essa máxima pode ser aproximada para algo como “dura lex, sed látex” – a lei é dura, mas estica – porque é sabido que em 2027 o presidente do STF será Alexandre de Morais. Portanto, ele só precisa sobreviver este ano com o apoio dos pares para que, em 2027 ele crie uma couraça de kriptonita em torno dele com capacidade para afastar, até mau-olhado.

Mais uma vez, a esperança recai sobre a capacidade de mudança no congresso nacional, principalmente no Senado. Não é possível ter um presidente canalha como Alcolumbre que, por ter o rabo preso, não é capaz de assumir uma postura condizente com a vontade de parte da população. A esperança é que tenhamos candidatos contrários a este lamaçal como no caso do Paraná onde dois candidatos despontam com chance de eleição.

Infelizmente, a região Nordeste continuará sendo obediente a canalhice atual. Pernambuco, por exemplo, concede 56% dos votos ao atual presidente. Há 25 anos o estado do Piauí é governado pelo PT e tudo que ele representa é algo como 0,5% do PIB nacional. Em 3 anos este estado tomou emprestado quase R$ 20 bilhões e continua na mesa miséria. São Paulo, com empréstimos da ordem de R$ 18 bilhões, no mesmo período, tem feito uma administração de dá inveja.

Eu não sei mais o que dizer para mostrar as pessoas o quanto estamos votando errado. A única explicação que tenho é que corruptos votam em corruptos.